Lost Inside
12 Não deixe Orihime ouvi-la.

– festa? – Sakura indagou, como seria agora e sempre, queria entender tudo, principalmente o significado do que lhe era proferido.
– uhum, uma festa na aldeia, será um lindo festival, querida – quando ela piscou, demonstrado que nada daquilo fizera sentindo, Ino suspirou e revirou os olhos. Por mais que soubesse a situação de Sakura, ela sempre se perdia tagarelando até cansar, mas era mais ruim quando via que Sakura estava divagando noutro “mundo”, pelo menos desta vez, ela tinha sua total atenção e isso a empolgou mais.
– vamos passear um pouco, certo? Comprar besteiras, brincar com algo... coisas assim.
– brincar? Com Himawari?
– se ela estiver lá, porque não? Agora venha, tem que se trocar.- Ino a conduziu até o quarto e trocou-a, como era meio da tarde ela sabia que teria menos movimento, que só intensificaria no começo da noite, e era exatamente o que queria evitar, Sakura ainda era instável demais para ficar entre grandes multidões, e este pequeno passeio seria um teste, ela esperava que a amiga pudesse aprender a suportar o sons altos e mudanças bruscas de ambiente, como tensão ou descontração.
– agora vamos? Você está linda – ela enlaçou seu braço e pegando a bolsa, seguiu para fora de casa, uma caminhada curta sob um sol ameno graças à chuva que houvera mais cedo melhorou o clima da caminhada, estava mais frio, e ele sempre empurrava e mantinha as pessoas em casa.
Chegaram ao espaço das barracas, e cedendo a uma nostalgia saudosa, ela arrastou Sakura por todas elas, comprando quinquilharias, bibelôs e produtos.
Não foi difícil, ainda sim, para ela reconhecer o chakra poderoso de Sasuke Uchiha, olhou em volta e o viu na direção delas, mesmo que olhasse em volta com aquele ar tipicamente superior, estudioso e ainda mais perigoso com aquela capa negra envolta e a espada no cinto. Resolvida a ignorar, Ino buscou um batom entre os vários que a barraca de cosméticos que visitavam, oferecia.
– hum? Vermelho fica bem em mim? Talvez muito ousado? Você bem que diria isso, e eu compraria mesmo assim... – ela riu então fitou Sakura e tocou sua boca – já você, precisa de algo aqui, seus lábios estão muito ressecados, querida.
– hum?
– que tal algo com uma cor bonita? Oh! Este ficará ótimo, e talvez este...- ela tagarelou, pegando vários, enquanto Sakura voltava a atenção ao forte chakra que se aproximava.
– quem é? – Sasuke parou ante elas.
– isso está muito cheio pra ela, Ino – disse.
– não vamos ficar muito tempo! – ela rebateu com o mesmo nariz empinado e puxou Sakura para perto – agora fique paradinha...- instruiu, deslizando o batom em seus lábios. Sasuke parou de olhar em volta quando encarou a cena e franziu a testa.
– pra que isso?
– humpf, ela é uma moça, tem que se arrumar como tal, oras, essa cor ficou boa, mas e que tal essa? – Ino pegou outro e ele suspirou com enfado, Sakura continuava encarando o vazio, com os lábios pintados de um tom salmão claro e um pouco brilhante, ele meneou a cabeça aborrecido e ergueu o braço esfregando a manga da roupa em seus lábios até que tudo saísse. – o que?! Hey! Vá caçar o que fazer seu idiota!
Ele virou a cara, presunçosamente ignorando que noutros tempos ela nunca se dirigiria a ele assim, e isso nem lhe importava mesmo.
– oh, seu... humpf – ela pintou os lábios da distraída Haruno com outra cor, um rosa suave e sem brilho – muito melhor! Oh, gosta do sabor? – disse ai vê-la sugar os lábios com uma expressão intrigada.
– é cremoso, um pouco azedo... nada mais – Sakura disse tocando os lábios. O sabor era de morango, mas como ela não sentia o doce vindo dele, era compreensível sua observação vaga.
– não fique chupando os lábios, ou vai tirar tudo... vou levar este, ué? Cadê a mulher? Só faltava, fique bem aqui! – ela saiu feito uma doida atrás da dona da barraca, Sasuke meneou a cabeça e encarou Sakura vendo-a provar os próprios lábios. Eles agora se tingiam de um rosa avermelhado natural.
Ele suspirou e mais uma vez esfregou sua boca, irritado com o exagero da Yamanaka e a sua ideia de casar Sakura.
Ela não tinha condições para algo deste nível, embora ele admitisse que ela necessitava alguém que lhe cuidasse todo o momento.
Ao baixar a mão, viu-a pega-la e apertar um pouco, como se buscasse traze-lo para perto ou reconhece-lo por meio de apalpa-la.
– quem é?
Seria assim todos os dias dali em diante?
Ele envolveu sua mão delicadamente e levou a boca, beijando sobre os dedos. E então devolvendo-a.
– Sasuke.
– Sasuke...
– Aa.
Sakura tocou o local com um ar pensativo.
– Sasuke.- o nome dele saiu com mais firmeza e ele soube que, pelo menos naquele momento e ainda que só pelo nome, ela o reconhecia.
Demorou-se observando-a já que não poderia apenas sair e deixa-la sozinha.
Ela usava uma saia marrom com cinto e uma blusa verde, bonita e confortável, seus cabelos continuavam vez ou outra acariciando o chão, mas não subiam de forma a assustar, talvez graças a tiara de rosas que deve ter ganhado de um artista de rua, dos muitos que davam as caras nesses festivais, que estava em sua cabeça. Seus olhos já tinha um ar mais afável, quase inofensivo, e achou-a mais dócil também, o que temia dado o lugar em que estavam.
– oh não suma assim...- Ino resmungava sendo seguida por uma senhorinha que pedia desculpas a todo momento, ela encarou o Uchiha feio quando viu mais uma vez que o batom havia sumido dos lábios da outra, mas ele fingiu que nem era com ele.
Ela pagou a tralha que comprara e foi embora resmungando.
Porém parou no caminho e se voltou para ele.
– só para avisar, nos reuniremos daqui uma semana.
– para?
– novo sorteio – ela suspirou, e tocou o rosto de Sakura com o dorso da mão, e uma expressão pesarosa. – Sakura vai pra outra casa.
Sasuke observou a Haruno atentamente antes de assentir.
– Aa.
– também parece que vamos decidir um lugar pra ela ficar, é cedo ainda mas como terá de ser uma casa especial, quanto mais cedo estiver pronta para recebe-la, melhor.
Ele apenas assentiu, as duas seguiram caminho, e ele o próprio.
No caminho encarou uma barraca com um monte de pelúcias e acabou lembrando-se de Sakuya, ela ficara radiante com o presente de Sakura e queria pô-lo num novo lugar do quarto a cada cinco minutos, mas por fim, deixou perto da janela onde o sol pudesse incidir sobre os Tsurus.
Comprar coisas para a menina era algo bastante constrangedor no começo, mas depois ele se acostumou e pegar algo, pagar e levar, Sakuya adorava tudo o que lhe trazia e poucas vezes fazia manha por algo em particular. Mas quando fazia, enlouquecia a todos.
Ele resolveu levar algo pra ela e assim quando a trouxesse para a feira perderia menos tempo deixando ela própria escolher.
Karin ficaria irada por ele deixar a menina ganhar tantos mimos em tão pouco tempo, e como tinha outras crianças a ficarem enciumadas, com um suspiro resignado, ele comprou mais bobagens para agradar a todos.
*********************************************************************
– hum, eu adoro festivais, são lindos né? Bichura-san? – ela cantarolou, enquanto brincava com sua pequena, mais nova e amarela criação.
O seu companheiro de jornada, tirou o manto que vestia, brindando-a com a visão de sua beleza exótica e charmosa, ao encarar o fluxo humano do alto prédio onde estavam.
– sim, tem muitas coisas bonitas.- concordou, com o ar preguiçoso e lento que a fazia suspirar sempre. – e eu gostaria de retratar todas elas...
Desta vez ele falou consigo mesmo, os olhos bonitos de rapina já encaravam algum ponto em particular e isso levou um bico aos lábios dela. Sabia que não tinha direito, e que ele nunca lhe dera tal impressão, mas estavam a tanto tempo juntos...
Não podia evitar sentir ciúmes quando ele mandava aquele olhar de admiração e fascínio a qualquer outra criatura que não fosse as que ela criasse.
– não faça essa cara, Ai.
– não sei do que está falando – a voz dela saiu num muxoxo e se detestou por ter esse jeito tão infantil mesmo que ele achasse fofo. Ela queria ser vista como alguém mais madura.
Alguém para ele.
Geralmente, quando se fazia de emburrada, ele sempre beijava sua cabeça ou afagava. Mas ela percebeu com desgosto, que desta vez ele estava muito atraído pelo o que via na feira para tentar mima-la só um pouquinho.
Ele saltou do prédio, entrando em queda, e com as bochechas infladas de raiva, ela se deixou cair também.
*********************************************************************
Os dedos pressionavam sem pressa aquelas teclas, cada som seguido e harmonizado criava uma melodia dramática e melancólica.
Os finais de tarde, para ele, eram sempre assim.
Quando terminou, sua mente foi traga de volta a realidade pelo bater leve, nada ritmado de palmas e acabou rindo um pouco, voltando-se para o lado e fitando os olhos verdes sem foco.
O olhar dela caia para algum canto da escuridão, mas sua expressão demonstrava que estava ouvindo com atenção e parou de bater as mãos quando ouviu-o rir.
– que bom que gostou, embora seja um pouco triste.
Sakura inclinou a cabeça, para o lado, como tipicamente fazia quando algo a intrigava.
– triste...? Porque é triste?
As sobrancelhas de Kyouya se ergueram em choque, afinal, aquilo que tocara era realmente deprimente e por isso evitava tocar quando estava com as crianças, uma delas até chorou da ultima vez e isso não fazia parte do roteiro de diversão da sala de musica da clínica.
Mas então ele percebeu, que Sakura já não tinha mais a mesma intuição do resto das pessoas.Ela não sabia nomear nem reconhecer a maioria dos sentimentos e sensações.
Para ela, aquela canção não era mais que uma composição coletiva de sons que lhe soavam agradáveis, provavelmente não lhe atraiam mais nada como tristeza ou solidão, muito menos dor.
Ela não tinha mais essa “programação” que as pessoas adquiriam com o passar da vida, em seu meio familiar, e principalmente social.
Aquela canção triste, era pra ela apenas sons agradáveis. Algo que não incomodava seus frágeis ouvidos, nem cutucava feridas em seu coração.
Ele sentiu um pouco de inveja. Mas também sorriu para ela, não conseguindo evitar encara-la feito um idiota e sorrir.
– você é fascinante.
Sempre a achara uma mulher desse porte, mesmo não conhecendo-a.
E mesmo agora, ela o era.
Uma peça inestimável, de fato.
– muito bem, quer que eu toque outra?
– já é o bastante, Kyouya – ele se virou vendo Tsunade na porta de vidro. E como para provar a ideia que ele teve a pouco, viu ali o próprio Hokage, esperando com um sorriso imenso.
Sim ela era inestimável para aqueles que a conheciam.
– quem é? – Sakura indagou.
– a senhora Tsunade veio busca-la, e eu já ia levar – ele disse, sorrindo e se levantando, ajudou Sakura a se levantar da enorme e fofa almofada em que estivera sentada junto as outras crianças até depois que elas partiram.
Como a sannin havia comentado, Sakura ficava bem entre crianças, apenas ficara agitada com a barulheira que faziam com os instrumentos, e sem querer quebrou uma flauta de brinquedo que lhe fora soprada em cima do ouvido. Mas fora isso, nada realmente grave, e como Tsunade também havia previsto, ele perdera mais aquela tarde sem ensina-la algo. Então buscara ao menos deixa-la mais confortável e instigada com sua companhia.
Conduziu-a pela mão até a porta e Tsunade tocou seus ombros nus trazendo-a para perto.
– vamos querida?
Sakura retesou por um momento, mas pareceu reconhecer seu toque ou voz.
– Tsunade...
– hai, está na hora de você ir, está ficando tarde e deve estar exausta de brincar com essas pestinhas.
– como ela foi hoje? – disse Naruto animado.
– ah, ela não estava para estudos hoje, mas apreciou a companhia das crianças, embora a bagunça a tenha deixado alerta.
– entendo, mas nada de mais aconteceu certo?
– não não, ela foi ótima as crianças apenas ficaram assanhadas com a presença dela, queriam usar o cabelo dela como parque de diversões...
– não parece ruim... – o loiro disse, com uma expressão pensativa – tipo ela pode fazer tipo um balanço e então um escorregador e... – Tsunade acertou sua testa com um bom cascudo e bufou.
– pirralho idiota! Ande leve-a para casa, certo? Sem bagunça e em segurança.
– haaai! Vamos, Sakura-chan.
Ele pegou sua mão e a conduziu, sorridente e animado até saírem do corredor.
– tsc, ele não muda.
– ela parece acostumada... com toda a empolgação dele – Kyouya comentou, afinal o nanadaime gritava no mesmo nível das crianças na sala, mas Sakura apenas parecia ouvir e analisar o som.
Tsunade piscou primeiramente aturdida, e então, seu rosto de refez numa expressão nostálgica e doce.
– é, tem razão, ela está acostumada.
******************************************************************
– está com fome Sakura-chan?! Que tal Lamén?! Por que não pensei nisso antes?! Vamos comer lamééééémmm!
– tsc, dobe.
Sakura voltou a cabeça para trás seguido o timbre rouco, curiosa com a sensação que suas estranhas palavras fizeram ecoar em sua mente.
Naruto fez uma careta, encarando o amigo que o fitava com aquela cara displicente e enfadada.
– não encha teme! O que quer por aqui huh? Veio apreciar a feira é? Logo você?!
Sasuke bufou virando a cara.
– não é boa ideia leva-la agora, está muito cheio.
– ah, não seja chato! Será como nos velhos tempos! Estou esperando a Hinata e as crianças e então enquanto isso, vamos encher um pouco o estomago!
Naruto seguiu em frente guiando a mulher que em outros tempos o esbofetearia e mandaria ser menos barulhento.
Sasuke sabia que não seria como nos velhos tempos, e embora não parecesse, Naruto também. Mas ele não se negava a ter algo próximo disso, e o Uchiha os seguiu, resolvendo pensar o mesmo.
Logo estavam diante da barraca do Ichiraku, estava maior e mais lotada, mas o cheiro e a sensação eram as mesmas, inclusive os sorrisos do dono e da sua filha. Além de também um garoto que parecia ser um ajudante. Com o numero de clientes, Sasuke não duvidou que ajuda fosse necessária. Mas esperava que o garoto soubesse fazer mais que encarar seus clientes com uma cara de cachorrinho querendo atenção, de Sakura.
– aaah, Sakura-chan, é assim que se pega nos hashis – Naruto exclamou, tentando ajuda-la a segurar os palitos da fora correta.
Sasuke revirou os olhos ao ver que ele apenas a atrapalhava mais e podia prever a bacia de lamén virando sobre os dois.
– que cara idiota – resmungou, tomando os palitos dele, e os levando a mão de Sakura, entremeou os dedos entre os dela, posicionando cada peça em seu lugar, e em seguida, pegou um punhado do macarrão. – segure assim, com firmeza, e para pegar, faça assim – explicou. E ela inclinou a cabeça, quando percebeu que puxava algo um pouco pesado com aquilo, ele soltou sua mão lentamente, deixando-a imitar o movimento, sozinha.
– perfeito! – Naruto disse.
– humpf, a única coisa impressionante é como consigo ensiná-la com uma mão quando você não o faz com duas.- comentou, em provocação e o amigo logo o fulminou com os olhos. Enquanto trocavam silenciosas trocas de ameaças, Sakura levou o macarrão para a boca, e piscou ao sentir o sabor, ao reconhece-lo.
– Kakashi-sensei, está atrasado – disse, e levou outra quantidade para a boca enquanto os dois homens a fitaram aturdidos, antes que pudessem levar isso como uma memoria recém descoberta, viram Kakashi se sentar ao lado de Naruto sorrindo sob a mascara, bem humorado.
– yoo! Acho que fui pego.
– Kakashi-sensei?!
– vocês estão bem distraídos hã? Sakura me percebeu primeiro. – brincou.
– oh, eu estava ensinado ela a comer lamén com os hashis!
– correção, você estava falhando miseravelmente nisso – Sasuke declarou.
– não enche! – O Uzumaki só não avançou nele pois Sakura estava entre os dois. Kakashi pediu uma refeição e conversaram ao som da movimentação ao redor e do festival, cada vez mais animado.
– Naruto, já encontrou Hinata? Ela o estava procurando – Kakashi indagou, e nesse momento o loiro empalideceu deixando o pedaço de porco escapar da boca.
– parece que não – Sasuke desdenhou.
– yare, yare, eu iria logo, se fosse você – Kakashi comentou, sorrindo enquanto se levantava e seguia para fora do lugar.
– Kakashi-sensei...? – Sakura chamou, encarando o vazio com o cenho franzido – está saindo sem pagar, de novo...
Kakashi parou no lugar, enquanto que Naruto e Sasuke voltaram as cabeças para ele, com caretas furiosas que lembravam demônios.
– velho golpista...- Sasuke rosnou.
– tentando nos fazer de idiotas de novo...
Kakashi, deu a volta e tirou a mão do bolso, deixando umas notas sobre o balcão e saiu acenando e sorrindo cinicamente por baixo da mascara.
– a refeição da Sakura fica por minha conta, até porque, é mais barato pra mim, mortos de fome e competitividade...
Os dois bufaram, e então ele partiu.
Da porção de Sakura já só restava o liquido e alguns pedaços de legumes e carne, mas ela empurrou para a frente, seja por já estar satisfeita, ou por cansar de não conseguir pescar mais nada com os palitos.
– agora que tal darmos uma volta?
– que tal ir procurar sua mulher? Até a paciência dela tem limite, Naruto – ele se encolheu constrangido, mas concordou, suspirando.
– tudo bem! Tem razão! Vamos lá, Sakura vai poder brincar com os garotos nas barracas.
– hm – os dois pagaram as duas porções que cada um consumiu, e Sakura enfim reconheceu o dono do Ichiraku, ou pelo menos lembrando por um momento, o costume de sair se despedindo dele e da filha.
Os três caminharam pela multidão, evitando onde o som era mais alto, ela balançava a cabeça incomodada com o som dos tambores e flautas das apresentações artísticas.
Então uma criança passou soprando um apito bem ao lado dela, e Sakura recuou para o lado se encolhendo e uma das mãos agarrou a manga de Sasuke e a outra cobriu um dos ouvidos enquanto as madeixas se encolhiam tremulantes.
Ele puxou seu ombro, tirando-a do caminho dos garotos e indo para perto de uma barraca.
– tudo bem? – Naruto exclamou, nervoso.
Sasuke olhou em volta procurando mais daquelas porcarias, porém o som já diminuía a medida em que as crianças se afastavam mais. Sakura ergueu a cabeça, os olhos confusos e um pouco desnorteados, a mão enfim afrouxou na manga dele.
– vai ficar tudo bem, que tal jogarmos algo?
– encontre sua mulher, idiota.
– ora pare de falar na minha Hinata! E onde está a sua?!
Sasuke deu de ombros, lembrando que Karin não parecia disposta a sair aquela noite com as crianças, e ele apenas caminhava pela vila, por conta do costume que adquiriu em estar sempre andando, quando encontrou Naruto e Sakura.
– ela detesta sair.
– humpf, ah! Olha, uma barraca de dardos!
Ele se voltou para o lado vendo a tal barraca, com um jogo de acertar dardos em alvos em movimento, que eram apenas reles patinhos e coelhos presos numa roda de madeira, que não parava de girar, mais atrás haviam latinhas que valiam os brinquedos da barraca, enquanto que os patos, apenas bibelôs baratos como mascaras, hitaiates de brinquedo, vidros de bolhas de sabão, os irritantes apitos além de doces.
– sua pontaria está boa, Sasuke? Tem que estar não? Usando só um braço – Naruto provocou enquanto girava um dos ombros, aquecendo.
Sasuke sorriu um pouco, afinal, ele tinha certa razão. E por isso, iria perder, ergueu o punho puxando com o dente a ponta da manga da camisa até o meio do antebraço, não querendo que nada atrapalhasse sua mira.
– hey, mande uma rodada aqui! – Naruto pediu e surpreso o dono lhe ofereceu cinco dardos.
– quem vai primeiro? – disse Naruto.
– tanto faz.
– então damas primeiro, pode ir Teme, e Sakura-chan eu vou ganhar um ursão pra você!
Sasuke revirou os olhos e acabou mirando os prêmios, haviam pelúcias de bonecas com rostos de porcelana e também, guerreiros, e graciosas gueixas e princesas em miniatura. O maior urso era um coelho branco que tinha metade da altura de Sakura, o que ele achava um exagero.
Lançou dardo, e este acertou um patinho, bem no bico, Naruto riu e ele bufou. O dono perguntou o que queria levar e Sasuke pegou uma mascara de raposa deixando de lado no balcão, sem muito interesse. Naruto lançou o dele e acertou cauda de outro pato. Sasuke sorriu. E alguém ofereceu uma cadeira para Sakura sentar.
Aquela competição ia longe.
********************************************************************
– eu juro que as vezes tenho vontade de matar o hokage – Ino resmungava pelo caminho.
– acho que todo mundo já sentiu... – comentou Sai.
– droga! Era pra estarmos nos reunindo agora, ele só tinha que pegar Sakura e levar pra churrascaria! Porque ele tem que complicar tanto?!
– você está falando como o tio Shikamaru, okaa-san – Inojin comentou.
– humpf.
Inojin voltou a atenção para a frente, quando dobraram numa esquina e acabou trombando pesado com Shisui que recuou ajeitando os óculos que quase caíram.
– cuidado! – Ino disse. – vocês estão bem?
– hai...- assentiram, desconcertados.
– oh, é você, passeando também? – a loira cumprimentou, cordial, e o garoto assentiu – achando tudo divertido?
– hai.
– até que não é tão bagunçado assim – comentou Karin enquanto vinha, pela mão trazia Mangetsu e na outra Izuna que segurava a da irmã afoita por ir curiar tudo.
Ino tentou não mostrar quão desagradável achava a senhora Uchiha, por mais que esta não fizesse questão de mudar isso.
Entrar em conflito com a ruiva só mostraria quão desagradada estava da relação que ela tinha com o Uchiha e de como isso afetou Sakura.
Mas Ino agora procurava ver o melhor lado de toda esta situação, Sakura estava livre disto, deste sentimento, era a melhor coisa daquilo tudo, ela não podia ver, mas seus ouvidos não seriam machucados pelo o que ouvia, ela era inatingível desta forma, inatingível de Sasuke magoa-la... mesmo que o preço fosse ser inatingível da memoria e momentos com o resto.
Uma dádiva e uma maldição.
E ela lutaria para que Sakura permanecesse inclinada e recebendo apenas os frutos da dádiva.
– não haveria como ser, temos ótimos organizadores, eu mesma ajudei ano passado, mas esse ano não pude, então resolvemos apreciar, mas eu prefiro o Hanami, quando as flores das arvores se abrem e a aldeia fica repleta de Sakuras, o desse ano foi maravilhoso! O de ano que vem, tenho certeza que também será – ela disse, com a face sonhadora e alegre fingido não perceber o desconforto e desgosto na face da mulher.
Tudo bem, talvez não estivesse fazendo perfeitamente o papel de quem não se importava, mas ela não se ligava, estava só começando ora.
– em Oto não tinha muitas cerejeiras...- comentou Izuna, pensativo – mas as ameixeiras e glicínias eram bonitas, né, okaa-san?
– hai, eram muito bonitas.
– aqui também tem! De tudo um pouco, mas as pessoas quase brigam pra ficar embaixo das cerejeiras, fazer o que? Acho que costume.
– vamos, Ino, ainda temos que encontrar o Naruto – disse Sai.
– ah! Tem razão, vou trucidar aquele idiota!
Com os garotos conversando, foi meio inevitável que continuassem caminhando próximos, encontraram inclusive Hinata com os meninos e deparando-se como um burburinho e um bando de gente observando e cochichando ao redor de uma barraca.
– mamãe eles vão levar tudo! – lamuriava um garotinho de quatro anos, a mãe suspirou pegando-o no colo e se afastando de lá.
– não chore vamos achar outra barraca.
– buaaaah!
– quanta agitação – disse Boruto, meio entediado e emburrado.
– Na-Naruto-kun? – Hinata murmurou, começando a adentrar a multidão ao perceber a cabeça loira do marido.
Eles foram se aproximando e o quadro que encontraram foi: Sakura sentada num banquinho e praticamente coberta de tralhas como chapéus, mascaras, brinquedos, caixas de doces, pipocas e principalmente ursos de pelúcia, e no canto do balcão haviam mais enquanto Naruto e Sasuke trocavam olhares fulminantes e voltavam a atingir os patinhos e coelhos do alvo com tanta ânsia que parecia que viam inimigos ali.
O dono estava praticamente encolhido no canto, segurando mais um bolo de dardos que sabia que seriam usados, de novo e de novo.
– mas que diabos?! É isso que estão fazendo?! Jogando?! – Ino exclamou tomando a atenção deles.
– eh? Olá, pessoal.
– não venha com essa de olá! Você deveria ter levado Sakura para Churrascaria a uma hora!
– eh? JÁ PASSOU TANTO TEMPO?!
– tsc, deixa de ser barulhento – Sasuke reclamou, deixando o dardo dobre o balcão e empurrando as mechas escuras da frente do rosto, só então reparando que estava suado e seu braço até doía. Lembrou-se então que ficara absorvido na disputa com o idiota e voltou a atenção para Sakura, arregalando um poucos olhos ao vê-la quase que coberta de tanta pelúcia.
Talvez... tivesse ficado mais que “absorvido”...
Ino começou a resmungar e xinga-los de irresponsáveis enquanto tirava tudo aquilo de cima da outra, Sakura se limitou a permanecer segurando uma ovelhinha de pelúcia e pelo de lã de verdade, que tinha uma expressão de quem tinha um sono invejável, e graciosos chifres enrolados.
– vocês estavam jogando a quanto tempo? Ganharam essa tralha toda?!
– eu ganhei mais, claro – Naruto gabou-se – alias, ganhei isso pra você, Hima! – disse entregando a ela uma caixinha de musica que tinha um belo girassol esculpido na tampa – gostou?
– é liiiindo! Arigato, papa!
– que bom que gostou, e Boruto?
– que? — o menino resmungou e apanhou no ar um urso de pelúcia em forma de raposa, uma representação fofa de Kurama, que internamente, fizera Naruto ouvir resmungos e resmungos da ranzinza raposa demônio. Ele detestara ser visto e ainda representado de forma tão “ultrajante” e exigia que Naruto fosse destruir quem fabricasse as raposinhas.
– hey, eu não sou um bebê, velho – Boruto reclamou.
– oh, então, me dá?! – Hima pediu e ele bufou segurando a pelúcia.
– você já ganhou algo, não?
– ora...
– e esta parte toda? – disse Hinata vendo a outra pilha. Sasuke deu de ombros.
– minha claro, e dobe, estamos empatados.- corrigiu, mas Naruto ignorou completamente enquanto mimava Sakura entregando-lhe o maldito e enorme coelho que ele perdera numa rodada.
– aquiiii! Eu disse que pegaria pra você.
– idiota – o Uchiha resmungou. – e vocês, dividam direito, sem brigas – falou aos filhos assim que viu que até Shisui se interessava por seus ganhos, Izuna e Sakuya disputavam um boneco de pano e Mangetsu admirava a delicada beleza das bonecas de princesa em miniatura e no fim, ficou apenas com uma delas e um guerreiro samurai que portava uma longa espada. A princesa tinha longos cabelos negros e olhos puxados e verdes. Ele os poria sobre seu criado mudo e dormiria imaginando historias e aventuras com os dois como personagens, como sempre fazia quando via coisas assim.
– vamos logo, vocês não tem vergonha? Parecem garotinhos – resmungava Ino – está com fome querida?
Sakura deu de ombros, num braço segurava a ovelha no outro, o coelho graúdo cujas pernas começavam a arrastar no chão.
– deixe que eu levo isso, ou vai sujar, como você é exagerado, Naruto.
– haha! Ela já comeu com a gente, Ino, nós a levamos ao Ichiraku!
– eh? Ela conseguiu comer?
– perfeitamente, eu...
– Ichiraku...- Sakura pronunciou e eles voltaram a atenção para ela, — comer lamén... difícil...- ela ergueu a mão que imitou os movimentos com os hashis – segure assim, com firmeza, e para pegar, faça assim...
– oh! Que bom! Você realmente aprendeu!
– olha, só, teme! Ela lembra de como você ensinou, haha, até que você não é mau sensei, acho que vou te mandar pra academia! – Naruto gargalhou, e Sasuke bufou virando a cara.
Eles voltaram para a churrascaria, onde o resto esperava já jantando, pois cansaram da demora.
– quanta gentileza a de vocês! – reclamou Naruto.- só por isso, vão me pagar uma rodada!
– mas você já não comeu? – indagou Ino, irritada.
– ora e daí?
– eu sempre quis saber, você come tanto porque é morto de fome ou por que também alimenta Kurama-dono dentro de você?- disse Sai.
– huh?! Não enche branquelo! – Naruto reclamou, ainda mais indignado quando Kurama riu desdenhoso e disse que nada tinha haver com sua falta de modos.
– vamos comer logo, está ficando tarde e nem fomos no templo – disse Karui – temos de fazer o sorteio.
– claro, enquanto eles se matam de comer, a gente faz logo isso – disse Ino, ela e Hinata começaram a escrever os nomes em guardanapos, dobraram e os colocaram na caixinha de Himawari oferecida por ela de bom grado, embora um pouco amuada por não estar concorrendo nesta rodada, posto que fora sua casa a primeira.
Quando a refeição terminou, Hinata balançou a caixa com firmeza e delicadeza e abriu.
– alguém quer puxar?! – brincou.
– are are, ela não é um premio – riu Temari.
– eu vou! – ChouChou se prontificou se erguendo cheia de pompa e indo até lá, pegou um papel e deu para Ino.
– então, quem vai ficar com Sakura a partir de amanhã será...
– diz logo!
– Naruto, você nem está mais concorrendo, fica na sua!
– ah... nem você, loura chataaaa! – Ino quase amassou o papel, irritada respirou fundo e leu.
– o próximo é... Tenten!
– eh?!
– yup! Vou ter uma companheira de quarto! – a morena saltitou animada.
– cuide bem dela, Ten!
– claro que vou! A loja de armas é tão chata estando sozinha!
– amanhã nós levamos as coisas dela pra sua casa, alias, também quero falar do apartamento que encontramos para Sakura, me pareceu ótimo e quem mostrou foi Suigetsu-san.
– é! – Suigetsu disse, jocoso.
– você? – disse Juugo, com ar de duvida.
– claro! Lembra do apartamento que estava pra alugar onde estamos morando? Não conseguiu oferta rápida por que era grande demais, maior que o nosso, e amigo, me pareceu um ótimo espaço, então disse para Ino-san.
– e eu mesma fui ver, e achei muito bom! Claro que vai precisar de umas mudancinhas mas é bem localizado, é uma pechincha até!
– você tem certeza que é bom? Eu não confiaria no tipo de vizinhança que ele gosta – disse Karin.
– não enche! É um bom lugar, não vou dizer que é de família, tem quase nenhuma, a maioria é gente solteira morando só, mas tudo gente boa e tranquila, além do mais, eu e Juugo moramos lá agora, podemos vigiar ela sempre.
– tem razão... mas eu ainda prefiro ver eu mesmo – disse Naruto – claro que ainda vai demorar pra que a deixemos ir pra lá, não só quanto a sua reeducação, mas também por sua segurança, certo, Sasuke?
Sasuke concordou um pouco cansado. Ele nunca apreciou coisas como sorteios, por que nunca se importou de ganhar as coisas. Mas ficara realmente ansioso com a ideia de “ganhar” Sakura, e isso o fez concluir que realmente não estava pronto para recebe-la em sua casa, não tão cedo.
Porém também não confiava muito em Suigetsu, o fato de não haverem famílias, crianças ou idosos que Sakura poderia ferir não aliviava quando poderiam haver solteiros e estranhos que pudessem ferir ela.
– o que precisa mudar no apartamento, Ino? – Temari indagou.
– hum o chão da sala tem nível diferente, mas podemos planificar o relevo, além de mudar as portas, e janelas, o resto são as modificações necessárias para Sakura poder transitar sem empecilhos pela casa.
– entendo...
– mas eu gostei do espaço lá fora, tem um parque pequeno mas sossegado, ela pode sentar e apreciar o vento e ver o sol como bem gostar, além do acesso, o apartamento fica no segundo andar, os degraus são bem alinhados os corrimãos seguros e o corredor largo, ela sabe subir e quando aprender a ir lá, entrará e sairá sem problemas.
– isso é ótimo!
– e a calçada tem rampas, eu adorei.
– perfeito!
– agora vamos ao templo? Eu nem escrevi meu tanzaku ainda — Ino disse com um certo muxoxo, e então sorriu, alegre – embora eu ache que já tenho tudo o que poderia querer!
********************************************************************
– você vai pedir dinheiro?! Você não presta mesmo! – disse Karin, Suigetsu mostrou-lhe a língua e continuou a escrever o que queria numa tira de papel verde. Ao terminar, amarrou-a num bambu, e em seguida tirou outra do bolso, esta sendo rosa, não passou despercebida pelos olhos da ruiva.
– eu tenho vários pedidos, mas vou me conformar se esses se realizarem – ele disse, todo empolgado após escrever e deixar amarrado o papel, em seguida foi até o filho que parecia indeciso sobre o que pedir – quer ajuda?! Que tal uma namoradinha?
– otou-san!
Karin tragou silenciosamente e encarou o delicado papel rosa, com a letra horrível de Sui, ainda sim podendo ler facilmente que estava gravado.
“Uma linda e gentil garota para o reeeeesto da minha vida, que tal?”
Ela ajeitou os óculos e se afastou do bambu, infelizmente, para sua própria miséria, e o que passaria a odiar por ter se entregado a fazer depois. Não foi sem antes arrancar o papel rosa, amassa-lo no punho e larga-lo no bueiro.
– o que seria melhor? Rosa ou vermelho? – Ino disse. Hinata suspirou rindo e pegou um papel azul.
– que tal azul? Proteção divina é sempre bem vinda – Ino inflou um pouco as bochechas, e deu de ombros.
– você é romântica demais – disse Temari – oh branco é adequado também – disse.
– tem razão.
– talvez devamos deixar os pedidos de paixão e amor para o próximo ano, é muito cedo para Sakura-chan – Naruto disse, com ar paternal e severo que fez a esposa rir e Ino mostrar-lhe a língua.
Talvez devessem parar com essa idiotice. As palavras despontaram por pouco na língua do Uchiha, o que infernos tinha demais em deixar Sakura viver tranquilamente, se era certo que ela não podia se administrar em um relacionamento?
– vocês são tão chatos – a Yamanaka disse. – tudo bem, então serão azul, branco e hum... verde! Por que esperança ajudaria muito não?
– certo, verde pode ser.
– ótimo! Sakura? Tem algo que queira? – ela disse, pronta para assinar qualquer pedido, mesmo que fosse meio bobo.
Sakura em girou a cabeça na direção da calçada e pareceu procurar algo então se desencostou da pedra próxima aos bambus onde penduravam seus pedidos, nos fundos do templo.
– Kyouya...- disse.
– certo, então você quer Kyou- que?!
– quem é Kyouya?! – exclamou Temari.
– quem é? Eu mato! – disse Naruto.
Sakura se afastou da pedra e caminhou, parecendo inicialmente perdida, e voltando-se para algumas direções antes de se aproximar de um grupo de quatro pessoas que estavam de costas, conversando animadamente, duas mulheres e dois homens que penduravam pedidos.
Ela caminhou até as costas de um deles, e ergueu a mão alcançando a cabeleira de cachos que pareciam de um dourado escuro do homem, seu indicador se introduziu na espiral e começou a girar ali, moldando o cacho continuamente.
– Kyouya...?
– eh?! Kyouya! – exclamou uma das moças, aturdida, ele se virou rindo e deparou-se com a bela paciente por ter se virado, o dedo dela enganchou em seu cabelo fazendo uma pequena mas dolorosa fisgada no couro.
– itai... ah? É você.
– Sa-Sakura-dono? Como ela te achou?! – exclamou a moça.
Ele deu de ombros e riu ainda sentido ela enrolar o dedo em seu cabelo. Mas a possibilidade de ela querer ficar assim sabe-se lá quanto tempo foi meio constrangedora, mas se preocupou em saber como diabos ela fora parar ali, no meio de tanta gente. Delicadamente capturou sua mão e baixou segurando-a com calidez.
– como vai, senhorita? Passeando também? Espero que o barulho não a tenha incomodado.
– Kyouya...- ela disse erguendo a ovelhinha que trazia embaixo do braço – ele não canta pra mim...?
– eh?
– o que ela quer dizer? – disse seu colega, Kira.
Kyouya encarou o brinquedo intrigado, então sorriu ao desvendar suas palavras.
– ah, entendo, decepcionada? Prometo que vou dar um jeito nisso – sorriu, e voltou-se aos confusos colegas – na sala de musica tem um carneiro com uma caixinha de musica embutida, as crianças adoram ele, ela percebeu que esse não canta mesmo que aperte muito.
– oh! Incrível, a percepção dela, quer dizer, com os objetos – disse Miki.
– de fato não?
– ela gosta de seu cabelo! – riu Maka que por acaso era irmã de Miki.
– de fato não? – ele repetiu, rindo – agora se me dão licença, vou tentar devolve-la seja lá a quem estava com ela.
– hai!
Ele puxou sua mão guiando-a e ela ocupou a segurando a pelúcia.
– não canta...
– sim, prometo que vou faze-lo cantar.
“Embora não tenha ideia de como...”
– com quem você estava hã? Perdeu-se?
– Ino...
– Yamanaka-san? – ele disse ao reconhecer a bela e voluntariosa loira.
– aí está você! – Ino disse ele estranhou já que ela vinha de um grupo que estava perto de onde Sakura o encontrou, mas, Sakura era silenciosa e por isso acabava sendo sorrateira, mesmo sem querer, e ela havia aprendido a ocultar o chakra, o que só facilitava. – você... eu te conheço...- a médica inquiriu, pensativa.
– Kyouya. – Sakura disse.
– eu sou Kyouya Nagano, trabalho na clinica e no hospital, como pediatra e terapeuta infantil.
– oh! Nagano! O cara dos cachinhos! Lembro das enfermeiras falando de você!
– ah...
– Kyouya tem cachinhos...- Sakura disse, pegando o cabelo dele, mas desta, ela pegou com força fazendo-o baixar a cabeça na direção de Ino – cachinhos, Ino.
– oh! Oh! Eu vejo querida, eu vejo sim, e são muito bonitos, agora solte antes que os arranque...
– i-isso seria muito bom...- ele gemeu.
Ino segurou a mão dela, e tocou os cachos do homem incitando Sakura a solta-los e perceber que ela também sabia do fato que queria mostrar, claro, Sakura não tinha pelo menos vez ou outra, consciência que era a única que não via as coisas, e já tentara mostra-las a alguém esperando que a pessoas as apalpassem tal como ela.
– são muito bonitos, querida, eu também achei – então, a Haruno soltou, e ele ergueu a cabeça estalando o pescoço e fazendo uma leve careta.
– quanto vigor ela tem, não? – brincou embora seu couro cabeludo pinicasse.
– ela tem pouca noção de sua força, principalmente das mãos, não as usa para se defender, afinal – Ino explicou.
– eu entendo.
– mas de onde conhece ela? – disse Hinata que ele não pode deixar de reverenciar antes de responder, afinal era esposa do Hokague e já estava meio constrangido com o olhar do resto, como se o avaliassem.
– Tsunade-sama me escalou para ensina-la o Braile, e também com terapias simples e atividades.
– oh! Você? Entendo, nós estávamos mesmo bem arranhadas nisso, você é especializado nisso?
– sim, sim, trabalho com deficiências visuais, auditivas e da fala, mas claro, que ela é minha primeira paciente deste porte.
– entendo! Diga, ela está evoluindo?
– ah, é uma caminhada cheia de desafios...
– anda um passo pra frente um dia, noutro volta três – Ino suspirou. Ele assentiu.
– mas ela está indo bem, ela tem uma memoria boa, com padrões, claro.
– nós já percebemos, ela gosta de repetições.
– meu cabelo que o diga.
– haha!
– então, vamos andando ou não? – disse Naruto com ar meio emburrado.
– vá na frente ora, Hinata sabe o caminho de casa, e Sakura ainda é minha, por hoje!
– hoje? – ele indagou, intrigado.
– estamos dividindo a guarda dela, ela não está pronta para ser vigiada por um estranho, e bem, não queremos deixa-la numa casa sozinha ainda.
– ah, entendo, guarda compartilhada huh? Vai ser bom para o desenvolvimento da mente social dela.
– sim sim!
– e ela gosta de crianças.
– você percebeu? Realmente!
– ela tem uma percepção apurada, principalmente ao toque, pode reconhecer objetos e semelhanças realmente bem.- Kyouya concluiu, pensativo enquanto segurava o queixo.
Ino nunca esteve tão perto de saltar sobre um homem que não fosse seu marido ou seu adorável filho, em muito, muito tempo. Aquele rapaz captara tão rápido a essência não só das necessidades de Sakura, mas de suas habilidades e triunfos...
– siiim!
– não ligue pra ela, é meio louca – riu-se Karui. – porque não vamos logo pendurar nossos pedidos? Já está ficando tarde e já vão queimar os bambus.
– tem razão! Vamos lá, já fez o seu, Kyouya-san?
– já sim.
Eles seguiram de volta a onde elas estavam antes e amarraram os tanzaku nos galhos do Bambu.
– pronto, Sakura, nem disse o que quer, hum, você gosta de paz? – Ino indagou brincalhona.
– eu sempre acabo pedindo dinheiro, acho que por isso Orihime fica zangada e não me ajuda muito – Kyouya brincou.
– paz...? – Sakura indagou – é de comer?
– é de sentir.
– sentir...? Como o sol?
– sim, sim! Como o sol, tão bom quanto o sol. – Ino falou, dando-lhe o papel, Sakura o segurou entre as mãos e o apertou puxando-o para o colo, como se o abraçasse, e sua expressão foi a mais doce que fizera desde que retornou para eles, tal como o sorriso emoldurado por seus fios flutuantes.
– paz... eu quero paz...quero muita paz, e muito sol.
Ino engoliu e fungou, infernos, detestava ser tão sensível, e sorriu pegando delicadamente o papel da moça, e escrevendo: “Toda a paz do mundo para Sakura”.
– acho que vou pedir o mesmo – Kyouya disse, divertido, e pegando outro papel branco, escrevendo também, os mesmos dizeres.
– “Toda a paz para Sakura-chan” – disse Himawari, quase soletrando, Hinata beijou sua cabeça.
– paz para todos nós.
– sim!
Pouco mais tarde, eles assistiram o sacerdote queimar seus pedidos e a fumaça deles subir para o céu, para que a princesa tecelã os realizasse em troca de novamente, no ano que vem, e naquela mesma data, poder reunir-se ao seu amado.
– sempre me perguntei se esse tipo de amor poderia mesmo existir, esperar tanto por alguém, o ter por apenas alguns momentos, me soa cruel – Kyouya comentou, enquanto conversavam sobre a lenda ao voltarem para casa.
– o que valem são os momentos, você certamente ainda não se apaixonou – disse Ino ele anuiu com os ombros.
– mas estou bem assim – disse.
– eu também dizia o mesmo – ela falou, abraçada ao braço do marido.
– dizia? – Sai indagou, com bom humor.
– dizia siiiim – Ino cantarolou.
– que melosos – disse ChouChou, e começaram a rir.
Talvez tivesse sido realmente engraçado, se Sakuya não tivesse resolvido perguntar porque o papa e a mama não eram um casal assim. Karin só pode agradecer por ela ter perguntado baixinho, mas não pode ficar menos que descontente, quando Sasuke mesmo estando perto o bastante para ouvir, fez-se de surdo para a questão, mesmo tendo sido feita para sua filha adorada e que tanto mimava.
– os casais são diferentes, as vezes, se gostam de formas diferentes e demonstram de formas diferentes, querida.
Sakuya assentiu, atenta, mas inteligente o bastante para testar sua resposta olhando em volta para os casais que os acompanhavam, e que andavam abraçados conversando entre si animadamente, porém, pelo menos naquela hora, não questionou mais.
– bom, é por aqui que me separo – Kyouya disse, parando numa esquina.
– que coincidência, nós também – Sui falou, pondo o filho no chão. – boa noite campeão, vamos lá Juugo, seu gigante.
– boa noite a todos – Juugo disse, sempre cordial.
– senhorita, nos vemos amanhã – Kyouya se despediu, cordial, e tomou seu caminho, acompanhando Sui e Juugo.
– eu conheço esse olhar, controle-se Ino – Sai disse, e ela empinou o nariz.
– não sei do que está falando, querido.
– me chamou de querido? Agora tenho certeza de que está maquinando algo.
– humpf.
Fale com o autor