Louca Obsessão
6 Encontros
Notas iniciais
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6. Encontros
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Perdera a conta de quantas vezes havia amaldiçoado seu chuveiro queimado. Devido a ele, lá estava ela, diante de tantas pessoas desconhecidas, caminhando pelo shopping da cidade enquanto praticamente arrastava com dificuldade algumas sacolas. Aproveitou e comprou algumas roupas já que trouxera apenas o necessário, deixando a grande maioria em sua casa na capital. Estava começando a se cansar de usar as mesmas vestimentas e já que saíra de seu refugio naquele dia, então porque não aproveitar o momento?
Puxou a sacola com mais força. Arrependeu-se por ter comprado tanta coisa, mas sabia que se não fizesse isso agora demoraria a voltar a sair de sua casa. E um chuveiro novo era sua prioridade, não poderia passar a vida usando o banheiro de seu vizinho.
Sentia que aos poucos o ritmo de sua vida voltava, longe da capital podia se sentir mais aliviada e ao mesmo tempo segura, apesar de que preferia ficar dentro de sua casa a ter que colocar a cara para fora. Andar pelo shopping sozinha estava sendo um grande passo para ela, mas o sentimento de medo ainda não a abandonara totalmente. Rin não conseguia tirar a insegurança do peito, sabia que estava ali apenas porque precisava estar.
Quem não a conhecia estranhava a maneira como observava tudo o que acontecia ao seu redor. Minuciosamente, não deixava passar nada despercebido. Até mesmo a risada e a voz familiar não passaram despercebidas por seus ouvidos atentos.
— Rin? – A voz conhecida lhe chamou.
Virou-se de imediato para encarar a figura sorridente que acabara de pronunciar o seu nome.
— Ah, oi! – Retribuiu o sorriso quando as avistou.
Diante de si uma elegante Izayoi se encontrava, e ao seu lado mais quatro pessoas a acompanhava, três delas Rin já conhecia. Kagome, Sango... E qual era mesmo o nome da ruiva? Oh sim, Ayame! Como pudera se esquecer? Mas a quarta pessoa lhe era estranha, principalmente pela maneira extravagante que se vestia. O cabelo bem penteado, a calça de couro colada e a blusa transparente chamavam a atenção, mas o que estranhou foi o fato de usar... Maquiagem?
Sorriu para todos e os cumprimentou de maneira igual, com abraços e beijos. E quando chegou à vez do desconhecido, foram devidamente apresentados.
— Rin, este é Jakotsu! – Kagome o apresentou. – E Jakotsu, está é Rin! Vizinha de Izayoi!
— É um prazer! – Rin lhe sorriu.
— O prazer é meu, meu bem. – A voz afeminada não deixava duvidas. – Amiga da Kah-chan e das meninas, também é minha amiga. – Sentiu braços magros a envolver em um abraço apertado.
Retribuiu o abraço e sorriu com a maneira do outro. O enorme sorriso no rosto de Jakotsu mostrava perfeitamente seus alinhados e brancos dentes, mas o que chamou sua atenção foram os gigantescos cílios postiços que praticamente se abanavam em sua direção.
— O que veio fazer no shopping querida? – Izayoi a obrigou a desviar o olhar dos cílios chamativos com sua pergunta inesperada. Notou quando ela olhou diretamente para as suas sacolas e concluiu: – Compras?
— Fui atrás de um chuveiro novo, não sei se soube, mas o meu teve a infelicidade de queimar. – O tom de desagrado na voz era nítido. – E vocês? O que fazem aqui?
— Viemos fazer a lista de presentes da Kah-chan! – Jakotsu voltou a se pronunciar, e em seguida soltou um grito baixo no ar arrancando algumas risadas ao seu redor.
— Presentes? – Rin perguntou sem entender.
Olhou de Jakotsu para Izayoi e encontrou certo brilho diferente em seu olhar. Por um momento pensou que vira os olhos de sua doce vizinha marejarem, demonstrando tamanha admiração e carinho enquanto fitava sua nora que estava próxima de si.
— Sim! Na realidade, Inuyasha deixou de ser meu namorado já faz um tempo. – Kagome explicou e Rin arqueou as sobrancelhas confusa.
Por um acaso Kagome havia terminado com ele? Era isso mesmo que entendera?
— Por ser muito recente, eu ainda tenho o costume de apresentá-lo como meu namorado, mas... – Continuou ela. – Na verdade faz dois meses que estamos noivos!
Seu sorriso se alargou quando delicadamente levantou a mão esquerda e lhe mostrou o maravilhoso anel coberto por brilhantes que jazia em seu dedo anelar.
Aquilo a atingira em cheio. Não estava acreditando! Noivos? Como não suspeitara antes? Abriu um sorriso gigantesco quando escutara aquelas palavras e a primeira reação que teve foi de abraçá-la. Estava feliz por Kagome, admirava-a por ser tão doce e desejava realmente que fosse feliz.
— Estou tão feliz por você. – Rin murmurou perto de seu ouvido.
— Obrigada. – Kagome lhe lançou o maior sorriso que já vira por parte dela.
Acima de tudo, a felicidade estava em suas entranhas e vê-la tão realizada cativava a todos. Era demasiadamente contagiante a sua alegria.
— Aposto que vieram pra ajudá-la! – Rin riu referindo-se a Sango e Ayame.
— Claro, não perderia isso por nada! Alias, já disse que sou eu e a Ayame que está organizando o casamento? – Sango se vangloriou junto à ruiva.
Ayame colocou ambas as mãos em sua cintura fina e acenou positivamente, concordando com cada palavra que Sango dizia.
— Cof, cof...— Sua doce vizinha fingiu tossir, desviando toda a atenção para si. Ela cruzou os braços em frente ao peito e fingiu certo aborrecimento. – Não sem a minha contribuição em ajudá-las!
A péssima atuação de Izayoi os fez rir alto quase que ao mesmo tempo. Conhecia pouco sua vizinha, mas sabia que ela não perderia a oportunidade de ajudar com o casamento de seu próprio filho. E se Sango e Ayame pensavam que poderia deixá-la de fora em um momento tão importante quanto este, estavam enganadas.
— E eu agradeço pela ajuda de vocês. O casamento está longe, mas eu já estou pirando com tantas coisas para se programar. – Kagome contorceu o rosto em uma careta.
— Não se preocupe meu bem, já disse para deixar conosco! – Jakotsu lhe piscou um olho arrancando mais um sorriso da futura noiva.
Estava feliz, ganhara o dia com a notícia. E principalmente, Kagome quem estava mais feliz diante dos acontecimentos recentes.
Izayoi se prostrou ao seu lado e lhe segurou uma das mãos, desviando sua atenção de uma radiante Kagome que escutava atentamente os comentários sobre ideias para a decoração de seu casamento.
— Veio andando querida? – Izayoi lhe perguntou assim que se aproximou.
— Não, vim de taxi! Não conheço o lugar e pensei que se pegasse um ônibus provavelmente me perderia, principalmente porque não tenho senso de direção. – Confessou constrangida.
Izayoi não se conteve e não escondera a gargalhada.
— Ah sim, a caipira da cidade. – Então Izayoi ainda se lembrava da maneira como se auto apelidou e isso a fez sorrir com a lembrança. – Nesse caso, porque não fica conosco? Inuyasha logo vêm nos pegar.
— Você não dirige Izayoi? – Rin já se pegara pensando sobre o assunto, mas nunca chegou a perguntar.
— Oh não! – Negou de imediato. – Sempre tive receio de pegar no volante. Tenho carta, mas não pego no carro.
Fazia sentido. Lembrou-se de que da ultima vez fora Inuyasha quem a levara de carro para o mercado. Admitia que se parecia com Izayoi, porque se passava pela mesma situação que ela. Havia tirado a carta, mas não fizera questão alguma de utilizá-la.
— Bom minhas beldades, estou de partida. – Anunciou Jakotsu com sua voz afeminada inconfundível.
— Não vai conosco Jakotsu? – A expressão no rosto de Izayoi mudou, passou a demonstrar decepção ao saber que o outro não as acompanharia.
— Não tia Iza! – Ele despediu-se dela primeiro. – Eu sei que o seu filho emburradinho não gosta nenhum pouco de mim, por mais que eu adoraria encontrá-lo. – Curvou os lábios em um sorriso malicioso e a matriarca não tomara consciência disso.
Recebeu um cutucão de Kagome por ter dito aquilo. Jakotsu a fitou com os olhos estreitos e ela o encarava da mesma forma. Sua doce vizinha não via maldade no evidente tom de malicia em que Jakotsu usava. E claro que Kagome defenderia seu noivo ausente das palavras afiadas do amigo, já que Inuyasha não estava presente para defender-se.
Silenciosamente, Kagome o repreendia com o olhar e Jakotsu não perdeu a oportunidade de alfinetar:
— Meu bem, se eu gostasse de mulher eu virava ginecologista! – Passou a mãos pelos cabelos escuros, fingindo jogá-los para trás.
Rin não se conteve diante da revelação. Jogou a cabeça para trás e gargalhou, Jakotsu conseguia ser mais divertido do que imaginara. Kagome não tivera escolha a não ser suavizar sua expressão e rir enquanto o abraçava. Pelo o que notara, ela já deveria estar bastante acostumada com o jeito do amigo.
— E eu não sei? – Kagome entrou na brincadeira. – Mas é justamente por isso que Inuyasha fica com um pé atrás com você.
— Sinto muito, mas meu passa tempo preferido é provocá-lo, você sabe disso Kah-chan! – Ele dissera em sua própria defesa.
Despediu-se de todos e quando chegou à vez de Rin, Jakotsu agarrou-lhe as mãos e as segurou com leveza.
— Foi um prazer Rin, mas precisamos marcar de sair para nos conhecermos melhor meu bem. – A puxou para mais um de seus abraços.
Tinha a impressão de que Jakotsu gostava de abraços, porque desde que o conhecera ele só fizera isso.
Rin engoliu em seco. Não pretendia voltar a colocar a cara na rua tão cedo, e o fato de ter se encontrado não passara de uma coincidência. Queria voltar para a sua casa e sair apenas quando era necessário, exatamente como naquele momento. Não sabia como recusar o convite sem magoar Jakotsu. Em sua cabeça pensava na melhor frase que poderia utilizar, mas Rin sempre foi péssima em dizer não para ás pessoas. Colocou um sorriso no rosto, disfarçando o nervosismo e quando estava prestes a falar, Sango interveio:
— Enquanto a isso não se preocupe porque se depender de nós, a arrastaremos. – Sango lhe garantiu fazendo um sinal de positivo com uma das mãos.
Oh Deus! Sua situação parecia ficar melhor a cada instante. Pelo jeito não era apenas sua doce vizinha quem pretendia mantê-la próxima das pessoas. Desde que chegara havia prometido que se manteria afastada de tudo e de todos, no entanto seu plano não parecia estar funcionando.
— Vou aproveitar e pegar uma carona com você Jak. – A ruiva passou a distribuir beijos e abraços assim como ele.
— Pensei que você também ficaria! – Izayoi choramingou.
— Minha intenção era essa, mas Kouga combinou de ir à minha casa hoje. – Justificou ela.
—Ah, sim! Esses namorados... – Jakotsu curvou os lábios em um sorriso travesso. – Já até imagino o que ele quer!
Instantaneamente Ayame corou com as insinuações de Jakotsu. Seu rosto delicado tingiu-se de vermelho e por pouco não ficara da cor de seus cabelos. Ela estreitou os olhos verdes e movimentou os lábios em silencio, mandando-o calar a boca. Discretamente olhou para a matriarca que mantinha a mesma expressão tranquila no rosto. Que ela não tenha compreendido o sentido daquelas palavras, pensava a ruiva constrangida.
Com um ultimo aceno de cabeça, Ayame despediu-se e saiu puxando Jakotsu pelo braço antes que ele soltasse mais alguma coisa inoportuna. Quando se afastaram, Rin o viu se desvencilhar das pequenas mãos de Ayame e rir da expressão de desespero no rosto da amiga.
— Só me responda uma coisa ruiva, a depilação está em dia? – Escutou-o perguntar ao longe.
— JAKOTSU! – Ela o repreendeu, dessa vez alta e em boa voz.
Viu-a olhando para os lados em busca de alguém que pudesse ter ouvido a conversa que levavam e só suspirou aliviada quando constatou realmente que ninguém ouvira. Pobre Ayame, com certeza ela ainda ouviria mais perguntas como esta no caminho de volta para sua casa.
Imaginou se Jakotsu a colocaria em saia justa caso ela se envolvesse com alguém. Mas o que Rin estava pensando? Não, não! Não podia se envolver, não agora! Absolutamente não se envolveria com ninguém, e com certeza Jakotsu não iria ter motivos para importuná-la, já que Rin não os daria.
— E então querida? – Izayoi lhe perguntou.
Rin piscos os olhos voltando à realidade. O que Izayoi estava falando mesmo? Estava tão entretida em seus pensamentos que não prestara atenção em sua pergunta.
— Desculpe, não prestei atenção! Pode repetir?
— Perguntei se você irá para minha casa conosco ou se também têm alguma coisa para fazer.
— Bem, eu aceito a carona, mas... – Como sairia daquela situação? – Provavelmente irei para a minha casa.
— Ah, você também? – Cruzou os braços. Izayoi estava indignada. – Vamos para minha casa querida, e não me venha com desculpas porque eu sei que você não mora tão longe assim.
Achou graça da maneira como Izayoi dissera sobre o fato de morarem tão próximas. Ela estava certa! Que desculpa poderia utilizar? Por mais que vasculhasse em sua mente, não tinha nada convincente de que poderia usar no momento.
O toque alto do celular de Kagome a fez sobressaltar, o que a obrigou a retirar o aparelho do bolso e ler rapidamente a mensagem que acabara de receber.
— Inuyasha disse que já está no shopping nos esperando. – Anunciou voltando a guardar o aparelho em seguida.
— Ótimo! Então vamos? – A matriarca foi a primeira a começar a caminhar, sendo seguida logo atrás pelas outras.
Estava aliviada pela carona que havia lhe caído como uma luva, principalmente porque carregava junto a si inúmeras sacolas. Rin ficou ainda mais aliviada quando Sango e Kagome lhes ofereceu ajuda com as compras, carregando-as enquanto rumavam para o estacionamento.
Ao longe avistou a grande caminhonete estacionada e um emburrado hanyou esperando dentro dela. Por um momento pensou ter visto os olhos âmbares se estreitarem para as sacolas, e com o movimento de lábios Rin conseguiu entender o que Inuyasha murmurava sozinho: Mulheres! Por certo ele pensava que as sacolas fossem de Kagome, mal sabia ele!
Dentro do carro, Kagome foi a primeira a cumprimentá-lo com um beijo nos lábios. Em seguida foi sua vizinha, que não disfarçava o olhar carinhoso sobre o filho e a futura nora. Ele havia ficado surpreso quando enfim notara a sua presença, provavelmente não imaginara que Rin pudesse estar junto. E a pequena ficou profundamente aliviada quando ele não as questionou sobre as compras.
O caminho apenas não se seguiu em silencio por conta de Kagome e Izayoi, que juntas comentavam animadas sobre a lista de presentes. Pelo canto dos olhos Rin percebeu Inuyasha acenar positivamente com a cabeça enquanto dirigia, ele parecia prestar atenção na conversa que se seguia, ou pelo menos conseguia disfarçar muito bem. Sango vez ou outra palpitava, enquanto Rin mantinha-se calada para não se parecer intrometida.
Não estava prestando atenção na conversa e só se dera conta de que chegara quando Inuyasha estacionou a caminhonete dentro da garagem de sua casa. Tentou mais uma vez dizer que voltaria, mas Izayoi havia insistido tanto para que ficasse que acabara aceitando apenas para fazê-la parar de suplicar pela sua presença. E ela só deixara Rin retornar porque a mais nova dissera que guardaria suas compras e que em breve estaria de volta. Assim que Rin guardou suas sacolas, voltou ao encontro de uma Izayoi ansiosa que fizera questão de esperá-la no portão. E pela maneira apreensiva julgou que Izayoi pensava que não voltaria tão cedo, só assim explicaria o fato de esperá-la com tamanha ansiedade.
Izayoi a guiou para o interior da residência, Rin varreu o lugar com os olhos e encontrou Kagome e Sango conversando sobre os detalhes do casamento enquanto Inuyasha fazia pouco caso. Conhecia-o há pouco tempo, mas sabia que ele ficaria satisfeito com qualquer coisa que decidissem.
Sua doce vizinha aproximou-se de seu filho e o cutucou discretamente, chamando sua atenção. Ele ergueu o olhar passando a encará-la de maneira confusa e só então entendera o porquê do cutucão. Sua mãe queria que fosse mais participativo na conversa, principalmente porque era de seu próprio casamento que ambas, sua noiva e amiga discutiam.
Discretamente a pequena olhou ao seu redor em busca de uma figura alta e robusta, a qual a mesma, com apenas um olhar conseguia lhe tirar a sanidade. Suspirou aliviada, não sabia dizer se seu alivio era pelo fato de não o ter encontrado já que seu coração dera uma trégua dentro do peito.
— Venham comer um pedaço de bolo. – Anunciou a matriarca, fazendo todos se levantarem para se dirigirem até a cozinha.
Inuyasha foi o primeiro a se sentar, e Kagome ajudou Izayoi a distribuir os pratos de porcelana. Rin os seguiu e Sango a puxou para que se acomodasse ao seu lado na mesa.
O bolo foi servido e quando Rin levou um pequeno pedaço em direção aos lábios, pensou que estava no céu. Izayoi cozinhava maravilhosamente bem, isso tinha que admitir e se não se controlasse, não conseguiria manter-se em forma. Não sabia como sua vizinha conseguia ser tão esbelta, cozinhando tão bem dessa forma.
Inuyasha não se conteve e já estava em seu terceiro pedaço. Deus, como aquele homem conseguia ser magro? E principalmente, onde tudo aquilo iria parar?
Rin comeu devagar apreciando cada pedaço, apenas para não ter que repetir, mas parou o garfo no meio do caminho em direção aos lábios quando uma nova presença adentrou a cozinha. Os olhos âmbares lhe queimaram a pele. Corou de imediato e a primeira coisa que lembrou foi do ultimo encontro que tiveram. O coração deu um salto dentro do peito e ela não conseguiu desviar os olhar das feições indecifráveis de Sesshoumaru.
— Oh, chegou agora? – Izayoi sorriu quando viu o enteado presente. – Juste-se a nós e venha comer um pedaço de bolo.
Quando ela fizera questão de cortar mais um pedaço para servi-lo, Sesshoumaru a deteve:
— Não estou com fome! – Sua voz grossa a arrepiou. E pensar que aquela mesma voz havia sido pronunciada tão perto de seu rosto, a fazia sentir um súbito calor em suas entranhas. – Na verdade, este Sesshoumaru deseja provar outra coisa!
Em nenhum momento o youkai tirou os olhos de si e Rin ficou ainda mais constrangida com o sentido daquelas palavras. Céus, ele havia lhe lançado mais uma indireta? E dessa vez muito mais atrevida do que a anterior.
— Diga-me o que quer então, que eu faço para você! – Izayoi era realmente um doce, ou apenas se fazia de desentendida porque ela aparentava não ver maldade em nada.
Sesshoumaru não a respondeu. Kagome e Sango se entre olharam, o que não passou despercebido por Rin. Elas eram espertas, tinha consciência de que haviam entendido a situação. Já Inuyasha, desde que estava diante de algum doce não dava a devida atenção ao que acontecia ao seu redor, parecia estar inteiramente entretido com seu bolo.
Rin voltou a comer em silencio e tentou ignorar os olhares que Sesshoumaru lhe lançavam. A campainha tocou exatamente naquele momento aliviando mesmo que um pouco o seu constrangimento. A matriarca da família enrugou a testa, ela não estava esperando a visita de ninguém. Então quem poderia ser?
— Ah, deve ser o meu irmão! – Sango anunciou. – Miroku anda ocupado e eu disse á Kohaku que viria aqui!
Sesshoumaru ficou com a estrutura de seu corpo tensa. Seu maxilar ficou trincado e os olhos se estreitaram. Porque diabos aquele moleque estava aqui? Se não bastasse a presença do garoto, sua vizinha também havia lhe visitado. Não que a presença de Rin o incomodasse, pelo contrario. Mas não havia se esquecido da maneira como aquele fedelho encarava a sua vizinha de janela. Aquilo o irritava e Sesshoumaru tinha consciência do porque, já havia se dado conta de que Rin o atraia e aquilo o deixava de mãos atadas. Ele nunca se misturou, sempre desprezou seres inferiores como os humanos com todas as suas forças, mas Rin havia sido a única que despertara esse interesse até então oculto.
— Parece que é ele mesmo! – Izayoi constatou pela câmera do interfone.
Caminhando para fora da cozinha, a matriarca já estava pronta para recebê-lo, mas Sango a interveio antes que pudesse dar mais um passo.
— Não se incomode, eu abro o portão! – Passou pela matriarca sem escutar os protestos da mesma e se encaminhou para fora da casa.
Silenciosamente, Sesshoumaru acomodou-se na cadeira vaga ao seu lado e a Rin ficou tensa com a aproximação repentina. Entre tantas cadeiras vazias o youkai escolhera justamente a cadeira ao seu lado? Izayoi voltou para a cozinha e sua testa se enrugou novamente quando o viu sentado junto aos outros.
— Então decidiu comer um pedaço? – Concluiu enquanto sorria.
Como de costume, Sesshoumaru não a respondeu e tampouco demonstrou qualquer expressão. Mais que depressa, Izayoi passou a cortar o restante de bolo a fim de servir seu enteado e o novo visitante que acabara de chegar. O barulho da porta da sala foi ouvido, dando a certeza de que Sango havia retornado com seu irmão em seu encalço. Antes de se dirigir para a porta da cozinha, Izayoi depositou á frente de Sesshoumaru um dos pedaços que cortara e ele não fizera questão de apreciar o que acabara de lhe ser servido.
Pelo canto dos olhos Rin o viu torcer o nariz como se algum cheiro o incomodasse e por um momento achou que o causador do mau odor era ela mesma, já que se encontrava sentada ao lado do youkai. Discretamente cheirou uma mecha de seu cabelo e arqueou as sobrancelhas confusa, seus longos cabelos ainda estavam impregnados com o cheiro de seu shampoo. Então o que realmente estava incomodando seu vizinho de janela?
— Olá querido! – Izayoi recepcionou o irmão de Sango com um abraço caloroso.
Os músculos fortes de Sesshoumaru ficaram rígidos, Rin parecia ser a única a notar o seu desconforto. E foi então que acabara ligando as coisas, seu vizinho passara a agir estranho no momento em que Sango anunciou a chegada de Kohaku. O que a fazia pensar de que talvez Sesshoumaru não gostasse do garoto. Mas por qual motivo o detestava tanto? Se fosse compará-los, o pobre humano não teria chances alguma contra Sesshoumaru que apresentava um porte físico assustador. Se Kohaku prezava por sua própria vida, jamais se atreveria em confrontar Sesshoumaru. Alem do mas, ele não parecia o tipo de pessoa que gostava de intrigas e mesmo se apreciasse, Sesshoumaru certamente seria a ultima pessoa no mundo que Kohaku o teria como seu rival.
O mais novo envolveu Izayoi com seus braços, e assim que a cumprimentou dirigiu a atenção para o restante dos presentes. Com um aceno de mão, os saudou educadamente. Seus olhos castanhos se voltaram para a pequena sentada sobre a mesa e um sorriso lhe brincou nos lábios quando a reconheceu.
Rin endireitou-se na cadeira e lhe retribuiu o sorriso da forma mais educada que conseguira. Desde que o conhecera notara certo interesse por parte do irmão de Sango, e se já não bastasse às investidas de Sesshoumaru, indiretamente Kohaku também resolvera cortejá-la. Rin não era tonta, era evidente a forma como ele a encarava a todo o momento.
Sem rodeios Izayoi o fez se sentar junto à mesa e como de costume passou a lhe servir, mesmo com os protestos de Kohaku dizendo que havia acabado de comer e que já estava satisfeito. Com a insistência da matriarca, ele não tivera como recusar.
— Se não fosse você eu teria que voltar andando para a casa! – Sango bagunçou os cabelos do irmão mais novo e ele lhe repreendeu com o olhar. – Miroku me deixou na mão, mais uma vez.
O mais novo concordou. Não era segredo para ninguém de que ele não aprovava o relacionamento da irmã. Sango merecia alguém melhor, que a respeitasse como se deveria e que fosse mais responsável.
Com os olhos estreitos, Sesshoumaru não os desviava da figura pequena que acabara de se juntar a mesa. Kohaku notou o olhar gélido e não entendeu o porquê de Sesshoumaru o fitar de maneira mais fria que a habitual. Ele levou o garfo até os lábios e sorriu de lado, não se sentia derrotado por ter sido vencido pela insistência de Izayoi, caso contrário não conseguiria degustar o pedaço de bolo que lhe derretia em contato com a língua.
Voltou a encarar a pequena do outro lado da mesa e não pôde deixar de matar sua curiosidade:
— Rin foi junto com vocês? – A pequena estranhou a repentina pergunta, o interesse em saber sobre o assunto esta bem ali, em seu tom de voz.
— Não, nós nos encontramos por acaso. – Kagome o respondeu. – Jakotsu e Ayame também estavam lá!
Inuyasha torceu o nariz no exato momento em que escutou o nome do outro. Apenas o pensamento de o ver em sua frente já o causava náuseas. Jakotsu havia dito que Inuyasha não o suportava e vendo sua reação diante da menção de seu nome, realmente percebeu que ele dizia a verdade.
— Mas afinal de costas, terminaram ou não de fazer essa bendita lista? – Inuyasha suspirou, aparentemente cansado.
Ele não culpava Kagome por estar tão empolgada com os preparativos do casamento, mas ela o estava deixando louco. Tudo o que falava era apenas desse bendito casamento e das possíveis ideias de decoração. E para melhorar o seu bom humor, sua mãe também ia ao mesmo embalo, tão empolgada quanto à noiva.
— Falta pouco! – Kagome o tranquilizou. – Você conhece o Jakotsu, sabe que ele não deixaria de ajudar com os preparativos do casamento.
— Ah sim, e como o conheço! – Inuyasha revirou os olhos. – Só espero que ele não faça nada que me provoque.
Kagome segurou o riso. Inuyasha vivia em pé de guerra com o amigo, mas se esforçava o máximo para aturar as provocações de Jakotsu. Passou uma das mãos sobre seus ombros fortes e o acalmou, fazendo quebrar de imediato a carranca fechada.
O toque alto do celular de Sango chamou a atenção de todos á mesa, a Taijiya se levantou da cadeira preparada para constatar se era o namorado que a chamava, e só foi constatar o contrario quando retirou o aparelho do bolso da calça e descobriu quem era o remetente da mensagem. Voltou a se acomodar na cadeira e sorriu levemente enquanto passava os olhos pelo visor do celular.
— E falando em Jakotsu, ele não morre mais! – Anunciou ela. — Acabou de me mandar uma mensagem dizendo que já deixou à ruiva na casa dela. – Sango fez aspas com os dedos, indicando que falava de Ayame. – E para não nos esquecermos de arrastar a Rin para a nossa próxima ida ao shopping!
Rin engoliu em seco, estava chocada. Não esperava realmente que Jakotsu fosse querer tanto assim sua presença, até pensou que ele em breve esqueceria sobre o assunto e que sua vida voltaria ao normal. Erro seu! Deus, como recusaria tal convite? Convite este que não parecia ser exatamente como um, apenas pelo fato de que a arrastariam. O que a fazia pensar de que não conseguiria fugir tão cedo.
Mas... Mentir era uma forma de se safar, não é mesmo? E de mentiras, Rin já estava acostumada.
— Sinto muito! – Ela negou. — Eu realmente gostaria de ir, mas em breve voltarei para a capital.
Aquilo não era exatamente nenhuma mentira! Rin estava naquele lugar por tempo indeterminado, só não sabia por quanto. Mas isso era algo que ninguém precisava saber, não é mesmo? O fato de que logo voltaria para a sua família, lhe caíra como uma luva. Como uma desculpa perfeita para não se aproximar mais do que o necessário, a atenção de todos voltaram para si, os sorrisos se esvaiam aos poucos dando lugar a expressões surpresas e ao mesmo tempo chocadas com sua nova revelação.
— Mas... Mal chegou e já está de partida? – Izayoi foi a primeira a questioná-la.
Não sabia como definir a maneira como era encarada. Todos pareciam surpresos demais, até mesmo Kohaku a encarava de maneira triste como se estivesse realmente decepcionado com a notícia. A impressão que tivera fora que ele enfim desistira dos constantes flertes, até porque Rin se mudaria não é mesmo? Então não haveria motivos para continuar com tamanha investida de sua parte.
Temia se aproximar demais das pessoas, então que deixasse bem claro desde o começo que voltaria a viver sua vida e que provavelmente não conviveria mais com toda aquela harmonia e carinho que sua vizinha e amigos lhes transmitiam.
— Desde o começo, me mudei pensando em ficar por pouco tempo. Aqui é apenas provisório! – Ela confessou. – Um dia terei que voltar para a capital.
Izayoi piscou os olhos angustiada, provavelmente tentando afastar alguma lagrima teimosa. Ela balançou a cabeça, em concordância. Izayoi a entendia perfeitamente, Rin deveria ter os seus motivos por mais que não os quisesse dizer.
— É uma pena, pensei que ficaria conosco por mais algum tempo. – Sorriu fracamente, tentando a todo custo esconder a tristeza na voz, e principalmente no olhar.
A pequena lhe sorriu. Izayoi era maravilhosa, admirava sua vizinha como ninguém. O pensamento de que não mais a veria quando voltasse a sua rotina a deixava triste, por mais que não quisesse admitir, Izayoi havia se tornado como sua segunda mãe. Era alguém demasiadamente especial para mantê-la afastada, e Rin sofria por tomar tal decisão.
Pelo canto dos olhos Sesshoumaru a encarava intrigado. Quanto mais convivia com sua vizinha de janela, mais a pequena se tornava misteriosa aos seus olhos. E o fato de Rin se manter afastada o intrigava a cada instante. Sesshoumaru ansiava desvendar seus segredos, sentia que ela escondia algo e por mais que investisse Rin sempre conseguia fugir quando era pressionada.
Era incrivelmente estranho o fato de se mudar mais uma vez. Ela mal havia acabado de chegar e por mais que tivesse revelado que sua estadia naquele lugar era apenas provisória, ele não pôde deixar de se questionar o porquê de querer partir. Assim como também não conseguia parar de pensar no porque que a fez se mudar para uma cidade tão longe de casa.
Porque raios queria se isolar? Aquilo estava se transformando em um tormento em sua vida, Sesshoumaru Taishou precisava desvendar seu mistério e quanto mais à pequena relutava em lhe contar, mais ele ansiava em descobrir. Rin era uma incógnita! E mesmo contra sua vontade, ele a desvendaria.
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