Notas iniciais
Boa Leitura:

2016, Angeles City

— Khyahrra, acorde por favor. – Violet choramingou. – Anda levanta, vamos acabar por nós atrasar, e perder o café da manhã. – Vendo que suas palavras não tinham causado efeito algum na amiga que ainda dormia, Violet a sacodiu ferozmente.

— Bom dia para você também, Violet. – Khyahrra esbravejou ainda embriagada de sono.

— Bom dia –Violet murmura. – Khyahrra vai se arrumar para o colégio. – A morena pede.

— Okay, já vou, mamãe – Khyahrra debocha.

— Vou te esperar lá em baixo. – Violet grita antes de Khyahrra entrar no banho – Quer que eu leve sua mochila? – Ela pergunta

— Sim. – A loira responde no mesmo tom.

Ao entrar no banheiro, logo Khyahrra começa a se despir, a loira toma um banho rápido, ao sair, sorri, Violet tivera deixado o uniforme em cima da cama, Khyahrra começa a se vestir e logo depois prende o cabelo, que a ela considera loira demais, em uma trança de lado, faz uma maquiagem simples e logo sai do quarto apressada.

— Minha querida, demorou hoje. – Dona Constance, a dona do Orfanato, admirou-se. – Bom dia.

— Bom dia, Const. – Khyahrra murmura em resposta e Constante lhe dá um beijo na têmpora – Dormi demais.

— Percebemos, Khyahrra – Violet zomba.

As duas tomam um café rápido com as outras cinco crianças do orfanato, e logo a barulho da buzina do ônibus ecoa em seus ouvidos.

— Boa aula meninas – Constance grita ao ver as meninas saírem pela porta.

— Khyahrra me diz, teve pesadelos não foi? – Violet pergunta preocupada a amiga loira.

— Sim. – Khyahrra responde, sua expressão revela cansaço. A doce menina sempre se perguntou o porquê desses pesadelos tão ruins.

— Como foi? Você se lembra? – A morena perguntou curiosa.

— Mais ou menos, quer dizer, ninguém nunca se lembra de todo o seu sonho. –Violet revira os olhos. – Okay, Violet foi como sempre. Eu estou em um local grande, a arquitetura é estranha e diferente, posso comparar com templos gregos, na minha frente vejo um grande pedestal, e nele há uma espécie de tiara brilhante em cima, então de repente aparece um anjo, o homem pede para eu ir com ele, mas quando eu caminho em sua direção, uma mulher, rodeada por sombras, ou sei lá o que é aquilo, me manda não ir, para não confiar no anjo, no meio disso fico indecisa, é como se eu não pudesse dizer não para nenhum dos dois, no fim o sonho acaba comigo sendo consumida por uma espécie de nevoa branca e negra. – Khyahrra conclui e sua amiga ainda a fita interessada.

— Khy, você já pensou em ir a um psicólogo? – Violet questiona constrangida.

— Não, eu não sou louca Violet – Khyahrra esbraveja.

— Esses médicos, não são só para loucos. – Violet responde ríspida.

— Eu sei, desculpe. Mas não Violet, eu não quero. – A loira murmura cansada.

— Tudo bem. Eu só, achei que seria uma boa ideia. – Violet murmura e o tom violeta de seus olhos se aprofunda.

— Eu sei, mas eu não preciso. Um dia, esses pesadelos terão que acabar.

— Você que sabe – Violet diz colocando seus fones e virando o rosto.

Khyahrra suspira melancolicamente, ela detesta brigar, discutir ou até ser rude com Violet, a morena é a sua amiga mais antiga, quase como uma irmã. As duas chegaram juntas ao orfanato, Constance no momento até pensou que eram irmãs, fato esse desmentido por um simples exame de sangue, o que não mudou a relação das meninas.

Quando o ônibus chega ao colégio, as duas descem e caminham em direção a uma árvore no centro do pátio.

— Bom dia meninas – Anhya, uma ruivinha de 17 anos, fofa e super carismática recebe as meninas com um lindo sorriso.

— Bom dia Anhya – Khyahrra responde sorrindo.

— Oi Anhya – Violet a cumprimenta.

— Onde está o seu irmão, Anhya? – Khyahrra questiona.

— Ele foi comprar um suco. – Anhya responde, pegando um livro na bolsa. – Oh ali ele – Ela diz apontado atrás de Khyahrra.

Ela se vira e vê Kyle caminhando em direção a elas.

— Bom dia, garotas. – Kyle fala.

Kyle é alguns centímetros mais alto que Anhya, sua irmã gêmea, ruivo e olhos verdes como ela, a única diferença, Anhya tem sardas, ele não.

— Bom dia – Violet o cumprimenta.

— Bom dia, Kyle – Khyahrra fala e o abraço forte.

— Opa, cuidado com o suco. – Ele ri alto.

— Acho melhor irmos para a sala de aula. – Anhya diz.

— Vemos vocês na hora do lanche – Kyle diz, passando o braço em torno dos ombros de Khyahrra.

Kyle e Khyahrra caminham sozinhos em direção a sala de aula, naquele dia, eles não teriam aulas com Anhya e Violet.

— Dormiu bem? Sem pesadelo? – Kyle indaga parando a loira na porta da sala.

— Não e não. Tive pesadelo, e de novo igual. – Ela suspira em resposta.

— Você está linda, como sempre. – Kyle murmura tentando mudar de assunto.

— Kyle não começa, por favor. – A loira ped.

— Desculpa. – Ele abaixa a cabeça.

— Kyle, eu disse que podíamos tentar, só isso.

— Certo. – Ele levanta a cabeça mais animado – Vem, vamos sentar. – Ele diz e entra na sala puxando-a pelo braço.

Ao fim das aulas, Kyle e Khyahrra encontram Anhya e Violet no portão.

— Meninas que tal irmos à pizzaria? – Kyle dá a ideia.

— Estou cansada, vou para o orfanato. – Violet responde.

— Também quero voltar logo, pode ser amanhã? – Khyahrra o questiona.

— Tá, pode sim. – Ele responde e traços de tristeza são capitados em seu olhar.

— Então vemos vocês amanhã – Anhya diz.

Khyahrra suspira pesadamente e puxa Kyle para longe de Anhya e Violet.

— Hey, foi mal, mas Violet ainda está mal com tudo o que aconteceu – A loira argumentou. – O término do namoro com o Dylan não foi fácil você sabe disso.

— Tudo bem mesmo, sério. Cuida da tua amiga. – Ele diz sincero.

— Obrigada por entender. –A loira agradece lhe dando um rápido selinho.

Os quatro se despedem e logo Violet e Khyahrra estão voltando para o orfanato.

— Khy – Violet murmura – O que você sente pelo Kyle? – A morena questiona.

— Violet, eu realmente não sei. – Khyahrra admite.

— Mas você e ele estão tendo alguma coisa. –

— Estamos, mas... – A loira suspira. – Eu amo Kyle, eu o amo mesmo, porém.... – A loira gagueja – creio que só como amigo.

— Então porquê? – Violet insiste.

— Por que, ele insistiu tanto e aparentemente todo mundo diz que ficamos bem juntos. – A loira explica.

— Mas, e o que você sente?

— Vio, eu estou bem com ele. – Khyahrra argumentou. – Por enquanto pelo menos. – Ela concluiu.

— Por enquanto. – Violet sussurra alto o suficiente para apenas a mesma ouvir.

O restante do caminho seguiu em silêncio, silêncio esse bem desagradável.

Ao chegarem ao orfanato, encontram uma Constance aflita na porta.

— Meninas, ainda bem que chagaram. – Ela quase grita.

— O que houve? – Violet pergunta.

— Tem um homem aqui, ele está procurando você Khyahrra. – Const diz.

— A mim?

— Sim. – Const afirma puxando as meninas para dentro.

Constance caminha na frente das meninas em direção a sala.

— Senhor. – Constance chama o homem, que até então estava concentrado fitando um quadro em cima da lareira – Aqui está ela.

— Khyahrra Di Ângelo? – O homem questiona virando e fitando a loira.

O homem é loiro, os olhos parecem serem cinzentos ou azuis, magro, porém definido. Vestia um terno elegante cinza.

— Sim, sou eu. – Khyahrra murmurou constrangida.

— O que faz aqui? – Violet interrompe com uma expressão péssima.

Constance franze a testa.

— Violet, educação. – Const a repreende.

— Posso conversar com Khyahrra a sós? – O homem indaga ignorando completamente Violet.

Constance fita Khyahrra que assente.

Ela sai, puxando Violet consigo.

— Vamos até o jardim – Khyahrra murmura e o homem a segue em silêncio até um banquinho no jardim.

— Khyahrra, você obviamente não me conhece. – O homem começa. – Porém, eu lhe conheço, e há muito tempo.

— Como assim? – Khyahrra Disse.

— Khyahrra, o que vou dizer é muito importante e verdadeiro. – Ele continuou.

— Quem é o senhor?

— Eu sou Gabriel, o Arcanjo Gabriel. – Ele explica.

Khyahrra deve ter agido como qualquer outra pessoa em sua situação, o riso é a forma que o ser humano encontra de aliviar a tensão em determinados momentos.

— Sinto muito Senhor, mas isso é surreal. – A loira desculpou-se pelo riso.

— Entendo sua cegueira em relação ao assunto. – Ele diz – Mas eu sou o Arcanjo Gabriel, e vim a terra, pois você precisa saber que há uma profecia antiga que fala sobre você.

— Senhor, como soube onde eu moro? E como sabe meu nome? – A loira preocupa-se.

— Khyahrra, tem que acreditar em mim. Sou um anjo, eu sou Gabriel.

— Senhor, sinto muito. Mas não espera que eu acredite nessa história, por favor.

— Sinceramente, espero.

— Pois o senhor está louco. –Khyahrra esbraveja levantando-se.

— Espere, tem que me escutar. Você corre risco. – Ele suplica.

— Risco? – Khyahrra repete e Gabriel assente. – Que tipo de risco? –Ela questiona.

— Você está destinada a salvar o paraíso.

— O paraíso? Tipo, o céu? – A garota pergunta.

— Sim, exato.

— Meu senhor, por favor vá embora. Está louco. – A menina implora e começa a se afastar, porém, Gabriel segura seu braço a forçando a fitá-lo.

— Espere, tem que acreditar. Sua vida e a seus amigos corre risco. – Ele implora mais uma vez.

— Como sabe que sou a salvação do paraíso? –A loira o indaga.

— Por que é a única que pode, a única no mundo.

— Não ajudou muito. – Ela diz. – Senhor, sinto muito, eu não sou uma salvadora. O senhor se enganou, me perdoe, mas tenho que entrar.

A menina se afasta e dá as costas ao homem.

— Khyahrra – Ele grita a alguns passos atrás da garota. – Logo irá perceber que falo a verdade. Se precisar de ajuda seja para o que for, se ficar confusa sobre o que disse ou se quiser saber mais, é só dizer meu nome e eu virei ao seu encontro. – Ele diz.

A menina vira pronta para confrontar aquele homem, porém, ele desapareceu, simplesmente sumiu, como em um passe de mágica. Alguns segundos depois, ainda tentando entender o que houve ali, a menina entra no grande casarão, ainda atormentada com tudo o que o homem lhe disse.

No quarto, Violet aflita espera a amiga.

— O que aquele homem queria? – Ela questiona.

— Nada, é um louco. Disse que é o Arcanjo Gabriel e que eu sou a salvação do paraíso. Piradinho ele ne. – Khyahrra murmura sentando-se na cama e retirando os sapatos. – Louco não é. – Khyahrra diz indo em direção ao banheiro.

— Eh, ele é sim. – Violet, agora sozinha no quarto, murmura.

Porém, algo em sua voz vacila. A morena caminha em direção a janela e fita o céu.

— Vocês podiam esperar mais algum tempo, ela ainda não está preparada. – A morena lamenta e algumas lágrimas rolam por sua face.

“– Ela está sim. ” — Uma voz sussurra nos ouvidos de Violet. Fazendo a menina chorar mais.

No restante do dia, Violet simplesmente deixou Khyahrra sozinha, nenhuma das duas voltou a falar sobre o assunto do homem. Khyahrra se ocupou com as outras crianças do orfanato e Violet se isolou em algum lugar do casarão, à noite, Khyahrra não pode deixar de pensar no homem que foi visita-la.

Violet, deitada em sua cama a noite, não parava de pensar, que a vida dela e de Khyahrra estava prestes a mudar completamente, com Gabriel na terra, e cercando Khyahrra, Violet tinha certeza, que desta vez, não iria conseguir proteger a loira.

Notas finais
Se tem alguém lendo a história, se pronúncie, por favor. -Vick