Lost Inside

30 Não a deixer ser tão bela criatura.


Notas iniciais
Olaaar. Sei que a fic tá como Hiatus. Mas AGORA, estamos oficialmente em pausa. Queria postar esse cap antes pq de certa forma ele meio q é o pulo de um arco para outro da fic.

Sakura, para ele, era definitivamente a criatura mais bela que já encontrara na vida, principalmente a contar desde o momento em que sua existência havia se tornado não obscura.

Para Sasuke, nunca foi difícil admitir isso, internamente claro, ele sempre buscou ser o mais claro possível, na medida do que julgava ser o momento, e dentro das capacidades que julgava ter.

No entanto, talvez depois de ter procurando tanta redenção, ele havia desenvolvido um senso de autocrítica um tanto exagerado, pois acostumara-se a julgar que tudo o que sempre tinha, tudo o que passava ter, era simplesmente demais para alguém merecedor de tão pouco. Alguém que fez o sofrimento de muitos, principalmente Sakura.

“Você não a merece” sua mente sempre repetia, “Ela é brilhante e pura, ela não é capaz de ver quão ruins são suas trevas, e você só vai corrompê-la e machucá-la mais”.

Ela é abnegada.

É generosa, e é sincera.

E ela é tão linda, linda demais, linda demais para você.

E, muito provavelmente, apesar de ter se tornado tão pouco apreciador de si mesmo, ele não havia conseguido deixar, no entanto, seu lado mais ruim, o arrogante, presunçoso, o lado Uchiha.

Pois fora capaz de manter os olhos e ouvidos fechados para Sakura, e se obrigar a não só não olhar a sua beleza, como também não olhar seu coração, ou aceitar sua determinação, e deixá-la finalmente ter a palavra final.

A palavra final era dela.

Era uma escolha dela.

E ele sabia que só não havia voltado porque bem lá no fundo, já a queria tanto consigo, que sabia que se voltasse, ela finalmente teria vencido a batalha entre eles.

Então ele teria ficado, ou a teria levado, e no fim, estaria tão feliz, mas tão feliz, que talvez ele esquecesse que ele não merecia ser tão feliz.

Foi o que sentiu quando Shisui nasceu, e por sua vez Izuna e Sakuya.

Os segurou no colo da melhor forma possível e só conseguia pensar, porque aquela coisa maravilhosa estava acontecendo com ele, logo ele.

Talvez sua família estivesse em algum lugar feliz por ele, até mesmo orgulhosa, mas sempre haveria aquele amargor de não os ter por perto, de não os ter honrado, de ter, em tão insano ódio, ido contra tudo o que fizeram por ele. Porque por mais Uchihas que eles fossem, eles ainda iriam apoiar se seguisse seu coração, desde que de coração limpo, bem como aceitaram Itachi e sua decisão dolorosa e cruel, bem como no final, sentiram orgulho dele.

Sasuke sempre soube que não era capaz de superar o irmão, não o ninja, não o Uchiha, mas o irmão, a pessoa, o homem.

Ele ainda estava trabalhando nisso, de fato, ser um bom homem era extremamente difícil quando você estava tão preso naquele errado que um dia foi tão certo.

Era tão certo achar Sakura linda, era certo sentir atração por ela, era certo, querer cercá-la de cuidados, apreciar sua companhia, e saber que sempre poderia monopolizá-la.

Mas agora, era tão errado, porque mesmo admitir que ela estava bonita hoje, ou sempre, era como dar um passo para frente no abismo. Porque sentir atração por ela agora, era desrespeitar sua condição mental e emocional tão imaturas ainda.

Porque querer monopolizá-la, era impossível, pois ela era de todos, ela amava a todos, e ela queria todos por perto, e não só ele, não mais.

Então, foi quando ele percebeu que finalmente havia conseguido o castigo que tanto julgava merecedor, e pelo qual tanto se torturara (e torturara outras pessoas).

Pois Sakura era linda, e jamais seria sua, ela era intocável para si como ele sempre julgou que deveria ser.

Sasuke não era mais que um guardião, que junto de outros, sem importância maior ou menor que a destes, estava fadado a protegê-la e observá-la amadurecer.

Amadurecer para o mundo, quem sabe para outro...

Pois seu coração era limpo, o único que estava manchado pelo amor, um amor tão trágico, agora, era ele.

— Sasuke-kun? – Ele apertou os olhos brevemente, sentindo como se seus pés estivessem perto da beira do precipício outra vez. Provavelmente sentiria isso para sempre, como se pudesse se virar e deparar-se com aquela garota de cabelo curto, e sorriso enorme, bem como aqueles olhos brilhando de amor e alegria.

Inspirou profundamente e por fim, ergueu os olhos para a figura dela, ao lado, esperando calmamente sua reposta, com uma expressão curiosa e um pouco preocupada com o silêncio demorado, ou com sua aparição repentina no parque.

— Aa.

— Sasuke-kun! – Sakura exclamou, se abaixando e sentando-se ao seu lado na grama, abaixo dela um ninho de fios se formou, acolhendo-a confortavelmente. — Veio ler também? Eu gosto daqui, é um bom lugar para ler, não acha?

Sasuke olhou em volta, para o lago artificial rodeado por um bucólico campo de grama aparada, com colinas e algumas árvores com bancos abaixo, onde via algumas pessoas também lendo livros ou mesmo estudando pergaminhos. Algumas crianças soltavam pipas coloridas.

— É, parece um bom lugar. O que está lendo? – Sakura se empolgou mais, um tentáculo rosado alcançou o banco em que estava, onde havia deixado um grosso e largo livro.

— É um livro de lendas, estou lendo sobre Ninigi no Mikoto, agora.

— Entendo. – Ele disse, vendo-a abrir o livro sobre colo, com folhas espessas e cheias de pontos protuberantes, era colorido em tons suaves, e alguns dos pontos formavam desenhos, as ilustrações.

Lhe parecia meio caótico, mas quando ela perguntou se queria que lesse, ele não tinha porquê negar, e observou seus dedos deslizando pelos pontos suavemente.

Ele já havia decorado cada pequena cicatriz neles, amava cada trecho de pele perfeita entre eles, mas sofria com cada uma destas feridas marcadas nela.

Sakura tinha uma entonação suave e esfuziante com a leitura, absorvida, ao mesmo tempo em que queria ter certeza de que tinha a atenção dele.

Sasuke não pretendia tomar sua atenção, estava apenas esperando ficar quieto, com o chakra bem disfarçado, zelando de seu sossego. No entanto, ela o captou, sabe-se lá porque ou como. Talvez em suas dúbias reflexões, ele houvesse perdido a concentração necessária.

— Como sabia que eu estava aqui? Está tão boa assim em sentir chakras? – Indagou.

Sakura mexeu as pestanas bonitas e moveu a cabeça na direção dele.

— Seu perfume. – Sasuke arqueou o cenho, inevitavelmente.

Nunca fora de usar fragrâncias fortes, nem era exatamente adequado a um ninja, além do mais, não estavam num local exatamente fechado para que qualquer cheiro chegasse facilmente nela.

Sakura pareceu absorver suas dúvidas, e tocou o nariz como se fosse um item estranho.

— Tsunade-sama disse, que por eu não enxergar meus outros sentidos ficaram mais aguçados, eu sinto bem alguns cheiros, e reconheço, alguns sons, ah, eu também reconheço até mesmo alguns toques. E minha memória de longo prazo está começando a se arrumar também.

— Está?

— Ainda não posso, e provavelmente não vou lembrar de quem eu era, mas posso ter novas lembranças, então isso é bom, não é?

— Sim, é. – Ele suspirou, Sakura se encolheu, com um sorriso pequeno e um pouco pesaroso.

— Nee, Sasuke-kun? Eu era uma pessoa boa antes?

Sasuke a fitou novamente, um tanto confuso com a pergunta.

— Porquê quer saber? Acha que não?

Ela encolheu os ombros, abraçando os joelhos.

— Eu não sei, as pessoas dizem muitas coisas, nem todas são boas... Algumas são... Confusas, e eu sei que não devo ouvir todas, pois não são tão próximas a mim. Mas também me faz pensar... E se as pessoas próximas a mim... Estiverem apenas me protegendo? De novo...?

Sasuke tomou um tempo para tomar conta da perplexidade que o atingira.

Desde que ela chegara, a algumas semanas, já havia notado quão mais madura ela estava. E Tsunade confirmava que por meio de alguns testes com um psicólogo, Sakura foi determinada com uma idade mental de cerca de doze anos, atualmente, e que seu desenvolvimento era extraordinário dado o pouco tempo em que aconteceu, mas que não deveriam esperar muito.

Com todo este chakra circulado em sua cabeça, o risco sempre presente dos outros selos se romperem, não poderiam ter certeza de que Sakura, e todo seu desenvolvimento até aqui, estariam seguros para sempre.

Ainda assim, provavelmente seu pessimismo o impedira de ver claramente quão desenvolvida e madura ela estava agora.

E talvez não quisesse ver.

Para evitar pensar no futuro, e em um futuro diferente.

Um futuro entre os dois.

— Você era uma das melhores pessoas que conheci na vida. – Ele disse. — Ainda é, e é a melhor mulher que pude conhecer depois de minha mãe.

Sakura se empertigou, corando ligeiramente.

— Si-sim?

— Sim.

— Verdade?

— Eu não tenho porque mentir.

— Hum... E eu era muito diferente do que sou agora?

— Não, é apenas mais pura.

Sakura inclinou a cabeça, franzindo a testa.

— Como assim, pura? Então eu era... Suja?

— Não exatamente, você é ingênua agora, apenas isso.

— Hmmm. – Ela pareceu pouco convencida, e ele teve a impressão de que provavelmente sairia indagando mais pessoas, depois.

Ela também não era muito sutil, aliás.

Ainda era um livro aberto com suas emoções.

Sakura suspirou, e por fim, jogou a cabeça contra o ombro dele, descansando-a lá.

— É tão cansativo, tentar entender tudo... – Reclamou. Ele riu suavemente.

— Termine a história para mim. – Pediu, Sakura assentiu, sem se afastar, apenas abriu novamente o livro sobre o colo e prosseguiu.

Como a bela criatura que era, e com ele podendo ao menos monopolizar esse momento de admiração um pouquinho.

***

De sua parte, Sakura sinceramente se sentia dividida.

Entendia e obviamente apreciava todo o cuidado e zelo que lhe eram oferecidos, mas já sentia que, poderia fazer algumas coisas sozinha.

Como ter uma casa sozinha.

Entendia mais que ninguém, suas próprias limitações. Mas aprendera que não era ficando parada, deixando todos cuidarem de tudo e facilitarem seus obstáculos, que ela os venceria.

No entanto, com convencer tanta gente disto?

Neste momento, seus ouvidos até doíam de estar perto de tanta discussão, e era um pouco pesaroso ver que estavam até mesmo brigando.

Não queria ser um fardo, nem tampouco causar discórdia.

— Ainda estão brigando? – Sasuke disse, ao seu lado, ele havia acabado de chegar.

— Estão...

— Hn. – Ela o pressentiu se movimentar, afastando-se um pouco, e então, sentiu sua postura mudar suavemente para algo como um ataque, e um estrondo se fez contra a mesa do Nanadaime, Sakura se empertigou, espantada, e percebeu o silêncio reinar.

— Que diabos...Qual foi, teme?! – Naruto reclamou.

— Calem essas malditas bocas por um segundo. – Sasuke disse, com desdém.

— Qual a grande coisa que tem para falar, Uchiha? – Ino reclamou.

— Eu não tenho nada a dizer, mas acho que Sakura tem, poderiam deixar ela falar?

Sakura poderia sentir todos os olhares sobre si, e se encolheu, nervosa, instintivamente protegendo-se atrás de uma massa de fios.

— E-eu...

— Oh, querida, era só ter dito. – Ino incentivou.

— Com vocês falando como papagaios? – Sasuke comentou. — Devem ter ferido os olhos dela.

— Você não tem trabalho a fazer, tipo, noutro lugar? – Ela rebateu.

— Poderia dizer o mesmo de todo mundo, mas esta não é uma reunião?

— Ui. Seu...

— Chega, os dois. – Shikamaru disse. — Se quer dizer algo, Sakura você pode falar quando quiser, principalmente se o assunto é você...

— Shikamaru... – Temari começou.

— Ela tem que ter sua voz ativa, de agora em diante, já está óbvio que Sakura já é bem capaz de se expressar e ninguém melhor do que ela pra dizer como ela se sente. Estamos fazendo pelo seu bem, mas você também pode decidir o que quer, Sakura.

Ela meneou a cabeça, pensativa, e concordou, timidamente.

— Eu er... Sobre morar com vocês... É sempre muito bom, eu gosto de estar com as crianças, e com vocês... Mas eu entendo que é um pouco difícil, pois todos vocês tem deveres...

— Ah, não, sei onde isso vai chegar, nem pensar. – Ino cortou.

— Ino, por favor. – Sai pediu.

— Ugh...

— Eu não sei se posso fazer isto sozinha, mas eu quero tentar...

— Eu vou matar você. – Naruto, rosnou para Sasuke, que suspirou.

Bem, ele poderia se matar também, agora.

— Quero tentar morar sozinha!

Sakura declarou, por fim.

***

— Morar sozinha? – Karin disse, muito surpresa.

Mas se bem que, vindo daquela pessoa, estava demorando mesmo.

Embora poucos fossem acreditar, ela era uma das que mais estivera atenta a Sakura. Afinal, em sua cabeça sempre achara que as duas eram rivais.

E Sakura era uma rival para poucas, ainda que as duas nunca tivessem de fato, lutado seja por Sasuke ou entre si. Mas usaram golpes fortes uma contra a outra.

Karin sabia que nunca seria como uma “Sakura” na vida de Sasuke, e por isso achava que deveria se tornar mais que isso, Sakura poderia ter sido sempre insegura em relação ao que Sasuke sentia e porque não sentiria? Aquele idiota era ótimo em estragar as perspectivas alheias.

Mas Karin jogara mais baixo do que se orgulhava, haviam lembranças que gostaria não de esquecer, mas de mudar.

E isso levaria para sempre, era o mínimo que merecia.

E Sakura merecia esquecer tudo o que passou, não só do quanto sofreu por Sasuke, mas do quanto sofreu naquele lugar e na mão daquelas pessoas.

Karin sabia mais do que ninguém o que era ser tratada como um mero espécime de laboratório, as marcas em seu corpo jamais a deixariam esquecer disso.

Mas Sakura era muito mais forte do que ela, não tinha habilidades especiais, não tinha um grande clã a representar, e ainda chegou ao auge de sua geração, era e provavelmente sempre seria a kunoichi mais forte daquela geração, e o que era agora, mesmo que querendo ou não, provavelmente a tornava a mais forte da aldeia!

Isso não poderia se esquecido jamais, e ela tinha o direito de saber disso e decidir como usaria seu poder. Claro que todos esperavam que para o bem, e Karin tinha plena certeza que Sakura nunca iria querer machucar ninguém, mas ela tinha que começar a ter seu livre arbítrio logo.

Ou se sentiria manipulada, e ninguém gosta disso, sejam boas ou ruins as intenções das pessoas.

— É. – Sasuke comentou, um tom um pouco aborrecido. Ela poderia rir, pois ele não estava vendo nada ainda.

Imagine quando as crianças crescerem, como ele lidaria?

Esperava que Sakura o ajudasse se adaptar, mas considerando quão inclinado ele estava para ela, ela o dobraria tão fácil quanto Sakuya.

— Acha que é uma boa ideia? – Indagou, enquanto pacificamente lavava os pratos do jantar, as crianças estavam raramente calmas diante da TV, mas era só enquanto o efeito de toda a comida os deixando enfadados e cheios não passava, logo estariam correndo atrás do pai querendo que ele fique mais.

Suspirou, lembrando que Mangetsu estava com o pai... e madrasta agora. Mas ela o veria pela manhã e o levaria para a academia junto com as crianças antes de seguir para o hospital. Ele ainda estava com ela, e ficaria enquanto pudesse lutar para que ficasse.

Haviam erros que jamais poderiam ser desfeitos, mas acertos que ela lutaria para fazer de agora em diante.

— Não sei. – Sasuke disse. — Você acha que ela pode se virar?

— Morar sozinho pode ser assustador, talvez ela queira essa liberdade agora, mas pode se sentir triste em ficar sozinha, no entanto, não muda que é um pouco desconfortável estar pulando de casa em casa. Sei que todos amam recebê-la, mas não muda que isso é mais trabalhoso para alguns. Ela não quer incomodar.

— Eu sei...

— Vocês só não gostam que ela se sinta um fardo. – Karin suspirou — É compreensível, mas quando tomam tanto partido por ela, ela também pode sentir que está sendo um peso assim. Então deixem-na tentar. Lembro que mobiliaram um lugar para ela, sim?

— É, ela vai com Ino, amanhã, ela quer ficar completamente sozinha na casa, mas querem convencê-la de que seria bom alguém ficar com ela nos primeiros dias, para ajudá-la se acostumar com o lugar.

— Isso seria bom, é um meio termo agradável, ela está tentando não ser mimada. Mas ela vai entender.

— Hn.

— Então você não precisa ficar tão incomodado. – Alfinetou.

Sasuke estava com o queixo apoiado na mão enfaixada, encarando o nada, uma perna cruzada e uma xícara de chá preto balançando entre os dedos, vazia.

— Hn.

Ora, ela vivera o bastante com ele para aprender a interpretar um “Hn” ou outro. Por isso sabia que aquele poderia ser traduzido como: “Não estou afim de concordar, mas também não vou negar, mesmo que eu, na verdade, concorde.”.

— Suigetsu e Juugo moram perto, eles podem olhá-la de vez em quando. – Lembrou-o.

Sasuke bufou suavemente, soprando uma mecha de cabelo do rosto um pouco transformado numa careta de desagrado agora, encarou a porta de acesso a sala, olhando sem interesse para o que as crianças viam na TV.

— Hn.

Algo como: “Grande coisa, como se eu realmente quisesse esses caras perto dela”.

Karin quis rir bastante e o faria mais tarde, quando ele saísse, conversaria bastante com Shisui, o mais velho agora com quase quinze anos e tão observador quanto o pai, já entendia o bastante do assunto para saber tratar dele junto dela.

Os dois se acostumaram a conversar sobre Sasuke e lançar teorias sobre seu comportamento, parecia meio desonesto, mas era um passatempo tão divertido. Ela decidiu que manteria isso com ele até os outros dois crescerem mais. Um segredinho de mãe e filhos.

Talvez ela precisasse de amigas mais próximas para fofocar, mas estava feliz do jeito que estava, apreciava ter essa cumplicidade com Shisui, e perceberam que não era só Sasuke que ficara mais próximo da família, depois do divórcio, ela também.

— Oh! Otou-san, Kaa-san! Vejam! – Izuna gritou de cima do sofá, enquanto apontava a TV.

— Izuna, já falei pra não pisar no sofá!

— Kaa-san! A Sakura-chan tá na TV! – Sakuya gritou, os dois adultos se entreolharam, aturdidos, e viram Shisui aumentar o volume da TV.

Se levantaram e seguiram para lá, ela ainda enxugava as mãos molhadas de água de sabão, quando facilmente visualizou Sakura sentada numa confortável poltrona lilás do conhecido cenário de um dos programas de TV mais famosos da aldeia, e por conseguinte do país. A transmissão era inclusive, internacional, chegando a passar em canais fechados de outros países.

Um alcance e tanto para um programa que não era essencialmente jornalístico e nem de fofocas toscas. Era leve, para toda a família, com todo tipo de matérias divertidas e assuntos comuns a qualquer pessoa normal.

A apresentadora era uma senhora chamada Nanase Hatsue, que era tão ou mais querida quanto as bonitonas das novelas e outros programas, seus olhinhos eram apertados, ela sempre se vestia de forma tradicional e leve, e seu sorriso era praticamente carimbado no rosto.

— Agora estamos aqui com a nossa mais nova princesa, mas já conhecida e adorada na aldeia, e por quê não dizer, todo o país?— Nanase disse, alegremente, parecia bem consciente de como lidar com Sakura, eles perceberam que entrevista parecia não estar acontecendo no cenário em que havia um auditório. E sim num cenário igual, mas fechado. — Sakura Haruno!— Ela exclamou, o close foi para Sakura.

Ela estava no mínimo, sublime, usava um vestido azul claro de tecido bastante leve, e seu rosto havia sido maquiado de maneira suave, com retoques em torno dos olhos, deixando-os iluminados. Em sua cabeça a coroa de hime brilhada e seus cabelos praticamente refletiam a as luzes do estúdio de tão brilhante que estavam. Ela parecia bem tranquila com Nanase e a atenção em volta de si.

Nanase se inclinou, tocando sua mão suavemente.

— É muito bom, tê-la aqui, Sakura, e muito obrigada por vir.

— Eu também agradeço, é muito divertido estar aqui, eu sempre ouço seu programa, é o meu favorito.

— Fico feliz! Apesar que não deve ser chato ouvir a voz dessa velha?

— Você tem uma voz muito agradável. Eu gosto muito.

— Obrigada, você continua adorável, lembro que já me atendeu, era muito novinha, e agora vejo que é a prova viva de que algumas pessoas não perdem suas essências. Querida, e que bom que não perdeu a sua, pois é absolutamente especial.

— Obrigada.

A atenção deles foi roubada pelo telefone, Karin xingou e foi atendê-lo enquanto Sasuke continuou se perguntando se a mulher havia o feito tomar chá de alguma coisa alucinógena de novo, vez ou outra Karin trocava os potes.

Ele realmente só poderia estar alucinando que Sakura estava na televisão.

Exposta.

E belíssima.

— Sasuke, é pra você, é o Naruto. – Karin disse, ele se aproximou rapidamente, e pegou o telefone.

— O quê?

— Está assistindo a TV?

— E torcendo para ter me auto posto num genjutsu...

— Não está.

— Como isso foi acontecer?

— Eis a questão, eu não sei! Ino está surtando no outro telefone, eu não sei como Sakura conheceu Nanase Hatsuo, ou como chegaram nela! Os telefones não param de tocar, o centro parou, está todo mundo vendo nos telões. Todo mundo!

— Porque estão ligando?

Naruto suspirou, do outro lado.

— São os clãs, o conselho. Sakura está mostrando aquele rostinho lindo na tv, viu como ela está amorzinho? Tá todo mundo babando! Ela vai ser a mais amada de Konoha, cara, e você sabe que o conselho não vai gostar disso, não sabe?

Sasuke quis socar a parede, embora duvidasse que alguém fosse notar já que estava todo mundo grudado na TV.

— Merda.

— Das grandes.

— Faça alguma coisa, corte a porra da transmissão, tire ela de lá.

— Eu?!

— Quem mais? Você é o Nanadaime, ela não tem ciência do que está fazendo, e seja quem for que começou isso, sabe! A estão usando, Naruto.

— Eu sei! Mas seria muito cruel, não? Ela está se divertido.

— Seu bastardo babão.

— Preciso desligar.

— Nem pense em...

— Vou dar um jeito, prometo!— E ele desligou.

Sasuke inspirou profundamente, tantas formas de matar Naruto e acabar com aquele circo se passaram em sua mente que ele até ficou exausto. Sentou-se na poltrona próxima da TV, e se pôs a assistir.

Era tudo o que podia fazer.

— E então? – Karin indagou.

— Já era.

Não sabia de quem era o feitiço, mas ele já estava lançado.

O conselho ficaria irado achando que era ideia deles expor Sakura de maneira tão casual e humana, para o povo amá-la mais do que já amava e ficar pronto a recriminar qualquer ação contra ela.

Uma simples entrevista, uma conversa casual e animada, seus olhos brilhando e seu sorriso luminoso, sua voz suave, seu temperamento amável.

E assim aquela bela criatura agora teria Konoha e até mesmo o povo de outras aldeias, nações inteiras, na palma da mão.

Notas finais
Sasuke tá cada vez mais gamado ACHA QUE VAI ESCONDER ATÉ QUANDO, MORE? Sakura virou celebridade. SÓ NÃO DIZ QUE NÃO GOSTA DE ABOBÓRA! Ja ne! page: https://www.facebook.com/KinesterFanfictions/ PS: Tem att de Vingador ainda hj hein? u.u