Lost Inside
2 Sem importancia.
Notas iniciais

– cuidado...
– eu sei!
– não afrouxe o aperto!
– certo!
Segurando firme os cabos de aço, pesados. Os quatro tentavam conduzir seu encarcerado, os selos de contenção de chakra não minavam sua força superior mesmo com um corpo tão desnutrido, e além da força física deviam temer os mínimos movimentos da cabeça e das mãos.
Estava completamente contido por uma camisa de forma, correntes pesadas repletas de selos envolviam seu tronco tornando a tarefa de andar quase impossível. Para conduzi-lo sem tocar, os cabos de aço tinham uma corda que sugava chakra na ponta e envolviam seu tronco, como as usadas para capturar animais selvagens com segurança, não havia diferença, a essa altura.
Mesmo assim se debatia como se ainda pudesse recuperar qualquer resquício de liberdade, impedindo-os de prosseguirem com agilidade pelos milhares de corredores subterrâneos.
Sem enxergar, sua atenção focava em outros sentidos, no cheiro, nos sons, até mesmo no gosto do ar que sua língua captava quando abria a boca, tudo.
Jogando o corpo para os lados tentava obter o mínimo de movimentos, os braços estavam cruzados na frente do corpo e as longas mangas da camisa de força se prendiam atrás com cadeados, mas movia-se freneticamente buscando desvencilhar um dos braços para fora dela. Em algum momento bateu a cabeça em alguma parede e foi puxado de volta.
– não deixem que se movimente demais!
– as mãos! As mãos! Não deixem que mova os dedos!
Mas era tarde, seus dedos escaparam minimamente e num movimento qualquer deles o elmo que cobria olhos e cabeça se despedaçou com a onda violenta que encheu o corredor e engoliu os quatro ninjas.
Mas não fora o bastante, quando os selos de supressão de chakra voltaram a agir.
Entretanto, isso foi há muito tempo...
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– ohhhh – Sakuya e Izuna soltaram, as bocas em perfeitos Os ao adentrarem a sala do Hokage.
O primeiro que Sasuke visualizou foi Shikamaru, sério e compenetrado recostado no canto da sala.
Olhando para a mesa em frente à janela ele viu Naruto, um Naruto mais velho, mais ameno, e que sentado na mesa parecia admirar um dos porta-retratos que havia sobre ela. Atrás dele, sentado na janela viu Sai.
– um pouco mais tarde que o previsto – Shikamaru pronunciou, sem qualquer tom de sermão ou acusação, uma observação, que ele como conselheiro do Hokage nunca rejeitaria deixar de fazer.
– vindo com crianças.- Sasuke justificou, dando de ombros, Sakuya o fitou sorrindo fascinada e ele soube que ela queria ser apresentada, ou que lhe apresentassem aquelas pessoas, era uma curiosa que ele temia que não tivesse cura.
Naruto pareceu despertar e pôs o porta-retratos na mesa se virou e sorriu, não foi um sorriso aberto e idiota que era sua marca, mas ainda era sincero.
– yo!
– ainda no cargo, Dobe, quanta sorte.
– não vou nem responder a altura, com essa gracinha aqui por perto, Teme – Naruto respondeu vindo até ele e encarando Sakuya – yoo, princesa!
– y-yo! – ela respondeu encolhendo-se um pouco.
– hey não se assuste eu sou um tio muito bonitão não acha? E você já está acostumada com a cara feia e depressiva do seu pai não?
– papa é o homem mais bonito do mundo...- ela afirmou cheia de si.
– Sasuke, está mentido pra menina assim na cara dura?
– idiota.
– hey, e você quem é? – Naruto continuou, se agachando e encarando Izuna, que também se encolheu atrás da perna do pai.
– Izuna...
– Izuna, que nome maneiro, yoo! Eu sou Naruto Uzumaki, o mais poderoso ninja que você vai conhecer, e mais bonito também.
– não encha a cabeça do garoto com asneiras – Karin disse, maldosa e ele se levantou para encara-la com um ar serio.
– ah, yo.
–“yo” – ela respondeu fingindo entusiasmo. Naruto voltou-se então para o mais velho e estendeu-lhe a mão.
– e você...
– Shisui, e é uma honra conhece-lo, Nanadaime-sama. – o menino se curvou respeitosamente e levou um tapa no meio das costas que quase o fez perder os óculos.
– deixa de bobagem! Sou seu tio oras! E estou muito feliz que estejam aqui, sei que está perto de se graduar mas espero que na academia se sinta tão bem quanto em um lar.
– Aa... Arigato.
Naruto sorriu de seu modo típico para ele e mostrou o polegar otimista, olhou mais adiante vendo Suigetsu e Juugo e acenou para o pequeno nos ombros do pai.
– e você é o tampinha do Mangetsu!
O garotinho corou e arregalou os olhos.
– sa-sa-sabe meu nome?
– como sabe o nome dele? – Izuna exigiu meio emburrado.
– mas claro que saberia, seu pai sempre fala de você quando passa por aqui! Diz que é um garoto esperto e já vi que estava certo!
– a-arigato...
– heh, eu disse, ele é meio idiota não? – riu Suigetsu de braços cruzados.
– cale-se, cara de peixe!
– acho que as crianças precisam descansar certo? – interveio Shikamaru – Karin pode seguir com elas para a casa nova de vocês? Ou melhor, o distrito Uchiha, queremos ter uma conversa com Sasuke, certo, Naruto?
– é – Naruto se virou e encarou o amigo, sombras pareciam envolver em seus olhos azuis, de forma melancólica, talvez fossem sombras de remorso, e quando pensou nisso, Sasuke acabou não se contendo em passar os olhos pela sala mais uma vez.
– tudo bem – disse por fim, pondo Sakuya no chão – vá com sua mãe.
– ah...
– vamos, querida – Karin pediu e com as bochechas infladas e rosadas a menina pegou sua mão e seguiu para fora junto aos irmãos, Suigetsu, pôs seu menino em solo e também o deixou seguir com ela.
– são belas crianças – Shikamaru disse, e Naruto concordou pensativo e sorrindo para Sakuya enquanto ela saía, a porta se cerrou e ele pareceu se tocar de algo.
– oh, eu nem perguntei o nome dela! Qual é?
Sasuke então se viu naquele velho dilema que considerava tolo, mas que não podia negar, para si mesmo, que tinha fundamento. Sabia que Sui e Juugo os fitavam bem humorados porque eram eles quem mais gostavam de provocar sobre isso, e provavelmente teriam Naruto para ajuda-los de agora em diante.
– Sakuya, ela se chama Sakuya.
Assistiu as sobrancelhas do amigo se erguerem quase perplexas, mas ao contrário do que esperou, Naruto não riu ou, o fitou de maneira acusativa, ele virou a cabeça e encarou Shikamaru, e então Sai, e os dois retribuíram com olhares estranhos.
– entendo...
– que tensão, algo está errado? – disse Suigetsu.
– bom sim, e a um bom tempo – Naruto suspirou e voltou para a mesa. Olhando para a janela ele podia ver o próprio rosto esculpido na montanha, mas seu sorriso não foi de triunfo sobre um sonho realizado, foi amargo, um sorriso de derrota.
– você esteve longe por muito tempo, Sasuke, e ainda em Otokagure, tão pequena e por isso, tão fechada.
– não é como se estivesse o tempo todo lá.
Ele fazia viagens, investigações que o tiravam do lar por meses, mal vira os gêmeos nascerem, saíra antes de completarem um ano e só voltara quando faziam dois, porém tinha que admitir, que o que se passava em Konoha só vinha até ele por meio de mensagens, Sasuke nunca dava ouvido a boatos se eles não tivessem que leva-lo ao alvo, de modo que tudo o que se dedicava a ouvir durante suas viagens só dizia respeito à missão.
– de todo modo, você não faz ideia do que se passou e se passa em Konoha – Shikamaru tinha desta vez um tom quase acusatório, não, um tom de reprimenda.
– ao que parece, eu perdi algo. – ele comentou, agora impaciente, voltou a vista para Naruto, ele estava novamente sentado na beira da mesa, as mãos apoiadas de cada lado do corpo e a cabeça baixa, o Nanadaime suspirou, apertando os olhos por um ligeiro momento, até erguer o queixo e o encarar, as sombras de remorso e derrota pareciam ainda mais consistentes em seu olhar.
– A Sakura... Sakura-chan – quando falou daquela forma ele até riu um pouco, amarguradamente, meneou a cabeça como se se culpasse e voltou a encara-lo – Sakura... Está desaparecida a mais de onze anos.
Sua resposta, a primeira pelo menos, foi arquear as sobrancelhas, então estreitou o olhar e o encarou duramente.
– Naruto...
– nunca brincaria com algo assim – ele cortou. Sasuke inspirou e volteou o olhar novamente pela sala, os sentidos se focando em localizar qualquer chakra conhecido, e principalmente, o dela.
– o que está dizendo?
– Sakura desapareceu, completamente, onze anos atrás, você esqueceu?
Sasuke franziu a testa, sua mente já revirada, acabou por achar facilmente a lembrança, onze anos atrás, quando Karin estava perto de dar a luz pela primeira vez, ele recebeu uma mensagem, de Naruto, sobre sua companheira de time ter desaparecido durante uma missão de ajuda médica, porém, na época, ele estava atado pela espera do nascimento de seu primeiro filho, e disse que não poderia ajudar.
Não recebeu mais noticias sobre isso, mas achou que...
Ergueu a cabeça e o encarou.
– não a resgatou...?
– não, nunca a encontramos, nada.
– nem provas de sua localização, nem de sua morte – Shikamaru completou.
– mas que... inferno, e porque não me avisou? Quando a busca se prolongou tanto?!
– você estava com sua família caramba! Você mesmo disse isso! – Naruto rebateu irritado, ele suspirou e passou a mão pelos cabelos curtos – não o estou culpando... mas entendemos o recado...
– que recado?
O Uzumaki o encarou, de seus olhos enfim saltavam as adagas da acusação e rancor.
– você foi embora novamente mesmo quando poderia ter ficado, e quando formou sua família, percebemos que Konoha e tudo sobre ela, não te importava mais, não para que voltasse.
Sasuke só pode encara-lo perplexo demais para uma resposta, talvez não houvesse afinal, embora a causação de Naruto lhe parecesse mais profunda do que realmente deveria ser. Ora, ele não podia ter deixado Karin sozinha, mas e depois? Quando ela estivesse bem e o bebe mais velho? Claro que ele poderia ter se afastado, e ele fez isso, viajou.
E ele poderia tê-la procurado.
Iria até o fim do mundo atrás dela.
Mas não importava se dissesse isso com palavras ou pelos olhares que trocava com Naruto agora, para ele e ao que parecia, para todos, a prova de sua rejeição estava dada.
E não podia negar, ele voltou para Konoha com ela multiplicada por três.
Casou-se com outra.
Deu seus filhos a ela.
Quando todos sabiam quem mais queria tal coisa.
Mas ele não podia, não se tratava só de querer.
Era Sakura, o ser que mais o suportara neste mundo, por isso, ele não achou digno faze-la suportar mais.
Se até então tinha um arrependimento, era não ter dito isso a ela, apenas partiu sem nem mesmo ver o casamento de seu melhor amigo, sem nem mesmo dispensa-la de espera-lo.
Achava então que ela tinha descoberto por si só ou por boatos que não podia mais espera-lo, e provavelmente iria procurar alguém que não a machucasse mais, e que por isso, ela não estava ali.
Imaginava-a em sua casa cuidando de crianças ou mesmo no hospital, revezando-se entre enfermeiras e pacientes.
Tudo menos isso.
– nós a procuramos por mais de dois anos – Shikamaru disse, desfazendo a tensão sobre eles, por que se permitisse, sabia, eles iriam relembrar sua velha rivalidade da pior maneira possível. – mas então, não pudemos mais...
– por quê? – Sasuke interrompeu, o Nara suspirou, e quis ter um cigarro consigo agora.
– não se perde tanto tempo procurando ninjas desaparecidos, mesmo tendo sido alguém importante como Sakura era, sem provas, sem suspeitos, ficou impossível até mesmo afirmar que ela foi sequestrada.
– o que quer dizer? – o Uchiha estranhou e Sai enfim se pronunciou.
– há quem diga que Sakura fugiu por livre e espontânea vontade – falou – naquela época...
– na época que seu filho nasceu – Naruto disse – mas não é verdade, não passa nem perto da verdade, por que ela nunca faria algo assim.
– você pode afirmar...? – Sasuke começou, a ideia de fuga se tornando bem concreta em sua mente. Porque sendo Sakura, ele não podia culpa-la de odiá-lo, ou odiar o que pudera ser forçada a ouvir pelas costas, mas Naruto o cortou em fúria.
– não seja arrogante! Ela nunca faria isso, porque mesmo você a tendo abandonado... Ela não estava sozinha! Ela tinha pais, tinha amigos! Todos a adoravam e todos dariam metade de suas vidas para que a dela fosse feliz!
“... Mas se você for... Vai ser o mesmo que estar sozinha!”
Palavras que ecoaram no fundo de sua mente. Ele baixou o olhar, derrotado por elas.
– ela era uma ninja de alto grau... e ainda sim pararam?
– ela sumiu sem deixar rastro, mas com o passar dos anos, até quem acreditava em sua fuga passou a duvidar, sendo ou não coisa de amor não correspondido, Sakura era uma ninja excelente, dedicada e competente, e principalmente determinada, se ela tivesse fugido por conta de você, ela teria fugido para superar você, e teria voltado, mas não aconteceu, foi difícil, fizemos de tudo, e mesmo com a vila crescendo não pudemos desrespeitar uma decisão que acabou indo para a cúpula dos Kages, Naruto e até mesmo Gaara fizeram de tudo, mas não puderam contra a maioria dos votos, e Sakura Haruno foi considerada oficialmente desaparecida em missão, e morta.
– mas isso não nos parou – Sai avisou – não podíamos mandar muita gente em missões oficiais, mas podíamos mandar em missões secretas, de espionagem, e só nos últimos meses viemos conseguir alguns resultados.
– tentamos mandar buscas, não por Sakura, mas por pistas de quem poderia querer tomar algo dela, ou se aproveitar de seus conhecimentos, um culpado, não a vitima, mas logo tivemos que parar, afinal, estava na cara que era ela que queríamos.
– você disse que conseguiram resultados? – Sasuke disse, Shikamaru bufou e Sai pareceu achar graça de ele ter ignorado todo o resto.
– não dá pra chamar disso – Naruto contrapôs — ultimamente na Região dos Cumes Altos tem-se relatado uma estranha atividade, não ninja, mas no terreno, o lugar é tomado por cadeias de montanhas mas nunca aconteceu algo como o que vem acontecendo agora.
– o que?
– terremotos – Nara disse, — o chão tem tremido por lá e algumas pedras até se soltaram das montanhas e destruíram casas.
– e por que acha que Sakura ou algo relacionado a ela teriam haver com isso?
– Sakura tem a força de cem homens, depois de tanto tempo, nós tentamos coletar qualquer coisa que ela pudesse usar para nos avisar de sua existência, e localização, aquele lugar só tem vilarejos e só conta com a segurança dos países próximos, não tem porque alguém ir perturba-lo à toa, e também foi sentindo um chakra muito poderoso, por um momento, pode não ser Sakura, mas pode ter alguém aprontando algo, não foi uma assinatura de chakra reconhecível.
– já mandou alguém verificar?
– apenas secretamente, mas como disse, não foi reconhecido.
– pode ter sido alguém que não conhecia o chakra dela.
– eu sei, por isso estamos planejando quem e quantos vamos mandar, aproveitando que o vilarejo aceitou nossa “ajuda”, mas ainda estamos decidindo esses detalhes.
Sasuke deu ombros e se virou seguindo para a porta.
– não é necessário. – declarou.
– por quê? – Naruto indagou encarando novamente a foto do porta-retratos azul e rosa, não era do time sete, não era de seu casamento, tampouco de Hinata com Boruto, no porta-retratos azul e rosa, Sakura segurava nas mãos o buque do casamento de Ino, seu sorriso não era o mais largo e brilhante e certamente ela não tinha esperanças com aquela pegada, mas ainda assim, sorriu. Por que mesmo cheia de dor, ela ainda sim, sorria.
Ela aprendera isso com ele, mas Naruto não podia se orgulhar tão pouco.
– por que eu vou. – Sasuke decretou enquanto batia a porta, Naruto soltou uma risada anasalada e amarga, encarando a foto porém, tentou sorrir da melhor maneira possível.
– não faz diferença, Sasuke, já é tarde para fazer... Não é?
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