Love In War

2 Capítulo 2


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“ Estamos juntos novamente e isso é tudo o que importa. Eu estarei com você, ao seu lado, te protegendo, pra sempre. “ [Allan Kostler] –

* * *

Uma intensa chuva começou a cair do céu cinzento, o vento soprava forte.

O interior do quarto estava às escuras, iluminado apenas por uma vela que mais parecia intensificar as trevas ao invés de espanta-las.

Joseph remexia-se inquietamente de um lado para o outro em seu leito. O peito subia e descia rapidamente devido a respiração arfante, os cabelos castanhos colavam-se a testa molhada pelo suor frio.

Em seus sonhos, projetavam-se as cenas de horror que havia presenciado ha horas by Text-Enhance\">atrás, e o grito de pânico de Natasha que ecoava por sua mente, apenas atormentava-o ainda mais.

De repente, um trovão riscou o céu, fazendo estrondoso barulho. Também fazendo com que Joseph caísse assustado da cama, chegando a bater com a cabeça no piso de madeira, abrindo uma leve ferida na testa.

O jovem levou a mão ao ferimento enquanto olhava confuso para os lados, estranhando o lugar onde se encontrava.

Levantou-se e caminhou lentamente pelo quarto, enquanto se apoiava com uma das mãos na parede. Num pequeno esbarrão, tateou o que parecia ser um pedaço de pano, ao olhar para parede seus olhos negros se arregalaram, e as pernas tremeram a ponto de fazê-lo cair sentado e assustado no chão.

Não podia acreditar no que estava vendo! Bem na parede, estava pregado o símbolo do inimigo: a bandeira do Partido Nazista.

O coração do rapaz acelerou, e o mesmo sentiu um forte aperto no estômago.

–– Preciso sair daqui.. Tenho que sair daqui!

Pensava enquanto olhava, procurando a porta do quarto.

Mas, antes mesmo que pudesse se levantar, ouviu passos. Antes baixos, mas que a cada momento aumentavam. Olhou para a porta do quarto e viu uma sombra sendo projetada por debaixo da mesma.

Os olhos de Joseph encheram-se de lágrimas, e ele rapidamente começou a rezar. Pensou na mãe, na irmã, e, principalmente, em Natasha. Sua consciência estava pesada.

A maçaneta girou lentamente, e a porta foi-se abrindo pouco a pouco, parecendo demorar uma eternidade. Com passos lentos, um homem foi adentrando no quarto.

As mãos atrás das costas, numa pose tipicamente militar. O uniforme, porém, não era a de um simples soldado. Era a de um oficial.

O misterioso ser retirou o keep e o jogou sobre a cama, logo em seguida puxando uma cadeira e sentou-se, sem pronunciar uma só palavra enquanto olhava para o jovem amedrontado a sua frente.

Quando os olhos negros do judeu se cruzaram com os do militar, Joseph sentiu um estranho calafrio percorrer-lhe o corpo.

Aqueles olhos de azul celestial... Ele os conhecia!

–– Allan...?! Allan, é você?!

O loiro sorriu de forma enigmática, e fez um breve aceno com a cabeça, afirmando.

–– Fico feliz que ainda se lembre de um velho amigo.

–– Eu.. Realmente não estou entendendo nada! Como... O que?! O que está fazendo aqui? Por que sumiu há anos atrás, sem ao menos se despedir? Que uniforme é este?!

Allan suspirou e levantou-se da cadeira, aproximou-se de Joseph e o pegou nos braços, colocando-o cuidadosamente de volta na cama.

–– São muitas perguntas, tenho pouco tempo. Por hora, o que posso lhe dizer é para que fique aqui.

Dizendo isso, o loiro levantou-se e caminhou até a porta, retirando-se do quarto.

Joseph ficou parado, seu cérebro ainda estava processando tudo o que lhe ocorrera. Levou a mão até a testa, ainda estava levemente febril. Talvez aquilo tudo fosse obra de sua mente! Uma alucinação causada pela febre! Fazia muito mais sentido.

Foi retirado de seus pensamentos quando ouviu uma sutil batida na porta.

–– Entre!

Uma jovem de cabelos negros adentrou no quarto. Trajava um uniforme de empregada, e em suas mãos, trazia uma bandeja, com um prato de sopa e um copo de suco.

Joseph respirou fundo, se deliciando com o aroma da sopa, que de tão quente podia ser visto a fumaça que emanava dela.

A jovem servente repousou a bandeja na cama, sobre o colo do garoto.

–– O patrão disse que o senhor tinha que se alimentar!

–– Muito obrigado. Estava realmente faminto.

Joseph pegou uma colherada e levou a boca, dando sutil sopro para esfriar, logo depois saboreando o alimento.

Fez uma expressão de prazer, o que fez a jovem empregada sorrir contente.

–– Está uma delicia! Como se chama a cozinheira que preparou?

–– Obrigada! Eu mesma que fiz. Chamo-me Lydia.

–– Está realmente saborosa, Srtª Lydia. Mas... E Allan? Não vai comer?

–– O patrãozinho foi resolver algumas coisas.

–– Sabe me informar que tipo de coisas?

–– Bem... Algo relacionado com o exército. Só sei disso. Ele evita falar sobre essas coisas aqui, dentro de casa, para não nos assustar, nem trazer ‘nada de ruim’ para cá.

–– Exército?

–– Sim. Ele é muito requisitado! E recentemente tornou-se Capitão! Capitão Allan Kostler!

–– Acho que você já falou até demais, Lydia.

Uma voz feminina e tranquila a alertou. A jovem Lydia ficou levemente corada e baixou a cabeça, enquanto outra empregada, de cabelos castanhos adentrou no quarto.

–– Não deveria ter dado essas informações para o jovem convidado. Ele esta doente, essas informações que você deu podem perturbá-lo.

–– Sinto muito, Samantha. Não era minha intenção. Eu só estava esclarecendo as dúvidas dele.

–– Pois já o fez! Vamos saindo agora. Deixe o rapaz descansar.

Fizeram uma sutil reverência e saíram, fechando a porta do quarto.

Joseph bebeu o suco rapidamente, e colocou o copo e a bandeja no criado-mudo que ficava ao lado da cama.

Estava inquieto, precisava descobrir mais coisas. Precisava falar pessoalmente com Allan.

Descobriu-se, pegou um sobretudo marrom que estava jogado sobre a cadeira de uma escrivaninha do quarto. Achou, também, um relógio de bolso de prata. Era lindo! Trabalhado a mão, repleto de detalhes, e com a letra ‘K’ em ouro puro, escrita em alto relevo.

Joseph delineou a letra com o dedo, com o olhar vagante.

–– K. De ‘Kostler’. Allan deve ter esquecido isto.. Vou entregar a ele!

Joseph abriu a porta e avistou os criados transitando pela casa, cumprindo com suas tarefas.

Não poderia sair por ali. Teria que sair pela janela do quarto.

Dirigiu-se até ela, abriu-a e pulou, sujando um pouco a roupa, que logo tratou de limpar com as mãos.

Teria que andar um pouco. A casa de Allan situava-se perto de uma floresta. Na verdade, era como se a floresta fizesse parte de seu jardim pessoal.

Foi caminhando com passos apresados, descendo a ladeira, chegou ao centro da rua e olhava para os lados. Avistou Allan entrando em uma pequena lanchonete, foi até ele com passos rápidos, acenando com a mão.

–– Allan! Espere um pouco!

O militar arregalou os olhos ao ver o amigo andar tão tranquilamente pelas ruas.

Correu até ele e puxou-o pelo pulso, arrastando-o para dentro da lanchonete.

–– Você é doido, por acaso?! Tem noção de perigo?!

–– Estou disfarçado!

–– Não, não está! Só esta com um uma peça de roupa minha, isso não é disfarce! Se te pegam, te matam!

–– Não fique zangado. Eu.. Só queria te entregar isto.

Retirou do bolso do sobretudo o relógio e entregou a Allan, que pegou o objeto e ficou a olha-lo por alguns segundos, depois guardou-o no bolso da calça.

–– Se arriscou só... Por isso? Você é louco! Mas eu agradeço. Esse relógio é de fato importante para mim.

O loiro sorriu levemente e apontou com a cabeça, para que Joseph o seguisse. Direcionou-se para uma das mesas que ficava no fundo da lanchonete. Sentaram-se e ficaram esperando que a garçonete os atendesse.

Allan olhava cautelosamente para os lados, como se tivesse medo que alguém aparecesse.

–– Algum problema?

–– Huh? Não é nada. Primeiro, escolha o que quer comer, para depois conversarmos tranquilamente, ok?

Joseph acenou positivamente com a cabeça e levantou o cardápio, enquanto os olhos brilhavam ao ver tanta coisa gostosa que poderia escolher!

Enquanto Joseph escolhia o lanche, a garçonete chegou apressada, ajeitando o avental. E baixando o olhar, tornando-se submissa ao chegar perto do militar, que já havia se acostumado com aquela reação das pessoas.

–– Perdoem-me pela demora! Sou a única funcionária daqui, no momento. Posso anotar o pedido dos senhores?

Allan jogou o cardápio sobre a mesa, nem se quer havia lido.

–– Quero apenas uma caneca de cerveja.

–– Sim, senhor! E para o jovem rapa... Joseph?!

O tom de voz da garçonete passou de submisso para surpreso. Joseph baixou o cardápio e avistou uma amiga da resistência!

–– Madeline?!

A garota ficou muda. O militar olhou atentamente para os dois, vendo a reação de assustada da menina, levantou-se da mesa.

–– Vou ao banheiro. Já volto.

E retirou-se. Logo após, a garota deixou que algumas lágrimas rolassem por seu rosto.

–– Ah, Joseph! Achei que, como muitos, tivesse sido pego!

–– Como conseguiu escapar?!

–– Eu me escondi em um buraco que havia na parede.

–– E Natasha e Aleksander?

Madeline fez cara de tristeza, engolindo o choro.

–– Eu pensei que você tivesse notícia deles. Eles.. Simplesmente sumiram... Oh, Joseph! E se algo muito ruim acontecer a eles?! E se foram pegos?!

–– Fique calma. Vamos ter pensamentos positivos!

–– Eu realmente espero que estejam todos bem. Rezo para que Natasha e Aleksander tenham conseguido escapar, assim como você.

–– Assim como eu...

Mesmo não tendo sido nada demais, aquelas palavras foram como uma facada no peito de Joseph. As lembranças voltaram a se projetar na mente de Joseph. O grito de Natasha voltou a ecoar em sua mente. Aquele grito.. Grito de medo.

–– Algum problema?

Voltou à realidade ao ouvir a voz de Allan, que puxava a cadeira para voltar a se sentar.

–– Não. Não é nada.

Joseph olhou para Natasha, que havia baixado a cabeça e ficado muda. Pelo visto, tinha medo de qualquer um que estivesse fardado. Alguma coisa teria acontecido com ela?

O garoto baixou o cardápio e foi breve, fingindo que não havia falado nada com ela esse tempo todo.

–– Vou querer um café preto com canela e uma porção de panquecas com creme!

Madeline anotou tudo e fez breve reverencia com a cabeça, se retirando depois.

Olhou para Allan, esperando que ele perguntasse algo. Mas não o fez.

O loiro não havia mudado, mesmo depois de tantos anos. Continuava muito educado.

Joseph ajeitou-se na cadeira, e tentou puxar conversa com o amigo, que já não via a tanto tempo.

–– Então, Allan. Por onde este durante todo esse tempo? O que tem feito da vida?

–– Acho que o que tenho feito da minha vida esta meio óbvio.

Apontou para o uniforme. O garoto ficou com o rosto levemente corado, que pergunta besta!

Ao ver que a face do outro havia ficado levemente ruborizada, o militar deu leve sorriso e prosseguiu.

–– Eu não queria estar aqui, neste uniforme, neste lugar..

–– Eu imagino.

–– Eu realmente não acho seguro falarmos de assuntos delicados e pessoais aqui. Sabe, as paredes tem ouvidos. E qualquer informação sigilosa, poderia prejudicar a ambos.

–– Entendi!

A garçonete veio com os passos apresados. Serviu com cuidado o pedido. Joseph e Allan repararam nas mãos trêmulas que retirava os pratos da bandeja e depositava na mesa. Por pouco, não deixou o café derramar. Teria o feito, se Allan não tivesse a ajudado.

Aquele simples ato não pareceu aliviar Madeline, mas, sim, fazer com que seu rosto empalidecesse. Ela baixou o olhar e retirou-se.

–– Ela é sempre assim?_ O loiro perguntou.

–– Na verdade, não. Eu.. Não sei o que está havendo com ela.

Fora a única pergunta que Allan fez.

O jovem alemão pegou a caneca de cerveja e levou aos lábios, bebendo socialmente.

–– Esta com vergonha de comer na minha frente? Ataque isso aí!

O garoto não esperou uma segunda ordem, começou a comer animada e apressadamente.

Doces! Como uma criança, amava doces!

Allan bebia a cerveja calmamente, enquanto olhava pela janela. Parecia estar apreensivo, esperando alguém.

Quase se engasgou ao ver passar uma pessoa. Que Joseph olhou, mas não conseguiu identificar muito bem a imagem. Para ele, aquilo não passou de um borrão. Um vulto que passava pela janela.

O loiro levantou-se, tirou algumas notas, mais que o necessário, apressadamente da carteira e jogou sobre a mesa. Pegou o menor pelo pulso e começou a andar.

–– Temos que sair.

–– Mas.. Mas eu nem terminei de comer!

Allan retirou-se da lanchonete, olhou para os lados e não avistou a tal pessoa, que o deixou tão suspeito.

–– Tudo bem. Vamos indo.

–– Capitão!

Uma voz jovem, porém forte, gritou.

Allan olhou para o lado, e viu dois militares se aproximando. Apressou-se logo em alertar a Joseph.

–– Mantenha a calma.

–– Quem são estes?

–– Tenente Hans e o General George. Só uma observação: o Tenente é o loiro. Tome cuidado.

Eles pararam de falar no momento em que os dois militares se aproximaram.

Ambos eram altos, olhar duro. Ambos davam medo!

O General era mais velho, tinha os cabelos negros, seus olhos azuis eram escuros. Já o Tenente tinha a pele mais pálida, e seus olhos azuis eram de uma tonalidade, que poderia até ser comparada com os de Allan. Porém, eram vazios, inexpressivos. Seus cabelos loiros eram tão claros, que quase chegavam a ser brancos. E possuía uma estranha cicatriz no pescoço.

Ao ficarem frente a frente, os militares bateram os pés e ergueram o braço, proferindo a saudação que era tão cruel.

–– Heil Hitler!

Joseph sentiu um calafrio percorrer-lhe o corpo, mas controlou-se.

Por algum motivo, não conseguia desviar o olhar da cicatriz do Tenente, que notou e ajeitou a gola do uniforme, cobrindo a marca. Joseph ficou levemente corado e baixou o olhar.

–– Quem é este rapaz com roupas tão largas?_ Perguntou o General.

–– É Joseph, senhor! Meu amigo de infância. Ele perdeu o emprego recentemente, e eu estava pensando em dar-lhe algo para fazer em minha casa.

–– É mesmo? E quantos anos tem meu rapaz?

–– Dezoito, senhor.

–– Ah, já é um homem! Realmente, não pode ficar desempregado. Diga-me, por que ou como perdeu seu emprego?

–– Eu trabalhava em um pequeno bar, mas este acabou falindo.

–– Entendi.. E, Allan, em que cargo pretende emprega-lo?

–– Eu estava pensando em coloca-lo para trabalhar como jardineiro.

–– Mas para isso, não prefere pegar alguns dos prisioneiros? Eles trabalham de graça.

–– Não, senhor! Não quero nenhum maldito judeu invadindo minha privacidade, nem mexendo nos meus pertences!

Joseph olhou de canto para Allan, fuzilando-o com o olhar.

Neste momento, o Tenente Heins sorriu de canto e se intrometeu.

–– Ora! Então quem faz a limpeza da sua casa?

–– Trouxe meus serventes mais fiéis comigo.

–– Lá em casa também temos serventes e mesmo assim não deixamos de pegar alguns prisioneiros para os trabalhos extras.

–– Aí já é escolha sua. Não minha.

O sorriso sarcástico se desfez no rosto pálido de Heins, que por pouco não agrediu Allan.

O General colocou a mão no ombro do filho, dando leve apertão.

–– O Capitão está certo, Tenente Heins. É uma escolha dele. Além do mais, ele quer ajudar o amigo desempregado.

Heins continuou calado, apenas encarando Allan.

Joseph pode notar que naquele olhar havia muita rivalidade, e, acima de tudo, muito ódio.

O General prosseguiu.

–– Faça como queira Capitão. Mas lembre-se que os prisioneiros estarão sempre à disposição. É para isso que servem... Por enquanto.

–– Não me esquecerei, senhor.

–– Muito bem. Heil Hitler!

Ambos repetiram a saudação, e Joseph ficara apenas olhando. Era tão estranho ver Allan fazendo aquela saudação tão.. Desumana. Cruel. Diabólica.

Os olhos atentos de Joseph perceberam que, ao virar de costas, o Tenente começava a coçar a cicatriz de seu pescoço, com tanta força e raiva, que deixou a pele completamente vermelha.

Olhou para Allan, que, com o olhar, seguia aqueles dois com desprezo.

Joseph olhou para Allan e indagou num tom submisso, ainda chocado por ter ficado frente a frente com dos militares nazistas, que com certeza não eram como Allan.

–– O Tenente.. É seu amigo?

–– Se eu pudesse escolher meus amigos, não seria ele. Não. O Tenente Heins é meu primo, e o General George meu tio.

–– Quer dizer que eles são..

–– Pai e filho? São, sim.

–– A meu ver, ele pareceu te odiar... Intensamente.

–– Ele me vê como rival desde que éramos crianças. Temos a mesma idade, mas estou numa posição acima dele, que é filho do General.

–– Até eu te odiaria se estivesse no lugar dele!

Allan riu bem humorado e retirou o relógio do bolso, conferindo as horas.

–– Não terei que fazer mais nada por hoje. Vamos voltar para casa, de onde você não deveria ter saído.

Disse em tom suave e guardou as mãos nos bolsos do uniforme, pondo-se a caminhar.

Joseph acompanhou os passos do amigo, olhando discretamente para as mãos que ele havia guardado dentro dos bolsos.

Aquelas mãos... Se pudesse pegá-las, mesmo que por pouco tempo, ficaria feliz,

Os dois caminharam em silêncio, e acabaram por ser surpreendidos por uma forte chuva.

Allan retirou a parte de cima de seu uniforme e cobriu a cabeça de Joseph, logo depois, segurando-o fortemente pela mão e começando a correr.

As bochechas de Joseph ficaram coradas ao sentir o contato com a mão do loiro. Eram grandes, quentes, seu toque era forte.

Eles correram o mais rápido possível, rindo como duas crianças.

Chegaram logo a casa, e Allan parou debaixo de uma pequena coberta do telhado, esperando Joseph recuperar o fôlego.

Ouviu-se então o barulho de um estrondoso trovão. Joseph, assustado, abraçou Allan instintivamente, que riu do susto do amigo e o abraçou de volta.

O menor acabou corando, não esperava que seu amigo retribuísse.

Levantou o olhar e deparou-se novamente com aqueles olhos. Aqueles olhos azuis que tanto amava. Que não via à tantos anos. Aqueles olhos que lhe transmitiam tanta tranquilidade em tempos de guerra.

Foi surpreendido quando Allan o soltou repentinamente e observou ao seu redor. O loiro fora pelo jardim, novamente puxando o jovem Joseph pela mão. Abriu a janela do quarto, colocando Joseph para entrar e pulando logo em seguida.

Agora no quarto, o garoto baixou o rosto, para esconder o rubor que lhe cobria completamente a face.

Havia sentido algo quando olhava para Allan. Algo que nunca havia sentido em toda sua vida. Era o mesmo sentimento que sentia na infância? Talvez sim. Porém, agora mais forte...

Allan fechou a janela do quarto, logo depois a cobrindo com as cortinas. Suspirou enquanto retirava seu keep e o jogava sobre a cama. Caminhando tranquilamente na direção do amigo.

Delicadamente, acariciou a face corada do garoto e o fez erguer o rosto.

Joseph novamente estava olhando para aqueles olhos azuis pacíficos.

Foi então que sentiu o rosto corar ainda mais quando sentiu o alemão aproximando o rosto do dele.

Seu coração disparou ao sentir a pressão dos lábios quentes e macios do militar contra os seus, que iniciava delicado beijo. Pouco a pouco, a língua do loiro invadiu a boca do jovem judeu.

Joseph sentiu uma onda de calor invadir seu corpo. Uma explosão de sentimentos que nunca em toda a sua vida havia sentido.

Allan foi interrompendo o beijo devagar, afastando o rosto depois e acariciando a face vermelha do rapaz, que o olhava com os olhos brilhando.

–– Allan...

–– Eu já te perdi uma vez, Joseph. A partir de agora, você se tornou minha responsabilidade. Estamos juntos novamente e isso é tudo o que importa. Eu estarei com você, ao seu lado, te protegendo, pra sempre.

Abraçou novamente o garoto e aspirou o perfume de seus cabelos, beijando-os docemente.

Allan não sabia muito bem o que estava fazendo. Nunca havia sentido tal coisa por outra pessoa do mesmo sexo. Mas sentia com Joseph. Era puro, especial, era amor.

Um amor que, talvez fosse antigo, só não havia sido desperto ainda.

Joseph permanecia em silêncio. Sua mente ainda estava tentando processar o que havia acabado de acontecer. Seu coração ainda palpitava forte e rápido.

Após alguns segundos em silêncio, o loiro afrouxou o abraço e afastou o corpo do garoto, beijando a testa do mesmo.

Pegou seu keep de volta e o colocou, dirigindo-se a porta.

–– Tenha uma boa noite, Joseph. Durma bem.

Antes de fechar a porta, lançou gentil sorriso para o garoto.

Assim que ouviu o bater da porta, Joseph deixou seu corpo cair de qualquer jeito na cama.

Olhava para o teto, ainda incrédulo.

Levou dois dedos até os lábios, delineando-os enquanto lembrava-se do beijo.

Teria sido aquilo errado? Seria aquilo do agrado de Deus? Iria ele para o Inferno, agora que havia descoberto tais sentimentos para com alguém do mesmo sexo?

Ficou segundos a pensar, até que por fim deixou meigo sorriso surgir nos lábios. Seus olhos brilhantes vagavam sonhadores.

Deus o odiaria? Provavelmente não. Pois Joseph não fazia nada de mais. Nada que não amar.

Amor.. Tinha certeza que o que sentia era amor. Amava Allan dês de criança.

Era amor! Deus.. Não iria puni-lo por amar de modo tão puro, sem qualquer perversão.

Tirou os sapatos e cobriu-se, fechando os olhos e relembrando do que havia acabado de acontecer. Estava tão feliz, tão tranquilo, que nem percebia mais a chuva que caia do lado de fora.

Foi dormir pensando naquele momento. Relembrando de todos os detalhes.

Relembrando.. De seu primeiro beijo.



Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.