Loucuras de Verão
6 A primeira festa
Notas iniciais
Lembro-me perfeitamente quando Layla chegou falando sobre a sua primeira festa, como era legal estar no meio de pessoas mais velhas com bebida e até drogas, como maconha. Ela estava tão animada e eu fiquei com muita vontade de experimentar daquele mundo. Quando cheguei em casa e contei para a minha mãe o que eu queria ela me deu um enorme sermão.
— Você está louca Kimberly — Falou de forma teatral. — Você acha que garotas inteligentes e reservadas vão a esse tipo de lugar? Lá tem gente da pior qualidade. Pessoas sem futuro que não querem nada da vida, apenas da desgosto aos pais. É isso o que você que? — Ela me olhou com os olhos arregalados, naquele momento me senti pequena como se tivesse encolhido.
— Cla-Claro que não, mãe. — Fiquei desnorteada com suas palavras como se elas tivessem socado minha cara.
Porém toda segunda-feira quando Layla me contava suas aventuras minha vontade de estar lá com ela era imensa. Eu poderia fugir de casa ou até mesmo inventar uma desculpa para os meus pais, mas meu medo de decepciona-los era maior. Então eu apenas me imaginava ali. Era tudo o que eu poderia fazer.
Eu estava nervosa enquanto escolhia a roupa que usaria. Layla estava se arrumando no banheiro. Mexi nas suas maquiagens para ver o que tinha de bom, aquela era a minha primeira festa e eu queria causar uma boa impressão. Achei um batom vermelho matte. Passei um pouco nos lábios e vi que ficaria perfeito. Coloquei uma calça preta e uma camiseta rosa com um coração escrito you stole my heart um pouco meloso, mas era o que tinha.
— Que roupa é essa? — Layla estava com uma expressão de espanto. — Cadê suas roupas de balada?
— Essa é minha roupa de balada. — Me voltei para o espelho passando rímel.
— Que roupa ridícula é essa? — Ela se irritou mexendo na própria mala. Olhei para a seu traje e ela estava bonita. Usava um vestido branco com uma flor de mesma cor na cabeça os cabelos ondulados estavam soltos.
— Sinto muito, mas é minha mãe que escolhe minhas roupas. — Dei de ombros.
— Ela acha que você tem quantos anos? 40? — Ela tirou algo de dentro da mala e jogou em cima de mim. — Vou te emprestar, só hoje, mas você precisa comprar suas próprias roupas. — Eu concordei em silêncio.
Tirei aquela roupa e coloquei o vestido preto que ela havia me emprestado. Me olhei no espelho parecendo outra pessoa. O vestido era colado no corpo, mas eu não estava vulgar, estava bonita, diferente, madura. Olhei atrás e vi que ele valorizava minha bunda.
— Podemos ir agora — Me animei passando perfume e esquecendo tudo o que minha mãe havia me falada sobre o lado negativo das festas.
— As regras são: Nada de ficar bêbada, não seja estuprada e muito menos morta. Você tem que estar inteira amanhã. — ela tirou o excesso do meu blush e começamos a caminhar pela praia.
Todas as casas estavam cheias de gente. A maioria com churrasco, cerveja e música alta. Sorrisos e conversas ecoavam enquanto andávamos por ali. O som das ondas era inspirador e relaxante. Respirei aquele ar marinho sentindo meus pulmões se abrirem.
Ouvi um som ecoando alto, quanto mais andávamos mais ele se aproximava. Até que chegamos na parte da praia onde a festa estava acontecendo. Tinha uma enorme fogueira e uma mesa com copos e garrafas, vários baldes cheios de cerveja estavam espalhados pela areia. Tocava uma musica eletrônica e um grupo de pessoas dançavam loucamente.
— Toma aqui. — Layla me entregou um copo de plástico com um líquido avermelhado. Provei e era suco de melancia, mas tinha algo de estranho, pois minha garganta queimou quando o líquido desceu.
— E aí? — uma garota ruiva de sardas perguntou. — Tá se divertindo? — Ela bebeu o conteúdo do seu copo.
— Sim, muito. — Estava extasiada.
— Que mais suco de melancia com vodca?
— Vodca? — Perguntei olhando para o meu copo. Então era isso. — Quero — Estendi meu copo em sua direção e ela encheu. — Obrigada. — Sorri.
— Meu nome é Débora. Estou com uma galera aqui. — Ela apontou para um grupo atrás dela.
— Meu nome é Kimberly. Eu estou com minha amiga, Layla. — Procurei Layla com os olhos e não a encontrei.
— Layla? Ela já chegou? — A menina parecia ser minha amiga a muito tempo.
— Já. — Bebi mais um pouco do suco. — Isso é bom, sempre pensei que bebidas alcoólicas fossem algo horrível. — Na verdade, minha mãe me falava isso.
— Que tequila? A gente trouxe uma garrafa. — Ela apontou novamente para os amigos.
— Quero — Falei mais animada que o normal. — Hoje eu quero provar de tudo.— Eu não planejei falar isso. Saiu de forma espontânea.
Segui ela até chegar no pequeno círculo cheio de pessoas desconhecidas. Enquanto ela preparava a dose. Um menino loiro a agarrou por trás e beijou seu pescoço e logo mais sua boca. Baixei a cabeça constrangida.
— Gente essa é a Kimberly ela vai tomar uma dose de tequila agora. Todos do grupo se agitaram dando gritinhos.
Fiz o ritual, sal, tequila, limão. Assim que virei o copo senti uma queimação, mas os gritos de animação foram o suficiente para eu levantar o copo vazio como uma vencedora. Minha mãe estava erradas. Aquelas pessoas eram incríveis.
☀️
Todo ano era sempre a mesma coisa, eu ficava super ansiosa para reencontra-lo. O verão era minha época preferida, não só pela praia, mas também porque eu estaria ao lado de Trevor.
Deixei Kimberly na festa e sai para procura-lo. Trevor foi o meu primeiro namorado. Eu o beijei quando tinha onze anos e as quatorze beijei seu melhor amigo, nós terminamos. Foi uma época difícil, mas todo casal passa por isso. Um ano depois eu me desculpei e nós voltamos, perdi minha virgindade no mesmo dia. Foi maravilhoso. Bem, nosso relacionamento é um pouco diferente. Aberto é a palavra certa. Quando estamos longe um do outro ficamos com qualquer outra pessoa sem problemas.
— Finalmente te encontrei. — Ele me agarrou por trás me assustando. Dei um grito. — Senti tanto sua falta. — Ele começou a me beijar intensamente. Ficamos assim por alguns minutos eu nem consegui acreditar que ele estava ali. — Não vai embora, Layla é difícil encontrar uma garota como você. — Ele falava passando a mão na minha perna.
— Eu sei, você não gosta de garotas recatadas, né? — Ele torceu o nariz fazendo eu gargalhar.
— Vamos da uma volta. Peguei o carro do meu pai só pra sair com você. — Ele beijou a ponta do meu nariz.
— Você sabe que carros não impressionam garotas, né? — Avisei entrando no carro.
— Por isso vou te levar pra comer um dogão com um refri de dois litros. — Falou sentando-se ao meu lado.
— Agora sim estou impressionada — Nós dois rimos.
Comemos nosso lanche e depois ele estacionou o carro em um local pouco movimento e começamos a nos beijar novamente. Sentei em cima dele no banco do carona. Eu desci até o seu pescoço enquanto ele gemia baixo. Tentei colocar minha mão por dentro da sua calça jeans, mas ele estava de cinto. Ele passou a mão na minha perna mordendo minha boca. Levantou o meu vestido devagar quando eu o impedi.
— Não vou transar com você no carro, sou uma dama. — falei saindo de cima dele e ajeitando meu cabelo.
— Qual é, gata? Meus pais estão em casa hoje. — Reclamou ele. — A gente podia ir na casa da sua avó. Ela é de boa. — Ele sorriu maliciosamente para mim.
— Não vai dá, estou com uma colega de quarto. — Me aproximei dele — O motel não fica tão longe daqui. — Falei tocando sua camiseta.
— Tá doida? Se meu pai souber que peguei o carro dele pra ir no motel ele me mata. — Ele bufou.
— Então tá. Te vejo amanhã, talvez.
Desci do carro sorrindo. Ver o desespero dele era maravilhoso. Minha mãe sempre disse que a melhor maneira para ter um homem era deixar ele querendo mais.
Isso sempre funcionava.
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