Capítulo 12 – Avião


Fui a casa buscar as minhas coisas, com os quatro (Klaus, Elijah, Rebekah e Caroline) no meu encalço. Ainda tentei convencer a minha mãe a vir connosco, mas nada a conseguiria tirar de casa. Acabei por desistir, completamente derrotada.

Nunca pensei que ficaria tão feliz por ver o hospital pelas costas. Aquele cheiro era horrível, a comida era horrível e eu mal podia esperar para me por de pé, mas quando isso aconteceu, caí para o lado. Felizmente Elijah aparou-me a queda e eu não fui parar ao chão. O médico disse que era normal, porque eu tinha passado muito tempo sem andar e o sangue correu logo para os pés, causando-me tonturas. Para além disso, estava anémica, ou seja, comia basicamente tudo com imenso ferro. (N.B: Jo vai-se tornar num íman ;D )

E naquele momento, ali estava, deserta para o avião levantar voo. Bem, não seria um voo nada normal: Elijah tinha comprado bilhetes de primeira classe para todos, e eu e Caroline estávamos felicíssimas. (N.B: Eu também estaria! )

–Então o que tem acontecido em Mystic Falls? – perguntei para o banco de trás onde estavam Klaus, Rebekah e Caroline (é, eles tinham dado privacidade a mim e Elijah). Os três empalideceram e eu olhei de volta para Elijah. – Muito bem, isso são más notícias.

–Os teus amigos andam com um plano para nos matar – respondeu Klaus, numa voz amena e forçando um sorriso. – Mas não te preocupes, nenhum de nós vai morrer.

–Espero bem que sim. Afinal, sou Team Original – falei a última parte para Caroline arqueando as sobrancelhas e ela abriu a boca num grande “O”. – O quê? É bom que fique esclarecido.

Ela revirou os olhos.

–Não precisas de tomar nenhuma posição. Nem tudo é preto no branco em Mystic Falls – disse ela, ainda parecendo chocada com o que disse. Rebekah sorriu e piscou para mim. Klaus gargalhou baixo e Elijah revirou os olhos.

–O assunto é sério – disse ele. – Não quero que tomes riscos desnecessários.

–Oh, não! – exclamei para ele. – Não te armes em Edward Cullen, salvador da Bella indefesa! Eu não sou dessas. Se for necessário, agarro numa estaca e empalo quem se meter comigo. (N.B: Wew! )

–Esse é o espírito! – disse Klaus e eu sorri para ele.

–Nem viste nada.

–Uh, mal posso esperar! – brincou ele, visivelmente divertido com o que estava a dizer.

–Jo, é arriscado – relembrou Caroline.

Revirei os olhos e cerrei os lábios.

–Vamos fazer assim: vou ter sempre uma estaca, e quando necessário, empalo. Até lá, sou território neutro – virei-me para Elijah. – Já que estás tão na onda do Edward, a partir de agora sou a Suíça.

Voltei a sentar-me porque a assistente de bordo passou e com gestos mandou-me prender o cinto. Começámos a descolar e eu estava muito entusiasmada para voltar a ver a minha irmã.

Encostei a cabeça no ombro de Elijah e fechei os olhos. As imagens da minha irmã passavam-me pela mente, e eu caí na inconsciência sem me aperceber. Porém, algo libertou-se na minha mente: as paredes eram negras, sem qualquer abertura para a claridade, e tudo era frio. Não tinha nenhuma cama, nada onde repousar a cabeça. Havia um pedaço de cartão no chão, mas eu não ousava tocar-lhe. Abriram a porta e eu levei com ela no lado esquerdo da minha cabeça. Batia com a outra têmpora no chão e gemi de dor. Sim, porque já nem conseguia gritar.

–É bom que morras – disse uma voz masculina e eu tentei levantar-me, mas sem sucesso. Deu-me um golpe com o sapato na coluna e eu senti algo mais a estalar.

Acordei, encharcada em suor. Elijah olhou para mim atentamente e pegou-me no rosto com as duas mãos. (N.B: Tãooo fofo )

–Está tudo bem, foi só um pesadelo.

Olhei confusa para os lados. Através do espaço que havia nos nossos bancos vi Klaus e Rebekah, e sabia que Caroline estava ao lado de Klaus, no banco ao lado do corredor. Fitei Elijah, procurando algum tipo de ajuda.

–Estamos a voltar para Mystic Falls, lembras-te?

Acenei confusa, passados alguns segundos, recordando-me em frações de segundos o porquê de estar naquele avião.

–Vou… à casa de banho – murmurei e tirei o cobertor de cima de mim, atirando-o para o banco ao lado de Elijah que estava vazio.

Passei por ele, ainda trôpega e estiquei as mãos para cima para chegar ao gavetão. Peguei na minha mala, e vi Caroline olhar-me atentamente, assim como Rebekah. Klaus estava a ouvir música com phones, e nem deve de ter notado nada, visto que também estava de olhos fechados, a saborear a música.

–Foi um pesadelo – disse para elas as duas e fui para a casa de banho mais próxima.

Olhei-me ao espelho. Estava toda despenteada e peguei na minha escova, escovando os cabelos com força, causando-me lágrimas nos olhos. Estava com a pele muito brilhante devido ao suor e lavei o rosto, sequei-o com papel higiénico e voltei a olhar-me: tinha olheiras, por isso, apliquei um corretor, base e um pouco de blush. Coloquei um gloss rosa claro que sabia a morango e rímel. Pronto, já estava mais apresentável.

Houve turbulência e as minhas coisas caíram para o chão e para o lavatório.

–Oh, ótimo – disse para mim mesma e baixei-me para as pegar.

–Senhoras e senhores, por favor regressem aos seus lugares. Estamos a passar por turbulência – disse a voz do comandante e mais um abanão.

–Oh, a sério! – exclamei, apoiando-me no lavatório. – Ainda não tinha notado.

–Jo?

–Estou a sair, Elijah – disse-lhe e acabei de pegar nas minhas coisas, arrumando-as na bolsa á pressa. Mais um pouco de turbulência e fui empurrada para trás, batendo com força na parede.

–Ótimo – murmurei e abri a porta. Mais um safanão ao avião e eu caí literalmente nos braços de Elijah.

–Com cuidado – disse ele, sorrindo com o meu espanto. – O que foi? Não gostas de turbulência? (N.B: Isto tem um segundo significado, ou é só impressão minha?! )

–Gosto de ter o cérebro dentro do crânio e não lá no ar quando o avião cai a pique.

Ele gargalhou e eu voltei a agarrar-me a ele, por causa da porcaria da turbulência.

–Senhoras primeiro – falou ele, e fomos seguindo para os nossos lugares, agarrando-nos aos bancos dos dois lados.

O avião caiu num poço de ar e ele agarrou-me a cintura com força.

–Mais depressa.

–Sim – acenei e comecei logo a andar, com ele a segurar-me a cintura. Chegámos aos nossos lugares e ele colocou a minha mala bem lá no alto. Sentei-me e apertei o cinto. Ele sentou-se logo de seguida e também colocou o cinto. Pegou-me na mão e beijou-a delicadamente, fazendo-me derreter toda por dentro.

–Nervosa?

–Nem por isso – confessei. – Gosto de aviões.

Passados uns minutos agonizantes onde tive realmente medo e apertei a mão de Elijah mais do que nunca, a turbulência passou e eu pude respirar fundo.

–Para quem não tinha medo…

–Tive medo – interrompi-o. – Nunca tinha passado por isto.

–Oh, há sempre uma primeira vez – brincou ele, e eu sorri nervosa.

–É.

–Senhoras e senhores, vamos aterrar dentro de minutos – informou o comandante e eu sorri expectante.

–Mal posso esperar para ver a Ashley.

–Tenho a certeza que ela deve de ter imensas saudades tuas – garantiu ele e beijei-lhe o rosto. Ele alargou o seu sorriso e retribuiu beijando-me a face.

–Gosto muito de ti – disse baixinho ao seu ouvido. (N.B: Oinn *.* )

Ele afastou-se subitamente, e eu não sabia o que tinha feito. Ele continuou a pegar a minha mão até sairmos do avião. A única bagagem que tínhamos no tapete das malas era a minha e a de Caroline. Os outros tinham levado malas pequenas que podiam ser transportadas ao pé de nós.

Saímos da zona de chegadas e uma pequena de cabelo loiro e olhos muito azuis correu para mim.

–Ashley! – gritei e baixei-me para a pegar. Ela correu para os meus braços e eu rodopiei-a no ar, abraçando-a como se não houvesse amanhã.

–Jo! – disse ela, abraçando-me com igual força. – Onde estavas? Senti a tua falta.

Congelei e forcei um sorriso.

–Estou aqui agora, pequena, isso é que importa.

–Tive saudades tuas.

Lágrimas vieram-me aos olhos.

–Eu também, fofa. Muitas, muitas, muitas!

Ela gargalhou e eu comecei a fazer-lhe cócegas. Ela saiu do meu colo e correu para os braços de Caroline, que já estavam abertos para a receber.

–Car!

Lágrimas fugiram dos meus olhos e Rebekah colocou um braço á volta dos meus ombros.

–Não fizeste nada de errado. Só está confuso. E quanto á tua irmã, ela é muito fofa!

Sorri por entre as lágrimas e depois de ela abraçar Caroline não me largou as mãos, dando pulinhos de felicidade até chegarmos à Tia Lizz.

–Obrigada, tia Lizz – agradeci e abracei-a com o braço livre.

–De nada. Fico feliz por estares bem. Precisas de ajuda com as bagagens?

–Não, obrigada – disse e virei-me para Elijah, que olhava atentamente para mim, com aquele olhar que não deixava passar nenhuma emoção.

–Então vamos?

–Sim. Só um momento – pedi a ela e a Ashley. Fui até Elijah, olhando-o bem nos olhos. Tive que levantar a cabeça, e isso irritou-me um pouco, mas nem por isso diminuiu a minha determinação. – O que foi que eu fiz ou disse para estares assim comigo? (N.B: Yeep, não estou a perceber nada… )

–Podemos falar depois? Ashley está desejosa de te encher de mimos e temos todo o tempo do mundo para falarmos.

–Mas prometes que me contas o que se passa?

Ele acenou.

–Tens a minha palavra.

Olhei de relance para Ashley e ela estava muito atenta a observar-nos com preocupação.

–Muito bem. De qualquer das formas, preciso de descansar. Vemo-nos depois?

Ele acenou que sim e beijou-me o rosto. Afastou-se com Klaus e Rebekah.

©AnaTheresaC



Notas finais
Espero que tenham gostado! Irei postar no próximo domingo!
XOXO
PS - Demon of the Shadows, bem-vinda!