Lost Inside
23 Por que ela pode vir à cobrar.
Notas iniciais

— Se quer continuar com isso, tudo bem, mas vamos embora daqui, porque já devem estar atrás dela.
— Ele tem razão, Miyako.
Miyako puxou Sakura pelo pulso, bufando e seguindo em frente. O aperto firme incomodou-a porque já estava cansando de andar e andar e não chegar a lugar algum, o baldinho a lembrou que Himawari devia estar esperando.
Oh, Himawari! O castelinho delas!
Ela puxou o pulso de volta e se virou tentando relembrar os passos que derá até ali.
— Tenho que voltar...
Seu pulso foi agarrado com força dolorosa. Outro braço envolveu seu corpo de maneira rude quase a tirando do chão e ela sacudiu as pernas tentando se afastar, assustada com a proximidade estranha.
— Não vai a lugar algum.- aquele se chamava Miyako proferiu, irritado.
— Mas...
— Miyako! Cuidado!
— Cala a boca! Foda-se essa merda toda.
Ela puxou o pulso de novo, se libertou e recuou o segurando, desta vez, eles também se afastaram, cientes de que a ondulação em seus cabelos não era dócil.
— Não, eu quero voltar!
— Porra, Miyako! Se ela nos atacar aqui, porra nenhuma vai impedir de perceberem o estrago.
— Seu idiota!
— Calem as bocas!
— He-hey, pequena, não precisa ficar assustada, vamos apenas dar um passeio – um deles disse.
Ela continou recuando, enervada. Tinha algo neles que incomodava profundamente, uma inconstância perturbadora.
Negou com a cabeça e chicoteou sua mão com uma mecha.
— Eu quero voltar!
— E se usarmos uma seibon? – o outro cochichou.
— Duvido que dê certo, não com qualquer dose de sonífero.
Eles ficavam falando e falando, deixando-a de fora e então gritando, isso era tão ruim.
— Mas que inferno, apenas pegamos e levamos, ela é uma sem noção! – Miyako protestou vindo até ela — Vamos apenas brincar, pequena.
Sua mão não a alcançou, foi segura pelo pulso com pressão insuportável.
A energia que entornava ao redor a fez se afastar ainda mais atemorizada.
— Naruto...? – parecia e não parecia ele, era primitivo e aterrador demais.
Ele ergueu os olhos e encarou o ANBU, as fendas afiadas estampavam na íris rubra e um sorriso de escárnio se fez na boca.
— Brincar? Que interessante, porque não me mostra como quer brincar?
A voz que saiu, não era a que estava habituada, ela sentiu o ombro ser envolvido e imediatamente girou abraçando aquele tronco. Ele sim, reconhecia.
Sasuke moveu os olhos por ela, procurando qualquer coisa que não devesse estar ou que faltasse.
Depois encarou Naruto, ou Kurama.
Em outros tempos seria preocupante, mas a cumplicidade entre os dois agora, permitia que a raposa demônio entrasse no comando quando o próprio portador não tinha controle.
Não que achasse que era realmente seguro.
Aqueles três estavam condenados de um jeito ou outro.
— Na-nanadaime-sama!
Eles se curvaram mas o terceiro não pode, Kurama torceu-lhe o pulso e só então ele foi se curvando dolorosamente.
— Isso vai ser divertido.
— Controle-se, coisa. – Sasuke avisou, mas nem se importava, ele estaria fazendo coisa pior se Sakura não estivesse agarrada com ele. mais nervosa ainda em não reconhecer a besta.
— Não seja estraga prazeres, Uchiha. Porque não a leva de volta? E você, adora se meter em encrenca, não? Colega.
Sasuke revirou os olhos para o cinismo da besta, deu as costas e puxou Sakura pelo pulso.
— Eu quero voltar – ela choramingou esfregando os olhos.
— Eu vou leva-la, se acalme.
Miyako assistiu os dois se afastarem, e só conseguia sentir mais raiva ainda, mais indignação.
Puxou o pulso e afundou o pé na areia ao dar um passo.
— Continua sendo assim não é?! Sempre a mesma maldita coisa! No fim, você continua indo para ele, não importa o que aconteça, Sakura!
Sakura parou ouvindo aquela voz amargurada sem entender o porque dela, Sasuke o observou de soslaio, vendo algum tipo de muralha cair, e restar apenas alguém revoltado, e inconformado.
Naruto suspirou pesadamente, voltando um pouco a si, quando recordou que houve um tempo que houveram pessoas tentando remendar o coração de Sakura, e mesmo que ela tivesse rejeitado a ideia da forma mais gentil possível, ele percebeu que era inevitável quando um coração tinha que quebrar.
Assim como foi para o dela, embora sempre fosse sentir que tinha sim um jeito, sempre tinha.
Nessas horas admirava Sakura por não ter se tornado alguéma amarga e de coração endurecido, ele certamente se condoeria, mas nunca lhe tiraria razão, na verdade,talvez se sentisse até mais tranquilo se ema exprimisse toda a dor que sentia em vez de mante-la ocultada atrás de um sorriso doce. Talvez se ela tivesse se permitido sofrer, ter raiva, odiar, as coisas pudessem ter sido um pouco diferentes.
Se um bater de asas de borboleta, poderia em outro tempo e época causar um tornado devastador, talvez se Sakura tivesse odiado Sasuke por machuca-la e abandona-la outra vez, ela nunca tivesse sido sequestrada, e hoje seria realmente feliz, porque o tempo continuava sendo o melhor modo de curar as feridas.
Mas o tempo também podia aprodece-la mais, era exatamente isso que via, alguém com um coração partido que se tornou capaz de coisas desprezíveis.
No entanto, Naruto não podia curar o coração de todo mundo e hoje em dia, ele já compreendia isso.
Mas faria tudo para manter Sakura segura, e se isso significava ser impiedoso.
Ele seria.
— Leve, ela daqui, Sasuke.
Sasuke o fitou, inicialmente surpreso, por ver que era ele. Mas Sakura estava chorando, e ele puxou-a para longe dali.
— Porque Naruto está estranho?
— Ele está apenas zangado.
Isso pareceu agravar mais e ela esfregou o rosto molhado enquanto chorava como uma criança, Sasuke parou e segurou seu rosto, procurando novamente algum motivo de dor.
— O que foi? Está tudo bem.
— Eu fiz algo errado de novo...
— Você, não fez nada de errado, Sakura, mas não devia ter saído de perto de Himawari, tudo bem? Deixou-a preocupada.
Ela assentiu, soluçando, fechando a boca com os lábios para dentro tentando conter os soluços.
— Ele machucou você? Tocou você?
— Ele é assustador, Sasuke.
Ele não queria pensar na forma como era assustador, mas já sentia que ela estava assustada de uma forma diferente. Sakrua geralmente atacava quando se sentia ameaçada, mesmo que isso houvesse diminuído um pouco quando ela se tornou mais civilizada e sociável. O fato daquele verme te-la assustado de uma maneira que ela nem soubesse se defender o deixava com o sangue queimando nas veias.
— Sakura...
— Hn?
— Toda vez que alguém te assustar, assim, faça o que for preciso entendeu? Ataque e se defenda, mas não deixe que cheguem perto de você, entendeu?
Ela encarou o vazio, absorvendo suas palavras, e voltou a chorar porque entendeu que realmente era algo ruim, ele não consolou-a desta vez, as vezes era bom ser marcado pela experiência ruim, assim ela saberia quando evitar uma pior.
Mas quando ela o abraçou, toda sua determinação caiu, e ele se viu incapaz de vê-la chorar por qualquer motivo.
— Vai ficar tudo bem, já passou, vamos voltar, certo?
— E Naruto?
— Ele vai vir logo, não se preocupe.
Ela assentiu e o acompanhou, Sasuke a levou sentada num dos ombros, distraindo-a um pouco, ela logo pediu que ele enchesse de o balde de água, e dizer que poderiam enche-lo quando chegasse porque lá tinha água também não foi o bastante. Agora tinha que equilibra-la para que ela também não lhe desse um banho. Ainda tinha claras feiçõesde choro, e ele só podia imaginar o escândalo que o mulherio faria ao vê-la.
— Nee, Sasuke, estou com fome.
— Já estamos chegando.
— Mas eu quero agora.
— Só posso lamentar.
— Sasuke, maaaaal!
— Deixe de ser mimada – Ela resmungou algo e ele seguiu em frente, quando chegaram, foi aquele desespero que ele já esperava, mas o preocupou mais a demora de Naruto.
**********************************************************************
Ela agora iria para Kumogakure, Sasuke preferia não pensar que era por causa do dia de praia, já faziam algumas semanas.
Primeiro ficou preocupado que Sakura estivesse afetada demais, ou o meio em que estava estivesse.
Ino era super protetora, Tsunade quase destruiu metade do escritório de Naruto e exigiu e ameaçou ele para que desse um jeito definitivo naqueles três.
Além da surra, Naruto usou e abusou de seu poder sobre a Anbu rebaixando-os a trabalhos patéticos até para gennins, mas sabiam que isso não poderia durar muito, o que menos precisavam era que o incidente vazasse de forma que comprometesse algum deles perante o conselho ou a sociedade. Um fato poderia ter muitas interpretações e não dariam vazão para aqueles vermes tentarem sair por cima.
Então, ele estava certo e todo mundo estava mesmo meio irritado e arisco.
Por isso, talvez a viajem pudesse baixar um pouco a tensão de todos em relação a segurança de Sakura.
Ela partiria depois do almoço e agora eles iriam visitar sua casa nova, mesmo que ainda fosse cedo para ela morar só (e ele já gostasse menos da ideia), seria algo para distrair todos e deixar que também dessem alguma sugestão.
A fachada que correspondia ao apartamento de Sakura estava pintada de um rosa suave, Sakuya foi a primeira a perceber a ligação e subiu as escadas correndo, seguida pelo irmão.
Bateu na porta e quando ele e Karin estavam se aproximando, Ino a abriu e saiu da frente para os pequenos furacões passarem.
— Bom dia, vão entrando, a casa já está cheia.
Ela adentrou dando espaço, começava por um curto corredor de piso claro e paredes cinzentas, que se abriu para uma sala grande em tons claros, a luz era suave, e as costinhas estavam fechadas, vários sofás cinzentos contra as paredes voltados para uma estante com uma grande TV no centro, lareira abaixo e nixos de cada lado com iluminação dando destaque a vasos.
No centro tinha uma mesa de um cinza mais claro. Parecia um pouco informal demais até, ou meio sombrio, mas nada parecia assim quando estava cheia de crianças a TV passavam clipes de música, barulhentas e Sakura corria e pulava nos sofás,vestia uma blusa de mangas azul clara, e uma saia longa de tecido esvoaçado em camadas rosa bem claro. Seu cabelo estava embolado para cima e estava descalça.
— Sakura, pare de pular nos sofás! – Ino resmungou, seguindo para a cozinha.
Mas em seu modo travessa, Sakura soltou apenas uma risada matreira e saltou para a mesa de centro, Boruto e Shikadai que estavam sentados no chão jogando com brinquedinhos eletrônicos, se limitaram a puxar de cima da mesa, os dos vazinhos que a decoravam evitando que Sakura os pisasse, quando ela passou, puseram de volta sem nem ter parado de jogar.
Ela desceu para o chão, e seguiu até Sasuke o abraçando forte.
— Oláaaaa, Sasukeeee!
— Pare de ficar pulando nos móveis, que destruir sua própria casa? – Ela riu parecendo envaidecida, e ele não entendeu o porquê, só aviu avançar de uma vez e sufocar Karin num abraço, Sasuke até temeu que ela quebrasse a mulher ao esquecer a força que ainda tinha, Karin estava tão espantada que mau reagiu.
— Obrigada por viiiir! – Sakura se afastou e girou sacudindo as anáguas da saia. — Nee, minha casa é bonita? Eu achei muito divertida, os sofás são fofos e a minha cama também!
— Ah... – ele entendeu, ela não poderia apreciar a beleza do que lhe presentearam, mas estava ansiosa para saber se agradaria todos.
— É, é muito bonita – Karin disse, baixo, ele quase não teve certeza que ela dissera, mas Sakura deu um sorriso luminoso e muito alegre voltou a correr pela casa.
Estava frio lá fora, foi uma manhã de chuva fraca mas constante por isso as crianças não puderam sair. Eles tiravam os casacos e seguiram pela casa, o corredor levou até a cozinha, toda branca e espaçosa ocupada pelo mulherio naquela típica falação de sempre.
Karin ficou por lá mesmo, e Sasuke seguiu até onde ouvira as vozes dos caras, entrou num dos quartos e se deparou com um abiente claro, com detalhes em verde. Naruto, Shikamaru, Sai e Kiba conversavam na sacada, o Nara estava recostado na amurada, onde o vento poderia afastar a fumaça de seu cigarro.
— Estava demorando – Disse Kiba.
— Crianças demais para arrumar.
Eles riram, e Sasuke lembrou que aquele foi um dos dias em que os garotos acordavam com enegira redobrada, só queria correr, gritar e pular, e Karin quase enlouquece para deixar todos prontos, e quando ela enlouquece, enlouquece Shisui e enlouquece Sasuke, ele tentava, mas no fim, ameaçava deixar todos de castigo.
Às vezes adiantava, outras, nem tanto.
Às vezes, ele não via a hora de que crescessem logo.
— Qual o grande assunto?
— Nada demais, apenas fugindo das mulheres e das crianças – disse Sai.
Sasuke não tinha o que contrapor.
Passou novamente os olhos em volta observando o quarto, não era um especialista em decoração, mas se poderia ver Sakura brincando por ele, dormindo nele, achou que seria bom o bastante, e parecia seguro também, tal como todo o resto.
Sai contou que Ino ainda havia resolvido mudar novamente a decoração de algumas partes da casa, como a sala e o banheiro, ela devia estar tentando se manter menos pensativa no assunto que tentavam encerrar.
— Será que ela poderá viver aqui logo? – Kiba disse — Chega a ser pecado deixar uma casa tão boa abandonada.
— Não dá pra saber, mas ela já faz muita coisa sozinha, se veste, sabe que deve ter atenção, o que deve aceitar ou não comer, mas morar sozinho é se administrar totalmente – Shikamaru disse. — Ainda é cedo e não temos porque ter pressa, o sistema de “rotear” as visitas está indo super bem.
— Que diga o Kakashi, ela está adorando ficar na casa dele, ainda que sinta falta das crianças...
— Satoru-kun ajuda um pouco, haha.
A porta se escancarou e Sakura adentrou-a indo direto para a cama seguida dos menores, começou a pular.
— Hey! Saiam daí agora! – Gritou Tenten, ela parou, os encarando e fez uma careta, voltando-se para fora novamente — Achei! Estão todos aqui escondidos?!
O corredor se encheu de vozes femininas agudas e iradas.
Elas apareceram na porta, furiosas.
— Mas que diabos?!
— O que foi? Estamos quietos aqui – disse Kiba.
— E quem disse que era pra ficarem quietos?! Ao menos façam o favor de olhar esses garotos e a Sakura antes que ponham a casa abaixo!
— Mas e voces?! – indignou-se Sai.
— Cale a boca e olhe seu filho, branquelo!
Elas saíram e Naruto foi log pegando Himawari de cima da cama de Sakura, pegou a Haruno também e jogou cada uma sobre os ombros. Sai e Shikamaru saíram também e Kiba puxou Mangetsu e Izuna enquanto Sasuke levava uma Sakuya que parecia ter sido ligada em alguma bateria.
— Papai! Papai! Papai! Me joga pra cima! Me joga pra cima!
— Hn? Comeu algo estragado no café? É claro que não.
— Porqueeeeee??
— Porque é perigoso?
— Mas você não vai me deixar cair! Tem os dois braços!
Sasuke suspirou, e seguiu pelo corredor jogando-a para cima quase a altura do teto, se Karin visse, ele seria espancado, por isso parou logo, segurando-a e encarando-a descabelada e gargalhando, Karin o mataria ainda assim.
Ele no entanto, além de notar que o cabelo da pequena podia ser tão rebelde quando o de Izuna quando queria, notou um pequeno artefato pendurando na gengiva dela.
— Você...
— Hnnm?!
— Abra a boca, isso é um dente caindo? – Sakuya tapou a boca, e o encarou como se ele a tivesse pego com a mão na massa. — É um dente querendo cair não é? Porque não arranca logo?
Ela negou veemente.
— Vai doeeeer!
Ele abriu sua boca e tocou o dente. Oras, estava por um fio.
— É só puxar, posso fazer isso.
— Nãããão!
— Hn, sua mãevai faze-lo, você sabe.
— Não! Não! Nãoooo! Não diga pra ela, papa! Ela vai querer guarda-lo num pote!E eu não quero isso!
— Huh? Porque?
— Porque se eu esperar ele cair e guardar debaixo do travesseiro, vou ganhar uma moeda!
— Moeda? De quem?
— Da Moça dos dentes! Ela vem pega nosso dente e troca por uma moeda!
Desde quando ela era tipo tão capitalista?
Sasuke desistiu, e a pôs no chão, de toda forma, se ele não caísse logo, o dente seria descoberto por Karin rapidamente, e pararia sim no pote de dentes que ela guardava, soava meio bizarro até para ele, mas ela insistia que eram lembranças dela e das crianças.
— Que seja, mas se ela te pegar, eu não sei de nada.
— De queeee?! – Sakura indagou quase em cima deles.
— Meeeu denteee! Está caindo! Mas não conta pra mamãe!
— ÉÉÉÉ? Você me dá?!
— Huh? – exclamaram os dois enquanto ela já estava com as mãos no queixo de Sakuya e enfiando os dedos em sua boca tateando.
— Para que quer o dente dela?
— A Moça do dente troca por moedas!
Que infernos...?
— Oh! Acheeei! – Ele e nem Sakuya tiveram tempo de negar, Sakura já estava tirando os dedos com o pequeno dente de leite da menina entre eles. — Ooooh tão pequeno!
— Você...- ele fitou Sakuya, esperando-a abrir um berreiro mas a menina estava ocupada tateando a gengiva com língua.
— Oh! Ohhh! Ela arrancou o dente errado?!
Sasuke se agachou segurando seu queixo, e abriu-lhe a boca e encarou o dito dente de antes pendendo no mesmo lugar enquanto que no lado oposto da boca havia uma janelinha de onde minava um pouco de sangue.
— E não doeu?
— Ehhh? Doeu? Gomene, Sakuya! Estava tão molinho... Ino disse que a gente puxa quando está molinho!
Sasuke encarou a cara confusa da filha e concluiu, suspirando.
— Você não sabia que tinha outro mole, certo?
Sakuya negou, ainda atordoada com a notícia. Ele entendeu, era um dos dentes de trás, ela provavelmente só se concentrara no da frente.
— Eu nem senti, papa! – choramingou.
— Ante um mole que um normal...
— Neee! Então eu posso ficar? – Sakura disse, os olhos brilhando como a moeda que achava que ganharia.
— Não vale, Sakuraaa! Tem que ser seu próprio dente, não o dos outros! Oh, vou ganhar duas moedas!
Ele tinha que descobrir com quem sua filha andava adquirindo esses hábitos. Sakuya era louca por brinquedos, mas Dinheiro era uma novidade.
— Não vale? Oh, então eu tenho que arrancar um meu?
— Sim!
— Não! – Sasuke exclamou.
— Porque?! – exclamaram.
— Você não tem mais dentes moles, Sakura. – Ela passou a língua por todos os dentes e concluiu o mesmo, com uma expressão decepcionada.
— Ah, isso não vale! Toma, Sakuya – disse, oferecendo-lhe o dente de volta.
— Não se preocupe! Eu vou comprar um mooonte, de doces e salgados pra gente com as moedas que eu vou ganhar, e o Izuna também!
— Izuna também está com dente mole? – Sakuya sorriu sem graça, e literalmente fugiu da questão.
Karin ficaria louca ao dobro.
Ele se levantou indo de para a sala, logo o almoço foi servido a casa foi arrumada e deixada novamente a espera de Sakura e sua independência.
Seguiram até os portões da vila onde uma carruagem oficial a esperava, pois, agora com o cargo que exercia, ela devia usar destas regalias.
Era de um vermelho escuro, as portas levavam um circulo branco. Kiba e Sai responsabilizaram-se de ser os condutores e comandantes da equipe que escoltaria.
Travestida num kimono nobre com calça hakama roxo escuro, e camadas de tons quentes com robe estampado em flores brancas, Sakura quis abraçar cada um e subiu para a carruagem abraçada aos ursos favoritos. Quem a acompanharia pessoalmente seria Amane, mais uma vez.
Sakura acenou ate não poderem mais vê-la no horizonte.
Eles deram a volta para suas casas.
E haviam passado cerca de quatro horas quando a noticia chegou por um pássaro de tinta enviado por Sai.
“O segundo Selo se rompeu”
Sasuke chegou lá em menos de uma hora tal como Kakashi e Shikamaru, mas não podiam dizer que era um bom recorde, estavam bem desgastados, no entanto, o quatro que encontraram no que restava do trecho da estrada Kumogakure foi desolador o bastante para impedir a adrenalina parar de circular e a fadiga ataca-los.
Havia uma gigantesca caixa de energia amarelada e densa ao redor de Sakura num extenso perímetro. Ele mantinha seus cabelos contidos, estes eram novamente aquelas serpentes violentas e brancas debatendo-se com violência do lado de dentro, fazendo toda a terra vibrar.
Sasuke caminhou até onde encontrou destroços da carruagem, Viu o coelho Mimi largado ainda no acento do que restou da carruagem e numa poça de lama, ele apanhou Hōn, a ovelha, com seu pelo maculado pela sujeira.
Ergueu a cabeça quando sentiu passos e cada pelo seu se arrepiou quando pressentiu aquele chakra novamente.
Girou no lugar e deixou o brinquedo cair.
A aparência se novamente se assemelhando a de um morto vivo, mas desta vez ele notou mais humanidade em sua expressão, por que ela era puro desolamento e abandono. O rosto estava seco, os olhos baixos, a camisa puída de sujeira e sangue, os braços caídos ao lado do corpo os cabelos naquele rosa ainda mais desbotado, mas bem mais volumosos, esvoaçando no ventro frio do começo da noite.
Ela continuou caminhando na direção da grande caixa de chakra denso.
— Sakura...- seu nome escapou antes que pudesse conter.
Para sua surpresa, ela parou e se virou, para seu espanto, seus olhos verdes muito opacos vagaram e pareceram se fixar nele, estreitos, para seu terror, pareceram reconhece-lo, e para seu desolamento e queda, seus lábios murchos murmuraram, incertos, mas corretamente.
— Sasuke...-kun?
Fale com o autor