Loucuras de Verão
14 Faminta
Notas iniciais
— Trevor o que você está fazendo aqui? — Perguntei quando o vi o garoto sentado no sofá da sala.
— Vim pegar vocês, estou organizando uma festa lá em casa. — A avó de Layla saiu da cozinha segurando um copo de vidro com um líquido cor de rosa dentro.
— Aqui está — ela entregou o copo para o garoto — Você precisa está forte para dá conta da minha neta. — O comentário fez Trevor gargalha.
— Obrigada, Dona Nina. Seu suco de beterraba é o melhor. — Torci o nariz quando ouvi a palavra beterraba. — Tatuagem maneira — Ele apontou para o meu braço
— Isso é algum tipo de deboche? — Fechei a cara.
— Não, eu realmente gostei da tatto. — Ele falou preocupado com o que eu disse. Parecia que ele realmente não queria me ofender.
— Kimberly, vai arrumar suas coisas logo. Temos que passar no mercado para compra as bebidas da festa. — Layla carregava uma mochila.
Eu entrei no quarto e revirei sua mala. As roupas de Layla eram muito melhores que a minha então eu estava usando-as sempre. Achei um vestido que era aberto na cintura e de cor preta. Peguei também uma bota de mesma cor. Esse seria meu look.
Fomos para o carro que estava estacionado em frente a casa e logo em seguida partimos para o mercado, que ficava a três ruas dali. Eu não entendia o motivo de usarmos o carro se poderíamos ir a pé, mas não questionei.
— Precisamos fazer uma decoração legal na sala, sua casa é muito sem graça. — Layla falou passando pela porta do mercado. Não era um supermercado, mas também não era pequeno. — Eu pensei em compramos umas luzes coloridas para por na sala. — Ela colocou um pacote enorme de doritos no carrinho que Trevor empurrava.
— Além disso podemos espalhar umas velhas pela sala. Deixamos as luzes apagadas e o ambiente será iluminado apenas pelas luzinhas coloridas e as velas. — Sugeri.
— Que ideia incrível Kim, finalmente está servindo para algo. — Ela falou sem o menor pudor.
— Obrigada — Agradeci ironicamente pegando algumas velas.
— Só está faltando isso — Trevor falou enchendo o carrinho de cerveja quando chegamos na sessão de bebidas. Ele também colocou duas garrafas de vodca. Olhei assustada para aquela quantidade absurda de bebidas alcoólicas.
Fomos para o caixa e a mulher olhou muito feio para Trevor quando ela começou a passar as cervejas.
— Sua mãe sabe que você está comprando isso tudo no cartão dela? — Ela perguntou.
— Não se preocupe, eu vou dá um jeito de pagar tudo isso mês que vem. Vou conseguir a grana. — Ele certificou.
— Vai mesmo? — Seu olhar era ameaçador.
— Vai sim. — Layla respondeu impaciente.
— Sua mãe sabe que sua namoradinha está aqui e que vocês estão desfilando juntos por ai?
— Oi para você também, Vanda — Ironizou Layla.
— E essa garota ai? Meu Deus, isso é um casal triplo? — Ela arregalou os olhos.
— Sou amiga da Layla. — Sorri.
— A baranga numero dois. — desfiz o sorriso.
— Vanda, você não pode contar nada disso para a minha mãe. Nem das bebidas, nem de Layla, nem de nada. — Ordenou ele.
— E por que eu faria isso? — Ela franziu a testa.
— Porque eu te ensinei a usar o tinder, se não fosse por mim você taria solteira até hoje. — O garoto falou alterado.
— Você está passando isso na minha cara?
— Eu só to falando que fiz um favor e agora você tem que retribuir. — Ele inseriu o cartão na máquina.
— Do jeito que seus vizinhos são fofoqueiros, sua mãe vai ficar sabendo de tudo. Eu que não vou me meter. — Ela o entregou a nota fiscal e deixamos o mercado.
Coloquei a vela em cima de uma mesinha de vidro. As coisas estavam quase prontas. Layla estava na cozinha fazendo gelatina alcoólica. E Trevor enchia o freezer de cerveja.A campainha tocou e fui atender animadamente. Fiquei seria quando vi que a pessoa era Ryan.
— E aí? — Ele acenou para mim.
— Você está me perseguindo? — Ele entrou na casa.
— Trevor me chamou. — Ele cumprimentou o amigo com as mãos. — Está precisando de ajuda com algo? — Se virou para mim.
— Não da sua ajuda — Respondi grosseiramente.
— Você deveria melhorar seu humor.
— E você deveria melhorar sua cara, pera, não tem como. — Ironizei.
— E a sua tatuagem? Você sabe que precisa de cuidados. — Avisou ele me lembrando da aberração estampada no meu braço.
— Cala a boca, Ryan. — Reclamei.
— Eu vou fazer a playlist da festa. — Ele sentou na poltrona que havia em frente ao sofá e pegou o notebook em cima da mesa de centro.
— Vai tocar o que? Brega? — Provoquei.
— Eu manjo de musica eletrônica. — Ele se defendeu.
— Ele é DJ, ele — Sorri.
— Ai, se eu fosse vocês aproveitaria para beber enquanto a festa não começa. Depois vai acabar tudo. — Trevor entrou na sala carregando duas garrafas de cerveja.
— Obrigada, mas não estou bebendo — Expliquei chamando a atenção de Ryan.
— Ela é sóbria, ela. — Foi a vez dele me zoar.
— Eu só estou tentando ser mais responsável, não foi isso que você me disse mais cedo?— Ele bebeu um gole da cerveja.
— Estou muito feliz por você Kim. — Sorriu, eu estreitei os olhos desconfiada. — Eu to falando serio.
— Whatever — Respondi recolhendo o lixo do chão e saindo da sala.
— Kim, vamos se arrumar. A festa começa daqui a pouco. — Layla me chamou quando entrei na cozinha. Fomos para o quarto. — Eu ouvi dizer que Carol vai da uma festa no iate, acho que ela vai nos convidar hoje. — Comentou passando rímel em frente ao espelho enquanto eu fazia um penteado no meu cabelo. Apenas concordei silenciosamente.
Saí do quarto e a casa já estava toda escura. Apenas as velas a iluminava. Ryan continuava sentado na poltrona, uma música eletrônica tocava no ambiente. Algumas pessoas conversavam sentadas no sofá.
— Tá curtindo o meu som? — Ele perguntou quando notou minha presença.
— Trevor, cheguei — Eu conhecia aquela voz irritante. Carol entrou na sala ao lado de um cara bem bonito. — Ryanzinho — Ela acenou para ele se aproximando. — Esse é o Juan, ele é modelo. Eu o conheci em Nova York, convidei-o para passar as férias aqui e ele aceitou. — O garoto olhava a situação sem entender nada. Supus que ele não falasse nosso idioma.
— Enjoy the party. — Respondi para o garoto.
— I will, thank's — Ele parecia animado por alguém ali falar seu idioma. Encarei Carol, ela jogou os cabelos para trás e saiu.
A sala estava cada vez mais cheia. Minha barriga roncou e me lembrei que eu não havia comido nada desde que acordei. Fui atrás de doritos, mas só encontrei o saco vazio em cima da mesa. Eu não queria ficar na sala cheio de estranhos. Então fui para a varanda da casa. Olhei para a minha tatuagem, isso desencadeou em mim várias memorias. Lembrei de tudo, desde quando cheguei até o agora. Eu tinha sido tão estupida, agora eu entendia o porquê minha mãe não me deixava fazer nada. Eu não tinha maturidade para nada. Comecei a chorar pensando em como ela ficaria decepcionada quando visse meu estado.
— Ei — Ryan apareceu do meu lado e eu o abracei. Foi totalmente involuntário minha reação. — Aconteceu alguma coisa? — Sua testa estava franzida de preocupação.
— Aconteceu tanta coisa. — Tentei conter as lágrimas — Eu fiz tudo errado.
— As pessoas erram o tempo todo, Kim isso é normal. Não é o fim do mundo. — Ele tentou me acalmar.
— É sim, você não conheci minha mãe. Ela vai acabar comigo. — Eu o soltei e me apoiei na varanda. — Minha mãe não deixa eu fazer nada, vim para essa viagem com a intensão de mostrar a ela que sei me virar sozinha, mas está mais do que provado que estou errada. — Sequei as lágrimas.
— Você está vivendo experiências novas e normal que as coisas saiam do controle. Você é apenas uma adolescente, não se preocupe de mais. — Ele pediu. Minha barriga roncou super alto e eu voltei a chorar.
— Estou morrendo de fome, comeram toda a comida da festa. — Eu parecia uma criança, me senti assim.
— Tem um foodtruck aqui perto. Vamos lá eu pago.
Ele me conduziu até o local que era ao lado da casa de Trevor. Comi dois cachorros quentes com um refrigerante, ele apenas me observava comer sorrindo. Eu o ignorei, afinal ele estava pagando tudo.
— Obrigada — Agradeci limpando a minha boca suja de molho.
— Você vai ficar bem — Ele beijou minha testa. — É melhor você ir para casa. Vai dormir um pouco. — Eu concordei.
Sorri ao vê sua preocupação comigo. Nunca vi ele sendo tão fofo com alguém.
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