Lost Inside
8 Não a deixe sentir o sabor.
Notas iniciais

– a questão é, onde? – disse Shikamaru – onde ela pode morar?
– na casa dela? – disse Sui.
– a casa foi vendida – suspirou Ino – com a morte dos pais dela e sem ninguém para reivindicar, foi para o estado, agora se tornou um depósito, não tem mais nada lá, destruíram e se tornou um galpão.
– e a mobília? – disse Juugo.
– a maior parte foi para o leilão também, eu arrematei alguns pertences da Sakura, e outros, eu fiz questão de roubar se quer saber – ela ironizou.
– sério?
– ninguém segura essa mulher – Sai admitiu meio pesaroso — tudo o que temos é o bastante apenas para o quarto dela, e agora mesmo que tivéssemos a casa, ela teria que passar por reformas também, afinal, Sakura não enxerga, não pode morar em qualquer lugar.
– tem razão...
– e mesmo que ela já tivesse um lugar não poderia voltar para ele tão cedo — Naruto interveio – a vovó disse que ela precisa aprender a conviver, e ter uma rotina e aprender as coisas, do jeito que ela está, não podemos simplesmente joga-la numa casa, por mais bem preparada que esteja para recebe-la.
– talvez nem precisemos, ela pode lembrar destas coisas básicas com o tempo – disse Temari – ah, mais isso só o tempo dirá...
– e mesmo que ela lembre como é viver sozinha, ela não saberá viver sozinha com a cegueira...- suspirou Karui. – podemos contratar um cuidador para ela? Eu realmente não me importo de ajudar com as despesas.
– nesse quesito dinheiro não é problema, tudo o que foi vendido eu acrescentei nas economias dos Harunos, eles já tinham um bom dinheiro guardado acho que com a demora de Sakura, tiveram ainda esperanças de recebê-la talvez muito machucada, queriam ter certeza de que poderiam custear qualquer pagamento ou mesmo um pedido de resgate, Sakura está bem assegurada por um longo tempo, eu já entrei com a papelada para desvalidar seu atestado de óbito e pô-la novamente nos registros públicos, e agora nesta situação, também entrei com o pedido de pensão.
– pensão? – Sasuke pronunciou pela primeira vez, e ele assentiu.
– ela está cega, e foi pega durante uma missão, Konoha, o país do Fogo, devem a ela um aposento por invalidez causada pelo serviço.
– hn.
– e com os feitos que ela tem, isso pode gerar uma boa pensão – disse Ino – ela lançou livros, escreveu teses, serviu em varias aldeias, e criou até mesmo o Hospital de Cuidados Mentais para Crianças.
– sim, ela está assegurada.
– pelo amor, quem vai administrar todo esse dinheiro? – exclamou Tenten.
– estive pensando em dar essa tarefa a Tsunade, não seria nada demais afinal, apenas tiraria uma quantia que vá mantê-la todo mês, como tutora dela, Tsunade só teria que apresentar os recibos e comprovantes de pagamentos para mostrar que todo o dinheiro está sendo investido apenas em Sakura, porém isso exige que ela vá a todo lugar com ela...
– o que eu posso fazer – Hinata deu ombros.- basta guardar cada recibo com cuidado.
– isso todos nós podemos fazer, alias, todos nós poderíamos ter a Sakura um tempo. – disse Ino.
– como assim?
– ela precisa de um lugar e companhia, podemos fazer assim: ela pode ficar cerca de duas semanas a quinze dias na casa de cada um.
– pra mim está ótimo! – disse Sui, e todos o encararam – o que?
– certo, vamos reformular, com os solteiros ela só fica uma semana.
– exatamente – Naruto concordou.
– nani?! Pensam que eu sou um pervertido?! E o Juugo também é gente fina!
– e eu?! – disse Tenten. – ora bolas...
– certo, menos a Tenten...
– humpf.
– E não se trata só de você ser um pervertido... – disse Sai.
– huh?!
– você é um homem, e Sakura uma bela mulher...
– huh? Uma o que? – Ino indagou puxando a orelha dele.
– itai...
– repita de novo seu branquelo!
– estou sendo realista, mulher! Ela é bonita e totalmente indefesa nessas coisas, não pega bem ela ficar na casa de um cara, as pessoas podem pensar coisas erradas, então a priori é que ela fique entre famílias.
– humpf, faz sentido...
– ou poderíamos casa-la – disse Kiba.
– você é retardado?
– ora...
– acha que eu não pensei nisso?! – todo mundo encarou a loira.
– você é louca ou que?! – disse Naruto.
– olha aqui, ela já tem quase trinta anos, independentemente de estar fadada a cegueira ela não tem que morar sozinha, sei que parece uma solução mesquinha, mas ela merece ter um bom marido, alguém que cuide dela.
– um marido, não uma babá – Sasuke disse, e ela o encarou afiadamente, e empinou o nariz.
– se ele a amar, vai cuidar dela. – rebateu, seca.- e talvez ela também não possa ficar na sua casa, não pega bem também.
– hã?
– exatamente, mesmo que você tenha crianças...
– erm...- Hinata gaguejou com o clima tenso – gente...
– uma pena pra você, mas eu não ligo – ele cortou.
– huh?
– ela fica na minha casa o tempo que for preciso e quando for preciso.- declarou seco, ela entreabriu a boca para rebater, sentada no braço da poltrona onde Sai estava, e ele abraçou sua cintura meneando a cabeça para que se aquietasse, ela virou a cara bufando indignada.
Ele não podia falar dela, principalmente por que agora percebia que só falara aquilo para não se deixar ser pisado pela mágoa irritante da Yamanaka, ele não queria Sakura em sua casa, embora soubesse que seus motivos não eram o bastante já que todos estavam passando por cima de todas as mesmas questões.
Ela poderia dar trabalho e estresse.
Ela poderia atacar as crianças.
Ela poderia empatar a vida da família.
Ela poderia causar discórdia entre eles.
Ela já estava fazendo isso, de certa forma.
Ele também não queria admitir que Karin ficaria furiosa com a ideia, e que isso geraria falatórios pela vila inteira, que atingiriam ela, ele e as crianças.
Mas ele não queria se sentir em dívida também, talvez cuidar de Sakura devesse ser um dever só dele, mas seria também egoísta, agir como se ela fosse um castigo, ou uma provação, ela não escolheu ser levada, ela nem sequer fugira da vila.
Ela estava provavelmente seguindo com sua vida quando gente que deveria querer atingir a ele, a pegou.
E lembrar daquele moleque com sharingan, ascendia sua ira e ânsia de sair da vila em busca de pistas.
– muito bem, já estamos decididos – disse Temari – Sakura será liberada na segunda feira, Tsunade disse que poderia ficar com ela também, mas acho que ela já tem trabalhado demais esses dias.
– ela precisa descansar – Naruto disse.
– nós podemos sortear, fica mais justo – disse Hinata.
– e só podem contestar se forem para missões na vez de vocês – acrescentou Karui.
– exatamente! Maaaaas como Sakura ainda pode estar em perigo, e meio instável eu, sugiro que o primeiro da rodada não deva ser sorteado, por que tem que ser alguém forte e que ofereça boa segurança e espaço para ela olhar o sol o quanto quiser! – O Uzumaki disse, orgulhoso, Hinata riu abraçando seus ombros.
– e quem você sugere? Anata...
– eu! O Hokage!
– argh – o resto revirou os olhos.
– mas ele tem razão, a mansão é grande, e ela parece gostar de ter espaço – o Nara disse.
– ela se sente sufocada facilmente – disse Ino – e bem, gosta de crianças, e do Boruto, pode ser melhor mesmo.
– ah ,o Boruto vai precisar de uma cadeira de rodas pra não ficar caindo, ele desaba sempre que lembra daquela bitoquinha. – Naruto riu.
– pervertido como o pai e cai fácil como a mãe – desdenhou Tenten.
– então está decidido, Hinata e Naruto se encarregam de Sakura quinze dias a partir de segunda feira, os próximos serão sorteados, e nos reuniremos todos aqui. – declarou Shikamaru.
– agora vamos comer? – disse Chouji.
– ótima ideia, Chouji — disse Naruto, e eles enfim chamaram alguém para servir a carne, estavam numa sala particular da churrascaria, e já era noite.
Desde que Sakura declarou sua vontade de sair do hospital, perceberam que ela dissera querer ir para casa, mas não fazia muita ideia disto, ou lembrava dos pais. Significava então, que ela estava apenas farta de ficar no quarto, isolada, e apenas recebendo visitas. Mesmo aquele grande quarto, deveria ser desagradável para ela, por isso buscara a liberdade à força. E esteve satisfeita em sair toda manhã e fim de tarde para caminhar no pátio do hospital, e também para o terraço onde podia apreciar o ultimo calor solar do dia.
Ela não chorou mais depois disto, mas Shizune comentara que a primeira vez foi quando tomou um bom banho e sentiu o cheiro da loção de jasmins.
Ela se emocionava ao redescobrir certas sensações.
Sasuke não se demorou muito mais, comeu apenas um pouco e foi o primeiro a se retirar, ao chegar ao distrito, contornou a casa e entrou pela porta da cozinha, encontrou Karin lavando a louça e pelo som da paz presumiu que as quatro crianças haviam encontrado algo que agradasse a todas em frente a TV.
– achei que fosse demorar mais – ela disse, ele trancou a porta.
– barulhentos demais, como sempre foram.
– hum, posso saber o motivo de uma reunião tão importante?
– apenas sobre Sakura, estavam decidindo quem cuidaria dela quando saísse do hospital.
– presumo que a Yamanaka tenha passado por cima de todos para tal.
Sasuke puxou a cadeira e se sentou apoiando o queixo sobre o punho, pensativo avaliando novamente o ambiente familiar que tinha, sua casa era grande, mas não a principal do distrito, aquela só poderia ser bem mantida com a ajuda de empregados.
Karin gostava de cuidar da casa e era extremamente ciumenta com ela, cada coisa posta em seu lugar de maneira metódica e organizada, ela dizia que tudo fazia parte dela, tinham seis quartos, um servia como depósito, outro para hospedes e os outros quatro bem ocupados, Sakuya, sendo a única menina, tinha um apenas para si, Shisui era o mais velho e também tinha tal privilégio e Mangetsu e Izuna dividiam o segundo maior quarto, atrás apenas do dos pais, o que lhe pareceu justo já que não podiam ter o próprio, e com Mangetsu passando também bastante tempo com o pai e dormindo com ele, o lugar era praticamente domínio de Izuna.
A sala era espaçosa mas com diferenças no relevo que o deixaram perturbado agora. A parte em que ficava o sofá e mesa de centro ficava um degrau abaixo em forma de circulo, o espaço onde se localizava a estante, dois degraus acima, e na janela havia um estofado espaçoso, onde se permitia guardar livros e bibelôs na beira da vidraça, na parte fofa estava cheia de almofadas e dava espaço para se deitar e olhar a rua do distrito, as árvores da calçada e a varanda espaçosa.
A cozinha não era das maiores, mas confortável para Karin, uma mesa grande para tanta gente colada a outra vidraça que dava visão para os fundos com um pomar que era compartilhado entre os vizinhos e mais ao fundo um rio, pequeno mas fundo o bastante para ele proibir a ida dos gêmeos que eram o mesmo que pedras ao se jogar na água.
Afundavam fácil e rápido...
Tudo muito bom para uma família grande, mas uma armadilha mortal para um deficiente visual.
Ela precisaria de atenção quase o tempo todo, e quem teria de dar...
– nem ela poderia se dar ao luxo, trabalha no hospital — ele disse com um suspiro. — a guarda se tornou compartilhada, entre todos.
Karin largou a esponja, desligou a torneira e se voltou para ele.
– Sasuke, não me diga que estamos nessa.
– estamos.
– você...você é louco? Eu não quero essa mulher aqui! Nem pensar! Não!
– não é como se ela fosse morar aqui, talvez nem chegue nossa vez, dependendo da forma que ela vai progredir.
– como assim?
– vamos sortear a vez, e ela só ficará no máximo um mês, neste meio tempo ela será auxiliada da melhor maneira possível para que possa se adaptar, Naruto está cuidando, para que possa ser mantida financeiramente, e logo arranjarão um bom lugar para ela.
– um sorteio, Sasuke? Por favor, ela pode ser jogada pra nós na primeira rodada e isso eu não vou aceitar, aquela mulher é instável! Eu não a quero perto dos meus filhos.
– tudo se supera – ele cortou, frio.
– mas eu não! Eu não gosto dela, e não a quero perto das crianças e nem de você!
– posso saber por quê?
– a última coisa que preciso é de você tomando-a por pura pena! – ele se levantou de uma vez, o som da cadeira indo para trás, a fez recuar cautelosa, Sasuke contornou a mesa e seguiu para o corredor.
– não vou cometer o mesmo erro duas vezes – ele murmurou, baixo, mas incisivo e gelado o bastante para derrubar todas as estruturas da mulher.
Sasuke seguiu para a sala e encontrou-a vazia, percebendo o barulho vindo de cima, ficou satisfeito em pelo menos desta vez estar livre de olhares curiosos e pesarosos, embora Shisui ignorasse as brigas por entender o temperamento da mãe, Mangetsu e os gêmeos ficavam amuados às vezes.
Ele subiu e acabou com a bagunça que promoviam no quarto dos meninos, mandou todos para a cama, inclusive o mais velho que adorava ficar até tarde lendo.
Após um banho ele se deitou sozinho na cama, sabendo que Karin dera um jeito de trazer conhecimento da briga aos filhos, indo dormir com um deles.
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– Sakura-chan? Seja bem vinda! – disse Naruto, Hinata soltou-se do braço dele e seguiu até a mulher, enlaçando seu braço no próprio a puxou para dentro da casa, Shizune as seguiu sorrindo e trazendo consigo uma bolsa pequena.
– foi tudo bem no caminho? – Naruto perguntou a ela, enquanto Hinata guiava a mulher para que conhecesse o ambiente.
– ah, alguma olhadelas, e cochichos, mas o melhor de tudo, cumprimentos!
– quem cumprimentou?
– ah, as pessoas, não é tão difícil reconhece-la afinal, mesmo depois tanto tempo, o importante é que estão acolhendo-a mesmo que tenham certo receio.
– isso é ótimo, Shizune!
– sim, é sim.
– como está Tsunade-sama? Muito trabalho?
– ela está cheia de mau humor e louca por saquê como sempre, preferia ter vindo que ficado lá, e sim, tem bastante trabalho. — o nanadaime suspirou olhando para trás e vendo Hinata oferecer os porta-retratos sobre estante acima da lareira.
– e pensar que Sakura poderia a estar substituindo...
– nunca é tarde, ela ainda tem tempo.
– sim...
– administrar um hospital é realmente difícil, mas quanto a exercer a medicina, ao menos isso temos de ter esperança que ela possa voltar a fazer.
– você acha mesmo?
– Sakura lembrou de algumas coisas, mesmo que tenha perdido a noção de como faze-las, ela lembra, se ensinarmos aos poucos, ela pode lembrar ainda mais, mas por agora temos que focar em ensina-la braile, só assim ela pode voltar a ler os livros.
– entendo.
– vou leva-la para o seu quarto – disse Hinata começando a subir as escadas calmamente – um de cada vez...
A Haruno chegou a quase tropeçar nos primeiros, mas logo percebeu a que altura cada pé deveria subir para achar o próximo degrau, e assim logo estavam cruzando o corredor.
– deste lado – Hinata disse, deixando-a próxima do lado esquerdo para que sentisse a parede e achasse as portas – a primeira é o escritório, a segunda é o quarto de Boruto, a terceira, é o seu quarto, mais adiante temos outro corredor, ainda se for para esquerda de novo, vai achar a porta da biblioteca.
– biblioteca...?
– sim, um espaço cheio de livros, depois tem outro quarto, agora vamos para a direita...- ela a guiou na direção contrária. – nesta primeira fica um banheiro, na segunda um dojo onde as crianças geralmente treinam e mais a frente, o quarto de brinquedos da Himawari.
– brinquedos...?
– sim, foi um mimo do avô dela, não teve jeito, Boruto morre de ciúmes mas o quarto dele em si já é um parque e uma zona, agora vamos voltar ao começo, ainda pela direita.
Elas deram a volta e estavam novamente no corredor.
– está porta é do quarto de Hima, a segunda é o meu e de Naruto, a terceira é outro quarto de hospedes, está desocupado, e trancado pra que você não se perca a toa, agora vamos descer e conhecer a cozinha, o jardim e outras salas bobas que essas casas enormes sempre tem.
– passeio divertido? – Naruto disse, quando as viu descerem.
– foi ótimo agora vamos à cozinha.
– Himawari já chegou, disse que vocês iriam cozinhar e correu para lá!
– eh? Oh, é mesmo ela quer te ensinar a fazer pãezinhos!
– pãe...zinhos...?
– sim, ela adora cozinhar, vamos lá.
Hinata a levou outra vez, Shizune se levantou oferecendo a bolsa a uma empregada.
– aqui estão algumas coisas que ela vai precisar, ainda tem poucas roupas mas Ino disse que viria amanhã e ela e Hinata a levariam para fazerem compras, em resumo tem coisas para higiene que Hinata vai saber lidar, e também um remédio.
– remédio?
– Sakura nunca dorme assim que se deita, chega a ficar horas acordada.
– por que?
– não sei, ela parece descansar assim que deita o corpo mas sua mente demora a desligar e ela fica fora da realidade, tal como quando está ativa, instrua os meninos a não tentarem tira-la de sua distração de forma abrupta, ela pode estar revendo ou revivendo algo que a faça reagir de maneira violenta.
– claro...
– bastam algumas gotas na água, ela sente o sabor mas não se importa, sempre que tomar deixe-a continuar pensando até que o efeito venha.
– hai.
– eu tenho que ir, até mais, e aviso que Tsunade passará aqui pra vigiar vocês.
– hehe, com certeza, obrigada, Shizune.
– não tem por onde, boa sorte.
– claro.
Ela se retirou, Naruto seguiu para a cozinha e parou na porta vendo Himawari de joelhos sobre o banco toda eufórica em instruir Sakura como amassar a massa de pão com as mãos, Hinata observava tudo com bom humor.
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– com ela está? – disse Shika enquanto adentravam a grande sala, Sasuke olhou a volta conferindo o imobiliário e o piso, quando percebeu que estava fazendo outra avaliação, suspirou pesadamente, atualmente ele vinha avaliando todo e qualquer espaço por onde presumia que Sakura pudesse ao menos cruzar, ruas, praças, calçadas. De fato, Konoha não era um exemplo de acessibilidade para deficientes em geral, no centro as ruas e calçadas tinham todas as sinalizações necessárias, mas à medida que se aproximavam das periferias...
As calçadas estavam em bom estado, mas não tinham rampas nem sinalização para deficientes visuais.
Já na sala da mansão ele ao menos sabia que Sakura não cairia de degraus, e no máximo bateria em alguns moveis, felizmente a casa era bem enxuta neste quesito, apenas dois sofás longos e semi circulares, uma poltrona, estante para a TV, e uma mesa no canto voltada para a janela onde agora, Boruto batia cabeça com o dever da academia como se tivesse de resolver um problema mortal.
Pra um filho de Naruto, deveria ser mesmo.
– ela está bem! – Naruto afirmou, animado — Ino e Hinata vão leva-la a tarde para comprar mais roupas e estas coisas que mulheres precisam.
– ótimo.
– ela está lá em cima, vamos – os três subiram e apenas seguindo aquele poderoso chakra chegaram a um dos últimos quartos do andar, ao entrarem haviam tanto rosa que Sasuke achou que algo tivesse caído em seus olhos ou mesmo que fosse Sakura sendo agressiva, mas percebeu que as paredes estavam cobertas de tinta cor de rosa, com flores brancas e lilases, as grandes janelas tinham cortinas em tom lilás e havia uma grande casa de brinquedo no canto, cujo teto quase tocava o do aposento, cheio de entradas e saídas em formas diferentes e um escorregador. Haviam ursos de todos os tamanhos espalhados, uns que pareciam ratos, outros que tinham altura de um homem adulto, os grandes olhos de vidro davam até certo desconforto.
Sob a luz do sol que entrava na janela, Himawari e Sakura tomavam chá, ou ao menos simulavam isso com um conjunto de louça de porcelana pequeno e delicado, cercadas de bonecas e de mais ursos.
– você quer açúcar? – ela perguntou, só que não a Sakura, mas a uma boneca de pano que fora deixada sentada sobre uma cadeirinha, ela escorregou do banco para o chão e para Sasuke soou como um não...- oh que falta de educação, nem se despede! – a menina resmungou pegando a boneca e então os notando, largou-a e correu para os braços do pai. – otou-san!
– olá hime?! Estão se divertindo?!
– haaai! Estamos tomando o chá, mas não diga a mamãe, ou ela vai ficar zangada se não sentirmos fome!
– eh? Estão tomando de verdade?!
– mas claro! Não tem graça sendo tão de mentirinha, vem papa tem pra todo mundo! – ela o puxou até a mesinha, Sasuke arqueou a sobrancelha vendo-a erguer uma bandeja com bolinhos cobertos com glace de todas as cores, e do pequeno bule de chá saindo vapor tal como da xícara de chá que Sakura segurava. Ela estava sentada sobre os joelhos, tinha um urso em seu colo que ela ignorava enquanto bebia e olhava para o vazio, seu cabelo estava mais calmo do que qualquer outra ocasião, tanto que quase não parecia mover-se.
Estava como uma longa serpente ao redor da mesa e a ponta estava perto da janela, brilhava quase como se tivesse luz própria e ele se perguntou se aquilo estava ali se aquecendo sob o sol. Seria possível que tivesse este nível de auto consciência? Não, devia estar manifestando o gosto de Sakura pelo sol.
Pela luz.
– quer bolinho tio? – Himawari chamou.
– não, obrigado.
– o teme não gosta de doces querida, não vê como ele tem a cara azeda?!
– hehehe, você quer tio Shika?
– tudo bem – ele disse, aceitando um.
– se divertindo Sakura-chan?
– a tia Sakura gosta muito de chá! Mas não sei se ela gosta dos meus bolinhos...
– eh? Porque?
– ela não faz aquela cara de quem está adorando, nem come com aqueeeeela vontade! nem mesmo quando mamãe que faz! Será que ela não gosta de doces igual você, tio?
– hm?
– mas ela sempre gostou! Ela até fazia pra gente, ela só deve estar sem prática!
– oh, tomara!
Sasuke encarou os dois homenzarrões tomando chá com aquelas xicaras minúsculas, só resolveu guardar a imagem por que fazia tempo que não via algo tão ridículo. Voltou a atenção para Sakura observando-a comer outro bolinho oferecido por Hima que ainda tinha esperanças de vê-la fazer uma cara de adoração. O alimento, no entanto, foi o consumido de forma mecânica, mastigado lentamente e engolido.
Ele observou o que vestia, parecia ser outra roupa simples provavelmente comprada as pressas ou dada, não era exatamente o que agradaria uma jovem mulher. Longo, sem costuras que se ajustassem ao corpo, uma cor escura e sem estampas, mangas longas e gola fechada, e ainda um casaco fino sobre os ombros. Sasuke baixou a mão até a mecha mais próxima disposto a sentir qual a textura e peso dela em sua forma mais natural, porém nem pode encostar e ela reagiu erguendo-se e enlaçando seu pulso com firmeza, ele ergueu a cabeça para fita-la e só então ela girou a cabeça em sua direção com a xicara ainda próxima os lábios.
– você...- murmurou, e ele sentiu o aperto ficar mais incomodo, olhou rapidamente para Naruto e Shikamaru que tinham os semblantes grudados em seu braço, Naruto se levantou e pegou a menina que fitava tudo com estranheza e levou-a para a porta.
– querida, vá chamar sua mãe, e fique lá em baixo com seu irmão certo?
– ha-hai...- Hima correu e ele fechou a porta, voltando. Foi quando o apertou no braço do Uchiha intensificou e as mechas começaram a subir rumo ao seu ombro, Sakura baixou a xicara para o pires sem pressa e ainda o encarando.
– você estava lá...
– Sakura-chan, pode solta-lo? – Naruto pediu calmamente, as outras mexas dançaram pelo tapete se abrindo em faixas mais largas e Sasuke pousou os dois joelhos no chão sentindo a dor.
– Naruto...!
– Sakura-chan... por favor, ele não é inimigo.
– ele estava lá.
– Sakura- chan!
– ele estava lá...
– onde?! – Sasuke gritou, ao sentir os fios voltearem o pescoço, uma leve ardência denunciou que eles estavam começando a cortar sua pele na medida em que se enroscavam mais.
– no escuro – ela disse, e então o soltou.
As mexas recuaram formando novamente uma única linha ondulando ao redor dela, Sakura voltou o olhar para o vazio e pegou a xicara outra vez.
Sasuke se sentou esfregando o pescoço irritado e girando o braço para se livrar da dor.
– está bem? – disse Shikamaru se abaixando.
– ela quase me quebra inteiro! O que espera?! O que diabos estavam fazendo que não a pararam?!
– apenas tínhamos que ter certeza que...
– que ela não queria me machucar?! Não podem prever os movimentos dela! Vão esperar que ela mate sempre que ameaçar pra que possam tentar conte-la?! Como pretende mantê-la aqui Naruto? Ela podia ter feito isso com Himawari!
Hinata adentrou o local esbaforida e os fitou como se temesse encontrar um quadro de horror, mais calma, ela fechou a porta e veio.
– tudo bem?
– ela apena ameaçou Sasuke...
– eh?
– apenas?!
– Sakura- chan? Algum problema? –Hinata indagou se abaixando com cuidado. Sakura segurou um dos bolinhos perto da boca e a fitou.
– não sinto o gosto.
– co-como?
– não sinto o sabor, doce, eu não sinto este sabor.
– como assim?
– quando começaram os primeiros processos, eu lutava muito, contra os selos, então me puseram sob correntes e um capacete, no começo era apenas para ocultar minha visão, eles me alimentaram á força, quando tentei suicídio, era muito escuro e eu já não suportava o silencio ou a violência de suas palavras, então, sem paciência, um deles me acertou com a bandeja, na boca, eu mordi minha língua muito forte, mas depois que curei, eu deixei de sentir, os sabores doces...
Ela voltou a vista para o bolo, com a outra mão, colheu o glacê nos dedos e o provou, afastou a mão e encarou.
– não sinto nada, sinto a textura, a temperatura, se houver algo salgado ou picante eu saberia, mas o doce... É como uma sensação de um vento que sopra meu rosto, está ali, acariciando, mas não o posso ver, não, é como a luz, que eu sinto... Mas não vejo, porém, às vezes ainda lembro como ela é, o doce, a cor das luzes, eu apenas posso lembrar, e certas vezes, nem isso, tudo vem e poucas coisas ficam... E mesmo as que ficam... Muitas vezes vão embora outra vez...
Sakura voltou a os olhos para a frente outra vez, e inclinou a cabeça, um leve vinco se fez em sua testa.
– onde está Himawari?
Hinata soltou um gemido de choro e se levantou indo para fora tentando enxugar as lagrimas.
– vo-vou chama-la, e vamos trazer algo bem gostoso.- a mulher baixou a cabeça e pareceu lembrar do doce que ainda tinha em mãos, provou-o e se virou para Sasuke estendendo-lhe.
– por que? Isto não está bom?
Sasuke tragou duramente, ergueu a mão, o braço inteiro ainda formigava e ele segurou o bolo e sentiu a mão dela.
– está, mas elas vão trazer algo que você possa sentir.
– sentir? Mas eu sinto...- ela amassou o bolinho entre os dedos, esfregando-os – é macio...
– e o que mais?
– frio...
– e o que mais?
– como a luz...- Sasuke a soltou, se levantando e seguindo para a fora a passos rápidos, ou enlouqueceria de remorso e ódio naquele lugar. Saiu batendo a porta e seguiu para a primeira janela que encontrou, parando ante ela, respirou fundo e encarou a dia lá fora.
Ouviu quando Hinata e Himawari voltaram ao quarto e apertou os olhos sentindo o cheiro de sanduiches frescos.
Acalmando a mente, ele se pôs a pensar no que fazer dali em diante e quando tomou um rumo, voltou ao quarto, parou na porta e viu Himawari assistir cheia de alegria a mulher devorar um sanduiche com voracidade, os dedos se sujando de molho e sendo sugados, os lábios ficando rodeados de migalhas.
– você tinha razão mama!
– e não era? – Hinata disse, sorrindo um pouco, Naruto sorriu fracamente e deu as costas após parabenizar a filha com um afago na cabeça, veio até o Uchiha, logo o Nara os seguiu, e pararam no topo das escadas.
– alguma ideia? – O Nanadaime proferiu.
– sim, um começo, pelo menos.
– e qual é?
– vou atrás do Orochimaru.
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