Louca Obsessão
2 Capitulo 2 - O Divorcio
Jane....Jane...parece que ela nunca vai mudar não é mesmo?? Já se passaram nove meses desde seu primeiro surto, eu pensei que aquele seria o primeiro...e o ultimo, mas ah meu bom Deus, como eu estava enganado aquele foi só o primeiro de muitos que se seguiram. Eu não queria que tudo isso tivesse tomado o rumo que tomou, juro que não, mas talvez seja o destino. Minhas brigas com Jane continuaram, e foram se tornando cada vez mais freqüentes, mesmo com o tratamento com um psiquiatra, com os remédios, ela continuava desconfiando de mim e de qualquer mulher que chegasse perto de mim, eu dava graças a Deus que ela pelo menos nunca mais teve um surto como teve na festa dos Nelson, mas ela continuava sempre brigando comigo quando chegava em casa, as vezes até mesmo na frente de nossa pobre filhinha que nada tinha haver com isso, e eu não pude mais agüentar, não só por mim mas principalmente por casa da pequena Nell que desde o dia da festa não fora mais a mesma, qualquer cara feita ou tom de voz mais alto de Jane a assustava e a fazia chorar.
Um dia logo após uma briga feia entre nós, uma briga na qual ela quebrou quase tudo em nosso quarto a ponto dos vizinhos chamarem a policia e ameaçou sumir no mundo com nossa filhinha eu percebi que não dava mais para continuar assim, não dava mais para agüentar isso. Pelo bem da pequena Nell e também de mim mesmo, decidi me divorciar, é claro que não contei pra ela de imediato. No dia seguinte, enquanto ela foi rapidamente em um mercadinho perto de casa fiz rapidamente as minhas malas e as da Nell, escrevi pra ela um recado e deixei pendurado na geladeira, dizendo pra ela a minha decisão, é claro que não fui burro de contar pra onde íamos, apenas disse que passaria em casa mais tarde para conversar melhor com ela.
Pois bem, deixei a pequena Nell na casa de um casal de amigos e fui conversar com Jane, mal imaginava eu o cenário que ia encontrar ao chegar em casa, parecia que tinha passado um tornado por nossa cozinha, mesa virada, cadeiras jogadas pelos cantos, janela e pratos todos quebrados, nem a geladeira foi poupada estava caída no chão.
– Jane...Jane você esta ai ?? Meu Deus!! Oque ouve?? — Diz Dick meio apreensivo enquanto sobe as escadas e vai em direção ao quarto. No quarto mais um cenário digno de filmes de catástrofe, gavetas jogadas em todos os cantos, a porta do armário escancarada, todas as roupas que tinha deixado para trás pra pegar depois espalhadas pelo quarto totalmente rasgadas e destruídas, a janela quebrada. Foi quando eu ouvi uma voz vinda do andar de baixo, no inicio fiquei apreensivo pensando que era Jane mas então percebi que era a voz de outra pessoa, desci imediatamente as escadas e dei de cara com o jovem John, filho do vizinho que me deixou a par do que havia ocorrido.
– Senhor Spohr!! Que bom velo. Estava procurando pelo senhor, tentei falar com o senhor a manhã inteira mas não consegui encontra-lo em lugar algum, se a policia não a tivesse levado eu poderia até mesmo ter pensando o pior. – Diz John.
– Espere...como assim a policia não tivesse a levado!?!? Levado a Jane você quer dizer!? Então tudo isso...
– Exatamente Sr. Spohr! Eu estava polindo a minha moto quando vi tudo oque aconteceu, sua mulher surtou novamente. Ela estava normal um minuto antes, até me comprimentou quando passou por mim, mas alguns minutos após ela ter entrado aqui ela literalmente pirou. Começou a gritar como louca. Corri para cá, porque pensei que poderia ser algum bandido, mas era ela! Ela estava quebrando e jogando tudo pelo chão, tentei falar com ela mas ela literalmente pegou uma cadeira e tacou pela janela em cima de mim! Sorte que consegui me desviar, logo todos os vizinhos estavam na rua tentando entender oque estava acontecendo.
– E então você chamou a policia?
– Não...não! È Claro que não. Eu..eu não sabia oque fazer, alguém deve ter ligado depois de um tempo, sua mulher não parava de destruir as coisas dentro de sua casa e a gritar.
– Não precisa se desculpar garoto, acho que nem eu saberia oque fazer se tivesse presenciado isso. Meu Deus! Oque eu fiz... ela poderia ter lhe ferido ou ferido outra pessoa, nem pensei que isso poderia ter acontecido, nunca imaginei que ela fosse capaz de surtar desse jeito. Mas como você ia dizendo...os policiais chegaram e levaram minha mulher é isso?
– Bem...sim. Não exatamente por livre e espontânea vontade por parte dela, ela estava gritando e batendo nos policiais sem parar, parecia até que ela estava possuída, gritando coisas sem nexo como você ter a deixado com uma outra mulher, que iria matar os dois e sumir com a sua filha, que os policiais estavam macumunados com o senhor.
– Deus! Ela chegou a esse nível? John, você sabe me dizer pra que delegacia a levaram¿
– È...se não me engano o policial disse que a levaria para a delegacia do centro e me pediu para tentar contactar o senhor imediatamente se possível.
– Certo. Obrigado pelas informações John. Irei para lá agora mesmo, e... me desculpe por você ter presenciado isso.
– Não precisa se preocupar Sr. Spohr, eu espero que tudo termine bem. E cadê a Nell?? Eu fiquei tremendamente preocupado que ela poderia fazer algo para ela quando ela surtou, mas então os policiais saíram daqui só com a Jane e imaginei que ela estava com o senhor.
– Obrigado pela preocupação John. A Nell esta na casa de uns amigos meus. Tome...esse é o endereço e telefone pra caso precise entrar em contato comigo, vou ficar lá por uns dias. Bom...vou indo nessa, direto a delegacia. Mais uma vez obrigado John.
– De nada Sr.Spohr. E boa sorte.
– È...acho que vou precisar de muita sorte. – Diz Dick com uma cara triste.
Fui então direto para a delegacia, onde conversei com o policial e expliquei tudo que estava acontecendo. O policial ficou espantado, nunca em seu mais de 40 anos de carreira tinha vsto algo parecido e resolveu me ajudar, ele era amigo do principal juiz da cidade e iria pedir uma ordem de restrição para que Jane não chegasse mais perto de mim ou de nossa filha enquanto correia o processo de divorcio que eu tinha em mente. Enquanto o papel da restrição não chegava ele me permitiu ir conversar com minha Jane que estava em uma sala de detenção.
Eu imaginava que ela deveria estar um trapo talvez ou no mínimo morrendo de raiva de mim. Mas oque eu vi foi alem disso, oque eu vi ao adentrar a pequena sala não era mais aquela bela mulher que um dia me apaixonei e sim um monstro, um monstro cheio de ódio, com marcas luta nos braços e cabelo todo desarrumado devido a resistência aos policiais. Assim que ela me viu, ela tentou se levantar para possivelmente me agarrar pelo pescoço, sorte a minha que ela estava algemada a mesa.
– VOCE!! Como ousa vir aqui depois de tudo?? Veio rir de minha cara é?? Se eu não estivesse presa a essa merda de cadeira eu juro que eu matava você seu cafajeste! E mato também aquela puta. – Diz Jane cheia de raiva na voz e principalmente no olhar.
– Não Jane...ei sei que você nunca faria isso. Apesar de tudo, apesar dos surtos, das agreções, eu sei que você me ama e que não seria capaz de fazer mal algum a mim realmente. Eu...tambem te amo muito, mas...mas não da pra continuar assim. Eu sinto muito mas, eu vou me separar de você, eu tentei cotinuar e sei que você também tentou, mas esse seu amor é vez..doentio, é loucura e você deve se tratar. Talvez...talvez...algum dia, quando você estiver curada disso, quando você estiver melhor, talvez possamos ter outra chance juntos, mas não hoje, não agora. Jane....eu tenho uma ordem de restrição, enquanto o processo de separação ocorrer e enquanto você não melhorar, você não poderá chegar perto de mim ou perto de nossa própria filha, isso é...me desculpe...mas isso é pro seu próprio bem e pro bem da Nell, não posso arriscar que tenha outro surto desse perto dela.Espero que entenda...me...me desculpe. Adeus.
Levanto da cadeira e vou em direção a porta da sala quando Jane chama meu nome e diz:
– Não....não vá Dick!! Eu...Eu prometo mudar!! Não vou mais surtar eu prometo, não vou mais brigar Dick, não vou mais te perseguir, por favor Dick! EU TE AMO!! Não me deixei! – Diz Jane desesperada e tentando se soltar das algemas.
Olho uma ultima vez pra Jane e com um profundo aperto no coração digo:
– Eu sinto muito. – Saio quase chorando da sala e ainda podendo ouvir os gritos dela abafados pela porta fechada, dizendo que me ama. Fico esperando na sala de espera da delegacia até o o xerife que me atendeu aparecer com a ordem de restrição.
– Aqui esta! Espero que de tudo certo, é tão triste ver uma moça tão bonita tendo um surto desses, espero que você consiga superar isso e que ela consiga se livrar dessa doença, porque...Sinto muito Sr. Spohr mas isso é uma doença. – Diz o Xerife enquanto me entrega a papelada.
– É...eu também.
– O senhor não vai dar queixa¿¿ O senhor esta no seu direito, e sinceramente depois doque houve eu acho que...
– Não. Não vou, apesar de tudo acho que ela não seria capaz de realmente fazer algum mal a mim, muito menos a Nell, de qualquer forma tenho ordem de restrição que espero eu e creio não vou precisar usar. O amor doentio e obsessivo dela nunca faria tal coisa, suas palavras de ódio são apenas isso...palavras.
– Bom...se é assim. Dentro de algumas horas devemos solta-la depois de ela preencher umas papeladas. De qualquer forma, se você vir algo suspeito, se ela fizer qualquer coisa não hesitei em nos ligar.
– Deus queira que não xerife! Deus queira que não!
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