Loucuras de Verão
23 Noite de Karaokê II
Notas iniciais
Ele não estava em lugar algum, eu realmente fui boba de pensar que o encontraria ali. Pedi mais uma dose ao garçom e virei tudo de uma vez. Se ele não iria me procurar então eu teria que ir atrás dele. Entrei no banheiro tropeçando, o nível de teor alcoólico estava altíssimo no meu corpo. Me olhei no espelho sujo e vi minha aparência apesar de bêbada eu ainda estava inteira. Arrumei o pouco do batom borrado e afofei os cabelos. Eu poderia pegar qualquer cara daquele lugar, mas todos eram uns babacas. Nenhum deles se comparava a Trevor.
— Já chega, eu vou atrás dele — Falei para o meu próprio reflexo.
— Layla aonde você vai? — Ryan começou a me seguir em direção da saída.
— O que você que? —Gritei já do lado de fora. Algumas pessoas entraram no bar olhando para nós tentando entender o que se passava.
— Você não vai embora e me deixar sozinho com a Kim novamente. — Afirmou.
— Eu vou atrás do Trevor, tenho certeza que você sabe onde ele tá. Então diz logo. — O empurrei. — Moço eu quero ir de volta para a praia. — Falei com um motorista encostado no carro ele apenas meneou a cabeça e entrou.
— Espera ai — Pediu Ryan.
— Cade o Trevor? — Apertei sua camiseta de uma forma ameaçadora.
— Eu não sei, e mesmo que soubesse você acha que eu falaria depois do que fez com ele? — Estreitei os olhos e entrei no carro ignorando seus pedidos de piedade.
Expliquei ao motorista onde iria ficar e assim que o carro estacionou em frente a casa de Trevor ele anunciou:
— Seis reais.
— Meu Deus, tá mais caro que o busão. — Reclamei no banco de trás.
— Aqui não tem busão — Ele respondeu com indiferença.
— Por isso vocês botam esses preços altíssimos. — Dei a ele dez reais e esperei o troco observando a casa. Estava tudo escuro. Ou não tinha ninguém ou estava todo mundo dormindo.
Desci do carro e liguei para ele mais uma vez para o seu numero. Caixa postal.
Bati na porta.
Ninguém veio atender, esperei alguns minutos e bati novamente. Dessa vez ela se abriu e o próprio Trevor com a maior cara de sono foi quem me recebeu. Eu fiquei petrificada. O que eu faria? O que falaria para ele? Eu não havia pensado nisso, só me restava implorar pelo seu perdão.
— Trevor eu sei que você está chateado comigo e eu queria que você me ouvisse. — Comecei.
— Eu não tenho nada para ouvir de você Layla, eu passei esses anos inteiros sendo feito de idiota por você. Você acha que isso tem explicação? — Ele me encarou esperando uma resposta.
— Eu não vou mais...
— Não vai porque acabou, acabou — Ele gesticulou com as mãos. — Minha mãe estava certa sobre você, eu que não quis ouvir.
— Como é? — Gritei. — Você não pode me humilhar desse jeito.
— Eu quem fui humilhado. Eu não tenho tempo para esses seus dramas. — Ele fechou a porta na minha cara. Eu corri em sua direção e comecei a esmurrar a porta.
— Você não pode fazer isso comigo. — Gritei — TREVOR! — Naquele momento eu tinha certeza que toda a vizinhança tinha acordado.
— É melhor você sair daqui antes que a polícia chegue — disse o pai dele abrindo a porta.
Caminhei pela rua sem rumo, perdendo o sentindo da vida.
☀️
Subi no palco sem pensar em nada, eu precisava arrasar ali em cima, era tudo o que eu sabia. Peguei o microfone e o apertei fortemente esperando a música começar.
— Doente de amor. Procurei remédio na vida noturna. Como uma flor da noite em uma boate aqui na zona sul.
A dor do amor é com outro amor que a gente cura.
Vim curar a dor deste mal de amor na boate azul. — Comecei cantando, mas na verdade estavam todos calados e quietos. — Vamos gente se animem. — Falei empolgada até ver Ryan saindo com Layla em direção a rua.
Droga Ryan ia perder minha grande apresentação. Continuei cantando como se estivesse tudo normal.
— E sair de que jeito, se nem tenho rumo não sei para onde vou. No pensamento me lembro que estou em uma boate aqui na zona sul. Eu bebi demais e não consigo me lembrar sequer qual era o nome daquela mulher da flor da noite na boate azul. — Terminei esperando os aplausos, mas eles não vieram. — Gente já podem aplaudir, eu já acabei. — Todos me olhavam com uma cara de cansaço. Eu apenas desci do palco e fui procurar Ryan.
— E agora Carol com a musica largado as traças. — Anunciou Débora no microfone e todos começaram a aplaudir com exito.
— Meu orgulho caiu quando subiu o álcool. Aí deu ruim pra mim e, pra piorar, tá tocando um modão de arrastar o chifre no asfalto. — As pessoas começaram a levantar e cantar de uma forma animada.
— O que você veio fazer aqui? — Perguntei encontrando Ryan na calçada. — Todo mundo ta gostando da apresentação dela. — Falei um pouco chatiada.
— Vou beijando esse copo, abraçando as garrafas.Solidão é companheira nesse risca faca enquanto 'cê não volta, eu 'tô largado às traças. — Entoava ela junto com a multidão de pessoas que se formaram ao redor do palco.
— Ela vai ganhar, ta na cara né? — Apontei para a cena. Estamos observando tudo pela janela do bar.
— Pelo menos você tentou né? Que pena. — Ele debochou de mim.
— Isso significa que você vai me ajudar? Você vai me ensinar a surfar não é Ryanzinho?
— A aposta era aquela. — Ele falou.
— E se fizermos assim, você me ensina um dia e se eu não avançar muita coisa então deixamos quieto. O que você acha? — Perguntei de forma amável.
— Não Kimberly, você perdeu no Karaokê. Acabou.
— Por favor — Insisti.
— Você não vai desistir né? — Perguntou ele atordoado.
— Só uma aula, eu juro que se não de certo eu paro — Prometi com uma pontada de esperança.
— Tudo bem, mas é só uma aula — Ela levantou o dedo indicador.
— Ai, Ryan você é incrível. — Gritei. Eu o beijei enquanto todo o bar explodia em aplausos com o fim da música de Carol.
— E a vencedora da nossa noite de Karaokê é Carol. — Anunciou Débora e se ouviram gritos, urros e aplausos. Ryan aplaudiu sorrindo e eu dei mais outra cotovelada nele.
— Para de aplaudir ela. — disse irritada.
— Como você é boba. — Revidou.
— Você que é. Fica aplaudindo essa menina sem graça. Eu fui melhor que ela.
— Você é melhor que ela. — Fiquei sem graça — Você é a única menina da minha vida — Eu não sabia o que responder. Sorri timidamente. Nunca pensei que fosse ouvir isso de Ryan.
— Vamos sair daqui. Já ta muito cheio. — Peguei em sua mão e o conduzi para fora do bar enquanto Carol recebia seu prêmio. Mas na verdade quem ganhou a noite foi eu.
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