Loucura Ou Realidade?
2 Arrepio
Notas iniciais
Minha casa não é muito longe da escola – bem... a casa de ninguém é longe! A cidade é tão pequena que não há como alguém morar realmente longe da escola -. E após as aulas cheguei no meu lar em menos de meia hora.
- Oi querida! Como foi na escola? – minha mãe me saudou como de costume.
- Ah! Legal. Tudo normal. – respondi dando um beijo nela e depois fui dar outro em meu pai que estava sentado lendo um livro de direito.
Meus pais são legais. Tradicionais. Éramos, ao menos na aparência, uma família feliz.
Subi correndo as escadas até o meu quarto. Ele não é muito grande, mas cabiam todas as minhas coisas ali.
Minha cama ficava na parede direita a porta e meu armário e estantes ficavam na do lado esquerdo. Eu tinha um computador, uma pequena televisão, um vídeo game e muitos – muitos! – CD’s. Perfeito. Podiam passar a comida e minhas encomendas pela porta que eu sobreviveria ali sem problemas! Era o meu santuário.
Além disso, tinha uma janela que dava para a frente da casa, na parede oposta a porta. De lá eu podia ver a casa dos vizinhos da frente e o melhor: Dava para ver meu vizinho Lucas! Que é muito – muito!!! – lindo. Cabelos volumosos, ondulados e loiros escuro, com olhos verde escuro, penetrantes. Pele branca e um corpo bem definido. Ele é alguns anos mais velho que eu e tocava guitarra. As vezes, espiando, eu conseguia ver ele andando sem camisa pela casa. Meu deus! Era a visão do paraíso!
Fui em direção da janela, quem sabe eu não estava com sorte hoje e via Lucas trocando de roupa no seu quarto dessa vez... tentador! Estava a um passo da janela, meu coração batia forte e quase que ele saltou pela boca quando senti uma mãozinha fria segurar o meu braço.
Um arrepio percorreu a minha espinha.
Olhei para a direção da mão e me surpreendi ao ver uma pequena e linda menininha sorrindo para mim. Ela vestia um vestido branco brilhante que fazia ela parecer mais pálida do que já era. Em contraste tinha cabelos lisos e negros que caiam por seus ombros e chegavam até sua cintura. Seus olhos eram tão escuros quanto o cabelo, nem dava para identificar onde começava a íris e terminava a pupila.
- So... Sophia! – gaguejei – Você me assustou.
- Me desculpe. Não foi minha intenção... – disse a garota um pouco tímida.
- Tudo bem. Mas... o que está fazendo aqui?
- Queria te ver.
- Não deveria ter vindo. Vou te levar de volta.
- Não! – a garota pediu desesperada – Não! Eu estava com saudades! Por favor, só quero brincar com você...
Olhei atentamente para aqueles lindos olhos negros e profundos, como um abismo. Para o seu rostinho redondo e pequeno, suplicante. Não resisti. Nunca resistia. Ninguém poderia resistir aquela figura miúda.
- Esta bem... do que você quer brincar? – perguntei suspirando.
- Quero brincar de esconde-esconde! – disse Sophia eufórica e não pude deixar de sorrir com a alegria da minha pequena menina.
Notas finais
Beijinhos
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