Lost Wings

7 Ele fora prometido como banquete


Depois de uma longa caminhada eles finalmente chegaram até o braço do rio. Alecsander pediu para que Fabrício ficasse um pouco longe, atrás de uma árvore por precaução e foi com Alicia até perto da água. Alecsander começou a assobiar para chamar atenção delas e logo uma náiade apareceu na superfície.

— O que querem?

Lavin disse sem demonstrar nenhuma emoção.

— Olá, nós só queremos uma informação, se possível.

Alecsander parecia calmo, mas estava preocupado porque ele sabia que as náiades podiam ser tão traiçoeiras quanto as salamandras.

— Que tipo de informação?

Lavin chegou mais perto.

— Nós precisamos chegar à árvore das salamandras. Você conhece um caminho rápido e seguro?

Alecsander perguntou.

— Claro que sim, mas por que vocês três querem ir lá?

Lavin já havia percebido o humano pelo cheiro, Alecsander podia mentir e correr o risco de irritar a náiade ou falar a verdade e talvez passar imune.

— Vou recuperar minhas asas.

Alicia disse antes que Alecsander pudesse abrir a boca.

— Você é uma fada? Pensei que fosse outra coisa... Está bem! Eu ajudo, mas eu quero uma coisa em troca.

Lavin exigiu.

— E o que seria?

Alicia falou e Alecsander a encarou como se dissesse para ela ficar calada.

— No caminho vocês vão encontrar ninfas, eu quero uma mecha do cabelo de uma delas.

— Feito!

Alicia disse.

— Qual o caminho?

— Mas eu quero uma garantia de que vocês vão me trazer o combinado.

Lavin disse.

— E o que seria essa garantia?

Alecsander indagou, já sem paciência.

— O humano.

— Por mais que eu ache o abigobal um atraso, eu não vou deixar ele com um peixe carnívoro.

Alecsander discordou.

— Eu não vou devorar ele.

Lavin revirou os olhos.

— Eu preciso do que eu pedi.

— Eu fico e vocês podem ir.

Fabrício chegou mais perto e olhou para Lavin.

— Só não demorem muito.

— Você vai ficar bem?

Alicia estava preocupada com Fabrício.

— Vou, é melhor você ir logo antes que comece a anoitecer.

Fabrício respondeu.

— Então vamos.

A náiade explicou o caminho e cada detalhe que precisavam saber, até de coisas desnecessárias no momento como frutas das quais não deviam comer e coisas mais importantes como criaturas nas quais não deviam confiar.

Alecsander segurou Alicia e voou o mais rápido que pôde pelo caminho que a náiade mostrou. Alicia poderia ter ficado ao menos um pouco feliz em estar "voando", mas não eram suas asas, não era ela. Ela estava cada vez mais perto de conseguir suas asas, era o que ela esperava.

Assim como Lavin disse, eles encontrariam árvores mais vivas com cores diferentes e pedras brancas pelo chão. Muitas pedras brancas. Assim que chegaram ao local começaram a ouvir vozes e risos, com certeza eram as ninfas da região que se mostraram correndo em volta deles. Alecsander pousou delicadamente sobre um galho baixo de uma árvore e uma das ninfas ali presentes se aproximou.

— Olá, visitantes, o que desejam?

— Olá, sou Alecsander. E você quem é?

Ele quis ser cortês e educado, além do mais planejava bajular para conseguir o que precisava, não sabia como aqueles seres agiam, não sabia muito sobre aquele lado da floresta.

— Sita.

Educadamente respondeu.

— 'Tá tudo muito bom, 'tá tudo muito bem, mas nós não temos tempo e eu vou direto ao assunto. Nós precisamos de uma mecha do seu cabelo, se não for incomodo, para poder pegar nosso amigo de volta e poder seguir o nosso caminho.

Alicia falou sem hesitação.

— Alicia!

Alecsander a repreendeu baixinho e ela olhou como se perguntasse qual era o problema. E realmente não havia nenhum, as ninfas da região eram pacificas, por assim dizer.

— Ora, por que não disse logo? Se for pra ajudar um amigo, por que não?

A ninfa segurou uma das pontas do cabelo e passou a outra mão por cima simulando um corte, o cabelo havia sido cortado do nada. Sita entregou a pequena mecha amarrada num barbante mágico para Alicia.

— Obrigada, muito obrigada.

Alicia disse.

— Nós agradecemos. Então podemos ir?

Alecsander perguntou.

— Sim.

Alicia respondeu.

— Espera, tive uma ideia

Alicia usou a mecha de cabelo como um assento, um balanço, que foi levado por Alecsander o caminho todo. Chegando lá, Alecsander pousou perto da água e Lavin apareceu. Alicia olhou em volta e não viu Fabrício, logo a preocupação tomou conta.

— Cadê o Fabrício?! Fabrício!

Alicia gritava.

— Ele foi levado.

Lavin respondeu serena.

— O que?! Por quem? Como?

Alicia perguntou nervosa.

— Calma, deixa ela responder.

Alecsander disse.

— Minhas irmãs náiades, elas vieram e o levaram. Eu estava distraída e ele perto da água.

Lavin explicou.

— Ele está...

— Morto? Não... Minhas irmãs o levaram para o ninho central, sentiram o cheiro de sangue jovem e o levaram para a náiade mãe. Ele deve estar amarrado perto da água no momento, esperando para ser devorado. É parte de uma festa, um banque... presente para a maior.

Lavin explicou.

— Será que ainda dá tempo de ajudar ele?

Alicia perguntou.

— Claro.

Lavin respondeu.

— Então vamos Alecsander, agora.

Alicia falou.

— Está bem. Aqui está o que pediu.

Alecsander disse e apontou para a mecha de cabelo da ninfa.

— Onde fica esse ninho?

— É só seguir o rio, fica no caminho para a tal árvore.

Lavin pegou a mecha e sumiu na água.

Alecsander e Alicia foram pelo caminho indicado e no final da tarde avistaram Fabrício amarrado em uma árvore, na beira do rio, por plantas. Ele parecia estar com medo e olhava para todos os lados. Alecsander voou até lá com cautela, chegou perto e tomou cuidado para que nenhuma náiade ali presente percebesse a presença dos dois. Pousou ao lado de Fabrício e tentou soltá-lo com a ajuda de Alicia.

— Você está bem?

Alicia perguntou.

— Sim, me tira daqui logo ou elas vão ver.

Fabrício disse.

— Com quem você está falando?

Uma náiade apareceu; era uma das irmãs de Lavin.

Bela era uma das queridas filhas de Ameir, a quem Fabrício fora prometido como refeição. Assim que ouviram a primeira palavra de Bela, Alecsander e Alicia se esconderam atrás de Fabrício e continuaram silenciosamente a tentar soltar o garoto.

— Comigo mesmo.

Fabrício respondeu nervoso. Bela o fitou por um momento desconfiada e olhou em volta.

— Humanos...

Disse e logo sumiu na água. Alecsander usou um pouco da sua mágica e conseguiu soltar Fabrício, que saiu correndo para a floresta.

— Não acredito que ela caiu nessa.

Falou ofegante depois de parar e olhar pra trás procurando Alicia e Alecsander que vinham logo atrás.

— Vamos continuar, está ficando tarde.

Alecsander disse olhando pro céu.

Encontraram um lugar para dormir, mas que não prometia segurança depois do que eles passaram por aquela região. Pelo menos estavam muito mais perto de encontrar a árvore das salamandras e recuperar as asas de Alicia.