Loucuras de Verão
22 Noite de Karaokê I
Notas iniciais
Um pequeno circulo se formou em frente ao palco improvisado montado na praia. Todos estavam ansiosos e nervosos pelo que iria acontecer ali, meus amigos só falavam em uma coisa. O campeonato de surf.
— Boa tarde galera — Um homem forte e barrigudo falou no microfone que havia no meio do palco ele era barbudo e usava óculos escuro e boné. — Como vocês sabem todo inicio de ano aqui em Alhena rola o campeonato de surf organizado pela prefeitura da cidade. Pra quem ganhar em primeiro lugar o prêmio será 500 reais em dinheiro e uma casa aqui na cidade de Alhena. Pra quem ficar em segundo teremos como prêmio uma tv smart e um voucher válido por um ano no Restaurante Lagostim que foi considerado o melhor da cidade. E em terceiro lugar o vencedor vai ganhar uma prancha nova.
Ouvi vários burburinhos por toda a praia, todo mundo queria participar do campeonato, todo mundo queria ganhar. Menos eu. Parecia que eu era a única ali que não sabia surfar. Ryan se afastou da multidão e eu o segui.
— Você não vai se inscrever no campeonato? — Perguntei apontando em direção a enorme fila que havia se formado.
— Eu não tenho tempo para isso. Durante o verão eu trabalho dobrado. Essas pessoas estão se preparando para o campeonato fazem meses. Trevor mesmo é o melhor. Ele ganhou ano passado e aposto que vai ganhar esse ano também. — Trevor veio em nossa direção ele estava animado.
— Se eu soubesse surfar eu me inscreveria. Seria ótimo ganhar uma casa aqui.
— E aí? — Trevor falou interrompendo nossa conversa.
— Já se inscreveu? — Perguntou Ryan cruzando os braços.
— Se o campeonato tivesse sido anunciado algumas semanas atrás eu ficaria super feliz com os prêmios. Eu teria planos de me casar e ir morar nessa casa, mas agora. Talvez eu saia da casa dos meus pais, assim vou ter mais independência. — Ele falava como se o prêmio ja fosse dele. — Bora comer um hambúrguer? — Chamou quando viu Layla saindo da multidão.
— Só se for agora. — Ryan concordou. Eu apenas os seguir.
Trevor não conseguia se controlar estava em êxtase por conta do campeonato e não se falava em outra coisa. Eu apenas ouvia a conversa sorrindo quando ele falava algo engraçado. Pelo que eu percebi parece que ele ja havia superado seu termino com Layla.
— Se eu soubesse surfar eu participaria. — Admiti enquanto pegava um punhado de batata frita.
— Por que não pedi pro Ryan te ensinar? Ele é ótimo. — Sugeriu Trevor enquanto limpava a boca com um guardanapo.
— Você poderia me ensinar Ryan. Seria ótimo. — Concordei.
— Vocês estão loucos, eu não tenho tempo e já está muito em cima da hora. Não tem como você aprender a surfar em cinco dias. — Ele terminou de tomar o refrigerante, tentando fugir do assunto. — Garçom a conta, por favor. — Pediu de uma forma apressada.
— Por que você tem sempre que dificultar as coisas? — Eu fiz questão de mostrar que estava chateada.
— Não vai rolar. desisti Kimberly. — Ele entregou o dinheiro ao garçom é saiu fazendo eu revirar os olhos.
— Eu vou querer esse aqui. — Apontei para o doce exposto na vitrine. Havia uma flor de chocolate decorando-o.
— Vai comer aqui ou vai levar? — perguntou a atendente da padaria.
— Pode me da assim mesmo. — Peguei o doce e paguei deixando o estabelecimento.
Andei alguns passos até entrar no restaurante onde Ryan estava almoçando.
— Ryan, Ryanzinho — Falei se aproximando dele. Ele estava sentado em uma das mesas com a boca cheia de comida.
— Fala logo o que você que. — Disse limpando a boca com o guardanapo.
— Eu vim te trazer esse doce aqui. Eu mesma quem fiz. — Menti na cara dura.
— Engraçado, parece com os doces que são vendidos na padaria que tem aqui perto. — Ele segurou a sobremesa analisando-a.
— Coincidência — sustentei a mentira. — Então Ryan, será que tinha alguma possibilidade de você me ensinar a surfar? — Perguntei sorrindo, tentado ser o mais simpática possível.
— De novo essa história? — Perguntou ele bravo.
— Por favor Ryan. — Insisti.
— Eu já falei que não. Pronto. — Ele jogou o guardanapo dentro do prato com voracidade.
— E aí, gente? — Cumprimento Débora. Parecia que ela havia surgido do nada ao lado de Ryan. — Hoje vai ter a noite do Karaokê lá no bar do Brito. Todas as inscrições serão feitas na hora — Ela nos entregou um panfleto com todas as informações básicas. — Vocês deveriam aparecer, vai ser divertido.
— Obrigada. — Agradeci dando uma olhada no panfleto.
Ryan saiu do restaurante e eu o segui.
— Ryan, por favor! — Pedi. Mas ele nem se deu ao trabalho de me responder.
— Eu pago. — gritei. — 150 reais a hora.
— Não dá mais tempo. — Falou entredentes.
— 200 reais a hora, duas horas horas por dia. Isso da 400 reais. Imagina o quanto vai ficar durante uma semana. — Tentei anima-lo.
— Oh Kimberly por que você quer tanto participar desse campeonato? — Ele finalmente se virou para mim.
— Eu quero ganhar a casa. — Confessei. — Quem não que uma casa? E eu poderia vim aqui sempre que quisesse. — Ele virou para o lado e riu. Olhei para o panfleto e uma ideia se acendeu. — E se eu participar da noite de Karaokê? Podemos fazer um acordo. Se eu ganhar você me ensina a surfar. — Ele sorriu, parecia ter gostado da ideia.
— Tudo bem, eu quero só ver. — Falou ele com ar de deboche.
— Nos vemos hoje à noite. — disse isso e me retirei voltando para casa.
— E aí? — Entrei na cozinha animada. Layla estava sentada na mesa com o olhar perdido.
— Você destruiu meu relacionamento eu deveria te mandar embora daqui. — Falou ela de forma agressiva que eu me escondi atrás do armário que ficava em frente a porta da cozinha. — Eu não consigo mais viver sem o Trevor. — Confessou e começou a chorar.
— Eu não acredito que você está chorando por causa de macho. — Disparou Nina ao ver a cena.
— Eu amo ele vó.
— Se amasse não teria feito isso — saí de trás do armário mas logo voltei quando vi que ela estava rosnando para mim. — Eu vim te convidar para ir na noite de Karaokê que vai ter hoje lá no bar do Brito.
— Não to afim de sair. — Falou emburrada.
— Grande chance do Trevor tá lá. — Disparei provocando-a.
— Espera — Gritou — Eu vou. — Dei um sorrisinho e deixei o cômodo.
O lugar estava lotado. Entramos mesmo assim, não era hora para ter vergonha, não era hora para voltar atrás. Me direcionei a lateral do palco acompanhada de Ryan enquanto Layla ia atrás de Trevor. Debora estava segurando um prancheta sorrindo de animação.
— Boa noite, vocês vieram se inscrever no Karaokê? — Perguntou ela quando nos aproximamos.
— Boa noite, na verdade eu vou me inscrever. — Olhei para Ryan que ria de forma sarcástica. Dei uma cotovelada nela que se contraiu.
— E qual será a música escolhida? — Ela me deu um livro repleto de músicas. Dei uma boa olhada antes de fazer minha escolha.
— Boate azul. — Apontei para a parte do livro onde a música se encontrava.
— Ótima escolha. — Elogiou ela. — Você podem aguardar na sala que fica depois dessa porta. Está reservada para quem vai cantar hoje. — Virei para a porta e agradeci seguindo em direção a ela.
— Você sabe o que vai acontecer se eu ganhar esse concurso? — Perguntei.
— Ainda da tempo de desistir. — Falou ele me provocando.
— Agora que já botei meu nome eu vou até o fim. — Passei pela porta que dava para um corredor branco.
— Quem vai passar vergonha é você, espera — Ele parou no meio do corredor — Você já tem experiencia nisso. — Estreitei os olhos e o empurrei com meu corpo. Quando ouvimos um grito vindo de dentro da sala que era reservada para os participantes do karaokê.
— Mother fucker. How Can you did this with me? — Gritou uma voz masculina, só havia uma pessoa que falava em inglês na cidade e esse era Juan o gringo que Carol havia arrastada para Alhena. — I trusted in you and you cheat me. — Ele não parecia nada satisfeito. Eu e Ryan chegamos mais perto para ouvirmos melhor.
Levei a mão a boca ao ouvir a palavra cheat, e isso fez com que Ryan ficasse curioso.
— O que ele tá falando? — Perguntou Ryan coberto de curiosidade.
— Um guia turístico que não fala inglês. — Rebati.
— Alhena não recebe turistas de outros países. — Explicou-se.
— É esse é o que? — Perguntei apontando para a porta onde eles discutiam.
— Screw you. — Gritou o garoto.
— Screw YOU. — Carol rebateu.
Então ele saiu da sala e logo eu e Ryan fingiu que nada estava acontecendo.
— Hi — Cumprimentei.
— All brazilians womans are slats.
— What? — Indaguei —Go fuck yourself, asshole. Get back for your country and never return — Tentei chuta-lo mais Ryan me segurou.
— Você pode me dizer o que aconteceu aqui? — Ele estava irritado.
— Carol traiu o gringo e ele acha que todas as brasileiras são putas. Idiota! — Exclamei com raiva.
Carol apareceu na mesma hora e nos fuzilou com o olhar.
— Kimberly, é sua vez. — Chamou Débora abrindo a porta que dava para o bar.
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