Loucuras de Verão
7 Ressaca
Notas iniciais
Acordei com o barulho de algo caindo no chão. Um enorme estrondo ecoou na minha cabeça. Levantei num impulso olhando para frente. Layla se abaixou para pegar o que havia caído.
— Pensei que não fosse mais acordar. — Ela se virou para mim. — Lembra do que aconteceu ontem? — forcei minha memória, mas não consegui lembrar.
— Você ficou bêbada e deu vexame na festa. — Avisou ela fazendo eu me espantar.
— Eu o que? — perguntei me sentando.
— Você tentou tirar a roupa e entrar no mar. Quando o cara veio te ajudar você jogou água nele. Foi isso o que Débora disse. — Débora, eu me lembrei dela. Me lembrei da tequila, mas foi só isso. — Você pelo menos beijou alguém lá? — Quis saber Layla.
— Não. Minha mãe me ensinou.
— Minha mãe me ensinou que devo beijar alguém só quando me apaixonar — ela fez uma imitação medíocre. — Se depender da sua mãe você vai ser BV para sempre. — Provocou ela. — Que frescura é só um beijo. — Falou com indiferença.
— Não é só um beijo, há várias coisas envolvidas. Saliva, bactérias. Você sabia que a parte do corpo que tem mais bactérias é a boca? E que quando você beija uma pessoa a saliva dela fica por três dias dentro da sua boca?— Argumentei.
— Você é doente, eu tenho medo de começar a ficar igual a você. — Encostei a cabeça na parede. Ela parecia pesar uma tonelada.
— Minha cabeça ta doendo — Reclamei ignorando-a.
— Eu tenho um remédio para você. — Ela deixou o quarto e eu criei coragem para levantar da cama.
— Como você sabe que a pessoa que você beijou escovou os dentes? — Perguntei indo em direção a cozinha.
— Porque todo mundo escova os dentes. — Ela respondeu me olhando como se fosse óbvio.
— 3% da população mundial nem ao menos tem escova de dentes. — Expliquei.
— Qual é o seu problema? — Perguntou irritada.
— Qual o seu problema? — Rebati. Indo para a varando, onde a avó de Layla se encontrava sentada na mesa.
— Bom dia — Cumprimentei sentando-me também.
— São duas horas da tarde. — Layla trouxe um copo com água e um comprimido.
— O que? — Minha mãe nunca me deixaria acordar naquele horário.
— Pra que todo esse alarde? — A mulher perguntou franzindo a testa.
— A rainha da virgindade está tendo a primeira ressaca. — Explicou Layla enquanto eu tomava o comprimido.
— E você? Como foi, querida? Conseguiu pegar o bonitão? — A avó de Layla perguntou sorrindo.
— Não — Ela falou de maneira exarcebada. — Ele queria transar no carro. — Eu observava as pessoas na praia, mas suas palavras fizeram focar na conversa.
— E qual o problema? Eu transava no carro, na rua em qualquer lugar. Qualquer hora é hora. — A mulher sorriu relembrando a juventude. Eu arregalei os olhos horrorizada.
— A gente podia aproveitar o resto do dia pra fazer algo. Vamos fazer bolo? — Sugeriu Layla.
— Que ideia incrível. — A mulher se animou.
— Minha avó faz o melhor bolo que existe. — Layla falou sorrindo e ela apenas concordou.
— E aí, eu tive que chupar ele. — Falou a senhora fazendo Layla rir da história. Eu tentava quebrar o ovo para por na massa do bolo.
— Caiu casca dentro — apontei para o bowl. O ovo se espatifou na minha mão.
— Deixa, vai da crocância a massa — Layla mexia sua própria massa com vigor.
— Sério? — Sorri.
— Claro que não, tira logo a casca daí. — Falou a senhora pondo mais farinha no seu bowl. — Você não cozinha?
— Não, minha mãe não me deixa cozinhar. Ela fala que é muito perigoso. — Percebi o quão ridículo aquilo parecia.
— A mãe dela não deixa ela fazer nada. Kimberly é o seu bebê. — Ela apertou a própria bochecha e fez um bico.
— Eu posso fazer o que eu quiser. — Tentei me defender.
— Sua mãe deixaria você sair sozinha com um garoto? — Ela arqueou a sobrancelha.
— Se eu conversasse com ela, sim. Eu estou aqui, não estou? — Perguntei me dando por vencida.
— O fato de você está aqui é um milagre.
— Hora de por o bolo no forno. — A mulher se levantou da mesa e despejou o conteúdo na forma untada.
— Quando vamos a praia? — Perguntei aleatoriamente.
— Se você acorda sóbria vamos amanhã de manhã. — Layla lambia o resto de massa que havia ficado no bowl.
— Ótimo. — sorri pegando o pouco da massa do meu bolo. Fiz um careta. Estava horrível.
Layla e sua avó começaram a rir.
Depois de rechearmos os nossos bolos. Provamos para ver qual era o melhor. O da avó ganhou. O meu foi o pior até sua aparência estava estranha.
— Nada mal para uma primeira vez. — A mulher tentou me animar. — Antes eu também cozinhava super mal, foi preciso muita prática para chegar nesse nível. — Explicou ela.
— Espero um dia fazer um bolo perfeito desse. — Comi outro pedaço. Era fofinho e molhado.
— É bom mesmo, porque esse seu aqui tá triste. — Layla reclamou e nós três começamos a rir. Como a vida das pessoas dessa cidade é tranquila e boa.
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