Love Faberry
52 Capítulo 52
Notas iniciais
Era madrugada em Lima, o relógio ao lado da cama marcava 3h15m, quando um chorinho foi ouvido através da babá eletrônica na cabeceira de sua cama, tateou até bater a mão sobre o aparelho e desligou-o, seus olhos se abriram preguiçosamente, chutou as cobertas e levantou, arrastando os pés no chão, sonolenta até o outro lado do corredor, abriu a porta do quarto e o choro agora se tornou mais audível e a despertara o suficiente para pegar o bebê.
– Ei, meu amor. O que foi? Eu acho que você está com fome, não é? — perguntou passando o polegar no queixo do bebê que parara de chorar e lhe deu um sorrisinho. – Sua mamãe está dormindo, então vamos descer e eu vou te dar seu leite. – completou dando um beijo na testa do bebê.
Quinn havia recebido alta há quatro dias e tecnicamente não poderia fazer esforços, mas Rachel andava esgotada cuidando do bebê e dela, não custava nada cuidar de seu filho enquanto a morena dormia. Dani estava para receber alta logo, estava em fisioterapia constante e em um acompanhamento psicológico rigoroso. Balança a cabeça afastando os maus pensamentos e lembranças ruins, aconchega seu filho em seus braços e desce as escadas devagar, o pequeno resmungava algo ininteligível enquanto se remexia em seus braços.
Ao chegar à cozinha Quinn pegou uma panela colocou a água no fogo e abriu a geladeira, pegou o leite que estava em uma mamadeira e colocou sobre a bancada. Seu filho começou a chorar.
— Oh, meu amor, espera só mais um pouquinho. – disse fazendo carinho no rosto macio. Pegou a mamadeira e colocou dentro da panela ainda no fogo esperou uns segundos e desligou o fogo, não era o que devia ter feito, mas seu bebê estava chorando com fome e era a saída mais rápida. Aguardou o necessário para que o leite estivesse em uma temperatura adequada, enquanto distraia o pequeno Elliot. Haviam escolhido o nome dele pouco antes de sair do hospital, demoraram em escolher até que entraram em consenso e decidiram enfim.
A loira retirou a proteção interna da mamadeira e levou até a sala, colocou-a sobre a mesa de centro e puxou o sofá cama para ficar mais confortável, ligou a televisão e conectou ao HD, colocou Saturn do Sleeping at Last para tocar em volume ambiente, ajeitou o Fabray menor em seu colo e colocou a toalhinha próxima a seu pescoço, pegou a mamadeira e pós o bico sobre os lábios do bebê que rapidamente começou a sugar.
— Nossa! Você realmente estava com fome em rapazinho. – brincou acariciando os cabelos dele. Sorriu enquanto admirava aquele pequeno ser, seu filho, seu e de Rachel. Tão lindo e perfeito. Passou o indicador pelos pouco de cabelos que tinha e desceu as carícias para o rosto sonolento, sorriu e deixou algumas lágrimas rolarem por sua face quando em meio ao abre e fecha dos sonolentos olhos, Elliot segurou firme sua mão...
Ao terminar a mamadeira, os olhinhos do pequeno estavam se fechando.
Quinn o virou cuidadosamente e o pôs na vertical em seu colo e recostou no sofá cantarolando a música e fazendo carícias nas costas de seu filho.
Do arco de entrada para sala, Rachel observava a cena com um enorme sorriso nos lábios e uma lágrima solitária deslizando pela face. Acordara sentindo falta do calor do corpo de Quinn, tinha ido até o quarto do Elliot e ele também não estava lá, então ouviu o som baixo vindo da sala e resolveu dar uma olhada no que estava acontecendo, ao deparar-se com a cena não se conteve e passou a admirar. Perdeu a conta do tempo em que ficara ali, foi até a cozinha tomar um copo de água e retornou à sala só agora se aproximando do sofá, apenas para perceber que ambos dormiam Quinn com a cabeça sobre uma almofada e o pequeno Elliot deitado sobre sua mãe que o segurava firmemente, ele tinha a cabeça sobre o seio de Quinn e sua mãozinha estava em seu queixo, era a coisa mais linda. Rachel procurou por seu smartphone, mas não o encontrou então pegou o de Quinn em cima da mesa de centro, entrou na câmera e tirou foto dos seus dois amores.
Era bom ver Quinn assim, ela havia andado um tanto distante e triste desde a notícia sobre o bebê de Dani. Por mais que se sentisse incomodada com o fato de Dani e Quinn terem “algo”, ela sentia muito tanto por Quinn quanto por Dani, fora algo doloroso e ainda estava sendo, principalmente para a outra morena que não pôde ter seu bebê nos braços. Rachel entendia a dor, imaginava o quão difícil deveria ser e era grata a Dani pelo o que ela havia feito.
***
A polícia mesmo tendo Russel consigo, continuou a investigar o caso e chegou até Kate, a jovem surpreendeu-se ao ser levada de casa algemada pela polícia, mas estava tão triste, cabisbaixa e machucada que nem se importou ou reagiu. A interrogaram e também ao rapaz que Russel havia enviado para negociar com ela, ela dizia que tinha culpa pelo estado de Quinn e que deveria mofar na prisão, mas estava um tanto fora de si, então ao interrogarem o rapaz descobriram que na realidade ela só havia ido até o local marcado e negociado sua parte no plano de Russel, mas na hora de agir ela fugira, obviamente Russel não deixou isso passar e mandou seus homens darem uma surra na menina, ela só não havia apanhado mais, pois o rapaz a socorrera e lhe ajudara. A polícia colheu os depoimentos e investigou até decidirem que Kate não teve envolvimento maior com o caso, então apenas a colocaram para cumprir uma medida sócio educativa por um ano no abrigo infantil de Lima e na casa para idosos em Fort Shawnee. E sobre Russel até então sabia-se que pegaria uma sentença de 30 anos, sentença essa apenas para o ocorrido em Lima, com a investigação da polícia mais coisas estavam sendo descobertas e o homem iria a julgamento em Nova York e sua sentença seria reavaliada.
***
Dani estava cabisbaixa acabara de receber alta, Harmony empurrava a cadeira de rodas em que estava sentada, teria de usá-la por pelo menos uma semana e nem pensar em fazer qualquer esforço. Seu pensamento mantinha-se distante e os olhos em suas mãos cruzadas sobre suas pernas. Desde o acontecido não falara muito, apenas o necessário, não tinha tido nenhuma conversa decente com ninguém a não ser o psicólogo, era o único com quem Dani tivera realmente uma conversa.
Harmony a colocou no carro e dirigiu até que estivessem na casa de Quinn.
Ao estacionar no caminho para a garagem, Harmony ajudou Dani a sentar-se na cadeira e levou-a para dentro, tudo estava silencioso, se encaminhou a sala de estar onde Rachel e Quinn se encontravam assistindo TV.
– Olá, chegamos! – cumprimentou Harmony com um pequeno sorriso. Rachel olhou e sorriu timidamente para as duas morenas, Quinn olhou para Dani, mas não sorriu, sua postura estava tensa e ver Dani tão magra e cabisbaixa sem emitir nenhum som ou qualquer expressão que fosse, fez seu coração apertar e sua garganta se fechar.
– Oi Harmony e Dani... Fico feliz que esteja aqui, que esteja bem. Devo muito a você. Obrigada! – Rachel disse dando um pequeno abraço em Dani que apenas acenou com a cabeça.
Quinn só havia visto Dani uma vez depois de receber alta, a mulher ainda estava no hospital, tinha a face serena enquanto dormia em função dos remédios, olheiras profundas sob os olhos outrora tão expressivos e brilhantes. Mas essa Dani, ali na sua frente não parecera à mesma que conhecera há anos atrás, não era aquela que foi sua namorada, não era a sua amiga, tinha alguém irreconhecível em sua frente e Quinn sabia como era sentir-se assim, ela sabia como Dani estava se sentindo e não queria, não admitiria que ela fizesse isso consigo. Passara tanto tempo encarando Dani que não percebera quando Harmony e Rachel deixaram-nas a sós, nem quando Dani levantou o olhar e lhe encarou de volta tentando entender seu silêncio.
— Eu sei o que está fazendo. – começou com a voz quebrada e o rosto entre as mãos. – Isso não é certo, Dani, não é o melhor, esse é o caminho que você não deve seguir. – parou engolindo em seco e se aproximando da ponta do sofá, com cuidado tomou as mãos da morena nas suas e movimentou os lábios segurando as lágrimas, passou o polegar pela mão dela e trouxe o dorso até seus lábios deixou ali um pequeno e demorado beijo, fechou os olhos enquanto deixava as lágrimas caírem.
— Me desculpe! Me perdoe por isso! – Quinn suplicou com dor, as lágrimas deslizavam furiosamente pela sua face, ouviu o som como de um pequeno grito abafado, levantou seus olhos e o que viu a quebrou de uma forma inexplicável, Dani tinha a mão esquerda sobre seus lábios e tentava controlar os soluços que davam solavancos em seu corpo, as lágrimas eram tantas, era tanta dor, não havia como explicar o quanto, a sensação de Quinn era de que tinham lhes rasgado o peito e esmagavam seu coração sem piedade, sabia que Dani estava sentindo-se da mesma forma, compartiam da mesma dor.
Quinn a tomou em seus braços tirou-a da cadeira e a deitou no seu colo, no sofá, a morena se debatia contra Quinn e soltava pequenos gritos de dor, mas a loira apenas a segurou contra seu corpo, apertou o abraço e acariciou os cabelos escuros cantarolando suavemente ao seu ouvido, a morena fazia força, tentava a todo custo soltar-se de Quinn, os gritos aumentaram e eram abafados pelo pescoço da loira.
— Eu não vou te soltar, não vou... Estou aqui com você! – Quinn fechou os olhos pesadamente, deixou suas emoções fluírem, permitiu-se sentir tudo o que impedira desde a notícia.
Harmony e Rachel assustaram-se com o barulho e foram até a sala ver o que acontecera. Nada teria preparado-as para a cena a seguir os olhos de ambas encheram-se de lágrimas, doía ver o que acontecia ali agora... Mas era necessário, era necessário para que a cura, o alívio viesse enfim.
Existe uma frase que diz que “a dor precisa ser sentida”, embora pareça um tanto masoquista tal frase, ela carrega uma verdade sem igual. Se você de alguma forma se impedir de viver o luto, a dor, ela irá se acumular dentro de você, te tornará alguém amargo, sofrido, tirará o brilho dos seus olhos e a sua alegria de viver, nada mais fará sentido e o fim será seu maior anseio.
Mas se você deixar-se sentir, se permitir a si viver o luto, viver a dor, esse será o primeiro passo para que você se recupere se reerga e recomece. Nunca será fácil, não será bom sempre, mas é preciso levantar e lutar mesmo estando em pedaços, as palavras de consolo podem não fazer sentido e às vezes parecer não valer de nada, mas peguem cada uma delas e as tome para si, deixe-as guardadas em algum lugar dentro de você para que então, no dia que você precisar, quando estiver tomando os passos para se levantar você os ouça internamente e então os entenda, os use para prosseguir e chegar onde é preciso!
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