Loucas no AP
5 Cinco
Notas iniciais
POV Anne
Meu irmão aqui. Emily aqui. Isso não vai dar certo, sinto problemas. Oh, meu santinho nerd, ajudai-me nessa situação. Ainda estou paralisada, vendo Emily abraçada com meu irmão. Os dois juntos. Isso só vai dar em um resultado... Eu extremamente irritada.
Os dois têm uma ridícula brincadeira, a de se tratarem como se fossem quase namorados. Eu tenho um ultra mega hiper super ciúme do meu irmão, o motivo disso? Simples. Quando eu tinha 11 anos ele arrumou uma namorada e eu, a antes “irmã fofinha”, fui deixada de lado... Forever alone. E a Emily ama me deixar irritada – Sinceramente eu queria saber o porquê disso – então os dois sempre ficam juntos quando há a oportunidade, mas até ai tudo bem, só espero não chegar em casa um dia e ouvir “Anne estou namorando seu irmão”.
– Então, onde você estava querido? – Pergunta Emily, conduzindo meu irmão para o sofá.
– Geórgia. Abriremos uma filial da empresa lá. – Responde ele, sorrindo para a Emily.
Arthur trabalha com meu pai na empresa de transportes marítimos da família. Meu pai o arrasta para todo canto, tenho até pena dele às vezes, mas se não fosse ele, seria eu a herdeira da empresa. E, cá entre nós, transportes marítimos não é a minha praia, prefiro a terra firme.
– Nossa! Geórgia hein, adoro a África. – Diz Emily segurando o braço do meu irmão.
ÁFRICA? WTF?! Quase caio na gargalhada, mas me contive.
– Ai, sua anta! – Falo sentando na poltrona em frente aos dois – Geórgia fica no Cáucaso, na fronteira entre Europa e Ásia. Tem certeza que fez o ensino médio?
– Não interessa girafa. Você entendeu, não é Arthur? – Diz ela fazendo beicinho para o meu irmão. “Eu mato essa garota”
– Claro Emi. Além do mais, Anne, só não fica na África por centímetros no mapa.
– Vai defendê-la agora, Weints? Pois fique com ela, adote-a como sua irmã, eu não me importo.
– Ei ei ei! Calma. É só uma brincadeira, não é Emily?
– Mas é lóóóóóógico. – Posso sentir a quilômetros de distância o sarcasmo na voz dela.
Matarei essa nanica, nem que seja a ultima coisa que eu faça. Como pode ficar tocando no meu irmão? Ela que fique com seus subordinados para lá. Arthur é um Weints. Ele carrega o nome de minha família e não deve ser enfeitiçado por uma Boss... JAMAIS.
– Viu Anne? – Fala ele olhando para mim – Agora vem cá e dê um abraço no seu maninho lindo.
– Nossa! Como é modesto. – Murmuro dando um abraço nele, mas ainda irritada com a morena.
– Minha fofa! – Pronuncia Emi, ainda sentada no sofá – Um cara como o Arthur não deve ser modesto com sua beleza, nunca... Never. Olha para ele “minha fia”. Alto, atlético, olhos escuros, madeixas sedosas e escuras também. Até EU dou o devido respeito.
– Emily! VÁ CATAR COQUINHO! – Grito para ela, que cai na gargalhada.
– Mas é verdade ué. – Diz Arthur, todo alegrinho. Ele, definitivamente, puxou para minha mãe. “Eu mereço”.
Depois de conversarmos, vou ajudá-lo com a bagagem (A Emi, obviamente, não ia ajudar), logo em seguida o deixo a vontade e sigo para o meu quarto, para mais alguns minutinhos de sono. Além do mais, sou uma mera mortal que precisa descansar para fazer um belo condomínio.
[...]
– DEVOLVEE! – Ouço o grito do meu irmão na sala. Termino de me arrumar e vou correndo até o local. Quando chego vejo a Emi correndo desembestada e com Arthur atrás dela. Ele quase a alcança, mas acaba escorregando no tapete e desaba no chão.
– O que está havendo? – Pergunto caminhando em direção ao meu irmão, mas certa morena me impede.
– Anne! Deixa ele ai. – Diz olhando para Arthur, que já tinha recuperado o equilíbrio e tornava a correr – Agora corre Anne, vai logo! – Ela começa a me empurrar em direção ao meu quarto. Quando entramos, ela tranca a porta rapidamente. Segundos depois, meu irmão começa a bater na porta ordenando que eu abra. Mas fico sentada na minha cama olhando para Emily, esperando a explicação de tanto fuzuê.
– Então... Por que essa baderna toda? – Começo encarando os olhos esverdeados dela.
– Ai Anne, olha o que eu achei. – Fala ela me estendendo um caderninho, que não tinha visto, e sentando ao meu lado. Meu irmão continua a gritar na porta.
Pego o objeto da mão dela e pergunto:
– E o que seria isso, Emi?
– Um diário, oras. – Responde.
Dá pra ver o brilho nos olhos dela. Sim, galerinha, Emily é muito curiosa. E não perderia a chance de descobrir algo sobre as pessoas. Esse diário que tenho em mãos é um material valiosíssimo aos olhos dela. Esse é um dos motivos para eu não ter um diário, o outro motivo é porque dá preguiça de escrever.
– Emi, devolve para ele. – Digo e ela me olha como se fosse a coisa mais idiota que poderia falar.
– Ta louca? Isso aqui é um material super importante, imagine as coisas que contém aqui, hein? Esse lindo objeto com suas páginas, não devolvo não. Posso conseguir muitas coisas com isso. – Diz ela pegando o diário.
– Ai ai Emily. – Suspiro – Só não me coloca no meio disso, eu vou trabalhar que é melhor... Você não acha que Arthur está quieto demais? Ele parou de gritar faz um tempo. – Falo, estranhando o silêncio do lado de fora.
– Pois é. Ele est... – Emily interrompe e começa a arregalar os olhos – Não... Meu quarto. Droga de droga! ARTHUUUR, SE MEXER NAS MINHAS COISAS VOCÊ MORRE. – Sai gritando pela casa, a louca, deixando o diário em cima da cama.
Acho que não faz mal eu dar uma olhadinha, né? Eu posso abrir em uma página qualquer e ler.
Abro o diário e... Bom, não dá tempo tenho que ir para o trabalho, pego o celular e tiro foto de uma página qualquer. Pego minhas coisas e sigo até a porta. Aviso para os dois malucos que estou saindo, mas não tenho resposta, dou de ombros. Quando saio do elevador vou em direção ao meu carro, um Audi R8 cinza, dou bom dia ao vigia que passava e entro no carro. Amo esse carro. É ótimo para dirigir.
Quando chego à Blum Engineering não tem muita coisa a se fazer. Apenas pego o material que preciso no depósito para fazer o projeto e tiro o dia de folga. Tenho que ir até a faculdade para conversar com meu professor, Senhor Nogueira. Cara chato, fica enchendo os pacovas o dia inteiro. Até pensei em “contratar” a Emily para me ajudar com esse problema barrigudo e careca. Porém fiquei com pena dele, ele é chato, mas a Emi é cruel quando se trata de “vingança”. Quero nem pensar no que ela faria com ele.
Chego à faculdade e vou em busca do chatonildo. Encontro-o conversando com uma professora e vou cautelosamente até eles. Limpo a garganta e ele olha para mim.
– Ah! Anne. O que está fazendo aqui?
– Vim entregar os trabalhos da semana para o senhor. Vou estar muito ocupada por causa de um projeto que tenho de fazer. Vou faltar o resto da semana, provavelmente.
– Faltar? Vai perder todo o conteúdo. Quero ver a bela engenheira que você vai se tornar, senhorita. – Diz ele com um tom de sarcasmo na voz.
– Não se preocupe comigo, professor querido. Nos vemos nas avaliações, com licença. – Retruco virando de costas. Ai cara irritante. Bom, tenho que me concentrar. Vou para meu doce lar nem tão doce assim agora.
[...]
Ai por onde vou começar esse projeto? Nunca fiz isso na vida, mas nem morta que vou desistir. Um condomínio no centro urbano da cidade... Executivos para todo o canto. Não deve ser tão difícil assim... Aff! Não consigo pensar em nada, vou tentar me distrair que é bem melhor e talvez a Dona Criatividade me encontre.
Mas me distrair com o que?
O DIÁRIO DO ARTHUR, claro, tinha esquecido disso. Pego o celular e inicio a leitura.
Que segredos meu maninho esconde?
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