Lost Inside

31 Por quê ela preencherá você com amor.


Notas iniciais
ESTAMOS AQUI NOVAMENTEEEEE Caraio eu to muito feliz de poder voltar com esse projeto, depois de tantos percalços, fics novas, ameaças e pedidos, finalmente estou trazendo esse meu xodó proceis d novo! Não vou culpar ninguém por chegar aq sem entender mais bulhufas do que aconteceu antes pq até eu tive e dar uma relidinha básica pra voltar a sintonizar com essa belezinha hayshayshausha Maaaas recomendo ao menos relerem o último cap, pq esse de agora veio e não foi só pra matar a saudade não, rs. Algo que eu já tava louca pra fazer a um tempo finalmente aconteceu, uma das coisas q mais amo aqui e trabalhar o Sasuke. Certo ou errado? Pecador ou inocente? É tão errado ele não saber amar depois de tudo o q passou? É tão errado ele ter medo e falhar? Bem, há quem diga q adoro fazer ele cuzão, mas acho q é mais questão de mostrar que muito vilão por aí, apenas está tentando ser um herói para alguém, ou nem isso. Enfim, chega de baboseira, mas quero muito saber o que vão achar desse cap, tentarei responder todos logo! VAMO TOCAR ESSE BONDE ACABAR COM ESSA SECA DE MAIS DE UM ANO, BICHO Limpando as teias de aranha, aqui, meu.

E o que mais gosta de fazer no seu tempo livre, Sakura?

— Er, hum. Acho que gosto de sentar sob o sol, ler algum livro ou brincar com as crianças... E também gosto de ouvir a TV.

— Parece divertido! Há algo mais que gosta de compartilhar?

— Comida!

Sasuke suspirou, recostando a cabeça na parede e encarando o teto enquanto esperava no corredor do estúdio.

Shikamaru estava dentro da sala de controle da emissora, trabalhando um jeito de tirar Sakura de entender como ela foi parar lá.

Ela parecia muito á vontade, mas não tornava a situação menos possivelmente instável.

E se a pessoa que programou os selos estivesse por trás disto? Ou mesmo assistindo agora?

Ele não perderia uma chance de ouro como essa de trazer o caos em rede nacional.

Shikamaru saiu, bufando e pegando um cigarro.

— E então?

— Não vão tirar ela de vez, mas vão fazer um intervalo e podemos perguntar ela o que houve.

— Huh? Eles não disseram?

— Não, a pauta do programa era outra, ela foi anunciada minutos antes de entrarem no ar.

— Isso cheira mal.

— É.

Ambos olharam para a TV vendo a apresentadora finalmente anunciar o intervalo.

Seguiram até o estúdio onde o programa era feito e lá, Sakura continuava na poltrona cercada de mimos, bandejas com salgados, sucos e maquiagem sendo retocada em suas bochechas, os cabelos até recebendo massagem e spray para ficarem ainda mais brilhantes.

— Ainda bem que Naruto não veio. – Shikamaru concluiu.

— Ele ia dar o aval. – Sasuke admitiu, aborrecido.

Não havia nada que pudesse fazer a cabeça de Naruto melhor do que mimar Sakura.

Se ela estava bem e sendo mimada, ele aceitaria tudo.

— Yo, Sakura.

— Shikamaru! – Ela exclamou, movendo a cabeça por cima do ombro. — Você também veio participar do show? Oh, Sasuke!

— Eh? Não, obrigado, sempre detestei essa parte. Viemos por sua causa, te vimos na TV.

— Todo mundo viu. – Sasuke pontuou e ela não deixou de sentir a repreensão nisso, se empertigando.

— E-eu fiz algo de errado?

Sasuke se sentou no braço da poltrona, dando um olhar afiado na direção dos maquiadores que se afastaram logo.

— Ainda estamos averiguando isso. – Foi sincero, pois ela precisava entender que toda ação tinha consequências e nem todas dava para prever.

— Eeeh? O que eu fiz?

— Só queremos saber como você veio pra cá? Quem a convidou para participar do programa?

— Oh. Ah... Deixe-me pensar... Onde isso começou realmente...? – Sakura parecia realmente precisar de um esforço para isso.

— Deixe-me ver. Acho que foi nessa manhã! – Ambos se entreolharam, e então se inclinaram para ela, sérios e ansiosos.

— Prossiga.

— Eu estava dando uma volta pela feira. E como sempre, muitas pessoas me cumprimentaram...

Sasuke esfregou o rosto, e Shikamaru soltou a fumaça dentre os dentes ciente de que uns minutos de intervalo não seriam suficientes para ouvir a história toda.

E em se tratando de Sakura, pedir pra ela resumir era o mesmo que nada, ela era capaz de contar uma amenidade (que lhe parecesse mais interessante) no lugar do fato que realmente importava.

Tiveram que deixar o cenário e assistir de longe todo o programa, que além de perguntas, se estendeu para jogos.

— Este vai ser rápido e o último! Apenas responda a primeira coisa que lhe vier a mente quando ouvir cada palavra, tudo bem? – Nanase instruiu, segurando um pote de vidro cheio de pedaços de papel.

— Parece divertido!

— Certo, vamos começar, você tem um minuto a partir de... Agora, Comida.

— Torta.

— Bebida?

— Suco.

— Cor?

— Todas.

— Livro?

— Medicina.

— Vida?

— Quero!

— Oh... Dinheiro.

— Problemático.

Sasuke não pode deixar de fitar Shikamaru que suspirou, ciente de que talvez tivesse repetido muito isso quando discutiam sobre o fundo financeiro de Sakura.

— Flores?

— Inoo!

— Fofo?

— Himawari!

— Casamento?

— Hm, eu quero!

Uma pequena onda de manifesto de interesse tomou a plateia e Shikamaru já imaginava Naruto surtando e a caminho de buscar Sakura ele mesmo.

O rosto de Sasuke ficou uma incógnita, mas não era como fosse o mistério mais difícil de desvendar.

— Sol.

— Amo.

— Amor?

— Família!

— Protetor?

— Naruto!

— Lua?

— Hinata!

— Perfume?

— Todos!

— Frio? – Sakura piscou as pestanas antes de responder.

— Escuro.

— Apertado?

— Sutiãs!

— Isso não vai acabar nunca? – Sasuke sibilou.

— Sempre pode piorar...

— Quente?

Ela bateu palmas, alegremente e sorriu.

— Sasuke-kun!

Shikamaru apenas sentiu o cigarro escapar de entre os lábios, quase hesitando, olhou por cima do ombro e só encontrou alguns contrarregras também olhando em volta, assustados.

— Acho que foi muito pra ele...?

— Ninja? – Nanase prosseguiu, já nos últimos segundos.

— Chamado.

Para Shikamaru, talvez isso é que fosse bem pior.

Talvez não desse mesmo para afasta ela disso?

— Amigos?

— Tudo!

— Perfeito, acabamos!

Sakura bateu palmas junto com a plateia.

— Não foi maravilhoso? Obrigada a todos que estiveram aqui hoje nesse estúdio e através da TV! É sempre um prazer estar aqui ainda mais tendo a oportunidade de conversar com pessoas tão maravilhosas como você, Sakura!

— Também estou feliz de ter vindo, obrigada por cuidarem bem de mim.

— E foi isso pessoal! Até semana que vem!

O jingle da abertura do programa começou, as pessoas começaram a ser guiadas para a saída e Shikamaru foi buscar Sakura sabendo que Sasuke não seria capaz de ter dignidade para aparecer tão cedo.

No caminho até o escritório do nanadaime, teve que lidar com os civis que tinham acabado de ver o programa mas chegaram inteiros na torre.

— Sakura-chan!

— Yo!

Dois patetas.

Mas o terceiro não estava nem a quilômetros de distância ao que parecia.

— Veja o que tenho para você. – Naruto pegou uma caixinha na gaveta e pôs nas mãos dela, que a tateou, curiosa. — É uma caixa de música, Himawari e Boruto compraram para você e deixaram aqui antes de irem pra casa.

— Oh, oh! Obrigada!

— Sente-se e comece a ouvir. – Ele disse, pondo-a na cadeira e abrindo a tampa da caixa, a melodia melancólica logo prendeu a atenção de Sakura e Naruto puxou Shikamaru para o corredor, fechando a porta.

— E então?

— Bem...

— Onde ele está?

Shikamaru bufou, revirando os olhos.

— Se aquele bastardo...

— Ele fugiu no segundo seguinte que ouviu aquilo.

— Huh?!

— Os sentimentos de Sakura podem ser extremamente abstratos assim como extremamente palpáveis.

— Não entendi.

— Aa. Quero dizer que ela pode ter dito “quente” em qualquer outro sentido aleatório, ele é um Uchiha e já usou técnicas de fogo na presença dela...

— Aaaaaaah, claro! Tem toda a razão! Haha, haha! Claro que só podia ser isso, ora, vejam só? O que mais seria né... Por que porra ele fugiu?! Quem não deve não teme!

— Por que ele é tão idiota quanto você.

— Sua opinião...

— Completamente. Mas Naruto, por que não paramos logo de mentir? Sasuke... Aquele cara... Até quando ele vai se atormentar?

Naruto baixou os ombros, e levou a mão até a maçaneta, entreabriu a porta e observou Sakura dormindo apoiada na mesa ao lado da caixinha.

— Não se trata mais dele... Nunca se tratou só dele...

— Mas ele é o único levando a carga nos ombros.

— Não é como se ele não merecesse! Ou como se Sakura... Se Sakura...

— Sakura sofreu, você sofreu ao vê-la sofrer, mas também por ver Sasuke sofrer. Não pode agora ignorar isso apenas para castigá-lo, não percebe? Aquilo... – Shikamaru apontou através da porta. — Não acha que é castigo o suficiente? Sufocante demais? As confissões de Sakura, eu sei que ele as ouviu, aceitando-as ou não. Mas não poder sequer confessar um sentimento desses, se manter sempre nas sombras, zelando daquilo que você teve nas mãos por tanto tempo mas não podia agarrar. O porquê não importa mais, burrice, adolescência ou vinganças. Não somos mais crianças que não sabem o que é amor e que só conhecem a própria dor. Somos cientes do que fazemos e do que deixamos de fazer, e por isso que Sasuke precisa se libertar, ou simplesmente admitir logo para si mesmo.

— O que quer dizer?

— Que ele tem que aceitar que a ama e sempre vai amar, e nada vai mudar pois se pudesse, já teria. E então, ele tem que finalmente se libertar, não do amor por ela, mas do erro de não tê-la correspondido a tempo.

— Acha que vai adiantar?

— Não sei. Só acho e realmente torço, que um dia Sakura seja capaz de corresponder a tudo plenamente outra vez. E Sasuke deve estar preparado para esse dia, seja para deixá-la ir de uma vez, ou lutar para que ela o reconheça e aceite. Algumas coisas nunca vão mudar, mas nós temos que nos transformar para aceitá-las a cada dia. O amor de Sakura? Eu não sei, o de Sasuke, ele não vai conseguir apagá-lo nunca, então ele deve reaprender a amá-la como puder, pois lutar contra isso, não é mais uma opção.

Sakura girou para a direita da cama, escondida sob as cobertas, só tirou uma mão e alcançou a barra do colete dele, dando um leve puxão.

Ohayô...? – Sussurrou, sonolenta.

— Ainda não amanheceu, volte a dormir. – Sasuke disse, baixo e vagamente.

Sakura soltou a roupa dele, satisfeita que ainda pudesse dormir mais, a madrugada estava fria no quarto por que ela deixou a janela aberta.

Sasuke permaneceu na semiescuridão, riscada por faixas do luar entrecortado pelas nuvens.

— Você acha que sou quente...? – Sua voz entoou, tão vago como um velho fantasma.

Sakura suspirou longamente.

Aa. – Declarou, se encolhendo mais, cada vez mais para dentro do sono, onde ás vezes ainda podia ver luzes e cores.

— Sinto muito, não posso mais fazer isso.

— Hm? Vai viajar de novo? Shisui-kun disse que você viaja muito, e que ás vezes demora muito... Sasuke-kun, só não esqueça de voltar.

E então ela adormeceu, muito pesado para se atentar a como o corpo próximo a si se curvou para a frente e tremeu por completo, como pela segunda ou terceira vez na vida talvez, as lágrimas escorreram descontroladamente pela face, e os dentes rangiam forçando um grito de agonia para dentro, como uma fera, uma bomba depressiva, implodindo e fragilizando toda a estrutura.

Até só haver frangalhos, um pedido de socorro enquanto rastejava pelas ruas vazias, onde só almas só menos perdidas que a dele ainda percorriam e vagavam.

Até mesmo a nova Konoha ainda tinha fantasmas, e ele era um deles arrastando correntes.

Ombros caídos e pés cansados, não havia vitória ou alívio no final.

Karin não dormiu bem de todo jeito, inquieta com a transmissão desde cedo e sem qualquer notícia de Sasuke ou dos outros, vagou pela casa escura, fez um chá, sentou na poltrona até reconhecer o chakra de Sasuke aproximando-se tão lento e com uma aura que conseguiu assustá-la tanto quanto na vez ele que enlouqueceu de ódio por Konoha.

Saiu de casa rapidamente, parando no meio da rua, esperou, assustada, até ver a sombra encarquilhada dele se aproximar aos poucos, cabeça e ombros baixos como um andarilho que perdeu todo o rumo, que perdeu aonde ia, e aonde já foi.

Talvez seu grande medo sempre tivesse sido que ele encontrasse Sakura, mas Karin descobriu que muito assustador era ver ele acha-la e sentir que ia perdê-la de novo.

Era ele achá-la e não conseguir se manter ao redor, ele sucumbir á própria pressão interna, á pressão de Naruto e os outros para que, de uma forma ou outra, pagasse por seus erros.

Talvez ele tivesse vergonha de admitir que suportara mais a posição daquele que busca vingança, do que a daquele que deve ser castigado.

Talvez dois anos de viajem de redenção, e mais outros servindo a aldeia de entre as sombras, nunca tivessem podido ser capazes de o amadurecer para lidar com Sakura, com o que ela representava.

Talvez tudo tivesse ficado cinza pra ele desde que soube ela não podia mais enxergar e ele só tivesse se enganado em achar que poderia reaver as cores junto com ela, de outras formas, sempre que ela evoluía um pouco mais e alegrava a todos.

E se pra ele nunca pudesse ser o bastante?

Ele era mesmo tão pecador assim?

Um garoto de menos de vinte anos, que perdeu família tão cedo, que teve tantos propósitos roubados e corrompidos, que cujo o destino foi traçado há milhares de anos na alma de dois deuses antigos, incitados a batalhar até o fim a cada novo encontro, era mesmo tão culpado assim de ter medo de amar?

O que havia para Sasuke e mesmo Naruto se eles não tivessem dado fim àquele ciclo de reencarnações inimigas?

Como poderiam ter certeza que tudo daria certo uma vez que era a primeira vez que esse ciclo era quebrado, que um novo, um novo rumo era traçado?

Nem mesmo a alma de Naruto sabia ainda, ele vivia enfurnado num escritório se entregando por completo pela paz e deixando o tempo passar, seus filhos crescerem longe de seus olhos.

Que final feliz poderia haver para Sasuke, o portador da linhagem do ódio, do amor absoluto, enlouquecedor de tão puro.

Tão branco, tão ínfimo, delicado.

Corrompível e manchável.

Porque todo mundo, por que ela, por que esperaram que o branco sujo de preto e vermelho poderia voltar a ser branco?

Karin o abraçou, apertado e firmando bem os pés no chão para, pela primeira vez na vida, verdadeiramente suportá-lo.

Pois foi Sasuke que suportou, pois ele sempre ia pra longe para não pesar sobre ela ou seus filhos, ou Konoha.

Então o segurou firme ali mesmo, acarinhou seu cabelo, sentindo o ombro aos poucos ficar úmido de lágrimas, dessa vez ela que engoliria o choro.

— Está tudo bem, está tudo bem. É assim que é mesmo, você percebe?

— Eu não posso. – Afirmou ele, em frangalhos.

— No começo é assim mesmo. – Ela riu, suavemente. — Dói muito, talvez mais do que quando você se mantém em negação. Mais do que quando admite pra uma parte, e nega para o resto.

— Eu sempre soube.

— Eu sei que sim. Mas é incrível como é diferente não é? Mesmo que você soubesse o quanto ama, essa pessoa especial, é totalmente diferente de olhar dentro de si mesmo, ouvir sua voz interna dizer claro o bastante, tão claro que você sente que precisa ser amordaçado para não escapar...

— Eu a amo.

— Uhum. Diga de novo.

— A amo.

— Diga quantas vezes for melhor para você. E o peso vai sair aos poucos.

— E o que... – Sasuke ganiu, entrecortado por soluços. — O que vai ficar no lugar...?

Karin sorriu com ternura, abraçando os ombros dele.

— O que ficar vazio vai finalmente se preencher de amor. A existência dela, vai te preencher completamente, e não importa se não puder dizer isso a ela hoje, amanhã ou nunca, cerque ela com amor, e ela vai te dar amor tão bem quanto puder. Por que amor não é só posse, só dois, só um, família ou mesmo amigos, quando amor é amor, nem mesmo vai precisar disso para amar e ser amado. Seja uma existência que ama, e será amado. Aceite que a ama, e se sinta amado, ame a si mesmo um pouquinho também... – Pediu, batendo de leve nas costas dele. — E saiba que já é amado, Sakura o ama do jeito dela agora, eu amo você, nossos filhos amam você, seus pais e Itachi amavam você, um monte de gente ama você, mesmo que não admitam. Então se ame um pouquinho, aceite que merece isso, assim qualquer um de nós só vai te amar mais, sim?

E talvez o branco, finalmente voltasse a ser branco aos pouquinhos.

Meses depois.

— Sakura? – Sakura afastou o nariz do arranjo de flores sob a bancada e voltou a atenção para os fundos da loja de Ino.

— Estou aqui.

— Pare de esfregar o nariz nessas flores, garota. Venha vou fechar a loja agora.

— Tudo bem, eu acho que já vou pra casa.

Ino trancou os fundos e ambas contornaram o balcão, seguindo para fora Sakura ficou abaixada perto de uma caixa de flores, foi quando o vento bateu em seu rosto e nelas, e o cheiro envolvê-la numa doce bruma nostálgica.

— Nee, Ino. Que flores são essas? – Indagou, tateando-as de leve.

— Hm? São narcisos. – Ino disse, após trancar a porta da loja, e boceja, ainda tinha que ir para o hospital.

— Narcisos...? Por que eu de repente...? Eu gosto tanto? Eu posso levar?!

— Huh?! É uma caixa inteira! De todo modo, já estão encomendadas.

— Aah.

Ino suspirou, se aproximando e pegando um longo talo.

— Bem, sempre coloco algumas a mais caso algo se estrague no transporte. Então tudo bem levar essa.

— Jura?!

— Terá que por na água se quiser que dure mais.

— Obrigada! Já estava indo pra casa mesmo.

— Tem certeza que quer ir agora? Vai ficar sozinha mesmo.

— Eu gosto de ficar na minha casa, e posso ouvir as crianças brincando e acho que Juugo volta hoje de missão, ele trará bolo.

— Por que eu me preocupo? Onde quer que vá, é mimada mesmo. – Ino sorriu.

Sakura seguiu ao lado dela, segurando a flor perto do nariz e inspirando, uma expressão meio sonhadora até.

— Está pensando em algo?

— Hm?

— Parece estar lembrando de algo...

— Oh. – Ela corou suavemente, com um sorriso acanhado. — Não estava pensando em nada realmente, só decidi que gosto dessas flores, eu posso ter mais delas?

— Bem, já havíamos decidido que cuidar de plantas é uma forma de mostrar responsabilidade.

Sakura não pode deixar de rir ao lembrar que Shikadai recebera um pequeno cacto de presente do tio Gaara justamente com esse propósito.

E como Ino amava flores e plantas, era de se esperar que pensasse da mesma forma.

— Mas talvez devamos começar por algo mais fácil de cuidar? Cactos estão fora de questão.

— Já disse que não sou tão estúpida pra me espetar numa planta... – Resmungou.

— Já disse que nem vamos discutir essa parte...- Ambas dobraram na rua do hospital.

— Eu poderia ter um gato, dizem que gatos são bastante independentes.

— Nada de animais. E considerando que você ainda trata o Satoru-kun como um prisioneiro torturado de borracha, nenhum gato ficaria por perto muito tempo.

Sakura encolheu os ombros, um pouco mal, ainda era difícil conter o hábito de apertar e abraçar o gatinho fofo que Kakashi criava sempre que ia visitá-lo.

Ela tinha que começar a conter seus acessos de abraços com pessoas também, e talvez fosse receptiva demais? Era estranho para ela ainda, mas parecia que algumas pessoas realmente ficavam nervosas com alguém muito efusivo por perto.

Não gostava de se sentir rejeitada, mas tampouco queria sufocar com seu desejo de agradar e ser útil.

— Eu fico por aqui, então tome cuidado, não ande sonhando por aí. – Ino aconselhou.

— Sim, sim.

— Não quer visitar o pessoal?

— Hoje não, amanhã talvez, quero consultar Tsunade-sama sobre algumas coisas que não entendi...

— Ai, você só pensando em estudar de novo. – Ino lamuriou. — Algumas coisas nunca vão mudar, hein? Até mais.

— Até!

Sakura seguiu pela rua, sempre pelo lado da calçada oposto a rua, agora era um pouco mais fácil caminhar sem precisar de ajuda ou guia, estava acostumada com boa parte dos trajetos que fazia e muita gente se oferecia para ajudar.

Mas talvez ela estivesse realmente distraída como Ino apontou, logo estava seguindo um caminho que era mais intuitivo, sutilmente motivado pelo aroma do narciso.

Sakura sentia um leve amargor na boca, quando fechava bem os olhos e respirava fundo, mas em algum ponto desse sabor, o que parecia ser a lembrança por trás dele se dissolvia num novo sabor.

Ainda era meio amargo, e meio outra coisa, ela desconfiava que fosse doce, pois era o único sabor que não sabia sentir mais, apenas uma sensação dormente, agridormente, ela chamaria. Uma lembrança cuja a melhor parte ela era incapaz de saborear, mas estava lá.

Não sentia, mas não soava ruim, apenas um pouco triste.

Sakura parou, num caminho de paralelepípedos, sentia o vento vir bem forte, indicando que não estava mais numa área muito urbana, e pouco ouvia a movimentação das pessoas agora.

Ainda assim, não se sentiu medrosa, ainda era Konoha, algo sobre os passos que fazia, mesmo tendo certeza que não andara por ali, a dava a breve impressão de já ter passado antes.

Talvez fosse relacionado a vida que esqueceu.

Ás vezes ela tinha essa impressão, quando Tsunade brigava com ela, Ino também, quando Naruto dizia alguma coisa estranha, ela cogitava se não dar um cascudo ajudaria ele a pensar direito.

O sabor do Ichiraku e a mão gentil de Kakashi em sua cabeça, tudo isso a emocionava bastante, mesmo não lembrando nada concreto, estava feliz de ser um pouquinho ainda, aquela pessoa que eles tanto amavam.

Gostava de si como era agora, mas gostava de saber que não era tão diferente daquela pessoa que um dia foi. Que as pessoas pudessem olhar pra ela e ver a outra, que pudessem sentir falta da outra, mas também gostarem dela ainda.

Estava feliz desse jeito.

Por que no fim, isso só mostrava que, ela era totalmente amada, não importava quantas se tornasse, ou deixasse de ser.

Ainda que fosse um novo alguém perigoso...

— Este caminho... Só é tomado por aqueles que pretendem deixar a vila. – A voz.

Sakura não se virou, captando só então sua presença, tão perto que a plácida respiração era capaz de lhe acariciar os cabelos.

— Sasuke... kun?

Tadaima, Sakura.

Sakura se voltou para ele. Lentamente, como se algo ainda não encaixasse.

Por que estavam ali, parecia certo, por que ele dizer que estava de volta, parecia errado? Fora da forma original?

Por que doía, e por que estava mais feliz do que julgou possível? Nem importava.

Deu um passo a diante e o abraçou, Sasuke envolveu-a, firme e tão carinhosamente que mais uma vez ela se perguntou se era ele.

E mais uma vez não importava, pois era bom demais que estivesse acontecendo.

Esta pessoa estava lá com ela.

Sasuke inspirou seu perfume do cabelo, como se também houvesse um espaço para ele dentro de si.

Totalmente preenchido por ela, somente sua presença.

Então isso era amar Sakura.

Isto era ser amado por ela.

Era libertador.

Olhou em volta, se perguntando que tipo de capricho era esse. Essa via que uma vez marcou uma separação deles, de certa forma o permitindo ficar com ela desta vez.

Ficar ao lado dela e receber o que quer que ela pudesse lhe dar, proteger sua existência e seu coração.

Sasuke finalmente descobrira como amar ela sem culpa.

Ambos se sentaram no banco próximo, Sakura deitou a cabeça no colo dele, ainda segurando uma flor consigo. Sentia em Sasuke cheiro de deserto.

— Você estava em Suna?

— Não. Noutro deserto. Noutro lugar ainda mais distante.

— Eh? Você demorou tanto, mas Naruto disse que era normal.

— Sim, é.

— Trouxe presentes?

Sasuke suspirou, pensando em onde esteve antes de passar pela dimensão do deserto. Aquele lugar também tinha seu significado. Se tornara um caminho que ele sempre acabava fazendo. Seja na ida ou na volta.

— Não são exatamente presentes. E quanto a sua segurança? Nenhum Shin apareceu?

— Não. Mas estão seguindo algum rastro deles. Acho...?

— Entendo... Aonde estava indo sozinha?

— Para casa.

— Por esse caminho?

— Er... Errei um pouco.

— Não estou exatamente surpresa.

— Ah, também não trate assim, não sou tão estúpida.

— Sei que não. – Ele riu suavemente, acariciando a tez dela com o dorso da mão.

Sakura se perguntou quando ele se tornara mais afável com ela assim.

Não que ele já não fosse, mas ele geralmente era o que diziam ser introvertido, alguém que não costumava demonstrar afeição fisicamente ou verbalmente, mas com ações.

Sasuke estava sempre lá protegendo-a, e Sakura sabia que quando ele se distanciava era por ela também além dos outros deveres para com a vila. Ele era alguém indispensável por conta de suas habilidades únicas, assim como ela foi um dia, e gostaria de ser novamente.

Mas geralmente, no entanto ele nunca ficava muito tempo tão perto dela se não houvessem mais pessoas, e Sakura sempre evitava falar demais para não espantá-lo, achava que era esse o motivo.

No entanto, não havia por que reclamar da atenção que tanto gostava, assim como amaria estar mais tempo ao redor de Naruto, só que ele era muito ocupado.

Ah, também não podia monopolizá-lo, pois ele tinha as crianças para dar atenção, e mesmo que não morasse mais com Karin, Sakura sabia que a relação deles ainda era estreita e calorosa.

Famílias eram algo estranhamente complexo, algumas pareciam tão únicas como o clã Hyuuga não a passavam todo esse calor, mas Sasuke, Karin, os filhos, Suigetsu e Juugo, mesmo vivendo vidas quase distintas a faziam sempre se sentir abraçada d alguma forma.

Viver na casa nos Uchiha foi um pouco assustador por que ela não entendia exatamente como eles funcionavam enquanto família, era diferente das outras que viveu. Mas agora ela entendia que eles ainda estavam se ajeitando no próprio encaixe e Hinata disse que agora eles descobriram como era sua fôrma, e seriam bastante felizes.

Ah, talvez por isso Sasuke estivesse ali, ele estava feliz?

— Nee... Sasuke-kun?

— Hm?

— Você é feliz?

Sasuke fitou-a ligeiramente, seu rosto e olhos atentos, esperando a resposta, naquela continuamente viva moldura de fios que se enroscavam nos dedos deles suavemente.

Olhou para a frente, e para aquela via, lembrando facilmente daquela noite de lua décadas atrás.

Um “obrigado” sussurrado como despedida, que acabou se tornando quase uma promessa.

— Sim, eu sou. – Admitiu.

Havia muito o que resolver ainda, perigos, sentimentos, mas ele poderia sim olhar honestamente para ela, para a frente e dizer aquilo.

Mais uma vez, cumprindo a promessa.

— Obrigado, por isso.

Sakura não entendeu pelo o que ele agradeceu, talvez fosse para os deuses até.

Mas sentiu um profundo calor e significado naquelas palavras, uma emoção genuína e felicidade, tanto que se encolheu com um pouco de vergonha.

— De-de nada...? – Gaguejou, Sasuke riu mais uma vez e ela agora esperava ouvir isso sempre.

Se ele estava rezando, também rezaria.

Que ele alcançasse ainda mais felicidade, que ela pudesse estar ao lado dele e de todos quando esse dia chegasse.

Notas finais
E para quem talvez não tenha entendido a nova posição do Sasuke a partir desse ponto, eu só poderia resumir melhor com essa frase linda do nosso sannin mais saudoso: "Eu amo uma mulher... mas não vou obriga-la a me amar, vou cerca-la com meu amor enquanto... rezo por sua felicidade." - Jiraya. Ou seja, Sasuke finalmente, olhou para dentro de si e disse a si mesmo: "Eu amo essa pessoa, e nada vai mudar isso" Não há mais o que mentir, fugir ou negar. Não há também como compensar ou voltar atrás, não poderá mais continuar se escondendo atrás da culpa por mais merecida que seja, "Se ame um pouco mais" é o que Karin lhe pede, por que ele tem menos autoestima do que aparenta, ele formou uma família e se tornou alguém necessário para a vila, mas ainda não sentia que havia liquidado sua dívida e havia esquecido que independente das suas decisões passadas, ele não foi mais do que um produto do meio, e manipulado por forças que até mesmo vem de outras vidas. É a primeira vez q ele e o Naruto quebram esse ciclo vindo de Indra e Ashura, Madara e Hashirama e sabe-se lá quantos outros, a gente não poderia esperar q eles simplesmente soubessem fazer tudo certo dali em diante. Naruto se deu melhor, mas ele ainda tem grandes falhas a tentar arrumar, e o Sasuke sempre foi o nosso menino puro que acabou não podendo ser salvo da mácula de outros. Enfim, agora ele aceita que a ama, e como a ama é o que menos importa agora, chega de se culpar por desejá-la e de se culpar por tê-la rejeitado, isso significa q ele vai só ignorar seus pecados? Não, mas que vai pensar mais nos acertos, se aceitar como humano falho e principalmente, se conformar que agora, amar Sakura está além de algo entre homem e mulher, amigos ou por conta de uma dívida por ter rejeitado ela por tanto tempo, agora, amar Sakura significa aceitar a condição dela, zelar por ela, proteger e não fugir dos próprios sentimentos, expressando-os da maneira que ela possa absorver. Isso significa que ele vai pra cima dela ate conquistá-la e daqui em diante teremos um Sasuke apaixonado tentando ganhar o coração dela? Não, mas teremos um amor verdadeiramente platônico, (ao menos até que chegue o dia em que ela seja uma mulher por dentro e por fora novamente u.u) onde ele vai respeitar o tempo dela, e nunca irá fazê-la sentir-se minimamente desconfortável o se sentir-se como uma criatura suja q vai machucá-la eventualmente. Eu sei q muita gente tava preocupada com essa parte, de um dia ele acabar escorregando na banana e fazendo algo sexual num momento em que a Sakura não tem mentalidade para entender. Mas volto a dizer, ela vai ser respeitada sim, ela vai amadurecer SIM, inclusive acho que já notaram q nesse cap ela já está bem mais atenta e madura, mas também devem ter notado que mesmo que o Sasuke quisesse avançar nela, ele não obteria êxito pq sempre q ela pensa no quanto gosta dele, ela relaciona esse gostar com o gostar de Naruto, Ino, de todos com quem vive, então como o Sasuke já havia notado vários caps atrás, ele agora não tinha um lugar só dele na vida dela, agora ele era um entre muitos q ela amava por igual. Entoon, assim como vai demorar um pouco para que esse amor possa deixar de ser platônico da parte dele, vai demorar para ela começar a ver ele como homem (algo q só vai acontecer quando ela própria começar a ser ver como mulher) além q a gente tem altas tretas pra resolver ainda né? 3:) Inclusive, acalmem-se q no próximo as sofrência vai voltar com tudo, muahahaha Enfim, sorry pelo textão! Até a próxima, tmb tentarei manter as postagens semanais ou até quinzenais, mas deixo claro q a semanal oficial agora em diante é Vingador, inclusive sorry pra quem ta esperando att, espero trazê-la nesse findi semana! bjokas e vamos comemorar! LOST INSIDE TÁ DE VOLTAAAAAA!! Sigam a page pra ficar por dentro das noviadex > https://pt-br.facebook.com/KinesterFanfictions/ Espero suas opiniões ansiosamente!