Lost Inside
24 Não se deixe sentir saudades desse tempo
Notas iniciais

Doze anos atrás.
País do Mel.
Seus passos a levaram para o humilde mercadinho que a vilinha dos Sapos proporcionava, o vento úmido e o tempo frio ainda eram uma constante que a desagradavam.
Sakura parou encarando os céus azulados, e decidiu que aquele definitivamente não era o lugar para ela.
Na verdade, nenhum lugar vinha sendo.
Ela continuou seu caminho, pequenas barracas enfileiradas e vendedores gentis, ou rudes praticamente a jogavam para cima das mercadorias. Denotando a condição dessas pessoas, ela realmente quis poder comprar ao menos uma coisa de cada um, para ajudar.
Mas talvez fosse melhor não o fazer, uma voz, bem lá no fundo, vinha a alertando sobre parar de tentar acolher tanto as pessoas.
Ela não queria aceitar a fonte deste pequeno pensamento amargo, mas ela não o poderia negar, para si mesma.
Negação era o estágio que ela já havia ultrapassado a algum tempo.
O choque passou.
A inconformidade.
A tristeza.
E também a Negação, a teimosia.
Sakura nunca achou que a fase da aceitação seria tão bem vinda, mas quando veio estava tão desesperada que foi um alívio, quase um anestésico.
Mas aceitar não era a cura, era apenas o começo, era o que diziam e, era verdade.
Porque mesmo aceitando, ainda era amargo, doloroso, e trazia rancor.
Rancor, era a coisa que ela vinha evitando.
Fugindo e se escondendo, quase como se fosse a culpada.
Não, ela o era, mas não sozinha.
Mas o peso parecia estar lá só para ela.
Unilateral e torturante.
“Apenas suma”.
Seus olhos se estreitaram diante da própria mente traiçoeira, Sakura suspirou, pegando a sacola de maçãs e dando um sorriso qualquer e sem calor para a vendedora, deu a volta e seguiu em frente.
Sumir não era uma opção, fugir só a faria mais covarde do que já se sentia. Não precisava confrontar, tampouco.
Ao menos isso, ele foi capaz de fazer por ela, huh?
Em dois meses ela estaria de volta à casa, e Sakura Haruno só esperava uma coisa.
Paz.
Paz de seus pensamentos.
Seu trabalho.
Seus estudos.
Seus sentimentos patéticos.
Paz de si mesma.
Porque ser Sakura Haruno era um fardo, ser Sakura Haruno parecia ser sempre sinônimo de Fardo.
Porque quando ela finalmente deixou de ser um fardo para os outros, se tornou um para si mesma, carregando o peso do passado que a fez ser quem era, o peso dos sentimentos e sonhos que a fizeram chegar onde chegou. Tudo era apenas pesado demais, além de um profundo sentimento de vergonha, havia esse peso que a fazia constantemente querer baixar a cabeça quando estava passando em algum lugar onde todos a conheciam.
Onde todos conheciam Naruto.
Onde conheciam ele.
E ao menos um pouco da história deles.
E assim, onde todos sabiam quem era Sakura Haruno, e o que ela era.
Uma perdedora.
Pelo menos no campo daquela coisa que chamam de Amor (e que ela chamava Carrasco, como uma piada idiota e mórbida, nas frias noites de solidão e saquê.).
Ou talvez ela fosse apenas uma perdedora em tudo, que teve a sorte de saber se ocultar, afinal, sombras para ficar em baixo não lhe faltaram.
Um suave som de cordas chegou aos seus ouvidos, ela agradeceu por finalmente ter algo realmente agradável findando seus pensamentos obscuros mais uma vez.
Duvidar de si mesma era o mesmo que duvidar de todos que acreditavam nela e continuavam acreditando cada dia mais.
Este era um fardo que Sakura não poderia reclamar, era a corda que a puxava e levava ao abismo. Mas era sua única corda nestes dias frios e sombrios para seu coração tolo.
Seu olhar voltou-se para uma parede velha de uma das casas e lá viu um homem envolto em farrapos velhos. Sentado sobre um papelão, ele deslizava seus longos dedos pela corda de um violão enquanto a sua frente, havia apenas um caneco enferrujado onde as pessoas que passavam jogavam moedas vez ou outra.
Seus instintos alertaram que era sempre bom verificar um estranho que escondia o rosto, e ela enfiou a mão no bolso do vestido enquanto se dirigia até lá o mais descontraidamente possível, até parar, quando o estranho deleitou e chamou a atenção dos arredores com sua voz cadente e perfeitamente modulada, enroscada de maneira melancólica nas notas soltas pelo violão.
“Você completa meu destino,
O mundo se abre de dentro de mim
Você completa meu destino,
A auréola brilha distante
Você repete meu destino,
Voltando tudo o que podemos
Você preenche meu lugar,
Você preenche meu lugar,
Sakura denotou sua posição relaxada, e voltou a se aproximar, no entanto, parou e ficou apenas observando ao lado de algumas pessoas.
Venha e me salve
Venha e me salve
Venha e me salve
Venha e me salve
Venha e me salve
Cruzou os braços devido ao frio, uma suave perturbação a tomou, aquelas de quando algo desconhecido parecia sincronizar, assim, de repente, com algo dentro dela.
Uma pequena ânsia minou em seu peito, dolorida, mas que ela estava acostumada a sentir, no entanto, desta vez ao menos, foi um pouco mais suave.
Quase reconfortante.
Você completa meu destino,
Os céus passeiam dentro de min
Você repete meu destino
Revelando quem somos
Você preenche meu lugar
Você preenche meu lugar
— Venha e me salveee – Sakura olhou para trás, vendo a menininha que cantarolou no colo da mãe, esta soltou uma delicada risada, um pouco cansada também.
— Aaah, você já conhece tudinho.
— Haaaai! Venha e me salveeeee.
Venha e me salve
Venha e me salve
Venha e me salve
Venha e me salve
Venha e me salve
Sakura deixou um pequeno sorriso driblar suas paredes encarando aquela imagem, a mulher e a menina sumiram na esquina das fileiras de barracas. E seu sorriso morreu como muita coisa vinha morrendo quando viu outra imagem.
E todo o aconchego que sentia, se é que era aquilo, se desfez.
Ela reconheceria aquele poncho desgastado em qualquer lugar.
Os fios negros sacudindo suavemente pesados pela brisa carregada de humidade.
A mão branca envolvendo um tomate, os olhos que não via mas sabia que estavam em avaliação.
Seu interior se encolheu, seu chakra foi o próximo e ela o escondeu tão dentro de si, que talvez ele tenha espremido tudo o que já estava escondido lá dentro, e esmagado de uma vez.
Porque ele não estava sozinho, e haviam olhos que não eram os dele a encarando, uma mulher na mais bela fase que uma mulher poderia estar, sua beleza ruiva já aparente ainda mais ressaltada pelo nítido estado de espera em que se encontrava.
Sakura deu as costas num giro automático, como se fosse errado ser vista, e ousadia ver.
Uma vez, ela fora uma criança que não tinha vergonha alguma de mostrar seus sentimentos.
Hoje, definitivamente hoje, ela descobriu que eles estavam destroçados ao ponto de nunca curarem.
E vergonha de si mesma, foi tudo o que sobrou.
Acredite em mim
Beba o vinho
E pegue minha mão
Me complete
Acredite em mim
Beba o vinho
E pegue minha mão
Me complete
E não havia mais acolhimento, nem empatia para ela naquela canção. Sakura, caminhou até o homem, e se agachou deixando as moedas tilitarem caindo dentro do caneco, uma por uma.
— Obrigada, senhora – o homem disse.
— Não tem de quê, gostaria de poder dar mais, mas eu não tenho muito, mais nada.
Ele se sentou direito, parecendo muito empolgado em poder conversar, puxou o tecido que cobria a cabeça e a encarou sorridente, mas ela só esperava a última moeda cair.
— Espero poder retribuir um dia!
Retribuição, ela já não esperaria de mais ninguém.
— Bobagem... estou pagando por essa canção bonita.
— Huh? Então se indentificou?! – Ele parecia convencido disso e se inchou todo, deveria ter a idade dela, talvez. — Precisa ser salva, senhorita?! – Indagou numa cantada óbvia.
A última moeda caiu.
Sakura ergueu os olhos para os dele, e sorriu, fazendo os olhos dele, de cores diferentes e o pequeno cigarro que levava entre os lábios, cair.
Ele encarou, atônito, suas bochechas manchadas de lágrimas e seu sorriso martirizado.
— Não... Não tem nada que possa me salvar, afinal... Mas... Mas obrigada... por tentar.
Sakura se levantou e se provavelmente se arrastou para longe dali, rumo ao acampamento da equipe médica.
Ela provavelmente havia sido egoísta, mais uma vez, quando disse aquelas palavras.
Porque ainda estava realmente por provar, o que era o desespero de saber que nunca seria salva.
E não seria, não ela, não o ela desse momento.
Esse já estava perdido, desde esse fatídico dia.
**********************************************************************
Agora.
País do Mel, arredores.
“— Não... Não é o Sasuke... Nunca haveria de ser...”.
Puxou o braço de cima dos olhos e encarou o céu azul escuro e os raios solares que ofuscaram sua vista.
Sasuke puxou o tronco para a frente e se sentou, sentindo a mente ainda pesada e lenta, constantando que dormira mais e mais profundamente que o aconselhável, e que poderia ter acordado com uma espada enfiada no estomago, ou nem isso, geralmente iam logo para a garganta.
“ ‘Nunca haveria de ser’ huh...?”.
Ele se levantou, num suspiro cansado, sua mente cansou de procurar respostas que sabia que não era capaz de lidar.
Por hora, ele daria fim às investigações em torno de um dos últimos locais que Sakura visitou em sua jornada médica, havia curado uma epidemia de sarampo alguns meses antes de seguir para a sua ultima e fatídica missão.
No entanto, tempo demais se passou, o lugar se desenvolveu bastante, mas continuava com ares de aldeia pequena, quase ninguém lembrava tanto de doze anos atrás, exceto por algumas crianças e mães. Ao que parecia, Sakura fora rápida e eficiente ali, e, o que era absolutamente estranho para ele, ela não marcou o lugar com sua beleza e virtuosidade como era capaz de fazer sempre. Todos eram agradecidos por sua vinda, mas parecia que não haviam se aproximado muito dela, feito laços de amizade, como ela era tão capaz de formar quanto o companheiro cabeça oca deles, Naruto.
Talvez ele só estivesse desesperado demais por pistas dos Shins e atolado em buscas por rastros da existência de Kaguya ou qualquer coisa ligada a ela, essa última jornada dupla o deixou três meses fora, ou era o que esperava, podia contar o tempo quando em casa, mas em outras dimensões, tinha que ter cuidado para não se perder, o tempo era diferente na maioria delas, e ele poderia passar anos fora, julgando terem sido até mesmo, meros segundos.
Sasuke deixou a colina, recordando-se vagamente de ter passado por ali quando Karin estava grávida de Shisui, foi um passeio tão rápido que ele só se dera conta disto agora, nem mesmo poderia recordar exatamente a época, ele só lembrava que ela estava mais redonda e pesada.
Ele trocou de lugar no espaço-tempo com um tronco, e então estava caminhando pela nostágilca estrada de terra rumo aos portões de Konoha, sob um dia ensolarado e vento forte.
— Pare! Pare com isso! Velho porcooo! – Sasuke pousou num galho e em pé, encarou o casal aparentemente bêbado que discutia na curva da estrada, um homem velho ainda segurando uma garrafa de bebida, insistia em tomar afagos com a mulher, vestida vulgarmente, que se debatia em seus braços.
— Vamos lá, Akariii! Só mais uma!
— Me solta! Velho nojento! Nem pagou direito e quer... Argh!
— Aquiete-se, sua puta! – ela gritou se encolhendo quando viu a garrafa vir em sua direção.
Sasuke acertou a gaganta do energúmeno com uma cotovelada e ele tombou no chão. A garota baixou os braços trêmulos e encarou sua figura.
— Você...? – viu seus olhos negros passar por cada detalhe dela sem esboçar qualquer reação e imediatamente tentou jogar-se sobre o salvador de ótima aparência.
Ele desviou seguindo em frente rumo aos portões.
— E-espere! – Akari agarrou a bolsa, e chutou entre as pernas do velhote o fazendo se contorcer ainda mais sufocado, tentou correr com os saltos, mas desistiu os pegou e finalmente alcançou o homem alto envolto na capa preta. — O-obrigada por me salvar! Aquele velho estava irritando!
— Hn, que seja.
— Nee, qual seu nome? Quer brincar?
Ele parou, encarando-a, seus olhos piscaram e por baixo da franja, ela jurou que a cor que havia não era o preto, mas algo... roxo...?
— Brincar?
— Eh...? Mas claro! Quer dizer... Claaaro – ronronou, e ele ainda parecia perdido, encarou-a novamente e subiu o olhar por seu vestido vermelho. Então soltou o ar, exasperado, e seguiu em frente.
Ótimo, havia “salvo” uma prostituta de beira de estrada.
Mesmo que dissessem algo como “Ajudar sem olhar a quem” ou que um herói não julga quem salva, Sasuke denotou que não tinha sorte nem quando perdia tempo salvando alguém do azar que provavelmente busca sozinho.
Agora tinha uma porra de prostitua enchendo seus ouvidos sobre “brincadeiras” e quartos no distrito das luzes vermelhas.
— Você...- falou, fazendo-a finalmente calar a boca e parar de encara-lo como ele fosse um pedaço de carne nobre e ela uma mendiga esfomeada. — Pare de me seguir.
Ordenou, então seguiu em frente, finalmente adentrando os portões da vila.
— Maaas...! – a voz de Akari soou sendo ignorada por ele e abafada pela brisa.
Ela cruzou os braços emburrada, mas decidiu que ele não lhe escaparia. Não era todo dia que alguém como ela era salva por um estranho bonitão, e também já estava cansada de trabalhar na estrada, talvez fosse mesmo hora de arranjar um lugar só para ficar e receber clientes.
Saboreou a possibilidade de ele poder ser seu primeiro em Konoha, afinal, não era como se desse trela ao fato de ele ter uma aliança.
— Hehehe, os casados são os melhores, mesmo.
**********************************************************************
Ele não sabia o que ela estava fazendo, mas sabia que era traquinagem.
Sasuke, saltou do poste de onde observava, e pousou suavemente no beco, saiu dele, e seguiu a cabeleira rosa que já ganhava a esquina. Observou seus passos suaves e ligeiramente cuidadosos e como vez outra se firmava em algo que detectava no caminho.
Sendo tão chamativa, todos meio que se afastavam da nuvem exótica, encarando com admiração e ligeiro temor.
Sakura atravessou a rua e foi quando ele quase se revelou, temendo que algo ou alguém a atropelassem, ou ela o fizesse.
Ela dobrou noutra esquina e então, saiu correndo rumo ao pequeno parque que havia. Literalmente se lançando na caixa de areia, caiu sentada e riu.
Ele soltou o ar, meneando a cabeça, e caminhou até ela.
— Nee, Sasuke? É você?
Sasuke se abaixou ao lado dela, e deixou-a pegar sua mão, ela sorriu apenas em confirmar, ainda que seu tom faceiro o tivesse feito achar que ela apenas estava brincando, que o reconhecera de cara.
Ela ainda perdia a memória como antes? Ou três meses eram o bastante para esquece-lo?
— O que faz por aqui? Está sozinha?
— Lieeee – Sakura foi para cima dele, manhosa, Sasuke a pegou no colo e se levantou, areia escorreu do vestido xadrez preto e vermelho dela, e das botinhas pretas de saltos quadrados. — Ino me trouxe para fazer compras, mas é tããaoo chato, então eu vim brincar aqui. – declarou, os braços em volta do pescoço dele.
— Hn – Sasuke caminhou para fora da caixa de areia, imaginou que se também fosse cego, fazer compras seria mesmo a coisa mais tediosa do mundo. Era uma atividade que unicamente apetecia os olhos. A colocou no chão e ela fez um muxoxo, mas ele estava bem desgastado da viajem para fazer seu gosto, agora.
— Nee, Sasuke, onde você estava? Você foi embora?
— Se eu tivesse ido embora, não voltaria, apenas estava numa missão.
— É? E foi divertido?
— Não, missões são entediantes.
— Mas como assim?! Naruto disse que era divertido!
— Ele é um idiota, claro que se diverte.
— Oh, sim? Então se eu for numa missão e me divertir, eu vou ser idiota?
— Você não fará mais missões.
— Por quê? Tsunade-sama disse que um dia eu poderia!
Sasuke mandou um olhar estreito para ela. Que diabos de conversa era aquela? Esperava mesmo que a velha estivesse brincando.
Aquilo era incabível.
Sabia que Sakura era plenamente capaz de cuidar de si mesma, já tinha um instinto de defesa e de agressão elevados, mesmo agora, e certamente poderia ser independente, ele já acabara de ver uma pequena prova de como ela fazia o que queria e muito bem.
Mas uma missão, mesmo que correr atrás de um maldito gato, era coisa complexa demais, um ninja não era feito apenas de ataque e defesa, mas de estratégia, bom-senso, maturidade e astúcia.
Sakura provavelmente nunca mais poderia ser tão habilidosa e profunda nesses quesitos.
E ela já contribuíra o bastante, independente de ser jovem ou não, talvez Konoha só estivesse de pé agora por causa dela.
Assim como fora com Itachi.
Mas ele não deixaria que ela fosse sugada desta forma, outra vez.
Ele suspirou, sabendo que deveria ter habilidade para contornar isso, ela era como uma criança, quanto mais você negasse, mais ela iria fixar a ideia naquela cabecinha (literalmente) cheia de energia.
— Você é uma princesa... isso já é uma missão, sabia?
— Oh? Mas só? Sóóó? Quero fazer mais!
— Princesas são princesas, ninjas são ninjas, e mesmo que fosse ninja, seria entendiante para você...
— Por quê? – Sasuke a guiou até o balanço, que ela errou a localização por estar prestando atenção no que ele dizia, Sakura se sentou e ele a empurrou o mais forte possível e então se recostou na trave que sustentava a armação.
— Por que... você é muito forte, não teria ninguém para desafiar você, então seria entediante.
— Oh? Eu sou forte? Mesmo?Jura?
— Muito forte.
— Mais forte que você? – brincou, Sasuke suspirou, cruzando os braços e encarando o céu.
— Sim, é sim... Agora vamos embora, a Yamanaka deve estar surtando atrás de você.
Sakura saltou do balanço, desengonçadamente, e o seguiu segurando sua capa.
— Sabe o nome da loja onde a Ino te levou?
— Eu? Nãooo, só que tinha cheirinho de perfume e roupas novas, os acentos eram fooofos e a moça que vende se chama Aoshika...
Muito... Informativo.
Mas ele teria que trabalhar com isso, por enquanto.
Sakura e ele caminharam por ruas e ruas do centro, tanta gente ali dificultava até para ele tentar rastrear a Yamanaka, e quando pegavam multidões apertadas, Sakura ficava incomodada, até irritadiça com o sufoco.
— Nee, Sasuke, você vai trabalhar longe de novo, logo?
— Hn? Pretendo tirar alguns dias de folga, por quê?
Sakura encolheu os ombros, baixando o rosto, com um bico nos lábios, sua tez tomou um tom rosado adorável e seus braços se apertaram ao redor do dele, cheia de timidez.
— Ino disse que eu vou ter uma festa de ano novo, e que vai ser divertido, e que vai ter comida, e que eu vou ganhar presentes, e usar uma roupa bonita, e que todo mundo vai ir, você vai né? Pra ter todo mundo lá?
— Ano novo? – ele nunca dera muita importância para isso, e se recordou que já deviam estar à pelo menos algumas semanas do fim deste ano.
— Siiim!
— Sim, vou, as crianças vão gostar.
— Oh! Sim! Sim! Vai ser divertidooo! Você vai? Promete?
— Sim, vou, apesar que não sei porque eu estar lá seria divertido.
— Você não é divertido mesmo...
— Hn?
— Mas eu quero todo mundo pertinho! E você tambééém!
Isso era aquilo que chamavam de Morder e Assoprar?
— Tudo bem, nos veremos lá.
— Prometee?
— Claro, não seja mimada – Ela não se importou, radiante, Sasuke avistou uma cabeleira loira e soltou o ar, parando na calçada.
— A Yamanaka veio te buscar, tenho que ir, nos vemos outro dia.
— Haai! Prometa, prometa, prometaaa – Sasuke deixou um cálido sorriso escapar da boca ao ver seus cabelos se contorcerem de ansiedade e alegria, ela parecia uma flor de pétalas longas se abanando com o vento forte.
Segurou sua mão, elevando os dedos até ter contato dos lábios com ele.
Ela piscou, um pouco atônita, mas em seguida sorriu, o sorriso que entendia aquele gesto entre eles. Ela lembrava. E ele se viu removendo o peso que havia ignorado.
Ela não esquecera dele.
— Ja ne!
— Jaa – então se foi.
Sakura teve alguns segundos para vibrar de alegria, então Ino chegou e arrastou pelas orelhas enchendo-a de broncas por ter sumido.
**********************************************************************
— Entendo, isso está se fazendo longo demais, não gosto disso – Naruto suspirou, aborrecido, enquanto encaravam os rostos de pedra iluminados por faróis à noite.
Sasuke aquiesceu, apenas.
O Nanadaime se perdeu em alguns pensamentos, antes de recordar-se de mais uma coisa e voltar-se ao Uchiha.
— Também tenho que falar com você sobre uma coisa.
— Hn?
— Eles foram liberados.
Sasuke o encarou, absorvendo e ligando a informação, e em seguida, rosnou, inconformado.
— Grande merda.
— A investigação foi profunda e sabe disso, eles tinham provas, eu não posso prende-los por terem sido ludibriados.
— Tsc, ludibriados ou não, eles sabem que Sakura é de importância gigantesca, podem querer pega-la agora, e ainda mais.
— Eu averiguei sobre o passado dos dois e aquele cara... Bichura ou sei lá o que, é natural da Névoa, mas nunca chegou a fazer academia, ele nunca foi um ninja oficial, tanto é que consta apenas como bandido ou mercenário na maioria dos registros, ele é habilidoso, chega até a ser impressionante, considerando que não teve uma educação ninja convencional.
— E a garota?
— Parece o mesmo caso, mas ela iniciou a academia, só não terminou, se chama Ai Kitamura, os dois trabalham pra quem pagar bem, por isso acreditaram estar trabalhando para o Mizukage, além de que não faziam tanta ideia de que nível de periculosidade uma missão como sequestrar Sakura era.
— Você os despachou?
— Na verdade não, eles não tem crimes constatados contra Konoha, e não tem mandados de prisão, não posso prende-los, Bichura pagou três anos da ultima vez que foi pego e a garota nunca foi realmente altuada, eles podem ficar aqui ou irem embora quando quiserem, mas... Parece que o tal Bichura vai ficar... pelo menos um tempo.
Sasuke o encarou, com vista estreita. Naruto suspirou, parecia não saber bem o que sentir sobre a informação.
— Ele diz que conhece Sakura... desde antes de ela ser levada...
— Como?
— Até mesmo eram amigos, agora ele quer retomar esse laço outra vez... o que acha?
**********************************************************************
“— Você é muito melhor cantando do que enchendo o saco assim, sabia, Bichura-san?! – ela reclamou, suas bochechas coradas não seriam captadas pela imagem preto e branca da câmera velha que ele roubou (não que ela precisava saber desse detalhe), mas sempre acharia intrigante o modo como seus olhos poderiam brilhar além de qualquer tom imposto sobre eles.
— Isso é um elogio? De qualquer forma fico honrado, senhorita! Agora porque não para de me dar bronca, apesar de eu também gostar, e sorria para câmera? Seus pacientes vão adorar, e pode mandar para Konoha, não?
Ela pareceu relutante, na verdade era como se quando tivesse de sorrir, Sakura se sentisse incapaz. Ela só o fazia o mais naturalmente possível, quando a sombra que tomava sua alma se afastava um pouco.
A tenda sempre deixava algum vento entrar, e ele sempre sacudia seus cabelos curtos, ela os prendeu para trás, fios escapam do coque, e voltou a se dedicar à maceração de ervas que fazia no momento, seu vestido era verde escuro, as alças caiam sobre os ombros e deixavam o colo nu, arriscavam mostrar mais da pele dos seios sutis e de tom cremoso.
Ele sempre se continha para não filma-los ou fotografa-los, era um pé-rapado, mas um pé-rapado bem educado, orgulhava-se.
— Vamos lá, senhorita, não vai querer enviar essa careta para casa.
— Como você é chato! Tenho cara de atriz por acaso?! Hahaha, vá juntar uns trocados com seu violão, Bichura, aliás, espero muito que essa câmera não seja roubada!
— O que? Jamais! Essa porcaria velha? Eu comprei por uma pechincha! Quase de graça, na verdade.
Ele só teve que pular a janela do segundo andar de uma casa, correr dos cães e passar por baixo de um roseiral cheio de espinhos para fugir.
Pensando bem, nem acreditava que havia quase se matado por aquele troço acabado.
Sakura lhe lançou um olhar estreito e desconfiado, mas, pelo menos era bem humorado. E então riu, ela não acreditava nele.
Não aprovava, claro, mas aceitava.Talvez aceitasse até demais, ela parecia, também, cansada da ideia de tentar mudar alguém, realmente.
Bichura insistiu, contou piadas idiotas, encheu a paciência dos outros médicos na tenda, até ter um bom compilado de caras e bocas de Sakura Haruno, caretas, sorrisos, acenos, recados para a família em Konoha.
Ele havia juntado tudo para dar a ela como um presente de despedida, ele precisava ir embora porque essa era sua vida, ela precisava ir porque tinha mais lugares para trabalhar.
Mas ele não pode.
No lugar que se despediriam, havia só uma cratera rodeada de destroços, gente ferida e assustada, e nenhuma Sakura Haruno para salva-los.
Era ela quem mais precisava de ajuda.”
Baixou os olhos para a pequena fita e o envelope que estava cheio de fotos, parou e se recostou no poste, os olhares que se dirigiram para ele, demonstraram que sabiam que estava vindo, mas que não significava que estavam realmente aceitando.
Mas ele também notou ter tido a atenção de quem não via. Ela usava um kimono bonito e confortável, e se aproximou toda curiosa e receosa, provavelmente sentindo a tensão ao redor.
Bichura tirou o cigarro da boca e jogou na sarjeta antes que alguém o usasse como motivo para extermina-lo.
— Oh, cheiro de menta... – ela comentou.
“— Devia parar de fumar, faz mal para saúde, sabia?
— Prometo que vou tentar.
— Que bom!
— Mas não prometo que vou conseguir...
— Argh, Bichura, idiota!”.
— Você é o homem que cantava para mim!
Bichura riu um pouco.
— Você veio para o ano novo?! Aqui com a gente?
— É... por aí, vim ver você.
Ela soltou um “Kyah” empolgado e o abraçou.
— Arigatô!
— De nada, eu trouxe um presente também.
— Presente?!
— Aa – Bichura, pegou sua mão e pousou aquelas velhas lembranças nela. Ele as havia guardado porque como era um cara que vivia por aí, não tinha muita coisa que fizesse tanta questão de manter consigo, ou que valesse resguardo.
Aquela era uma das poucas, e não era só dele, ficou bastante tempo com elas, o bastante para grava-las.
Mas Sakura não, e mesmo que isso provavelmente nunca fosse ser como um botão que trouxesse seu velho eu de volta, ela merecia ter um pouquinho do passado e pessoa que foi documentada para conhecer.
— O que é?
— Depois você vai ouvir, seus amigos vão gostar de ver, era um presente que você daria para eles, um tempão atrás.
— Presente?
— Sim, mas você esqueceu, então eu trouxe para você.
— Oh, eu ainda não lembro, mas obrigada!
— De nada.
— Você vai cantar pra mim? Onegaaaai!
“— Você vai cantar de novo? Argh...
— Eu vou cnatar até que você não viva mais sem minha voz, aí eu vou parar e você vai ficar implorando.
— Pft, essa eu pago pra ver! Coitado!”.
Agora ele se perguntava como poderia cobrar...
Sorriu deixando-a enlaçar seu braço enquanto seguiam de volta à grande casa à beira do lago que logo mais tarde seria iluminado pelos fogos de artifício.
— Eu vou cantar sim...
— Oba!
— Uma que você gostava a muuuito tempo, era sua preferia, eu sei.
— É? E qual era?
— Hum era algo assim...
“Você completa meu destino,
O mundo se abre de dentro de mim...
(Monoral – Kiri)
Fale com o autor