Love Doesnt Exist... Does It?
11 Capítulo 11 - Sangue é um milagre
Notas iniciais
Capítulo 11 – Sangue é um milagre
Acordei. Estava toda vestida de branco, numa maca de hospital com aqueles aparelhos eletrónicos a apitarem repetidamente, enervando-me. Tinha uma sonda a transportar soro para o meu braço e a janela estava fechada, com um estore vertical que deixava passar alguma luz.
Do outro lado do quarto havia uma cadeira que se recostava para trás, e Elijah estava lá, a dormir relaxadamente.
Ele tinha-me encontrado. Sorri com as imagens que não eram claras devido à minha fraqueza. Caroline abriu a porta, com dois cafés do Starbucks e exclamou:
-Acordaste!
Deixou os cafés ao pé dos meus pés e abraçou-me com força. Elijah acordou e manteve a sua face impassível.
-Olá, Caroline – disse, enquanto ela me apertava as costelas com demasiada força. – Caroline… ar.
-Oh, desculpa – falou ela, e desfez o abraço. Olhou para mim, radiante, com um sorriso de orelha a orelha, os olhos brilhantes. Melhor, toda ela brilhava de alegria. – Oh, estou tão feliz por estares bem!
Ri-me e ela sorriu ainda mais.
-Estou bem, Caroline. Obrigada por me encontrarem.
Ela olhou para Elijah, e depois para mim.
-Tenho que telefonar aos outros a dizer que já acordaste. E vou demorar – acrescentou ela, e tirou um dos cafés.
-Capuccino, sem chantilly e sem açúcar – disse ela para Elijah, voltou a sorrir para mim e saiu do quarto, já discando o número de alguém.
Elijah levantou-se do cadeirão e aproximou-se de mim lentamente. Os seus dedos tocaram a minha face e ele sorriu. Retribuí o sorriso o melhor que podia.
-Nem sabes o quanto desejei ver os teus olhos nestes últimos dias.
Corei instantaneamente e a máquina dos batimentos cardíacos começou a apitar mais depressa. Eu olhei para ela e revirei os olhos.
-Odeio hospitais – voltei a fitá-lo. – Quando posso ir?
-Em breve – respondeu ele, mas a resposta foi demasiado vaga.
-Não gosto dessa resposta.
Ele sorriu e sentou-se na minha cama.
-Vamos com calma, está bem? Já viste bem a quantidade de fios que tens á tua volta? Ainda estás muito fraca.
-Mas…
Ele colocou um dedo nos meus lábios calando-me.
-Uma coisa de cada vez. Para além disso, eu e Caroline não nos vamos embora sem ti.
-A sério?
Ele acenou com a cabeça e eu abracei-o, mesmo com todos os fios que vieram atrás.
-Obrigada.
-Porquê?
-Apesar de tudo, eu lembro-me que foste tu e Caroline que me encontraram. Obrigada.
-Não tens de quê – disse ele e beijou-me a testa.
-Está tudo bem? – perguntei, subitamente. Ele pareceu confuso com a minha pergunta súbita.
-Estás aqui, e estás bem – disse ele, ainda baralhado. Revirei os olhos e retorqui:
-Eu quis saber se está tudo bem no geral. Por falar nisso, quantos dias se passaram…
-Estiveste desaparecida durante cinco dias e estás no hospital à quatro.
-Uau – disse. – Dormi assim tanto?
-Maior parte do tempo foi por causa da morfina. Os médicos não te queriam acordar por causa das dores.
Ele sorriu, mas eu percebi que havia ali mais alguma coisa.
-O que não me estás a contar?
-És muito persistente, não és?
Acenei com a cabeça.
-Demasiado.
-Não se passa nada que não possa ser resolvido.
-Então passa-se alguma coisa – falei, irritada. Porque não me contava?
Caroline irrompeu pela porta.
-Rebekah apareceu. Com Klaus – acrescentou ela, estalando a língua em desagrado.
Um ramo enorme de flores brancas e amarelas apareceu e logo depois apareceram Klaus e Rebekah. Os dois estavam sorridentes e alegres.
-Oh, obrigada! – disse enquanto pegava no ramo que Klaus me entregava.
-Para melhorares depressa – falou Rebekah e abraçou-me suavemente. – Como estás?
-Acabei de acordar – respondi. – Estou bem, apenas um pouco dorida.
Um médico apareceu e não pareceu feliz com tantas pessoas no quarto.
-Olá, Miss Forbes. Como se sente?
-Um pouco dorida – respondi e ele sorriu, olhando-me com os óculos na ponta do nariz.
-Ainda é o efeito da morfina. Quer que eu aumente a dose?
-Não! – exclamei demasiado alto. – Não quero dormir.
-Muito bem. Miss Forbes, vou fazer-lhe um pequeno exame, e quero que me responda ás perguntas, sim?
Acenei com a cabeça e o médico olhou para todos eles.
-Um momento com a Miss Forbes, por favor.
-Eu fico – falou logo Caroline. – Sou a prima dela.
O médico suspirou, não parecendo surpreendido. Elijah, Klaus e Rebekah saíram sem dizerem uma palavra.
-Miss Forbes – falou ele e tirou o meu pé do lençol. Tirou uma agulha e tocou no meu dedo mindinho. – Sente isto?
-Sim.
A agulha começou a subir pela minha perna até ao joelho e depois ele trocou de perna. Sentia a agulha também na noutra perna. Ele pareceu ficar satisfeito. Ligou aquelas luzes que eles têm que parece uma caneta e levantou o meu queixo. A luz ia de um olho para o outro e ele sorriu.
-Parece que as cirurgias correram bem.
Espera aí, cirurgias? No plural? Operações?
Olhei para Caroline em busca de uma resposta, mas ela estava totalmente focada no médico.
-Então ela pode ter alta?
O médico sorriu.
-Vamos só colocá-la hoje na hora de fisioterapia para ver como está tudo, e em princípio amanhã de manhã ela pode ir. Mas tudo depende do desempenho dela na fisioterapia.
Caroline sorriu e apertou a mão ao médico.
-Muito obrigada, doutor.
Ele sorriu para mim e falou:
-As melhoras, Miss Forbes.
-Obrigada, doutor.
Ele saiu do quarto e eu virei-me para Caroline aos gritos:
-Como assim cirurgias? O que aconteceu?
-Jo, calma – pediu ela, mas eu estava fora de mim.
-Como? O que aconteceu? Que cirurgias? E ele estava a falar no plural, não estava? Caroline Forbes, o que raio aconteceu?!
-Não te lembras? – perguntou Caroline em choque e Klaus, Rebekah e Elijah entraram, preocupados.
-Lembrar-me de quê? De que estive cinco dias sem comer e beber? Acredita, lembro-me perfeitamente.
-Partiste três costelas, a coluna em quatro sítios diferentes, tiveste três traumatismos cranianos, deslocaste o fémur e partiste o joelho direito – respondeu Elijah muito sério. – Para além da extrema desidratação que tinhas. Quando chegaste, os médicos não acreditavam que podias sobreviver.
-Então como é que estou viva? – perguntei, ainda enfurecida.
-Eu dei-te o meu sangue para te curares mais depressa – respondeu ele.
-Oh.
-E tiveste várias cirurgias porque nem o sangue de vampiro te conseguia curar – respondeu Caroline. – Eles tiveram que te operar na mesma, ou então…
-Ou então podias ter realmente morrido – completou Elijah.
-Oh – voltei a dizer, com a minha fúria diminuída.
-Vais voltar para casa depressa e nós vamos ajudar-te – falou Rebekah, sorrindo.
Forcei um sorriso.
-Ah, vá lá, sweetheart, até te trouxemos flores para animares – disse Klaus e eu olhei mais uma vez para o ramo de flores que estava em cima da mesa de cabeceira ao meu lado.
-Obrigada, a sério.
Bocejei. Não tinha notado, mas o cansaço estava a tomar conta de mim.
-Dorme – mandou Elijah docemente, empurrando o meu ombro contra a cama. – Agora precisas de ganhar forças.
Sorri mais uma vez e fechei os olhos, adormecendo logo.
©AnaTheresaC
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