Loucas no AP
3 Três
Notas iniciais
POV Anne
Trrrrriiiiiimmm (N/A: que original)
– AFE! SILÊNCIO – grito com o despertador, logo em seguida jogando ele no chão. – Vai perturbar outro, geringonça.
Levanto-me colocando a pantufa cor-de-rosa e sigo até a porta. Quando a abro sinto um cheiro... Cheiro não, aroma... Um aroma maravilhoso, uma música de odores linda, começo a andar depressa para descobrir de onde vem esse aroma e encontro uma pessoa na cozinha.
– EMILY! – falo surpresa, acabei esquecendo que ela estava alojada aqui.
– Oi, bom dia! – diz ela sorrindo – Fiz nosso café da manhã, mas o café ainda não ta pronto.
– Tudo bem, eu espero – digo olhando aquela mesa perfeita. Tem de tudo, pão doce, pão francês, bolo, torrada, várias frutas, suco de laranja e de morango, cereal, queijo... Nem sei por onde começar a comer.
Emily pode ser pirada, assustadora e um pouco chantagista, mas ela tem uma característica que considero um dom lindo, tão lindo que deixa até a mais perfeita borboleta no chinelo. Ela sabe cozinhar. E não é uma cozinheira qualquer, é A cozinheira. Faz tudo, e o melhor é que não tem preguiça para fazer os mais deliciosos pratos.
– Anne, limpa a boca, acho que você está babando. – Murmura a morena, colocando o café na mesa.
– Ham? Que? – Digo, agora olhando para ela – Eu não estou babando.
– Sei... – Ela ri – Toma seu café. Vai trabalhar hoje?
Ai, trabalho e mais trabalho... Eu tenho um emprego na Engenharia Blum, uma empresa especializada em condomínios, é um ótimo primeiro emprego.
– Sim, infelizmente. – Retruco pegando o café – Tem açúcar?
– Tem. Como você pode gostar de açúcar? – Diz ela fazendo cara feia.
– Simples, é DOCE.
Emily não gosta de açúcar... Corrigindo... Detesta, acho que ela pode descobrir, entre dois copos, qual deles tem um GRÃO de açúcar e qual não tem, acho que ela é uma ET.
– Tanto faz. – Suspira tomando o chá de boldo, isso sim é horrível – Ei, Anne! Acho que o encanamento da pia está quebrado.
– É, eu sei, tem o telefone de um encanador na agenda em cima do balcão. Liga para ele depois. – Começo a comer o bolo. Nossinhora é bolo de cenoura com cobertura de chocolate, meu preferido. Poderia ter uma amiga mais perfeita?
– Hum... Tem piscina aqui, não é? – fala Emi. Nem percebo o sorriso “maligno”.
– Sim, por quê?
O que essa garota ta aprontando?
– Nada não, só uma ideia me ocorreu. Come logo, você já deve estar atrasada.
– Droga! Esqueci do trabalho. – Digo começando a comer depressa.
– Percebe-se. Que horas você chega?
– Acho que às 17h00. Coloca ração para o Dumbledore. – Respondo já me dirigindo ao quarto para me arrumar.
[...]
Blá blá blá... Ai que coisa chata essa reunião, um cara de aproximadamente 22 anos está apresentando seu projeto para um condomínio, a ideia até que é boa, mas não tenho certeza. Em pensar que poderia estar comendo todas aquelas delicias feitas pela Emily.
Sou uma mera estagiária com seus 19 anos, ainda nem me formei, e sou arrastada para essas reuniões entediantes. Ninguém merece ficar nessa sala. Só tem pessoas sérias, como pode? Engenharia é a melhor coisa do mundo. Começo a brincar com um lápis, sem perceber que a apresentação terminou.
– Então, o que acha Senhor Blum? – Questiona Felipe, um cara magro e alto que estava fazendo a apresentação.
– A ideia me parece boa, Felipe. – Diz Jorge Blum, o chefão supremo – O que acha Daniel?
– É um projeto realmente bom, Senhor.
– Também achei... Oliver?
– Ah, sim! Gostei bastante, Senhor Blum. – Diz o loiro. Aposto que ele estava divagando igual a mim.
Daniel e Oliver são os melhores engenheiros da empresa, é realmente incrível a criatividade das criaturas, gosto desses dois, eles fazem esse lugar ser menos entediante. No primeiro dia de trabalho Oliver colocou tachinhas na cadeira de um analista e deixou um estagiário apenas de cueca (nem sei como ele conseguiu isso) já o Daniel é um ótimo comediante.
– Anne? – Pergunta Jorge, mas eu não ouço e continuo a brincar com o lápis – ANNE!!
– OI? – Assusto-me e acabo derrubando o lápis – Sim, senhor, o que deseja?
Droga, lá vem bronca.
– O que acha do projeto? – Diz meu chefe, um pouco irritado.
– Ham? Ah, sim, o projeto. – Começo a organizar meus pensamentos – Ótimo, é um projeto muito bom, magnífico. Um condomínio bem... família. Mas tem um pequenino problema.
– E qual seria o problema, senhorita Weints? – Fala Felipe.
– Bom, o problema está no local de construção. Essa zona da cidade não proporciona uma bela paisagem, sem falar no barulho dos carros e ainda fica próxima ao aeroporto, ou seja, mais barulho. – Explico, me dirigindo a Felipe – E esse seu projeto parece ser um condomínio de lazer, sem estresse.
– Bela observação, Anne. – Diz o senhor Blum, contente – Mas em que zona da cidade você construiria esse condomínio?
– A empresa tem um espaço na zona leste, não é? É um lugar perfeito, tem uma linda vista do mar e ainda não é tão longe da área urbana. – De onde eu tirei isso?
– Perfeito. Então é isso. – Murmura Jorge para seus funcionários – O projeto será transferido para a zona leste da cidade, temos um espaço lá. E Daniel. Quero você trabalhando arduamente nesse projeto com o Felipe.
– Senhor! Temos um problema, ainda precisamos de um projeto para o terreno antigo, estamos completamente atrasados. – Fala um dos diretores.
– Eu sei. Anne você cuida disso. Reunião encerrada.
Como? Eu ouvi direito isso?
– EU? – Digo assustada.
– Sim, você, e quero ver de perto esse projeto. Você tem que terminar até semana que vem, sem atrasos. Ok?
– O-Ok. – Gaguejo.
– Ótimo. Dispensados.
Ai meu pai. Como eu vou fazer um projeto? Esse cara é louco? Eu? Fazer um projeto?
Bom, não interessa tenho que ir para casa pensar nisso, além do mais, não consigo me concentrar no trabalho mesmo. Pego minhas coisas e vou embora.
[...]
Enfim em casa, depois de subir cinco lances de escada, me jogo no sofá e ligo a TV.
– SABÃO CRÁ CRÁ, SABÃO CRÁ CRÁ...
Que diacho é isso? Quem tem essa voz horrível? Vejo o Dumbledore, também assustado em um canto. Que horror, ta assustando até meu gato. Levanto-me e vou andando até o banheiro, o barulho parece vir de lá.
– SABÃO CRI CRI, SABÃO CRI CRI...
Meu pai, que coisa horrível, meus ouvidos doem tenho que parar logo essa... coisa. Bato na porta do banheiro.
– Quem está ai? – grito
– SAB... Anne? Você já chegou? Sou eu, a Emi.
– Emi? Você ta precisando de uma aula de canto, pelo amor do santo nerd, sua voz é pior que a do meu professor.
– Haha. Muito engraçado. – Ela me responde – Pois saiba que sua voz não é melhor que a minha, querida.
– Pode até ser, mas não canto para todo mundo ouvir, tenho consciência da minha falta de talento. – Digo indo até meu quarto para me trocar.
– Que bom assim ninguém fica surdo. – Diz ela rindo – SABÃO CRU CRU, SABÃO CRU CRU...
Coloco uma camisa do Flash e um short. Retorno à sala, Emily já está lá com a toalha enrolada na cabeça. Passo por ela e vou até a geladeira, pego uma latinha de Coca-Cola e um pacote de Doritos no armário.
Emily me olha e diz:
– Coca-Cola tem soda caustica, sabia?
– Mas é gostosa, então eu tomo. Estou sendo gentil em deixar você ficar em minha residência, pelo menos me deixa comer e beber o que eu quiser.
– Ta bom chatolina. – Diz ela – Consertei o encanamento.
– Legal. Conversamos amanhã, eu estou cansada e vou dormir. Boa noite!
– Boa noite!
[...]
Acordo, sem saber o porquê, mas acho que foi algum barulho. Quando olho para o relógio e vejo que são quatro horas da manhã, ouço a campainha tocar. Levanto depressa.
“Quem será uma hora dessas?” Penso
Pego a chave e abro a porta.
– Arthur?
– Oi maninha linda, cheguei, posso entrar? – Paraliso. Não pode ser. Ele e ela na mesma casa não. Droga! Como pude esquecer isso?
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