Sakura Haruno, era um rosto nunca visto, apenas mensurado e imaginado, porém um nome que só significava uma coisa:

Discórdia.

Por que quando Karin, se revoltava, o nome Sakura Haruno não saia de sua língua, e nem as acusações sobre seu pai.

Shisui porém ignorava, ao menos por fora, e talvez devendo começar a faze-lo por dentro também, porque sabia, como ninguém, que sua mãe era excêntrica, ciumenta, e egoísta.

Além de meio louca também.

Por que se por um lado se vangloriava de ser a escolhida por seu pai, Sasuke, por outros tinha verdadeiros ataques de fúria por ciúmes de uma mulher que até onde sabia-se claramente, era companheira de time dele, apenas isso. O menino não se atrevia a duvidar que a tal moça fosse perdidamente apaixonada por seu pai porque via com os próprios olhos o efeito que ele causava nas mulheres e até mesmo mocinhas, nas poucas vezes em que passeara com ele pela vila do Som. Ainda assim seu pai não era homem de se gabar de tais privilégios, e até se mostrava incomodado com isso.

Era incomodo, e Shisui sabia, ele podia se gabar ou sofrer um pouco, porque também recebia tratamento semelhante das meninas de Oto.

Porém, a questão era, seu pai escolheu Karin Uzumaki, e esta deveria ser a resposta também, mas sua mãe, não estava satisfeita.

Então só podia restar a ele, e também a seus irmãos que muito menos entendiam a situação, se calar e esperar a oportunidade propicia para perguntar, ou para descobrir sozinho.

Em Oto ele só ouvira boatos, mas agora, em Konoha, lar de seu sangue e origens, lar de Sakura Haruno, ele poderia descobrir. Se esta mulher, era uma resposta, ou uma questão realmente difícil.

– nii-san, o papa vai viajar de novo? – Sakuya indagou já com o bico armado, perturbando-o da leitura, ele bufou exasperado da viajem e nem um pouco afim de vê-la abrir um berreiro.

Mas pior foi porque tinha sido justo na hora em que seu pai descia as escadas pronto para mais uma jornada, e com a esposa soltando fogo pelas ventas logo no encalço.

Justo quando ele estava agradecido por não ter de trabalhar na limpeza da casa principal do distrito, certamente um favor de seu “Tio” hokage, tinha que aturar sua mãe passar o resto do dia reclamando, seus irmãos resmungando de saudades do pai. De toda aquela loucura, sempre quem parecia ser salvo era Mangetsu.

Seu meio irmão, era provavelmente a única coisa boa que sua mãe fizera quando com ciúmes de seu pai, traiu-o com outro, engravidou dele, mas era melhor do que quando fazia Sakuya ou Izuna pronunciarem palavras de ódio contra uma pessoa que nem conheciam.

Na primeira vez, Shisui achou normal que sua irmãzinha de três anos chorona, curiosa e sensível dissesse que não gostava de Sakura Haruno, após ouvir tantos gritos de fúria da mãe, e a irritação do pai cansado de suas sandices que o faziam se afastar ainda mais do lar e dos filhos, mas nas próximas ele percebeu e flagrou a mãe ensinando a filha a fazer pedidos absurdos, a falar e reclamar da desconhecida para o pai e ainda pedir que ele ficasse mais em casa, o que ele faria.

Por que de todos os filhos, Sakuya tinha mais privilégios, talvez por causa daquela velha historia de que os pais mimam muito as filhas e as mães os filhos, talvez por que Sakuya era quase um atestado de carinho e homenagem para uma possível Sakura, mesmo que seus irmãos tenham dado o álibi de terem nascido numa bela primavera cheia de cerejeiras.

Só não tantas quantos as de Konoha, claro.

– está vendo?! Está vendo! Acabamos de chegar e você sai de novo! Nem tem tempo para ficar com as crianças! Logo agora que temos todos de nos adaptar, Sasuke?! – Karin reclamou, seu pai, que as vezes parecia ter a paciência de um monge e outras a de um assaltante de primeira viajem, se abaixou e deixou que os dois gêmeos saltassem em seu peito abraçando-o, se levantou trazendo os dois com o único braço em volta deles, suspirando e dando um beijo na testa de cada um.

– não é uma viajem longa – admoestou novamente – e é apenas reconhecimento, talvez identificação...

– a questão não é essa!

– você sempre tem mil questões, é enfadonho descobrir qual a principal, de todo jeito, é uma missão, e deve ser cumprida – avisou, e assim devolveu as crianças ao chão já com bicos pontudos e olhos lacrimejantes, Shisui queria revirar os olhos para tamanha manha, porque sabia que naquela idade já tinha superado as saídas repentinas e voltas do pai.

– missão esta, que você fez questão de aceitar que eu sei!

– tanto faz – ele deu as costas, e o menino, sabendo que era indevido e desrespeitoso, teve que se conter para não rir da cara vermelha e indignada da mãe, e de como seu pai sabia corta-la com sua indiferença tão bem. Não era que desejasse ou apreciasse as brigas deles (por que não dizer, só dela?) mas seu pai nunca deu reais motivos de tanto ciúmes, e mesmo que Sakura Haruno fosse alguém tão importante, ela não devia ser pivô de brigas tão feias estando eles em Oto, se fosse ao menos quando estivessem aqui... Ele não poderia contestar a sanidade de sua genitora...

E ainda por cima, ela estava desaparecida praticamente desde que ele nascera, e poderia estar morta, e poderia que nunca soubessem ao certo o que houve com ela.

Ainda assim, fantasma ou fantasia, Karin Uchiha a tratava com um verdadeiro demônio destruidor de lares.

Mulheres eram assim tão dramáticas?

Que bom que ele tinha Sakuya para procriar para clã, e Izuna!

Seu pai certamente notara o repuxo de seus lábios, e quando passou pela poltrona em que ele estava, acertou-lhe um peteleco bem dolorido na testa e o fitou seriamente enquanto se afastava.

– cuide dos seus irmãos. – Shisui assentiu esfregando a testa enquanto o via passar pela porta.

– hai...

– uuuuiii! Tudo culpa dela! Tudo culpa dela! – Karin esperneou subindo as escadas as passos duros – espero que esteja morta! Morta e enterrada! Grrrrrr!

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Quando ela iria parar?

Sasuke ignorou completamente a falta de resposta, estava cansado de responde-la ele mesmo.

Karin estava sendo ela mesma, ignorando o lugar que realmente tinha, e se achando no direito de tomar outros.

– mais drama? – disse Juugo enquanto caminhavam em direção a saída, Sasuke deu ombros demonstrando quão pouco se importava, e mais atento ao fato de que não estava realmente incomodado ou tendo algum tipo de d’javú desagradável ao ver-se deixando a vila mal havia chegado.

Talvez porque agora não visse a vila como deveria ser, por que tinha consciência de que faltava algo, realmente indispensável para que ele conseguisse aceitar Konoha como seu lar.

Voltando a olhar em volta pela rua, ele notou um par de olhos azuis a encara-lo de maneira quase indecifrável, vinha na direção oposta a sua embora na mesma calçada, ele reconheceu assim que reparou na longa cabeleira dourada.

Yamanaka Ino, tinha um semblante mais maduro e harmonioso agora, usava um vestido bonito e atraente, mas de forma discreta e recatada para uma mulher casada, e andava com um xale sobre os ombros protegendo-os da noite fria, trazia uma bolsa com algumas compras e ao lado dela caminhava uma garoto que de certo tinha a idade de Shisui, a pele branca como cera denunciava sua paternidade mesmo que de resto fosse um nítido Yamanaka, que o fitava com curiosidade, Ino acabou parando talvez por ter o caminho praticamente todo coberto pelos três grandes homens, ela encarou o Uchiha num breve processo de reconhecimento, e no fim, seu rosto se contorceu de desgosto e raiva, e como se estivesse com uma criança menor, ela apanhou a mão do filho e seguiu para atravessar a rua e continuar seu rumo, sua voz soou seca e ofendida enquanto o puxava.

– vamos, Inojin.

– o que foi, Okaa-san?

– apenas vamos!

– nossa...- Sui pronunciou quando a mulher sumiu na esquina – cara, pensei que ela destroçaria seu pescoço...

– ou a mente...- Sasuke comentou quase irônico, então seguiu em frente, se perguntando se a recepção seria a mesma, ou se era apenas a magoa exagerada de Ino.

Exagerada?

Como ele poderia dizer afinal?

Não passara onze anos naquela angustia infernal.

Passara onze anos num muro que dividia a resignação e o arrependimento por sua escolha.

Mas que no fim o deixava parado e inerte.

Inútil, era mais adequado.

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E no escuro abafado, em algum lugar, sussurros perdidos preenchiam a escuridão, morbidamente.

– “ Não deixe a bela dama ...

Sair...

Não deixe a bela dama...

Não deixe...

Não deixe...

Tranque-a no quarto...

Traque a bela dama...

Tranque-a...”

Notas finais
Percebi que ficou curto ;-; Mas gostei de dar certa a atenção á familia Uchiha e ao significado que Sakura tem para ela, agora será que um dia o Shisui concordaria caso a conhecesse?