Loucas no AP
28 Vinte e oito
Notas iniciais
POV Emily
Está anoitecendo, mas não vou parar de dirigir. Paro de olhar a estrada e noto que tem um botão vermelhinho super discreto piscando.
– Mais que droga! Não acredito que estão me rastreando. – digo puxando um fio que ligava o rastreador fazendo o mesmo “morrer”.
Aumento a velocidade chegando a 200, entrei em uma estrada cheia de buracos, mas como estou de moto posso desviar deles facilmente.
De repente, apareceu não sei de onde um animal atravessando a estrada de terra, no reflexo eu parei a moto bruscamente. Para meu azar, ela parou, mas eu não. Titia Emily voou igual avião, mas aterrissou igual um passarinho voando pela primeira vez, ou seja, me esborrachei no chão e devo dizer... Ai.
[...]
Acho que desmaiei... Sei lá, o que sei é que acordei em uma cama mega suja e velha, e um quarto pior ainda, do meu lado tinha um senhor que o melhor jeito de descrevê-lo seria: Papai Noel do rock.
– Olha só quem acordou. – disse o Papai Noel, colocando um pano gelado em minha cabeça.
– Quem é você? Onde eu estou? E o que aconteceu? – perguntei me afastando um pouco, mas senti uma forte dor na cabeça devido ao acidente.
– Você pergunta de mais sabia? Me chamam de Estripador, você sofreu um acidente na estrada e eu te trouxe para esse bar velho para te ajudar. – diz ele me puxando de novo e limpando meu sangue com um pano de procedência duvidosa.
– Meu nome é Emily, meus amigos me chamam de Emi, obrigada pela ajuda, mas onde está minha moto? – pergunto assustada.
– Ela está nos fundos, não se preocupe. Eu estava um pouco atrás de você e vi que você estava indo muito rápido, algum motivo em especial? – pergunta o Estripador/Papai Noel.
– Bom briguei com minha amiga, não me sinto bem na casa dele e tem o irmão dela também acho que não gosta muito da minha presença, sempre que estou perto ele fica com raiva. –digo meio tristonha.
– Isso me lembra de uma coisa parecida que aconteceu comigo. – diz ele olhando para cima como se rolasse um flash back na sua cabeça.
– O que? – pergunto colocando o pano gelado de novo em minha cabeça e sentando na cama.
– Uma vez um homem queria matar meu amigo, então eu o matei antes que matasse meu amigo... É aquilo sim foi um tiro. – ele disse com certo orgulho.
– E isso tem a ver comigo ou me ajuda de alguma maneira como... ? – pergunto.
– Não ajuda, mas eu lembrei. Sobre sua amiga, eu acho que você deveria falar com ela. – diz Papai Noel por fim sem muita emoção
– Tem razão, foi besteira minha fugir. – digo sorrindo e o abraçando. – Não gostei do seu apelido, não parece com você, prefiro te chamar de Papai Noel.
– Contando que só você me chame assim, tudo bem. – diz ele rindo.
[...]
Como eu estava muito suja de lama, devido à queda, Papai Noel conseguiu umas roupas limpas para eu usar. Era uma calça colada preta de couro, uma regata branca e uma jaqueta preta também de couro. Depois de me trocar desci as velhas escadas do bar e me deparei com vários motoqueiros meio sujos e com caras de falta de amor e também com um karaokê velho.
– Emi essa é minha galera... Cicatriz, Caolho, Trovão e Matador. – diz Papai Noel se aproximando e apontando para seus quatro amigos que agora vinham em nossa direção.
– Boa noite senhorita. – diz Cicatriz com um leve balançar de cabeça. Ele tinha uma enorme cicatriz do lado direito do rosto, que ia da sua testa até seu pescoço.
– Muito prazer. – diz Caolho apertando minha mão. Ele realmente não tinha um olho.
– Olá. – diz Trovão sombriamente. Ele era muito alto e sempre olhava qualquer um com olhos frios.
Todos se apresentaram menos Matador, ele só fez uma discreta mensura com a cabeça. Ele tinha um olhar tranqüilo, porém atento. Toda a galera do Papai Noel era mais idosa acho que tinha uns 50 anos, contudo eram fortes e durões como qualquer outro jovem lá presente.
– Boa noite, meu nome é Emi. – disse sorrindo.
Admito que fossem um pouco assustadores, mas todos no fundo tinham corações moles. Matador adora pintar as unhas da sua sobrinha, Cicatriz trabalha em um salão de beleza fazendo maquiagem, Caolho canta opera nas horas vagas, Trovão passeia com cachorros de senhoras ricas e Estripador/Papai Noel quando está na época do natal, finge ser o Papai Noel para alegrar as crianças.
Logo paro de pensar em meus novos amigos para voltar minha atenção a um sujeito bêbado cantando “I will survive” e como se a música já não fosse suficientemente gay, ele abaixou a calça de couro e ele estava usando na sua bunda cabeluda (ecaaaaa) uma calcinha escrito “pega leve”. OH GOD meus olhos queimaram. Eu estou cega!
Depois que recuperei meus sentidos, meus novos amigos e eu resolvemos cantar um pouco cantamos a música “Barbie girl” e devo dizer que eles cantam muito bem. Melhor do que a Anne, mas não tão bem quanto eu (até parece hihi).
[...]
Depois de cantar, sentamos novamente e voltamos a conversar tranquilamente, quando olho no fim do bar uma movimentação.
– O que está acontecendo ali? – pergunto.
– Queda de braço, uma coisa estúpida. – diz Trovão com raiva.
– Não ligue para ele, ontem ele perdeu e está zangadinho. – diz Cicatriz rindo e apertando a bochecha de Trovão, o mesmo puxa uma faca e Cicatriz logo para, começo a rir daquilo.
– Posso tentar? – pergunto e todos me olhando espantados.
– Emi, isso ai e atividade de homem com barba na cara, homens fortes. Você quebraria seu bracinho fino em dois segundos. – diz Caolho pegando em meu braço.
– Eu não sou fraquinha e vou provar agora vocês vão ver o que é queda de braço. – digo com confiança levantando da cadeira.
Levanto e todos vão me seguindo assustados. Chegando a rodinha dos homens, abro espaço e sento em uma cadeira que estava vazia porque um homem acabou de perder.
– Eu quero tentar. – disse olhando para o desafiante, todos começaram a rir, mas logo pararam quando “minha turma” ameaçou matar todos se não ficassem quietos.
– Sai logo pirralha, você está atrapalhando. – disse meu desafiante com cara de ogro.
– Está com medo de perder? – fiz uma cara desafiadora, e logo ele ficou vermelho. – Vamos você não tem nada a perder... Só sua dignidade é claro... – digo com um sorriso de canto.
– JÁ CHEGA! Eu topo. – diz ele se preparando na mesa.
Agora todos estão calados observando enquanto o cara de ogro e eu nos preparamos. Assim que inicia meu braço começa a abaixar e o sorriso do meu concorrente vai se estampando, quando estou quase perdendo consigo virar o jogo e ele perder. Claro que eu não sou mais forte que ele, mas deixá-lo ganhar no inicio faz com que ele se distraia o que é mais do que suficiente para usar toda minha rapidez e força para vira o jogo.
Isso se sucedeu nas três rodadas seguintes. Estou na quarta agora, está bem difícil já que trocou de competidor.
– Emily? – diz uma voz. Eu conheço essa voz em qualquer lugar, assim que a ouço eu me distraio e perco. Droga.
– Anne! Tom?! – digo assustada, então me volto para meu “vovô”.
– Desculpa Papai Noel, eu perdi. – digo triste.
– Ficou maluca? Você é a neta que eu nunca tive! – diz ele elétrico. Ele me dá um abraço e logo entende que a Anne é a minha amiga e vai embora, mas com a minha promessa que volto para visitá-lo.
– Anne, sei que precisamos conversar, mas gostaria de sair daqui antes. – digo e ela assente com a cabeça, então Anne, Tom e eu seguimos para a porta em silêncio.
– Ei meu gato, não ganho nem um beijo? – digo piscando para Tom e em seguida dando um tampa em sua bunda.
– O que?! – sobressalta Anne (hihi ciumenta uiui).
– O que Emi?! – exclama Tom assustado.
– Relaxa Tom, eu só estou falando isso para a Maria Eugenia parar de te olhar, os boatos que rolam e que ela tem mania de agarrar quem chama sua atenção, então só te salvei. – sussurro baixinho e aponto, disfarçadamente, a dita cuja.
Ela não tinha os dentes da frente, era zarolha, cabelo armado e bêbada 24 horas por dia.
– Te devo uma. – diz ele por fim, depois de encarar a criatura.
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