Loucas no AP
31 Trinta e um
Notas iniciais
POV Anne
É, meu povo, esse feriado foi triste, mas tivemos um final feliz, Emily foi encontrada, ganhei um novo amigo e minhas roupas finalmente foram devolvidas. Apesar de estarem todas sujas de terra, fiz o Beto lavá-las com uma pequena ajuda do tal “poder feminino” que a Emi tanto tem orgulho (talvez eu use mais vezes).
E quando enfim estamos em casa, encontro minha porta arrombada por um baixinho muito parecido com a Emi, sorte dele eu estar cansada demais para me importar.
Ah! Não posso deixar de acrescentar que finalmente eu vi o tal Davi, que por acaso é irmão do arrombador de portas nanico, mas acho que vocês já sabiam. Emi levou o Davi para fora para terem uma conversa em particular e me deixou encarregada do Olavo e do meu irmão resmungão que não cala a boca.
– Você vai mesmo a deixar sair assim com um desconhecido? Anne, e se ela for sequestrada ou pior, e se ele tentar beijar ela?
– Arthur fica quieto, a Emily não é nenhuma criança e sabe se defender melhor que qualquer um aqui. – Digo exausta e Arthur finalmente cala a boca, me viro para o baixinho – Então Olavo, gosta de vídeo game?
– Nunca me interessei por jogos, minha mãe não me deixa jogar.
– Então me deixe apresentar você ao mundo dos games. – Falo puxando o baixinho para a sala e mostro a minha coleção – Então, tenho vários jogos aqui, escolhe um.
– Bela coleção. Que tal Ben 10? – Encaro Olavo com uma sobrancelha levantada e ele começa a rir – To brincando, esse Assassin’s Creed parece ser legal.
Sorrio e coloco o jogo no aparelho. Sento ao lado do baixinho e explico os botões no controle. No início ele ficou meio perdido, mas aprendeu rápido e parece ter gostado do jogo, o que me deixou orgulhosa e ao mesmo tempo me faz pensar “será que foi uma boa ideia deixar esse garoto brincar com esse jogo?”
– Psiu, Anne! – Chama meu irmão na cozinha – Vem aqui!
– Diga! – Falo ao chegar perto, me encostando no balcão.
– Tava pensando... Será que não é hora de eu contar a Emi que gosto dela?
Encaro o rei da babaquice e depois olho a cozinha.
– Pega aquela colher de madeira ali! – Aponto o objeto.
– Ok. – Arthur faz uma cara de confuso, mas obedece.
– Obrigada. – Digo quando ele me entrega a colher e em seguida acerto a mesma na cabeça dele, causando um baque surdo.
– Ai! Por que fez isso? – Choraminga esfregando a cabeça.
– Para ver se sua cabeça é oca! – Sussurro para não assustar o baixinho que continua jogando – Arthur, para de ser ciumento! Emily só foi conversa com um amigo, não é o fim do mundo.
– Um amigo que levou ela para jantar em um restaurante romântico. – Diz ele um pouco irritado – Ele deve estar se declarando para ela nesse exato momento. E se ela gostar dele também?
– E daí? Você fica feliz por ela, seu idiota.
– Você não entende, eu preciso contar a ela. – Fala com desespero – Foi culpa minha ela ter fugido.
Então é isso...
– Emi fugiu porque precisava de um tempo, Arthur. – Explico calmamente – Você só foi a gota d’água.
– Mesmo assim, preciso me desculpar por ter sido um imbecil ciumento... E dizer que gosto dela.
– Concordo que você foi um imbecil, mas não conte agora.
– Por que não?
– Porque é falta de educação.
– Olha para minha cara de preocupado.
Realmente odeio meu irmão.
– Tudo bem ai? – Pergunta Olavo interrompendo a pequena briga, olhando para mim.
– Tudo sim, só estamos discutindo sobre uma bactéria que afeta o cérebro chamada Babaquicius arthuliana.
O baixinho apenas sorri e volta para o jogo.
Quando encaro novamente o meu irmão, ele já não está lá. Olho em volta e o vejo saindo e fechando a porta.
Droga!
– Olavo, vou atrás do meu irmão, você pode ficar aí... Quietinho? – Não gosto da ideia de deixar o baixinho sozinho, mas tenho que impedir meu irmão.
– Ahn? Claro Anne, pode ir.
Ótimo, primeiro a Emi foge e agora tenho que ir atrás do meu irmão sem cérebro. E ele não vale o mínimo esforço.
Não é por nada, só não quero ver a cara do Arthur quando a Emily contar que o sentimento não é recíproco. E como ele leva as emoções a sério, provavelmente vai ficar triste, choramingando trancado no quarto e ouvindo aquelas músicas bregas que todo corno ouve.
E aquelas músicas eu não vou ficar ouvindo.
Começo a descer a escada pulando três degraus por vez. Consigo alcançar Arthur apenas no térreo.
– Arthur volta! – Digo andando depressa e ofegando pelo rápido exercício.
– Não.
Tento formular outra ordem de retirada, mas vejo Emily a menos de trinta metros de distância e percebo que Arthur também a viu, pois ele começa a caminhar em direção a ela.
Tudo bem! Muita calma nessa hora.
– Emi eu preciso falar com você. – Diz meu irmão seriamente.
– Então pode falar, Arthur. Aconteceu algo ruim?
– Não, eu só quero me desculpar pelo modo como agi no dia que você fugiu. – Fala passando a mão no cabelo – E pelo feriado todo, eu fui um completo idiota, você não merecia que eu me comportasse daquela maneira.
Emily parece atenta a tudo que o meu irmão está dizendo. Ele continua.
– Tinha coisas que eu não queria ter dito, foi... Momentâneo. Acho que foi ciúme do Beto.
– E por que você teria ciúme do Beto? – Indaga Emily ligeiramente confusa.
– Porque ele fica perto de você. – Arthur parece um pimentão vermelho – E você fica tão confortável perto dele – Ele respira fundo, tomando coragem e segura a mão da Emily, tento pensar em algo – Eu quero dizer é que eu g...
Antes que Arthur termine a frase, pulo nas costas dele e tapo a boca do mesmo, impedindo que fale alguma coisa.
SIM, senhoras e senhores, eu sou uma destruidora de momentos considerados fofos. Ser cupido nunca foi a minha praia.
– Anne o que você ta fazendo? – Pergunta Emily assustada com a minha reação.
– Ér... Nada! – Murmuro com um sorriso idiota.
– Mpe barga Anne! – Ordena Arthur com dificuldade e em seguida morde minha mão.
– Ai! – Grito enquanto ele me joga no chão. Me orgulho dizendo que cai em pé.
– Ta louca? – Berra meu irmão muito irritado (quem não ficaria né?).
– Sim. Acabei de sair do hospício. – Berro de volta.
– Percebe-se. – Murmura virando para encarar Emily.
Tadinha, deve estar mega assustada... Ou não...
– Arthur, não conta. – Tento mais uma vez.
– Vou contar sim.
– Me contar o que? – Fala Emi já saindo do sério.
– Que eu gosto de você. – Diz Arthur por fim.
Emily ficou em modo estátua.
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