Love And Hate

3 A Good Way To End The Nigth


Notas iniciais
Continuação do capítulo anterior. Título parecido, inclusive.
Boa leitura, amores.

(1864)

POV Sophia

Damon era perfeito. Eu conseguia não dar importância à opinião de meu pai, que o achava um canalha conquistador.

Ele me ajudou a achar Antônia, quando a perdi de vista. Talvez se não fosse ele, eu ainda a estaria procurando.

Ao chegarmos em casa naquela maravilhosa manhã, minha irmã foi dar um beijo em nosso e ambos ficaram conversando, enquanto eu fui dar um volta pelo jardim, já ansiosa pela chegada da noite.

Com a cabeça nas nuvens – ou em Damon, como preferir -, fico vagando pelo jardim cheio de rosas e muitas outras variedades de flores, e acabo não percebendo quando meu pai começa a caminhar ao meu lado.

– Sua irmã me disse que você a perdeu, no parque.

– Eu me distraí – Respondo sem olhá-lo.

– Claro... – Ele põe as mãos atrás do corpo. – Talvez o motivo de sua distração seja ainda o Salvatore.

– Eu estava conversando com as meninas, papai.

– Desde quando mente para mim? – Sua voz fica mais firme. – Antônia me disse que um amigo seu a encontrou.

– Eu estava conversando com as meninas. Quando elas foram embora procurei por Antônia, que se afastou de mim sem pedir, e vendo que Damon estava no parque, lhe pedi ajuda. Não aconteceu nada demais, pai.

– Assim espero, Sophia. Já falei que não quero você com aquele homem. Ele é um desertor!

– Não fale assim dele! – As palavras saltam de dentro de mim, e logo me arrependo de dizê-las. – Digo, o senhor não sabe os motivos dele ter saído da Confederação.

– Em plena Guerra, ele resolve voltar pra casa. Devia honrar os Estados Confederados. E não o defenda de novo, em minha frente.

– Devia admira-lo, já que é o primogênito de seu grande amigo e maior sócio. – Falo, encostando com leveza nas rosas.

– Certa vez, Giuseppe sugeriu uma união sua com um Salvatore. — Sorrio e o olho. Ele continua – Quando sugeri Stefan ele pareceu bem satisfeito.

– Stefan? – Rio – Stefan, papai? Ele não combina em nada comigo!

– Você nem o conhece, Sophia.

Mesmo que conhecesse, Stefan não fazia meu tipo. Era bonito? Sim, muito. Mas perto dele eu não me senti bem com ao lado de seu irmão. Eu conhecia Damon há dois dias, mas sabia que não podia deixa-lo escapar. Não sabia bem o que sentia; se era só um alvoroço interno devido sua beleza e postura, ou se era o início da tal paixão consumista que sempre desejei. Era impossível saber. Eu precisava de mais tempo com ele.

– Você não conhece o Damon e mesmo assim não gosta dele. Eu tive a quem puxar.

Meio irritada, saio de perto do meu pai e volto para dentro de casa. Subo para meu quarto e por lá fico.

Pego o livro que estou lendo e a comparo com minha atual situação.

Romeu e Julieta. Contra a vontade de seus pais, ambos vivem um amor verdadeiro e escondido.

– Não vejo a hora de chegar ao final. – Digo pensando mais no meu final do que no do livro. – Será que falta muito para a noite?

Sim, faltava um dia todo ainda. Eu precisava ver Damon.

– Sophia? – Ouvi a voz de Maria do outro lado da porta.

– Entre.

– Com está?

– Bem. Por que não estaria? – Sento-me na confortável cadeira de meu quarto.

– Vi você subindo as escadas com uma cara estranha.

– Meu pai, Maria. Acho que ele e Giuseppe Salvatore fizeram um acordo onde Stefan e eu nos casamos.

– Mas você não havia se interessado por esse rapaz? – Ela senta em minha frente.

– Apenas pelo nome dele. Me interesso mesmo é por seu irmão mais velho, Damon. – Me inclino para frente e falo, baixinho: — Ele virá hoje à noite me ver. Depois que meu pai dormir.

– Menina! Se seu pai descobre!

– Não vai! Mas preciso de sua ajuda.

– Não posso arriscar meu emprego. Trabalho aqui desde que você nasceu. – Diz ela em tom mais baixo ainda.

– Eu sei. Só preciso de um vestido da criadagem. Não tem como eu sair escondida com estes vestidos. E quando Damon chegar leve-o até as roseiras. Não tem como sermos vistos lá.

– Sophia, sabemos bem a fama desse...

– Não me importa! – Esbravejo. – Preciso vê-lo, Maria. Com ou sem sua ajuda farei isso!

Ela parece meio em dúvida, mas vê que falo sério e então resolve me ajudar.

– Você é a única amiga que tenho. Embora tenha idade para ser minha mãe.

– Sei que essas amigas que você tem pra você são apenas filhas dos sócios do seu pai, mas você precisa arranjar alguém da sua idade para conversar, Sophia. Um dia não estarei mais aqui.

– Nem diga isso! Vivamos o presente e o futuro deixemos depois. – Sorrio segurando suas mãos. – Obrigada. Por tudo que tem feito por mim e minha família.

– Eu amo você, como se fosse minha filha. Você sabe disso.

– Claro. Desde que minha mãe morreu você tem sido como uma mãe.

– Não quero ocupar o lugar dela, saiba disso.

– É claro que eu sei. – Sorrio. – Bom, preciso ocupar minha cabeça até a noite chegar.

– Leia. Durma. Vá passear no jardim...

– Na verdade, vou comer alguma coisa. Ando me alimentando pouco ultimamente.

– Pois bem... – Ela levanta e me puxa pela mão. – Venha comigo.

Como uma maça, leio, almoço, durmo, caminho, converso com meu pai, tento puxar assunto sobre a Guerra – me interessava muito esse assunto, mais ainda depois de descobrir que Damon estava lá. Durante a tarde as horas se arrastam lentamente. Brinco com Antônia, o que não ajuda muito a passar o tempo, já que minha cabeça não está concentrada no que faz.

Enfim a noite a chega.

Agoniada, não tenho fome e não desço para jantar. Meu pai passa em meu quarto para me dar boa noite. Deitada, anseio pelas 23 horas.

Por volta das 22h35, Maria entra em meu quarto, sem nem fazer barulho.

– Vista isso. É meu. Solte o cabelo e ninguém lhe reconhecerá.

Levanto da cama sorridente, visto o vestido, solto meu cabelo e me olho no espelho.

– Seu vestido é lindo, Maria. (http://www.polyvore.com/good_way_to_end_night/set?id=87587472).

– Qualquer trapo velho fica lindo em você. É incrível com você faz esse vestido ficar bonito.

– Imagino como ele fica em você – sorrio.

–Oh, não. Nem o uso mais. Mas agora aguarde aqui. Ficarei de olho lá embaixo. Quando ele chegar, venho avisar.

– Espero que não demore.

Meia hora se passa até Maria abre a porta do meu quarto. Salto da cama e corro até ela; Desço as escadas com pressa, mas cuido para não fazer barulhos. Embora meu pai tenha um sono pesado, prefiro não arriscar.

Já no jardim, controlo minhas pernas para que não corram. Me sinto como Julieta indo ao encontro de Romeu. Mas será que Damon seria mesmo o meu Romeu?

– Oi. – Digo tímida ai chegar.

–Oi. – Ele me olha, estranhando o vestido.

– Tive que pegar a roupa da minha empregada, ou melhor, amiga, para que não me reconhecessem.

– Eu ainda não havia lhe visto com o cabelo solto.

– E como estou? – Olho delicada para ele.

– Linda. – Damon se aproxima e toca meu rosto com as costas de seu dedo indicador. Sua pele é quente. – Não consigo parar de pensar em você.

– Nem eu. Eu não queria ter ido embora ontem à noite. – Nossos olhos se encontram.

– Não está com frio?

– Um pouco.

Damon tira seu casaco e o coloca por cima de meus ombros. Agradeço com um sorriso.

– Embora seus olhos sejam brilhantes, o que mais me chamou a atenção em você, foram seus lábios — Ele diz e por hábito, mordo o lábio inferior. – Não faça isso, por favor.

– Faça você, então. — Não consigo acreditar que tais palavras saíram de minha boca com uma voz sensual e quente.

Damon me puxa pela cintura e gruda nossos lábios. Uma de suas mãos acaricia meu rosto e eu subo minhas leves mãos ao seu peito, sentindo-o definido. Nossos lábios se movem lentos até que sinto a língua de Damon pedindo passagem. Logo cedo, e percorremos cada milímetro possível de nossas bocas. Nossas línguas se tocam com ternura. Subo minhas mãos ao seu pescoço, indo com uma delas até sua nuca e lhe faço leves carícias. Sinto seu braço quente em volta da minha cintura, seu corpo encostando-se ao meu. Damon mordisca meu lábio, como eu havia pedido. Afasto nossos lábios, à procura de ar.

– Espera por isso desde que dançamos, não é? – Sussurro.

– Assim como você.

Olhar em seus olhos era fantástico. Eu me perdia, saia de mim. Puxo-o pela mão até o banco atrás de nós.

– Não pode contar isso a ninguém, Damon. Se meu pai souber...

– Não se preocupe – ele puxa meu rosto para outro beijo

É tão bom sentir meus lábios sendo tocados com carinho por ele. Suas mãos deslizam por meus braços, cintura, chegando às coxas.

– Hey, calma. – Digo sorrindo. – Não queria conversar comigo?

– Sim. Era exatamente sobre isso. Será que podemos nos ver com frequência?

– Por mais que eu queira, não é possível.

– Por causa de seu pai?

– É.

– Eu falo com ele.

– Não ouse! – Passo a mão em seu rosto. – Podemos “ocasionalmente” nos encontrarmos por aí – Sorrio e vejo um ar de malícia em seu rosto – Mas sou mulher de respeito, Damon.

– E alguma vez eu te desrespeitei?

– Mentalmente eu sei que sim – Rio.

– Não posso controlar meus pensamentos.

Então eu o puxo pelo pescoço e o beijo com urgência. Ele me puxa pela cintura, me pondo sentada em seu colo.

– Damon! – Protesto, meio surpresa.

– Calma. Não vou fazer nada.

Ele volta a me beijar e suas mãos passam por minhas costas, e uma delas volta ao meu rosto. Essa era a segunda vez que eu beijava um homem, não era muito hábil nessas horas, então estava meio presa. Mas com o avançar de suas ligeiras mãos, comecei a me entregar mais ao beijo. Eu mesma mordiscava lhe o lábio inferior. Minhas mãos já não paravam quietas; ora em seus braços, ora em seu cabelo, ora seu peito.

– Damon, preciso voltar.

– Quando te vejo de novo? – Ele beija meu pescoço, me arrancando suspiros.

– Não sei. Talvez quando meu pai for à sua casa. Ou em qualquer outra hora que o destino queira.

Um último beijo é dado. Não quero que me solte. Estou confortável, quente. Não quero que vá. E sei que ele não quer ir. Me levanto e o puxo pela mão, abraçando-o. Damon me aperta e sua barba encosta em minha pela quando ele sobe beijando meu pescoço até minha boca.

– Vá com calma, Salvatore. Não tente me provocar desse jeito – Beijo-lhe com os lábios apenas. – Que bom que veio essa noite.

– Não vai demorar muito para isso se repetir. Prometo.

Entrego o casaco a ele e volto correndo à casa. Subo rápido ao meu quarto e Maria me segue. Conto a ela sem muitos detalhes o que aconteceu, pois preciso dormir. Preciso sonhar. Preciso relembrar cada toque de Damon. E assim eu entro a madrugada, ansiosa pela próxima vez.

Notas finais
O que acharam? Era isso que esperavam pra esse encontro ou era algo mais? rçrçrç
Comentem, e se possível, leiam minha outra fic: http://fanfiction.com.br/historia/354333/Choices/
Beijoos