Louca Obsessão
1 Capitulo 1 - A Festa
Jane....Ah Jane...como podemos chegar a esse ponto? Quando a conheci ela era a garota mais bela da escola, ainda me lembro como se fosse ontem da primeira vez que a vi andando pelos corredores do ginásio, a luz do sol de fim de tarde batia em seus cabelos, seu sorriso esquentava corações, eu estava parado feito um bobo olhando para você, é claro que ela ia perceber, qualquer um podia me ver hipnotizado por ela, ela então sorriu pra mim, deu uma piscada e entrou na sala de aula. Em pouco tempo éramos amigos, e depois namorados, vivemos um namoro perfeito, quase sem brigas apesar de as vezes ela ficar muito irritada quando estava perto de outras mulheres. Eu...eu devia ter percebido isso naquela época, talvez eu tivesse percebido mas não quis acreditar, talvez tivesse achado que era paranóia minha, se tivesse ouvido minha intuição sobre o seu comportamento possessivo talvez eu poderia ter impedido tudo isso.
Mas eu não percebi...os anos passaram, nos casamos e por um tempo vivemos na santa paz, tivemos nossa pequena princesinha Nell e juntos éramos a família perfeita. E então fui promovido a chefe da seção de cotidiano do jornal da cidade, parecia que a sorte sempre estava ao meu lado em todos os momentos, foi quando começou tudo de novo, a paranóia, a obsessão, o controle de aonde eu ia e com quem. De inicio pensei novamente que não passava de imaginação minha ou exagero, mais uma vez não consegui perceber o que estava bem em minha frente. Porque Jane ??? Porque ??? Eu nunca tive olhos para outra mulher que não fosse você, e mesmo assim sua desconfiança em mim só aumentava a cada dia que passava, a cada dia mais perguntas, mais berros, mais ciúmes, chegando ao ponto de você cheirar minha camisa e procurar por marcas de batom nela ou em mim. Apesar de tudo isso, eu não conseguia largar você, apesar de toda a desconfiança eu ainda era hipnotizado por você.
Até ontem. Afinal, o que diabos deu nela você ontem??? Ontem sua luz por alguns minutos virou trevas, trevas que eu sabia que existiam dentro de dela, mas negava a aceitar. Talvez se eu tivesse conversado sério com você sobre isso, talvez ela teria percebido que não estava bem, que precisava de ajuda, talvez até topasse uma visita ao meu querido tio Stephen que é psiquiatra. Talvez...talvez...talvez... Ficar divagando sobre o que poderia ter sido não vai mudar o que aconteceu na festa do senhor Sr.Nelson, tudo o que você fez e disse e o pior na frente de nossa filha que graças a Deus ainda é um bebe não entendeu nada do que você disse, mas mesmo assim até ela ficou assustada e chorou, sua própria filha estava com medo de você e você não percebeu. As coisas que você disse ainda ecoam pela minha cabeça, o olhar de todos ao redor, o choro e o medo de nossa pequenina Nell.
- Dick Spohr! Afaste-se dessa mulher agora! Você acha que eu não vi é ??? — Berra Jane
- Jane...querida, o que... – Diz Dick antes de ser interrompidos aos berros por Jane.
- O QUE? O QUE? Você acha mesmo que eu não percebia como essa piranha olhava para você durante a festa toda!?!? E não se faça de ingênuo porque você percebeu, eu sei que percebeu! Vi você olhar de relance para ela quase o tempo todo nessa merda de festa. – Vocifera Jane enquanto agarra com toda a força que tem seu marido pelo braço.
- Pessoal...por favor, me desculpem! Querida...Jane...por favor se acalme, esta assustando a Ne.. – Diz Dick ainda desnorteado com o comportamento de sua esposa.
- CALA BOCA! CALA A MERDA DA SUA BOCA CARALHO! Você acha que eu sou uma burra é??? Uma idiota igual as garotinhas que você pegava e largava na escola? A semanas eu venho percebendo como vê anda diferente, que sempre chega mais tarde do emprego e nem me avisa antes, até mesmo diversas chamadas e mensagens no seu celular dessa piranha, mas hoje foi a gota dagua Acha mesmo que eu sou burra e cega¿ Essa piranhazinha do seu trabalho se atirando toda pra cima de você a festa inteira, na minha frente, na frente de nossa filha e de todo mundo?
- Sra. Spohr tenho certeza que há algum engano ou mal entendido eu não... – tenta dizer Lana antes de levar um forte tapa na cara e cair com força no chão. Jane então agarra o cabelo de Lana com força e na frente de todos berra em seus ouvidos.
Totalmente histérica Jane grita e diz — CALADA SUA PIRANHA DE MERDA!!! Se der mais um piu eu juro que arranco sua língua com as mãos! Você também acha que eu sou cega é¿¿ A quanto tempo o meu marido esta me traindo com você hã? HEIN??? DIZ SUA VAGABUNDA DE MERDA!! Acha que só porque é rica e filha do dono do jornal pode sair pegando o marido das outras é ? Na verdade....agora tudo faz sentido! Isso explica como o MEU marido conseguiu se tornar chefe de seção tão rápido nesse jornaleco. O chegar tarde...as mensagens...o leve perfume que eu sentia sempre que Dick chegava em casa e depois essa promoção. Mas você vai me pagar...a se vai..eu juro pela minha santa mãe que. E todos vocês...todos vocês sabiam não é ? Aposto que por trás dessa suas caras de espanto estão todos dando risada de mim não é ?
- Jane...Jane...JANE!!! – Grita Dick enquanto da um tapa no rosto de sua mulher que o olha com um misto de raiva, ódio e arrependimento. Jane estava muda...Dick nunca havia sequer levantado a voz contra ela e muito menos dado um tapa nela. Mas agora ele o fez...e ela não sabia como reagir.
- Jane...por favor para com isso, estão assustando a todos, está até mesmo assunto nossa filhinha, ela não para de chorar, olha para a cara de assustada dela. Não percebe que está descontrolada¿ Venha...vamos pra casa, lá conversamos melhor e com mais calma.
- Sr e Sra. Nelson, Lana, pessoal...pessoa mil perdões. Minha esposa...ela...ela...bom...nós vamos pra casa. Me desculpem se eu estraguei a bela festa.
Dick se aproxima da Sra. Nelson que estava com a pequena Nell em seu colo que chorava sem parar.
- Dick...se...se quiser podemos cuidar da pequena Nell, ela é uma princesinha...se quiser ela pode passar a noite aqui enquanto...enquanto...você conversa e acalma sua esposa. Me desculpe dizer isso mas...mas...vai que ela... – Disse a Sra. Nelson meio envergonha, olhado com dó e pena para a pequena Nell que soluçava em seus braços.
- Muito obrigada Sra. Nelson. Você sempre foi muito gentil, mas não precisa. Por mais que a Jane tenha passado dos limites, eu sei que ela ama a Nell tanto quanto eu e sei que ela nunca faria mal a um fio de cabelo dela. – Diz Dick enquanto pega Nell no colo.
- Bom...ok...Se você diz. Mas...mas...se precisar não hesite em nos ligar.
- Não vou precisar. – Diz Dick com um sorriso triste.
Saímos da festa e fomos os três para casa. Jane permaneceu muda o caminho inteiro, até me senti mal por ter dado um tapa nela, nunca a vi nesse estado. Chegando em casa consegui acalmar a pequena Nell e a por pra dormir. Conversei com Jane que ainda estava muito estranha, por incrível que pareça em casa não houve briga, não houve gritos, ela me ouvi o tempo inteiro, disse como estava decepcionado com ela, e como aquilo foi uma tremenda falta de respeito com nossos amigos, contei o que estava engasgado a meses em minha garganta sobre sua louca obsessão por mim, que ela deveria procurar um especialista e pra minha surpresa ela concordou, nos abraçamos e pedimos desculpas um pro outro e fomos dormir. Deus queira que isso nunca mais se repita, que eu nuca mais veja o horror na face dos outros como vi ontem e principalmente que eu nunca mais veja o horror e o medo na face de minha própria filha para com sua mãe.
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