Love Drunk

71 Segunda Temporada - Capitulo 24


Notas iniciais
Hey everbody! Eu sumi e a fic acabou entrando em um pequeno Hiatus de quase sete meses. Eu sei, muito tempo mesmo. Eu estava totalmente sem criatividade e não conseguia pensar em nada bom o suficiente para por no capitulo, mesmo que já soubesse o que deveria por. É confuso, mas acreditem, foi um verdadeiro inferno! hahaha O engraçado é que logo agora que a criatividade voltou, eu estou sem computador. Meu HD deu seus últimos suspiros na semana passada e agora, até que meu pai faça a compra de um novo, a Penica (Mari), vai estar com acesso à minha conta e irá postar para mim! Uhu! De qualquer forma, talvez as atualizações sejam feitas com mais frequência, porque o que me resta é escrever em um notebook sem internet (o da minha tia, Obrigada tia!)! uahuahasuh Espero que gostem do capítulo, Até a próxima semana, Boa leitura.

Sasuke me acariciava, enquanto nos tornávamos um só. Meu corpo era pressionado contra o dele, nossas respirações conjuntas... Inconstantes. Pendi minha cabeça para trás, meus dedos entrelaçaram-se nos cabelos dele. Mal conseguia manter meus olhos abertos.

Uma corrente de ar frio fez com que todos os pelos do meu corpo se eriçassem. Sasuke havia se afastado por um breve momento, deitando-me antes de se posicionar em cima de mim. Em seus olhos havia um brilho diferente. As bochechas estavam coradas, pude jurar que um sorriso brincava em seus lábios.

Chegamos ao nosso ápice juntos, ele entrelaçou seus dedos nos meus e me puxou para que eu me aconchegasse em seu peito. Minha diversão antes de dormir, foi ouvir as batidas do coração de Sasuke, enquanto ele acariciava o meu cabelo.

Eu já estava mal acostumada.

Ele murmurou alguma coisa, tive a impressão de que estava cantando, mas não parei para prestar atenção.

Simplesmente adormeci.

Acordei no dia seguinte com as minhas pernas enroscadas nas de Sasuke, enquanto ele rodeava um dos braços pela minha cintura; sua mão repousava sobre o meu ventre. Sorri manhosa, me aconcheguei em seu peito e fechei os olhos novamente.

Tudo parecia tão bonito.

Eu podia ouvir os pássaros cantando, os cachorros latindo e os risos das criancinhas que corriam apressadas para entrar na perua que as levaria para a escola. E no entanto, tudo o que eu queria, era continuar com o rosto enfiado na curvatura do pescoço de Sasuke; sentindo a pele dele se arrepiar.

Logo (como se lesse os meus pensamentos), Sasuke passou a se mexer de uma forma que não me incomodasse. Senti sua mão sobre o meu cabelo, acariciando minhas madeixas até o meio das minhas costas. Ele murmurou alguma coisa que eu não consegui compreender, beijou minha cabeça e desenroscou-me dele de modo sutil. Levantou-se e me cobriu novamente.

– Você é tão sem graça. – resmunguei enfiando o rosto no travesseiro dele. – Tãaaaaaaaaaao sem graça, Uchiha. – repeti fechando os olhos. Deitei-me de bruços. Segundos depois, eu me virei como se essa posição me desse choques. Aquilo podia machucar o bebê – repeti isso milhares de vezes em minha cabeça, obrigando-me a ficar deitada de lado. Agora, o travesseiro estava cobrindo o meu rosto da melhor forma possível. – O que está fazendo? – Perguntei curiosa.

O quarto continuava escuro, mas Sasuke já não estava na cama. Presumi que ele estivesse caminhando pelo quarto tão silencioso quanto um gato. Retirei uma parte do travesseiro do rosto e vi Sasuke recolocando as cuecas, enquanto caminhava curvado, eu nem ouvia seus passos. Franzi o cenho e respirei fundo, pronta para voltar a dormir, quando vi Sasuke tropeçando em alguma coisa e caindo em um baque surdo no chão.

Ele soltou um palavrão baixo e eu comecei a rir como uma gralha. Aproveitei e joguei o travesseiro nele, quando percebi que o Uchiha estava olhando para os lados procurando a dona da risada.

– Tá acordada? — Perguntou frustrado, enquanto se levantava e pegava o travesseiro.

– O nome disso é despertador biológico, meu bem. – Respondi ainda enfiada entre as cobertas. – O despertador nem tocou, tá acordado por quê?

– Eu só queria tomar um banho. – Ele disse dando ombros. Sasuke jogou o travesseiro em mim e eu resmunguei algo que ao menos consegui compreender. – Volte a dormir.

– To com fome. – Levantei-me, o cabelo caindo no meu rosto, minha mão sobre a minha boca tentando conter um bocejo. – E preguiça. – Me joguei novamente na cama. Minha cabeça bateu na cabeceira e eu choraminguei, jogando o travesseiro em meu rosto novamente.

– Tudo bem? – Sasuke perguntou-me em um tom preocupado e eu ergui um polegar afirmativamente, embora minha cabeça continuasse a doer. – Deixa de ser tão desastrada, Sakura. – Ralhou em seguida. – Se aparecer roxa, minha mãe vai pensar que eu bati em você.

– Então eu posso ficar roxa de outras coisas? – Perguntei alto, em um tom malicioso.

– Ah, de outras coisas você pode. – Respondeu Sasuke após uma gargalhada. – Na verdade, acho que nem de outras coisas...

– Cala a boca. – Tirei o travesseiro do rosto e quando encontrei meu marido, ele me observava com um sorriso nos lábios. – Algum problema? – Sentei-me e coloquei o travesseiro entre as minhas pernas. – Tá parecendo meio perdido. – Cocei os meus olhos e balançou a cabeça negativamente, mas o bendito sorriso continuava em seus lábios. – Diga logo...

– Só estou pensando que daqui há alguns meses não vão ser mais só eu e você. – Comentou ele e eu fiz uma careta. – Quer dizer, uou, nós vamos mesmo ter um bebê. – Acrescentou admirado. – E eu quero gritar isso pra todo mundo logo. – Gargalhei e tive a impressão de que as bochechas de Sasuke estavam vermelhas. – Tsc. – Ele segurou a toalha firmemente e foi para o banheiro, não fechou a porta.

– Na verdade, quem vai ter um bebe sou eu. – Pontuei divertida e ouvi um resmungo de indignação dele. – Quem vai ficar gorda e com os pés inchados, sou eu. – Ouvi uma risada debochada e em seguida, o chuveiro foi ligado. – Por que você está rindo, hein?

– Quem vai ter que suportar o seu mau humor? – Sasuke perguntou e eu revirei os olhos.

– Você.

– E os seus desejos estranhos?

– Você. – Fiz uma careta.

– E quem vai sofrer psicologicamente durante essa gravidez?

– Eu.

– Eu. – Sasuke corrigiu-me. – Vou suportar suas mudanças de humor, seus desejos estranhos, você dizendo que está gorda, vou virar um pau mandado mesmo e ainda vou possivelmente, desmaiar na hora do parto. – Sasuke continuou ceticamente. – Então, NÓS vamos ter um bebe.

– O melhor marido do mundo. – Comentei rindo das observações dele. – Será que vamos ser bons pais? – Perguntei e ele não me respondeu. Aguardei por um tempo, mas desisti da resposta.

Aconcheguei-me, agora sozinha, na cama e fechei os olhos esperando que o sono viesse. Estava quase dormindo, quando senti os braços de Sasuke me envolvem, como antes. A respiração quente dele batia contra o meu pescoço e seu corpo envolvia o meu.

– Não vamos ser bons pais. – Murmurou ele e eu não respondi, sentindo o peso de uma responsabilidade que mal havia começado sobre mim. – Vamos ser pais maravilhosos. – Sasuke depositou um beijo na base do meu pescoço. – Porque eu tenho você e você me tem, o que é um super bônus.

X-X-X

– Nós precisamos contar para os nossos pais. – Sasuke disse enquanto eu o ajudava a abotoar os botões da camisa branca que ele estava usando. – Como? – Arqueou uma das sobrancelhas e eu dei ombros. – Desse jeito, você me aperta sem me abraçar.

– Que tipo de expressão é essa? – Perguntei confusa, concentrando-me em colocar todos os botões em suas devidas casinhas.

– Não faz muita diferença.

Ergui os olhos para ele e bocejei. Era a quarta vez que Sasuke me perguntava aquilo desde quando havíamos acordado definitivamente.

– É a quarta vez que você me pergunta isso, querido. – Dei um beijo em seu queixo. – Está me irritando. – Pisquei e ele manteve-se inexpressível. – Mamãe sempre me disse que anunciou um jantar e que ela e o meu pai contaram pra todo mundo, ao mesmo tempo. – Dei ombros novamente e ele pareceu pensar sobre o assunto.

– Anunciar um jantar, quando os nervos da minha mãe estão a flor da pele por causa do festival? – Sasuke pareceu cogitar a ideia. – Parece tentativa de suicídio.

– Então nós anunciamos na festa que vai rolar depois, perfeito. – Pisquei e me afastei dele para ir até a penteadeira.

– Fantástico.

– Eu sou o cérebro dessa casa. – Gabei-me retocando o batom. – Agora vamos, eu tenho aula. – Lancei um beijo para ele e Sasuke resmungou alguma coisa sobre eu ser “convencida”.

Colocamos ração para Leon (o cachorrinho que Sasuke havia me dado de presente) e o deixamos solto no quintal dos fundos. Me despedi do meu marido com um beijo demorado, por sinal, e com um ultimo aceno, entrei em meu carro e fui pela direção oposta a dele.

O som do carro estava ligado e estava passando True Love, da Pink. Comecei a cantarolar a música e foi assim por todo o percurso, até a casa da Ino. Eu estava benevolente, decidi que iria dar uma carona para a minha amiga loira e ela havia aceitado de bom grado, dizendo algo parecido com “Até que enfim, achei que iria me fazer de chofer pelo resto da vida”. Criaturinha amigável.

– Que vibe é essa? – Perguntou Ino animada, entrando no meu carro e batendo a porta sem cerimonias. Senti como se ela estivesse esmurrando meu coração.

– Não bata a porta. – Ralhei estreitando os olhos. – Eu estou feliz. – Declarei dando ombros e esperei que ela colocasse o cinto para voltar a dirigir.

– Vocês transaram ontem, não foi?

– Ino!

– Achei que esse fosse um assunto que nós compartilhássemos livremente. – Ela deu de ombros e eu ri. – Vocês transaram, não foi?

– Cale a boca. – Senti minhas bochechas ficando vermelhas. – Aliás, você não disse nada para o Gaara, não é?

– Sou um túmulo. – Com os indicadores, Ino fez duas cruzes nos lábios. – Só quem sabe somos eu, você e as meninas... Sasuke sabe, não é? Diga que ele sabe!

– Sabe. – Concordei e ela suspirou aliviada. – Mas decidimos anunciar oficialmente na festa depois do festival, então até lá, mantenha a língua quieta.

– Está insinuando que eu sou fofoqueira?

– Estou deixando explicito que é pra você ficar de boca calada. – Respondi dando ombros. – Pelo menos por mais uns dias.

– Estou me sentindo ofendida. – Ino comentou pensativamente. – Você é uma vaca prenha. – Retrucou e em seguida começou a rir. – Só não te jogo do carro, porque você está grávida. – Avisou e eu revirei os olhos.

– E porque o carro é meu, não se esqueça desse detalhe. – Acrescentei rindo e ela me acompanhou.

Quando estávamos chegando próximo à faculdade, as caixas de som do meu carro reproduziam I F U C Kate. Entendedores, entenderão o duplo sentido no nome da música.

Enquanto Ino pegava nossas mochilas colocadas estrategicamente no banco de traseiro do carro, eu batucava meus dedos no ritmo da música.

– Vamos, antes que fiquemos sem lugar. – Disse a Sabaku me entregando a minha bolsa e saindo do carro.

Desliguei o som, conferi se todos os vidros estavam fechados e saí do carro, ativando o alarme em seguida.

Ino e eu caminhamos pelos corredores do campus conversando animadamente, sobre qualquer coisa que não envolvesse a minha gravidez. Embora qualquer plano parecesse nebuloso o suficiente e eu só conseguia me imaginar com um barrigão no meio de um palco.

– Hoje vamos ter os resultados daquelas audições, lembra? – Ino disse despertando-me de um devaneio. Nós já estávamos na sala. – Vamos ver as listas na hora do intervalo, à essa hora deve estar uma confusão. – Assenti concordando. – Acha que vai pegar um papel legal?

– Nossas carreiras dependem dessa apresentação final, apesar de tudo. – Dei um sorriso amarelo e Ino me deu um peteleco na testa. – Hey!

– Nós vamos estourar, entendeu? – Ela disse mexendo as mãos e o pescoço como uma adolescente esnobe. – Porque nós somos ò, um sucesso. Lindas, maravilhosas, cheirosas...

– Nós vendemos coelhos brancos, somos sexys. – Concordei entrando na brincadeira e ela riu, tirando os fios loiros de cima dos olhos. – As inimigas piram.

– Que inimigas? – Ino discordou pegando o celular e exibindo uma imagem de sua galeria. – Essa é a Karin. Karin era nossa inimiga mortal. Karin tem uma queda por um cara chamado Suigetsu, que por acaso, é um barman, e abriu uma boate com um outro amigo nosso Sai. Ambos eram nossos inimigos. – Ela sacudiu o celular com capinha brilhante rosa. – Hoje eles são nossos amigos. – Sacudiu o celular mais uma vez e satisfeita, o guardou novamente.

– Se não temos inimigos, nós somos adultas. – Comentei orgulhosa de mim mesma. – Nós somos muito adultas. – Ino assentiu animadamente e eu continuei com a minha expressão de orgulho. – Nós temos um inimigo sim. – Ela franziu o cenho e seguiu o meu olhar, que estava focado em Sasori que conversava com Ayame.

– Ainda me pergunto sobre o que ele disse para que o Sasuke quebrasse ele, naquele dia, na boate. – Ino comentou pensativa e eu murmurei algo incompreensível. – O quê?

– Sasori só diz merda. – Respondi entediada. – Mas me admira muito que ele tenha vindo com aquele discurso de bom moço pro meu lado. – Apoiei o queixo nas mãos e desviei meu olhar do Akasuna. – No entanto, depois daquela cena ridícula, ele não falou mais comigo.

– Isso é ruim?

– Isso é ótimo.

Logo depois do nosso pequeno diálogo, a professora de “Crítica teatral” entrou na sala, fazendo com que todos fossem para seus lugares e aguardassem até que ela começasse a aplicar a matéria.

Não que isso seja um ótimo exemplo, mas eu cochilei de olhos abertos.

Durante quase duas horas.

X-X-X

– Vamos, vamos, vamos! — Ino me puxava pelo braço rapidamente. – Sakura, deixa de ser uma tartaruga! – Ralhou soltando minha mão e seguindo em passos rápidos para a parede onde eram pregados os avisos. Emaranhou-se entre as pessoas e quando dei por mim, Ino já estava com o dedo indicador pressionado na folha que dizia “Papeis para a peça de TCC”. A unha lilás deslizou por todo o papel e eu me mantive afastada, certamente, ela iria me passar todas as informações depois.

– Tire uma foto, Ino. – Sugeri escorando-me em uma das colunas. – Vai ser mais prático.

– Desde quando você se importa com praticidade? – Ela questionou e lançou um olhar de esguelha para uma garota que tentava ver a lista. – Tá certo, esperem um pouco seus mal educados. – Ralhou a loira puxando o celular e tirando no mínimo umas três fotos antes de sair do meio da multidão. – Achei que ia estar vazio. – Resmungou antes que chegasse até mim.

– Parece que todo mundo pensou como você, porquinha. – Ri e ela me deu um tapa no braço. – Agressão em uma grávida? – Perguntei debochada e dessa vez, ela quem riu.

– Só não posso te bater na barriga, queridinha. – Piscou e eu revirei os olhos. – Aliás, vamos almoçar antes que eu desmaie. – Concluiu sem me dar chances de protestar.

Ino me arrastou para um restaurante próximo à faculdade. Fomos a pé, teríamos que voltar e ir até o auditório antes de ir para casa. Ela estava com um prato de macarronada que parecia querer saltar para fora do prato e eu optei por algo mais simples, tipo lasanha. Super leve, não calórico e repleto de coisas saudáveis.

Blé!

– Eita! – Ino resmungou arregalando os olhos enquanto mexia em algo no celular. – Eita! – Repetiu e eu deixei meu garfo pendurado na boca e puxei o celular da mão da loira.

Isabelle & Jonathan (Casal em adaptação à vida de casados).

Sakura Uchiha e Sasori Akasuna.

– Me diz que você alterou isso aqui?! – Pedi colocando o garfo no prato e ela balançou a cabeça negativamente. – Existe a possibilidade de eu mudar de papel?

– Acho que não. – Ino respondeu sinceramente e eu suspirei. – Vai ter que sambar no inimigo, amiga. – Bateu as mãos na mesa e eu ergui uma sobrancelha ao notar que Ino estava com a boca suja de molho.

– Vou ser profissional. – Declarei convicta e ela assentiu concordando. – Mas antes, limpa a boca, não dá pra te levar a sério desse jeito. – Ela puxou o guardanapo e resmungou alguma coisa. – Eu não quero que Sasuke surte, não vai ser legal. – Ino murmurou algo concordando.

– Me surpreende que você não tenha surtado.

– Estou pensando no bebe. – Respondi sinceramente. – Mas por dentro eu estou me descabelando. – Suspirei e mordi o canto da minha boca. – Não que Sasori tenha agido de forma ruim nesses últimos meses, mas...

– Ele brigou com o Sasuke.

– Isso é o de menos. – Balancei uma das mãos num gesto displicente. – O que importa é que eu não acho, na verdade, não quero pensar que a companhia dele vai ser ruim durante os ensaios e a peça e...

– Pensamento positivo. – Ino ergueu os braços e em seguida, atacou a comida. – Mas você sabe, sempre pode fingir um desmaio quando quiser fugir.

– Não vai dar pra fugir até o final da peça, Ino. – Discordei fazendo uma careta. – Ou dá? – Dessa vez, Ino balançou a cabeça negativamente, não escondendo o seu pesar compartilhado.

– Seremos mais maduras que abacate verde. – Ino disse-me convicta. – Mas não sei se o Sasuke vai conseguir...

– Com meu marido, eu me resolvo. – Sacudi a mão em um gesto displicente. – Afinal, o que eu não consigo resolver? – Pisquei um dos olhos e Ino riu de forma escandalosa. – Agora coma logo, temos que voltar para a faculdade. – Revirei os olhos e bebi um pouco mais do meu suco.

Sim, suco.

Nada de refrigerante.

X-X-X

Certo, talvez eu não conseguisse resolver tudo.

A certeza de que podia resolver os “impossíveis” da minha vida acabou no exato instante, em que eu, por ventura do destino, terminei de contar para Sasuke sobre meu querido par na peça.

Acreditem em mim quando digo que vi todas as facetas da morte.

Sasuke estava sentado no sofá e eu estava sentada no braço da poltrona, mantendo uma distancia segura (não que eu achasse que ele iria me agredir... Hipoteticamente). A expressão compreensiva e o sorriso estavam desfazendo-se aos poucos, um finco se formou entre as sobrancelhas e os olhos escuros ficaram estreitos; sua postura também tinha mudado. Antes era relaxada e um pouco curvada, já agora, Sasuke estava ereto e os dedos apertavam o tecido da calça social que ele usava.

– Me corrija se eu estiver errado. – Disse ele pausadamente; os olhos fitavam a mesinha de centro. – Você vai contracenar com aquele palhaço? – Me encarou e eu demorei para aquiescer. – E vão fazer um par romântico?

– Na teoria... Sim. – Murmurei engolindo em seco. – Eu estou grávida, não é? – Falei num tom de voz esperançoso. – Pode ser que...

– Não bastava só você. – Sasuke disse-me pausadamente. – Mas eu vou ter que suportar minha esposa e minha filha contracenando com aquele cara?!

– Filha? – Retruquei exasperada. – Sasuke!

– Eu quero que seja uma menina. – Disse ele erguendo os ombros num gesto de descaso. – Com seus olhos. – Ele sorriu e eu retribui. – E vou treinar o nosso cachorro para afugentar qualquer um que...

– Sasuke!

– Tudo bem, tudo bem. – Ergueu as mãos em desistência. – Não é algo que nós possamos decidir agora. – Acrescentou conformado. — – Aliás, por que você está tão longe? – Estendeu os braços na minha direção e eu sorri, pendendo minha cabeça para o lado.

– Achei que se você explodisse, não seria muito conveniente que eu estivesse por perto. – Admiti.

– Isso é sério? – Perguntou-me descrente, mas ainda manteve os braços estendidos. – Anda logo, meus braços estão doendo. – Resmungou e eu gargalhei.

Levantei-me do sofá e ele fez o mesmo, nos abraçamos e ficamos assim por um tempo. Não pude evitar de fechar os olhos, minha cabeça estava encostada no peito de Sasuke e ele acariciava minhas costas.

– Obrigado. – Disse ele repentinamente e eu ergui o rosto para encara-lo. – Esses quatro anos foram os melhores da minha vida.

– Eu amo você.

X-X-X

Durante todo o festival as garotas tinham me apertado, me puxado, caçoado de mim (obvio, claro) e passavam a mão em minha barriga, ainda lisa, para em seguida reclamarem que além do meu apetite desumano (Pode isso?!), eu não parecia estar grávida.

Já haviam se passado três dias desde a minha maravilhosa descoberta e eu não senti nada de diferente.

– Cruzarei o mundo para fazer o seu book de gravidez. – Dissera Tenten, que milagrosamente, havia conseguido permissão do trabalho para vir para o Brasil. – E se eu não conseguir... Bem, de qualquer forma, eu o farei! – Tenten disse convicta, levando um refrigerante até os lábios.

– Eu cuido do figurino! – Ino disse animada, apoiando-se em Hinata, que quase caiu. – E do cabelo!

– Eu cuido do brilho! – Lily gritou animada e nós olhamos para ela assustada. – Qual é, essa criança vai ter um berço repleto de purpurina e brilho! – Disse ela se justificando.

– Acho que todo mundo vai querer um pouquinho da Sakura. – Temari disse no momento em que as caixas que estavam distribuídas estrategicamente por todo o festival começaram a ecoar Piece Of Me, da Britney Spears.

– Eu cuido para que vocês não exagerem demais. – Hinata disse ceticamente e as meninas ecoaram um “aaaaaaaaaah”.

– E eu faço o quê?

– Você já é a grávida, está fazendo demais. – Temari disse-me e eu fiz uma careta inconformada. – Aliás, como acha que os avós vão reagir quanto a noticia?

Dei um sorriso amarelo e observei por algum tempo algumas crianças correndo de um lado para o outro, enquanto seguravam algodões doces e arrastavam as mães consigo. Havia muitos brinquedos, barracas, oficinas e até mesmo uma roda gigante repleta de piscas coloridos.

Logo, teria uma queima de fogos de artificio, bem depois do discurso da matriarca Uchiha.

– A intenção era de que todos descobrissem durante o jantar. – Murmurei levando o dedo indicador até os lábios.

– Nenhum deles sabe. – Hinata disse e eu continuei com a expressão pensativa.

– Nem vocês deviam saber. – Comentei sinceramente e elas bufaram indignadas. – Mas, como Ino é uma linguaruda...

– Não fui eu quem contou!

– E eu não conseguiria esconder nada de vocês...

– Somos maravilhosas. – Lily disse e eu revirei os olhos.

– Finjam surpresa, ao menos.

Elas reclamaram ao mesmo tempo e juntando isso com a confusão sonora que estava o festival, eu não consegui prestar atenção no que diziam. Fixei meus olhos na roda gigante e me levantei, embora não tivesse pretensão de sair de onde elas estavam.

– Será que eu posso sequestrar minha esposa um pouco?

– Depende. – Ouvi Tenten dizendo antes que eu pudesse me virar. – Eu passei milhares de horas dentro de um avião para estar aqui, acredito que eu tenha mais prioridade. – Acrescentou ela convencida.

– Eu acho que outra pessoa precisa da sua atenção, Mitsashi. – Sasuke disse divertido e eu me virei a tempo de ver Tenten ficando roxa, enquanto abria e fechava os lábios a procura de uma resposta. – Ele está perto da barraca de algodão-doce, você devia ir até lá. – Ele colocou as mãos nos bolsos da calça e sorriu, piscando um dos olhos para mim. – Dizem que os doces alegram o coração.

– Pela primeira vez, você disse algo que preste. – Temari apoiou os braços nos ombros de Tenten que continuava vermelha. – Não preciso nem dizer que concordo com isso.

– Precisa? – Tenten vociferou baixinho e eu acabei rindo.

– Neji sente sua falta. – Hinata saiu em defesa do irmão e se encolheu ao ver o olhar de Tenten. – Você o conhece tão bem quanto eu. – Ergueu os ombros num gesto de descaso, porém, ainda assim, deu um passo para trás de Lily que por sua vez deu um sorriso amarelo.

Agora, as caixas de som explodiam ao som de Girlfriend, da Avril Lavigne.

Cessamos a discussão por um momento, somente para apreciar a música.

– Eu acho que nós devíamos votar para saber se a Tenten deve ir ou não. – Falei finalmente aproximando-me do meu marido, que enlaçou um braço em minha cintura. – Vivemos em um país democrata.

– E a minha opinião não conta?! – Tenten encarando Ino e Temari que haviam começado a cantarolar a música e apontavam para Sasuke e para mim. – HEY VOCÊS DUAS!

– I don’t like your girlfriend!

– No way, no way!

– Será que podemos ter uma discussão séria? – Tenten apelou puxando as duas pelos braços. – Ino, Temari!

– Tudo bem, tudo bem. – Ino disse enquanto ajeitava o cabelo loiro. – Democracia. – Repetiu a palavra e fez uma careta como se sentisse um gosto azedo nos lábios. – Sinceramente, acha mesmo que você vai ganhar? – Colocou ambas as mãos na cintura. – Somos em nove.

– Somos em sete, Ino. – Hinata a corrigiu e Ino deu ombros.

– Sou de Humanas. – Retrucou Ino justificando seu erro. – Então, vai querer uma votação ou vamos ter que chutar o seu traseiro até a barraca de algodão-doce?

– Lembrando que um chute da Ino, com ESSE SALTO não iria te fazer muito bem. – Acrescentei inocentemente. – Alguém ficaria com dor nos países baixos por um tempo. – Tenten olhou para o salto vermelho de Ino e fez uma careta. – Não que nós estejamos querendo te forçar a nada, isso é democracia.

– Totalitarismo.

– Cale a boca. – Hinata disse.

PASMEM, HINATA!

– Hinata...

– Vai logo até aquela droga de barraca e se resolva com o babaca do meu irmão, agora. – Disse a Ex Hyuga autoritária e nós arregalamos os olhos surpresos.

Tenten lançou um olhar assustado em nossa direção, mas não retrucou. Ela assentiu três vezes e seguiu na direção indicada, murmurando palavras desconexas de surpresa. Acompanhamos Tenten com o olhar até que ela sumiu no meio da multidão.

Ficamos em um silencio estupefato e nos encaramos confusos.

– Eu fiz o que tinha de ser feito. – Hinata justificou-se antes que Temari pudesse formular a pergunta dela. – As vezes, na vida, nós temos que ser duros.

– Quem tá te ensinando essas coisas? – Perguntei com o cenho franzido.

– Naruto. – Ela respondeu rindo e eu arregalei os olhos. – Pode parecer que não, mas existe um cérebro pensante no meio de todo aquele cabelo loiro embaraçado.

– Você tá de brincadeira. – Sasuke descrente fez uma careta. – Eu conheço Naruto desde quando eu nasci e a coisa mais inteligente que ele disse durante todo esse tempo foi “To com fome, quero Lámen!”. – Eu ri e ele disse um “É sério!”.

– A convivência com Hinata deve ter mudado os pensamentos dele, amor. – Falei pausadamente virando-me para ele e enlaçando meus braços ao redor de seu pescoço. – A convivência muda as pessoas. – Ele continuou com o cenho franzido e eu acrescentei. – Você também não era muito inteligente quando nós nos conhecemos.

– Ah, que lindo. — Sasuke forçou um sorriso e acariciou minha bochecha. — Você ainda não é inteligente, querida.

Entreabri meus lábios e não consegui disfarçar minha expressão de surpresa. Sasuke começou a rir e minhas amigas, aquelas traídoras, o acompanharam, enquanto eu continuava com cara de babaca. Sasuke beijou minha testa e eu, apesar de ainda estar indigndada, comecei a rir com eles.

– Essa resposta merece um replay. — Temari disse batendo palmas exageradamente. — Tipo video-cassetada.

– Vamos ter um replay da porrada que eu vou dar em você. — Repliquei fingindo-me que estava brava. — Agora, vamos comer! — Ergui os braços e me afastei de Sasuke por breves instantes. — E rezar para que os esquentadinhos se resolvam logo.

– Amém. — Todos dissemos em um único coro, enquanto Tenten, a todo o custo, seguia Neji para longe de nossas vistas.

X-X-X

– Vamos para um lugar vazio.

As palavras de Neji ricocheteavam em sua cabeça, mesmo enquanto ela o seguida por entre as pessoas até uma parte vazia do festival. Não era nada do que ela estava esperando, mas ele a guiara para dentro de um trailer, o qual ela descobriu, ser da banda que estava preparando-se para a apresentação.

– Diga logo, Neji. — Disse a Mitsashi cruzando os braços abaixo do busto. Neji a encarou confuso, mas suspirou, passando os dedos no cabelo castanho em uma tentativa falha de organiza-los. — Me chamou para que eu ficasse observando a donzela arrumando o cabelo? — Tenten questionou ásperamente.

– Pare com isso. — Disse ele indo até um filtro de água. — Não aja dessa forma, Tenten. Vamos conversar.

– E o que nós estamos fazendo? — Replicou a garota. — Acho que estamos nos comunicando, não é Neji?

– Tenten...

– Neji.

Ele a encarou irritado. Muito irritado. Jogou o copo sobre a pia e avançou em direção à ela; seus ombros estavam tensos e ela viu que seu maxilar estava trincado. Recuou um passo, mas viu-se entre a porta do trailer (que estava fechada) e um Hyuga aparentemente furioso.

– O que é?! — Bradou ela tentando não demonstrar o quão abalada ficou por estar tão próxima dele. — Vou voltar para onde estão minhas amigas. — Ameaçou virar-se para sair, mas ele a segurou pelo braço. — Me solte.

– Só quando você me disser o porque de estar agindo feito uma idiota. — Neji replicou ríspidamente. — Fingindo que não me vê ou que é totalmente indiferente ao que digo. Por quê, Tenten?

Ela tentou encara-lo, mas logo dirigiu seu olhar para uma das paredes atrás dele. Seria muito mais fácil discutir com Neji daquela forma, sem encarar os olhos peroládos pelos quais ela havia se apaixonado há tantos anos.

– Estou falando com você.

– Estou ouvindo. — Tenten respondeu em uma voz sem emoção alguma. — Você tem as respostas, Neji. Só você.

– Jogar a responsabilidade em cima de mim não vai resolver nada. — Neji disse segurando o queixo dela para que ela o encarasse. — Eu sinto sua falta, Pucca. — Acariciou a bochecha dela com a ponta dos dedos. — Olhe para mim, por favor. — Pediu e ele sentiu algo aquecendo-se em seu peito quando os olhos castanhos encontraram-se com os seus.

– Você me deixou no esquecimento, Neji. — Tenten disse rancorosa. — Você me abandonou, quando prometeu que não o faria. — Os olhos dela estavam lacrimejando. — Eu precisei de você! Eu precisei de você e você me deu as costas nas noites em que eu me sentia sozinha. — Ela continuou em meia voz. — E mesmo assim, eu continuei achando que qualquer dia desses eu receberia uma mensagem sua dizendo que sentia minha falta e que se não fosse isso, pelo menos, você me diria as novidades.

– Não foi intencional...

– Não foi? — Tenten tentou afastar-se dele, mas Neji a impediu. — Se seu computador estivesse quebrado, você ainda poderia me enviar um email do seu trabalho! Você não ficaria sem celular de maneira alguma! Se não tivesse créditos, poderia me mandar uma mensagem por whatsapp, facebook, existem tantos meios para que nós conversemos sem que existam gastos! NÃO EXISTE DESCULPA! — Ela finalmente gritou debatendo-se nos braços de Neji. — Eu tentei... Eu tentei Neji... Eu juro que tentei. — Repetiu ela destroçada, enquanto ele a amparava cuidadosamente. — Tentei me iludir com cada uma dessas possibilidades, mas eu descartei cada uma delas, porque a mais óbvia é que você desistiu de mim.

Neji permaneceu em silêncio. Apoiou o queixo na cabeça de Tenten e fechou os olhos, sentindo as próprias lágrimas escorrendo involuntáriamente. A sua camisa estava sendo puxada por Tenten que agora, deixara de esconder os soluços e o choro angustiado.

– Eu sinto muito. — Neji murmurou acariciando as costas dela. — Eu... Por um momento, eu achei que... Que era demais para que eu pudesse suportar. — Continuou ele mordendo o lábio inferior. — Tenten, passaram-se apenas dois ou três meses, mas eu sinto como seu estivesse longe de você há quase cinquenta anos.

Tenten arregalou os olhos surpresa. Todas as palavras haviam sumido, todo o ressentimento havia evaporado. Não... Não poderia ser assim.

– Neji...

– Eu desisti, porque achava que era fraco demais para esperar. — Continuou apertando ela ainda mais contra seu corpo. — Mas agora, te vendo aqui eu... Eu sei que consigo, Tenten. — Garantiu ele e ela afastou-se somente para poder encara-lo. — Porque quando eu te vi... Eu senti como se o meu mundo tivesse parado e que minhas pernas haviam transformado-se em gelatina. Minha pulsação ficou tão forte que eu tive a impressão de que Naruto e Gaara, que estavam mais próximos de mim, podiam ouvir meu coração. — A garota tentou dizer algo, mas Neji colocou o dedo indicador sobre os lábios dela. — Eu amo você e quero tentar novamente.

– O que me garante que você não vai desistir de novo? — Tenten perguntou passando as mãos sob os olhos. — Que eu não vou ficar esperando por você? — Murmurou deixando os lábios entreabertos.

– Porque, se você aceitar, é claro — Neji olhou para ela cautelosamente, pensando em cada palavra que iria pronunciar. — Quando você voltar para Nova Iorque, vai ser como minha noiva e não mais como uma simples namorada.

– Está dizendo que eu sou simples? — Tenten arqueou as sobrancelhas.

– Estou dizendo que eu te amo mais do que o suficiente para querer que você deixe de ser minha ex-namorada, e torne-se futuramente a mãe dos meus filhos. — Ele sorriu, embora suas bochechas estivessem coradas.

– Isso é tão lindo, Neji. — A Mitsashi o abraçou e escondeu o rosto na curvatura do pescoço dele. — Eu... Eu não sei o que dizer. — Fungou e sentiu quando ele apertou sua cintura.

– Uma única palavra é o suficiente.

– Sim.

X-X-X

– Minhas pernas estão doendo! — Reclamei escorando todo o peso do meu corpo em Sasuke.

Estavamos na After-Party do festival. Haviam muitos sócios e convidados especiais no salão de festas, muitos conhecidos da família Uchiha, o que me obrigou a ir de um lado para o outro com Sasuke. Para a minha sorte, Lily, como acompanhante de Itachi e noiva também, era submetida ao mesmo tipo de tortura.

– Eu não aguento mais. — Murmurou ela mantendo um sorriso nos lábios. — Obrigada Sra. Park, realmente foi um prazer conhece-la. — Acrescentou em voz alta, em seguida, bebericou um pouco de champagne.

– Sakura, querida. — A Sra. Park, não parecia em nada com uma senhora. O cabelo loiro estava cortado em um channel de bico e ela trajava um vestido longo e azul marinho, que realçava seus olhos azuis. — Não suma novamente, sim? — Disse ela segurando minhas mãos. — Não sabe a quantidade de mulheres que estão desesperadas por um marido e muito menos a quantidade de mocinhas que dariam de tudo para estar no seu lugar. — Pelo canto dos olhos, vi que Sasuke estava conversando com o marido da Sra. Park, mas notei que seu sorriso crescia a cada palavra que ela pronunciava. — Isso serve para você também, Lily. — Acrescentou e vi que Lily sorriu gentilmente. — Itachi e Sasuke são ótimos partidos, fiquem de olho e estejam sempre ao lado deles para que as outras vejam a quem eles pertencem. — Ela soltou minhas mãos e suspirou.

– Pode deixar, Sra. Park, vou garantir que isso não aconteça. — Sorri para ela e vi que seus olhos reluziram. — A propósito, muito obrigada pelos conselhos.

Lily também agradeceu e logo, nós estavamos empenhadas em conversar sobre coisas aleatórias. De longe, vi meus pais, minha avó e minha queridíssima prima Nana, junto de Mikoto e Fugaku.

– Com licença, mas acho que preciso roubar minha esposa por alguns minutinhos. — Sasuke anunciou voltando-se diretamente para a Sra. Park. — Se não houver problemas, claro. — Acrescentou educadamente e eu vi que a Sra. Park estava encantada com ele.

– Tenho certeza de que eu e Lily nos divertiremos bastante, não é mesmo querida? — A Sra. Park sorriu e Lily retribuiu, mas notei o olhar desesperado que ela lançou na direção de Itachi que realmente estava compenetrado em sua discussão sobre a bolsa de valores para perceber algo.

Sasuke me guiou para o lado oposto e eu suspirei exageradamente, o agradecendo muitas vezes por ter me "salvado" de uma conversa chata. Ele pegou uma taça de vinho e não me deixou beber nada além de água e suco a noite toda.

– Daqui a cinco minutos meus pais irão fazer o discurso de agradecimento pela participação de todos essa noite. — Sasuke disse virando-me para ele e ajeitando as mechas do meu cabelo que estavam soltas. — E após isso, será a nossa deixa. — Beijou minha testa e entrelaçou seus dedos nos meus, puxando-me em direção à nossa familia.

– Sakura, filha! — Minha mãe abraçou a mim e Sasuke eufóricamente. — Estão tão lindos! — Sorriu como sempre fazia e voltou-se para Mikoto. — Não fazem um belo casal, Mikoto?

– Não tenho o que discordar. — Mikoto ergueu os braços e manteve o sorriso nos lábios. — Sasuke querido, está tudo bem? Você parece um pouco nervoso. — Franziu o cenho e aproximou-se um pouco de Sasuke, que sorriu sem graça.

– Foi um dia corrido, mãe. — Explicou ele puxando-me pela cintura. — Como estão, Sra. Yoko e Nana? Voltaram de Londres recentemente, pelo que eu soube.

– Fico feliz que alguém faça questão de nos cumprimentar. — Minha avó disse venenosamente. — Também estou bem, Sakura. Obrigada por perguntar. — E voltou-se para Sasuke. — Foi uma viagem maravilhosa, meu jovem.

– Oh Sasuke, faz tanto tempo que não nos vemos! — Nana o abraçou, fazendo com que eu me separasse dele. — Senti muita saudade de nossas conversas!

– Conversas? — Questionei e ele me encarou confuso. — E sobre o que vocês tanto conversavam? — Acrescentei tentando disfarçar a raiva.

– Não interessa, bobinha. — Nana sacudiu a mão em um gesto displicente, mas continuou com o braço enroscado no de Sasuke. — O que importa é que estamos aqui, não é Sasuke? Podemos compensar todo esse tempo que não conversamos.

– Claro. — Sasuke concordou educadamente e eu o belisquei discretamente, ele teve que continuar mantendo aquele sorriso estupidamente educado para que os outros não notassem o que estava acontecendo. — Pai, já não é hora do discurso? — Questionou tentando trocar de assunto.

Fugaku olhou para nós, parecendo finalmente notar nossa presença, assim como meu pai. Eles nós cumprimentaram e o patriaca Uchiha concordou com o filho mais novo.

– Aliás, mamãe e papai. — Sasuke nunca chamava os pais daquela forma. — Após o discurso de vocês, por favor, passem a palavra para Sakura e eu. Temos algo importante para anunciar. — Desvencilhou-se de Nana e passou seus braços por cima de meus ombros.

– Claro querido! — Mikoto concordou, embora estivesse confusa. — Vamos, vamos, está na hora. — Ela enlaçou o braço no do marido e ambos seguiram para o centro do salão.

Olhei para Sasuke apreensiva, mas ele apenas apertou minha mão sutilmente e sorriu em seguida. Tive certeza de que seria um dos discursos mais fáceis da minha vida.

Fora um dos discursos dignos de filmes. Mikoto e Fugaku estavam em perfeita sincronia, ele falava sobre toda a parte tecnica e explicava o quão perfeccionista sua esposa era e ela, por sua vez, corava e dizia o quão importante o evento havia sido. Ela chorou e continuou agradecendo a todos que haviam participado, principalmente seus filhos e amigos, sua familia em geral, que tinham sofrido diretamente com toda a pressão antes do festival.

Quando Fugaku anunciou que passaria a palavra para mim e Sasuke, senti que minhas mãos estavam suando frio. Sasuke não largou minha mão em nenhum instante.

– Queria anunciar, nessa noite importante para os pais, particularmente, também será uma das noites mais importantes da minha vida. E não só da minha, como da minha esposa também. — Sasuke me encarou e eu sorri. — Como sabem, há quase quatro anos eu e Sakura somos casados. — Mikoto e minha mãe assentiram em conjunto como houvessem combinado. — Devo ressaltar que ela é, sem sombra de dúvidas o meu incentivo e o centro de todas as minhas escolhas. O meu amor por você vem crescendo cada dia mais e crescerá ainda mais, crescerá tanto que chegará a explodir dentro de nove meses. — Não percebi, mas meus olhos estavam ardendo e eu já estava chorando feito uma idiota. — Estamos grávidos.

Em meio a urros de eufória e aplausos, lágrimas dos nossos familiares (vulgo mães), Sasuke e eu continuamos nos encarando e mantendo nossas mãos dadas. Naruto gritou alguma piadinha, a qual eu não fiz questão de entender, porque estava compenetrada demais absorvendo o momento.

Eu não havia sentido necessidade de dizer nada. Em momento nenhum, nem mesmo durante o discurso de Sasuke sobre o que nós sentiamos um pelo outro. Ele sabia disso, sabia, pois eu via a certeza em seus olhos toda a vez que ele me encarava e eu, sinceramente, esperava que ele fizesse o mesmo ao me encarar.

Como ele disse, nosso amor era grande o suficiente para que daqui a alguns meses explodisse e gerasse uma nova vida. O nosso filho.

Sasuke havia dito tudo, ele havia falado por nós três.