Lost Inside

10 Não a deixe reaprender.


– que kanji é este? – Sakura indagou, os dedos repousando sobre uma das cadeias de alto relevo da folha. Tsunade se inclinou para o lado e tentou interpretar o desenho, ela arranhava um pouco de Braile e por isso se prontificou a ensiná-la um pouco antes de acharem algum especialista.

Ela já havia chamado um, mas o idiota nunca aparecia na hora. Já estava perdendo a paciência.

Porém, não reconheceu o kanji, alias, não reconheceu que letra do Braille era aquela.

– erm... Acho que...

– acho que...?

– não! não é isso! Oh, vá para a próxima, depois voltamos nessa, talvez Shizune saiba.

Ter Sakura consigo no hospital fora relativamente mais calmo do que esperava, Hinata teve que lidar com assuntos do próprio clã e Naruto estava sempre ocupado de todo jeito.

Como administradora do hospital ela só tinha de lidar com casos mais específicos e complicados e não recebia pacientes em seu consultório, o que resultava na calma perfeita para ela trabalhar e Sakura estudar.

– pode entrar – disse quando as batidas soaram e Shizune entrou, seu olhar tenso até mesmo fez ela olhar de volta para Sakura, mas esta estava absorvida em seu novo abecedário. Se ela já não perguntava mais o nome de nenhuma letra era por que já estava relendo as que aprendeu e Tsunade admirava que parecia, mesmo naquele estado, estar se dedicando.

– o que foi?

– Sasuke retornou, com companhia.

Ela suspirou se levantando, soube que o Uchiha havia saído há três dias em busca de Orochimaru, mas não esperava que ele o trouxesse, se seu ex colega de equipe viera, ou fora obrigação ou por que estava muito interessado no assunto, e nenhuma das duas alternativas eram boas, ao ver dela.

– tudo bem.

– quer que eu fique com ela?

– não vai ser necessário, Sakura, eu vou sair, mas peço que fique aqui, tudo bem?

A Haruno assentiu lentamente e baixou a atenção para as folhas.

– vamos. – as duas saíram apressadas e se moveram até o terraço, lá em cima entre os varais de lençóis limpos encontraram Orochimaru, ele estava mais jovem outra vez e ela não queria pensar em como ele estava fazendo isto desta vez, a não ser... Que Sakura tivesse algo haver com isso.

– como vai Tsu? Apreciando a passagem do tempo? – ele perguntou, o olhar serpentino e maldoso que ela ignorou.

– é melhor do que você poderia esperar, sempre se congelando desta forma...- desdenhou, e voltou-se para Sasuke – achei que fosse apenas consulta-lo.

– ele fez questão de vir.

– humpf.

– por que não vamos ao centro do assunto logo e me deixam ver pessoalmente a fonte deste exorbitante chakra branco? – ele disse, ao seu lado haviam um homem de meia idade e uma mulher mais nova que mau tirava os olhos do Uchiha, Tsunade quis revirar os próprios se perguntando que maldito charme aquele moleque parecia exalar.

Talvez se soubesse a formula, pudesse ter curado Sakura.

– não tem porque vê-la, apenas nos diga por que algo como ela estava sendo criado dentro de um dos seus esconderijos – Sasuke cortou, meio irritado encarou a mulher – tem algo no meu rosto?

Ela pareceu surpresa mas em seguida sorriu mordaz e um tanto maliciosa.

– quer que responda?

– cale-se, Makaira, Sasuke-kun jamais teria olhos para uma aberração como você, talvez algo mais forte, talvez algo como o que exala o chakra abaixo de nós. – Orochimaru presumiu, cinicamente.

– fale sobre o esconderijo – Tsunade cortou, impaciente.

– aquele lugar está abandonado, por mim, a muitos anos, mais anos do que sua querida pupila passou lá, de todo modo, se foi achado pode ter sido usado.

– você...- ela encarou Sasuke – disse a ele?

– claro que não.

– então como...

– as noticias correm, minha cara, e mesmo que não corressem agora, anos atrás o sumiço de sua querida monstrinha de cabelo rosado foi bem veiculada.

– humpf, ela foi mantida em seu esconderijo e embora não saibamos se estava lá desde o começo, a perícia no local destacou que esteve lá por anos.

– o que sabe sobre o método empregado nela? – Shizune disse.

– em suma, eu diria que é uma forma de criar um Bijuu artificial, ou uma forma de criar um receptáculo de chakra que pudesse conter grandes massas dele, um chakra que pode ser convertido em vários tipos de chakra, por isso chamei chakra branco, uma cor que pode ser misturada a outras e tomar a cor delas... São duas teorias, a que se aplica a sua pupila é uma questão a ser respondia por seu captor.

– nós chegamos a esta conclusão, de todo modo...

– gostaria muito de examina-la, encher o corpo de alguém com este tipo de chakra deve com toda certeza ter acabado com o corpo dela, ou sua mente, quem escolheu fazer isso com ela a selecionou a dedo, precisava de alguém capaz de manter em si grande quantidades de chakra e controla-lo, um corpo pré acostumado ao processo, alguém que pudesse ser predisposto a ser um Jinchuuriki sem um selo especial como os usados para selar as bestas em si, está menina deve estar cheia de selos, que só devem ser liberados por seu “dono” ela tem muito mais chakra do que parece e se ele chegar perto o bastante dela para libera-los, ela pode se tornar uma Bijuu, quero dizer, pode ocasionar a mesma destruição que um.

– se sabe tanto sobre o processo deve saber quem poderia estar interessado em faze-lo.- Sasuke falou, embora sua atenção, estivesse começando a se focar em outra coisa.

– estamos falando da criação de um Bijuu, Sasuke-kun, quem não esteve interessado em ter um ou mais de um, antes da quarta guerra ninja? As nações com certeza gostariam de ter mais armas, mas o fato de isso ter ocorrido agora, após selada a paz e cessada a perseguição aos bijuus é que me deixa perdido, poderia haver alguma aldeia insatisfeita com a paz?

– duvido, mas pode haver alguém insatisfeito com ela.

– ótima teoria, Tsunade, agora vamos ver a menina ou vamos deixar que nosso querido espião saiba mais sobre esta reunião?

– huh?!

Sasuke se virou atirando a espada que passou cortando os lençóis e atingiu a murada de concreto prendendo um ninja pela roupa à ele.

O vento sacudia os lençóis e antes de Sasuke seguir até ele, viu que seus olhos, a única coisa que a mascara não cobria, eram brancos e estacou, aturdido e indignado.

– Hyuuga?! – o ninja se afastou da espada rasgando a roupa e saltou por cima das grades fugindo.

– sendo espionados por membros da própria aldeia? Isto está ficando mais interessante a cada minuto... – Orochimaru falou, Sasuke puxou a espada, embaiando outra vez.

– o que diabos um Hyuuga quer nos espiando? – disse Tsunade – Hinata...?

– não tem como saber, mas vou verificar com Naruto.

– podemos ir ver a paciente? – disse o Sannin.

– por que diabos quer tanto vê-la?! Ainda temos perguntas!

– um nome, ela deu um nome, Shin, e ele nos atacou tanto em seu esconderijo como aqui, você sabe quem ele é? Por que ele tem um sharingan...

– Shin? Quem diria, nunca achei que voltaria a ouvir dele...

– então você sabe quem ele é?

– claro, Shin é uma das minhas criações.

– huh?

– você deve lembrar, do braço de Danzou, certo?

Sasuke franziu o cenho encarando-o. a lembrança não o agradou e ele estreitou o olhar, nada feliz.

– o que tem?

– o braço com aqueles sharingans pertencia a Shin, ele tem um tipo de corpo que permite que se possa fazer qualquer tipo de transplante com cem por cento de compatibilidade.

– não é possível... Aquele Shin tinha os dois braços.

– oh tinha? Então ele deve estar... Se clonando, mas se é ele, já sabemos o por que disto tudo.

– hã?

– Shin odeia você, Sasuke, tem uma fixação por Itachi, e provavelmente, quer muito se vingar de você, por tê-lo matado.

– era só o que faltava...- Tsunade reclamou, dando as costas e seguindo para dentro do prédio, tendo ou não permissão, Orochimaru a seguiu e os lacaios dele também, Shizune se apressou atrás dele e Sasuke ficou parado encarando o vazio que em sua frente só parecia se preencher de mais ira.

Deu a volta, foi para dentro do prédio e seguiu o grupo até o consultório de Tsunade, ela parou segurando a maçaneta e os fitou em tom de alerta.

– nada de movimentos bruscos, nada de chakra elevado, nada de sons estridentes, nada de falar demais em cima dela, e nada de toca-la.

– ela não gosta de pessoas? – disse Makaira.

eu não quero que a toquem. – e só então ela abriu a porta e entrou – querida? Tudo bem? Eu trouxe uns... colegas, para te verem, eles não vão demorar.

– colegas...? – Sakura pronunciou calmamente, eles entraram e lá estava ela, Tsunade estranhou não encontra-la na mesa lendo, mas ao vê-la com a escova de cabelo lembrou que se tornara outro passatempo para ela, Hinata disse que Himawari havia levado uma tarde inteira se dedicando a escovar três metros de cabelo afirmando que as moças deviam fazer isso, porém quando terminou Sakura os estendeu por pelo menos mais cinco metros, e a menina desmaiou de exaustão e choque.

Quão longe aquelas mexas poderiam ir, talvez nunca soubessem.

Ela estava sentada no peitoril da janela penteando devagar, talvez mais por querer se distrair do que por cumprir a tarefa, o cabelo estava a pelo menos três metros caindo como uma cortina pesada de tão volumoso que era e se derramando no chão.

Sasuke fechou a porta atrás de si, e ficou parado recostado nela com o braço apoiado no cabo da arma e atento a qualquer movimento de seu ex mestre.

– parece uma tarefa cansativa – pronunciou Yamori, pela primeira vez. Sakura voltou a cabeça para eles, mas ainda procurando identificar cada voz, porém, desta vez, seus olhos não viajaram para todos os lados em inútil busca pelo som.

Ela havia ficado cega, mas com os olhos a todo o tempo fechados ela não aprendera que seus orbes não achariam mais nada mesmo que seus ouvidos a guiassem, mas agora, vivendo cada dia com a cegueira, eles estavam se habituando a apenas piscarem, chorarem e se fecharem ao dormir. Logo eles não se voltariam mais para procurar alguém, e talvez só focariam quando tinha certeza de onde estava o alvo e sua cabeça se voltaria para ele por puro instinto.

E assim, ficaria mais evidente ainda que era cega.

– quem é? – ela tirou a mão das mechas e ergueu-a no ar, exigindo que ele fosse até ela para que conhecesse seu rosto ao modo dela, por que já sabia onde ele estava na sala.

– ela é...

– cega – declarou Orochimaru – presumo que seja um dos preços que este alto fluxo de chakra cobre, interessante, era uma pessoa que mostrava tudo com seus olhos. -comentou e caminhou na direção dela.

– já disse que não, Orochimaru. – ordenou Tsunade.

– não fará mal um exame mais minucioso... — ao terceiro passo de distancia dela, ele foi parado pelas mechas que se enrolaram em seus pés, parou fitando-as, o aperto era forte o bastante e o quebraria completamente caso se movesse mais, quando ergueu a cabeça viu os dedos finos e delicados virem em sua direção e não pode deixar de ficar receoso, ele não era mais nem metade do que fora um dia e estava longe de sua capacidade poder encarar aquela criança, ou fera.

– mas se insiste...- desdenhou Tsuna e Sakura tocou os dedos em sua face, estar tão perto de tamanho fluxo de chakra era atordoante, quase desconfortável, e aqueles olhos que antes poderiam mostrar tudo, uma alma, agora eram um verde intenso, imprevisível e perigoso, um abismo.

Viu-a tocar a própria testa tal como tocava a dele.

– gelado...- ela concluiu e desceu para o nariz fino e longo – liso... Quem é?

– uma cobra, querida. – disse Tsunade, divertida.

– cobra...? – um pouco mais de tensão pairou quando o cabelo subiu enroscando-o até o pescoço do Sannin – não lembro de cobras assim... A não ser...- ela ergueu mais o queixo, e então um breve clarão iluminou o espelho de sua alma, seu olhar se estreitou e ele sentiu que era perigosamente envolvido agora, os fios se apertavam mais, se juntavam, o que os deixava mais firmes e fortes – Orochimaru.

– oh...- gemeu, Shizune atordoada.

– deem um doce a ela, o que mais podemos concluir? Demência? – ele disse.

– ela desistiu de lutar contra o chakra atacando sua mente, e o deixou corroer sua memoria e cognição em troca de manter o corpo o máximo possível, deu certo.

– entendo, fascinante, é realmente uma criança aborrecedora...

– ela não é demente, mas perdeu todo o bom senso, se tornou uma criança, um recém nascido, e mesmo que se lembre de muitas coisas de sua vida ela não sabe como aplica-las.

– perdeu a resposta aos sentimentos e emoções, eu presumo.

– exato.

– e provavelmente não vai recuperar grande coisa, sendo cega ainda por cima e tendo este chakra acumulado o tempo todo aí dentro ela provavelmente jamais poderá reaprender tudo, sua mente deve ser perder a cada momento, se achar e se redescobrir, mas os danos em seu cérebro devem torna-la incapaz de aplicar o que descobre, e de mantê-los, ela pode estar vendo agora milhões de vezes a mesma cena de si própria brincando de boneca no jardim dos pais, mas se der uma boneca a ela, não saberá como brincar.

– talvez, mas se a por para brincar com uma menina, ela pode assimilar.

– ela pode repetir a brincadeira milhares de vezes, mas não significa que estará brincando de verdade, tal como a pouco, alguém a ensinou a pentear os cabelos, mas duvido que algo além de suas mãos repetindo o processo estava focado na tarefa, ela estará sempre longe, ou no mínimo, voltará poucas vezes.

– ela volta, mas quando não consegue acompanhar as coisas aqui fora, se fecha para elas, porém seus instintos quase nunca se desligam, e ela responde agressivamente quando apitam.

– eu percebi... pode me soltar? Não importa o que lembre de mim, agora, não irei fazer nada.- em resposta, a moça piscou, inclinado a cabeça como se tentasse entende-lo, e então o libertou, seguiu para a cadeira de visitas da mesa de Tsunade, sentando-se, pousou as mãos num grande livro e passou os dedos por ele.

– Shizune? – chamou, e Shizune se aproximou dela.

– sim?

– isto é para que Kanji? – Shizune se curvou para olhar mas acabou sorrindo sem graça.

– oh, eu não sei, estou tão enferrujada nisto, a senhora não...

– estou pior que você – Tsunade admitiu, pesarosa.

– oh, pule essa, talvez Ino saiba...

***************************************************************

– ela sumiu de novo.- Naruto disse, com um ar exasperado, também despontando temor. Ele sabia que ela não tinha saído da vila, mas ainda assim, estava preocupado. Há algumas semanas, desde que chegara, Orochimaru fez muita questão de ficar e treinar a jovem em controle de chakra, embora Tsunade pudesse faze-lo, além de Sakura não mais tentar mata-lo, a mestra estava atolada demais em trabalho para dar-lhe a devida atenção, e todo o treino fora assistido ou por Sasuke ou por um ninja de confiança. O objetivo era simples, ensinar a mulher a esconder toda aquela imensa quantidade de chakra, disfarça-lo.

Assim ela não poderia ser facilmente localizada mesmo dentro da vila, pois isso era fácil para qualquer um que soubesse o mínimo de arte ninja.

E tal como durante sua infância, Sakura aprendeu rápido, talvez tivesse sido mais se não fosse sempre tudo a seu próprio tempo, eles chegaram a perder tardes inteiras, sem qualquer avanço, apenas por que ela sentava e se perdia em pensamentos aleatórios. Ignorava-os completamente tanto quando não entendia, quanto quando entedia.

Até mesmo ele se viu impaciente. Era realmente como tentar ensinar uma criança, boba, e um tanto mimada.

Era cruel pensar desta forma, mas muito difícil evitar, tinha oras em que... todos apenas queriam pular nela e apertar seu pescoço um pouco, menos Orochimaru que estudava tudo com muito interesse e desdenhava da raiva deles.

Era fim de semana, e embora Sakura devesse estar com Ino, ela havia saído para o jardim da casa dos Yamanaka, e então, sumido.

Uma coisa poderiam tirar disso tudo, ela aprendera a ocultar o chakra.

Ao menos esperava, por que se não fosse isso, seria um sequestro.

Konoha estava tranquila desde então, ainda que a guarda estivesse toda em alerta, nada apontou uma invasão ou infiltração. O que deixava o Nanadaime ainda mais perturbado.

– eu vou procurar – Sasuke declarou.

– tem alguma ideia?

– não – respondeu, sem sentir-se incomodado com tal. Há algum tempo ele vinha pensado na vida de Sakura, em sua antiga vida naquela vila, nas pessoas que conhecera, nos familiares, em todas as suas relações e percebia que não podia teorizar nada que não fosse bastante superficial sobre essas pessoas.

Ele não conhecia Sakura, não de verdade, nunca esteve familiarizado com ela, com sua vida, seus gostos, seus dilemas e suas experiências, sabia o que rumores diziam, sabia o que observara nas poucas vezes em que se permitiu para isso, seja por arrogância, ou por sentir que não merecia ter algo dela.

Ele não tinha qualquer ideia de pra onde ela iria, ou com quem estaria, além de não entender o que se passava na mente dela, não conhecia seu eu anterior.

Então apenas se concentrou em localizar seu chakra, em algum momento ela deixaria de oculta-lo, não estava acostumada, e estando sempre em devaneios interiores, hora ou outra ela se distrairia.

E foi dito e certo, ela estava a alguns quilômetros dele, mas Sasuke ainda foi o primeiro a acha-la.

Num bosque, o som do rio o levou até uma correnteza calma mas que tomava bastante espaço.

Sasuke parou em frente a água, o olhar estreito quando percebeu que o chakra dela aparecia e sumia repetidamente, descobriu exatamente onde ela estava e se virou, cuidando de sua guarda, por que sabia que ela ainda era suscetível a ataca-lo.

Estava anoitecendo, e o sol poente lançava tons quentes sobre abóboda celeste, e empurrou a sombra dela sobre ele. Estava sobre um conjunto de pedras a beira do rio, Sasuke a localizou no ponto mais alto, a ultima luz solar batia nas costas dela e ocultava a fronte, o corpo não se movia, a sombra que se mexia era a das mechas se revolvendo num véu largo ao seu redor.

No entanto, antes que pudesse se por na defensiva, Sasuke notou algo ainda mais assombroso.

Ela estava nua.

Completamente, e só não tinha uma visão total graças a claridade que vinha por trás dela e pelas mechas que balançavam a frente dela vez ou outra. Ele girou sobre os calcanhares, engasgando em seco quando flagrou a si mesmo estreitando o olhar para ver melhor, não foi intencional visto que focava o rosto dela.

Mas ainda era constrangedor.

– que diabos... onde estão suas roupas?

– quem é? – ela perguntou. A serenidade em suas palavras apenas o perturbou mais, poderia ser qualquer um.

– Sasuke, onde estão suas roupas?

– roupas...?

Ótimo, ou alguém chegava logo ou não, e ele não sabia o que deveria desejar.

– é hora de tomar banho – Sakura concluiu, e ele viu que ela não estava tão perdida agora. E ainda sim, também não ajudou, Sasuke reprimiu uma injuria frustrada.

– não importa, por que não foi pra casa da Ino? Ela te daria banho.

– eu não sei onde é.

Sasuke vasculhou a frente em busca de mais chakras e esfregou o rosto quando não sentiu nada, onde estavam todos?! Deviam tê-la achado tão rápido quanto ele. Mas percebeu que, novamente, ela havia ocultado o chakra.

– para de ocultar seu chakra.

– chakra?

– desça daí e se vista.

– eu não sei...

– se vestir?!

– onde elas estão...

– tsc, só pode ser...- sentiu-a pousar com leveza atrás de si, e seus instintos shinobi gritaram para que se virasse, mas ele lembrou que não podia.

E com muita relutância, sentiu-a tocar suas costas, como se tentasse reconhecer, confirmou isso quando Sakura alcançou seu cabelo, a procura de seu rosto, ela parou, ainda sem entender, mas depois compreendeu, e sua mão deslizou para o lado, passando por sua orelha, maçã, e então seu nariz.

– quem é?

– Sasuke.

– Sasuke?

Seu tom denunciou que ela ainda não o reconhecia, parecia não conseguir relaciona-lo, a algo.

Um trovão chamou atenção dele, além do crepúsculo, o céu também trazia chuva, e os primeiros pingos os atingiram.

Sasuke puxou a capa, e girou para frente, os olhos distantes dela enquanto a envolveu com a peça.

Algo difícil por que estava sem um braço, no fim, agora estava acostumado a vestir a si mesmo, não os outros, mas quando se permitiu olhar para ela, estava completamente coberta dos ombros para baixo, a capa que nele batia no meio da panturrilha, nela, tocava os pés pequenos e sujos de terra.

– o que é? – ela indagou erguendo um dos braços, Sasuke pegou seu pulso, e o baixou rapidamente, evitando que a capa se abrisse e revelasse, algo, e então a chuva caiu.

– uma capa, agora vamos, antes que fique doente.

Puxou esse mesmo pulso, e embora tivesse tentado agir como se conduzisse uma criança, um de seus filhos, o fato de sua ex colega de time estar nua sob aquele tecido o incomodava.

Boa parte de sua vida, Sasuke ignorara o sexo feminino, mas mesmo na época em que a julgava irritante, ele admitia, que a achava uma das kunoichis mais belas da academia, ele não perdia tempo comparando ou apenas observando, nem mesmo vendo-as como garotas, mulheres.

Era como olhar um quadro, e decidir instintivamente se achava bonito ou não. E Sakura Haruno, sempre fora um dos quadros mais belos que Konoha lhe mostrara.

E que ele não merecia ser alvo de tanto carinho e devoção.

Mesmo agora, ela era bela. Uma criatura perigosa, enigmática, sofrida, mas bela.

Agora, Sasuke conhecia as mulheres, ainda que só tendo tido contato sexual com Karin, como shinobi, ele já permitira contatos mais superficiais com outras em troca de informação, mesmo detestando faze-lo.

Ele tinha consciência de que Sakura era uma mulher e ele um homem, mesmo ela não tendo.

– estou com sono.

– quando chegarmos, você dorme.

E então, ela apenas se soltou dele, de maneira brusca, o ignorou e deu as costas caminhando para a mata.

– Sakura – ele irritou-se, mas ela sumiu na mata, as madeixas acariciando os troncos por onde passava. Sasuke marchou pronto para joga-la nas costas e ir embora, mas quando a encontrou, ela estava engatinhando pra dentro de uma toca de animal, provavelmente abandonada, Sasuke se curvou para entrar, no começo nem achou que caberia ali, mas o espaço se expandiu podendo levar os dois e até mais três pessoas, Sakura estava sentada no canto e voltou a cabeça para ele.

– tsc, pelo menos não tem chuva — ele se sentou no canto perto da entrada, a toca estava seca e partes da parede revestidas de raízes e musgo, o chão tinha grama, e Sakura agarrava tufos entres os dedos, sentindo-os, lá fora trovejou e um vento gelado invadiu o local, mesmo sob, a capa ela estremeceu. E ele empurrou alguns galhos secos e cuspiu fogo criando uma pequena fogueira.

– quente...- ela murmurou, engatinhando e levando a mão para as chamas, o que ele conteve.

– quente demais, vai se machucar.

Sakura o “encarou” por longos momentos, e então soltou-se dele e engatinhou em sua direção, Sasuke a viu se sentar bem ao lado e se encolher sob a capa. Sem respostas ou teorias para tal ato, ele suspirou e fechou os olhos, cruzando o braço sobre o peito. Sakura havia ocultado o chakra, e naquela chuva, ele não se importou de fazer o mesmo e assim manter-se a si e a ela seguros de qualquer eventualidade.

A chuva não deu trégua, escureceu e ele em algum momento, pegou no sono, cansado talvez, de ouvi-la indagar quem ele era. E nunca entender sua resposta.

Sasuke percebeu, que parecia não haver nada que a fizesse reconhece-lo, minimamente além seu chakra, ainda sim, ela não relacionava sua energia ao seu nome.

E ele se obrigou a não sentir nada sobre isso, nem mesmo frustração. Ele não merecia nada dela, nunca mereceu, e continuava sendo assim.

Entretanto, ele despertou mais tarde, e a primeira coisa que sentiu foi aquele corpo diminuto e desprotegido aninhado em si. Muito, muito quente.

Seu único braço estava sob o corpo dela e ele, pela primeira vez em anos, odiou ter aquela deficiência.

Sentia a respiração calma dela contra seu flanco, os braços juntos e flexionados sobre o peito, e as pernas também sobre as dele, Sasuke sentiu algo suave roçar no queixo e quando baixou o olhar viu que era acariciado por algumas mechas.

Ele inspirou pesadamente, tentou levantar o antebraço, e viu a própria mão acima do ombro alvo dela. Sentia uma certa formigação, e como só tinha aquele, era sempre muito mais incomodo do que seria com alguém normal.

Mexeu os dedos e os apertou tentando espantar o incomodo e então, baixou novamente e tocou o braço dela.

– Sakura?

A pele dela estava gelada, e talvez a palma dele aquecida, pois ela se encolheu sob seu toque e suas mãos apertaram o colete simples dele.

Sasuke tocou-a novamente mas foi ignorado, deslizou a mão por seu braço e pela maciez da pele fria, sem muito o que pensar além daquilo, desceu para as costas, ainda curvadas para dentro mesmo que encolhida, e proporcionando uma curva graciosa e muito atraente, mas também, um campo desconhecido, e marcado.

Por cicatrizes.

O toque de dedos se tornou da palma, ele a deslizou contra sua pele sentindo os intervalos entre terreno liso e terreno áspero, linhas e outras formas distorcidas.

Feridas mau cicatrizadas que sequer existiriam se tivessem sido tratadas adequadamente, todas quase no centro das costas, o que dificultava a visualização sob as roupas, Sasuke achou mais uma vez o terreno liso e aveludado, agora próximo ao quadril, e, parou ali.

Não havia por que prosseguir.

E era demais pra ele.

Afastou a mão e começou a se erguer, desvencilhando-se dela com delicadeza, ele se sentou e encarou a saída da toca, ainda era noite, e pela luz de fora o tempo ruim havia passado e a lua estava lá.

Voltou os olhos para a mulher, que se encolhera ainda mais, pernas e braços juntos flexionados, a capa caída atrás dela. Sasuke a puxou por sobre ela, e então saiu para fora encarando o perímetro e procurando sentir algo, mas nem mesmo a mulher sentia, ele percebeu com espanto, que ela ainda estava se ocultando, mesmo dormindo.

Coisa que nem ele teve capacidade, ou qualquer um que tenha conhecido.

Voltou para dentro, e encontrou-a sentada, segurando a capa contra o corpo e com a cabeça voltada para o que restava da fogueira, apenas carvão ainda em brasa.

Ela levou a mão para o calor, e ele se abaixou tomando-a e trazendo para si, plantou um casto e deprimido beijo em seus dedos, dando conta de que também haviam pequenas cicatrizes neles sobre as falanges, resultados de socos que foram inúteis. Que só torturaram mais.

– não faça isso, vai se machucar, de novo.

Sakura o encarou momentaneamente confusa, puxou a mão, e moveu os dedos, e piscou como se entendesse algo, enfim, e voltou a face para ele.

– Sasuke?

E tudo o que ele pode fazer foi respirar pela boca, em choque.

*********************************************************************

– Kami- sama, você está de volta! – Ino exclamou partindo para abraçar a mulher. Sasuke se recostou na porta e observou a interação das duas, e também a simples, mas aconchegante casa de Ino, a sala espaçosa, bem nivelada, moveis em tons claros e flores na janela espaçosa onde havia uma almofada recostada num dos batentes, ele estranhou mas não deu importância, Inojin o fitava curioso sentado nos degraus da escada com um caderno de desenhos. – ela estava bem? Não se machucou? – Ino indagou a ele.

– como vê, está inteira.

E graças aos deuses, vestida. Após pensar em mil maneiras de explicar como ela fora ficar nua sem ser acusado injustamente, Sasuke havia apenas cansado e mandado tudo ás favas, puxado a mulher pela mão e decidido leva-la logo. Para então, Sakura parar e apontar na direção em que suas roupas estavam. Ela havia lembrado, e ido vesti-las, ele agradeceu mais uma vez, por não ter sido preciso ajuda-la nesta tarefa.

Ela não teve dificuldades com sua roupa intima, embora ele tivesse percebido que o vestido que usava não pedia auxilio de algo que protegesse os seios.

Era violeta, o modelo parecido com o que usara na noite do jantar, rodado mas de alças firmes e decote reto mas bem baixo, firme, apertando os seios redondos e os pondo em total evidencia graças a sua pele alva, o tecido era maleável o bastante e ela o vestira como a uma blusa, sem zíper ou botões.

A Yamanaka teve atenção nisso, e ele começava a suspeitar que também estava dando um jeito de conseguir pretendentes para Sakura.

– isso não faz diferença – ela bufou – ela se cura rápido, esqueceu?

– ah, ela estava bem, apenas... passeando no mato.

– hum, menos mal, nós não podemos permitir que se machuque, ela pode se curar rápido, mas isso pode cobrar um preço alto.

– que preço? – Ino sorriu, um pouco forçado, enquanto acarinhava o rosto da mulher. Sakura caminhou até a janela, e ele descobriu o porque da almofada estar ali, ela se sentava, e se recostava nela, localizou uma flor, e trouxe-a para si, para que cheirasse.

– tal como Tsunade-sama, perde tempo de vida cada vez que usa sua técnica de cura super rápida, tememos que Sakura passe pelo mesmo, o processo se baseou no Byakugou dela, ela própria tentou manipular o chakra branco como fez o próprio chakra que acumulava para uma batalha, não podemos permitir que abuse deste poder.

– hn.

– Ino...- Sakura chamou-a.

– hum? – os dois a viram levar a mão para um dos ombros do vestido e baixa-lo.

– hora do banho...- quando uma parte do seio começara a se revelar, Sasuke entalou e virou o rosto e Ino se precipitou para para-la.

– nã-não tire a roupa aqui! Inojin?! –Sasuke olhou para a escada se perguntando se o garoto estava aproveitando, mas só viu seus pés já subindo as escadas.

– estou indo...- ele anunciou, enfadado.

– eu também – o Uchiha declarou seguindo para a porta.

– Aa – Ino concordou – vamos subir querida, só deve-se tirar a roupa quando estiver sozinha... ou com seu marido, mas isso é pra depois.

Ele fechou a porta um tanto forte demais, se recordando o quanto aquela Yamanaka o tirava do sério.

E agora parecia o triplo.

Porém ele não foi para casa, tinha assuntos a resolver.

Com o clã Hyuuga.

Notas finais
VO que mais gosto no Sasuke dessa fic é como, mesmo sendo um cara que tenha tido experiencia no sexo, ele não faz o tipo "gostosão do povo" o "come todas" o "molhador de calcinhas" na vdd ele é bem inocente até, ah quem ache que só se pode ser ultra bom no sexo tento transado com milhares de pessoas, mas eu acho que fazendo amor com uma só e fazendo com vontade, gostando de um bom clima, e etc, pode-se ser melhor que muito ator pornô :v Ele é um cara como qualquer outro, bonito mas que não temou precisa de mulheres caindo a seus pés, mesmo que ela caiam sim, pra ele é algo tolo e ignora. adoro ele >.< Até a proxima o/