Lost Wings
3 Um brilho lilás
Notas iniciais
Outro dia, outra manhã. As flores desabrochavam comemorando a luz do sol, mas dessa vez a maior rosa do canteiro não revelou a pequena fada sem asas, ela não havia dormido depois da visita da salamandra. Ela estava do lado da porta da casa esperando que o garoto saísse dali, entretanto Fabrício não tinha cara de quem acordava quando o sol ainda estava aparecendo. Ela ficou por horas ali, brincando com insetos ao lado dos lírios.
De repente a porta se abriu e Alicia correu para perto da porta, mas voltou por reflexo assim que viu que era a Sra. Olívia, que foi caminhar pelo jardim. Logo depois Fabrício abriu a porta e parou do lado de fora se espreguiçando e bocejando como se tivesse acabado de acordar.
—Fabi! Fabi!
Alicia gritou lá do chão, mas Fabrício não ouviu.
— FABI!
Fabrício olhou para todos os lados até encontrar Alicia quase em seus pés.
—Oi! Você ainda está aqui!
— Claro que estou, eu pre...
—Fabrício, com quem você está falando?!
A velhinha perguntou de longe.
— Com ninguém, vó! É só um besouro que achei ontem e encontrei de novo!
Besouro? Não acredito que ele me chamou de besouro, Alicia pensou.
—Fala.
Ele começou a diminuir o tom da voz.
—Eu preciso de ajuda.
—Ajuda com o que? Pode falar.
Fabrício perguntou ansioso.
—A recuperar minhas asas, eu descobri como, mas preciso de ajuda.
Alicia falou com esperanças de que ele aceitasse.
—Claro que eu vou ajudar, não tem muito o que fazer aqui. O que é exatamente para fazer?
—Obrigada, obrigada. Então, temos que cruzar a floresta até chegar do outro lado, onde iremos encontrar uma árvore grande morta, eu vou entrar e pegar a Ametista que está lá.
—Espera... Entrar onde? O que é Ametista?
Fabrício perguntou todo confuso.
—Entrar na árvore! Presta atenção, é importante! Ametista é a pedra que vai ajudar.
—Ah entendo, e por onde começamos?
—Pelo início, vamos logo.
Alicia falou andando em direção à entrada da floresta.
—Espera!
Fabrício pegou Alicia e a colocou em seu ombro.
—Acho que vai ser mais rápido assim.
Fabrício entrou na floresta com Alicia em seu ombro e ali, em uma das árvores, estava o camaleão ao lado da salamandra; assim que eles passaram, o animal brilhou e em questão de segundos transformou-se em uma fada.
—Quero que você os siga. Não se mostre, apenas siga e me mantenha informada. Eu não posso chegar muito perto ou ela vai desconfiar.
Paradis, a salamandra, disse.
—Você acha mesmo que vai funcionar? E se ela descobrir no meio do caminho?
A fada metamorfo falou.
—Ela não vai! Não se você fizer o seu trabalho! Meu reino vai voltar, custe o que custar! Agora vá, Jusb!
Paradis disse irritada.
A fada se calou e apenas seguiu as ordens, não era uma salamandra, mas não gostava das sílfides e isso já era o bastante para ajudar Paradis a reconstruir seu reino. Um pouco mais adiante, Alicia ia tentando se equilibrar no ombro de Fabrício enquanto os dois caminhavam por entre as árvores.
—Então... O que você vai fazer quando conseguir recuperar as asas?
— Eu ach...
Fabrício tropeçou na raiz de uma árvore que saía do chão enquanto olhava para Alicia. Fabrício olhou ao redor antes de se levantar e começou a procurar por ela.
—Alicia! Cadê você?! Ai meu Deus tomara que eu não tenha esmagado ela.
Começou a se tatear como se procurasse algo em seu corpo, mas Alicia não havia nem tocado o chão.
—Fabrício aqui!
Alicia gritou de um galho.
∙O QUE ACONTECEU∙
Fabrício tropeçou na raiz de uma árvore que saía do chão enquanto olhava para Alicia. Ele deu de cara com o chão, mas antes que Alicia entrasse em contado com a terra, algo a segurou. Alicia tinha ficado tão apavorada que nem percebeu que era outra fada, a única coisa que percebeu foi seu brilho lilás. A fada a carregou até um galho próximo ao local de onde Fabrício havia caído.
— Você está bem?
Quando ouviu a voz da fada olhou rápido para ela, e percebeu que não era uma, e sim um.
— Ah, sim eu... Acho que sim, estou.
Alicia falou com pressa.
— O que é você? Nunca vi alguém parecido pela floresta e eu conheço bem a floresta.
— Sou uma fada.
— Você não tem asas.
A fada disse fazendo uma pseudo careta.
— Eu as perdi, mas ainda sou uma fada.
Alicia falou nervosa esperando que ele não reagisse como suas antigas amigas.
— Como perdeu as próprias asas?
— Bem, é uma longa... História...
Falou olhando diretamente para Fabrício que se tateava freneticamente.
— Algum problema?
O fada indagou, olhando na mesma direção que ela.
— Hã? Ah, nada. Só o meu amigo.
Respondeu apontando para Fabrício.
— Esse humano é seu amigo?
O fada perguntou em tom de zombaria apontando para o mesmo.
Alicia retribuiu com um olhar reprovador.
***
— Fabrício aqui!
Alicia gritou e balançou os braços por cima da cabeça. Fabrício ouviu e começou a procurar de onde vinha a voz.
— O que vocês estão fazendo na floresta?
O fada questionou.
— Passeando, apenas.
Alicia deu seu melhor sorriso falso, não sabia se podia confiar em qualquer um, fazia muito tempo que não andava pela floresta.
— Está mentindo.
— Não estou.
Alicia ficou nervosa.
— Você trouxe um humano, é uma fada sem asas, tenho motivos pra desconfiar.
— Vim recuperar minhas asas, está feliz agora?
Alicia revelou; não sabia mentir, fadas geralmente nem sabiam o que era isso, exceto as salamandras.
— Alicia! Pensei que tinha esmagado você!
Fabrício disse e em seguida olhou para a coisinha lilás ao seu lado.
— Quem é esse? Ou essa?
— Fabrício esseé o...
Alicia ainda não sabia seu nome.
— Alecsander, prazer em conhecer você abigobal.
Alecsander fez um gesto de cumprimento com a mão ao lado da cabeça.
— Abigobal?
Fabrício perguntou confuso, pois não conhecia a palavra.
— Deixa pra lá, não é nada.
— Vamos Fabrício.
Alicia pediu.
— Ah, sim.
Fabrício a pegou e a colocou no ombro novamente.
— E dessa vez olha pra onde anda e não pra mim.
Alicia avisou.
— Espera, eu posso ajudar? Estou entediado aqui!
Alecsander disse.
Alicia olhou para Fabrício e depois para o fada.
— Você disse que conhece a floresta, certo?
Alicia perguntou e Alecsander sorriu.
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