Love Drunk
72 Segunda Temporada - Capitulo 25
Notas iniciais
Oito meses depois...
Uma bagunça.
Essa pequena frase podia definir bem meus últimos oito meses. E ah, claro, os desejos engraçados de grávida. Sasuke havia me dito que não acreditava muito quando eu dizia que eram desejos de grávida, mas que cumpria para que sua filha não nascesse com cara de melão, por exemplo.
E sim, uma menina. Dá pra acreditar? Eu, mãe de uma menina?
Quando soube, bem, eu gritei e gritei muito. Sasuke também, por sinal. Nós nos abraçamos e abraçamos a médica também. Para ser sincera, foi um dos dias mais felizes da minha vida. Eu chorei como um bebe ao ouvir o coração da minha pequena pela primeira vez e ao saber que Sasuke teria que comprar mais uma penteadeira para nossa casa, chorei de novo.
Agora, com oito meses eu mal conseguia ver os meus pés.
Sasuke havia pego minhas chaves do carro e agora me levava para a faculdade, deixando o trajeto de volta nas mãos da Ino. Pense em uma pessoa super protetora, multiplique por mil e vrau, teremos Sasuke Uchiha. Se possível, ele havia se tornado ainda mais carinhoso, atencioso e chato, algumas vezes, o que nos rendeu algumas discussões idiotas.
— Peça uma dispensa. – Disse ele uma vez e eu franzi o cenho. – Do TCC, diga que não irá conseguir apresentar a peça.
— Mas eu consigo. – Repliquei confusa. Apertei a almofada que estava em meu colo enquanto Sasuke andava de um lado para o outro em nossa sala. – Não vou desistir agora. Não quando eu e Sasori fizemos um acordo. – Uma expressão de raiva cruzou o rosto dele ao ouvir o nome do Akasuna.
— Não gosto disso. – Sasuke disse finalmente. Parou e aproximou-se do sofá, apoiando as mãos no encosto do mesmo. – Você vai ficar ansiosa, sua pressão pode subir e isso vai fazer mal para o bebê! – Ralhou comigo e eu estreitei os olhos. – Se quiser, eu vou conversar com os seus professores e...
— Sasuke, eu estou grávida! – Gritei e ele parou repentinamente. Levantei-me, não tão rápido quanto eu gostaria e joguei a almofada no sofá. Uma das minhas mãos foi parar na minha cintura e a outra, sobre a minha barriga. – Não estou doente, pare com isso! Eu consigo, estou muito bem, obrigada. – Apontei para ele, que parecia furioso.
— Você tem que parar de ser maluca e pensar que agora não é mais responsável somente por si. – Ele rebateu em um tom de voz alto. Sasuke apertou o encosto do sofá, o maxilar estava trincado e sua respiração era pesada. – Eu só estou dizendo que...
— Não, você não está dizendo! – Retruquei sentindo uma breve pontada em minha barriga. Ignorei. – Você quer MANDAR em mim. – Acusei e a expressão dele, se possível, tornou-se ainda mais irritada. – Eu não preciso que mandem em mim. Eu não gosto disso, Sasuke!
— Eu não quero mandar em você. – Sasuke vociferou tão irritado quanto eu. – Quero o melhor para a nossa filha! E você as vezes complica, sendo tão... Tão...
— Tão?
— Tão egoísta. – Sasuke acrescentou firmemente e eu arregalei meus olhos. – Sakura, eu não queria dizer isso. – Arrependeu-se ele no mesmo instante. – Sakura, me escute. – Dei um passo para trás, balancei a cabeça negativamente e fiz um gesto para que ele não se aproximasse de mim.
— Eu também penso nela, Sasuke. – Falei baixo, com a minha voz embargada de tristeza. – Tanto ou mais que você, sabe por quê? Porque ela está dentro de mim. – Enfatizei isso levando agora, as duas mãos até meu ventre. – Porque eu que estou gerando, porque eu que não consegue fazer as coisas que gosta porque se preocupa com ela. Com a nossa filha. – Minha visão estava embaçada por causa das lagrimas que eu tentei, em vão, conter. – Então quando eu digo que consigo fazer alguma coisa, eu consigo. – Continuei magoada e a expressão que Sasuke tinha agora me fazia ter certeza de que ele estava arrependido. – Quer saber? O único egoísta que eu estou vendo aqui é você. – Praticamente cuspi as palavras. – Se lembra tanto das necessidades da nossa filha e se esquece de que eu tenho as minhas também. – Me virei e fui o mais rápido que pude para as escadas. Subi devagar e se Sasuke quisesse, poderia ter me ultrapassado no mínimo duas vezes, mas ele não o fez.
Permaneceu parado no mesmo lugar, chocado demais para dizer alguma coisa.
Naquela noite eu abracei um travesseiro, o de Sasuke, e chorei muito. Sasuke também não foi dormir em nosso quarto, eu constatei isso após acordar quatro da manhã e perceber que ele não estava lá. Não fiz questão de procurá-lo também, estava tão chateada que nem ao menos a possibilidade de começar o trabalho de parto naquele momento (e sem a ajuda de ninguém, já que Sasuke havia desaparecido), me assustou. Tomei um banho demorado, enquanto minha filha parecia dançar em minha barriga.
No dia seguinte, eu percebi que Sasuke estava dormindo do outro lado da cama, no chão. Usando o travesseiro, colchão e cobertor do quarto de hóspedes. Totalmente silencioso, tão quieto que eu só percebi que ele estava lá porque o alarme dele havia tocado. Ele se desculpou, eu também me desculpei. E chorei. O que estava se tornando um hábito incrivelmente insuportável.
As reformas no quarto da nossa filha começaram. Sasuke quis fazer tudo ele mesmo, o que atrasou a “obra” mais do que o esperado. Seus fieis escudeiros, Naruto, Gaara e Itachi ajudavam todos os dias após o trabalho. Neji também aparecia, bem, sempre que podia já que suas horas vagas agora eram dedicadas a planejar o casamento com Tenten, que ainda estava em Nova Iorque, mas que devia voltar pelas próximas semanas. Shikamaru ajudava com o orçamento e ora ou outra, saia da minha casa com as roupas coloridas. As meninas ajudavam a escolher a decoração e escutem bem quando digo que Ino é uma pessoa muito perfeccionista quando se trata de decoração.
Eu não podia ajudar colocando a mão na massa, não na maioria das vezes. Mas posso garantir que um terço de uma parede eu pintei e que varri quase toda a poeira, pelo menos as que eu consegui antes de começar a tossir e Sasuke me expulsar do quarto.
— Não estou aguentando de dor nas pernas. – Murmurei sentindo as mãos de Sasuke massagearem meus pés inchados. – E não adianta me dizer nada, eu não posso ficar parada.
— Você é ligada no 220 mulher. – Sasuke resmungou me lançando um olhar feio. – De qualquer forma, estamos quase terminando. Você precisa descansar para seu TCC e para o chá de bebê.
— Não sou eu que estou organizando o chá de bebe. – Resmunguei fechando os olhos. As massagens de Sasuke eram mágicas. – Só vou precisar comparecer. Sua mãe, a minha e as meninas fizeram todo o trabalho. Sinto-me uma inútil.
— Você está fazendo a parte mais difícil, deixe de ser reclamona. – Sasuke ralhou comigo, deixando meus pés sobre umas almofadas e deitou-se ao meu lado. – Falta pouco agora. – Murmurou beijando minha bochecha. – E nós não temos um nome. – Ele riu e eu assenti, concordando.
— Eu gosto de Sarada. – Confessei e abri um dos olhos para observar a reação dele. – Antes que me pergunte, ouvi uma amiga da Kori falando sobre uma garota chamada Sarada e eu gostei do nome. É... Único e eu fiquei com ele na cabeça. – Fiz um bico e Sasuke riu, assentindo em concordância. – O que foi?
— Sarada. – Disse ele sentando-se e ergueu minha blusa para observar minha barriga. – Sarada. – Ao toca-la, senti que minha filha estava começando a se mexer. Ela chutou a mão de Sasuke e eu arfei surpresa. – Gosta do nome? – Perguntou ele rindo e eu fiquei quieta. Sasuke recolocou a mão sobre a minha barriga e repetiu a pergunta. Mais um chute. – Eu gostei dele também. – Sussurrou ele como se estivesse confidenciando isso para a neném. – Você também gosta de Sarada, não é mamãe? – Perguntou me encarando, os olhos dele estavam brilhando. Aquiesci e ele sorriu. – Olá, Sarada. – Sasuke beijou minha barriga e por pouco, por pouco mesmo, não levou um chute na boca.
Um chute cheio de amor é claro.
O TCC foi um sucesso.
Ino havia conseguido um papel muito bom, como melhor amiga da protagonista (Ayame, blé!) e eu e Sasori faríamos um casal (Isabelle e Jonathan), que estavam adaptando-se a vida de casados e principalmente, a gravidez de primeira viajem. Não preciso contar como a roteirista ficou feliz com essa nova teia para a trama dela, mas que a maioria das cenas haviam sido adaptadas.
— Eu to nervosa, estou nervosa. – Respirei com dificuldade assim que desliguei o celular. Sasuke estava na platéia, minha família estava na platéia, meus amigos, meu carteiro, manicure, cabeleireira, meu cachorro. Alguém me segurou pelos cotovelos e me guiou para um sofá. – Ai meu Deus, eu... Eu não vou conseguir.
— Claro que você consegue. – Sasori disse determinado. Ele estava usando uma camiseta preta e jeans azuis. – É só imaginar que... Bem, que estamos ensaiando. Esqueça que toda aquela gente está lá. Foca na cena. – Acrescentou ele e, por um momento, cogitei a idéia de que não era para mim e sim para ele.
— Você está tentando me acalmar? – Questionei frustrada. Minhas mãos acariciaram minha barriga. Haviam me dado um vestido florido que deixava meus ombros expostos e rasteirinhas. – Olha, se for isso não está dando muito certo. – Sasori riu envergonhado e eu revirei os olhos. Concentrei-me em voltar a respirar normalmente enquanto ele balbuciava alguma coisa sobre “ficar calma”.
— Nós vamos... Vamos arrasar. – Sasori concluiu segurando minha mão repentinamente. – Vamos arrasar porque é isso o que nós fazemos. Sempre.
— Acho melhor você ficar calmo. – Falei apertando a mão dele, enquanto tentava esconder o riso. – Ou vai acabar tendo dor de barriga.
— Cale a boca, maldita. – Ralhou ele comigo, embora estivesse rindo também. – Tome cuidado para não ter um neném antes da hora.
E nós arrasamos, como eu disse. Como Sasori disse. Como eu tentei me convencer, enquanto Sasori parecia esquecer a fala ou quando começava a falar tanto que esquecia-se de que os outros precisavam entrar em cena e nós, no caso, sair. Minha personagem era engraçada e tinha o costume de demorar para completar uma frase, quase de um jeito preguiçoso.
Sasori e eu formamos o par mais engraçado da peça, na minha humilde opinião, embora não fossemos os principais – O que foi uma total perda de oportunidade. Ao agradecermos no final, minhas mãos estavam suadas e minhas pernas tão bambas que eu nunca soube como não caí enquanto voltava para o camarim. Não me lembro de nenhuma das pessoas que abracei, mas tenho certeza de que foi quase todo o elenco.
A diretora do nosso curso fez um discurso e nos deu parabéns. Estávamos oficialmente formados.
Ino, que estava ao meu lado, chorava.
E eu também, para variar.
— Sinto-me tão orgulhoso de você. – Sasuke disse assim que eu o encontrei. Ele me entregou um buquê de rosas vermelhas após me abraçar. – E não sou o único. Sua mãe precisou ir até o banheiro para retocar a maquiagem e seu pai, ah, seu pai está conversando com alguém e dizendo “Aquela é a minha filha”. – Murmurou ele em meu ouvido. – Mas quer saber? Nenhum deles pode dizer “Aquela ali é a minha esposa”. Porque você é só minha, afinal. – Beijou-me carinhosamente e eu quase derrubei as flores enquanto retribuía. – Está tudo bem?
— E-Está. – Funguei e apertei o abraço o máximo que pude. Sarada se mexeu, muito e deu mais um de seus famosos chutes. Afastei-me de Sasuke e ri baixinho, acariciando o ponto em minha barriga que ela havia chutado; Sasuke estava acariciando o próprio abdômen, com uma expressão confusa. – Sarada também está feliz.
Depois disso, Sasuke me levou para um jantar junto com a minha família e amigos; de lá fomos para um karaokê. Ino bebeu todas, subiu em cima da mesa, cantou usando uma garrafa de vinho como microfone e foi puxada por Gaara antes que ela fizesse algo que a envergonhasse ainda mais. Embora eu quisesse fazer o mesmo, Sasuke estava lá, ao meu lado, evitando principalmente que eu bebesse e/ou subisse em cima da mesa.
— Por favor, mantenha seus pés no chão e sua boca longe daquelas garrafas. – Disse-me ele apontando para as bebidas em cima da mesa.
— Posso por minha boca em outra coisa? – Murmurei e ele entreabriu os lábios, finalmente entendendo o que eu havia dito. Dei um sorriso malvado e senti os braços de Naruto em meus ombros, puxando-me na direção do karaokê. Era nossa vez.
Cantamos Love You Like a Love Song, da Selena Gomez. Naruto fez muitos floreios com a mão. Eu tentei acompanhar o máximo que podia, antes de sentir meus pés doerem. Quando a parte mais lenta da música começou, Naruto segurou uma das minhas mãos e me balançou de um lado para o outro.
Quando nossa vez acabou, foi a vez de Sasuke e MINHA MÃE. Eu não conhecia a música que eles estavam tentando cantar, mas eram péssimos juntos. Sentei-me em uma das cadeiras vagas e bebi um pouco de suco.
— Como está? – Lily sentou-se ao meu lado e eu pude ver que ela estava com uma latinha de suco, por incrível que pareça. – Decidi ser solidária a você e estou bebendo suco.
— Pare de mentiras. – Retruquei e a ruiva riu, bebendo mais um gole do suco em seguida. – O que houve? – Lily fez um bico e desviou o olhar para a mesa, o dedo indicador contornava as riscas do tampo parecendo indecisa.
— Eu tenho, bem, sabe... Er... Me sentido estranha. – Ela sussurrou a últimas palavras olhando por cima da minha cabeça para ver se alguém estava nos observando.
— Você sempre foi estranha, Lily.
— Não desse jeito!!
— De qual jeito? – Questionei apoiando uma mão em meu ventre e me virei para encara-la. – Você sabe que eu não sou boa com essa linguagem subliminar.
— Eu estou enjoada. – Lily respondeu-me em um sussurro desesperado. – E estou atrasada. – Olhou por cima do próprio ombro e por cima do meu, antes de voltar a me encarar.
— Para o quê? – Franzi o cenho confusa e a ruiva suspirou pesadamente. Tive certeza de que ela me esganaria caso tivesse oportunidade.
— Minha menstruação, Sakura.
Meu queixo caiu, enquanto o rosto de Lily adquiria um tom semelhante ao do cabelo dela. Ela segurou minhas mãos e eu continuei sem reação; meus olhos vagaram para a barriga dela, lisa como sempre e mais uma vez eu senti as lágrimas inundando meus olhos. Apertei as mãos dela e sorri, Lily retribuiu, mas ainda assim parecia constrangida.
— Itachi já sabe? – Perguntei não contendo minha felicidade. – Parabéns! – A abracei e ela retribuiu, rindo sem graça. – Oh meu Deus, Mikoto vai ter um ataque! – Comentei rindo. – Dois netos de uma única vez!
— Eu não tenho certeza ainda. – Lily disse suspirando; ela soltou minhas mãos e passou as suas pelo cabelo. – Vou fazer o teste amanhã e ai, conto para o Itachi. Só te contei porque precisava conversar com alguém.
— Então agora somos três que sabem desse segredo. – Falei convencida e Lily fez uma expressão confusa. – Eu, você e Sarada, oras.
— Sarada, sendo uma ótima confidente desde sempre. – Lily disse acariciando minha barriga e eu notei que sua outra mão estava sobre o ventre dela. Não comentei, apenas mantive meu sorriso idiota no rosto.
Lily ia dizer algo, mas o chamado de Itachi a interrompeu. Ela me lançou um sorriso nervoso e levantou-se, indo na direção do Uchiha. Acompanhei a conversa dos dois de longe; ela mexeu o cabelo e sacudiu a cabeça negativamente, ele estreitou os olhos, mas a abraçou pela cintura e sussurrou algo em seu ouvido, o que a fez rir.
Ambos saíram furtivamente, com as mãos dadas por uma portinha que até então, eu não tinha percebido.
Sasuke apareceu pouco tempo depois; puxou-me pela mão e começou a me conduzir de um lado para o outro, enquanto Ino (agora um pouco mais controlada), cantava Spice Girls com Temari, Hinata e Naruto. Não posso deixar de dizer que Naruto era o mais animado.
— O que vocês estavam conversando? – Sasuke franziu o cenho e fez com que eu girasse. – Lily parecia nervosa e você surpresa. – Continuou ao ver minha expressão de choque; seus olhos pretos estavam brilhando quando ele chegou a uma conclusão; eu quase pude ouvir as engrenagens no cérebro de Sasuke. – Ela estava te contando um segredo. – Concluiu pausadamente e eu fiz minha melhor expressão de inocência. – Vai me dizer qual é?
— Segredo? – Nós havíamos parado de dançar; aproveitei essa deixa para colocar uma mão sobre o meu peito e a outra em minha cintura. Sasuke continuou a me encarar desconfiado e eu fiz o máximo que pude para evitar entregar alguma coisa com o olhar. – Deixe de ser maluco, querido. Lily estava apenas me contando sobre... Ah Sasuke, não posso lhe contar isso. – Acrescentei com um sorriso amarelo. Dessa vez, Sasuke cruzou os braços e arqueou uma sobrancelha. – Ora amor... Ora, você quer realmente saber, não é? – Murmurei olhando por cima do meu ombro. Gaara estava cantando Ellie Goulding com Neji e Shikamaru; Naruto e Ino faziam os back vocals, Temari levava seu copo até os lábios e bebia longos goles enquanto balançava a cabeça negativamente. Hinata gargalhava tanto que seu rosto estava vermelho, ela batia palmas e cantava os trechos da música, errados, mas cantava. – Veja bem. – Suspirei e mordi o lábio antes de encarar Sasuke. – Lily estava me contando, isso é confidencial, não vá abrir o bico, Sasuke. – Acrescentei ameaçadoramente; Sasuke me lançou uma expressão ofendida, mas não disse nada. – Sobre o Chá de Bebe. – Confidenciei a mentira para Sasuke que ficou surpreso.
— O Chá de bebe? Não era para ser surpresa?
— Aparentemente ela queria saber se eu tenho alergia a alguma coisa. – Continuei balançando a cabeça negativamente. – Ai eu disse que tinha alergia a coco.
— Coco? Mas você não tem alergia a...
— Não? – Aumentei meu tom de voz e arregalei meus olhos. – Sério? Nossa, eu preciso avisar isso para a Lily então, não é? – Não esperei por uma resposta, sai em disparada fingindo que não estava ouvindo Sasuke me chamar.
Depois disso, tive de fugir de Sasuke por todo o resto da noite e pelos dois dias seguidos. Desviei de perguntas perigosíssimas, tive de fingir que estava com sono mais vezes do que o normal e sempre que não havia outra alternativa, não que eu não gostasse de não ter alternativas (se é que me entende), eu envolvia Sasuke em um beijo ou beijos de tirar o fôlego.
— Não vai me dizer mesmo o que esta acontecendo? – Sasuke perguntou-me repentinamente, em um final de semana, o qual nós havíamos ficado em casa para assistir filme.
Ele estava sentado no chão, o controle remoto apoiado na perna direita; parei de mexer no cabelo dele e o encarei pensativa. Sasuke não estava me olhando, porém, também não estava prestando atenção no filme.
— Você não desiste mesmo, não é?
— Não sou o único teimoso. – Resmungou ainda sem me encarar.
— Entenderá se eu disser que não posso contar? – Mordi o lábio inferior, enquanto observava Sasuke franzir o cenho.
— Não podia ter dito isso desde o começo? – Sasuke perguntou-me frustrado e eu não pude segurar o riso. – É sério, teria me poupado muitas investidas sem sentido.
— É claro, mas você não se divertiria com as minhas fugas espetaculares. – Rebati convencida. Sasuke me lançou um olhar muito semelhante a pena e balançou a cabeça negativamente. – Sasuke...
— Suas desculpas são péssimas e não há espaço para contestação. – Interrompeu-me ele voltando a prestar atenção no filme. – Hey, Sakura? – Desviei os olhos do filme para ele com o cenho franzido. – Não era pra parar de mexer no meu cabelo. – Acrescentou rabugento, pegando minha mão e colocando-a sobre sua cabeça. – Assim esta bem melhor. – Murmurou satisfeito.
— É um grande segredo. – Murmurei satisfeita por me livrar das enquetes de Sasuke. Eu nunca trabalhava muito bem sobre pressão e era um alívio não ter que pensar mais em respostas ridículas, mas que haviam sido decididas com antecedência, para evitar falar alguma besteira.
— Sakura, eu não acredito que você...
— Desculpe querido, prometo calar a boca.
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