Lost Inside
27 Porque ela merece ser atendida.
Notas iniciais
— Nada vai dissuadi-la. – Tsunade concluiu, após ver o rosto de Ino ao entrar na sala. Ela suspirou e juntou as mãos em frente o corpo, a expressão carregada e austera, vindo dela, só demonstrava que não estava afim de estar no mesmo ambiente que Naruto ou Hinata.
Parece que eles eram as novas pessoas desfavoritas dela, Sasuke até apreciou. Quem diria que era bom, não ser o alvo de desgosto de vez em quando.
— Então, o que faremos? – Temari indagou.
— Manda-la para outra aldeia por um tempo? Pode ser bom, como foi da última vez.
— Da última vez ela liberou outro selo – Sasuke apontou.
— Não podemos nos limitar a isso. – Shikamaru pontuou – Também sou contra a saída dela, mas não é mais uma questão de decidir ou não. Ela é um individuo, pode não ser completamente ciente das coisas, mas ela tem vontades e teremos que aceitar algumas, querendo ou não, por que ela detém poder o bastante para nos obrigar a isso, ela estando ciente disto ou não.
— O que sugere? Enfiar ela em outra viajem? Shins conseguem até mesmo se infiltrar nesta aldeia, deixar ela fora dela, é no mínimo, estúpido.
— Sakura pode esconder o próprio chakra, da ultima vez que foi levada, apesar da segurança, ela estava muito vulnerável por ser conduzinda em caráter de nobreza. Foi levada numa carruagem, onde qualquer um podia perceber. – Shikamaru pausou, pegando outro cigarro no colete. – A falha foi esperar um ataque direto quando ela própria, por não ter o controle dos outros selos, podia se tornar a arma deles. Fomos pegos com uma facada vinda de dentro.
— E?
— Já devemos começar pela via de não permitir que sua saída da aldeia seja noticiada ou comentada. E então, traçar um caminho que seja direto e discreto.
— Qualquer um nota a presença dela, ás vezes ela é como uma aura, um elemento da natureza, não fica tão latente, mas você sabe que está por aí. – Naruto declarou, exaurido.
— Simples, depois de tentarmos convencer ela a ficar, mais uma vez, instruímos ela a esconder o chakra nos próximos dias antes da viajem, assim quem estiver reparando, ao menos não vai saber dizer exatamente o dia que ela saiu, posto que um simples passeio vai mostrar ela não sumiu no dia que o chakra desaparecer.
— Acha que ela consegue?
— Vai servir para testar sua determinação em sair. – Ele deu de ombros.
— Pra onde leva-la? – Ino indagou.
Tsunade se afastou da janela e mandou-os um olhar de decreto.
— Eu cuido disso.
— Baa-chan...?
— Eu irei com ela. – Ela declarou, saindo através da porta, e levando na mente a lembrança da conversa que teve com a jovem ao examina-la depois de sairem da prisão.
“- Nee, Tsunade-sama, eu machuquei muito a Hima-chan, né? – Sakura choramingou, sentada na maca, a pouca maquiagem desfazia-se em suor e lágrimas, uma expressão de abandono e dor.
Tsunade inspirou, passando a faixa com velcro em torno de seu braço, ela estava tão nervosa e chorosa, que Sasuke praticamente surtou dizendo que ela passava mal, e ainda mais transtornado por ver ela pedindo para ir embora.
Ele parecia muito mais acabado que Sakura, mas era incapaz de perceber.
— Ela vai ficar bem, só bateu a cabeça. Você não teve culpa, a flauta te assustou, nós não percebemos porquê só você e quem tem audição sensível como Akamaru ou Kiba, poderiam perceber, nenhum deles estava por perto pra esclarecer, sim?
Sakura não respondeu, ainda soluçando. Sua pressão estava um pouco alta, com um suspiro, Tsunade cedeu que teria de dar-lhe calmantes. Se ela não ficasse ou parecesse no mínimo mais calma, Sasuke surtaria com Naruto, Naruto com ele, os dois se engalfinhariam, Sakura ficaria nervosa, tentaria impedir os dois, os machucaria ou se machucaria e tudo simplesmente conseguiria ficar ainda mais pior.
Ela tinha um poder muito grande sobre aqueles dois, e eles tinham poder bastante para mover céus e terras por ela, e contra ela. Sakura era tão poderosa quanto eles, não só agora como antes também já o era. Ela podia não ser a encarnação de deuses, mas era o equilibrio absoluto entre eles. No entanto, agora, ela era uma vertiginosa força da natureza. Ela, sem seu próprio auto controle, punha em risco o de Naruto e Sasuke, principalmente o deste último.
— Tsunade-sama, eu só sirvo pra machucar os outros?
— Claro que não, querida, você foi uma..
— Eu fui...- Tsunade se voltou para ela, segurando um frasco de calmante. Sakura tinha os ombros encolhidos e um olhar pesaroso – Mas eu não sou mais. E não sei fazer as pessoas se curarem mais, e todo mundo está sempre cuidando de mim.
— Sakura...
— Eu não sei fazer nada, só machucar os outros, só quebrar as coisas, só ser uma caixinha...
— É muito cedo ainda, querida, você pode aprender muito de novo, até mesmo a ajudar as pessoas...
— Então me ensine.
Sakura ergueu a cabeça, seus olhos brilhavam cheios de água, mas também de força e súplica. Eles já não procuravam mais a luz, apenas um caminho a seguir.
— Tsunade-sama, me ensine a cuidar das pessoas, de novo, onegai.”
No fundo, havia aquele mesmo olhar do passado.
Ele ainda estava vivo, não importava se já não fosse mais o mesmo.
E ela sabia mais do que ninguém que não poderia mais trazer sua antiga pupila de volta. Mas agora sabia que havia a chance de tudo ser reconstruído outra vez. E de que podia durar, verdadeiramente.
***
— Tem certeza?
Sakura assentiu, abraçada ao coelho, como isso fizesse sua resolução mais concreta e séria.
Sasuke inspirou, e se sentou na beira da janela.
— Tem mesmo certeza? Será uma viajem longa.
— Sim!
— Que será uma viajem longa?
— Que eu quero ir, Sasukeeee! – Ela reclamou.
— Hn.
— Sasuke não quer que eu vá?
— Seria melhor se ficasse aqui, é mais seguro.
Sakura bufou largando o coelho e deitando na cama, agora com a ovelha.
— Mas eu quero ir, pra não machucar mais ninguém.
— Você não tem culpa de nada. E não vai machucar ninguém.
— Mas sempre acabo machucando.
Ele a fitou, e não gostou da naturalidade com que ela proferira estas palavras. De todas as coisas que ela precisava aprender, essa não era sequer uma delas.
Não aceitava que ela se desenvolvesse com qualquer complexo ou auto julgamento negativo.
Se levantou e seguiu até a beira da cama, se abaixou e segurou os dedos dela que se deitara de lado.
— Você não vai machucar ninguém, e se o fizer, não é culpa sua.
Ela pareceu refletir longamente, como se encarasse ele. Então suspirou, e abriu um sorriso manhoso e traquinas. E ele viu que tinha perdido.
— Mas eu quero iiir. – Sasuke bufou, ela, novamente empolgada, se levantou de uma vez e foi logo se jogando sobre ele. Sasuke levantou rápido, tendo tempo de segura-la pelas cochas com um braço. Sakura envolveu seu pescoço, balançando as canelas. — E eu acho que o Sasuke só está sendo... sendo..
— Sendo? – Ele suspirou, empurrando uma mecha para atrás da orelha, uma tarefa boba, contra esses cabelos.
— Sendo... Sendo... Sendo chantagista!
— Chantagista, eu?
— Sim! Você está falando e falando, mas o que você quer é, que eu fique triste e queira ficar, porque vou sentir saudades de você e de todo mundo.
— Eu só perguntei, se tinha certeza de que quer ir.
— Está fazendo de novo.
— Se se sente chantageada, é porque não quer ir.
— Mas eu precisooo – Ele a fitou longamente e, por um momento, sentiu que estava sendo mesmo chantagista, e injusto.
Ele deveria ser a última pessoa no mundo a se sentir no direito de pedi-la para ficar.
— Tudo bem, eu entendo, você vai.
Sakura piscou nitidamente surpresa, e encolheu os ombros, incerta.
— Certeza? Certeza? Não vai ficar zangado?
— Apenas se você se machucar, então vou trazê-la de volta, e manter no quarto sem direito a passeios ou tortas e laméns.
— Sasukeeee?!
— Apenas verduras e legumes, até mesmo sem pirulitos de limão. – Avisou, contornando a cama e levando-a para deitar nela. Puxou a coberta e cobriu suas pernas, afugentando a percepção de que ela vestia uma camisola branca.
— Sasuke mau! – Ela choramingou, deitando e se cobrindo até o colo. – Eu vou me comportar, Tsunade-sama vai me dar cascudos também, sim?
— Já é alguma coisa.
— Eu também prometo não demorar, pro Sasuke não ficar com saudades demais.
— Hn?
— Naruto-kun disse que quando você está com saudades ficar muuuuito mau humorado e sempre bate nele.
— Mereço.
— Hum?
— Vá dormir – Ele ordenou, ainda segurando sua mão, depositou um cálido beijo, momento que sempre aquecia algo bem dentro do peito dela, o que tornava a espera por esse momento sempre ansiosa e um pouco triste, porque sempre significava que ele já ia embora.
— Boa noite, Sasuke chantagista!
— Aa.
Ele tinha medo de saber onde ela aprendeu sobre Chantagem. Pressentia que seria pior quando ela aprendesse como fazer isso. Sakuya era uma especialista nisso, e já bastava ela.
Sasuke se levantou e apagou a luz do abajur, seguiu para a porta e saiu, apagando a luz do quarto.
Pelo menos teria mais algumas noites para aproveitar o sossêgo que ter ela segura perto de si, tornava.
Pois depois que ela partisse, sabe-se lá para onde, só haveria um sentimento de infortúnio.
***
— Pra onde a estão levando?
Naruto olhou para o lado, vendo Sasuke ali, voltou os olhos para a saída da delegacia. Um pequeno corpo da polícia da aldeia saía do prédio, conduzindo Hanabi Hyuuga algemada em direção a uma carruagem de cores sóbrias.
— Ela vai para o distrito Hyuuga, uma liminar decidiu que ela pode ficar em prisão domiciliar enquanto o processo corre.
Sasuke o encarou, irado.
— Quem decidiu isso?!
— O advogado dela conseguiu convencer de que enquanto estiver na mão do clã Hyuuga, ela vai ser tratada como um prisioneiro que atentou contra o próprio clã.
Sasuke olhou novamente para lá. Hanabi os encarava agora sentada dentro da carruagem, com um sorriso altivo que ele quis cortar com a espada. Hiashi adentrou e se sentou do outro lado com uma cara fechada.
— Maldito...
— Ele jamais permitiria que ela fosse pra prisão, tem muito mais em jogo, Sasuke, ela é a próxima chefe do clã. Hiashi não pode permitir que isso manche a reputação dela.
— Ela mesma manchou, Naruto! Orquestrou acusações contra uma princesa!
— Quanto peso acha que uma princesa recém declarada tem contra um clã mais velho que estas pedras, Sasuke?! – Naruto exclamou – Não tem o que fazer, Sakura pode ser uma heroína, mas a situação dela vai sempre deixa-los com o pé atrás, cara.
Sasuke maneou a cabeça, indignado e Naruto prosseguiu, com os ombros caídos.
— Existe até mesmo quem aplauda a ação da Hanabi, Sasuke. A verdade é que depois da Quarta Guerra, muita gente ainda é neurótica e intolerante com a ideia de qualquer tipo de arma ou poder de tanta destruição, como um Bijuu, fora de controle, e não pense que foram poucos, ou que não eram influentes. Eles tentaram barrar até mesmo a minha promoção a Hokage – Declarou, exasperado.
Sasuke o encarou, a pergunta foi até sua língua mas escolheu engoli-la, via nos olhos dele a resposta.
Saberia se tivesse estado lá.
— É como andar numa corda, amigo. E de todos os lados tem quem queira nos derrubar e não importa o motivo. Eles o fariam mesmo que estivessem do nosso lado.
A carruagem partiu e os dois deram as costas. Um já havia se conformado que, mesmo para manter a paz, haveriam lutas, de um jeito ou outro.
O outro, voltou a repensar uma se uma velha atitude, realmente não teria dado certo, se insistida naquele tempo.
Talvez um mundo precisasse mais daquela Revolução do que ele próprio imaginara.
Porque era tão dificil unir as pessoas?
***
Sakura girou pela casa, empolgada com a leveza de seu mais novo vestido, ele tinha uma tonalidade de branco que parecia prata, algo luminoso e suave, solto e apertado apenas na cintura com uma corda fina. Disseram-lhe que ela parecia uma dama, e embora estivesse mais para uma pestinha barulhenta e bagunceira, ela estava muito envaidecida com o elogio. E eufórica.
Mas ainda assim, seu chakra estava oculto, e Sasuke teve que admitir sua derrota. Ela estava determinada e empenhada.
No entanto, agora só tinha a agradecer uma coisa, e era que Karin houvesse ido ao hospital levar os gêmeos para uma habitual bateria de exames, ela não estava em casa para ver o que a sala se tornara ante a simples presença de um vestido novo.
Sakura girava e girava como um peão sem controle de tanta alegria, os cabelos rodando como tentáculos sem controle, derrubando bibelôs, quadros, almofadas, entortando os móveis. Ele imediatamente desviou de um vasinho e o pegou no ar.
Se alguma única coisa fosse quebrada...
Shisui que vinha atrás dele se lançou para o chão agarrando um outro vaso. Mangetsu ria, sentado na poltrona, totalmente encantando e contagiado pela alegria dela e alheio a destruição causada.
— O quadro! – Shisui avisou Sasuke saltou para o meio da sala a mão estendida não alcançou o objeto de maior adoração da esposa, não por um erro de calcúlo, mas porque foi totalmente envolvido pelo cabelo, ficando sustentando no ar. Mas ao menos soltando o ar aliviado, pelo quadro também ter sido salvo.
— Sasuke! – Sakura exclamou, parecendo dar conta deles, enfim – Sasuke? Está fazendo bagunça? – Indagou, a mecha trazendo o quadro para suas mãos curiosas, ela apalpou a moldura de madeira esculpida e o vidro sempre bem limpo que preservavam a foto de toda a familia Uchiha, agora. – Sasuke, se quebrar algo, Karin-san vai ficar zangada! – Declarou, pondo-o no chão. Ele suspirou, desamarrotando a roupa.
— Me desculpe – Ironizou mas ela levou a sério, sacudindo a cabeça como se ele fosse um moleque mau criado.
Sasuke desistiu de recuperar esse pedaço de dignidade e se voltou para Mangetsu, que já arrumava a sala com uma cara amarela.
— Era para olha-la apenas uma meia hora – Avisou.
— Gomene – O menino pediu, acanhado, e Sasuke não fez grande caso do erro, em geral Mangetsu era mais responsável que a familia toda, uma dádiva, considerando os pais que tinha. Não podia reclamar de um deslize ou outro e nem tinha realmente posição para isso.
Shisui ajudou-o a tornar a sala impecável, a coisa boa de ter um carpete era que tudo o que caiu teve a queda amortecida.
A vida deles estava a salvo, por agora. Pegaram as compras que ficaram largadas na entrada e que foram o motivo de sua rápida saída, e levaram para a cozinha. Sakura fazia questão de ajudar ao máximo, e já tinha decorado boa parte da cozinha. Não tinha permissão para acessar o fogão e nem a geladeira pois ainda era muito dada a comer tudo o que encontrasse pela frente e fazer um estardalhaço. As facas também ficavam fora de seu tato bem como das crianças. No entanto, ela era bem mais acanhada sobre estar nas áreas de domínio de Karin.
Ela parecia se sentir intimidada e respeitava ao máximo qualquer ação da mulher. Karin era muito perfeccionista e metódica, qualquer coisa fora do lugar a deixava fora de si inclusive com as crianças. Elas só tinha liberdade de bagunçar em seus próprios quartos e com a condição de arrumarem tudo. Os momentos em que podiam bagunçar a casa eram exclusivos de supervisão do próprio Sasuke.
Ele não era um adepto de desordem, mas preferia que seus filhos fossem crianças ao máximo, quando não estavam em casa ou treinando para serem ninjas.
— Não – Avisou, puxando um vidro de conserva de azeitonas da mão dela. Ela tão logo fora apresentada, já estava viciando.
Seus indícies de sal no sangue não estavam muito baixos para que ficasse comemdo conservas mergulhadas em água salgada.
— Sasukeee — Ela fez drama, subindo na mesa e tentando acha-lo.
— Nada de comer isso puro, ouviu o que a Yamanaka disse.
— Só umas azeitoninhas, Sasuke-kuuun. – Ela estranhamente aprendera a usar o sufixo em suas, recém aprendidas, chantagens e ele tinha que admitir que era sempre difícil não ceder.
— Não. – Guardou a conserva no armário e deu as costas, seguiu até a pia e notou que o tempo estava mudando, o vento forte, o céu escuro, as roupas sacudindo no varal. — Shisui, Mangetsu, vai chover.
Os dois garotos escapuliram pela porta da cozinha, a roupa era responsabilidade deles.
— E você nem pense em sair, vai ficar ensopa...- Parou, vendo-a também travar no lugar com a boca cheia de azeitonas, o pote aberto numa mão e mais azeitonas em outra, o balcão cheio de sementes.
Ela, calmamente, engoliu o que tinha na boca (com semente e tudo) pôs as azeitonas que tinha na mão de volta no pote, empurrou as sementes pra dentro dele e tampou-o, deixando no armário novamente. E ficando quieta como uma estátua, em seguida.
Sasuke esfregou o rosto, se sentindo como se estivessem tentando tapeá-lo com uma cara tão de pau que ficava até desiludido
Bem, e era exatamente isso.
— Eu vi isso, Sakura. – Afirmou, exasperado.
— Viu o quê, Sasuke? Você não viu nada.
— Eu disse, sem azeitonas, Sakura. – Ela se encolheu com os olhos baixos.
— Gomene, Sasuke.
— Você tem que entender, um não é um não.
— Sasuke, meu vestido não é bonito?
— Você seriamente vai tentar me enrolar?
— Todo mundo disse que estou bonita, mas você não.
— Meninas mau criadas não são bonitas – Ele jogou de volta e ela contornou a mesa correndo e choramigando.
— Eu sou bonita! E vou ser obediente! – Prometeu, abraçando-o. – Vou ser, Vou ser.
Ele pousou o queixo em sua cabeça e suspirou, abraçando sua cintura e puxando-a suavemente da frente da janela.
— É a sua saúde, sim? – Ela assentiu, agora levando mais a sério e se sentindo culpada.
— Gomene, Sasuke, não faço mais.
— Tudo bem, agora vá pra cima, que tal verificar se as janelas não ficaram abertas?
— Haaaai!
— Sem correr — E ela diminuiu o passo, pelo menos temporariamente querendo ser obediente e bonita.
Ainda era cedo para ela aprender que poderia ser o que quisesse, ela já era linda, fora obediente o bastante. A ele só interessava mais dias de alegria acompanhando sua existência.
E não permitiria que qualquer um tentasse tirar isso dela.
Voltou-se para a porta da cozinha e seguiu para a fora a passo duro, segurando numa das mãos um dardo de metal fino, contendo algum líquido de cor amarelada. Dardo que ele impedira de se encravar em Sakura quando ela o abraçou perto da janela.
— Crianças, para dentro – Ordenou, Karin o fitou agora junto das crianças, os mais novos contando sobre a consulta. Shisui e Mangetsu com os braços cheios de lençóis.
Seus filhos todos ali e alguém tendo a ousadia de tentar atacar Sakura furtivamente e sair como se fosse seu próprio quintal.
Ao fitar a esposa percebeu que ela tampouco havia deixado passar, e nem poderia.
Os estavam subestimando tanto, que Sasuke até riria, se não estivesse tão furioso.
Os quatro filhos seguiram para dentro, sem questionamentos e ele se aproximou entregando o dardo para a mulher.
— Que direção? – Indagou, olhando para os arbustos de onde o dardo certamente partira.
— Noroeste – Ela avisou, focada no objeto, abriu o compartimento apenas um pouco, para poder derramar do líquido na palma.
— Distrito Hyuuga – Sasuke rosnou – Os malditos nem mesmo tentam disfarçar?
Karin lambeu a palma e mal sentindo o gosto, fitou Sasuke.
— Adrenalina.
Ele a fitou, aturdido, achou que fosse algum veneno ou mesmo um alucinógeno, talvez até um sonífero se fossem idiotas o bastante para tentarem leva-la.
Mas adrenalina deixaria Sakura completamente acesa.
E foi então que ele entendeu e seus dentes rangeram de ódio quando concluiu e recordou das palavras de Naruto, mais cedo. Deu as costas arrancando o dardo da mão dela.
— Hanabi Hyuuga.
— Sasuke!
— Fique aqui, ligue para Naruto e mande-o mandar ninja para cá. Não tire os olhos de Sakura, ou das crianças.
— Ao menos leve a sua espada! – Karin soltou, e em seguida viu que era bobagem. Ele já não dependia tanto da arma agora que tinha os dois braços.
— Eu não preciso.
No que dependesse dele, mataria Hanabi Hyuuga e muitos outros Hyuuga com as próprias mãos.
***
— Adrenalina?! – Naruto rugiu para toda a assembléia, largando o dardo no chão em frente os anciões e o líder do clã sem qualquer cerimônia.
— Não pode simplesmente nos culpar – Um ancião começou.
— O dardo tem o símbolo de vocês gravado – Sasuke cortou – Não vamos perder tempo com isso, deem logo os nomes de quem mandaram até a minha casa – Ordenou, os encarando de cima com um olhar sombrio – Ou não vou perder tempo procurando um culpado certo.
Naruto não se importou de apazigua-lo desta vez, estava tão irado e farto desta situação quanto ele.
Sua filhinha ainda não havia acordado, como aceitar isso vindo de quem considerava familia? Não conseguia nem mesmo encarar o filho, a esposa, o povo. Nem Sakura, não era capaz de encontra-la e apaziguar seu coração que mesmo dado a esquecer, sempre lembrava e sofria por ele não responder suas perguntas sobre Himawari, por não saber dizer que ela ainda dormia sem fazê-la chorar até ficar exausta, pois nada a convenceria de que não era a culpada.
Hiashi suspirou, e pousou as mãos nos joelhos.
— Se alguém aqui, é responsável por isso, que fale agora, isso é uma ordem.
Sasuke e Naruto se olharam surpresos mas logo a raiva se instalou ao perceber o silêncio de todos os presentes.
— Só pode estar brincando...
— Isso prova nossa inocência – Outro ancião advertiu.
— Não estamos em posição de ter nossa palavra levada a sério – Hiashi admitiu para o alvoroço de todos.
— O que é isso? Porque estamos aceitando levar a culpa?! – Um membro do clã se revoltou – Não é como se tivessem tentado contra a aldeia!
— É! – Algumas vozes concordaram.
— Não tem necessidade disso!
— Está se declarando culpado? – A voz de Sasuke reverberou, calando-os. O brilho carmim e púrpura vindo de seus olhos era visivel para qualquer um dentro do salão. – Essa é a única coisa que interessa ouvir, se não tem nada além, volte à sua insignificância.
Silêncio se instaurou, e Hiashi prosseguiu, meneando a cabeça para dois ninjas que sairam, mas não tardaram a voltar empurrando Hanabi e pondo-a sentada numa zabuton em frente a todos, com as mãos e pés algemados.
Ela vestia peças mais confortáveis embora não parecessem nada muito caro para seu status.
— Hanabi... — Hiashi começou, mas interrompido pelo estalo do soco que Sasuke acertou na jovem. Ela caiu de lado cuspindo sangue, mas em seguida ele a puxou pela gola e a encarou com os olhos fervendo.
— Quem foi que você mandou?
— Sasuke. – Naruto advertiu. Ela encarou o Uchiha, e cuspiu saliva e sangue no piso.
— Não. – Sibilou.
— Então vou acabar com seu cérebro.
— Sasuke, não!
— Acha mesma que eu sei? – Ela desdenhou – Apenas quiseram terminar o que tentei fazer, não precisam da minha fala para isso.
Sasuke estreitou o olhar e a soltou.
— Então talvez eu deva acabar com todos eles de uma vez. Não deve achar que é problema pra mim, se sabe quem foi o meu irmão.
Hanabi arregalou os olhos vendo-o dar as costas estralhando os punhos e tentou se levantar.
— Nã-...
— Urie, Satochi e Makoto – A voz de Hinata interrompeu a todos. Ela adentrou a sala por uma porta adjacente, trajando um kimono com hakama tão suntuoso como os que Sakura tinha de passar a vestir nos eventos. Era branco, cheio de camadas de cores quentes onde a cor predominante era o laranja escuro, bordado com redemoinhos. Sua expressão no entanto, destoando da alegria que a peça irradiava.
— Essas pessoas poderiam se levantar? – Prosseguiu, austeramente – Essas pessoas são as que estiveram na sua casa, Sasuke-san.
Um burburinho se instalou quando ninjas não esperaram a ordem dela ser cumprida e abordaram três jovens em pontos diferentes da sala, os algemando logo.
Hanabi se levantou, abismada.
— Não! Pare! Eles são apenas chunnins iniciantes!
— E concordaram com isso – Hinata declarou – E vão responder adequadamente. Agora levem essa prisioneira daqui, ela não pode ter contato com outros membros do clã o que faz dessa reunião uma falta grave com o acordo feito com a justiça.
Ela se voltou para o pai e anciões.
— E o nome do clã já foi sujo o bastante em menos de uma semana.
Ninjas vieram e puxaram Hanabi rumo a porta, agora transtornada.
— O que está fazendo?! O que está fazendo?! Hinata?!
Hinata se limitou a sentar-se numa zabuton vazia em posição e postura impecáveis.
— O meu dever – Declarou encarando firmente todo seu clã – De herdeira legítima do clã Hyuuga. Agora serei eu que irei comandar. – Ela se curvou diante de todos apenas por um ato de humildade e respeito, pois suas palavras era um decreto severo e inquestionável – Espero que aceitem com boa vontade, eu não estou pedindo, apenas avisando.
***
— Você vai se comportar direitinho, sim? Nada de comer porcaria de estrada e nem falar com estranhos. – Ino aconselhou, cuidadosamente arrumando uma capa de cor terrosa em sua cabeça de modo que o máximo de cabelo ficasse escondido sob o capus.
— Uhum uhum – Sakura concordou, muito atenta ouvindo a mulher falar e falar.
Sasuke deu atenção aos cavalos parados a espera, animais fortes e robustos mas dóceis o bastante para permitirem as crianças xeretando ao redor.
Boruto não veio, não parecia interessado em nada além de ir a academia e de lá para o hospital. Queria que isso não fosse problema, mas era por isso que Sakura ainda fungava. Ela queria vê-lo antes de ir, ela o adorava tanto quanto a Himawari, ela ficava orgulhosa quando citavam que ela ajudou o menino nascer, mesmo que não se lembrasse disto.
Tsunade arrumou a capa sobre os ombros, parecendo ter terminado de dar instruções a Shizune, que ficaria responsável pelo hospital de agora em diante.
Havia um grupo de ninja AMBU já montado nos cavalos e também a pé. Pelo menos dez ninja que no caminho, se somariam a mais alguns ninjas de elite mandandos pelos Kages das outras aldeias. Todos muito dispostos a garantir a segurança de Sakura onde ela fosse.
— Muito bem, muito bem, sem atrasos, já está amanhecendo – Ino advertiu já fungando, ainda era madrugada, e o portão que usavam era desconhecido, utilizado apenas para emergências e misssões como esta.
Sakura a abraçou longamente.
— Ino porquinha chorona.
— Sua grande testa... Apenas não demore muito, sim?
— Hai.
— Vamos sentir sua falta – Inojin disse, antes de ser esmagado num abraço.
— Inojiiin – Ela tateou seu rosto como se quisesse lembrar de novo e não esquecer.
Então foi abraçando todo mundo, tateando seus rostos. Sasuke não entendeu porque tanto cuidado, das outras vezes ela foi mais tranquila e empolgada.
Ela não queria realmente ir, porquê então não ficava? Ela poderia dizer não agora que ele jamais permitiria que a levassem.
Sakura segurou seu rosto e ele não reagiu, apenas tocou sua tez e vislumbrou seu sorriso doce e conformado.
— Você tem mesmo que ir? – Ciciou, fracamente.
Ela piscou parecendo dar-se conta de algo, sorriu e então levou os dedos até a testa dele, um suave poke ecoou do contato, deixando-o atordoado entre mil lembranças.
— Até a próxima vez.
Não havia uma data ou uma previsão.
Nenhum dos dois poderia exigir isso.
Pelo menos, ele não.
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