Loucuras de Verão
2 Último dia de aula
"Nem acredito que não vou pra recuperação." Twittei provocando as minhas colegas de classe que passaram o ano inteiro correndo atrás de macho ao invés de estudar. Eu sei que é errado rir da cara delas, mas elas não são as melhores pessoas do mundo.
Sempre se achando superior a todos. Pena que o QI não diz o mesmo. Era o último dia de aula e eu andava alheia olhando a tela do celular enquanto caminhava pelos corredores da escola.
— Mais um seguidor do twitter. Quem sabe um dia eu fique famosa. — falei pra mim mesma em voz alta. Recebendo alguns olhares de reprovação.
— Falou com sua mãe, né? — Layla perguntou quando cheguei na sala. Ela me esperava encostada na porta. Seus cabelos loiros balançavam com o vento do ventilador.
— Falei. Tá tudo certo. — Menti.
— Ótimo. Não vejo a hora de postar foto na praia. — Ela falou animada dando pulinhos.
Observei a sala. Aquele era o último dia, depois daqui viria a faculdade. Suspirei. Observando cada detalhe, as paredes brancas encardidas, as carteiras de madeira enfileiradas e as minhas amáveis colegas de classe passando blush no rosto ou arrancando as pontas duplas do cabelo. Até isso me faria falta.
Escolhi meu lugar e pus a bolsa em cima da carteira. Enquanto Layla gravava uns stories falando que amanhã estaria na praia. Assim que bloqueou o celular ela sentou ao meu lado.
A aula foi totalmente dramática. A professora falou sobre o quão é importante pensarmos no nosso futuro.
— Lembrem-se de agora em diante vocês iram escolher o que querem se tornar. O que querem ser para o resto da vida. Tenham certeza que estão fazendo a escolha certa. — Ela tinha uma firmeza na voz que assustava.
A verdade é que naquela altura da vida em não sabia nem quem eu era. Sempre fiz o que meus pais queriam. E confesso que estava um pouco cansada disso. Eles me tratavam como se eu tivesse cinco anos. Como se eu não fosse capaz de fazer minhas próprias escolhas, de viver minha própria vida.
Eu nem ao menos podia namorar. Tinha que rejeitar todos os convites que recebia de garotos, pois meus pais nunca deixavam eu sair com eles. Eles pensavam que eu ia ser drogada, ou que apareceria grávida no dia seguinte. O que é um absurdo, pois ninguém engravida um dia depois de fazer sexo. Tem um tempo para a fecundação e o desenvolvimento do embrião.
Claro que eles me deixaram livres para escolher o curso que eu iria cursar na faculdade. As opções eram Medicina, Direito, Engenharia civil, pois é a melhor engenharia . Pra mim essas opções eram desinteressantes. Nenhuma me atraia. Eu nem sabia ao certo se queria mesmo fazer faculdade. Mas tinha a plena consciência que se falasse isso para minha mãe ela infartava. Canceriana do jeito que é. Não duvido nada.
A professora continuou com seu discurso de despedida. Eu olhei através das lentes de seus óculos de grau. Tentando encontrar seu olhar e o que eles estavam dizendo. Tudo bem que seu gosto para moda era péssimo, ela usava uma camisa roxo escuro e uma calça social preta. Seus cabelos eram no ombro estavam escovados.
— Kimberly, o que pretende fazer ao sair daqui? — Ela apontou pra mim. Me tirando dos meus devaneios.
— Eu? — perguntei confusa.
— Sim, você mal falou o ano inteiro. Essa é sua chance de participar da aula. — Ela deu um sorriso amigável.
— Eu vou para casa dormir. Aproveitar as horas de sono que perdi. — respondi ingenuamente e todos começaram a rir achando que eu estava brincando.
— Tudo bem. — A professora falou paciente — O que você que ser?
— Eu não sei, estou perdida. — respondi com os olhos arregalados.
— Então sugiro que aproveite as férias de verão para se encontrar.
— Com certeza, vamos aproveitar muito essas férias. — Layla respondeu olhando os poros do rosto pelo espelho redondo que tinha em mãos. Ela o fechou em uma cena teatral.
Eu apenas sorri lembrando que teria que convencer minha mãe a me deixar ir nessa viagem. Essa era a minha chance de crescer. De me encontrar. A professora finalmente se despediu. O sinal tocou logo em seguida e todos saíram da sala. Sorrisos e mais sorrisos. Todos estavam animados com o fim do ensino médio. Mas eu estava um pouco nervosa, afinal. O que eu queria fazer da vida? Era difícil achar uma resposta.
— Amanhã as seis, esteja na rodoviária. Não se atrase, por favor. — Layla avisou ao passar por mim. Eu apenas acenei um tchau.
Outra pergunta que eu não sabia responder. Como eu iria viajar com Layla se minha mãe não deixou? Eu teria que convencer minha mãe SUPER protetora que tenho maturidade para viajar sozinha com minha melhor amiga. Daria um jeito nisso. Vi o carro do meu pai se aproximar. Olhei uma última vez para a escola sabendo que nunca mais voltaria ali e que as coisas na minha vida não seriam a mesma. Sorri. Foi uma longa jornada.
☀️
O último dia de aula era mágico. Eu nem tinha palavras para descrever a minha felicidade de estar se formando. Os alunos optaram por não fazer formatura, porque era brega. Ao invés disso haveria uma festa na casa de um dos alunos. Claro que Kimberly não viria a festa. Os pais dela ficaram horrorizados quando souberam disso. Ela era filha única. Quando não se tem nenhum irmão para dividir a atenção dos pais é isso o que acontece, eles grudam que nem carrapato.
Claro que a culpada disso era da própria Kimberly, eu nunca entenderia como ela não contrariava os pais, nem em discussões verbais, mesmo que pensasse diferente deles, ela ficava calada sem expor sua opinião.
— Layla, vem dançar. — chamou uma menina. Que eu não tinha muita intimidade, mas fui mesmo assim.
— E ai? — Um cara desconhecido entrou no meu caminho.
— Oi. — Acenei sorrindo, ele era bonito. Tinha cabelos castanhos e olhos da mesma cor. Seu sorriso era atraente.
— Ta ocupada? — Eu respondi maneando a cabeça —Que tal nos conhecermos melhor?
Eu agarrei sua camiseta vinho no meio do corredor ele me encostou na parede e começamos a nos beijar intensamente. Minha consciência pesou um pouco quando lembrei do Travor, mas eu sabia que ele estava dormindo com uma vadia qualquer. Então não me importei.
O garoto me conduziu para dentro de um quarto vazio. E começamos a tirar a roupa sem parar de nós beijar. Ele sorriu e me trouxe para mais perto do seu corpo. Nós deitamos na cama lentamente.
Quando estávamos quase lá. A porta do quarto abriu sem nós percebemos. Continuei gemendo cada vez mais alto.
— O que vocês estão fazendo na minha cama? — perguntou uma velhinha parada na porta. Ela usava um vestido de algodão rosa.
O garoto que eu não sabia o nome levantou correndo em direção a senhora. Que arregalou os olhos ao ver o menino pelado.
— É muito grande! — exclamou.
— Você esqueceu sua roupa — gritei. Mas ele já tinha ido embora. Comecei a ouvir os gritos da sala de estar e então ele voltou para o quarto.
— Droga, esqueci minha roupa. — Revirei os olhos. — Desculpa — Ele falou se referindo a mim. — Desculpa — Agora ele pediu a senhora que ainda estava com os olhos arregalados na porta do quarto. E então foi embora.
Deitei na cama arrasada, só me restava voltar para sala e me entupir de bebida. Não ia da moral pra mais nenhum cara naquela festa. Afinal, no dia seguinte estaria mais uma vez com Trevor.
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