Lost Inside
13 Não deixe cantarem para ela.

– com sono? Hora de dormir! Tome – Tenten ofereceu-lhe o copo de água com o remédio para sono e Sakura o tomou sem se importar, ela então pôs seus pés na cama e a ajudou a se deitar, puxando a coberta até seu ombro e vendo-a se encolher abraçada a sua ovelha de pelúcia e com a cabeça repousada no travesseiro sobre o colo do grande coelho branco. – bons sonhos, Sakura-chan.
Tenten, desligou a luz do quarto e deixou apenas um abajur aceso, então saiu, indo responder uns e-mails no computador e depois se deitar, Sakura estava com ela a cerca de três dia já, e era uma rotina bem tranquila até, visto que Sakura passava boa parte do dia na clinica estudando braile e sendo examinada.
Seu apartamento era pequeno e modesto, mas conseguiu deixa-lo menos atulhado de coisas para que a amiga pudesse transitar nele à vontade. Além de guardar bem suas preciosas armas que sempre acabava deixando em algum canto.
Pela manhã, cumpriu o ritual de café da manhã, e levou Sakura para tomar sol no parque antes de ir ao hospital. Deixou-a nas mãos do doutor Kyouya e partiu para a loja.
– como vai minha paciente favorita? – ele disse, sentando-se com ela na grama límpida e abrindo o livro especial.
– bem. – era engraçado como ela respondia sem qualquer presunção ou orgulho.
– muito bem, vamos ler um pouco?
– hun? – ele lhe estendeu o livro sobre o colo e pousou suas mãos nas primeiras linhas.
– você consegue ler?
– “Uma historia sobre... guerra, coragem, le-lealdade e paixão...” – ela leu, ainda se adaptando ao toque outra vez.
– exatamente...
Ela prosseguiu algumas linhas do texto, então, ergueu a cabeça e pareceu se perder de novo, ele esperou com paciência pois as vezes ela voltava logo e prosseguia, outras, perdia o interesse de vez.
– “Meu caminho é cada manhã
Não procure saber onde estou
Meu destino não é de ninguém
E eu não deixo os meus passos no chão...
Kyouya a fitou, sem entender bulhufas, ela estava cantando?
Sua voz era suave, longe de ser uma voz de cantora, mas era baixa e o timbre rouco o bastante para ser até agradável.
– onde aprendeu esta canção?
– ... Se você não entende não vê
Se não me vê não entende
Não procure saber onde estou
Se o meu jeito te surpreende...
– oh?
Sakura ergueu a cabeça encarando o sol que não podia irradiar e irritar sua vista, mas ele sabia que não era bom que encarasse a luz pois ainda que não visse, prejudicaria sua íris.
– ... Se o meu corpo virasse sol
Minha mente virasse sol
Mas só chove, chove
Chove, chove...
– Sakura-san? Quem te ensinou essa canção?
Ela se interrompeu, e inclinou a cabeça, pegando a ovelhinha abandonada na grama.
– cantou pra mim...
– hum? A ovelha?
– não, o homem na janela.
– que?
– ele veio e cantou pra mim quando fui dormir.
– senhorita, quem é esse homem? Você conhece?
– lie – isso foi o bastante para ele se levantar, puxando-a o mais delicadamente que podia e marchando com ela rumo ao escritório do Hokage, poderia leva-la para Tsunade mas sabia que ela não estava no hospital e sim em uma reunião com farmacêuticos. Além do mais, não lhe parecia uma questão médica, Sakura nunca chegou ao ponto de inventar pessoas. E duvidava que chegasse agora.
– eu preciso falar com o nanadaime! Agora.
– nanadaime está em reunião – o ninja disse, e ele detestou lembrar o quanto odiava lidar com esta classe.
– é sobre ela – rosnou entredentes – não acho que ela seja uma questão que ele queira que ignorem por ele.
O shinobi se empertigou e começou uma resposta grosseira.
– e não é – respondeu Uchiha Sasuke, atrás deles, o olho negro não deixando muito espaço para discordâncias tudo em sua postura era poder e autoridade.
– quem é? – Sakura indagou – Sasuke?
O homem piscou, levemente aturdido, talvez até muito, mas isso era algo que ele parecia fazer questão de não mostrar.
– Aa – disse, então fitou o médico e indicou o corredor para o alto da torre com a cabeça. – vamos – seguiu em frente e Kyouya o seguiu trazendo Sakura pela mão.
– o que ela fez desta vez? –Sasuke indagou, mas seu tom não era acusativo ou aborrecido.
– ela começou a cantar, esta manhã.
– hn?
– uma canção que alguém cantou para ela ontem a noite, quando ela devia estar dormindo, que um homem cantou.
Sasuke parou a pisada no degrau mas por fim se apoiando, voltou-se para trás e fitou a mulher.
– quem é?
– ela não parece saber, mas sei que está sob a guarda de Mitsashi-san, e que ela mora sozinha, sempre a trás pela manhã e nunca citou qualquer visita deste tipo.
Sasuke voltou-se para a frente e continuou subindo.
De fato Tenten era a única que deveria guardar os passos de Sakura no momento, mas ele lembrou que ela era uma mulher solteira ainda, e que cuidar de Sakura poderia atrapalhar sua vida adulta, entretanto, ela era uma garota responsável e disciplinava, então não a via trazendo homens para casa, com Sakura lá.
Não se importou de chutar as portas entreabertas do escritório, nem sempre estava com paciência de usar o único braço que tinha.
– teme?! O que diabo está fazendo?!
– seja mais discreto, Sasuke – Shikamaru disse, os dois estavam na mesa, entre rolos e rolos de pergaminhos e livros, Kakashi estava sentado na beira da janela.
– algo errado? Oh? Sakura? Porque ela está aqui?
– Sakura-chan?! Veio me visitar?!
– acho que temos algo perigoso acontecendo ao redor, dela...- Kyouya disse fazendo as expressões dos homens mudarem.
– mande chamar Tenten, agora – Sasuke disse.
– certo, mas expliquem o que se passa – Shikamaru falou, enquanto Naruto dava a ordem pelo telefone.
– eu estava ensinando-a esta manhã, então ela simplesmente parou, e começou a cantar, quando perguntei quem ensinou ou onde ouviu, ela disse que um homem cantou pra ela dormir.
– que?!
– impossível! Tenten estava com ela!
– além do mais, ela toma remédios para o sono – Shikamaru disse.
– remédios? – Sasuke indagou, fitando Sakura e não vendo qualquer sinal de que precisasse de sono em demasiado, estava saudável e as bochechas graciosamente coradas.
– Shizune disse que ela demora pra dormir, porque sua mente demora pra descansar, então recomendou que déssemos um remédio para estimular seu sono.
– isso não é algum tipo de droga é? A mente dela...
– não são tarja preta, eu garanto, sei quais são, os receito para crianças com diagnóstico de hiperativismo elas são muito enérgicas, ao extremo, esquecem até da fome – explicou Kyouya.
– hn.
– mas a questão é que uma vez que toma ela dorme bem e pesadamente, será que Tenten esqueceu de dar?
– mesmo que tivesse, não explica ter um homem com Sakura, e ela não inventa pessoas. – disse Shikamaru.
– verdade.
– mandaram me chamar?! –exclamou Tenten adentrando o lugar abrupta e arquejante.
– Tenten, você deu o remédio para Sakura dormir ontem?
– eh? Claro que sim! Lembro perfeitamente e ela dormiu muito bem.
– você não sentiu presença alguma rodeando sua casa? Sakura simplesmente disse que aprendeu uma musica com um homem que veio quando ela estava para dormir, na janela dela.
– impossível! Eu teria sentido, além de que, demorei pra deitar ontem, depois que a pus na cama, fiquei um tempão respondendo e-mails!
– você deixou a janela dela aberta?
– s-sim... mas porque Ino disse que podia, Sakura gosta de luz natural, e de acordar com a do sol batendo nela.
– entendo.
– realmente, não tem como ela estar inventando?
– de uma hora pra outra? E a música?
– ela é inteligente, pode ter inventando.
– o subconsciente dela com certeza é algo imprevisível, mas a este ponto, inventar uma pessoa, com que propósito? Nossos subconscientes se manifestam com propósitos, até nossos sonhos podem ter significados, mas por que ela iria inventar uma pessoa para cantar? Sendo um homem, que geralmente não é uma figura para tal, porque não uma mulher mais velha, ou uma criança? Alguém que invoque uma figura materna ou familiar?
– não sabemos se esse homem não invoca uma figura paternal – Shikamaru lembrou e voltou-se para Sakura agora, perto da janela. – será que ela pode descreve-lo?
– e cantar a música! – lembrou Tenten – pode ter algum significado oculto, não?
– sim, eu vou chamar alguém para fazer um retrato falado, e acho que um gravador pode ajudar.
– só espero que isso tudo valha a pena, se ela estiver só inventando...- suspirou o Nara.
– será importante do mesmo jeito, Tsunade quer traçar o comportamento mental de Sakura-san, o fluxo de chakra continua aí, revolvendo seu cérebro, e ela quer estar atenta a qualquer mudança que possa trazer outra vez, o fato de ela estar aqui, sob nossos cuidados não muda o perigo que esse chakra armazenado pode lhe fazer, por isso temos que assistir seu comportamento, seus progressos e estar atentos a qualquer recaída. – Kyouya interveio, meio zangado, como era de se esperar, ninjas só se preocupavam com outros ninjas.
O Nara assentiu, lentamente. E em pouco mais de meia hora, havia uma moça com um caderno e lápis, de frente para Sakura, e Kakashi segurava um gravador.
– por onde começamos? Por que não canta aquela música bonita que estava cantando mais cedo? — O médico incentivou.
– música...?
– sim, que o homem cantou pra você dormir.
– o homem...da voz bonita...
– ai como a gente é burro! – gritou Naruto com as mãos na cabeça.
– huh?
– como ela pode descrever o cara... SE ELA NÃO O ENXERGA?!
A verdade caiu como um balde, e não um balde de água fria, mas de concreto que esmagou todos.
Sasuke se limitou a rir amargamente. Ainda recusando-se aceitar tamanha babaquice de si mesmo.
– estou passando tempo demais com você...
– não me culpe! Eu percebi primeiro!
– o homem da janela tem cheiro de bala...- Sakura comentou.
– oh? Bala? Você sabe que bala é?
– uma bala refrescante, que vinha para mim como fumaça...
– cigarro? – disse o Nara – cigarro de menta! Temari me fez fumar aquela porcaria pra parar, odiei.
– o que mais? Você o tocou?
– lie... ele me tocou.
Todos se empertigaram e uma onda de tensão massacrante tomou a sala.
– onde ele tocou? – Sasuke indagou, entredentes.
– Sasuke?!
Sakura ergueu a mão e levou os dedos para a própria testa.
– aqui...- desceu para o nariz – aqui – foi para as maçãs do rosto indicando ali também, as próprias orelhas e então pelo colo acima dos seios, imitando movimentos delicados e lentos até o pescoço e queixo – aqui.
– ele machucou você? – disse Kyouya, suavemente.
– lie, ele tem voz bonita, também cheira a terra molhada, seus dedos são suaves demais para os de um shinobi, mas seu chakra embora oculto... é um elemento de água e ar.
– e como é a música que ele canta?
– “Meu caminho é cada manhã
Não procure saber onde estou
Meu destino não é de ninguém
E eu não deixo os meus passos no chão
Se você não entende não vê
Se não me vê não entende
Não procure saber onde estou
Se o meu jeito te surpreende
Se o meu corpo virasse sol
Minha mente virasse sol
Mas só chove, chove
Chove, chove
Se um dia eu pudesse ver
Meu passado inteiro
E fizesse parar de chover
Nos primeiros erros
Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria sol
Mas só chove, chove
Chove, chove...”
– não parece algo para ninar. – comentou Tenten, baixinho.
– mas parece bem algo que ela criaria, ela gosta de sol.- disse Naruto, pensativo.
– mas ela não deu atenção para a chuva, desde que chegou – Sasuke cortou, e todos deram atenção a ele.
– sim! E onde estava certamente não teve contato com ela – lembrou Kakashi – mas e se ela apenas recorda a chuva...?
– não lembro de Sakura-chan não gostar da chuva, como a música sugestiona, mas ela gostava de dias ensolarados.- Naruto comentou.
– ... O meu corpo viraria sol
Minha mente viraria sol
Mas só chove, chove
Chove, chove
O meu corpo viraria sol
Minha mente viraria sol
Mas só chove, chove
Chove, chove.
(Primeiros Erros – Capital Inicial.)
– e o que seriam esses erros do passado? – disse o Nara – Sakura era uma pessoa como qualquer outra, aprendendo a ser justa, mas nunca cometeu grandes erros.
– ela dizia que detestava como foi arrogante comigo no começo, mas não acho que isso a magoasse tanto, eu nunca quis isso – Naruto comentou, pesaroso – eu sempre fui idiota mesmo.
– vou mandar isso para a inteligência, eles podem descobrir algo – Shikamaru falou, erguendo o gravador – agora temos de cuidar da segurança dela, este cara pode não vir cantar da próxima vez.
– sim...
– eu não acredito, tenho certeza que estive atenta a ela sempre – Tenten remoeu, amuada.
– não se critique ainda, não sabemos do que este cara é capaz, e sei que cuidar de Sakura e da sua loja é meio trabalhoso, poderia estar cansada demais sem perceber.- Naruto disse.
– devo leva-la de volta ao hospital? – Kyouya indagou.
– sim, continue com os estudos, vou pôr ANBUS por perto, e fale com Tsunade sobre isso, ela irá ficar irada mas vai se atentar ao comportamento de Sakura-chan, e se ela ocultou algo mais da visita desse cara sem perceber.
– entendo.
– Kakashi-sensei? – Sakura indagou perto da janela.
– sim?
– o sol foi embora? Eu não sinto – ela disse, erguendo os braços para fora, esperando sentir o calor dos raios.
Kakashi se aproximou, reparando que lá fora a luz diminuiu e os tons tornaram-se escuros.
O vento ficou forte e frio.
– isso por que... parece que vai chover...- disse, aturdido.
Eles se aproximaram das janelas vendo grandes nuvens negras encobrindo o sol e as pessoas se apressando em guardar mercadorias, e correr para as casas quando as primeiras e grossas gotas começaram a despencar.
Parecia que uma verdadeira tempestade cairia.
E ela não parecia trazer qualquer coisa boa, Sasuke tinha certeza.
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