Lost Inside
26 Não a deixe suplicar.

— Sasuke?! – Naruto cumprimentou, alto e alegremente. — Achei que não viria, sua mala.
— Hn, muita gente ficaria zangada se eu rejeitasse comida de graça – Ele respondeu, indicando os gêmeos já passeando em torno das mesas com aperitivos.
— Hahaha! Pois que aproveitem tem muito mesmo! Venham os Uchihas tem mesa especial.
— Ao menos isso – Sasuke provocou, seguindo-o pelo salão junto de Shisui posto que Karin já buscava os dois menores pelas orelhas e Mangetsu correu para a asa do pai que já estava por lá. Sakura foi carregada por Ino e as outras mulheres, e por isso ele não se bateu por sua segurança, no momento.
O salão era enorme, e estava decorado com faixas de seda em tom lilás e laranja, bastante suaves até. Haviam mesas redondas distribuídas e crianças correndo para todos os lados.
— Prontinho, mesa para sete – Naruto disse, indicando uma mesa próxima onde ficava o bolo e um pequeno palco com uma banda.
— Você deveria mesmo estar aqui? – Sasuke indagou — É o anfitrião, deveria estar na porta...
— Ah, a festa é minha e de Hinata, mas nem todos os convidados são nossos, então ao menos posso receber nossos convidados da nossa maneira, senta aí logo, Teme.
— Humpf. Onde está Hinata?
— Se preparando, parece até um segundo casamento, hahaha. Ino provavelmente carregou Sakura para lá.
— Entendo.
— Opa, volto logo – Ele disse, indo atende quem o chamava. Sasuke duvidava, mas deu de ombros. Logo alguém trouxe bebidas e aperitivos e isso distraiu suas crias devoradoras e comida de festa por um tempo.
****
— Você está tão linda! – Tenten elogiou, Hinata se olhou no espelho, mais uma vez, passando as mãos pelo tecido encorpado do vestido longo, uma mistura sutil de tradicional e atual. Seu tom era lilás quase branco, bordado com linhas em laranja, as mangas largas com as de um kimono, o decote aberto evidenciando o busto avantajado de forma adulta, e elegante.
— Muito decotado?
— Qualquer coisa fica decotada com esses melões aí – Ino provocou — Mas está linda, só tenha cuidado para seu marido não ficar babando em cima deles e esquecer da festa.
Hinata corou profundamente e enquanto elas riam.
— Hinata tem melões? Quero! – Sakura soltou.
— Tava demorando... – Ino resmungou. — Não são melões para comer, sua fominha...
— Oh? Então pra quê?
— Bem... Chupar?
— INO?! – Todas gritaram e ela se encolheu, com um sorriso amarelo.
— Eu não sei como explicar, ora...
— Pelo amor de deus.
— São melões pra quê, Hinataaaa?
— Não são me-melões de verdade... É uma forma de dizer outra palavra sim?
— Que palavra?
— Oh.
— Peeeitos! Algo que todas as meninas tem e alguns homens gordinhos.
— Éééé? Entao é isso? Tsunade-sama tinha dito, mas não que homens tinham!
— Só os mais gordinhos...
— Para com isso, Ino.
— Chouji tem – Ino gargalhou, e Karui acertou-a uma almofada.
— Engraçadinha.
— Acho que estou pronta – Hinata suspirou.
— Ótimo! Vamos, chega de falar de peitos – Elas se levantaram das cama e das cadeiras em volta. Ino revirou os olhos e bateu de leve nas mãos de Sakura, para que ela parasse de apalpar os próprios seios e tentar entender porque chamavam aquilo de melões. Não lhe parecia ter grande semelhança apesar do formato levemente parecido.
— Se fizer isso em público, eu nem te conheço.
— Oh?
Elas saíram do grande quarto e seguiram pelo corredor.
— Senhora Hyuuga, está deslumbrante – disse um convidado, aproximando todo cheio de popa.
— Obrigada, mas é Uzumaki, sempre foi – ela respondeu, cortês.
— Ah-ah, sim claro!
Ela acenou e seguiu em frente.
— Que mau educado...- Karui resmungou.
— Mais um canditado chutado? – Ino indagou, vendo o homem já um tanto velho se afastar com uma carranca mau disfarçada. Hinata suspirou.
— Parece achar que ainda podem me pedir em casamento...
— Nunca pensei em perguntar sobre isso, mas como Naruto se sente sobre? – Temari indagou.
— Bem... Ele nunca fez o perfil ciumento, mas tampouco gosta de se sentir rebaixado. Algumas dessas pessoas não conseguem aceita-lo apenas por não vir de uma linhagem rica e nobre, no fundo, ainda temem a Raposa de nove caudas destruindo a vila inteira.
— Não aceitam é que são inúteis perto de um herói como ele, dinheiro pode comprar respeito, mas não admiração, não admiração real – Ino disse.
— Naruto-kun, é o ninja mais forte de Konoha. – Sakura declarou, bem segura. Hinata riu.
— Aquele idiota está de ensinando besteira de novo, huh? – A Yamanaka resmungou.
— Hinata-sama! – exclamou um grupo de mulheres, aproximando-se com taças nas mãos, os olhos como de águias, subindo e decendo pelo vestido e cabelo da primeira dama de Konoha.
— Hinata-sama!
— Está explendida!
— Obrigada.
— A senhora realmente está espetacular, uma surpresa, achávamos que viria num modelo mais tradicional.
— Ah, entendo. Mas resolvi inovar, não é todo dia que se completa quinze anos de casamento.
— Claro!
— Está incrível!
— Obrigada. – Elas seguiram seu caminho, Hinata suspirou.
— Mais tradicional, huh?
— Eu sinto cheiro de inveja...- Temari comentou.
— Eu não! – Sakura declarou.
— Que bom pra você, Sakura, que bom pra você – Hinata disse, com certo pesar.
****
— Estamos nem na metade e eu já quero me jogar na cama e dormir – Naruto suspirou, sentando-se numa cadeira vaga.
— Imagino. – Sasuke deu de ombros, servindo-se de mais saquê. — Onde está Shikamaru?
— Dando conta de algumas coisas na torre, ou vou ter que deixar a festa mais cedo.
— Claro.
— Eu só quero sentar e esperar essa festa acabar logo. Arrgh.
Sasuke meneou a cabeça, e olhou por sobre o ombro, quando sentiu o chakra de Sakura de volta ao salão. Ela estava junto de um casal que permitia que ela segurasse seu bebê de cerca de oito meses no colo. A criança era robusta e estava agitada em seus braços, e ela sorria empolgadíssima com o som de sua risada enquanto seus cabelos formavam um halo em torno dos dois assegurando a criança da queda.
Naruto soltou mais um resmungo, falando dos pés que estavam pegando bolhas. Ele odiava sapatos fechados, preferia as sandálias ninja que deixavam os dedos livres. Sasuke viu então, Hinata aparecer e cumprimentar o casal e o bebê.
E embora não fosse muito dado a elogiar ou admitir a beleza das mulheres. Teve que reparar que ela estava fantástica, jovial, e atraente.
Riu um pouco, e se voltou para o Uzumaki, apontando com o polegar para trás.
— Olhe para lá, e me diga se ainda está cansado – Naruto o encarou feio, por ele esnobar seu cansaço, mas seguiu a sugestão.
Sasuke soube que ele viu a esposa no momento que seus olhos se abriram demais, e suas íris travaram naquela direção, a boca abriu, e o rosto enrubesceu.
Naruto se levantou com a mesma expressão na cara e seguiu para lá, desviando de todos ou trombando mesmo.
Até chegar em Hinata, e permanecer encarando-a como um parvo. Ela o encarou de volta e também ficou perdida nele. Naruto pegou sua mão, e finalmente desfez a cara, num sorriso idiota, e beijou-a sobre a aliança, dizendo qualquer coisa boba que a fez sorrir e ruborizar.
Eles tão pareciam suas peças se encaixando, duas energias se mesclando, seus sentimentos estavam conectados.
***
— Obrigado por estarem aqui, pessoal – Naruto começou, parado em atrás do bolo, junto com Hinata, parecia impossível eles se afastarem.
Karin olhou em volta, vendo a agitação dos filhos ao perceberem que depois do discurso o bolo seria cortado, mas, não vendo o marido.
Quase que instintivamente procurou Sakura com os olhos e com os sentidos, e a viu sentada noutra mesa próxima, conversando com as crianças baixinho, que lhe falavam no ouvido tudo o que presenciavam de cômica, para fazê-la rir.
A Uchiha olhou para as proximidades, e estranhou não ver Sasuke por perto da Haruno, mesmo que isso devesse ser bom.
— Fiquem aqui. Vou procurar seu pai. – Ela se levantou e andou pelos cantos da festa, até finalmente sentir algum indício de Sasuke. Saiu para uma varanda e o encontrou no meio do jardim, próximo a uma fonte cujas águas eram iluminadas pela lua cheia. Ele tinha os dois braços cruzados e encarava o alto tão parado quanto uma estátua. — Sasuke-kun? O que está fazendo aí?
Ele inspirou profundamente, e por um momento só havia o som abafado da festa lá dentro, mas ainda podiam divisar a voz entusiasmada de Naruto.
— Eles são realmente felizes, huh? – Ele comentou, quase muito baixo.
Ela não soube sentir nada além de choque, havia algo no tom dele que não gostou. Uma constatação que não deixou Karin segura.
Ela segurou a carteira com mais força e limpou a garganta.
— O que quer dizer?
Sasuke suspirou novamente, e se virou dando a volta.
— Nada... – Declarou, parecendo enfadado apenas, passou por ela e seguiu adiante — Vamos voltar para a festa.
— Claro...
Mas ela não foi logo atrás dele. Agora foi a vez dela de ficar parada, encarando a lua, e pensando.
Sasuke voltou para o salão, ouvindo as palmas, música de parabéns já no final, e assistindo Hinata e Naruto cortarem o bolo juntos.
— Quero meu pedaço logoooo – Sakuya choramingou.
— Paciência – Ele avisou, sentando-se.
— E o primeiro pedaço... – Naruto anunciou, mas deu a resposta para Hinata.
— Sakura-chan!
— Yes!
— A Sakura-chan nem come doces! – Izuna se indignou. Sasuke meneou a cabeça.
— É mais um símbolo do que um pedaço de bolo – Explicou.
Sakura foi conduzida até o casal, jogando-se sobre os dois e ignorando o bolo, ela os abraçou, apertado, parecendo ter uma boa intuição de que aquele era um momento de alegria, e então expondo todo seu amor cheio de vida para fora.
Sasuke encarou os rostos não muito contagiados de Hyuugas aqui e ali. Mas, percebeu que Hiashi Hyuuga não parecia tão desgostoso mais. Seu olhar parecia agora de compreensão e resignação.
Sakura voltou com o bolo intocado para a mesa se sentou e como Mangetsu e Sui estavam com ela, se aproveitando da boa posição da mesa, ela gentilmente ofereceu ao pequeno.
Sasuke nem teve tempo de falar, os gêmeos dispararam para o lado oposto do salão, já com as bocas abertas ansiando provar o bendito bolo, e rubros de ciúmes do irmão mais velho.
— Devíamos ter dado algo pra eles antes de vir, tipo ração – Shisui comentou. Sasuke o encarou de lado e deu-lhe um peteleco na testa.
— Falou quem birrava por sorvete a qualquer hora do dia.
— Sem provas, sem fatos.
— Está vendo muito seriado.
Naruto e Hinata deixaram a mesa do bolo, o serviço de dividir e distribuir ficando para os garçons.
— Aaaah, agora sim posso sentar – Naruto declarou, sentando-se junto com ela que riu.
— Meus pés estão em matando, confesso.
— Mas você está linda – Corou de novo, e Sasuke e Shisui se entreolharam quase decidiram sair da mesa e deixar os dois pombos arrulharem sozinhos.
— Guardem esse meleiro pra depois. – Ino reclamou — Então, que tal fazermos outra festa quando esta acabar? – Disse, animada.
— Outra?!
— Mais íntima e animada!
— Estou morto, sério.
— Eu também, Ino, mas podemos combinar algo amanhã.
Ino fez um bico emburrado.
— Molengas...
— Faça sua própria festa, ora – Shikamaru resmungou, aparecendo finalmente. — Parece que perdi o bolo.
— Hey, claro que mandei guardar um pedação, eu não poderia estar aqui hoje, se não fosse você – Naruto declarou, o Nara sorriu e suspirou.
— Bom saber.
— Shikamaru! – Sakura exclamou, enquanto vinha. — Shikadai guardou bolo pra você.
— Quanto bolo, vou ficar mais fofo que o Chouji.
— Hehehe...- Eles riram, mas ela parou primeiro, piscando espantada. Voltou-se para trás como se procurasse algo.
— Sakura? O que foi? – Ela saiu correndo, empurrando a cadeira que estava próxima e trombando em qualquer um e qualquer coisa pelo caminho.
— Sakura!
Eles se levantaram num salto e a perseguiram, sentindo picos de seu chakra agitando-se perigosamente.
Sakura saiu pelas portas da varanda. Correndo desorientada e tropeçando nas roupas.
— Sakura? Sakura! – Exclamou Himawari vindo em sua direção — Eu tenho doc-...
— Não! – Sakura se fechou, e se encolheu com as mãos nos ouvidos, numa bola que foi violentamente coberta por uma parede vibrante de fios, Himawari gritou, espantada e recuou tropeçando nas pedras do jardim, caiu e bateu a testa contra a quina da fonte.
Sakura, baixou os fios, com as mãos trêmulas e estranhando o silêncio da menina.
— Hi-Hima-chan...?
Se aproximou, procurando-a, tateando o chão até tocar sua perna e então caiu para trás quando algo acertou sua cabeça violentamente.
Ela se encolheu atordoada e assustada.
— Não toque nela – Hiashi ordenou, abaixando-se perto da neta.
Sasuke entrou em seu campo de visão e o encarou de cima com os olhos fervendo.
— Você.
— O que está acontecendo?! – Naruto exclamou — Hima!
— Himawari! – Hinata se jogou no chão, desesperada, puxando a criança que tinha um corte vertendo da ferida.
— Ela a atacou, isso que está acontecendo – Hiasgi declarou, levantando-se.
— Sakura? Ela nunca faria isso! – Naruto rebateu.
— Eu mesmo vi! – O ancião declarou, indignado.
— Sakura? – Sasuke se abaixou, tocando o ombro dela, ela sussurrava algo, os olhos arregalados, a cabeça virando em todas as direções buscando capitar alguma coisa. – Sakura?
— Shi shi shi, e-eu ouvi, eu ouvi... Estava aqui, eu ouvi...
— O que você ouviu?
— Ela está fora de controle, nuna esteve sob controle!
— Pare de ficar acusando-a!
— Pare de ficar defendendo-a! Veja o que ela fez com sua filha! – Hiashi esbravejou, Naruto engoliu em seco, vendo Ino verificar a criança. — Ela precisa ser controlada.
— Você quer dizer, encarcerada – Sasuke cortou.
— Sasuke, por favor, chega – Karin pediu — Olhe em volta – declarou, duramente.
Ele a fitou irado, e então viu as crianças, e então viu todos olhando, assustados, ariscos, na direção de Sakura transtornada e se escondendo em torno de uma serpente de fios banhada em chakra poderoso.
Como se fosse um animal selvagem encurralado sob o olhar de uma multidão.
Baixou os olhos para o chão, vendo onde a tiara dela estava, largada.
E percebeu que talvez nunca mais fosse possível, Sakura voltar a viver uma vida normal, ou ser vista e respeitada como merecia.
Para eles, ela era apenas um penoso animal que precisava ser controlado e mantido longe.
Exilado para o bem de todos. Exilado para pagar as falhas deles.
Como Itachi, provavelmente muito pior.
“— Porque resolveu se tornar ninja médica?
— Hum? Não é meio óbvio? – Ela sorriu, um pouco mais, provavelmente para tranquilar a criança cujo braço enfaixava.
O menininho sorriu envergonhado, e ela terminou o curativo, beijou sua testa, e o pôs no chão, dispensando-o com um aceno e um saquinho com algum remédio e mais curativos.
Ela então suspirou e se põs a arrumar os utensílios que usara a pouco.
— Tic tac, tic tac...- Sakura revirou os olhos para a câmera.
— Você é impossível.
— Uma resposta e terá toda a paz pra ler esse livros velhos.
Meneando a cabeça, ela moveu o olhar para algum ponto da tenda e ele se perdeu por longos segundos.
Por fim, com um sorriso fraco, ela o fitou e ele aumentou a proximidade da imagem ate chegar ao seu rosto, indo da boca para os olhos quando suas mãos perdiam a firmeza um pouco.
— Eu queria alcança-los. – respondeu.
— Hum... E alcançou?
Sakura inclinou a cabeça, voltando para outra reflexão, e então o encarou de novo, e encolheu os ombros com ar de resignação.
— Eu tentei”.
****
— É nesses momentos, que me pergunto se o sonho do meu avô, não foi apenas uma Utopia barata – Tsunade comentou, encarando o vidro, os olhos voltados para baixo. A torre ao oeste dos portões de Konoha, fora um dia um complexo prisional, nos primeiros anos da fundação. Vários metros abaixo do solo haviam sido derrubados, as paredes reforçadas, e o fundo, se tornado uma espécie de fosso.
Como uma grande jaula subterrânea. As paredes e piso eram de varias camadas de concreto e aço. E lâpadas iluminavam precariamente o chão. Qualquer som ecoava facilmente como um grito, inclusive o choramingo de Sakura, encolhida no canto, abraçada aos joelhos e tentando se defender do frio com voltas e voltas de cabeço em torno de si, além de garantir a própria segurança.
— No fim, ninguém é realmente poupado, tem sempre de haver um mártir – A princesa Senju concluiu, secamente.
Shikamaru suspirou, sem ânimo para acender o cigarro que levava na boca. Tsunade, olhou para o lado. Observando Sasuke parado como uma estátua de aço, olhando para a mesma imagem que ela. Tão tenso e fechado que ela podia ouvir seus membros estalando e sua respiração batendo contra o vidro.
A porta se abriu, e um Naruto totalmente oposto do começo da festa apareceu, os ombros caídos, os olhos afundados em bolsas escuras e opacos.
Ele suspirou, sem levantar muito a cabeça.
— Ela ainda não acordou, Hinata está com ela – Disse, fracamente.
— Shizune a está assistindo – Tsunade comentou, suspirando.
— Claro... Sasuke... Eu não posso solta-la – Naruto disse, com pesar. Sasuke finalmente se moveu, desde que parou ali e o encarou.
— Não pode ou não quer?
— Eu não posso! Praticamente todo mundo a viu aquilo, ela simplesmente surtou.
— Ela ouviu algo, e se forem os Shins como naquele dia do restaurate?
— E se não forem? E se forem porque não apareceram?! Eles querem leva-la de volta, porque diabos apenas perturba-la e partir?
— Eles fizeram exatamente isso da ultima vez, foi uma provocação. É simples, ela surta, machuca inocentes, nós a pomos fora da cidade, eles a atacam como bem querem. Qualquer idiota pode perceber isso.
— Então não vamos pô-la fora da cidade!
— E prendê-la como um animal?!
— Ela é um animal agora! – Naruto gritou mais alto, um silêncio profundo caiu, e ele encolheu os ombros com um olhar dolorido. — Eu não...
— Muito fácil defedê-la, mas se ela machuca sua filhinha, ela não merece mais uma chance, huh? – Sasuke sibilou, veneneso. Naruto o mandou um olhar estreito.
— Você não queria dar sequer uma chance antes, lembra?
Sasuke riu com desdém e se moveu rumo a porta.
— Sim, eu a mataria, e eu vou mata-la se for preciso. Ela não machucará ninguém e ninguém a machucará. E quanto a você? Quão bem está fazendo para ela jogando-a nesse buraco maldito? Quem de nós realmente está pensando no bem dela, Naruto?
E se saiu, batendo a porta.
Sakura nunca deveria ter sido insegura sobre estar atrás deles. Ela sempre esteve a frente, ela era o ser humano dentre os três. Ele era apenas uma alma cheia de ódio, Naruto prestes a perder o controle.
Era por isso que ela merecia mais que eles, ela merecia um recomeço, que talvez, só viria com seu fim.
E ele não relutaria e dar seu recomeço, mesmo que fosse o fim para ele próprio, caso a situação continuasse deste jeito.
***
Hinata suspirou pesadamente, encarando o rostinho pálido da cacula na cama, a faixa em torno da cabeça, agora não parecia tão ameaçadora como todo o sangue que fluiu da ferida aberta.
Mas ela ainda não acordava.
— Você deveria ir para casa. – Hanabi declarou, recostada na parede.
— Eu estou bem. Só estou preocupada, com Naruto-kun e Sakura.
Hanabi soltou um riso anasalado e indignado.
— Ainda está preocupada? A culpa disso é dela! – Hinata suspirou, se levantando, e ajeitando o travesseiro da filha.
— Hanabi, por favor, não é tão fácil, não ponha as coisas no preto e no branco.
Hanabi torceu o lábio e se aproximou, puxando seu braço.
— Não, Hinata, pare de procurar desculpas, pare. Himawari está ferida! E por causa daquela coisa!
— Sakura não é...
— Não é mais a Sakura de antes! Ela é uma arma, eu sinto muito, eu a admirava muito, mas ela se foi... Assim como Neji-san....
Hinata meneou a cabeça em desistência, Hanabi nutria uma admiração muito grande por Neji desde pequena. A morte dela fez os olhos da menina se abrirem para o mundo muito cedo. Ela fora tão exigida quanto Hinata por causa das expectativas do clã. Mas havia conseguido conversar sua fé e inocência, até a morte de Neji a fazer passar a ver o mundo shinobi, o mundo em geral, como uma enorme guerra que nunca findava.
Hinata lamentava não ter conseguido ajudar a irmã a procurar outros sentidos, a aceitar que eles não eram ilusões, e que nem tudo se tratava de manter-se no poder e desvendar conspirações. Mas talvez Hanabi fosse mais parecida com seu pai e o resto do clã do que aceitava.
— Vá pra casa, precisa descansar, precisa ajudar Boruto, ele ficou muito...
— Boruto? – Hinata a fitou incrédula – Boruto? Você... Você disse para Boruto, o que houve?
— Ele queria saber, e ele tinha, ele não é uma criancinha mais...- Hinata segurou seu ombros, encarando-a desesperada e sacudindo-a. Akamaru que estava deitado ali, fazendo questão de dar-lhe companhia, levantou a cabeça e as fitou, tenso com a discussão.
— Você não podia fazer isso! Ele ama Sakura, você praticamente e fez de vilã? Nem entendemos o que houve ali! – Hanabi bufou e afastou uma de suas mãos.
— Você é que não entende, Hinata.
— Você não tinha esse direito, ele é uma criança sim! E sabe como ele ama a irmã, não tinha o direito de usa-la para po-lo contra Sakura, porque você a odeia tanto afinal?!
— Eu não a odeio! Eu só enxergo a verdade e penso na nossa segurança!
— Você não estaria nem viva se não fosse por ela! – Hinata a cortou — Ou estaria cega, se Sakura não tivesse te ajudado, naquela época.
— Foi naquela época. – Hanabi a cortou friamente, e Hinata, simplesmente não a reconheceu mais — Eu respeito a Sakura daquela época, e lamento que ela tenha se tornado o que se tornou. Mas ela morreu, e nós temos de pensar nos vivos.
Hanabi girou, dando as costas, e de do cinto de seu kimono, Hinata viu algo brilhate escapar e cair no chão. Ela se abaixou, e pegou entre as mãos algo que parecia uma flauta. De aço, cheio de furos.
Hinata apertou aquilo entre os dedos, vendo as costas da irmã rumo a porta. E sentiu uma pontada dolorosa dentro, de si, olhou para Akamaru sentado no chão, alternando olhares tristes entre as duas.
Apertou os olhos sentindo-os cheios de água, e nunca pediu tanto para estar errada.
Ela soprou a flauta, um som agudo mas ainda muito baixo soou, e Akamaru saltou no lugar, imediatamente latindo e mostrando as presas. Hanabi parou na porta e se voltou para, ela encarando-a, chocada.
Ao ver a flauta em sua mão, tateou as próprias roupas, e limpou a gargata.
— Hinata...
— Eles conseguiram tomar isso do Shin, naquele ataque, ele deixou cair enquanto fugia – Hinata disse, — Eu lembro. E você trabalha no departamento da perícia.
— Eu ia devolver.
— Depois de fazer o que fez hoje?
— Você não entende! Parece que ninguém entende! Ela é um perigo! Ela vai causar outra guerra como a que matou Neji-san, olhe o que ela fez vom Himaw-
Hinata acertou seu rosto com um tapa que ecoou por todo o quarto branco, Akamaru ganiu angustiado, sem saber o que poderia fazer. Hanabi a encarou de lado, cogelada em choque.
Hinara apertou a flauta numa mão e negou com a cabeça, com um olhar de desprezo, pena e mágoa.
— Não foi Sakura que pôs Himawari nesta cama, foi você. Você a machucou.
****
A porta de mais de sessenta centímetros de espessura moveu-se com lentidão ao se abrir, tendo que ser literalmente empurrada para isso, por pelo menos quatro shinobis.
Sasuke entrou primeiro, sentindo um cheiro de umidade vir das paredes frias, seus passos ecoando.
Ele olhou em volta, e mais atrás, Naruto e Hinata adentraram com olhares cheios de remorso e desespero.
Sasuke se voltou para frente, ouvindo os passos rápidos e abrindo os braços para envolver Sakura num abraço.
Ela abraçou seu pescoço e afundou o rosto ali, soluçando o tempo inteiro. E ele a apertou, querendo expulsa todo o frio que ela sentira naquele buraco maldito, limpa-la daquele cheiro de prisão que ela jamais mereceu.
— Vai ficar tudo bem – ciciou.
— Sasuke – Ela fungou, e ele afagou sua cabeça, apertando os olhos.
— Aa.
— Eu quero ir embora – Suplicou.
— Você vai, eu prometo. Nós vamos...
Sakura sacudiu a cabeça em negação, e afrouxou o aperto em torno dele, Sasuke encarou seu rosto avermelhado de tantas lágrimas, os olhos inchados para sempre condenados a escuridão, e os lábios secos.
— Não, eu quero ir embora de Konoha.
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