Louca Obsessão
19 Circunstâncias
Notas iniciais
~❈~
19. Circunstâncias
~❈~
Relaxada, era exatamente dessa forma que Rin se encontrava. A pequena estava tão relaxada que ninguém ousaria dizer que a mesma havia sofrido uma perseguição momentos atrás. O causador de sua calmaria possuía nome, Sesshoumaru Taishou. No entanto, o que realmente a fizera relaxar foram suas palavras que a pegara completamente desprevenida. A pequena Rin não acreditava na enorme reviravolta que sua vida lhe dera, as palavras que saíram da boca de Sesshoumaru não pareciam querer lhe abandonar a mente e por um momento ela pensou estar com algum tipo de expressão abobada em sua face. Havia escutado perfeitamente quando ele deixara claro que Rin era sua mulher! Sesshoumaru a via como uma companheira, e o pensamento de que era demasiadamente importante para ele a fazia encher seu coração de satisfação.
Sentiu a maciez do colchão e principalmente a maciez do corpo de Sesshoumaru contra o seu. Com a cabeça apoiada sobre seu peitoral ela sentia sua respiração calma, com os braços ela o envolvia e com as mãos sentia toda a extensão de seus músculos rígidos. Remexeu-se devagar, encontrando a melhor posição para acomodar sua cabeça. O movimento chamou a atenção do youkai o obrigando a fixar os olhos no rosto sereno de Rin. Sob o queixo, Rin acomodou uma de suas mãos usando-a como apoio sustentando o rosto para admirar toda a sua majestosa beleza.
— Sente fome? – A pergunta saiu casualmente.
Ela curvou os lábios em um sorriso. Já fazia horas desde a última refeição que fizera, mas Rin não sentia fome.
— Não, eu me sinto completamente satisfeita.— Provocou-lhe. – Por quê? Pretende me levar para jantar? – Aumentou o sorriso na medida em que se tornava cada vez mais ousada.
— Se é o que deseja, então assim o farei.
— Estou satisfeita, obrigada. – Piscou os olhos diversas vezes, lhe jogando charme.
— E qual seria o significado de sua satisfação?— Estreitou levemente os olhos âmbares, interessado por sua resposta.
Sesshoumaru estava divertindo-se com a ousadia de sua menina. Viu-a abrir e fechar os rosados lábios, atrapalhando-se com sua resposta. Mas então revelou:
— Pensei que fosse obvio! – Escondeu o rosto em seu peitoral, voltando a acomodar-se sobre o corpo de seu youkai.
Aquilo o encantava. Sua Rin era sensual como o inferno ao mesmo tempo em que esbanjava inocência. Era uma mistura diferente, que a fazia se tornar uma pessoa única. Mas que raios, era claro que sua Rin era única! Jamais conhecera outra humana que o envolvera com a tamanha intensidade com que sua Rin o envolvia. Jamais se sentira tão interessado por alguém como ela o fazia sentir. E antes que se desse conta, Sesshoumaru se pegou contemplando-a enquanto sua pequenina humana escondia o rubor de suas bochechas.
— Se pretende realmente me lavar para jantar, em que restaurante nós iremos? O restaurante do Senhor Myouga como da ultima vez? – mudou de assunto, voltando a apoiar o rosto sobre a delicada mão.
— Por mais que este Sesshoumaru queira alimentá-la, o sensato é continuar nos domínios de minha residência.
E lá se fora a calmaria que os rodeava. Com um grunhido entalado em sua garganta, Sesshoumaru evidenciava perigo. Era incrível o quanto a menção na existência do outro conseguia tirar o sossego que sentiam. Sim, ele tinha razão. Sesshoumaru sempre tinha razão! O sorriso morreu no instante em que pensou que talvez um jantar pudesse não ser uma boa ideia. Havia acabado de sofrer uma perseguição e mal sabia quem era a maldita pessoa que a seguia. Sair para um jantar após o ocorrido era o mesmo que cometer suicídio.
— Até quando teremos que viver assim? – ela se sentou sobre a cama ignorando o fato de estar nua.
Rin não mais se sentia tímida diante dos olhares voluptuosos que Sesshoumaru lhe lançava na maioria das vezes. Havia se acostumado com isso e com os momentos íntimos que se tornavam cada vez mais constantes.
— Enquanto as coisas não se suavizarem, você irá permanecer aqui! – Ordenou ele.
Escutar que Sesshoumaru a queria ao seu lado fez seu cenho franzido se suavizar e os lábios se curvarem em um meio sorriso.
— O que está querendo insinuar com isso? – Fingiu-se de desentendida. – Por um acaso está me pedindo para morar em definitivo com você?
— Aprecio sua esperteza, Rin! – Sesshoumaru agarrou-lhe a lateral de suas coxas e com um movimento puxou-a para perto de si.
Devorou-lhe os lábios de maneira faminta ansiando por seu gosto adocicado, mas no momento seguinte ele rosnou em seus lábios em sinal de aviso por Rin ter se afastado de sua boca. Interrompeu seu toque afastando-se devagar para encarar expressão do outro e ter certeza de que ele falava realmente sério.
— Está falando sério? – Ergueu uma sobrancelha, não acreditando no que ouvia. – Você sabe que estou aqui apenas por pouco tempo e eu sou grata por tudo o que tem feito!
— Está duvidando de minha palavra doce Rin?
Viu-o estreitar levemente os orbes, esperando por sua negação. A pequena revirou os olhos e respondeu o que já estava nítido:
— Não, é claro que não estou! Fiquei apenas surpresa, só isso. – Afirmou ela.
— Não sabemos com quem estamos lidando, portando você fica! – E outra ordem escapava dos lábios bem desenhados de seu youkai.
Concordou apenas com um aceno de cabeça. Negar-lhe uma ordem como aquela lhe causaria problemas, sabia disso. Além do mais, morando com Sesshoumaru permaneceria mais tempo ao seu lado, então que mal faria isso? Aceitou a oferta de prontidão e ele pareceu aprovar sua submissão.
— Saber, nós sabemos! Suikotsu está por trás disso, apenas não contávamos com uma segunda pessoa nesse caso. – Colocou uma mão sobre o queixo, pensativa. – Diga-me Sesshy, o que faremos para descobrir quem é essa pessoa?
— Possuímos poucos indícios, este Sesshoumaru precisa de mais informações.
— E como vamos conseguir mais informações? Por meio de Toutousai? – Arriscou ela
Ele negou sua pergunta com um meneio rápido de cabeça. Rin não compreendia o que se passava por sua mente. O que diabos Sesshoumaru queria dizer com aquilo? Precisam de mais informações então o meio mais rápido de adquiri-las seria por Toutousai, certo? Porque então ele negava? O que de fato estava matutando em sua cabeça?
— Se vai recusar o trabalho de Toutousai, como pretende conseguir mais indícios? – Sem conter sua curiosidade, ela o questionou.
— Devemos esperar o próximo passo que darão. – Respondeu, calmamente.
Engoliu em seco. Havia escutado certo? Sesshoumaru estava lhe propondo um ato suicida? Só esperava que isso não a envolvesse em uma nova perseguição.
— E quando eu acho que terei paz, uma nova bomba explode.— Sussurrou para si mesma.
No momento seguinte em que libertara seus pensamentos altos por seus lábios, Rin o viu se endireitar passando a se manter sentado sobre a cama de casal. Viu-o se aproximar e mordeu os lábios com expectativa diante de seu novo movimento.
— É justamente por este motivo que desejo que fique em meus domínios.
Estremeceu com a tamanha intensidade daqueles olhos âmbares que tanto amava, a pequena estava começando a ansiar que Sesshoumaru lhe tomasse a boca com violência.
— E onde pretende me deixar ficar? – balbuciou, o olhar preso em seus lábios á centímetros de distancia dos seus.
— Pensei que fosse mais esperta, Rin. Traga todos os seus pertences para o nosso aposento.— Sentiu a ênfase nas palavras de Sesshoumaru. Ele sussurrou contra sua boca e ela arfou com a lufada de ar quente que se chocou contra seus lábios umedecidos.
— Você sabe que estou aceitando isso apenas pelas circunstâncias, não é mesmo? – Com a voz tremula, lutou para falar.
— Nesse caso, eu aprecio as circunstâncias.— Umedeceu a boca com a ponta da língua e Rin suspirou com a visão.
Esfregou-lhe o nariz cumprido contra o seu e Rin foi obrigada a fechar os olhos e sentir as sensações que apenas ele conseguia lhe proporcionar. Soltou o ar pela boca e os manteve entre abertos, ansiando por sentir seu sabor em sua boca. Aquela provocação durou segundos, no outro instante ele lhe devorava os lábios enquanto suas mãos trabalhavam em seu curvilíneo corpo. Os fartos seios que a mais nova possuía foram rapidamente agarrados pelas hábeis mãos de Sesshoumaru. Um gemido lhe escapou dos lábios mediante a tortura que aquele homem fazia com seu mamilo enrijecido.
Oh céus, sua sanidade estava perdida. Era impossível tentar mantê-la quando se tinha alguém insaciável como Sesshoumaru Taishou em sua cama.
Agarrou-lhe os sedosos cabelos platinados enquanto o permitia mordiscar seu lábio inferior com seus caninos. Deixou-se ser guiada por sua ávida língua que invadia o interior de sua boca e saboreava-lhe cada pequeno canto obscuro. Soltou um suspiro no momento em que Sesshoumaru interrompeu o beijo e deslizou sua boca por seu pescoço.
— Seu cheiro me fascina, maldita feiticeira. – Ronronou na curvatura de seu ombro.
Ofegante, com a palma de suas mãos pousadas sobre o peitoral musculoso ela podia sentir a definição de seus músculos. Estava mais uma vez, completamente entregue.
— Feiticeira?— Soltou uma risada baixa, achando graça do jeito de seu youkai.
Seu novo apelido começava a refrescar sua mente, se lembrava claramente dele ter dito algo parecido com isso, apenas não entendia o que a fazia se parecer com algum tipo de bruxa.
— Me enfeitiçaste, como uma maldita feiticeira.— Roçou os dentes por sua pele sensível do pescoço e o encaminhou para o lóbulo de sua orelha.
Cheirou-a e mordeu-a, até se sentir satisfeito. Sua Rin lhe pertencia e mataria o maldito que lhe dissesse o contrário. Quando estava prestes a lhe tomar os lábios novamente, algo o impediu. Ao fundo, a sonora campainha da casa soou e Rin franziu o cenho estranhando a repentina visita pelo horário tardio.
— Visita? – Intensificou seu franzir de sobrancelhas. – Há essa hora?
— Provavelmente deva ser algum amigo do bastardo de meu meio-irmão, apenas ignore. – Afundou-lhe a mão por entre os fios escuros de sua nuca e com um movimento, Sesshoumaru a trouxe de volta para seus braços.
Voltou a lhe capturar a boca, beijando-a com sofreguidão. E teriam continuado se a campainha não voltasse a soar de maneira insistente, sem intervalos. Seja lá quem estivesse no portão demonstrava impaciência diante da demora em ser recebido. Sesshoumaru grunhiu contra seus lábios quando Rin fez menção de se afastar e se prevenindo de uma nova investida por parte do youkai, colocou o dedo indicador sobre seus lábios mantendo uma distancia segura de si. Outro grunhido lhe escapou da garganta, dessa vez muito mais forte. A reação de Sesshoumaru deixava claro que não havia apreciado seu novo afastamento, e tudo por causa da maldita pessoa que utilizava sua campainha de maneira indevida.
Aproveitando a aproximação de seu dedo, ele o afugentou com sua boca e mordeu-lhe de forma extremamente sensual, sem conseguir ser capaz de desviar o olhar de seu rosto. Rin estremeceu com o contato de seus caninos e principalmente com a intensidade com que Sesshoumaru a observava.
— O que está acontecendo? – Buscou em sua expressão alguma resposta para sua indagação.
— Não sei, mas acabarei com a existência do maldito que ousou interromper este Sesshoumaru.
Assim que se levantou ele lhe beijou com suavidade, depositando um rápido selinho, para logo em seguida se afastar e rumar em direção ao banheiro do quarto. Seus olhos amendoados acompanharam seus movimentos enquanto mirava suas costas largas e musculosas não evitando descer o olhar para admirar as perfeitas nádegas expostas daquele youkai. Um leve menear de cabeça e Sesshoumaru a havia pegado no flagra enquanto o admirava calada. Corou por ter sido pega de surpresa e mais que depressa virou o rosto para o outro lado procurando disfarçar, mas pelos cantos dos olhos ela ainda o acompanhava e Rin só o perdeu de vista quando o mesmo adentrara o banheiro sumindo de seu campo de visão. Não era difícil descobrir o que seu youkai fora fazer, o barulho da água passando pelo encanamento o denunciou e o fato de Sesshoumaru ter deixado a porta do banheiro aberta apenas deixava claro o seu convite para um banho a dois.
Um sorriso travesso se curvou em seus lábios pequenos. O convite silencioso lhe era tentador, mas o que a fazia chamar a atenção era o grau de intimidade que compartilhava com aquele homem. Olhe só para ela, estava apenas vestindo uma calcinha rendada na cama de seu vizinho de janela enquanto ele usufruía de seu chuveiro mantendo a porta escancarada. Até mesmo havia lhe emprestado seu carro, o que a surpreendeu de inicio.
Passou os dedos por entre os cabelos tentando ajeitá-los o máximo que conseguiu e assim que alcançou seu vestido jogado aos pés da cama, foi que Rin voltou a se vestir. Esticou os lençóis bagunçados e não se permitiu corar pelo o que acabou de acontecer, mas seu constrangimento voltou com força total no momento em que escutou batidas na porta de Sesshoumaru. Ficou inerte sem saber o que fazer, seja lá quem estivesse batendo em sua porta por pouco não a pegara desprevenida, mas ela agradeceu aos céus por ter se trocado e arrumado a cama antes da chegada de tal pessoa.
— Rin? – Escutou Sesshoumaru lhe chamar do banheiro.
— E-Eu já irei ver quem é Sesshy! – Caminhou até ele e fechou a porta do banheiro lhe dando privacidade para só assim, tomar coragem e abrir a porta do quarto.
Novas batidas foram ouvidas e para evitá-las, Rin anunciou:
— Já vai! – Disse alto e bom som, para que a pessoa do outro lado pudesse ser capaz de escutá-la.
As batidas pararam, dando a compreender que haviam escutado suas palavras. Respirou fundo e passou os dedos novamente por seus cabelos checando se estava apresentável e só então, abriu a porta. Diante de si uma Izayoi estava parada com uma bandeja em mãos que continha uma caneca de vidro fumegante.
— Eu vim vê-la querida, como está se sentindo? – Seu sorriso acolhedor à fez sorrir com a mesma intensidade. – Fiz chá para você.
Quanto amor! Izayoi viera lhe trazer uma caneca de chá quente e checar se estava realmente se sentindo bem. Apanhou a caneca com uma das mãos e seu sorriso aumentou pelo demasiado carinho com que Izayoi a recebia.
— Obrigada, eu já me sinto bem melhor. – Levou a caneca até os lábios e sorveu com cuidado o chá quente que sua amorosa vizinha lhe fizera.
— Eu fico tão aliviada em escutar isso, fiquei realmente preocupada com seu estado. – Abraçou a bandeja frente ao peito.
— Foi apenas um mal estar súbito, agora não estou me sentindo mais daquele jeito. – Sorriu torno, martirizando-se por mentir, mais uma vez.
— Isso é bom!
— Obrigada pelo chá Izayoi, está ótimo, como tudo o que faz.
— Oh querida, não sei se sou merecedora de tantos elogios, mas eu agradeço. – Capturou-lhe a mão vazia para apertá-la em sinal de conforto. – Agora vamos, tome todo esse chá. – Pediu ela.
Segurou sua risada pela forma de mãe cuidadosa que sempre a acompanhava. Levou a caneca mais uma vez até seus lábios, mas a deteve no meio do caminho quando a porta do banheiro do quarto se abriu fazendo a atenção das duas voltarem para ela.
Rin arfou com a visão que encontrou. Em meio ao vapor do banho que invadia o aposento, Sesshoumaru caminhava por entre ela apenas com uma misera toalha branca em volta de sua cintura. Rin tivera que morder o lábio inferior quando seguiu com os olhos uma ligeira gota d’água percorrer a extensão de seu peitoral, passando por sua barriga definida até morrer em seu caminho da felicidade. Engoliu em seco, havia acabado de bebericar seu chá quente e nem mesmo ele havia conseguido amenizar a secura de sua garganta.
Izayoi intercalou o olhar de um para o outro, completamente desconfiada da nova relação que ambos construíram. Rin fingiu ignorar os olhares acusadores que ela lhe lançava e procurando amenizar a situação, foi que perguntou o que tanto queria saber:
— Quem foi que acabou de chegar?
Virou-se de costas para Sesshoumaru, ignorando o fato de que apenas uma maldita toalha de algodão envolvia aquela montanha de músculos que conseguia sempre lhe tirar o fôlego. Bebericou o chá quente novamente, desta vez controlando as batidas irregulares de seu coração.
— Agora? Foi Miroku! Não sei o motivo da sua visita, mas pelo horário temo que algo possa ter acontecido.
Sim, é verdade. Mas o que realmente aconteceu para fazer Miroku enfrentar o trânsito noturno da cidade para chegar até a casa dos Taishou? Um pensamento a levou até sua amiga, Sango. E Rin pensou que talvez ela estivesse metida no assunto. Oh Deus! O que Miroku havia feito agora? Pobre Sango. Não sabia o que aconteceu, mas podia ter uma noção do ocorrido, ainda mais vindo de alguém como Miroku Houshi.
— Será que Miroku aprontou mais alguma coisa?
— Não sei Rin, mas irei ver o que está acontecendo e se quiser querida, na cozinha têm mais chá, sinta-se em casa tudo bem?
— Sim, obrigada Izayoi. – Sorriu uma ultima vez para ela antes de vê-la desaparecer pelo corredor.
Fechou a porta do quarto e virou-se no instante seguinte. Seu tremular pareceu retornar no momento em que voltou a colocar os olhos em um Sesshoumaru parado á poucos metros de si enquanto se secava com outra toalha em mãos.
— Então foi o maldito Houshi quem ousou me interromper. – Ele grunhiu entre dentes.
— Sesshy... – Rin o repreendeu. – Alguma coisa aconteceu!
— Deixe-os resolver suas diferenças, Rin. – Sem desviar os olhos de sua menina, Sesshoumaru continuou o seu processo de secagem.
Encolheu-se diante de seu olhar reprovador.
— Não quero me intrometer no relacionamento de Sango e Miroku, mas não vou mentir que sinto pena dela por ter um namorado igual á ele. – Confessou.
Apertou a alça da caneca entre os dedos e ergueu o braço para levá-la mais uma vez até a boca.
— O que está bebendo? – Viu-o perguntar por cima da porcelana trabalhada.
— Chá! – Respondeu entre uma golada e outra.
— Chá? – Indagou.
— Sim, chá! Izayoi veio trazer até mim depois de ter me visto passar mal na loja de vestidos. – Respondeu casualmente, e só então se dera conta do que acabara de dizer.
Respirou fundo e fechou os olhos esperando o bombardeio de perguntas que se seguiria por parte de Sesshoumaru Taishou.
— Minha Rin passou mal? Por qual motivo este Sesshoumaru não soube deste ocorrido?
Engoliu em seco. Mas que deslize enorme acabara de cometer, Rin. Sem saber o que dizer, abaixou o olhar para encarar seu chá que já se encontrava na metade.
— Isso foi depois do que aconteceu, é um exagero dizer que passei mal quando eu fiquei apenas nervosa.
Elevou o olhar para encará-lo e Rin viu em sua expressão que ele não havia acreditado em nenhuma de suas palavras. Sesshoumaru já tinha a consciência do estado em que ficava sempre que seu nervosismo chegava a um grau elevado, então imaginou na crise que sua Rin havia sofrido.
— Eu estou dizendo a verdade, Sesshy. – Tranquilizou-o. – Fiz Izayoi pensar que estava passando mal para fugir das suas perguntas, eu fiquei com medo.
— Minha Rin não precisa ter medo de nada, não enquanto estiver ao lado deste Sesshoumaru.
Pega de surpresa pelo o que ele disse, ela sentiu toda a segurança emanando do corpo de seu youkai. Sim, ela sabia que não precisaria temer. Sesshoumaru era um poço de calmaria, e sua calma até mesmo a envolvia. Era impossível se sentir acuada e insegura tendo um homem como aquele ao seu lado. Sorriu de canto, sorriso este que foi escondido pela porcelana que colou em lábios no segundo seguinte. Com o chá agora morno Rin conseguiu terminar de tomá-lo. Sentiu-se aquecida em seu interior, tanto pelo liquido quente quanto pelas palavras de Sesshoumaru. O silencio se seguiu o que não durou muito, no andar de baixo Rin conseguia ouvir as vozes de Miroku e Inuyasha e pelo tom de voz imaginou que a conversa talvez não estivesse sendo das melhores. Estava começando a ficar ansiosa em saber o que diabos acontecia.
E agora, devidamente vestido com sua calça jeans e sua camisa de botões, Sesshoumaru abriu a porta do quarto e meneou a cabeça para que Rin o acompanhasse. Sua ansiedade era tamanha que ela apenas o seguiu por seguir, sem prestar a devida atenção pelo caminho que percorriam. Antes mesmo que pudesse se dar conta, já estava na sala de estar com pouquíssimos passos da cozinha, local este onde as audíveis vozes de Miroku e Inuyasha se faziam presentes.
— Merda Inuyasha! Eu só sei fazer merda! – Rin franziu o cenho quando ouviu Miroku lamentar.
— O que foi que você fez? – Inuyasha perguntou de imediato, já imaginando na encrenca que seu amigo se metera.
O youkai não se intimidou pelo vocabulário chulo do amigo de seu meio-irmão, até porque nada intimidava aquele homem de porte atlético. Ele continuou a avançar em direção a cozinha sendo sempre seguido por sua menina, e quando atravessou à porta deixando sua presença notória, sentados à mesa, tanto Miroku quanto Inuyasha desviaram o olhar para encará-los. Os ombros de Miroku caíram quando os avistou e ele se sentiu desconfortável em continuar a conversa de onde parara. Rin não queria se intrometer no assunto, mas precisava saber o que aconteceu. Precisava saber se sua amiga estava envolvida na merda toda que Miroku Houshi havia feito.
O visitante inesperado se encolheu ainda mais em seu acento pelo olhar mortal que Sesshoumaru lançou á ele. Pobre homem, pelo jeito não parecia entender o motivo de ser encarado dessa forma. Não havia feito nada que pudesse levantar a ira de Sesshoumaru Taishou, então porque diabos ele o fitava como se desejasse sua morte? Mal sabia ele que Sesshoumaru o fuzilava com o olhar apenas pelo motivo de tê-lo atrapalhado minutos atrás.
— Olá vizinha...— Miroku a cumprimentou e sua voz parecia arrastada, como se estivesse literalmente na fossa. – Boa noite irmão!
Quanto atrevimento. Seu rosnado se tornou audível e seus olhos estreitaram ainda mais quando o mesmo ousou chamá-lo daquela forma tão intima, e Miroku voltou a encolher-se em seu acento diante do olhar ameaçador lançado sobre si.
— O-Oi... – Ela estranhou seu comportamento, geralmente ele se aproximava de si e fazia insinuações que até mesmo Sesshoumaru desaprovava.
Perto do balcão, Izayoi estava parada. Quieta, apenas escutando a conversa que se seguia antes da presença de Sesshoumaru e Rin os ter interrompido. Ela lhe fizera um aceno de mão, chamando-a silenciosamente para que ficasse ao seu lado. Rin foi até Izayoi e sua doce vizinha agarrou-lhe a mão entrelaçando seus dedos com os dela. Depositou a caneca vazia que trouxera junto a si sobre o balcão e se manteve em silencio, apenas assistindo a cena à frente como se aquilo tudo fosse algum tipo de programa que continha casos mal resolvidos. Já Sesshoumaru, deslocou seu corpo até a parede e cruzou os braços frente ao peito destacando seus músculos bem trabalhos.
— Que merda você fez Miroku? – Inuyasha voltou a questioná-lo.
— Sango está ajudando Kagome com os preparativos do casamento... – Ele continuou a contar.
Inuyasha concordou ciente desse fato, só não entendia o que isso tinha a ver com a situação de estar encrencado.
— Vendo todo esse espírito do santo casamenteiro e totalmente levada pelas circunstâncias, agora ela está me cobrando! – Choramingou e apoiou a testa contra a mesa da cozinha.
— O que ela está te cobrando Miroku? – Inuyasha procurava compreender o que seu amigo queria dizer.
— Sango quer se casar Inuyasha, coloque seu cérebro pra funcionar. – Levantou a cabeça da mesa com rapidez para encarar o amigo sentado á sua frente. – E você tem boa culpa por isso! – Ergueu o dedo indicador em riste. – O casamento de vocês está incentivando-a, eu estou perdido! – Elevou ambos os braços para o alto e se lamentou.
Rin piscou os olhos chocada. Então era essa a merda que Miroku se referia ter feito? Izayoi balançou a cabeça ao seu lado em sinal de desaprovação, não acreditando no dramalhão que ele estava fazendo.
— Minha culpa? Agora a culpa é minha? – Indignado, Inuyasha tentou se defender.
— Querido, da maneira como fala parece que casamento é uma desgraça. – Izayoi interrompeu-se.
— E é Tia Iza! E é! – Afirmava ele.
— Não é pra menos ela estar te cobrando, há quanto tempo estão juntos?
— Faz... – Contou nos dedos fazendo um calculo rápido em sua cabeça antes de responder. – Sete! Faz sete anos! – murmurou baixo.
Seu queixo caiu. Havia escutado certo? Sete? Fazia sete anos que Sango suportava o jeito pervertido de Miroku? Isso só poderia significar uma coisa: Sango o suportava porque realmente o amava e Rin a admirava por isso. Porque se estivesse no lugar de sua amiga, Rin temia não ser capaz de suportar.
— É mais ou menos o mesmo tempo que eu e Kagome! – Inuyasha afirmou.
— Então eu tenho que concordar com ela! Você já enrolou demais Miroku! – Izayoi o repreendeu. – Porque pensa desse jeito? Casamentos é uma união tão bonita.
— O problema é que não me sinto preparado... – Fez uma pequena pausa, antes de continuar. – Ainda...
— Não se sente preparado ou não sabe se realmente a ama? – Izayoi foi direta e Rin lhe apertou a mão aprovando a forma direta com que ela lidava com o assunto. – Se estiver brincando com os sentimentos dela Miroku... – Izayoi deixou uma ameaça no ar.
— Não é isso Tia Iza! – Ele virou-se, ainda sentado em sua cadeira para poder fitá-la enquanto falava com ela. – Sango é a única pessoa com quem me vejo casado no futuro.
E pela primeira vez desde que conhecera Miroku, nunca o vira falar tão sério como naquele momento.
— Então porque reluta tanto? – Meneou a cabeça desgostosa de sua atitude covarde. – Ora Miroku, crie vergonha nessa cara e vá comprar um anel á ela.
Rin tentou segurar o riso, sua vizinha era tão direta ao mesmo tempo em que era tão doce. Rin a admirava. Sentiu pena pela incerteza estampada na face de Miroku. A pequena tentou imaginar como Sango estava se sentindo naquele momento e por mais que imaginasse que talvez ela pudesse estar magoada, Rin não o culpava. Por um lado, Rin conseguia se identificar com o amigo de Inuyasha. Miroku era apenas inseguro, assim como ela.
— Ela quer apenas uma prova! – Interrompeu-se na conversa e a atenção de todos foram para si. – Uma prova de confiança, seu jeito a deixa insegura Miroku. Pedindo-a em casamento, é o jeito que ela encontrou de saber se você realmente a ama e que está preparado para enfrentar qualquer coisa por ela.
Parecendo refletir suas palavras, Miroku deixou seus ombros caírem em rendição. Rin estava certa, seu comportamento durante todos esses anos ao lado de Sango deixou muito a desejar.
Sesshoumaru encarava-a calado, ainda com os braços cruzados frente ao peitoral malhado, admirando-a em silêncio.
— Escute querido. – Izayoi soltou-se de sua mão para dar a volta no balcão e se sentar na cadeira vaga ao lado de Miroku. – Se realmente a ama, não há motivos para se sentir acuado. Pense nisso, antes de dizer algo que venha a magoá-la.
Ele soltou um suspiro para o alto. O que diabos estava fazendo? Estava armando este dramalhão todo enquanto a mulher por quem era apaixonado estava lá, esperando por uma prova de que realmente a amava.
— Tem razão! Eu irei pensar nisso antes de cometer qualquer besteira que me faça se arrepender futuramente.
— É assim que se fala querido. – Izayoi o puxou para um abraço acolhendo-o em seus braços de mãe.
Rin não conseguiu evitar seu sorriso. Aparentemente as coisas haviam voltado a ser como eram antes. Miroku não parecia estar mais depressivo e pelo o que notava estava disposto á resolver este problema. Ela não o culpava, uma escolha como casamento não era algo fácil de fazer e por um lado ela o entendia. Só esperava que Sango estivesse bem. Que Miroku e Sango se entendessem logo, era tudo o que pedia.
Enquanto Izayoi o abraçava com força, viu quando ela curvou seus lábios em um sorriso e os moveu devagar, sem deixar escapar um único som de sua voz. Pela leitura labial, Rin conseguiu entendê-la:
— Pelo jeito teremos mais um casamento este ano! – Ela disse e Rin teve que cerrar os dentes para não rir alto de suas palavras, sua vizinha era fantástica.
Ver a animação estampada na expressão de cada um dos presentes era motivador. Rin os admirava em silencio, estava tão concentrada na cena á sua frente que não notou quando Sesshoumaru desencostou da parede e se aproximou de si vagarosamente. Voltou sua atenção totalmente para ele e curvou os lábios em um sorriso singelo, um sorriso apenas dele. Serpenteou os delicados dedos por seu braço musculoso o acariciando por cima de sua camisa de botões, sentindo toda a definição de seus músculos.
Pelo canto dos olhos Izayoi observava a cena com o cenho franzido diante da repentina aproximação de sua vizinha com seu enteado. Observou quando Sesshoumaru colocou mais chá em sua caneca de porcelana e na careta em que ela fizera á ele por fazê-la beber mais do que Rin desejava. Com apenas um estreitar de olhos, Rin sentiu sua ordem sendo dita em meio ao sua quietes e tudo o que fez foi apenas acatar sua ordem e agradecê-lo.
— Obrigada Sesshy.
E no momento seguinte, tudo se calou. A conversa que se seguia ao seu lado ficou muda e os outros três estavam estupefatos com o que acabaram de presenciar. Izayoi não sabia para quem olhava, se era para Rin ou para seu enteado e era notório a confusão em sua expressão. Agora tudo parecia fazer sentido, mas é claro!
— Sesshy?— Inuyasha caçoou. – Essa é nova!
Sesshoumaru estreitou os olhos ameaçadores em direção ao meio-irmão e Rin tampou a boca com ambas as pequeninas mãos como se tivesse contado um de seus segredos.
— Eu não sabia do seu novo apelido irmãozinho, até que é bonitinho e combina com você Sesshy!— Provocou-lhe, dando ênfase em seu apelido.
— Cale-se maldito hanyou. – Grunhiu entre dentes enquanto tencionava seus músculos enrijecidos.
Rin o agarrou pelos braços com medo de que Sesshoumaru pudesse avançar em Inuyasha. A risada alta que se seguiu por parte de Miroku fez Sesshoumaru enrijecer ainda mais os músculos, mas a intensidade com que ele o encarou o fez se encolher em sua cadeira e se calar no mesmo instante.
— Isso me intriga! – Izayoi começou. – Que tipo de relacionamento está tendo com o meu filho, Rin? – Indagou a matriarca, lhe perguntando exatamente o que há dias estava entalado em sua garganta.
— É verdade Sesshy, nos conte. – Inuyasha continuou a provocá-lo.
— Pare de provocar seu irmão Inuyasha, finja pelo menos que tem algum pingo de maturidade. – Sua mãe o repreendeu.
— Meio-irmão!— E Sesshoumaru a corrigiu, com a voz ríspida.
— Não sei por que ainda insisti em chamá-lo assim. – Izayoi deu de ombros. – Mas e então? O que realmente estão tendo? Vocês ainda não me responderam!
Rin engoliu em seco. Havia sido pega de surpresa e agora não sabia o que responder. Izayoi estava diante de si aguardando ansiosamente por sua resposta que parecia estar presa em sua garganta. Olhou de esguelha para seu youkai, desculpando-se em pensamentos pelo enorme deslize que cometeu.
— Este Sesshoumaru desaprova a forma como interferem em meus assuntos.
— Assuntos? Que tipo de assuntos você se refere meu filho?— Izayoi fez questão de perguntar.
Seus pequeninos dedos apertaram os torneados bíceps de seu youkai, como se pedisse silenciosamente autorização para falar. Izayoi estava eufórica, ansiosa demais por tirar sua duvida em relação á seu menino e sua nova vizinha.
— E-Eu... – Rin pigarreou antes de conseguir encontrar sua voz para voltar a falar. – Eu espero que não esteja brava por não termos revelado logo de inicio Izayoi...
Sua vizinha ficou pálida no segundo seguinte e por um momento pareceu que estava segurando a respiração enquanto digeria a nova revelação. Com os orbes surpresos, Miroku apenas se encolheu em sua cadeira, tão estupefato quanto Izayoi. Já Inuyasha fazia pouco caso da nova revelação, até mesmo parecia já saber do envolvimento de seu irmão com sua nova vizinha.
— E-Então... V-Vocês... – Izayoi procurou manter a voz firme. – Estão realmente juntos?
Ignorando o fato por estar gaguejando tamanha era a sua empolgação, o sorriso de sua doce vizinha se ampliou e Rin não conseguiu controlar o ímpeto de corar, e com um aceno leve de cabeça concordou em resposta.
— Oh meu deus, meu dia não poderia terminar tão bem. – Izayoi pulou da cadeira e foi em sua direção com os braços abertos. – Eu já suspeitava desde o inicio!— Sussurrou em seu ouvido quando a acolheu em seus braços.
E tudo o que Rin fez foi apenas intensificar o rubor de suas bochechas. Então Izayoi desconfiava... Ela se perguntou se sua relação com Sesshoumaru estava tão obvia assim e tentou imaginar quem mais, além de Izayoi desconfiava de seu romance com o youkai.
— Mas que noticia fantástica! – Quando se afastou de sua nova nora, Izayoi bateu palmas, completamente eufórica.
Rin se encantou por sua aceitação. Mas é claro que Izayoi a aceitava, sempre a aceitou desde o momento que a conheceu. Caso contrário não teria lhe acolhido de maneira tão amorosa, não teria lhe feito tantos convites para compartilhar de sua companhia. Izayoi era realmente um doce, um doce de vizinha e sem sombra de duvidas que também se tornaria um doce de sogra.
— Porque não me contou antes querida? – O sorriso de sua sogra se apagou e Rin se sentiu mal por deixá-la assim. – Creio que se não fosse por esse deslize, eu seria a última a saber sobre vocês! – Choramingou ela.
— Isso não é verdade Izayoi, nosso relacionamento ainda é muito recente. – Defendeu-se Rin.
— Há quanto tempo estão nisso? – Miroku arriscou perguntar e teve como resposta um olhar gélido de Sesshoumaru.
— Mais alguém sabe sobre isso? – Izayoi voltou a bombardeá-la.
— Não, vocês são os primeiros!
— Oh meu Deus, nesse caso então eu me sinto privilegiada. – Sentiu seus olhos doces começarem a lacrimejar. – Você não poderia ter escolhido melhor querido. – Dessa vez ela dirigia a palavra para seu enteado. – Rin é uma moça diferente, é especial!
— Não precisa dizer-me o que este Sesshoumaru já sabe.
— Oh! – A matriarca arregalou os olhos, demonstrando estar surpresa.
Não era apenas Izayoi que demonstrava ter sido surpreendida pelas palavras do mais velho Taishou, tanto Miroku quanto Inuyasha se encontravam do mesmo jeito. Era raro ver Sesshoumaru demonstrar seus sentimentos na frente de todos, já que era de seu costume fazer isso apenas quando estavam sozinhos. Levada pelas circunstâncias, a pequena Rin apenas se permitiu corar diante de sua repentina confissão.
~❈~
Fale com o autor