Lost Jewels (HIATUS)
3 Chapter Two.
Notas iniciais
Aquela noite, possivelmente, poderá ter sido a pior noite até aquele dia na vida de Violet e Khyahrra. Nenhuma dormiu muito bem a noite, Khyahrra com mais pesadelos com sua mãe, que a abandonou ao nascer. E Violet, com pensamentos sobre os seus piores temores.
Khyahrra abre os olhos lentamente, o relógio marca 5:45h da manhã, alguns minutos adiantada, a loira boceja ainda sonolenta de sono.
Fita a cama de Violet, porém, a mesma está deitando de costas para a loira.
Khyahrra levanta-se e caminha em direção a janela, onde observa o céu.
Enquanto a menina fita o céu, recorda-se das palavras de Gabriel.
“– Você está destinada a salvar o paraíso. ”
Palavras que ainda ecoam na mente da jovem, Khyahrra acreditava fielmente que Gabriel era um lunático.
Violet se remexe na cama chamando a atenção de Khyahrra.
— Já acordada? O que houve? – A morena questiona visivelmente surpresa.
— Não conseguir dormir, tive muitos pesadelos. – A loira responde. – Mais do que o normal.
— Você está bem? – Violet pergunta preocupada.
— Estou, eram apenas sonhos. – Khyahrra responde.
— Me conta, o que viu dessa vez? – Violet pergunta.
— Os sonhos, ou pesadelos, foram normais, nada de extraordinário, eu acho. – A loira franze a testa – Estava pensando naquele homem de ontem, o que veio me procurar. Ele devia ser um lunático é claro, mas sei lá, ele parecia estar sendo sincero.
— Khy, já pensou na possibilidade daquele homem estar falando a verdade? – Violet temerosa questiona amiga.
— Você acredita nele? – A loira surpreende-se.
— Sei lá, eu só acho que o homem não teria o trabalho de vir aqui se não fosse para falar algo sério.
— Violet, por favor. Aquele senhor era um lunático, louco, maluquinho. Não, é claro que não cogitei em nenhum momento que ele possa estar certo, afinal, isso é surreal. Não é natural. – A loira esbraveja.
— Só estou dizendo que, no mundo em que vivemos, tudo é real, tudo pode ser possível. – Violet dá de ombros.
— Violet, isso não é um episódio de “Supernatural”, não existem anjos e demônios. Pare, não quero falar sobre esse assunto. – A loira pede.
— Tudo bem – Violet responde – Vou tomar banho. – A morena fala e logo se tranca no cômodo, deixando Khyahrra a pensar.
“Violet estar vendo filmes demais, ora, acreditar que eu sou a salvadora do Paraíso, ah por favor, tenho problemas maiores para me preocupar. ”— A loira pensa.
Violet sai logo do banho, Khyahrra entra em seguida, porém, sai logo também.
Ao sair, Khyahrra vê Violet pentear o cabelo castanho com cuidado.
— Quando vai retocar as mechas? – A loira pergunta questionando a amiga em relação as pontas violetas do cabelo de Violet. – Para quem não gosta da cor dos olhos, você usa demais a cor Violeta. – Khyahrra brinca.
— Não pintei meu cabelo de Violeta por conta dos meus olhos. – Violet responde.
— Ah sim, foi por causa do seu nome talvez? – A loira zomba.
— Khyahrra, hoje você acordou especialmente irritante. – A morena responde irritada.
— E você acordou como sempre, chata.
— Vou descer, e vê se não demora. Você sempre faz hora com seus fios de ouro. – A morena grita enquanto sai do quarto levando sua mochila consigo.
Khyahrra arruma-se a velocidade de uma lesma, a mesma desce mais atrasada do que no dia anterior, pois assim que toca o pé no último degrau da escada, a buzina do ônibus ecoa em seus ouvidos.
— Menina, nem comeu nada. – Constance alertou.
— Não se preocupe Const, como na escola – Khyahrra responde enquanto sai pela porta da frente.
A loira senta-se ao lado da amiga no ônibus, porém, nenhuma das duas dá a intenção de começar um assunto, então o caminho até a escola é preenchido apenas pelo barulho dos outros estudantes dentro do ônibus.
Ao chegar na escola, as duas encontram Kyle e Anhya no portão.
— Bom dia – Khyahrra e Violet cumprimentam juntas.
— Bom dia meninas – Kyle diz sorrindo.
— Oi, bom dia – Anhya responde animada.
— O que houve Anhya? Está mais animada hoje. – Khyahrra questiona sorrindo.
— Ela criou coragem e convidou Adrian para o baile – Kyle responde.
— Ele aceitou? – Violet pergunta sem demonstrar real interesse.
— Sim. – Anhya quase grita – Estou tão feliz. Sinto que dessa vez vai dar certo.
— Vai dar certo o que? – Khyahrra questiona temerosa.
— Sinto que dessa vez achei o amor verdadeiro. – A ruiva responde em meio a suspiros apaixonados.
Kyle revira os olhos e Khyahrra sorri.
— Assim como sentia que iria dar certo das últimas, quatro vezes? — Violet ironiza – Por favor Anhya, ele é apenas mais uma da sua lista de amores verdadeiros. – Violet conclui fazendo aspas com as mãos.
— Violet, é sério, dessa vez vai dar certo. – Anhya responde, porém, sua expressão mostra que as palavras de Violet realmente a tocaram.
— Anhya, sabe o que acho? – A loira intervém – Pode ser que esteja certa. – Khyahrra pondera e Anhya sorri agradecida.
A ruiva sai caminhando a frente dos amigos, animada demais até para seus próprios padrões.
— Não devia fazer isso, alimentar esperanças nela. – Kyle reclama.
— Kyle está certo. – Violet concorda – Ela vai acabar se ferindo, como das últimas quatro vezes em que achou ter descoberto o amor verdadeiro só esse ano.
— Fiz besteira? – Khyahrra encorajou-se a perguntar.
— Não. – Kyle responde.
— Sim. – Violet interrompe.
— Violet. – Kyle a repreende.
— Não diga que não avisei. – Violet zomba ignorando completamente Kyle. – Quando ela estiver chorando pelo, “Amor verdadeiro” – Violet fez aspas com os dedos – Será você à cuidar dela. – Ela termina apontando para Khyahrra.
— Certo, fiz besteira. – A loira admite cabisbaixa e Kyle ri.
Os quatro caminham juntos até a sua sala, pois naquele dia teriam aula juntos.
Ao fim das aulas, Anhya chamou os amigos para irem ao parque, que ficava a suas quadras da escola. A ruivinha iria se encontrar com Adrian, mas não queria ir sozinha.
— Isso é ridículo. – Violet reclama ao lado de Khyahrra.
— O que é ridículo? – Kyle questiona trazendo consigo três sorvetes. – Aqui o seu Violet. – Ele diz e entrega o sorvete a morena.
— Valeu – Violet agradece. – Essa cena é ridícula, vir ao parque só para observá-los. – Violet responde à pergunta de Kyle enquanto o ruivo passa o sorvete a Khyahrra.
— Concordo. – Kyle fala.
— Gente, é legal. A glória do primeiro amor. – A loira intervém sorridente.
— Primeiro amor? – Violet indaga sarcástica – Khyahrra, esse é o quinto. Quinto. – Violet repete mostrando cinco dedos. – Em apenas um ano.
— Violet tem razão, minha irmã deveria sossegar. Ela está exagerando nessa de amor verdadeiro. – Kyle diz.
— Vocês não entendem. Deixem ela.
— Bem como será você a consolá-la quando isso não der certo. Pouco importa. – Violet dá de ombros.
— Por que tem tanta certeza que não dará certo? – A loira pergunta zangada.
— Khy, vai dizer que você não sabe. Até eu sei. – Kyle responde por Violet. E a loira o olha confusa. – Todo mundo da escola sabe que Adrian gosta de Audreea Langdon.
— Sério? – A loira pergunta sem crer.
— Sim, sério. – Violet responde.
— Então porque ele aceitou o convite da Anhya? – Khyahrra insiste.
— Tenho uma teoria. – Violet responde – Ele aceitou, pois, a Audreea não o convidou e ele acha que vai conseguir fazer ciúmes nela, usando nossa querida Anhya. – Violet termina.
— Mas que cafajeste. – A loira reclama.
— Mas, Anhya meio que já sabia disso quando o convidou, eu mesmo falei para ela. Mas ela já colocou na cabeça que ele é cara metade dela. – Kyle murmura cansado.
— Eu não sei vocês, mas eu vou embora, estou cansada. – Violet diz.
— Vou com você. – A loira diz.
— Hey e a Anhya? – Kyle pergunta.
— Você é o irmão, fique aqui e cuide dela, é sua obrigação de irmão mais velho. – Violet diz.
— Somos gêmeos.
— Mas você é mais velho por dois minutos. – Violet diz.
— Dois malditos minutos, só isso.
— Kyle, você não vive dizendo que é o mais velho? Então, exerça seu dever. – A loira zomba.
— Vocês são irritantes. – Ele diz derrotado.
— Vejo você amanhã, tchau. – Khyahrra murmura lhe dando um rápido beijo.
Logo as duas meninas se afastam do parque.
As duas caminham em silêncio, o caminho até o orfanato não é longe, porém, não é nada perto.
Faltando uma quadra para chegarem, um velho as aborda.
— Khyahrra – Ele pronuncia.
— Sou eu. – A loira responde receosa.
— Khy, vamos. – Violet fala temerosa.
— Esperem. – O velho diz assustadoramente.
— Fala logo o que quer, ou vou gritar. – Violet diz.
— Khyahrra, você tem que cumprir seu destino. – Ele diz.
“Que? Cumprir destino? Que destino? ” — A loira pensa.
— Que destino? – Khyahrra pergunta.
— Seu destino é reinar no inferno. – O velho sorri e mostra os podres dentes.
— O senhor é louco? – Violet quase grita.
— Tem que cumprir seu destino Khyahrra. – Ele diz mais alto. Assustando-se Violet puxa Khyahrra pelo braço a começa a se afastar do velho – Você tem que governar o inferno, assim como sua mãe. – O velho grita a passos atrás das meninas.
“Paro. Como assim, como minha mãe? ”— A loira pensa.
— O que? – Khyahrra vira-se. – Minha mãe? O que sabe sobre minha mãe. Quem é o senhor?
— Khyahrra não dá trela para esse louco, vem agora. – Violet fala e puxa a amiga com mais força, assim, logo chegam ao orfanato.
— Meninas, estão ofegantes, o que houve? – Constance pergunta ao entrarem.
— Um velho louco nos abordou na esquina. – Violet responde.
— Meu deus, estão bem? – Constance indaga preocupada.
— Estamos – A loira responde emburrada e sobe as escadas com Violet em seu encalço.
— Khyahrra, você está bem? – A morena pergunta assim que entram no quarto.
— O velho, você escutou. Ele disse que tenho que reinar no inferno, igual a minha mãe. Violet, o que foi isso? – Khyahrra soluça em meio a lágrimas.
— Calma. – Violet a abraça. – Aquele velho era louco. – Ela murmura.
— Ótimo, mais um louco na minha vida. Ontem foi o suposto anjo e hoje um velho na rua. Eu devo ter sido amaldiçoada, só pode. – Khyahrra diz chorando.
— Calma, já passou. O velho estava louco e o anjo de ontem também. – Violet murmura.
Violet a abraça mais forte, e só a solta quando a loira aparenta estar mais calma.
A loira deita-se em sua cama e tenta dormir.
“Por que o velho falou de minha mãe? Nunca pensei nela. Afinal, alguém que deixa a própria criança na porta de um orfanato em uma noite de chuva, não merece compaixão alguma. Mas, agora, pensando, será que o velho conhece minha mãe? ” — A loira pensa e logo adormece.
Enquanto Khyahrra dorme, Violet vai ao jardim.
— Gabriel, por favor, preciso de você. – A morena sussurra baixo.
Uma brisa forte e fria, faz com o que Violet puxe mais as mangas da blusa.
— Por que me chamou? – Gabriel questiona a frente da morena.
— Um demônio estava na esquina a poucas horas. – A morena fala.
— Ela está bem? – O anjo refere-se a Khyahrra.
— Sim, mas está desmoronando.
— Contei a verdade a ela, mas é teimosa, parece até...
— A mãe? – Violet o interrompe.
— Sim. E isso é péssimo.
— Não tem realmente como esperar mais, não é.
— Não. – O anjo responde cansado. – O Diadema foi roubado, os anjos não acham de forma alguma.
— Como perdeu o Diadema? – Violet quase grita. – Era a sua única tarefa.
— E a sua proteger ela. Mas parece que ninguém aqui está fazendo seus deveres direito. – Gabriel reclama.
— Não posso protege-la contra demônios. – Violet murmura.
— Estamos sobrecarregados, brigar não vai ajudar ninguém. – Gabriel suspira.
— Eles a estão cercando.
— Vou pedir para Rafael vir te ajudar. – Gabriel fala.
— Rafael?
— Sim.
— Não vai adiantar, temos que levá-la para o templo, ela só estará segura lá.
— O templo é longe demais, e a viagem é muito perigosa.
— Não tem outro jeito. – A morena diz por fim.
— Então ela tem que acreditar.
— Eu cuido disso. – Violet responde e segundos depois o Anjo desaparece.
“Khyahrra vai voltar a estar segura, foi uma promessa, e anjos não descumprem promessas. ” — Violet pensa enquanto fita o céu.
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