Notas iniciais
Olá, olá. Iai tudo firmezinha? na paz? ;)
Okay, parei com a brisa.
Isso aqui foi o resultado de uma insônia, pois é. Então não me matem por ficar uma merda? Okay?
Ah, espero que gostem ;)
Enjoy.

A neve caia lentamente lá fora, estavámos perto do natal e como sempre teria visitas em casa. Não que eu não gostasse delas, mas era que eu sabia que apenas por obrigação. Estou velho e não tenho mais nenhum utilidade.

Caminhei com dificuldade até a porta já que a campainha tocava loucamente. Atendi e vi minha filha junto com o meu neto — com cara emburrada, creio eu.

- Bom dia papai — ela me abraçou e entrou. — Vamos, Jimmy fale com o seu avô. — rosnou ao adolescente que abaixava o capuz da sua blusa de frio preta. Ele rolou os olhos e sorriu forçado.

- Bom dia vôvô. — adentrou na casa e eu fechei a porta. Seria um fim de semana longo.

- Nem sei como agradecer ao senhor por deixar o Jimmy passar o final de semana aqui — ela começou a falar com pressa e eu sorri.

- Tudo bem minha querida, fazia muito tempo que não tenho compania nessa casa — dei meu melhor sorriso e ela assentiu.

O garoto já estava esparramado no meu sofá com a mochila jogada perto de seus pés. Suas feições não eram muito animadoras, também quem ficaria animado tendo que passar uns dias na casa de um velho como eu? Com certeza que se fosse comigo faria a mesma coisa.

- Sendo assim eu já vou indo — ela virou-se para o ser emburrado — Melhor se comportar ou ficará um mês sem sair de casa, sem computador ou qualquer outra coisa que você apressia. Bom papai, depois conversamos sobre a sua ida no médico viu, tchau. — ela saiu pela porta e eu fanzi a testa.

Agora a coisa fica complicada para o meu lado.

- Seu quarto é o mesmo de sempre, se quiser pode levar sua mochila — falei tentando parecer agradável.

- Que seja — levantou-se e levou sua mochila para o andar de cima, escutei apenas a porta bater em um estrondo.

Adolescentes.

[...]

Já era de noite e Jimmy, não havia descido nem pra beber um copo d'água. Só espero que ele não tenha morrido, ou qualquer outra coisa do tipo.

Subi às escadas lentamente e fui até a segunda porta do corredor. Bati e não recebi nenhuma resposta, bate novamente e ouvi o trinco da porta.

Vi o rosto dele apenas pela fresta da porta.

- O que quer? — perguntou seco.

- Você não saiu daí desde que chegou eu queria saber se... — merda, eu não sabia o que inventar pra ele poder sair — Se gostaria de pedir uma pizza. — bingo! Tem outra coisa que eles mais amam?

Ele pareceu pensar e saiu do quarto.

- Eu estou mesmo com fome.

Fomos a sala e liguei pedindo a pizza. O garoto continuou com a sua feição emburrada sentado no sofá, ainda trajando sua blusa de frio preta, com calça jeans da mesma cor e um All Star. Ele me lembrava muito alguém do meu passado. Apesar da aparência ser igual a minha quando tinha sua idade.

Desliguei o telefone e sentei-me ao seu lado. O silêncio era totalmente constrangedor. Mas que merda ele é seu neto e não sabe puxar um único assunto que seja?

Abri a boca pra falar e o celular dele começa a tocar, ele retira do bolso da calça e sorri assim que olha o visor. Vai ver é uma namorada...

- Seu desgraçado — ou melhor amigo?

Fiquei observando como o humor dele mudou assim que atendeu. Ele ria, xingava, e falava o quanto estava adorando o frio. Mas o que mais me surpreendeu durante toda a conversa alheia que eu prestava atenção era que mesmo chamando o tal amigo de filho da puta e afins, ele era carinhoso. Sim, carinhoso.

Assim que ele desligou eu sorri de lado e o mesmo me fitou fazendo uma careta engraçada.

- Seu amigo? — perguntei sorrindo mentalmente.

- Ah, é. Meu amigo.

- Certeza disso? — ele corou.

- Claro, eu não sou nenhuma bicha. — ele alterou o tom da voz.

- Não estou dizendo isso, é que... — vamos, é uma boa hora de contar isso a mais alguém — Se você tiver algo com o seu amigo, nada contra.

- Sério? — perguntou parecendo animado. — Não me importo. — fechou a cara assim que a campainha tocou e foi lá pegar a pizza.

[...]

Comemos a pizza em silêncio, ele às vezes abria a boca como se fosse falar algo, mas ele no mesmo instante a fechava ou enfiava mais um pedaço da pizza.

Assim que acabamos de comer, eu fui lavar a louca. Porém a luz foi embora. Maldita tempestade de neve.

- Acho que vou ir dormir. — fiz menção de levantar, mas Jimmy falou mais rápido.

- Será que poderia me contar como era o seu amigo?

- Claro, mas é longa a estória.

- Tudo bem, eu, é, bom, vou querer ouvir — forçou o sorriso. Sabia que eu estava vendo a mesma estória de antes.

Notas finais
Ruim? Posso me jogar da ponte??