Lost Inside

25 Por que ela não pode vir te consolar.


Notas iniciais
YOOOOOOOOOO OLHA QUEM VOLTOOOOOU

“— Eu já disse mil vezes, Bichura, pare de ficar zanzando pelas tendas!

— Eu só estou documentando.

— Você só está perturbando.

— Ah, quebrou meu coração.

Sakura desistiu e deu as costas.

Ela voltou para seu trabalho junto a uma mesa abarrotada de livros, pergaminhos, ervas secas, vidros e caixas de remédios. Quando ela poderia ter apenas dado um cascudo ou um soco em Bichura de forma ou a expulsa-lo de uma vez por todas ou a mantê-lo na tenda de uma vez, junto aos outros pacientes.

Mas ela permitiu-o continuar filmando, deu as costas, abriu um livro enorme e se debruçou sobre ele com os ombros caídos, os cabelos curtos desajeitadamente fugindo do coque mal feito e acariciando a nuca branca.

Bichura se aproximara da mesa, fazendo questão de filmar a pilha de coisas que a cobria tão bem que nem se dava para ver a superfície de madeira.

— Você não pediu desculpas por quebrar meu coração – chamou, forçando um tom sério.

Ela suspirou profundamente, voltou seus grandes olhos cansados para ele, havia um sorriso fraco, naturalmente gentil, mas ainda com um toque de amargor quando respondeu, seriamente, num to quase professoral.

— Quando você souber o que é um coração partido, nós conversamos.

Ela piscou suavemente, batendo as pestanas claras, como se já soubesse que ele não tinha uma resposta para isso.”

A confirmação veio quando, a imagem simplesmente travou em seu olhar, e o vídeo se encerrou.

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— Eu não sou baixinhaaaaaa! – ela protestou, as bochechas se inflando completamente.

— Éééé siiiim! – Naruto provocou.

— Então eu vou cresceeeeer!

Ele riu mais ainda.

— Pior que nãoooo!

Sakura se balançou no lugar, inconformada. E ele afagou seus cabelos, suspirando e por fim se levantando.

— Tenho que trabalhar, pequenaaaa, e se comporte, certo?

— Haaaai – ela disse, embora um pouco relutante. — Neee, Naruto? Porque você trabalha taaaanto?

— Huh? É preciso muuuito esforço pra manter a aldeia em ordem, sabe?

— Éééé? Mas parece tudo sempre tão tranquilo...- ele riu mais.

— Então significa que estou fazendo um bom trabalho, hehehe!

— Não se gabe tão facilmente, dobe – Sasuke disse, após entrar pela janela do escritório.

— Sasukeeee! – ela gritou, se levantando de uma vez e correndo entre as dezenas de livros e pergaminhos espalhados pelo chão do local. Sasuke mal havia se livrado da capa antes de pega-la tropeçando sobre si. Recuou um passo, para se equilibrar no chão. E a fitou.

— Cuidado – disse, ela riu apertando os olhos, abraçando seu pescoço.

— Sasuke veio trabalhar com a genteee!

Ele olhou em volta vendo o trabalho e Naruto coçou a nuca, sem graça.

— Trabalho, huh? – comentou, com ironia.

— Digamos que Kakashi tenha precisado sair em missão...

— Huh? Então com quem ela vai ficar?

— Por enquanto vai ficar aqui me ajudando, nééé? – ele brincou, com ela já pulando em seus braços, girou-a no ar — E então... Vamos fazer outro sorteiooo!

— Ebaaaaa!

— Yeees! Ou seja, jantar na churrascaria, Sasuke! Ia até pedir para Hina ligar para sua casa.

— Hn, entendido. Agora pare de girar ela, antes que tudo isso fique sujo de você sabe o que.

— Argh, cala a boca, Teme! – Naruto a deixou no chão e seguiu para a cadeira da mesa.

Sakura voltou a bisbilhotar os livros e pergaminhos, sua curiosidade sendo limitada a tocar nas folhas, e espirrar por conta das mais empoeiradas.

— Nee, Sakura, acha que pode fazer uma coisa? – Naruto indagou.

— Huh? O queeee? Eu consigo, consigo, consigoooooo! – ela insistiu, já como se alguém lhe negasse a ideia.

— Certo, consegue organizar todos essas coisas em pilhas diferentes? Você põe os livros pra um lado, e então os pergaminhos pra outro.

— Você não presta – Sasuke concluiu, Naruto deu de ombros.

— Obaa-chan disse que ela gosta de usar, e que temos de incluir ela, ué! – defendeu-se.

— Incluir, não usa-la, idiota!

Sakura bateu as palmas, muito entusiasmada.

— Eu consigooooo! – sorrindo cheia de bom grado, seus cabelos expandiram-se por todo o ambiente, mechas e mais mechas enlaçando cada objeto ao alcance, e o que era reconhecido como livro, foi levado para a direita do cômodo, e o que eram pergaminhos ou mapas, foi tudo para a esquerda.

Naruto tinha o queixo quase batendo na mesa e Sasuke observou a meticulosidade dos fios em deixar as pilhas em perfeitas colunas, os mais grossos ficavam por baixo, os mais finos por cima e quando ficava muito grande, ela as dividia e deixava próximas para evitar quedas.

Em alguns minutos o centro da sala estava completamente livre, até mesmo os livros e pergaminhos sobre a mesa de Naruto foram organizados, tal com os porta-retratos, e os dois vasos, um com a planta que Himawari dera para o pai cuidar e o outro com um cacto, presente de Gaara.

— Neee, eu fiz tudo certinho, nééé?!

— Será muito cedo para ela ter um emprego? – Sasuke apenas respondeu com um bom cascudo no idiota — É por pura boa vontade, ora!

— Vai se danar.

— Está perfeito, Sakura!

— Arigato!

Eles ouviram batidas, e Hinata entrou, encarou o escritório com bastante surpresa o local livre de tralhas.

— No-nossa...

— Hinataaaa! Eu estava ajudando o Naruto!

— É, que bom! Muito ocupada, podemos ir dar um passeio?

— Ela pode sim, divirtam-se – Naruto disse. Sasuke arqueou a sobrancelha, estranhando rubor que tomara a face do amigo.

Hinata estendeu a mão pegando a de Sakura e conduzindo-a.

— Podemos ir à loja de dangos?

— Podemos sim, dê um até mais aos rapazes.

— Ja ne, rapazes!

— Jaaa!

— Aa.

A porta logo se fechou, e Naruto suspirou, profundamente.

— Que cara de idiota é essa?

— Huh?

— Está com uma cara ainda mais idiota, depois de Hinata chegar.

— Ah,é... é? – ele gaguejou, sem graça e ainda mais vermelho — Acho que sou um péssimo ator mesmo...

— Ao quê se refere?

Naruto suspirou e começou a mexer na gaveta.

— Nosso aniversário de casamento está chegando...- Sasuke arregalou os olhos, muito surpreso. E logo viu-o tirar uma pequena caixa de um azul escuro. Pousou-a sobre a mesa e abriu, havia um belo colar reluzindo lá dentro, a corrente era dourada e fina, e o pingente era símbolo do clã Uzumaki. — Eu não sou muito bom com essas coisas... acha que está bom?

Em tal matéria, Sasuke era tão parvo quanto ele, mas imaginou que algo tão simples e cheio de significado, era exatamente perfeito para alguém como Hinata, nascida em um berço dourado, mas simples e humilde com qualquer ser humano, distante de futilidades e malícias.

Deu de ombros.

— Só por você lembrar, já é um presente. – ironizou.

— Hahaha, é realmente difícil, a gente casa pensando em contos de fadas, acha que o felizes para sempre vem e permanece... Mas aí tem esse trabalho, as crianças vieram um tanto cedo... A família dela e suas tradições chatas, tudo colidindo entre nós, as vezes formando uma barreira, as vezes nos empurrando para perto...- ele fechou a caixa e a guardou na mesa novamente — Não conte pra ninguém huh? Vamos ter uma festa no distrito Hyuuga, o presente vai ser surpresa.

— Entendo...

— Eu não tenho medo de ela não gostar, ela conhece meu coração, mas a família dela... detesto como agem como se ela merecesse algo melhor, sabe?

— Ela é casada com o Nanadaime Hokage, queriam que fosse quem? O Daymiô?

Naruto riu com certa amargura.

— A questão não é ser o Nanadaime, meu amigo, a questão é ser eu. A questão é eu não ser de um clã tão grandioso como seu foi, ou como os Hyuugas são.

Sasuke teve que concordar, mesmo os Uzumaki tendo tido sua era de ouro, isso foi até mesmo antes do clã Uchiha ser extinto, e pertenciam a outra vila, já deveria esperar que o arrogante clã Hyuuga só iria querer um herdeiro de clã, que tivesse ramificações longas, profundas e importantes.

Mas não achava que Naruto devesse se preocupar com tal coisa, ele e Hinata já passaram pelo “pior” já casaram e tinham filhos, nada ameaçava realmente seu casamento, não era como se o velho Hiashi pudesse tomar Hinata e os filhos, e casa-la com alguém mais influente que Naruto.

E Naruto estava enganado se pensava que não tinha grande influencia na vila, seu status como salvador da vila, ainda perdurava, as pessoas tinham brilho nos olhos quando o viam, serviam com respeito, admiravam, seguiam.

Bateu no ombro do idiota e seguiu para a janela.

— Ela vai gostar.

Naruto assentiu, rindo um pouco.

— Obrigado, amigo.

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Hinata definitivamente não gostaria de estar naquela situação nem em mil anos.

Mas, se tinha algo difícil de se conseguir fugir era do faro das anciãs do clã quando queriam algo.

Agora estava numa loja de chá, diante das três senhoras de nariz empinado, cheias de ideias para sua festa de aniversário de casamento, e nem um pouco, realmente, interessadas em ouvir sua opinião.

Sabia que por elas, tudo estaria escolhido e pronto, mas precisavam fingir que se importavam com sua opinião, e Hinata, que apreciava a delas.

Por elas, escolheriam até seu noivo, pensou, com amargor.

Não se importaria de passar por essa, já estava acostumada, mas não queria submeter Sakura à presença das mulheres.

Elas não eram o melhor exemplo de respeito ao próximo, não importava o quanto velhas fossem, não era como se realmente tivessem vivência.

— Então... pensamos que a cor poderia ser chá – disse Himiko, depois de mais uma olhada cuidadosa e julgadora para Sakura, que tomava seu chá com bolinhos de massa e frango com alegria.

— Chá? – Indagou a herdeira — Eu não sei...

— É uma cor muito elegante – a mulher contestou logo.

“É uma cor de velho...”

Ela suspirou e observou Sakura, sempre tivera inveja de sua espontaneidade, sua desenvoltura para correr atrás do que queria, para investir em Sasuke e tentar ultrapassar sua barreira de gelo e rancor.

Sabia que ela tinha conseguido.

Até hoje, Sakura tinha passagem garantida para o interior de Sasuke.

Ele era incapaz de negar isso, não mais, seu olhar ficava mais ameno, um sorriso singelo e discreto tingia a linha geralmente rija de sua boca, seus olhos seguiam Sakura com um cuidado redobrado.

Naruto ainda achava que ele a via como ameaça, e temia seu descontrole a qualquer momento, mas Hinata via que o principal cuidado de Sasuke, era evitar que os de fora a machucassem.

Por isso, ele seria capaz de dar fim a ela, o mais rápido e indolor possível, para que absolutamente ninguém a fizessem sofrer mais.

Seu caminho era tortuoso e torturante, mas seu objetivo ainda era doce, gentil, e nobre.

Amoroso.

Observou a cor do vestido de Sakura, um rosa bem clarinho e suave destoando de seus cabelos, o tecido suave como pétalas de rosa em sua pele.

— Hum, que tal um rosa? Ou lilás! – disse, mais empolgada, as mulheres a fitaram como se proferisse uma ofensa. Mas logo tentaram concertar as caretas.

— Senhora...

— Não achamos que seja muito adequado...

— Não é compatível com sua idade.- Hyuna foi mais clara.

— Idade? Vocês falam como se eu fosse velha.

— Hinata não é velhaaa! – Sakura se meteu, embora estivesse mais interessada em comer. — Ela tem minha idade, né, Hinata?

— Eu ainda nem cheguei aos trinta! – Hinata protestou.

— Mas é uma mulher casada!

— E o que uma cor vai mudar?!

— Cores transmitem sensações e impressões, senhora Hyuuga – disse Yuko, com sua falsa gentileza.

— E o que um lilás suave vai transmitir? Certamente que não é que meu casamento esteja ruim.

— De fato, não...

— Mas uma cor que transmita mais refino e seriedade é o mais correto, deve demonstrar um casamento bem estruturado, algo bem fundamentado.

— E também, algo que mostre o poder e importância do clã Hyuuga.

Era a gota d’água.

Porque eles tinham que enfiar o clã até mesmo na sua família? Um aniversário de casamento deveria significar justamente o que era, uma comemoração a mais um ano de felicidade, a mais um trecho da caminhada que ela e Naruto havia escolhido fazerem juntos.

— Vamos a um exemplo – ela quis revirar os olhos. Mas encarou Yuko quando ela apontou para Sakura — Veja este tom de rosa no vestido dela, certamente denota muita delicadeza e suavidade, até mesmo uma bonita fragilidade...

— Onde quer chegar?

— Algo que certamente ela não é – a mulher concluiu — E está vestindo-se assim, com certeza para passar este ar de calidez e delicadeza, para que ninguém a veja facilmente como a pessoa perigosa que...

Hinata bateu as mãos na mesa, se levantando.

Sakura encolheu os ombros, espantada, as três mulheres encararam a herdeira com os olhos arregalados.

Hinata mandou-lhe um olhar gelado e furioso.

— Agora basta – ela pegou a bolsa. — Estou farta disso, a reunião acabou.

— Senhora Hyu-...

Acabou— ela decretou — Eu já decidi, quero lilás, e laranja— as mulheres abriram as bocas escandalizadas — E nada além disso, não me importa o tom, mas quero essas cores, e é bom ser assim ou cancelo a festa nem que seja em cima da hora.

Sua vontade era cancelar agora, acabar com este circo. Preferia mil vezes se reunir na churrascaria, ou no Ichiraku, lugar favorito de Naruto, numa pequena e calorosa reunião, apenas entre amigos. Apenas entre aqueles que realmente entediam o amor dos dois e que testemunhavam o amor dos dois.

Não com dezenas de pessoas que mal conhecia, estando lá exclusivamente para prestigiar e se sentirem prestigiados na festa do nanadaime e da herdeira dos Hyuuga.

Tampouco era como se quisesse se afastar de seus deveres, ela e Naruto eram inteiramente conscientes deles, mas tinham direito e ânsia de viverem seus momentos em família, como deveriam, em família.

— Vamos, Sakura.

— Ha-hai...

Sakura se levantou e a seguiu.

— Espero que tenham entendido – declarou, antes de sair da loja.

Elas queriam uma senhora Hyuuga?

Iria mostrar que o que tinham era a senhora Uzumaki, e que esta, não seria sua marionete.

— Nee, eu fiz algo errado? – Sakura indagou.

Hinata deixou os ombros, caírem, dispersando a tensão e negou, sorrindo.

— Claro que não, querida, eu só me irritei com aquelas senhoras, elas são um pouco aborrecedoras, sabe?

— Oh, entendo, as vozes delas são arranhadas e chaaatas.

— Sim, sim, verdade.

— Onde vamos, agora?

— Hum, que tal para casa? Podemos jogar um jogo e depois nos arrumarmos para ir a churrascaria.

Sakura assentiu, alegremente, e Hinata lembrou que esta rodada seria um tanto tensa.

Afinal, as opções que sobraram, eram todas bastante... “Polêmicas”.

Ela parou por um momento, achando ter reconhecido um rosto em meio aos muitos que havia na rua.

Teve certeza de quem era, e suspirou pesadamente.

— Hanabi...

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— Você não fez isso! – Ino exclamou — Carambaaaa! Isso aí, garota!

— Eu tenho que concordar – disse Temari, Hinata suspirou.

— Não comentem com Naruto, certo? Ele vai ficar ainda mais nervoso com a festa – murmurou. Olhando para o lado oposto da sala particular onde comia, onde Naruto conversava com os outros homens, as crianças corriam pelo centro da sala, ou eram erguidas pelas madeixas de Sakura.

— Claro...

— Não vai pegar feio? – disse Karui.

— Sinceramente, eu não me importo...- ela comentou, os empregados da churrascaria, entraram na sala, trazendo a carne temperada os demais pratos do jantar, as crianças correram paras mesas, e Chouji também. — Bom se a festa for um desastre, podemos nos reunir aqui ou no Ichiraku para tentar outra, certo? – brincou.

Elas brindaram rindo.

— Pode ter certeza!

— Parem de fofocar e vamos comeeeer! – Sakura gritou, o mulherio todo a encarou, mas logo viram que ela esta repetindo palavras do Naruto.

— Ora seu...- resmungou Ino. — Pare de ficar repetindo esse cara, sua enxerida!

— Hehehehe!

— Fala da gente mas também é fofoqueira. – comentou Temari, todos tomando seus lugares.

— Estão ensinando a menina fofocar? Que feio! – disse Sui.

— Ela ainda está em formação, já sabe ouvir, mas não sabe espalhar a fofoca.

— Grande lição...- Sasuke resmungou, indo com o hashi para pegar um naco de carne, que Naruto pegou logo, o encarou feio e quis cravar os palitos em seu olho. — Pare de me encher o saco, seu grande saco de...

— Que mau humooor, as crianças estão na mesa – Naruto gargalhou.

— Tsc.

A carne chiou nas grades acima das brasas enquanto compartilhavam os outros pratos, discutiam e riam.

— Ai, nem acredito que já estamos no meio do mês, parece que o ano novo foi ontem – Tenten resmungou.

— Ué, não é você que dizia que o tempo demora a passar na sua loja? – respondeu Kiba.

— Só lá!

— Hahaha.

— Isso me lembra, aquele cara amigo da Sakura, nunca mais apareceu? – indagou Juugo.

Sasuke preferiu não dar atenção ao assunto. Lembrar daquele homem, lembrava dos vídeos que ele deu a Sakura.

Os que ele deu a Sakura, os que ele deu a cada amigo dela, os que eram direcionados aos pais dela.

Os que Bichura achou que deveriam ficar apenas com Sasuke...

Apertou os hashis entre os dedos, e suspirou, forçando-se a permanecer inerte.

— O tal do Bichura? – indagou Karui. — Não o vejo desde o ano novo, Ino?

— Ele visitou Sakura bastante, mas aquele tipo não fica no mesmo lugar, ele ou ganha a vida cantando na rua, ou sendo mercenário, nem precisamos imaginar qual dá mais dinheiro... – Ino comentou, com descaso.

— Não fazendo besteira pra cima da aldeia, ou arranjando encrenca com as outras, ele pode vir quando quiser – Narutro declarou, embora não fizesse tanta questão. Hinata ria de como ele parecia um irmãozão ciumento.

Sakura levou um pedaço de carne mal passado a boca.

— Bichura-kun vai vir me ver seeempre – declarou, muito orgulhosa — Ele e a Ai-Emburrada-san vão apenas viajar a trabalho, e que sempre que puder, vai vir me veeeer.

— Oh, você está se achando.- Ino revirou os olhos, e lhe tomou a carne do hashi antes que a abocanhasse — Ainda está cru!

— Mas...

— Cru!

— Oh...

— Mas ele é bonitão, tem que se achar mesmo – comentou Tenten.

— Você tem que se casar – comentou Lee, bem humorado.

— Humpf.

— E ele é divertido, deixe-a ter seus amiguinhos – comentou Ino — E admiradoreees – cantarolou. Sakura riu, obviamente distante de entender o significado daquilo.

Ela não entendia porque Ai, a companheira de Bichura estava sempre emburrada quando se encontravam, afinal.

— Lá vem você com essas baboseiras – Naruto disse. Ino se limitou a mostrar-lhe a língua, um belo exemplo de maturidade.

Não que Naruto tivesse respondido de forma madura...

— Sakura, se tentar comer isso mal passado de novo, vou te fazer comer cru – a Yamanaka avisou, quando a viu novamente tentar capturar um pedaço de carne da grelha.

Sakura recolheu a mão, rapidinho, e sorriu largamente como se isso fosse fazer esquecerem suas traquinagens.

Ela estava ficando arteira até demais.

— Kakashi não vai voltar tão cedo? – perguntou Chouji, e Shikamaru negou.

— Por isso vamos fazer um novo sorteio – declarou Hinata.

— Sakura já vai poder ir pra nossa casa? – Himawari indagou, ansiosa.

— Ainda estamos fora, agora só faltam, basicamente, os Uchiha e, como Sui e Juugo resolveram combinar de cuidar dela em parceria com Amane.

— Amane? – disse Karin, não podendo evitar reagir ao nome da mulher, simplesmente não gostava dela.

Ela olhava muito para Sasuke, e puxava conversa vez ou outra, o fazendo lembrar de quando fizeram a academia juntos. E Karin não precisava de muito para ter certeza de que ela deveria ter sido uma das muitas seguidoras e fãs de Sasuke, como Sakura fora, como até aquela loira fora.

— Amane está morando pertinho da gente – disse Suigetsu, empolgado até demais.

— Ela pode vir e ajudar – Juugo disse — e Sakura vai ficar dormindo na casa dela, então nós só vamos nos revezar dormindo no quarto de hospedes, afinal o apartamento dela já é adaptado.

— Tsunade achou que ela já poderia começar a se adaptar ao lugar antes de morar lá definitivamente, então mesmo que só alguns dias, ela pode ficar lá assistida pelo trio solteirões – disse Ino.

— Hey, sacanagem esse nome – Sui reclamou — Deveria ser quarteto, olha a Tenten ali!

Tenten acenou, rindo.

— Eu posso cuidar dela sozinhaaaa.

— Eu só não entro na jogada porque moro sozinho, bem perto das muralhas, não é um bom lugar para Sakura-chan ficar, e é bem apertado também – Lee disse.

— Então é trio mesmo – disse Temari.

— Só vamos ter dois no sorteio, e ponto final para essa rodada – comentou Shikamaru.

— Ela vai lá pra casa! – disse Mangetsu, empolgado.

— Hah! Não vá contando com o ovo dentro da galinha, garoto! – rebateu Sui, rindo.

— Ela vai sim! Vai siiim!

— Nós vamos ganhar, não vai ter graça ficar por ultimo – Izuna disse, com as bochechas infladas, e Sakuya assentiu veemente.

Sasuke imaginou que isso estivesse afetando o ego vencedor deles a tempos...

— Não vai querer ficar lá, a casa do tio Sui tem cheiro de meias velhas! – a menina disse.

— Eeeehhh?!

— Hey, que calúnia é essa?!

— Mangetsu que disse!

— Que moleque traíra!

— Mas é verdade...

— Não se preocupem, Sakura vai estar salvo das meias fedorentas do Sui...- disse Juugo.

— Hey!

— Ela vai ficar na casa dela. – Juugo ressaltou.

— Agora a carne está boa – disse Ino.

— Até que enfiiiiimm!

— Que diabo de apetite é esse?! Seja uma dama!

— Sou uma dama!

— Não parece!

— Uma dama com fomeeee!

— Argh!

— Vamos comer, galera!

A refeição foi farta e barulhenta. Logo os dois últimos papéis foram misturados dentro do boné de Boruto.

E Sasuke percebeu que estava mais do que acostumado a perder esses sorteios.

Porque sequer pensara na possibilidade de 50% de ganhar.

Agora, Sakura iria para sua casa.

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Karin só passou a acreditar nesta situação quando ela estava em sua porta e impossível de contornar.

Sakura estava agarrada a ovelha de pelúcia enquanto Shisui segurava seu enorme coelho e Sasuke uma bolsa sobre o ombro. A bonita mulher escondia parcialmente o rosto atrás da pelúcia, seus olhos estavam baixos e as bochechas vermelhas, demonstrando receio e vergonha até mesmo de entrar na casa.

Intimidada com o ambiente desconhecido.

— Ela chegooou! – gritou Mangetsu da escada e em seguida os três desceram as escadas fazendo barulho que agitou as mechas de Sakura, mas ela não avançou.

— Vamooos! – Magetsu e os irmãos a puxaram para dentro, e ela seguiu pisando com cuidado, até mesmo relutante.

— Vamos pro meu quarto!

— Não! Pro meu!

— Ela vai dormir no meu! Ela pode dormir no meu!

— E por quê?!

— Meninas tem que dormir juntaaas!

— Essa coisa pesa...- Shisui comentou, entrando na casa, Karin abriu mais a porta e Sasuke entrou.

— Tudo bem? – indagou, ante a expressão anuviada da esposa. Afinal, estava longe de ser a que esperava dela.

Karin assentiu, lentamente e fechou a porta, suspirando.

— Eu preparei o quarto de hospedes – respondeu.

— Claro.

— Como assiiiim? Ela não vai ficar no meu quarto?! – Sakuya protestou.

Karin pegou-a no colo e beijou sua bochecha enquanto seguia até a cozinha para verem a comida.

— Ela precisa de espaço, e ela é uma mocinha.

— Mas eu também sou!

— Hahaha, ainda não, mas logo será.

— Shisui, ensine a Sakura a reconhecer a sala, eu vou levar as coisas dela para cima. – Sasuke ordenou, pegando o urso enorme largado sobre a poltrona e subindo as escadas.

Shisui o fez, seguindo as instruções passadas por Hinata quando foram buscar Sakura.

Pegou a mão dela e passou a caminhar com ela pelo ambiente, lembrando-a da mudança de relevo da sala, dos móveis e da janela espaçosa onde ela pareceu gostar graças ao sol batendo lá.

— A cozinha é um pouco apertada, então cuidado – disse, quando seguiam para lá.

— Depois vamos pros quartos! – os meninos os seguiam colados.

— Já vai, como são chatos...

Sakura riu um pouco mais a vontade.

Havia algo na casa que era muito como Sasuke, mas não caloroso como ele ou como as crianças.

Era um pouco intimidante para ela.

Logo estavam subindo aos quartos, depois de conhecer onde ficaria, ela foi para o quarto dos meninos onde passou o resto da manhã.

Sasuke ficou na sala, lendo alguns pergaminhos enquanto Karin fazia o almoço.

— Sasuke, chame as crianças, ou nem vão comer – ela disse, sabendo que só ele conseguiria por todo mundo na reta com toda aquela euforia.

Sasuke subiu as escadas e entrou no quarto, Shisui estava com um livro, sentado perto da janela e os três meninos brincavam com as mechas de Sakura, espalhadas pelo chão, enquanto a mesma parecia ressonar no chão, com a ovelha como travesseiro.

— A mãe de vocês está chamando para o almoço.

— Jáááá?

— Parem de dar nós nisso. – mandou, fazendo-os rirem e soltarem o cabelo dela.— Vão antes que fiquem sem sobremesa.

— Nãoooo! – os três dispararam para fora do cômodo e Sasuke se abaixou.

— Ela dormiu rápido...

— Eles a cansaram, mas acho que já estava fatigada.

— Hn, vá comer você também. – Shisui se levantou e ele pegou Sakura nos braços.

Saindo do quarto, levou-a até o fim do corredor, suas mechas entornavam-se preguiçosamente, e um pouco mais pesadas.

Ele empurrou a porta com o pé e entrou no aposento recentemente limpo. Deitou-a na cama e abriu as janelas, deixando ar limpo entrar e o sol tocar seu corpo.

As mechas se expandiram e ela se espreguiçou soltando um som satisfeito.

— Você cuida dela como se fosse um bebê – Karin disse, da porta.

Sasuke deu de ombros e seguiu para fora.

Karin suspirou, observando a mulher, e então, fechou a porta e seguiu sozinha pelo corredor.

— Quem dera a visse apenas assim também...

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— Tsc, isso é mesmo necessário? – Sasuke rosnou, sentindo-se sufocado. Karin deu de ombros enquanto amarrava o cinto do yukata.

Não lhe parecia o melhor dia para usar roupas assim, estava fazendo um calor infernal.

— É uma festa formal – ela rebateu, suspirando, adoraria que ele usasse de forma a deixar o tronco exposto, como nos velhos tempos, da primavera da adolescência deles.

Mas não queria tanto, se isso significava que outras fossem ver.

Sasuke revirou os olhos, emburrado, detestava eventos formais desde muito pequeno ainda.

E detestava que nesse, nem pudesse ir só mostrar a cara, e ir embora, afinal era a festa de Naruto e ele já estava bastante nervoso e um tanto aborrecido.

Ouviu a gritaria lá em baixo e Karin bufou.

— Tem certeza que não podemos deixar eles?- pediu.

Sasuke negou, mesmo que agora a ideia parecesse boa, os dois maisnovos estavam quase louco de tanta agitação e ansiedade pela grande festa.

— Shisui! Pega eles! – Karin gritou, seguindo para fora do quarto, perseguindo Izuna o mais rápido que podia em seu kimono tomesode preto. — Ô garoto! Volta aqui!

— Você não pega com esses tamancooos! Você não me pegaaaaaaaa!

Sasuke suspirou, e desceu as escadas, Sakuya passou por ele como um raio de cor verde e ele apenas viu Shisui vir logo atrás.

— Volta aqui!

— Nananananaaaaa!

Ele os viu passarem para a cozinha e foi para a sala. Vendo Mangetsu sentado ao pé da mesa de centro brincando com seus bonecos e já bem arrumado.

— Nanananaaaa! – ouviu e se virou.

— Ah, você não.

Pescou Sakura pela cintura e jogou sobre o ombro. Ela se debateu agitada.

— Sasukeeee! – reclamou.

— Nada de correr, nada de se sujar, nada de sujar os outros, nada de correr.

— Você já disse issoooo! – ele caminhou até o centro da sala e a pos no chão.

— Pra que não esqueça. – ressaltou e as bochechas dela inflaram.

Estava bastante maquiada, seu rosto bem branco, ressaltando seus olhos enormes, as bochechas ascentuadas de róseo, os lábios pintados de vermelho, e na testa uma flor desenhada em tinha vermelha. Kanzashis emolduravam o topo de sua cabeça fazendo conjunto com a tiara.

Ela trajava um Hanfu, vestimenta de peças bem mais leves, com cores mais vivas e suaves.

— Quando nós vamos? Quando nós vamos?!

— Assim que aqueles dois forem capturados...

Karin desceu as escadas perseguindo Sakuya, e Shisui veio pela porta da frente no encalço de Izuna.

Os dois meninos mal passaram e Sakura os capturou alegremente.

— Podemos ir? Podemos ir?!

Ele deu de ombros.

— Vamos.

Karin resmungou enquanto ajeitava maquiagem e se abanava, Shisui limpou o embaço dos óculos e todos eles seguiram para a festa.

Sakura provavelmente deveria chegar numa carruagem com toda a pompa que seu título exigia, mas fez uma birra enorme para voltar para casa depois de ter ido ao salão se arrumar.

Estava começando a se estressar com toda aquela arrumação, e com o calor que fazia, foi melhor mesmo que a deixassem quieta em casa em vezes de levarem-na direto para a festa, cheia de estranhos.

Então eles a acompanhariam, e claro, uma equipe ANBU que os espreitava das sombras. Sasuke contou uns seis.

O distrito Hyuuga não era tão longe do Uchiha, e deu pra evitar ruas cheias de gente, o que era ótimo, considerando o quanto Sakura por si só já chamava atenção.

— Eu não me responsabilizo se ela arrancar essa parafernália – Karin logo avisou.

— Sakura, se tirar isso Ino vai arrancar seus dedos.

— Uuugh – ela resmungou, parando de mexer nos enfeites de cabelo.

— Isso está machucando você? – disse Shisui.

— Nop! Eu quero veeer.

— Ah...

— Depois você olha num espelho – Mangetsu disse.

— Táááá.

Ela se comportou. Sasuke às vezes duvidava que esse menino era filho de Sui. Talvez tivesse puxado o tio ao qual herdou o nome?

Sasuke não o conheceu, então não sabia.

Mas dessa vez o menino provou que ainda tinha algo do pai, afinal, cérebro não era o forte de Sui...

Karin meneou a cabeça, os gêmeos não entenderam o raciocínio e Sasuke esperava que fosse por serem novos. Shisui bateu na própria testa...

— Sakura-san... você não enxerga...- lembrou. Mas ela apenas riu e Mangetsu corou, lembrando do detalhe e se encolheu envergonhado.

— Eu enxergo com as mãooooos — ela disse, muito orgulhosa de tal fato.

— Aham...

O sóbrio distrito Hyuuga se expandiu à frente deles, as portas estavam abertas como raramente se via, mas cheias de membros vigiando.

A palavra certa era recepcionando, mas Sasuke duvidava de que tinham essa capacidade.

— Convites e nomes – disse um homem com ar ríspido.

Karin mexeu na bolsa para pegar e Sakura logo reconheceu o chakra de Naruto lá dentro, e foi logo adentrando.

— Narutoooo?! – dois homens a seguraram, mas não dava pra dizer se eles a seguraram primeiro ou ela os segurou, posto que mechas já estavam envolvendo os braços e troncos deles, assim que tinham as mãos em volta de seus braços.

Ela moveu a cabeça com um olhar interrogativo.

— Hum?

— Segurar ela não é uma boa opção – Sasuke disse — Tsc, como se não soubessem quem ela é.

— São medidas de segurança, é prache – respondeu o homem com a agenda, de forma rígida. Sasuke o lançou um olhar entediado.

— Que então quer ela prove quem é?

— Me soltaaaaa, Narutooo?! – ela chamou, já se irritando, os homens se empertigaram com a pressão que os fios começavam a fazer.

Karin empurrou os convites e pegou Sakuya no colo.

— Kami, quem não sabe que ela é? Acha mesmo que um clone ou coisa assim pode simular tamanha quantidade de chakra? Todo mundo aí dentro já sabe que é ela.

— Heey! Sakura- chan! – Naruto gritou, vindo entre as pessoas que transitavam pelo ambiente. O dois Hyuugas soltaram Sakura imediatamente, e ela se apressou com suas roupas esvoaçantes e penduricalhos de cabeça ressoando como guizos.

— Podem passar – o homem resmungou.

— Humpf – Karin se adiantou, e Sasuke meneou a cabeça vendo o dobe sacudir Sakura no ar. Se ela perdesse aquela coroa, Ino arrancaria os dedos do Hokage em seu aniversário de casamento.

Ele olhou em volta, observando os Hyuugas ao redor.

Nunca gostou da atitude deles, estar em seu ninho era, no mínimo, desagradável.

Mas o incidente no portão já comprovava que esta noite tinha tudo para ser bem problemática, como Shikamaru apreciava dizer.

Observou os olhares sobre Sakura, e sabia que não eram apenas apreciação à sua beleza e vestimentas luxuosas.

O Hyuuga claramente não gostavam dela.

Isso já era o bastante para ele desgostar totalmente de estar ali, e de Sakura também estar.

No entanto, tentou relaxar, talvez ter Sakura debaixo de seu teto tenha o deixado tão mais tranquilo à despeito da segurança dela que se incomodava de tê-la fora. E isso combinado com sua desavença com os Hyuuga só piorasse.

Ou talvez fosse a soma disto tudo, junto àquele vídeo...

“— Pergunta do dia!

— Lá vem você...

— Já pensou em se casar?

— Casamento é para pessoas que se amam...

— Claro!

Mutuamente.”

Notas finais
Então, o que acham que vai rolar nessa noite? Sasuke ganhou uns videos da Sakura que SÓ ele poderia ver? TEEEENSO Roupinhas que a galera tava usando: Sasuke > http://blyme-yaoi.com/main/wp-content/uploads/2009/11/yukata_tamaki_hiroshi.jpg Kari > https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/736x/04/a8/4c/04a84ce9edc5e3bd8682e6e201b0d1ab.jpg Sakura > https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/736x/9d/40/2b/9d402b9e5532eb9c2ceb18f8d077b2d3.jpg