Loucas no AP
6 Seis
Notas iniciais
POV Emily
Ebaa!! Hoje é terça-feira, finalmente hoje eu vou conseguir o que sempre quis. Vou matar a Anne e ficar com seu apartamento. Meu plano é perfeito, ela será amarrada e depois vou matá-la. Muahahahaha!
Estou brincando! Deveria ter visto sua cara. Bom, eu não vi, mas imaginei (acho que conta). De qualquer maneira foi divertido para mim.
Depois do meu leve surto de loucura, vou explicar realmente porque estou tão feliz, é que toda terça é o “dia da pizza”, que se baseia em meu querido B e eu passando o dia juntos vendo filme, brincando, dançando, cantando e obviamente comendo pizza. Isso ajuda a manter a amizade e fugir da rotina chata do trabalho e faculdade. Mal posso esperar para me divertir hoje. Adivinhem só! Achei no quarto da Anne um joguinho de tabuleiro acho que o B vai gostar, vou ligar para ele.
– Oi marido! – falo assim que ele atende.
– Oi minha linda, diva, amor da minha vida, a única mulher que eu amo de verdade. – diz ele tentando me bajular.
– Ta legal, o que está acontecendo Beto? – digo desconfiada.
– Nada, por que precisa acontecer algo para elogiar minha linda amiga? – diz ele fingindo estar ofendido.
– Simplesmente por que eu te conheço, esse papinho não cola. FALA LOGO! – digo com raiva.
– A verdade é que eu estou atolado de trabalho e não vou poder ir para o “dia da pizza” e depois vou sair com uma menina. E antes que me odeie eu preciso dizer, não me odeie. – fala B.
– Tudo bem, tudo bem pode ir. Mas antes, me corrija se estiver errada, você vai deixar de vir em nosso dia sagrado, no qual nós temos há muitos anos somente para sair com uma menina que você mal conheceu, e provavelmente não vão chegar nem a namorar, e está tentando se sentir menos culpado porque é homem e vocês têm “necessidades”, não é isso? – digo ficando mais furiosa ainda.
– Nossa Emily, falando desse jeito parece que eu sou um monstro. Desculpa bebê me perdoa, que tal quarta-feira? Eu prometo que vou e levo a saga do seu filme favorito “piratas do caribe” seus salgadinhos e faço massagem em você... Por favor, Emi, sabe que não gosto de ficar brigado com você. – diz ele tentando jogar charme pelo celular.
– Também não gosto de brigar com você, eu vou te perdoar, mas só por interesse, eu quero massagem. E já que nossa noite foi cancelada e a culpa e toda sua, eu já sei o que vou fazer, vou colocar um anuncio no jornal de procura-se melhor amigo, tchau seu feio. – digo desligando o celular.
[...]
Bom, agora estou em casa sozinha sem ter nada para fazer, me jogo no sofá e ligo a TV com a melhor cara de desanimo possível.
– Ei que cara é essa? – surge o Arthur do nada atrás de mim.
– AI CARADEBUNDA! Não aparece assim do nada, avisa antes! – digo com a mão no coração.
– Desculpa não quis assustar. – diz ele rindo – mas e ai, você não disse por que está assim?
– O Beto não vem para o “dia da pizza” – digo desanimada.
– Anne já me falou sobre esse dia ai, sinto muito, mas que tal você passar o dia comigo? – diz ele sorrindo.
– Isso ai é serio? Sem brincadeira? Nada de fazer besteira? – digo surpresa.
– Sim, prometo me comportar e não vamos contar nada para Anne. – diz ele fazendo um sinal de escoteiro.
– Então eu vou me arrumar e vamos. – digo e depois de 15 minutos saio pronta.
– Uau! – diz ele surpreso. – Não sabia que era competição de beleza e de short curto.
– Vou considerar um elogio, e você está pior que a Anne, acho que é de família, também quer medir meus shorts? – digo rindo.
Ele dá de ombros e seguimos juntos para o estacionamento. Nós fomos em uma praça e depois para a praia caminhar um pouco. Arthur é um ótimo amigo. A gente se divertiu muito. Sempre que chegava uma menina para falar com ele, eu prontamente fingia ser a namorada dele (apesar de gostar de irritá-la, eu amo a Anne e o que ela cuida eu também cuido). E isso teria sido muito divertido se ele também não tivesse feito o mesmo.
[...]
Quando estava no fim da tarde, nós dois estávamos caminhando na praia comendo cachorro-quente e apareceu um cachorrinho andando na praia, muito fraco e magrinho.
– Arthur querido, você pode comprar sorvete e aquele balão ali? – digo apontando para o outro lado da praia.
– Sério? Isso está longe. – diz ele, mas logo cai na minha carinha de anjo. – Tudo bem, me espera aqui, já volto.
Assim que ele virou dei meu cachorro-quente ao cachorrinho (só eu acho engraçado dar cachorro ao cachorro?) que na mesma hora começou a comer desesperadamente (parecia até a Anne comendo sushi), começo a acariciar o cachorrinho que logo vai embora com uma barriguinha quase que normal. Depois de Francisco Frederico (esse é o nome que escolhi ao cachorrinho, achei muito engraçado) partir, sento na praia e espero Arthur.
– Onde está seu cachorro-quente? – pergunta Arthur sentando ao meu lado.
– Ah...eu...joguei no mar! – digo rapidamente.
– Por quê? – diz ele.
– Porque sim, porque eu quis, porque este é um país livre. Você trouxe o que eu pedi? – tento mudar de assunto.
– Trouxe sim criatura estranha. Toma seu sorvete e seu balão. – diz ele me entregando ambos.
– Ah eu não quero mais o sorvete, vou ficar com o balão, sei que adora sorvete pode tomá-lo por mim. – falo devolvendo o sorvete a Arthur.
– Mas o que?! Ah eu desisto, me dá o sorvete, eu hein... Mulher indecisa.
Deve estar se perguntando por que menti. Simples, não quero que ninguém conheça esse meu lado. Acho que não desejam saber o motivo de ajudar um cachorrinho (vou falar mesmo assim hihi), bom quando eu era criança eu tinha um cachorro que amava muito, alguém o matou com uma paulada na cabeça (as pessoas são cruéis) então eu cresci amando todos os animais, graças a meu cachorro. Um dia, eu ajudei um cachorrinho que estava com frio, ele tinha tanto medo de mim que ai eu vi que ainda existe pessoas tão cruéis quanto a pessoa que matou meu fiel companheiro. Desde então sempre que vejo um animal precisando de ajuda eu tento ajudar. Pronto, pronto fim da historia triste (não irei chorar).
[...]
– Ai ai, lar da Anne, doce lar da Anne. – digo entrando no apartamento.
Arthur rir e começa a me olhar de um jeito estranho parece que vai aprontar alguma coisa.
– O que foi Arthur? Que cara é essa? – digo desconfiada.
– Ah não é nada, estava pensando em uma coisa. – diz ele disfarçando.
– No que? – sento curiosa no sofá esperando a resposta.
– No...trabalho...da...empresa. É coisa de trabalho! Só isso. – diz ele aliviado.
– Então ta né, eu estou pensando em dormir, vou para o meu quarto. Hoje foi divertido, tchau Arthur. – dou um beijo em sua bochecha e sigo para a cozinha.
Antes vou beber água, é muito chato estar dormindo e acordar com sede. Assim que entro no quarto Arthur corre até meu quarto, para na porta e diz:
– Eu vi o que você fez com o cachorro, aquilo foi legal. – diz ele sorrindo.
– Ficou doido? Não sei do que esta falando. – digo na defensiva.
Em seguida antes que ele possa falar, bato a porta no rosto dele (prefiro falar cara, mas ele insistiu que seu rosto é divino demais para ser chamado de “cara”) e vou dormir.
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