Loucas no AP
19 Dezenove
Notas iniciais
POV Anne
– O quê?! – Digo em um quase sussurro, ainda assustada com o que acabei de ouvir. Todos estão sorrindo, exceto Felipe, que ainda me encara com desprezo, e o chefão supremo, que raramente sorri.
Meu pai! Ainda estou nervosa pela apresentação e esse povo vem com mais essa?
– Anne você sabe que eu odeio repetir. – Fala o senhor Blum – Quero que você aceite a promoção que estou lhe oferecendo. Você merece e acho que todos concordam comigo.
– Mas isso não é producente. Eu não posso ser promovida, ainda não me formei e não sei o suficiente. Tenho que aprender muita coisa.
– Primeiramente, o que é producente? – Indaga Oliver. Daniel responde dizendo que é o sinônimo de lógico e Oliver continua – Interessante, agora Anne, minha queridíssima amiga. Sabemos que você ainda não tem formação e isso pouco importa. Nosso fofo Daniel não é formado e dá pro gasto. – o loiro se vira para o amigo e sorri – Fica chateadinho não amor. – Diz para Daniel que estava o encarando com uma sobrancelha levantada. – Enfim Anne, não vejo motivos para você não aceitar essa promoção, tem gente que mataria para estar no seu lugar. – Olho de canto o Felipe – Mas já que insiste, que tal você ver como é o emprego e depois aceitar ou não?
Tudo bem, acho que essa alternativa é a melhor, então não custa tentar.
– Me parece correto, vou aceitar. – Murmuro.
– Graças a Deus! Oliver, já que fez esse lindo discurso, você vai ser o chefe de construção e ajudará a Anne. Pronto? Ótimo. Todos dispensados. – Ordena Jorge.
[...]
Cheguei a minha casa bem cedo, não fui à faculdade por pura preguiça. Além do mais, Emily me ligou dizendo que tinha um assunto urgente e precisaria de mim, então cá estou eu sentada no sofá, com calça jeans e camiseta, assistindo Hora de Aventura e comendo Doritos, esperando a Emily chegar.
Dumbledore pulou no sofá e deitou em cima da minha barriga, comecei a fazer carinho nele e três segundos depois ouço Emily abrir a porta e entrar.
– Oi Anne! – Não me chamou de girafinha, essa é novidade – Vou tomar um banho rápido e já volto.
Volto minha atenção a TV e continuo fazendo carinho no Dumbledore. Após dez minutos Emily volta com um short xadrez verde e uma camisa branca.
– Vamos girafinha! Solta a Tifanny e pega a chave do seu carro.
– Não chama o Dumbledore de Tifanny. É um gato macho. – Digo me levantando do sofá e pegando a chave em cima da mesa de centro. – MA-CHO.
– To nem vendo. Ele parece fêmea. – fala e depois se vira para mim – Dumbledore era um personagem homossexual, não é?
– Affe! Vamos logo, sua chatonilda.
Fomos de elevador até o térreo e seguimos direto para o estacionamento.
– Por que demorou a chegar? – Pergunto enquanto entramos no meu carro.
– Porque o meu carro não queria pegar de jeito nenhum. Aí tive que pegar um ônibus, lotado por sinal. – Explica a nanica enquanto saímos do estacionamento.
– Por que não pediu carona para alguém do trabalho?
– Porque meu carro quebrou no meio do caminho. – Diz enquanto olha a bolsa – Chamei um guincho e peguei um ônibus. Vamos para minha casa, preciso ver como está a reforma.
Comecei a perguntar sobre o encontro com o tal Davi, contudo ela não quis responder. Então apenas conversamos sobre uma multinacional que fechou contrato com a agência do senhor X. Emily tem que criar uma logomarca, com a criatividade que ela tem, tenho certeza que vai conseguir. Ela também fez perguntas sobre a minha apresentação e teve a mesma reação que todos quando eu disse que não aceitei a promoção, pelo menos agora.
– Chegamos. – Anuncio desligando o carro.
Devo dizer... UAU! A casa da Emily está ficando ótima, apesar de ainda não terem pintado e a casa estar cheia de pó, a estrutura está perfeita. A arquiteta e design de interiores que a Emily escolheu começa a explicar os planos para a cozinha e a nanica ouve com muita atenção, concordando e dando algumas ideias. Fico andando e olhando cada canto da obra.
– O que achou girafinha?
– Vai ficar linda Emi. Ótimo trabalho senhora Gomez. – Elogio a arquiteta.
– Obrigada Anne! Em breve estará pronta, não precisa se preocupar.
Despedimos-nos da senhora Gomez e voltamos para casa satisfeitas com a reforma.
[...]
Oh god! I-NA-CRE-DI-TÁ-VEL. Não acredito nisso. Isso não poderia estar acontecendo em circunstância alguma. A Emily ganhar de mim em Mortal Kombat? O mundo pirou, nada faz sentido. E não basta a derrota, ela ainda fica dançando pra lá e pra cá na sala, dando pulinhos e palminhas, rindo que nem boba.
– Ta, você ganhou em Mortal Kombat. Bela bosta. – Digo emburrada.
– Aceite sua derrota girafinha, eu fiz você engolir seu próprio sangue. – Fala dando uma risada de bruxa.
– Nunca fui boa nesse jogo idiota. Quero ver você ganhar de mim em Medal of Honor.
– Deus me livre! Já basta essa derrota por hoje, não quero fazer você chorar. – Diz rindo e logo em seguida olhando para a porta. Arthur acaba de chegar.
E chegou chegando meu povo. Todo emperiquitado, de smoking e tudo. Olho para Emily e já sinto o que vem em seguida.
– Ui, mamãe me belisca que eu estou apaixonada. Achei um Deus grego. – Meu irmão começa a rir. – Casa comigo querido?
– Não se preocupe que você já me ganhou. Caso com você e ainda libero meu cartão de crédito, amor. – Murmura e dá um abraço na Emily.
Mereço isso... Vou mudar de assunto que é melhor.
– Por que tu estás vestido assim, oh Apolo? – Falo brincando.
– Porque nossa querida mãe convidou a minha pessoa para um desfile magnífico. – Explica com um sotaque engraçado – E o traje da festa após o desfile era de gala.
– Tu tens que parar de andar com a mamãe meu irmão. Daqui a pouco você vai para desfiles por conta própria.
– Ora pois, me erra mulher. A loka. – Arthur faz uma pose dramática e logo começamos a rir. Mas somos interrompidos por um grito agudo e raivoso. Arthur pisou na cauda do Dumbledore e este começou a gritar e a arranhar a calça do meu irmão.
Vejo o desespero da cena e corro para ajudar. Tenho que salvar ele.
– Você está bem? – Pergunto preocupada.
– Sim, nem um arranhão. – Responde o moreno.
– Não to falando com você imbecil, eu to preocupada com o meu gato. – grito enquanto pego o Dumbledore no colo e fazendo carinho nele, que continua encarando Arthur.
Como pode achar que eu estou preocupada com ele?! Dumbledore não machuca nem uma mosca, ai vem esse monstro e machuca a pobre criatura.
Vida com irmão é difícil.
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