Lost Memory

11 Levei um Bolo...


Notas iniciais
Vamos lá, não nos matem gente! D: Muita coisa aconteceu desde que peguei meu pc x_x, parece que todas as forças do mundo conspiraram para que eu não postasse esse capítulo, primeiro porque: sei que disse que teria lemon, mas o capítulo ficou muito, muito grande, quase dez mil palavras, ficaria cansativo para ler, então vou dividir ele em duas partes e o próximo vou postar daqui a 6 (SEIS) dias, então não vai demorar tanto mais. Agora sobre as forças que me impediam de postar: Fiquei sem internét por 4 dias, depois queimei minha mão fritando hamburguer, logo depois fiquei sem internet novamente, tudo bem, deu tempo para escrever, ai eu passei pra Yuna e novidade, ela também estava sem internet! :D Não *se esbofeteia* tira essa carinha feliz Yuki, era pra você ta chorando... Baka! Enfim, depois que a net da Yuna voltou ela pegou o capítulo no Nyah! E quando ela ia corrigir, bum! Os pais dela decidem fazer uma viagem e não deixam ela levar o computador. Ela voltou no domingo a noite na segunda ela corrigiu, legal, tudo bem, fui postar e lembro de uma coisa, trabalho de escola! Sério, xinguei muito, mas o trabalho era pra ontem (terça) então tive que fazer, enfim, aqui está! Não me matem pelo lemon não ter acontecido nesse, mas terá no próximo então esperem só mais uns diazinhos > < Se leram até aqui, boa leitura :3 E mesmo quem não leu todo esse texto sem sentid, boa leitura XD

Pov Ichigo

A partir do momento em que ela disse "vou contar como vocês se conheceram" foi como se eu tivesse entrado em completo transe, um filme onde eu e Grimmjow éramos as estrelas passou em minha cabeça, um flash back que mostrou exatamente como nos conhecemos, e nada além disso, o que é extremamente frustrante.

Queria saber mais, o que aconteceu depois, como nosso relacionamento começou...

–Ichigo, você está corando.- Ela disse com a voz de quem forçava-se para não rir, dei língua para ela e me levantei. Após bater as mãos na roupa para tirar a poeira me aproximei mais dela, estendendo as mãos para que ela também se levantasse e ela sorriu.

–Rukia, apenas mais uma pergunta. — ela me olhou meio desconfiada, porém deu um suspiro e balançou a cabeça positivamente para que eu pudesse continuar. — Por que todos odeiam ele?

Essa era uma pergunta que sempre rondou minha mente, desde que o conheci, por que parecia que todos o odiavam?

Ela ficou primeiramente apreensiva, senti que a estava pressionando, era uma sensação horrível fazer isso com minha melhor amiga, porém não aguentaria mais aquela pergunta martelando minha cabeça.

–Ichigo... Você vai se encontrar com ele hoje não é? Pergunte a ele, e se ele não te disser, eu te digo.- Eu pensei bem, queria tanto saber a resposta, e temo que nem ele sabe porque o odeiam tanto.

–Sabe Rukia, ele ficou muito feliz quando te viu, lá no Café, mas parece que você não percebeu. Ele também tratou Renji normalmente quando o viu no estacionamento, vocês o estão interpretando mal... — Tentei defendê-lo, nem sei exatamente o porquê, apenas sentia essa necessidade, como se meu corpo soubesse que ele não tinha culpa de nada do que possa ter acontecido a dez anos...

–Mesmo assim, não posso perdoá-lo, não agora... Não antes de saber o porquê do que ele fez.

–Certo. Queria que você me dissesse mais.- Disse abraçando-a fortemente.- Mas agradeço pelo que me disse, a única que foi sincera comigo. Obrigado Rukia.- Ela excitou por um tempo, porém abraçou-me de volta, encostando sua testa na curva de meu pescoço e abraçando-me com força parecia não querer me soltar mais. Não me movi, não fiz nada além de continuar abraçado a ela e esperar que estivesse confortável para me soltar.

–Ichigo... Daquela coisa... Você também se esqueceu daquela música. — Ela murmurou com uma voz tão sofrida que eu queria socar meu cérebro apenas para saber do que ela estava falando de que música falava, do que eu havia me esquecido.

–Desculpe Rukia... Queria muito saber do que está falando.- Murmurei de volta apertando-a ainda mais, alguns segundos depois ela me soltou, enxugando as pequenas lágrimas que teimaram em se formar em seu lindo rosto.

–Tudo bem, agora vai logo, e não se esqueça de usar camisinha!- Falou alto na maior cara de pau, senti minhas bochechas arderem e estava pronto para brigar com ela quando fechou a porta gargalhando. Os olhares das pessoas que agora passavam pela rua eram direcionados para mim, algumas mães até tamparam os ouvidos de seus filhos e saiam de perto um pouco mais rápido enquanto os inocentes perguntavam descaradamente o que era camisinha.

Coloquei o capuz do casaco e tentei sair rápido dali, brigaria com Rukia depois, aquela vadia.

Já era tarde, faltava pouco tempo para que Grimmjow me encontrasse em frente a casa de meu pai, se ele me visse chegando de outro lugar perguntaria o por que de não estar em casa e não sei se conseguiria mentir para ele. Porém esse não era o caso agora.

Andei um pouco mais rápido para casa, mas não teve jeito, eu cheguei vinte minutos atrasado, e o que me decepcionou foi ver que ele não estava lá. “Será que foi embora depois de ver que eu não estava em casa?” foi a pergunta que me furou o peito. Eu tinha que perguntar a ele por que não esperou apenas vinte minutos...

Mas espere! Do que porras estou falando? Não sou esse tipo de pessoa melancólica, se ele veio e foi embora foda-se! Problema dele!

Não, não, não... Pode ser que ele nem tenha vindo ainda, ele quem é o atrasado, isso! Então é só eu esperar um pouco.

# # # # # Hospital # # # # #

Pov Grimmjow

Eu guardava apressadamente minhas coisas, preparando-me para ir embora e encontrar-me com Ichigo. Estou uma hora atrasado por uma cirurgia de emergência, esta carreira tinha seus altos e baixos... Tateei o celular na mochila e quase o taquei na parede ao ver os 3% da bateria, no máximo conseguiria mandar uma mensagem. Comecei a digitar após por a alça da mochila no ombro e abri a porta, porém com quem dei de cara fez-me recuar alguns centímetros não por medo ou qualquer coisa parecida, apenas pelo susto ao ver aquela carranca...

–Ora, ora. Olhe quem vemos aqui.- Sua voz era sínica, e seu sorriso um misto de sarcasmo e ódio. Ótimo, mais um que quer me matar.

–Boa noite, senhor Isshin.- Forcei minha calma de um jeito que nem sabia que conseguia. Porém parece que lhe deu mais raiva, trincou os dentes disfarçadamente e sorriu sarcástico novamente.

–Por que deu o ar da graça depois de tanto tempo? Depois de ter ido embora sem avisar ninguém, nem mesmo ao meu filho, ter a coragem para aparecer novamente na minha frente, tentando se reconciliar com Ichigo...- Eu estava pronto para falar algo, a verdade, porém ele me surpreendeu quando pegou na gola de meu jaleco e jogou-me contra a parede.- Se arrependeu do que fez, hã?! Diga logo alguma coisa bem convincente antes que eu arrebente a sua cara!

Tinha que manter a calma, ou perderia a chance de explicar o que aconteceu, porém do jeito que ele estava não ouviria nem que eu contasse uma mentira muito convincente.

Segurei com força em seu braço e o empurrei para que me soltasse, só porque tinha respeito por ele não quer dizer que devia ser submisso.

–Eu fui forçado a ir embora, pelos meus pais.- Disse sem olhá-lo nos olhos, e vendo que não teve nenhuma reação negativa continuei.- Foi de um dia para o outro, meu pai quebrou meu celular e me proibiu de usar o telefone. Tentei fugir para falar com Ichigo, porém me trancaram no quarto e...- Lembrar disso dava-me ainda mais raiva daquele homem porém diria a verdade, se ele acreditaria ou não, já não era problema meu.- E disse que se eu tentasse fugir não garantiria a segurança de Ichigo.- Ele ficou em silencio por alguns segundos porém logo olhou-me irado.

É ele não havia acreditado.

–Mentira! Pais normais não falam esse tipo de coisa!

–Verdade! Acha que pais normais fariam isso com um filho de seis anos?!- Finalmente olhei-o vendo se assustar, lembro que me controlava ao máximo na sua presença para não mostrar esse meu lado estranho, mas já chega.- Acha que pais normais fariam experiências com os filhos?! Bem, eles não são pais normais, porque eles fizeram experiências comigo! Então não duvide do que eles são capazes!

–Mas por que...

–Acha que eu não quis voltar dentre esses dez anos?! Acha que eu queria ter ficado no exterior em um lugar onde não podia me comunicar com ele?! – Já começava a gritar com raiva de toda essa situação. – Cada dia naquela faculdade foi insuportável sem ele, então não venha odiar-me por algo que não fiz, pelo menos não por querer. – Ele voltou ao silêncio e olhou para baixo, parece que finalmente havia conseguido.

Peguei minha bolsa que havia caído no chão e me afastei até a saída, olhei no relógio e quase dei um ataque, já eram nove e vinte, peguei rápido o celular do bolso e tentei ligar para ele porém com a bateria em 1% foi impossível. Quase joguei-o no lixo de raiva porém apenas guardei e segui até meu carro para ir até ele e ver se ainda tinha alguma chance de sairmos.

# # # # # Uma hora e dez minutos antes _ Residência Kurosaki # # # # #

Pov. Ichigo.

Quando olhava para casa via minhas irmãs debruçadas na janela com um olhar triste, e quando percebiam que eu as olhava tentavam se esconder. Tentei ignorá-las mas era quase impossível. Queria explicar o que havia acontecido, por que saí de casa, e por que estava tentando voltar, pois conhecendo o velho, sei que disse apenas um: “Está tudo bem, vai ficar tudo bem.”.

Na verdade não está nada bem!

Tinha se passado mais de trinta minutos e nem ao menos uma mensagem para avisar que não viria ele mandou. Poderia dar alguma satisfação, ligando ou por mensagem, não me importo.

O frio que fazia do lado de fora começava a congelar as pontas de meus dedos, e já cansado de ficar em pé como bobo sentei-me ao meio fio, esfregando as mãos umas nas outras e escondendo-as entre minhas pernas para esquentar.

Mesmo deixando o celular no colo para que ele pudesse ligar, eu evitava de olhá-lo, estava parecendo um adolescente com a primeira namorada, no caso namorado, mas que se foda! Dava quase no mesmo de qualquer jeito.

Mais trinta minutos e já eram oito e vinte, era insuportável a sensação de ser esquecido, ou enganado. Não consigo entender aquele homem, será que fazia isso por prazer? Era algo divertido para ele enganar os outros?

Será que meus amigos estavam certos sobre ele? Talvez não seja mesmo uma boa pessoa e eu acabei caindo em suas graças. Sou bobo, fui idiota em acreditar em alguém que acabei de conhecer, e deixar de lado a opinião de amigos que estão comigo a mais de década. Escolhi a ele ao invés de meu pai, isso que não entendo até agora. Minha cabeça dizia não, porém meu corpo diz sim, e num ataque espontâneo eu faço o que meu corpo manda ao invés do que minha mente me pede para fazer.

Mais trinta minutos, dessa vez dei um suspiro já cansado de esperar, o frio causando-me arrepios e os poucos flocos de neve caíam em minha cabeça como se quisessem consolar-me, dizendo que não precisava mais esperar, pois ele não viria.

O céu estava bem diferente da ultima vez que parei para olhá-lo, tinha um tom melancólico com nuvens cinzentas e carregadas. O vento não estava forte, porém assoviava em meus ouvidos uma melodia agradável apesar de sentir-me triste.

Não sabia por que me sentia tão mal, parece que tivemos uma ótima amizade, um bom relacionamento, porém isso tudo passa! Então por quê?

Ouvi a porta atrás de mim se fechar e passos silenciosos se aproximarem de mim, braços finos entrelaçaram meu pescoço e uma ótima sensação de calor corporal invadiu-me. Logo uma cabeleira negra caiu sobre meus olhos. O fato de Karin ter deixado o cabelo crescer me deixou intrigado, ele agora batia um pouco abaixo de sua cintura quando solto e isso a deixa linda.

–Está fazendo protesto em frente de casa? Se for parece que se esqueceu da placa moço. — Eu ri junto a ela e segurei seus braços, era tão quente.

–Vamos entrar, vou preparar um chocolate quente para bebermos, o que acha?- Era difícil recusar, porém esperaria um pouco mais, mais dez minutos, nada mais, nada menos.

–Estou esperando alguém.- Disse vagamente, péssima decisão.

–E quem seria esse alguém?

–Eu sei que você o conhece, não se faça de desentendida mocinha.- Falei fingindo-me autoritário vendo-a rir e me soltar para sentar-se ao meu lado

–Então você está mesmo esperando “aquela pessoa”. – Falando desse jeito parece até...

–Ele não é “aquele que não deve ser nomeado” apesar de seu nome estranho, não estamos em Harry Potter irmã. – Ela deu uma gostosa gargalhada e eu não pude evitar de rir também.

–Já que você o descobriu, de novo, acho que não preciso esconder tanto mais. — Ela disse um pouco feliz de mais, tinha algo por trás disso.- Você trazia Grimmjow aqui para casa quando alugava algum filme, nós quatro assistíamos juntos quando papai não estava em casa, sabia que eu quem descobriu que vocês estavam namorando naquela época?- Perguntou divertida e eu senti minhas bochechas arderem pelo fato de pensar em minha irmãzinha de sete anos ver dois marmanjos se pegando.

–Parece que você não segue muito bem à regra dos outros de não me dizer nada.- Disse olhando-a novamente, vendo-a desviar o olhar e encostar-se em mim.

–Eu nunca gostei dessa promessa, sempre achei que você deveria descobrir sobre o seu passado Ichigo, afinal é seu. Porém eu não queria vê-lo passar por aquilo novamente. Então escondi de você.- Dizia de uma forma que nem parecia uma menina de dezessete anos, parecia ainda mais responsável que nosso próprio pai.- Porém agora está tudo perdido, você o encontrou novamente, não temos mais o que esconder. Ele te amava Ichigo, algo interferiu nesse amor, temos apenas que descobrir o que.

–Tínhamos. Não quero mais saber Karin, meu passado parece ter sido uma coisa horrível, e se vai me fazer apenas mal, eu não quero saber. Vamos entrar, eu aceito aquele chocolate quente agora.- Disse forçando um sorriso após levantar-me, estendendo a mão para ajuda-la a se levantar também, vendo-a me olhar profundamente antes de recusar minha mão e levantar-se sozinha, tirando os flocos de neve da roupa e voltando a olhar-me.

–Eu sei que o que diz é mentira. Sei também que seu sorriso é falso, não minta para mim, e principalmente não minta para si mesmo, você vai acabar se destruindo, assim como daquela vez.

Eu fiquei estático, senti minhas bochechas arderem violentamente após reparar em suas palavras, queria dizer algo, mas nada queria sair de minha boca, o que dizia parecia tão verdade que não havia argumento para sua confissão. Apenas abaixei a cabeça envergonhado, não pelo que ela disse, mas por mim mesmo, pelo jeito que eu estava agindo.

–Não importa o fato de sua mente esquecer, se seu corpo lembra, então tudo ficará bem.- Disse com um sorriso.- Tudo vai se resolver Ichi-nii, não se preocupe.

Pela primeira vez em dias eu finalmente sorri com vontade, vendo-a estender a mão e quando a peguei fui praticamente arrastado para dentro de casa onde Yuzu já nos esperava com um delicioso chocolate quente junto a biscoitos recheados.

Peguei o chocolate as agradecendo, peguei também um biscoito e subi para meu quarto. Quando terminei meu pequeno lanche me joguei na cama, estava morto, cansado tanto física quando mentalmente, e por esses fatos não demorou para que eu apagasse para o mundo real, e acordasse para o mundo dos sonhos.

Pov. Grimmjow.

Quando cheguei até a casa dele quase entrei em desespero. Ichigo não estava lá, não estava me esperando... Mas também, depois do quanto demorei sem dar satisfação do porque não apareci, seria um milagre ele ainda estar esperando. Ouvi a porta da casa abrir e as esperanças quase transpareceram em meu rosto, mas apenas quem saiu foi a irmã de Ichigo.

–Yuzu está dormindo, antes que pergunte.- Disse simplesmente parando bem a minha frente e cruzando os braços. Estava bonita, muito bonita.

–Karin, parece que você ainda acredita que eu não fiz por querer não é?

–Não se engane.- Seus olhos eram frios e não transmitiam qualquer emoção.- Estou a ponto de te estrangular.

–Ha há... Claro.- Ri sem humor encostando-me no carro e batendo a mão na testa, pensar em um jeito para convencer essa pequena não seria fácil...

–Porém te dou a chance de se explicar antes de criticá-lo. Dê-me em cinco minutos um bom motivo para dizer ao Ichi-nii para lhe ligar amanhã.- Eu já ia começar a falar quando ela me interrompeu.- Aqui não! Está frio, vamos entrar primeiro.

Eu a segui até a porta porém alguém me barrou, era a irmã mais nova, Yuzu, com uma cara ainda mais inexpressiva que Karin, chegava a dar certo medo a forma como me olhava porém me mantive firme ali.

–Me deixe explicar, Yuzu.- Pedi porém ela não movimentou um músculo sequer.

–Deixe de ser idiota Yuzu, não vamos tirar conclusões precipitadas. Deixe-o se explicar, e depois...

–Você sabia que o Ichi-nii estava morando com Renji?- Ela perguntou e eu quase dei um ataque, morando com Renji? Desde quando?!- Depois de se decepcionar com você novamente ele voltou pra lá, ele não está em casa, se resolvam outra hora.- E por fim ela fechou a porta. Eu estava estático, ouvia as duas discutindo do lado de dentro, mas não entendia o que falavam. Voltei para o carro devagar, sentindo a raiva me subir a cabeça. Como assim morando com Renji?! E por que voltou para lá se estava em frente de casa?! Isso não estava certo, eu tinha que descobrir o que estava acontecendo...

Pov. Ichigo.

Fracos raios de sol brilhavam em meus olhos, isso me avisava que já era manhã. Parece que havia sonhado com algo, porém não me lembrava do que, está sensação de que poderia ser algo importante era insuportável, mas deixei de lado e me levantei.

Puxei as cortinas escuras do quarto e pude ver a fraca luz do sol brilhando entre as nuvens, dei um suspiro antes de começar a me despir enquanto ia para o banheiro, banho, necessitava de um apesar do frio.

Uma péssima escolha foi parar para olhar o espelho. Levei um susto ao me olhar nele, em minhas bochechas tinham rastros de lágrimas já secas, e isso era totalmente inaceitável! Chorar por algo tão besta, tão insignificante quanto aquele homem era fora de questão!

Saí da frente do espelho antes que o quebrasse, entrando debaixo do chuveiro antes mesmo de a água se aquecer — o que me causou um arrepio involuntário.

Lavei bem o rosto antes de começar realmente o banho. Fechando os olhos levantei a cabeça, deixando a água cair diretamente em minha face, molhando os cabelos e escorrendo pelas curvas de meu corpo.

O que viam em mim? O que aqueles dois viram em mim? Sou um homem normal, com curvas de um homem magrelo normal, e um pensamento normal de mais para atrair dois gostosos desses... Eu sou muito... Normal.

Sem sal? Talvez essa seja outra forma de me auto descrever.

Quando terminei o banho me enrolei na toalha e saí distraidamente do banheiro, estava tão fora de mim que acabei me esquecendo de pegar a roupa antes de me enfiar debaixo do chuveiro. Eu já ia me abaixar para abrir a gaveta quando ouvi a voz de minha irmã.

–Eca Ichigo! Não vire essa bunda para mim!- Eu senti minhas bochechas arderem instantaneamente e me virei para a cama segurando a toalha com força, vendo Karin tampar os olhos com as mãos, Porém tinha nos lábios um sorriso bem largo. Safada.

–Karin! Fora daqui que eu vou trocar de roupa!- Gritei apontando para a porta porém ela não me deu atenção, apenas tirou a mão dos olhos e desfez o sorriso.- O que foi?

–Você deveria atender.- Ela levantou meu celular na minha frente amostrando que ele tocava, e o nome na frente da tela era “dele”.

Vou passar a chama-lo de Lord Voldemort, aquele que não deve ser nomeado... Por que né.

–Por que acha que eu deveria atender? Ele me deixou ontem, não quero mais saber de qualquer coisa relacionada a ele.- Disse calmamente me abaixando de forma mais discreta para abrir a gaveta e pegar minha roupa.

–Mas ele veio ontem.- Eu parei imediatamente o que estava fazendo e olhei para ela surpreso.- Sua cara denuncia que você quer saber do que estou falando.

–Desembucha logo!- Disse já impaciente voltando a pegar a roupa e indo para o banheiro me trocar.

–Ele chegou um pouco depois que você veio se deitar. Ele iria contar porque se atrasou, e também... Outras coisas que você vai acabar sabendo! Porém quando ele ia entrar Yuzu o mandou embora.- Ela falou a ultima frase com certa raiva, porém a sua voz normal logo voltou.- Dê uma segunda chance a ele, aposto que explicará direito o que aconteceu.

–Não sei por quê você acha tanto que ele é inocente...- Disse saindo do banheiro já devidamente vestido. Olhando-a de cima a baixo. Não parecia muito de bom humor, estava mais para alguém totalmente entediado.

– E se eu decidisse a não dar a segunda chance?- Neste momento o celular parou de tocar e eu dei um sorriso vitorioso. Ela olhou-me irritada mas logo deu um suspiro derrotada e largou o telefone, levantando-se e vindo em minha direção.

–Você não tem razão nenhuma em não dar a ele uma segunda chance. Afinal ele veio ontem. – e saiu do quarto batendo com força a porta.

–Tenho muitas razões okay?! – Gritei irritado jogando-me na cama novamente. Eu falei sem pensar, apenas uma razão eu tinha, que foi ter se atrasado tanto ontem. Nada do que fez comigo até agora, foi sem eu querer, e apesar de dizer não quando pedi pra me comer ele teve suas razões.

O telefone vibrou mais uma vez, fiquei alguns segundos olhando para ele antes de pegá-lo para ver o nome, porém não era Grimmjow quem me ligava dessa vez.

–Renji...?

–Ichigo... Eu, eu preciso falar com você, será que eu poderia ir ai?- Falar comigo? O que ele queria dessa vez? Tentar me convencer de novo sobre o Grimmjow?

–Olha Renji... Eu não sei se é uma boa ideia agora...- Eu ouvi fracas batidas na porta e me levantei para abri-la, porém levei um susto com quem estava ali.

–Por favor, prometo não fazer nada.- Eu abaixei o celular e dei um suspiro antes de voltar a me jogar na cama.- Eu vim pedir desculpas, por ontem e tudo o que fiz com você.- Me sentei na cama para olhá-lo melhor e ele continuou. – Eu não tenho direito nenhum de me meter nas suas relações com outra pessoa, independente de quem seja. – Fez uma careta após a ultima frase.- Eu te amo, mas sei que você não me ama, e não importa o que eu fizer não vai me amar...

–Renji...

–Então eu aceito ser apenas seu amigo, assim como antes. – Eu me levantei e olhei bem para seu rosto, poderia ser outro truque, estávamos sozinhos no quarto e provavelmente na casa também. Mas os segundos se passaram e ele nada fez.- Mas eu quero apenas um favor, algo para acabar com tudo isso, você aceitaria?

–E o que é?- Perguntei desconfiando do que poderia ser.

–Um beijo.- Na mosca!

Senti as bochechas arderem de início, um beijo? Fala isso como se fosse tão normal! Sei que não tem nada entre mim e o Grimmjow, apesar de que já fizemos, ou quase fizemos sexo, não quer dizer que temos alguma relação né? Não quer dizer que vou me sentir culpado depois por ter beijado o Renji né? Ah quer saber, que se foda! Quero logo que tudo isso acabe mesmo!

Com os olhos fechados eu me agarrei na blusa de Renji e o beijei, parecia ter ficado minimamente surpreso, e decepcionado, porém pôs a mão em minha cintura e respondeu ao beijo. Sua língua tentava invadir minha boca, e acho que dessa vez, não tinha problema darmos um beijo descente.

Quando nossas línguas tocaram, foi uma batalha quase tão intensa quanto era com Grimmjow, sua língua não queria perder, e eu também não queria me dar por vencido, parando em empate quando o ar nos falto e tivemos que nos separar.

–Sendo essa a sua resposta, estou indo embora. Espero que possamos conversar normalmente daqui a algum tempo, mesmo depois de tudo o que eu fiz.- Ele deu um sorriso totalmente forçado e saiu de meu quarto fechando a porta. Nesse mesmo instante meu celular tocou, e dessa vez finalmente era Grimmjow.

–Ichigo! Finalmente... Me deixe conversar com você por cinco minutos! Por favor...- Ele pedindo por favor? Parecia estar realmente desesperado...

–Dê-me em cinco minutos um motivo para não desligar o telefone na sua cara.- Falei ríspido vendo-o ficar mudo por alguns segundos antes de rir fraco. Ele estava rindo? Ele estava rindo de mim?! Ah mas que filho da pu...

–Você... Não, sua irmã realmente se parece muito com você.- Do que estava falando? O que minha irmã tinha haver com isso? Aaah esquece! Ele voltou a falar...- Ontem no hospital chegou uma menina com uma cirurgia de emergência e eu fui designado para operá-la, tudo correu bem mas eu me atrasei uma hora, depois disso...

–Tudo bem, eu já entendi.- Sentia-me envergonhado, como não pensei nisso antes? Ele é médico, provavelmente um bem recomendado, claro que ele pode ter emergências... Como sou idiota...- Desculpe, por não ter esperado mais... Karin disse que você chegou um pouco depois.

–Não tem problema, quer que eu vá te buscar?- Disse a ultima parte com certa irritação, não entendi mas preferi ficar quieto sobre isso.

–Não, tudo bem. Eu vou até aí, espere, você está em casa não é?

–Sim, claro. Estarei te esperando.- Disse dessa vez com a voz mais serena, o que me fez sorrir que nem bobo, por que estava sorrindo? Ele apenas estava falando comigo pelo telefone! E também, eu estou com raiva dele! Não é?...

Desliguei o telefone e fui trocar de roupa, olhei dentro da gaveta e um pacotinho colorido embolado junto de algumas roupas me chamou a atenção. Minhas bochechas esquentaram como nunca ao pegar aquilo que não estava ali antes.

–Não pode ser... KARIN!!- Me levantei rápido e corri escadas a baixo até a sala, e quando olho para a porta lá estava ela, com cara de safada olhando-me com um sorriso de orelha a orelha.

–Divirta-se.- Beijou a palma da mão e assoprou, dando uma gargalhada antes de fechar a porta. Ah que frustração... Pra onde foram minhas irmãzinhas inocentes? Dar-me um beijo soprado é uma coisa, dar camisinhas multicoloridas é algo totalmente diferente!

Saí de casa e peguei o ônibus até o apartamento de Grimmjow, quando cheguei lá a recepcionista logo tentou se esconder, coitada, a traumatizei. Tentei explicar que naquela vez eu estava tendo um dia ruim e por isso estava de mal humor, porém ela não quis acreditar. Quase a mandei ir tomar naquele lugar, porém apenas fui até o elevador e apertei para ir ao décimo quarto andar.

Quando a porta de aço já ia se fechando alguém a impediu, pondo o pé e logo depois a mão para que não se fechasse. A porta cedeu e abriu novamente, engoli o seco vendo aquelas duas pessoas, o primeiro parecia um grande empresário, cabelo castanho mediano penteado para trás deixando apenas alguns fios teimosos caírem por sua testa. Frios olhos também castanhos, terno de grife importado da Itália, e um sorriso que era de arrepiar. Logo atrás dele veio um homem igualmente alto, cabelos grisalhos e olhos de raposa, um sorriso igualmente assustador e as mesmas roupas de seu colega.

–Ora, ora...- Seu olhar parece ter ficado ainda mais frio quando reparou em mim, como se eu fosse um bichinho bem fraco, isso me irritou, porém não iria partir para cima de um cara mais alto até mesmo que Grimmjow, seria loucura.- É um novo morador? Senhor Kurosaki...

Notas finais
É isso pessoal, se gostaram falem, se não gostaram, falem também kkkk' critiquem, elogiem, eu fico tão feliz com cada pequena coisinha que vocês fazem que nem imaginam rsrs' Estou com quatro recomendações, isso é quase um sonho! Bem, queria fazer também uma coisa diferente, perguntem o que quiserem sobre mim e Yuna nos reviews, iremos responder suas perguntas :) Eu começo o Eu sou Yuki e meu nome verdadeiro é Thais de Souza, tenho dezessete anos, estou no primeiro ano do segunda grau. O verdadeiro nome da Yuna é Alessandra Rodrigues, tem quinze anos e ta no primeiro ano do segundo grau junto comigo! Agora perguntem, estaremos a disposição :) Ps: Se quiserem nos encontrar no Facebook esse é o endereço -> https://www.facebook.com/yuuh.lovegood Estejam atentos, postaremos fotos yaoi, então não nos responsabilizamos por parentes no facebook XD Kisses da Yuki~~* Ciao~