Lost Inside
29 Porque você pode não estar preparado para as mudanças.
Notas iniciais

Um ano depois.
O interior das cavernas era frio e úmido, o ar rarefeito, o cheiro de terra e mofo, preenchia tudo.
No entanto, não poderia dizer que não era um lar.
Havia muito tempo que havia abdicado do mundo exterior. Lá havia a luz, mas também havia dor, havia traição, sofrimento, havia mentiras.
No fim, toda a luz lá, não ocultava todos esses males sombrios.
Então para que precisavam dela?
Seria muito melhor viver na escuridão, com ou sem as mentiras e crueldades, ao menos na escuridão tudo era igual, não haviam hiprocrisias, tudo afundava na mancha negra.
Era desgostoso ter que sair sempre, era desgostoso ter que esperar tanto.
Era desgostoso ver que estava perdendo, pouco a pouco, as linhas negras que usava para dominar sua pequena caixa.
— Não deixe a bela dama sair... Não deixe a bela dama... Sair – Ciciou roucamente, enquanto encarava uma boneca de pano, sentiu a aproximação de seus colaboradores e suspirou, olhando uma ultima vez para o brinquedo, era uma boneca de farrapos, usava um vestido de pano com estampa floral, mas tanto o tecido quanto as linhas de lã rosa que formavam o cabelo, já estavam muito encardidos.
Pela primeira vez, reparou nos olhos de botão, eram verdes, uma cor tão comum lá em cima.
Sorriu ternamente, e com a outra mão, tocou o pote de tinta negra ao lado e manchou os olhos de botão com ela, tornando-os negros, forçando-os a encarar apenas a escuridão.
Satisfeito, se levantou e caminhou na direção dos outros.
— Não deixe a bela dama sair... Não deixe...- Cantarolou, guardando a boneca por dentro de seu manto escuro e surrado.
***
O sol caiu sobre seus olhos, podia sentir o calor na pupila, bem como quando alguma sombra passava por eles, diminuindo um pouco o calor, bem como quando irradiava em sua pele e cabelos.
O sol era uma energia, algo que derramava-se sobre si, que fazia com que o tempo reagisse de uma determinada maneira, e também era o que alimentava as outras coisas vivas ao seu redor. Havia a energia da terra, da água, do ar, e das coisas vivas, mas a que ela mais gostava era a do sol.
As noites eram agradáveis, mas ela não fazia questão que durassem, mas os dias poderiam durar para sempre.
Ouviu o farfalhar dos arbustos, seus fios, como braços e escudos, agitavam-se suavemente em resposta. Sua mente e instintos se estendiam facilmente para eles, e não sabia evitar muito isso, não sabia evitar ficar minimamente em alerta ante aproximações muito rápidas, ou de estranhos.
Sentou-se, virando o tronco na direção em que ouviu a suave e compassada pressão de pés sobre o gramado.
— Ainda cochilando? Hora de continuar, cansada?
— Não, estava só apreciando o sol aqui.
— Ah, entendo. Sei que prefere ficar queimando embaixo dele, mas sabe que devemos evitar áreas abertas.
— Hai!
— Então vamos? Não está ansiosa? – Sakura praticamente saltou no lugar um sorriso enorme abrindo-se em seu rosto, e os olhos ficando ainda mais brilhantes.
— Haaai! Onegai!
Tsunade concordou, sorrindo, e as duas seguiram juntas para fora da clareira.
***
— Otou-saaaaaaan! – Sakuya e Izuna gritaram todo o tempo que levaram para cruzar a o corredor e a sala na direção de Sasuke, ele se abaixou recebendo-os juntos e Karin revirou os olhos, bem humorada, com todo aquele drama dos filhos.
— Otou-sama, você demorou! – Sakuya acusou, com um enorme bico, Sasuke a fitou com um cenho erguido.
— Ah, sim? – Indagou, sem se intimidar. A menina se encolheu embaraçada, as bochechas crescendo e rosando, e os grandes olhos escuros tremulando.
— Si-sim...- Desafiou, embora não muito segura mais.
— Entendo, não devia mesmo ter parado para comprar isso ali – Ele apontou o saco que havia deixado ao lado para pegar os dois, mal viram aquilo, as duas crianças se debateram em seu colo como se estivessem sendo amarradas.
— Chegou na hora sim! Chegou na hora siiimmm! – Izuna declarou.
— Chegou! Chegou! Chegou!
— Tem certeza?
— Siiiiiim!
— Realmente?
— AAAAAH SIIIIIM!
Sasuke os soltou e os deixou atacarem o saco, sentindo os ouvidos doerem um pouco.
— Você só vem para estraga-los – Karin acusou, embora não com grande vontade. Ele a fitou de encolheu os ombros.
— Achei que valia, dois meses fora.
Ela sorriu serenamente, e os dois observaram os gêmeos correrem para as escadas abaixo rumo ao pátio em frente o conjunto de apartamentos que Karin e as crianças agoram moravam.
Sasuke continuava fazendo questão que morassem no distrito, ainda que não na mesma casa, mas Karin tinha o direito de ir para onde quisesse, e sua parte do divórcio lhe dava toda a segurança para se manter e manter um bom lugar adequado para elas.
Sasuke as levava para casa sempre que estava, agora suas estadias tinham de ser mais longas, e não podia desgostar. Era tremendamente estranho chegar e encontrar apenas silêncio em casa, mesmo que ele tivesse vivido boa parte de sua vida assim, não tendo alguém para dizer “bem-vindo” ou sentir vida no ambiente em que habitasse.
Por isso, ia buscar os garotos assim que podia, treinar com Shisui, acompanhar os deveres. Eram detalhes que de fato não seguia com tanto rigor, pois acabavam sendo delegados a Karin.
Ao mesmo tempo em que se afastaram, isso acabou o aproximando mais das crianças, até mesmo dela.
Provavelmente sentara para conversar com ela, durante uma visita às crianças ou quando chegava para devolvê-las durante esse ultimo ano, mais vezes do que fizera em toda sua vida conjulgal.
Ainda sentia um grande remorso, mas de certa forma, ainda parecia como se houvesse saído um peso, dos dois.
Foi quando Sasuke percebeu, que nunca fora exatamente uma questão de ele estar se esforçando muito pouco, ou de Karin exagerar em suas demonstrações e exigências de afeto, mas sim de, estarem em lugares errados na vida um do outro.
A vida deles sempre estaria ligada, eles se conheciam a bastante tempo e passaram por muitas coisas na vida, ruins e boa, fizeram tanto mal quanto bem um ao outro, ele reconhecia que havia sido o pior para ela e outros tantos. As crianças eram um laço inquebrável e diferente.
Um laço que nunca se partiria mesmo todo o resto tendo ruído aquele dia.
No fim, o que se desfez não fora a família deles, ela apenas se reajustou, as partes tortas finalmente foram para o lugar. Foi separando-se, que eles reforçaram ainda mais os pilares de sua família.
Eles ainda eram uma família, e sempre seriam.
Ela o amava, sempre amaria.
E ele, se ele tivesse mostrado que a amava, e da maneira que realmente amava, talvez tivessem evitado tanto sofrimento.
“Ele não achava que precisavam levar tanta coisa, mas não estava realmente em posição de reclamar.
Karin certamente saberia tanto quanto ele o que as crianças iriam precisar na nova casa. Só não queria que elas sentissem que estavam indo embora para sempre.
— Eu acho que vou deixar meus livros, são muito pesados – Shisui disse, Sasuke baixou os olhos e tocou sua cabeça.
— Faça como achar melhor, poderá vir aqui sempre que quiser, mesmo eu não estando.
O garoto concordou baixando os olhos para um dos livros.
Sasuke ainda sentia retração em seu silêncio, talvez até algum rancor.
Mas não podia culpa-lo, nem tampouco força-lo a nada. Vinha feito a mãe dele chorar muito, e não esperava total compreensão mesmo que fosse o mais velho.
Nem toda a verdade e argumentação do mundo podia fazer alguém aceitar ver quem ama chorar.
Apesar que Karin havia pedido o divórcio, e que ela mesma decidira contar as crianças, ela não estava completamente segura. Estava estilhaçada, e Sasuke não teria dado o divórcio naquele primeiro momento se não tivessem lhe pedido tanto.
Ele não queria deixa-la sozinha e destruída assim, ele não queria deixar mais ninguém que amava nessa situação.
Shisui seguiu para dentro, desviando do corpo miúdo de Sakuya, Sasuke abaixou e apoiou a mão em seu ombro.
— Tudo bem? Algo que queira levar?
A pequena encolheu os ombros caídos e suspirou, entrecortada por um soluço mal preso. Ergueu a cabeça e o fitou com os olhos molhados e o nariz avermelhado.
— Otou-san, você não ama mais okaa-san? É por isso que vamos embora?
Sasuke subiu a mão para seus cabelos, afagando.
— Vocês não vão embora, está sempre será sua casa, a casa que vão agora, também será sua, não morarmos embaixo do mesmo teto não fará diferença, eu continuo sendo seu pai, ela sua mãe, e você, a minha filha.
— Mas... Mas... você não ama mais a mamãe?
Ele suspirou.
— Existem muitas formas de amor, filha. Eu amo você de uma forma, você ama seus irmãos de uma forma, homens e mulheres se amam de uma forma, e eu amo sua mãe, de outra forma.
Sakuya ergueu os olhos brilhantes de surpresa e lágrimas para ele.
— Claro que eu amo sua mãe.
Ela assentiu rapidamente, esfregando o braço no rosto pra espantar as lágrimas, Sasuke beijou o topo de sua cabeça e ciciou para que ela fosse ver se suas bonecas estavam como queria.
Ela saiu correndo energizadamente, e ele se levantou, observando-a falar e falar ao redor dos homens que levariam a pequena mudança.
Então, voltou-se para trás, para dentro da casa e deparou-se com Karin, se aproximando, usava uma blusa grande cuja a gola larga decaia sobre um dos ombros marcados por arcadas dentarias.
Ela estava chorando novamente e ele sinceramente se perguntava se perder tanta água assim não fazia mal. Karin cobriu a boca abafando o próprio choro e seus olhos brilhavam não só de lágrimas agora.
— Vo-você jura?
Sasuke levou um tempo para entender, e fitou-a surpreso.
— Você ainda duvida? – Indagou, soltando o ar e então encarando rapidamente as crianças em frente a casa, Izuna e Sakuya brigando por um brinquedo e Shisui entre eles, segurando a dita coisa acima, separando-os ou apenas incitando a briga. — Você me deu tudo isso...
Karin o abraçou, e chorou, chorou em seu peito, mas chorou de felicidade.
Foi quando ela finalmente se libertou.
E ele percebeu que também estava liberto, liberto de encarcerar ela nesta vida, e de impedi-la de ver como realmente o amor funcionava entre eles.
A menina que ele salvou na floresta da morte.
A jovem que ele tirou das garras de Orochimaru e deu um propósito, ainda que fosse um propósito voltado para si mesmo.
A mulher que aceitou um coração negro, e que não lhe pertencia, e um anel que não lhe pertencia, mas fez valer cada momento com ele.
Ou se esforçou para tal, e ele não podia culpa-la por seus deslizes. Não podia culpa-la por avançar uma linha, quando ele, seu coração, sua mente, sua alma, sempre haviam estado fora dela.
— Me desculpe – Ciciou. — Por não ter dito antes... Seja da forma errada ou da correta — E ela negou.
— Eu estou ouvindo agora, eu sei, é da forma correta, não é?
— Aa...
— Então pra mim basta, agora basta. Eu agradeço”
— Como foi a viajem? – Karin indagou — Aquilo são fantoches...?
— Aa, parecem populares no país do Arroz...
— Whoa, foi longe, chegou quando?
— Nesta madrugada, dormi até ainda pouco, depois que Naruto me deixou sair de casa dele, ele não para de babar o bebê.
— Ah, sim ainda não o vi, pelo menos não sem ser pela TV.
— Não perdeu muito, ela é a cara do Naruto...
Karin riu e adentrou o apartamento, empurrando alguns brinquedos do caminho, Sasuke a seguiu até a cozinha, e ela lhe serviu chá.
Notando-o parecendo tão sereno, ela percebeu que ele provavelmente não se inteirara ainda das noticias que ela viu correr pelo hospital.
Significava ou que Naruto estava tentando zombar dele, ou sequer sabia daquilo também, considerando que se tratava de Naruto, não duvidava que fosse a segunda opção...
Bom, ela poderia dizer, ou simplesmente esperar pra ver também.
Sorriu disfarçadamente por trás da própria xícara.
Era se sempre seria bom ver Sasuke lidando com alguma surpresa, era sempre bom ver aquela montanha estremecer um pouco.
E tinha certeza que desta vez, ele se abalaria. Só queria ter a sorte de estar perto para ver.
***
— Sugoooii – Naruto exclamou, para a enorme tigela de ramén foi posta a sua frente. Sasuke suspirou, separando os hashis enquanto ele já atacava a comida.
— Combo vão as crianchas?
— Ao menos termine de mastigar, sua filha de menos de um ano é mais educada que você.
Naruto engoliu a comida e riu, novamente todo abobalhado ao lembrar da pequena Momoe, de olhos perolados como os da mãe e cabelo loiro como o do idiota. Sasuke esperaria que só puxasse isso dele mesmo.
— Hahaha, ela é tão adorável, Himawari morre de ciúmes, acho que ela lidaria melhor se fosse outro menino.
— Hn.
— E as crianças?
— Bem.
— E Karin?
— Ótima, ela parece estar indo bem no hospital.
— Hum, e você?
— Eu? Bem...?
— Só isso?
— O que mais tem pra dizer?
— É que você não falou muito sobre o divórcio, tinha vindo até nós desesperado, mas era por causa do estado de Karin, não queria dar o divórcio...
— Não queria deixa-la sozinha – Sasuke suspirou — Ela estava péssima...
— Eu entendo, mas você fez o certo, ela pareceu ficar aliviada quando assinou aquilo, ela talvez devesse ter feito algum tipo de terapia?
— Ela está bem agora, ainda não gosto da ideia de não encontrar ela e as crianças em casa... Mas creio que é um sentimento egoísta, estando sempre fora... — Sasuke remexeu o contéudo da tigela, com um olhar distante — E não estando completamente com eles.
— Não é egoísta – Naruto riu — Você está indo para fora por um motivo importante, por eles, e pela vila. Só não está acostumado a tê-los longe das suas asas, quando finalmente está perto.
— Hn.
— Vamos comer e voltar ao serviço! – Sasuke revirou os olhos voltando a atenção para a refeição.
Depois dela os dois seguiram rumo á sede da ANBU, para uma reunião de praxe, onde também foram apresentados novos integrantes dela.
Sasuke sabia que era uma sutil tentativa de Naruto de fazê-lo considerar tomar a liderança do departamento, mas agora, não podia negar que a proposta soava tentadora.
Sabia que coordenar um órgão como aquele não seria fácil, mas havia o adendo de até passar mais tempo na aldeia.
Os dois acabaram por ser convidados para uma pequena demonstração da turma iniciante, num dos campos de treino fora da aldeia.
E não podiam negar que a ideia de bater um pouco nos novatos e se exercitar era bem prazerosa.
— Hey, quando terminarmos aqui, posso te dar uma surra – Naruto comentou, enquanto tirava a capa.
Sasuke permaneceu de costas para ele, encarando cada movimento dos ninjas mascarados, eles desapareceram em segundos, e ele levou a mão ao botão que prendia a capa em torno de seu pescoço.
— Já estou meio cansado de bater em você, se isso não for interessante, aí talvez eu te bata apenas por costume mesmo, dobe.
Os dois largaram as capas deixando-as serem carregadas pelo vento, os ninjas atacaram, os dois primeiros que vieram para cima sendo distraído pelos tecidos e então deparando-se ou com um rasengan vindo em sua direção ou a afiada ponta da espada de Sasuke, energizada em eletricidade.
Tiveram reflexo para tentar jogar um jutso, mas os dois chocaram suas próprias energias como se brindassem ao combate, à parceria. Foi o bastante para varrer os ninjas dali numa torrente de ar e poeira.
— Até que não está tão ruim – Sasuke admitiu.
— E eu nem precisei usar uma espada.
Os dois trocaram um rápido olhar em meio nuvem de poeira antes de se separarem em velocidade vertiginosa e cortarem a floresta seguindo direções opostas. A equipe de novatos se dividiu logo tentando alcança-los e intercepta-los.
Sasuke parou numa clareira, não fazendo questão de ativar o sharingan ainda, estudou as posições dos oponentes e desvirou as primeiras kunais e shurikens que vieram em sua direção. Elas miravam sua mobilidade e olhos, achou interessante sua ousadia em achar que o atingiriam assim.
Ou que o pegariam desprevenido assim, antes que explodissem a bomba que rolara a poucos centímetros atrás dele, trocou de lugar com uma folha perto de uma árvore e saltou para o galho dela, observando a nuve de poeira roxa que se formara na clareira e os ninjas cruzando ela em busca dele.
Era venenosa, então ao menos sabiam lidar com suas próprias armas. Seria decepcionante ver um deles cair para a própria armadilha...
Afastou o rosto para trás e uma kunai atingiu o tronco em frente seu rosto, Sasuke saltou na árvore e voltou ao solo, entrando em luta com dois ninjas espadachins.
Ao dar um passo em para trás, sentiu algo enlaçar seu tornozelo e o içar para cima, o movimento o deixou tonto por alguns segundos até ser ver balançando de cabeça para baixo graças a uma linha de aço.
Meio coisa de gennin, mas dera certo, não?
Uma chuva de armas veio em sua direção e ele desviou-as com a lâmina da kusanagi ao máximo, fazendo algumas atingirem a linha e fraguimenta-la aos poucos.
Sasuke se balançou e consegui erguer o tronco e corta-la de uma vez, pousou num galho, e resolveu partir para a ofensiva.
Já ouvia os estrondos dos rasengans de Naruto em outro ponto da floresta, e só esperava que o idiota não se empolgasse demais e passasse vergonha.
Atingiu o solo com a espada, e os raios do Chidore se espalharam pelo solo como um alonga teia que eletrocutou quem estava no chão. Alguns saltaram para os galhos.
Esperto, madeira não conduz eletricidade.
Eles estavam ficando sem opções, poucos e nervosos.
Viriam todos para cima e tentaria acua-lo em outra armadilha.
Sasuke se deixou cair na estratégia recuando e entrando em combate corporal. Era até bom lutar assim novamente, depois que colocou a prótese não tivera muitas chances de socar alguém com ela, além de Naruto.
— Sai da frente, Sasukeee! – Naruto gritou praticamente caindo do céu ao lado dele, a outra equipe parecia menor e vinha em seu encalço, todos agora formando um círculo cada vez mais fechado em torno dos dois.
— Que desagradável.
— Que foi? Vai dar pra trás?
— Ainda estava melhor sem você.
O primeiro ataque viria pela esquerda de Naruto, não que Sasuke estivesse interessado em ajudar.
No entanto, os ninjas da esquerda, simplesmente sumiram, um deles soltando um grito assustado, como se fossem engolidos pela floresta.
Sasuke e Naruto se entreolharam e mal tiveram tempo de ver tentáculos surgirem da mata e enlaçarem os ninjas.
Os dois apontaram espada e kunais para um ponto escuro e fechado, vendo um dos ANBUs ser arrastado para lá. Naruto atirou uma kunai na tentativa de cortar a coisa, no entanto, a arma desviou como se atingisse algo liso e resistente, caindo no gramado.
Os dois sentiram uma enorme onda de chakra se revelar, tomando todo o ambiente e então viram uma delicada tez de olhos verdes, surgir iluminada pelo brilho de uma espécie de tiara dourada que reluzia.
Naruto baixou as mãos, saindo da postura de ataque, e Sasuke sentiu a espada escapar dos dedos, e se encravar no chão.
Finalmente vindo para a luz, eles viram a coroa parar de reluzir e o sol iluminar seu rosto, os olhos encarando o nada, demonstrando profunda atenção no que quer que ouvisse, enquanto longas mechas balançavam suavemente em torno do rosto e do corpo, as mais longas trazendo atrás de si um monte de ANBUs assustados e enroscados até o pescoço.
Ela inclinou a cabeça um pouco para o lado, usava um vestido lilás com linhas em tom prateado, mangas longas e gola fechada, ajustado em seu tronco terminando na linha das cochas envolvidas por meia calça de um tom mais escuro e sapatilhas fechadas. Em torno de sua cintura havia um cinto fino e prateado, com uma pequena pochete, de uso shinobi mas na cor preta.
— Vocês estão bem...? – Ela indagou, visivelmente preocupada.
Os dois piscaram ainda tentando assimilar que ela estava ali.
— Sakura... -chan? – Naruto indagou, incerto.
— Naruto-kun, está todo mundo bem?
— Sakura-chan! É você?! O que faz aqui no meio do mato?! E porque está prendendo os ANBUs?
Ela abriu mais olhos e levou a mão ao colo, espantada.
— Eh? São ANBUs? Então significa que são bons?
— Claro que são!
— Mas eles estavam atacando vocês...?
— Eeeeeh?! É um treinamento, Sakura-chan!
Sakura se espantou tanto que soltou todo mundo de uma vez, o baque foi doloroso para alguns e ela se encolheu no lugar, com as mãos juntas enquanto a coroa de energia desfazia-se de seu rosto e cabeça imediatamente.
— Gomennasai... – Ciciou, insegura.
Naruto já ria, aproximando-se abraçando-a.
— É você mesma!
Sakura o abraçou forte e sorriu docemente, passando as pontas dos dedos pela tez do Uzumaki.
— Hai – Disse, por fim, com um sorriso genuíno, mas pequeno, dócil.
Sasuke se aproximou observando-a um tanto cauteloso. Ela parecia diferente, até mesmo sua energia, ficou apreensivo por não ter reconhecido seu chakra de primeira, mas era o mesmo, só não soava mais selvático e ameaçador. Quase se misturava ao ambiente se não fosse tanto.
— Então vocês estavam treinando? Sasuke? – Indagou, procurando-o, e embora ele sentisse que deveria manter distância de alguma forma, era impossível pensar na possibilidade de deixa-la procura-lo sozinha com as pontas dos dedos. Então se aproximou segurando seus dedos. Sakura usou como guia para se aproximar e o abraçar, ficando na ponta dos pés. — Senti tantas saudades.
— Hey! E de mim nada?! – Naruto resmungou, e ela se afastou, sorrindo e juntando as mãos em frente o corpo, as bochechas corando um pouco, uma pacificidade tão forte emanando de si que duvirariam que fosse ela, se não tivessem visto-a reagir ao sinal de perigo ainda a pouco.
— Estou sim, e com saudades de todos.
— Como chegou aqui sozinha?
— Eu senti o seu chakra, e também você fez barulho, estávamos na entrada da aldeia, oh, Tsunade-sama vai ficar zangada, mas eu queria estar com algum de vocês logo, e achei que vocês estavam em perigo...
— Hahaha, ela vai te esganar!
— Acho que o treino vai ficar para outro dia, mas até que foi melhor do que imaginei.
— Melhor antes ou depois da Sakura-chan os pescar como gennins? Mas não se abatam pessoal, afinal é a nossa outra sannin aqui – Naruto declarou, orgulhoso.
A equipe se curvou em cumprimento e respeito, e Sakura encolheu os ombros, embaraçada com o clima.
— Depois vamos treinar juntos? Quero ver como você se saiu!
— Vai com calma, dobe. – Sasuke resmungou, enquanto andavam de volta para a aldeia, largou a capa sobre um dos ombros.
— Ele só está com medo de apanhar de você, ele já apanhava antes.
— Como eu posso lidar com vocês? Eu treinei ninjutso médico e Tsunade-sama me maltratou muito...
— Aham, sei! Eu achava isso da primeira vez que você treinou com ela! Aí te vi acabar com um terreno! Tremi que nem vara verde!
Sakura riu suavemente, Naruto se surpreendeu em não tê-la visto saltitar empolgada, mas não havia mal algum nisso. Ela estava profundamente feliz, disso tinha certeza.
— Vamos comer ramén?
— Oh? Quero sim!
— Como é? – Sasuke indagou — Você almoçou ramém, e ainda não é nem vim de tarde, infeliz.
— Meu estomago não vê horários e aposto que a Sakura-chan também está com saudades do Ichiraku.
— Eu provei muitos raméns, Sasuke, realmente o de lá o melhor. – Ela argumentou.
— Humpf, qual a grande diferença? O tempero?
Sakura sacudiu a cabeça, sorrindo.
— Tem gosto de casa.
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