Louca Obsessão
5 Tempestade
Notas iniciais
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5. Tempestade
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Estreitou seus olhos e bufou mais uma vez. Estava quase desistindo! Não sabia por quando tempo estava ali, dentro de seu banheiro tentando arrumar o chuveiro que aparentemente havia queimado.
Choramingou para si mesma. Seu dia não poderia ficar melhor, havia passado o dia tentando organizar as poucas coisas que ainda ficaram da mudança e quando enfim terminou sua organização, a única coisa que se passou em sua cabeça era tomar um relaxante banho. Mas não, seu chuveiro decidiu que aquele era um excelente momento para quebrar. E lá estava ela, enrolada apenas com uma toalha enquanto estava em cima de um banco de madeira, tentando consertar o chuveiro de seu quarto.
Claro que se sua altura colaborasse teria um desempenho melhor, mas até mesmo seu tamanho estava contra ela. O que mais poderia lhe acontecer? Pior não ficaria, certo?
Foi então que ao fundo foi capaz de escutar um estrondoso trovão, o que a fez se sobressaltar com o susto. Levando em consideração que estava falando de si mesma, sim, com certeza poderia ficar pior. Suspirou. A última coisa que desejava no momento era que uma tempestade resolvesse surgir.
Rin não precisaria se preocupar tanto se este não fosse o único chuveiro disponível da casa, e isso a deixou com tamanha indignação. Era inaceitável uma casa como ela possuir apenas um chuveiro em funcionamento, chuveiro este que agora resolvera lhe pregar peças.
Ela não sabia o que fazer. A noite logo chegaria e ainda não havia se acostumado com aquela cidade pequena. Mal sabia onde ficava uma loja de consertos e sair em busca de ajuda quando a noite se aproximava não estava em seus planos, pelo contrário. Eram raras às vezes em que colocava a cara na rua e jamais se permitiria ir a algum lugar sozinha. Preferia tomar banho de mangueira á ter que sair de dentro de seu refugio, pensou ela.
Tentar consertar algo que não sabia, seria uma tarefa difícil e colocar um desconhecido dentro de sua casa estava fora de cogitação.
— O que eu vou fazer, meu Deus? – Choramingou.
Como encontrar uma solução para o seu problema? Rin estava começando a perder as esperanças. No entanto, naquele exato momento se lembrou de que as pessoas mais próximas que possuía naquele novo lugar eram os seus vizinhos. Os únicos, ressaltou Rin em sua cabeça. E a maneira mais rápida de pedir ajuda, seria usando a sua janela.
Desceu do banco de madeira e foi para seu quarto. Pensou por alguns instantes se faria realmente aquilo, e o pensamento de ter que tomar banho de mangueira a arrepiou. Engoliu o orgulho e caminhou até a sua janela, quando estava prestes a abri-la, corou. Ainda estava de toalha, lembrou ela. Como havia se esquecido disso?
Sesshoumaru já havia pegado-a exatamente como estava naquele momento e se isso acontecesse mais uma vez, imaginou que ele talvez pensasse que estava fazendo aquilo de propósito. E ela era uma mulher de respeito, jamais faria esse tipo de coisa a fim de chamar a atenção de um homem, seduzir alguém nas circunstâncias em que se encontrava tendo em mente das coisas que lhe acontecera no passado, não lhe era tentador. Reviver seu passado era a ultima coisa que desejava.
Trocou a toalha por suas roupas e foi então que tomou coragem o suficiente para abrir a janela do quarto, mas a coragem lhe fugiu no momento em que colocou os olhos na janela da casa ao lado. Aquilo a fazia se lembrar do dia anterior e por mais que estivesse vestida, o rubor insistia em tingir-lhe a face.
Olhou para cima e mais um trovão surgiu, o céu estava mais escuro que o habitual e os trovões que o cortavam apenas denunciavam que uma possível chuva forte se aproximava. A chuva poderia atrapalhar seus planos de pedir que alguém a ajudasse, então teria que parar com toda aquela enrolação e chamar de uma vez um de seus vizinhos.
Balançou a cabeça para os lados e respirou fundo. Só saberia se ele estivesse em seu quarto se o chamasse, não é mesmo? E reunindo toda a coragem que deixara escapar momentos atrás, foi que enfim conseguiu pronunciar o nome de seu vizinho, vizinho este que com um único olhar conseguia fazer suas pernas bambearem.
— Se... Sesshoumaru? – Colocou as mãos em formato de concha na lateral de seus lábios antes de chamá-lo.
Aguardou por um momento e nada. Seu vizinho não dera nenhum sinal de vida. Talvez ele não houvesse lhe escutado, não é mesmo? Pensou em jogar algo na janela que pudesse realmente chamar sua atenção, mas o problema era o que exatamente jogaria? Pedras seria uma boa, mas em seu quarto não possuía nenhuma. Olhou para os lados em busca de algo que pudesse ser útil, chegou a pensar em cutucar a janela com alguma vassoura ou objeto semelhante, mas no momento não possuía nada do tipo em seu alcance.
E bastou voltar sua atenção para a janela a sua frente para encontrar um par de olhos âmbares lhe encarando. Desde quando o youkai estava ali? Nem mesmo escutara o barulho de sua janela se abrindo, estava ela tão entretida em busca do tal objeto que não foi capaz de ouvir Sesshoumaru?
— Ah, o... Oi. – Havia sido pega de surpresa, e por isso procurou não gaguejar.
Sesshoumaru nada dissera apenas continuou a fitá-la como se esperasse que Rin lhe dissesse o motivo de tê-lo chamado. Uma coisa o youkai percebera, dessa vez sua vizinha de janela não estava enrolada em uma toalha.
Diante dos penetrantes olhos enigmáticos de seu vizinho, as palavras lhe fugiram da mente. Imaginar o que iria dizer é uma coisa, mas dizer abertamente o que pensara é outra totalmente diferente. E era exatamente assim que Rin estava se sentindo no momento. Não sabia por onde começaria sua explicação.
— Quer falar alguma coisa? – Ele chamou sua atenção.
Os olhos estreitos demonstravam sua impaciência e pelo jeito Sesshoumaru não gostava de esperar por respostas e Rin já havia enrolado demais para falar. Já havia chamado-o mesmo, então porque não dizer a ele?
Suspirou antes de tomar coragem. Só esperava que a reação dele fosse boa com o pedido que faria.
— Na verdade... – Começou ela. – Preciso de ajuda.
Os olhos estreitos se suavizaram e as sobrancelhas grossas se arquearam levemente, o que não deixou de passar despercebido pela pequena.
Mais uma vez seu vizinho permaneceu em silencio e Rin entendeu que era hora de voltar a falar. Pensou que ele lhe perguntaria que tipo de ajuda estava se referindo, mas Sesshoumaru não parecia alguém que estava disposto em iniciar um dialogo, ou tampouco alguém que se mostraria interessado em fazer alguma pergunta. Ele era monossilábico demais, o oposto da pequena que sempre gostou de conversas.
— Meu chuveiro quebrou, e eu já tentei de tudo para fazê-lo funcionar. – Suspirou assim que terminara de falar. Dizer aquelas palavras não fora tão difícil quanto pensou que seria. – Não sei o que fazer, então...
Parou sua frase no meio caminhou, gesticulou com as pequenas e delicadas mãos e Sesshoumaru entendeu o que a pequena estava tentando lhe dizer. Ele acenou positivamente com a cabeça, afastou-se da janela e antes de fechá-la falou:
— Me espere no portão.
Rin curvou os lábios em um sorriso de gratidão e Sesshoumaru pareceu se perder por um momento naquele sorriso e principalmente naqueles lábios carnudos e levemente rosados.
O viu fechar a janela e por de trás do vidro Rin notou o ultimo olhar que Sesshoumaru lhe lançara antes de virar-se e caminhar até a porta branca do aposento. Seguiu seu exemplo, fechou a janela e caminhou a passos rápidos para fora do quarto. Atravessou o corredor e alcançou a escada em poucos segundos. Descera os vinte degraus no total e quando se viu já havia percorrido a sala e suas mãos já se encontravam na maçaneta da porta, pronta para abri-la.
Em questão de segundos, caminhava pelo quintal devagar enquanto esticava a camiseta que vestia para se ajustar melhor em seu curvilíneo corpo. Não sabia o porque de estar se importando tanto com as vestimentas que usava, Sesshoumaru era apenas seu vizinho e seria apenas dessa forma que o veria. Assim esperava. Então não havia motivos para desejar estar bem vestida diante do youkai sendo que sua intenção não era seduzi-lo, não é mesmo?
A cada passo que dava mais perto se aproximava do portão, e mais perto de Sesshoumaru estaria. E o pensamento de que ele poderia já estar esperando-a em frente a sua casa, a fez corar. E a vermelhidão apenas se intensificou quando a ficha realmente caiu de que Sesshoumaru entraria dentro de sua casa, dentro de seu refugio.
Olhou para o céu e soltou um suspiro para o alto. As nuvens negras preenchera toda a extensão da imensidão azul e os trovões continuavam a cortar o céu de maneira violenta. Era apenas questão de tempo para que uma chuva começasse.
Apressou os passos enquanto ajeitava pela ultima vez a camiseta em seu corpo e abriu o portão logo em seguida, não estava nem um pouco disposta em pegar chuva. Mas se seu chuveiro estivesse queimado, — como pensou que estava — o único jeito seria apelar para a chuva mesmo.
Para o seu alivio não encontrou logo de cara Sesshoumaru, mas bastou colocar apenas sua cabeça para fora do portão para avistá-lo. Assim que olhou na direção da casa de Izayoi, não ficou surpresa em ver o portão ao lado se abrir e um youkai alto e másculo surgir por ele.
Prendeu a respiração quando o youkai lhe olhou. Sesshoumaru era um homem que causaria comoção na mais recatada mulher, seus ombros largos, braços fortes e olhos penetrantes cor de âmbar eram uma combinação perigosa e sedutora que ela só podia se dar ao luxo de apreciar. Afinal Rin não estava ali para se envolver com mais alguém que a faria sofrer e sua insegurança gritava a todo o momento em sua mente para manter-se em alerta, mas Sesshoumaru era perigosamente atraente e se ele tentasse alguma investida, temia não poder resistir aos encantos daquele homem.
E foi apenas quando mais um trovão cortou o céu que Rin se lembrou de respirar, porque até então não sabia por quantos segundos estava segurando sua respiração.
— Obrigada por vir. – Tentou iniciar um dialogo. – Vamos entrar rápido antes que chova!
Permanecer em silencio não lhe era agradável, por mais que Sesshoumaru preferisse que ela não tagarelasse coisas sem importância.
Abriu ainda mais seu portão e deu passagem para que Sesshoumaru entrasse e só fechou o portão atrás de si quando constatou de que ambos já estavam dentro dos arredores de sua casa.
Caminhou para dentro com Sesshoumaru em seu encalço e o mesmo aproveitou a oportunidade para observar os detalhes de sua casa. E pelo silencio que se instalava, o youkai julgou que apenas ela morava naquele lugar. O que era demasiado estranho. Rin era jovem demais, e era pouco provável de que ela fosse uma mulher independente. Pela sua idade duvidava seriamente do fato de já estar formada e com um emprego fixo que lhe rendesse um bom dinheiro. Morar em uma casa como aquela sem possuir esses atributos, era impossível. Isso apenas o fez ficar ainda mais intrigado com aquela pequena mulher de aparência tão frágil.
E no momento em que colocou os pés dentro daquela casa Sesshoumaru teve a certeza de que ninguém mais morava naquele lugar. Em cada canto daqueles cômodos apenas o cheiro doce de sua vizinha estava naquele lugar.
Os olhos âmbares vagaram por todo o recinto como se quisesse gravar mentalmente cada detalhe daquele ambiente. Aquilo não passou despercebido por Rin e a pequena suspirou aliviada por ter colocado tudo no lugar, ou então Sesshoumaru encontraria sua casa virada de ponta cabeça.
— Mora sozinha? – Por mais que seu vizinho fosse alguém de poucas palavras, ele não conseguiu conter sua curiosidade.
Aquela pergunta a pegou de surpresa, o que a fez concluir suas suspeitas de que Sesshoumaru era bastante observador.
— Sim, eu moro!
Responder aquele tipo de pergunta não era nenhum sacrifício, mas se seu vizinho insistisse em querer saber mais sobre si, ai sim estaria em maus lençóis.
— Venha, é por aqui! – Rin o chamou, desviando a atenção de Sesshoumaru sobre o fato de morar sozinha.
Nenhuma outra pergunta foi direcionada para si, o youkai novamente se manteve calado enquanto acompanhava a pequena subir as escadas que os levava em direção ao corredor dos quartos.
O silencio a corroeu e Rin se sentiu envergonhada. A impressão que tinha era que não possuía assunto com Sesshoumaru, o que tornava o clima pesado.
— É... Por aqui! – Anunciou ela, tentando de alguma forma acabar por um momento com aquele silencio.
Abriu a ultima porta no final do corredor e a primeira coisa que os olhos atentos de Sesshoumaru buscaram foi à janela do quarto. Olhou através dela e do outro lado estava a sua janela. Então aquele era realmente o quarto da pequena? Sim, não tinha duvidas. Aquele lugar estava infestado com o cheiro adocicado da humana, e pelo que notara era o aposento que mais se concentrava seu perfume.
O cheiro o embriagava, tivera que fechar os olhos para apreciar cada inalada que seu nariz lhe proporcionava. Estava fazendo exatamente a mesma coisa que fizera á alguns dias atrás quando encontrara Rin usando apenas uma toalha em volta de seu corpo curvilíneo.
— Sesshoumaru? – A doce voz o fez despertar de seu transe.
Voltou a abrir os olhos e a procurou por entre o quarto encontrando-a parada diante de uma porta, que julgou ser o banheiro da suíte. A pequena lhe sorriu e o chamou com uma de suas pequenas mãos pedindo de maneira silenciosa para o youkai se aproximar.
Suas longas pernas se moveram o que permitiu que a distância entre os corpos diminuísse. O youkai invadiu seu banheiro o tornando ainda menor, já que Sesshoumaru possuía um porte físico grande.
Tentou ignorar o fato de que aqueles olhos âmbares observava toda a extensão de seu banheiro, não deixando nada lhe passar despercebido, muito menos a delicada calcinha de renda que Rin havia se esquecido de apanhá-la.
Corou imediatamente quando notou onde aqueles olhos estavam fixados. Como se esquecera de sua calcinha? Esta era a segunda vez que algo constrangedor envolvendo seu vizinho acontecia, e imaginou nas possíveis coisas que se passavam pela mente do youkai. Provavelmente estaria pensando que ela havia feito isso de propósito, como se estivesse o seduzindo. Mas Rin não era esse tipo de mulher, longe disso.
Com uma das mãos apontou para o chuveiro na intenção de fazer com que aquele homem desviasse os olhos da sua peça intima. Quando Sesshoumaru não estivesse olhando, com certeza daria um jeito de sumir com aquele pedaço de pano, nem que tivesse que enfiá-la por debaixo de sua camiseta.
Seu desespero pareceu surtir efeito já que Sesshoumaru olhou na direção em que apontava e encontrou o chuveiro suspenso no alto. Não estava ali para vasculhar a privacidade de sua vizinha, estava ali para concertar seu chuveiro quebrado, mas imaginar que ali era o lugar onde Rin se banhava, o fez soltar um rosnado inaudível.
Entrou dentro do Box do banheiro e aos seus pés encontrou um banquinho de madeira, o mesmo banquinho que minutos atrás Rin o utilizava para alcançar o chuveiro alto. Rin detestava ser pequenina demais, a impressão que possuía eram que as coisas lhe pareciam ser maiores que o normal.
Sesshoumaru não possuía os mesmo problemas que ela, sendo assim não precisaria usar o bendito banquinho. Sentia inveja por Sesshoumaru ser tão alto.
Ele passou a analisar o chuveiro atentamente, afastou-se um pouco e girou a torneira. Suas duvidas foram respondidas quando nem mesmo um pingo de água caíra, a única coisa que saia do chuveiro era uma fumaça escura e o insuportável cheiro de queimado que chegava a machucar suas sensíveis narinas.
Fechou a torneira rapidamente e virou-se em busca de um par de olhos castanhos que o fitavam de maneira desesperada.
— Queimou, não foi? — Rin choramingou. Aquilo não poderia estar acontecendo.
Sesshoumaru balançou a cabeça em sinal de afirmação.
— O que eu vou fazer agora? – A pequena voltou a choramingar. – Tem como arrumar?
— É melhor comprar um novo. – Sesshoumaru a aconselhou.
Suspirou. Estava pensando seriamente em aproveitar a chuva que estava por vir.
— Era só o que me faltava! – Passou as mãos pelos seus longos cabelos negros. – Este é o único chuveiro que funcionava nessa casa, justamente por isso que decidi ficar com esse quarto.
Seus lamentos nada adiantavam, sabia disso. Sesshoumaru continuava a lhe observar com a mesma expressão séria, e confessava que aquilo estava deixando-a frustrada. Havia chamado-o para ajudá-la, mas seu vizinho não parecia que estava disposto em resolver o seu problema.
Fechou os olhos com força. Como resolveria aquele problema? Sair de sua casa em busca de um chuveiro novo estava fora de cogitação.
— Você possui duas opções. – Abriu os olhos mais que depressa quando escutara aquelas palavras proferidas por Sesshoumaru.
Opções? Naquela altura do campeonato realmente possuía opções?
— E quais seriam? – Tentou disfarçar seu interesse, mas como não demonstrá-lo diante de tal situação? Era impossível.
— Está ciente de que precisa de um chuveiro novo, mas se quiser pode usar o chuveiro de seu vizinho.
Seu vizinho, Rin demorou um pouco para entender de que Sesshoumaru falava de si mesmo.
Rin pensou naquelas palavras. Sim, comprar um chuveiro novo era uma opção para resolver seu problema, mas nunca imaginou que tomar banho na casa de Sesshoumaru também fosse uma. Mordeu o lábio inferior com aquele pensamento. Precisava recusar, sabia que precisava. A cada dia que se passava se tornava cada vez mais próxima daquela família, e não havia se mudado para o fim do mundo com a intenção de se tornar amiga de pessoas que mal conhecia.
— Bem, eu não sei... – Na realidade, Rin não sabia o que responder.
Não estava em condições de recusar, por mais que desejasse. No fundo tivera que admitir que Sesshoumaru lhe fizera uma proposta tentadora, pelo menos até que seu chuveiro fosse devidamente concertado. Seus pensamentos estavam em conflitos na questão de aceitar ou não utilizar por um tempo o banheiro de seu vizinho.
— Arrume suas coisas. – Sesshoumaru não lhe deu tempo de formular uma desculpa aceitável.
O viu sair do banheiro deixando-a completamente aturdida. O que foi aquilo que acabara de acontecer? Mal tivera chances de pensar direito no assunto.
Caminhou para fora do banheiro e o buscou com os olhos, Sesshoumaru não se encontrava mais em seu quarto. Rin possuía uma leve impressão de que ele estava aguardando-a no andar de baixo. Respirou fundo. Era apenas um banho não é mesmo? Até porque no momento nada poderia fazer com um chuveiro quebrado e Rin se recusava em dormir suja. Então qual mais opção possuía?
Com certa frustração, apanhou algumas peças de roupas, assim como lingeries limpas e as enfiou dentro da primeira bolsa que avistou. Conferiu se não estava se esquecendo de mais nada e antes de sair de seu quarto, suspirou pela ultima vez.
Assim que desceu sua escada, encontrou o dono dos olhos âmbares sentado em um de seus sofás exatamente como havia previsto, seu vizinho estava esperando-a na sala.
Ele fizera menção de se levantar assim que notou a nova presença feminina no recinto. Sem dizer uma única palavra passou a caminhar em direção a porta de entrada, e teria alcançado-a se Rin não o tivesse detido.
— Espere! – Pediu ela. – Antes de irmos preciso trancar a casa.
Depositou sua bolsa de forma desajeitada sobre a mesa de jantar e se afastou a passos rápidos da sala. Não sairia de seu refugio sem antes averiguar de que tudo estava devidamente trancado. Como se precisasse, mesmo dentro de sua própria residência Rin não destrancava as portas e janelas, na realidade apenas deixava aberta a janela de seu quarto, local este onde passava mais tempo.
Não sabia quantas vezes virou a maçaneta da porta dos fundos e tampouco quantas vezes puxara a lateral das janelas até se convencer de que não abririam tão facilmente. Aquilo era próximo de ser considerado um ritual, e aos olhos de outras pessoas aquilo poderia ser facilmente confundido com algum tipo de toc. Mas pouco se importava com a opinião das pessoas, prezava sua segurança em primeiro lugar.
Voltou para a sala e fizera a mesma coisa com as janelas do recinto. Sesshoumaru não desviava os olhos de suas costas nem mesmo por um segundo, o que a fazia sentir um leve arrepio. Decidiu não enrolar, diante dos olhos atentos do youkai fizera apenas uma breve verificação, se insistisse em demonstrar que possuía algum tipo de toc, certamente Sesshoumaru faria perguntas de que não gostaria de responder. Aqueles olhos eram observadores demais e Rin temia que Sesshoumaru fosse capaz de desvendar seus segredos mais profundos.
Voltou seu olhar para Sesshoumaru que continuava parado no mesmo lugar, mas que agora segurava sua bolsa em uma das mãos. Sorriu grata á ele e juntos saíram do interior de seu refugio. E foi apenas colocar os pés para fora para voltar a trancar a ultima porta aberta.
Não bastava ter apenas uma fechadura, Rin precisava se sentir segura, portanto decidiu reforçar a segurança colocando mais duas fechaduras pequenas na parte superior e inferior da porta de madeira. Fez menção de trancar o restante das outras fechaduras e quando Rin se curvou para trancar a parte inferior da porta, Sesshoumaru foi capaz de vislumbrar suas arredondadas nádegas enquanto a mantinha empinada.
Aquilo o fez soltar um rosnado involuntário. Sesshoumaru Taishou estava atraído por uma humana. Uma mísera humana que o fazia fechar os olhos para apreciar seu perfume delicado, que o intrigava com seu mistério e que não o deixava desviar o olhar daquele pequeno, porém curvilíneo corpo.
Levou uma das mãos em direção as têmporas e apertou seus dedos na região. O que estava acontecendo? Passara a vida toda desprezando qualquer tipo de raça que fosse inferior a sua e agora estava interessado em sua pequenina vizinha? Ele próprio não se reconhecia.
— Pronto! – Anunciou ela enquanto voltava a ficar de pé. – Vamos?
Retirou as mãos do rosto e permaneceu em silencio. Rin os guiou para fora e em poucos segundos já se encontravam adentrando os portões da residência ao lado.
Enquanto caminhava para o interior da casa mordeu o lábio inferior assim que ouviu outro barulho estrondoso acima de sua cabeça, e não precisou olhar para o alto para constatar de que mais um trovão cortava o céu violentamente. Precisava de um banho, e rápido. Se aqueles trovões continuassem teria que adiar seu banho por mais algumas horas. Rin tinha a consciência do perigo que seria utilizar o banheiro naquele momento, mas correria o risco. Quanto antes terminasse seu banho, mas rápido retornaria para o seu refugio.
Educadamente pediu licença assim que entrou e estranhou o silencio da casa. Seus ouvidos não captavam nenhum movimento, nenhum passo e tampouco vozes. Ah não ser que...
— Estamos sozinhos? – Pensou alto demais, e quando se deu conta já havia perguntado.
— Sim! – Sesshoumaru era realmente direto e curto. – Venha, vou levá-la até o banheiro.
Acompanhou seus movimentos e o seguiu. Pela primeira vez estava se dirigindo para o outro andar daquela residência, ainda não o conhecia, mas confessava que era tão belo quanto o térreo. De imediato encontrou uma saleta decorada com duas poltronas e uma mesa de centro e em ambos os lados possuíam corredores, Rin suspeitou de que os aposentos dos moradores daquela residência ficavam naquela direção.
E suas suspeitas foram apenas concluídas quando Sesshoumaru a levou até uma das portas e revelou como sendo seu quarto. Corou quando percebeu onde estava, aquele era realmente o aposento do youkai, soube disso quando olhou em direção a janela e do outro lado visualizou sua janela trancada.
Sesshoumaru era organizado, foi o que constatou quando reparou em seu quarto impecável. Ele possuía poucas coisas, na realidade, apenas o necessário e Rin abafou um sorriso quando pensou que aquilo combinava com o jeito de Sesshoumaru.
A pequena se recompôs quando o castanho se encontrou com o âmbar, e mais uma vez a sensação de estar sendo invadida lhe tomou. O youkai lhe indicou com a cabeça uma porta próximo de onde ele estava e ela compreendeu o que aquele movimento de cabeça queria lhe dizer. Então aquele quarto era uma suíte, pensou. Imaginou que o restante dos quartos também possuíam banheiros, nesse caso Sesshoumaru poderia ter levado-a para um quarto de hospedes, no entanto, lá estava ela invadindo a privacidade de seu vizinho.
— Não vou demorar! – Trocou um ultimo olhar com Sesshoumaru e se virou para ir até o banheiro.
Enfim tomaria seu banho e o quanto antes fizesse melhor seria, aqueles trovões indicavam que não dariam trégua tão cedo. Mas antes, trancou a porta. O fato de estar sozinha com aquele homem apenas a deixava mais nervosa, Rin tinha dificuldades em confiar nas pessoas principalmente se fosse alguma figura do sexo masculino.
Primeiro tirou sua camiseta e a pendurou na maçaneta da porta, desse modo se Sesshoumaru tentasse espioná-la, não conseguiria. Apesar de que Sesshoumaru não parecia ser o tipo de pessoa que fazia esse tipo de sem vergonhice, mas Miroku... Não tinha duvidas de que o namorado de Sango fosse capaz de fazer isso. Não sabia como a pobre moça o aguentava. Mesmo com suas duvidas em relação ao youkai, o correto seria se precaver; e foi exatamente isso o que fizera.
Retirou o restante de suas roupas e prendeu o cabelo em um coque alto. Sua intenção era não demorar, até porque não estava em sua casa não é mesmo? Era falta de educação e Rin tinha consciência disso. Sendo assim, optou por não lavar seus cumpridos cabelos, que no caso eram o motivo maior por enrolar no termino de seus banhos. Entrou dentro do chuveiro e soltou um suspiro de alivio por não ter que se banhar com água gelada. A ultima coisa que precisava para adoçar sua vida, era um banho gelado.
Aproveitou a sensação da água quente sobre o corpo e fechou seus olhos enquanto relaxava. Mas voltou a abri-los quando novamente pensou em não ser mal educada, precisava se ensaboar e terminar aquele banho o mais rápido que podia e foi justamente naquele momento que bateu a mão na testa quando se lembrou de que não havia trazido nada alem de suas vestes e uma toalha.
Então não teria escolha a não ser utilizar os sabonetes de seu vizinho. Rin ficaria com o cheiro dele, e isso a fez corar. Ultimamente tudo o que se dizia a respeito de Sesshoumaru a fazia corar. Sinceramente, não sabia o que estava acontecendo consigo.
— Com licença. – Murmurou para si mesma antes de apanhar alguns potes que estava ao seu lado.
Constatou que ambos eram shampoo e condicionador. Então Sesshoumaru também usava condicionador!
— Mas é claro que ele usa, Rin sua anta! Ou você acha que o cabelo dele fica lindo daquele jeito apenas com shampoo? – Pensou alto demais.
Tampou a boca com uma das mãos no momento em que dissera aquilo. Por favor, que ele não tenha escutado.
Deixou os potes de lado e sua atenção se voltou para um terceiro que ficava próximo dos restantes. O abriu assim que o pegou e acidentalmente deixou uma grande quantidade de espuma branca escorrer por entre seus dedos. Como ela era desastrada! O cheiro daquela espuma era inconfundível, até porque já o havia sentido nos poucos momentos em que ficou próxima de Sesshoumaru. Aquilo era creme de barbear, o mesmo creme que impregnava cada extensão do rosto másculo de seu vizinho.
Corou quando percebeu que estava sendo intrometida demais. Enxaguou as mãos na água corrente e decidiu parar de mexer em coisas que não eram suas, antes que acontecesse algo pior e deixasse cair no chão algum dos três potes, o que de certa forma denunciaria seu atrevimento. Com este pensamento em mente, se ensaboou com o primeiro sabonete que encontrou e em poucos instantes já estava fechando o registro da água. Não soube por quanto tempo ficou ali, mas pediu aos céus para não ter demorado tanto. Havia se distraído com os pertences de Sesshoumaru e imaginou que devido a isso poderia ter demorado no termino de seu banho.
Enxugou-se com a toalha que trouxera e se vestiu em seguida. Ajeitou a roupa suja dentro de sua bolsa e respirou fundo antes de tomar coragem para abrir a porta. Contou até três mentalmente e a abriu, encontrou Sesshoumaru sentado sobre a cama enquanto mexia em seu celular.
O youkai ergueu o olhar assim que sentiu o cheiro de seu sabonete invadir seu sensível olfato. O cheiro de sabonete não foi à única coisa que seu nariz captou, pode sentir o cheiro de seu creme de barbear impregnado nas delicadas mãos de Rin. Ela jamais usaria tal coisa, então aquilo só poderia ser explicado pelo fato de Rin ser demasiadamente curiosa a ponto de mexer em suas coisas.
E se outra pessoa ousasse fazer aquilo, não sairia vivo. No entanto, não se importou da pequena utilizar seus pertences, pelo contrario, aquilo o fez arfar com o pensamento de que Rin agora estava com o seu cheiro. Em outro sentido, claro! Mas ainda assim estava com o seu cheiro impregnado em todas as suas curvas acentuadas.
— Não está mais doce! – Moveu seus lábios e um murmúrio escapou deles.
— Doce? – Rin piscou os olhos sem entender o sentido daquelas palavras. – O que não está mais doce?
— Seu cheiro! – Explicou o youkai. – Está cheirando a creme de barbear!
Rin corou no mesmo instante. Deveria ser porque estava usando os pertences de Sesshoumaru. Havia sido descoberta, droga.
— Obrigada por me emprestar seu chuveiro. – Sorriu grata enquanto tentava mudar de assunto, deixando de lado seu constrangimento.
Sesshoumaru não respondeu, apenas balançou a cabeça aceitando sua gratidão e logo se ergueu mantendo-se de pé. Abriu a porta do quarto e esperou Rin se movimentar, já que até então ela não ousou sair do mesmo lugar.
Acompanhou Sesshoumaru e saiu do aposento do mesmo. Atravessou o corredor dos quartos e desceu as escadas em silencio. E quando estava pronta para agradecer mais uma vez e voltar para a sua casa, um novo trovão estrondoso se fez presente e em seguida uma grossa chuva começou a cair.
— Ah! – Ela resmungou enquanto olhava por entre uma das janelas da sala.
Seus planos de retornar para seu refugio foram destruídos no momento em que uma tempestade lavava a região e mesmo com as janelas fechadas Rin era capaz de conseguir sentir o cheiro de terra molhada. Como voltaria para a sua casa nessa chuva? Havia acabado de tomar banho, não iria se arriscar e sair agora. O único jeito seria aguardar a tempestade passar, e pelo o que indicava ela não parecia que passaria tão cedo. O tempo nublado obrigou Sesshoumaru a acender as luzes da sala espantando a escuridão.
Seu estomago roncou alto e Rin se xingou mentalmente. Estava sendo abusada demais, Sesshoumaru já havia lhe emprestado seu chuveiro e agora seu estomago resolvera a trair. Passara o dia arrumando sua casa que acabara se esquecendo de comer.
— Está com fome? – Ele lhe perguntou.
Se respondesse que não, estaria mentindo e Sesshoumaru sabia que ela estava com fome, seu próprio estomago já havia lhe entregado. Então como mentiria diante de tal situação?
— Um pouco. – Respondeu baixo.
O youkai meneou a cabeça. Seguiu os movimentos de Sesshoumaru com os olhos e o viu entrar na cozinha.
— Venha! – Ele a chamou.
Rin o seguiu morrendo de vergonha por mais uma vez seu vizinho estar lhe socorrendo. O viu apanhar algumas coisas e percebeu que o youkai estava disposto em cozinhar, o que de certa forma a fizera soltar um sorriso discreto. Nunca imaginou Sesshoumaru cozinhando, aquela visão era divertida de se ver e pela forma como ele cortava os temperos Rin constatou de que Sesshoumaru não possuía nenhuma afinidade com a cozinha. Ou poderia levar em consideração que aquele momento era um dos poucos em que seu vizinho resolvera se atrever a cozinhar algo.
— Eu te ajudo. – Segurou o sorriso e se aproximou do youkai. – Deixe-me cortar para você.
Tirou a faca das mãos de Sesshoumaru e seus dedos se tocaram. Uma corrente elétrica percorreu seu corpo e Rin não entendeu o que acabara de acontecer, era a primeira vez que aquela sensação acontecia. Ignorando os protestos de seu corpo passou a cortar a cebola no lugar de Sesshoumaru.
— Alguma ideia do que pretende fazer? – Perguntou tentando amenizar o silencio.
— Sinceramente? – Ele fixou os olhos âmbares em sua direção. – Este Sesshoumaru não foi feito para ficar na cozinha.
Rin riu com seu jeito de falar e ele se perdeu em sua risada gostosa por um momento. Sesshoumaru não se sentia nem um pouco incomodado em confessar de que não sabia cozinhar.
— Então deixe comigo, já tenho em mente o que podemos fazer. – Rin o tranquilizou. – Pode me ajudar? Eu não sei onde ficam as panelas e tampouco os ingredientes. – ela o viu balançar a cabeça em concordância. – Estou pensando em fazer um risoto de frango, você gosta?
Sorriu enquanto o viu arquear as sobrancelhas intrigado com sua atitude.
— Qualquer coisa que fizer, este Sesshoumaru irá apreciar!
E as palavras de seu vizinho foram a sua deixa para que ela voltasse a corar.
Continuou a cortar a cebola enquanto pedia para que ele pegasse alguns ingredientes, e sem dizer absolutamente nada Sesshoumaru atendeu todos os pedidos que sua pequena vizinha de janela lhe fazia.
Rin sentia que aos poucos aquela muralha que existia entre eles desaparecia. Sesshoumaru era um homem calado do tipo que intimidaria qualquer um com um simples olhar, mas ela não se sentia intimidada, pelo contrário. Confessava de inicio que Sesshoumaru lhe perturbou com sua presença imponente, mas agora havia se acostumado com o seu jeito frio, que em sua opinião não era tão frio quanto aparentava.
Depositou os ingredientes na panela e em poucos instantes seu risoto começa a dar os primeiros indícios de que não demoraria a estar pronto. O cheiro impregnou cada extensão da cozinha e Rin pensou que talvez seu banho não valera de nada, já que era muito provável de que o cheiro do risoto estivesse impregnado em suas roupas.
O jantar se seguiu em completo silencio e os trovões se mostraram seus amigos, já que eram os únicos que faziam barulho juntamente com a tempestade que caia. A pequena julgou que Sesshoumaru houvesse gostado de seu risoto, já que se arriscara em repetir. Pediu licença assim que terminou e comer e se levantou da mesa. Uma pequena pilha de louças a esperava e ela se sentiu na obrigação de arrumar aquela cozinha. Havia sido ela quem a usufruira, então nada mais justo do que mantê-la organizada.
Ouviu o barulho da televisão e assim que se virou para trás não encontrou mais Sesshoumaru na cozinha, provavelmente havia sido ele quem ligara o aparelho. E assim que terminou de lavar a louça que sujara, caminhou em direção à sala e o encontrou sentado no sofá enquanto assistia algum noticiário da região.
Decidiu juntar-se a ele, até porque, pela chuva que caia do lado de fora não retornaria para sua casa tão cedo.
— E então? – Perguntou enquanto se aproximava. – Gostou do risoto?
Até o momento seu vizinho não havia lhe dito corretamente se apreciara sua comida ou não. E Rin estava ansiosa em saber a opinião do youkai.
— Não imaginei que soubesse cozinhar. – Manteve os olhos fixos na televisão enquanto lhe respondera.
Rin piscou os olhos algumas vezes, não era exatamente aquela resposta que gostaria de ter escutado. Mas ele havia reconhecido que cozinha bem, não é mesmo? E conhecendo pouco o jeito que seu vizinho era, sabia que arrancar-lhe um elogio seria um trabalho difícil. Então deixou de lado e sorriu enquanto se afundava ao lado do youkai no sofá de couro. Escutou o barulho da chuva se intensificar e aquilo a fez suspirar.
Prestou atenção no noticiário e pelo canto dos olhos viu quando Sesshoumaru virou levemente sua cabeça para lhe olhar. Voltou seus olhos castanhos para ele e arqueou as sobrancelhas de maneira confusa. Onde diabos Sesshoumaru olhava tanto? Seguiu a direção de seu olhar e deparou-se com seu pulso direito. Arfou quando enfim percebeu o que tanto ele olhava e tratou de esconder o pulso rapidamente. Sesshoumaru havia notado sua cicatriz, a mesma cicatriz que... Não, não queria se lembrar das terríveis coisas que passara. Queria deixar seu passado, assim como seu sofrimento para trás.
Voltou a fitar a televisão e tentou fingir que aquele tipo de coisa não lhe afetava. Teria dado certo se seu vizinho não segurasse seu pulso direito e acariciasse a cicatriz com um dos dedos.
— Onde fez isso? – Sesshoumaru perguntou.
Ergueu o olhar e encontrou o dono daqueles olhos âmbares lhe observando a espera de uma resposta. O que dizer? Precisava fugir daquela pergunta, mas não sabia como. Rin ficou muda, sem saber o que responder e o youkai percebeu que mais uma vez Rin tentava fugir das inúmeras perguntas que lhe faziam. O que o deixava cada vez mais intrigado a respeito da jovem.
— Porque sempre foge quando lhe perguntam sobre algo, Rin? – Sentiu o aperto em seu pulso se intensificar quando uma nova pergunta lhe foi feita.
— Hãn?— Segurou a respiração com aquela pergunta.
Sabia que nada passava despercebido por aqueles olhos e agora como iria sair daquela situação? Sesshoumaru parecia disposto em querer respostas e seu silencio apenas o estava irritando.
— Este Sesshoumaru detesta quando não o respondem. – Os olhos âmbares se estreitaram. – Está fazendo o mesmo quando aquele moleque perguntou o motivo de ter se mudado, Rin.
Moleque? Por algum acaso Sesshoumaru estava se referindo ao irmão de Sango?
— Eu não... – Tentou dizer.
Rin queria dizer á Sesshoumaru que ele estava errado, mas na realidade sabia que ele não estava. Sim, ela estava fugindo! Fugindo de um passado que até o momento a amedrontava. Mas Sesshoumaru não precisava saber disso, não é mesmo?
— Sei que esconde algo que não quer que ninguém descubra. – Ele ainda a segurava pelo pulso e a puxou de maneira repentina, mantendo seus rostos a centímetros de distancia.
Seu sangue gelou. Seu coração saltou dentro do peito e seu estomago embrulhou, teve a impressão de que perdia lentamente a cor de seu rosto. Sabia que deveria ter mantido distancia daquele youkai, deveria ter escutado os conselhos de seu irmão. Fechou os olhos e controlou a tremedeira de seu corpo. A ultima coisa que queria era que Sesshoumaru notasse seu nervosismo, mas agora parecia ser tarde demais.
— Rin olhe para mim! – Ele pediu.
Lentamente abriu os olhos e só notou que estava quase chorando quando sentiu a visão embaçada.
— O que aconteceu? – Sesshoumaru voltou a insistir com a pergunta.
Um nó se formou em sua garganta. Respirou fundo tentando diminuir sua angustia, mas Rin estava ferrada. Sesshoumaru não a deixaria sair daquela conversa, não enquanto não colocasse tudo em pratos limpos. Ainda mais quando seu próprio nervosismo havia lhe entregado daquela maneira.
— Não vai dizer? – Arqueou as grossas sobrancelhas e a instigou mais um pouco.
Sesshoumaru aproveitou para abordar-lhe justamente no momento em que se encontravam sozinhos e Rin tinha consciência desse fato. Sua vontade era de correr para sua casa e se esquecer das recentes perguntas feitas por ele. Sesshoumaru estava cruzando uma linha perigosa, não queria envolvê-lo com seus problemas. Involuntariamente, sentiu um lagrima deslizar por sua bochecha e rapidamente foi apanhada pelo polegar de Sesshoumaru que acariciava seu delicado rosto de menina.
Os olhos âmbares deslizaram de seus olhos para sua boca e seu polegar trilhou seu rosto até alcançar seus lábios avermelhados. Sesshoumaru os tocou levemente e sentiu o calor e o seu contorno. Aquela boca entre aberta o chamava, estava disposto em descobrir seu gosto e tinha uma leve impressão de que Rin fosse adocicada, exatamente como sua personalidade.
— Estou impressionada! – Ela conseguiu dizer. – Você é realmente um observador Sesshoumaru, mas eu não quero envolvê-lo nisso.
— Acredite pequena, estou envolvido até demais!
Rin mordeu o lábio inferior quando o escutou falar, fechou os olhos com força e balançou levemente a cabeça de forma negativa.
— Por favor, não se envolva! – Pediu em forma de murmúrio.
Manteve os olhos fechados, estava com medo de encará-lo e dizer coisas que não deveria. Rin não estava pronta para confiar em alguém, e tampouco se envolver. Sesshoumaru precisava entender de que ela possuía limites e naquele momento ele estava ultrapassando todos eles.
Ouviu um suspiro baixo partir do youkai e sentiu a ausência de calor quando Sesshoumaru se afastou retirando suas mãos de seu rosto. Abriu os olhos devagar e o viu novamente encostado no sofá com os olhos voltados para a televisão, que até o momento havia sido esquecida.
— Não irei insistir Rin! – Falou sem desviar a atenção do noticiário. – Mas tampouco esquecerei.
A pequena fungou, limpando os últimos resquícios de lagrimas no rosto. Tinha consciência de que ele não parecia com alguém que desistia facilmente, sentia que Sesshoumaru voltaria a questioná-la em breve. Meneou a cabeça em concordância. Ela apenas esperava que esse em breve demorasse a acontecer.
Seu vizinho parecia estar disposto em desvendar os seus segredos e ela confessava para si mesma que aquela aproximação, aquele interesse em saber sobre si... Tudo aquilo a assustava.
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