Loucas no AP
20 Vinte
Notas iniciais
POV Emily
Oh que dia feliz! Oh que dia feliz! Pequenas fadas cantam e voam ao redor das pessoas levando paz e sabedoria. MENTIRA! Pura mentira. Estou em uma porcaria de trânsito voltando do trabalho para ver minha casa, e como se não bastasse teve o Davi me enchendo o dia inteiro.
E claro como essa é a minha vida, algo precisa piorar. Meu carro querido deu prego, simplesmente empacou que nem um jumento no meio do trânsito. Agora só tenho uma alternativa.
– Alô? Sou eu, para tudo o que está fazendo e vem me salvar! Vou acabar socando alguém, obrigada, beijos. – desligo e celular, ligo o pisca alerta e deixo o som bem alto (assim não ouço nenhuma buzina).
Uma hora e meia depois...
– Oi linda. – diz um B.
– Porque demorou tanto? – pergunto abrindo meus olhos.
– Meu bem, você já notou o trânsito? Eu tenho que te amar muito para sair do meu trabalho e vir aqui com você, sorte que meu chefe ta me devendo uns favores ai. – diz ele com um sorrisinho de lado muito estranho.
– Te agradeço quando você terminar de me ajudar. – falo rabugenta o que o faz rir.
– Ta legal marrentinha, mas o que eu vou precisar fazer? Quer uma carona é? – diz ele pegando as chaves do carro.
– Não, você fica com o meu e o seu carro, espera o guincho e segue com ele até o mecânico, você sabe que eu não confio em deixar meu carro sozinho. – digo olhando para o carro, depois olho nos olhos de B e digo respirando fundo. – E eu... Vou de ônibus.
Uma cara de assustado do Beto e uma risada depois...
– Você não sabe andar de ônibus, como vai chegar ao apartamento, ficou maluca? – diz B em meio a várias gargalhadas.
– Quer calar essa boca? Eu sei sim andar de ônibus, e não só vou chegar como vou esfregar na sua cara o fato que eu sei me cuidar sozinha. – digo cheia de confiança.
– Tudo bem então, mas cuidado com sua dignidade quando me ligar implorando que vá te buscar. – diz ele piscando e eu reviro os olhos.
[...]
Beleza até agora está tudo bem, entrei no ônibus e estou em pé (porque está lotado). Ai não, por favor, não! Um homem muito gordo com camisa regata, MEGA suado e com um CC horrível, para do meu lado. NÃÃÃO!! Eu acho que vou desmaiar. Ele levantou o braço quase no meu rosto, eu quero morrer! Alguém arranca meu nariz eu estou amarela, meus olhos estão lagrimando. Que sovaco potente.
Tudo bem, agora meu pobre nariz se adaptou a esse fedor de morte súbita, agora estou acostumada (viu Beto haha). Mas é claro que tem que piorar, é minha vida né. No exato momento que meus pensamentos riem do B, o cara tropeça e seu sovaco cheio de cabelo nojento vai à minha cara. É isso eu vou morrer mesmo, eu deixo o gato chato da Anne para a Anne e o diário do Arthur para o mundo inteiro ler.
Depois desse dia horrível e por um milagre divino eu chego no apartamento, fedendo, mas cheguei, as únicas coisas que vem em minha mente é: Banho, cara gordo com sovaco nojento, banho, trauma eterno e banho. Vejo Anne no sofá, dou um “Oi Anne” e vou direto ao banheiro, preciso me dessovacar (inventei essa palavra agora).
[...]
Estamos no carro de Anne, ela até tenta perguntar como foi com o Davi, mas eu sinceramente não estou a fim de responder. Conversamos sobre meu trabalho e sobre uma promoção para a Anne. Essa doida não quer aceitar. Mas tudo bem, entendo o lado dela, mas acho que oportunidades assim não aparecem sempre (fora que ela é muito competente).
– Chegamos. – diz a girafinha desligando o carro.
Nossa minha casa está ficando muito bonita. Senhora Gomez me explica algumas coisas e eu finjo entender tudo e balanço a cabeça, o pouco que entendi, vai ficar muito bonito. Dei algumas sugestões enquanto Anne some na casa. Pouco tempo depois Anne volta (ainda bem, não sabia mais como balançar a cabeça fingindo entender o que aquela mulher dizia).
– O que achou girafinha? – pergunto.
– Vai ficar linda Emi. Ótimo trabalho senhora Gomez. – fala Anne alegremente para a arquiteta.
– Obrigada Anne! Em breve estará pronta, não precisa se preocupar.
Despedimo-nos da senhora Gomez e voltamos para o apartamento da Anne.
[...]
Após minha vitória majestosa no Mortal Kombat. Eu mal pude irritar Anne, pois logo apareceu Arthur de smoking coisa e tal, todo arrumadinho. Que gato hein, devo dizer a solteira de plantão que, até você vai ficar babando (kk dando uma de Anitta... sóquesaidemim!)
– Ui, mamãe me belisca que eu estou apaixonada. Achei um Deus grego. – digo dando uma piscadinha para Arthur que começa a rir. – Casa comigo querido?
– Não se preocupe que você já me ganhou. Caso com você e ainda libero meu cartão de crédito, amor. – Murmura e me dá um abraço.
Mesmo abraçando aquele deus grego, vejo que Anne revirou os olhos (ciumenta? Não, que isso). Em seguida ela e Arthur começaram a conversar algo que não presto atenção, Arthur ficou realmente muito bonito naquele smoking.
Sei lá o que aconteceu, eu estava um pouco distraída e não percebi. Só sei que o gato chato da Anne começou a gritar e a arranhar o maninho da girafinha, eu sempre soube que esse gato era possuído. Anne ta morrendo de raiva de Arthur, e o mesmo está preocupado com o smoking. Sei que eu não deveria rir, mas esta cena é muito engraçada de fato.
– Olha! ta tudo muito bom, muito bonito, mas eu vou indo dormir gente. Hoje eu tive um encontro com o sovaco e a banha de um cara gordo e suado no ônibus, então estou bem cansada. – depois de me zoarem muito me levanto do sofá, dou um peteleco no gato chato (ele tentou me arranhar, mas foi em vão haha fui mais rápida) e vou dormir.
Boa noite queridos, durmam bem e sonhem com um anjo (ou comigo é a mesma coisa).
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