Lost Wings
4 Convidados para um banquente
Notas iniciais
— Já está escurecendo, temos que voltar.
Fabrício falou depois de caminhar por horas com Alicia sentada em seu ombro quase caindo de cansaço, que ele não sabia como ela havia adquirido afinal ele estava a carregando.
— Não podemos voltar.
Alicia retrucou se recompondo.
— Mas onde iremos dormir? O que eu vou comer? Eu estou com fome.
Fabrício falou.
— Estamos na floresta, abigobal.
Alecsander disse baixo, mas Fabrício ainda ouviu.
— Tenho quase certeza de que isso não é uma coisa boa e você não ajudou em nada até agora.
Fabrício falou um pouco irritado.
— Fabrício!
Alicia repreendeu e depois olhou para Alecsander que voava ao lado.
— Faz muito tempo que não ando na floresta. Conhece um lugar vazio, seguro e que tenha comida?
— Há um lugar perto daqui, mas há gnomos por perto. Lá é seguro.
Alecsander falou depois de pensar.
— Acho melhor não, se tem gnomos por lá não é vazio.
Alicia comentou, preocupada.
— É porque fica no território deles, eles não vão nos perceber, quer dizer... O grandão aí, talvez.
Alecsander alfinetou e Fabrício olhou estranho para ele.
— Os gnomos são legais, por que seria um problema?
— Não seria, mas eu não posso confiar em ninguém.
Alicia falou.
— Ué, você confiou em mim.
Alecsander disse sorrindo.
— Está bem, onde fica?
Alicia não havia gostado de ter sido vencida, porém ela precisava de um lugar para descansar e Fabrício também.
— Por aqui.
Alecsander falou fazendo um gesto com a mão e mudando o caminho.
Logo Fabrício o seguiu. No meio do caminho começaram a surgir flores e já estava escuro, a única coisa que iluminava o caminho eram as mini tochas feitas pelos gnomos para iluminar a região. O lugar onde eles viviam era muito alegre, porque os gnomos daquela região eram prestativos, bondosos e muito amigáveis. Quase sempre festejavam, ainda mais depois que as sílfides ganharam a guerra; eram muito unidos e gostavam de visitas que não fossem indesejáveis. Quando Alicia, Fabrício e Alecsander estavam chegando mais perto, já conseguiam ver alguns deles festejando e suas casinhas mais na frente.
Alecsander voou mais rápido chegando antes deles e os gnomos, que antes estavam conversando, dançando, comendo e bebendo, o saudaram com gritos alegres.
— Oi pessoal!
— Ei, abelhudo! Como vai?
Um gnomo gordinho perguntou.
— Já disse para não me chamar assim.
Alecsander o repreendeu assim que Alicia chegou com Fabrício, e todos os gnomos pararam de fazer o que estavam fazendo, ficaram assustados, pois nenhum humano havia pisado ali.
— Quem é esse?! Porque o trouxe aqui, Alecsander?!
O gnomo falou preocupado.
— Calma pessoal! Ele é amigo!
Alecsander gritou para todos os gnomos.
— Ah, porque não disse logo?!
O gnomo disse perdendo a preocupação e todos voltaram a festejar.
— Essa é a Alicia e o Fabrício, eles dois estão cruzando a floresta e eu estou ajudando.
Alecsander explicou.
— Olá, eu sou o Ballidag.
Ele falou sorrindo, olhando para Alicia no ombro de Fabrício e se virou para Alecsander.
— Sua mãe está sabendo di...
— Não, pra que? Não tem nada de mais, por que não nos oferece comida e abrigo?
Alecsander interrompeu, nervoso.
— Ah, que distraído eu sou, venham comigo.
Ballidag se dirigiu até a mesa onde vários gnomos estavam sentados e se servindo.
— Pessoal, esses são Fabrício e Alicia. Vocês podem se servir, nós temos muita coisa. Eu vou falar com a rainha sobre vocês ficarem aqui.
Sorriu e deixou os dois lá.
— Espera, eu vou com você.
Alecsander disse voando atrás do gnomo.
A rainha morava na casinha mais enfeitada e colorida. Ballidag entrou esquecendo-se de bater na porta, o que deixava a rainha um pouco irritada.
— Ballidag!
— Oh perdão, rainha, é que...
— Esqueça!
A rainha disse irritada.
— O que você quer?
— Temos visitantes.
Ballidag falou.
— Visitantes?!
A rainha perguntou animada; ela gostava de receber visitas.
— Uma fada sem asas e um humano que...
Antes que Ballidag terminasse, a rainha o interrompeu.
— Um humano?! Uma fada sem asas?!
A rainha se surpreendeu.
— Sim, mas eles estão comigo.
Alecsander falou.
— Ótimo... E quanto a você, sua mãe está te procurando, colocou os guardas pra procurar em todo lugar.
A rainha falou.
— Olha, Giu, será que não dá pra fingir que não me viu?
Alecsander perguntou quase implorando.
— É rainha pra você, Alecsander.
A rainha disse.
— E quanto a fada e o humano?
Ballidag perguntou.
— Eles podem ficar, se o humano não for tão grande ele pode dormir na sua casa, acho que ele vai caber lá. E quanto a você Alecsander, eu não vou contar, mas se por acaso alguém aparecer perguntando por você, eu não vou negar que o vi, entendeu?
— Sim, obrigado.
Alecsander falou, saindo da casinha seguido pelo gnomo.
Alicia e Fabrício estavam comendo como se não houvesse fim; eles estavam cansados e famintos. Fabrício olhava para os gnomos sem acreditar ainda, ele estava começando a ficar estranho porque só agora ele havia percebido de verdade que realmente estava num banquete na companhia de gnomos.
— Estão gostando do banquete?
Alecsander falou surpreendendo Fabrício que estava concentrado nos seus próprios pensamentos.
— Está tudo uma delicia.
Alicia respondeu.
— Você não gostou, Fabrício?
Alecsander perguntou debochado, afinal no banquete havia frutas, cogumelos e umas iguarias estranhas que os gnomos comiam.
— Ah, sim. Eu gostei.
Fabrício respondeu acabando com o sorriso debochado de Alecsander.
— Então, onde podemos descansar?
Alicia perguntou.
— Vocês vão ficar na minha casa, lá tem espaço suficiente pro grandalhão.
Ballidag disse.
Alicia por um momento teve um leve déjà vu do que tinha acontecido.
— Ballidag, nós já nos vimos antes?
Alicia indagou.
— Eu não sei, talvez, eu ando muito pela floresta.
Ballidag sorriu.
— Agora venham comigo, vocês parecem cansados.
Alicia, Fabrício e Alecsander seguiram o gnomo gordinho até sua pequena casa, que era a mais afastada da festa. Alicia dormiu em uma almofada que havia sido colocada na janela, Fabrício dormiu no chão com alguns cobertores porque era grande demais para uma cama de gnomo e Alecsander ficou conversando com o gnomo sobre tudo que havia acontecido com ele na semana em que vagou pela floresta como um fugitivo.
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