Lost Inside

14 Não a deixe ser enfeitiçada.


– “Sempre que estou sozinha com você
Você me faz sentir como se eu estivesse em casa novamente
Sempre que estou sozinha com você
Você me faz sentir como se eu estivesse inteira novamente
Sempre que estou sozinha com você
Você me faz sentir como se eu fosse jovem novamente
Sempre que estou sozinha com você
Você me faz sentir como se eu fosse alegre novamente...

Sasuke disparou escada acima da torre de vigília, incitado pela voz de Sakura misturada a de uma masculina, em segundos ele estava destruindo a porta de metal com a espada e adentrando o aposento. Onde havia apenas uma cama, cômoda, mesa, e uma poltrona perto da janela.

Eles haviam deixado Sakura dormindo na cama, e lá estava ela, sentada sobre os joelhos com algo no colo e voltada para a janela, de onde ele só viu uma capa negra desaparecer.

Sasuke não pensou duas vezes antes de se lançar para a janela e descer em corrida vertical pela parede molhada da torre, seguindo a sombra negra que a descia mais a frente rapidamente.

Lançou a espada para frente cravando-a lá e então, usando o rinnegan, tomou o lugar dela e avançou para o inimigo com a mão envolta em raios.

Ele sentiu o punho atravessar o peito do estranho mas também sentiu-o se desfazer a sua volta, em água.

Ainda chuviscava, e ele olhou em volta atentamente por baixo da franja encharcada.

– nada?! – disse o shinobi que apareceu.

– era um clone.

– não pode ver seu rosto?

– não... mas tinha cheiro de menta.

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– mas que droga! Quem esse cara pensa que é?! – Naruto socou a mesa da sala abaixo do quarto que Sakura dormia, vigiada por Shizune.

– descobriram algo sobre a canção? – Sasuke indagou ao Nara. Shikamaru assentiu jogando uma pasta sobre a mesa, que Sasuek abriu e folheou franzindo o cenho ao encontrar apenas folhetos e imagens do que parecia ser um cantor ou banda.

– o que é isso?

– a música pertence a essa banda, mas já investigamos e nenhum deles é ou foi ninja, a maioria está até morta, inclusive o vocalista.

– e o que isso liga a Sakura? – disse Naruto.

– simplesmente não liga, essa musica é como outra qualquer, o máximo contato que ela pode ter tido é ouvido ela pelo rádio, alguns anos atrás.

– anos? – Sasuke disse.

– é uma banda bem antiga, doze anos atrás, já era considerada clássica, velha, essa e a outra que ela cantou hoje são clássicos antigos, nada mais.

– então se a música não tem nada haver com ela ou nos leva ao cara, o que um cara que usa clones de água poderia ter haver?

– a ultima missão de Sakura, a missão em que ela sumiu, foi realizada na fronteira do país da Chuva com um pequeno país.

– isso não faz sentido! Ela estava lá para ajudar! Além de que, não foi o tal Shin que sequestrou ela?! – o nanadaime exclamou, estressado.

Sasuke largou a pasta, irritado.

Tinha certeza que Shin e seus clones eram os únicos por trás disto, mas se haviam mais ninjas, renegados ou não, parecia que ainda estava por confirmar.

– isso tudo ainda são só hipóteses, Naruto, não podemos dizer que esse cara tem haver com o sequestro só por causa das habilidades dele.

– saco!

A atenção deles se voltou para a porta, a luz era miúda e flashs dos raios cortando os céu na madrugada ainda adentravam as pequenas janelas fazendo os cabelos de Sakura brilharem em tom rosa escuro.

Ela parecia encara-los, intrigada, e não puderam deixar de se manter em guarda quando notaram suas mechas meio agitadas, ela então começou a caminhar em sua direção, mas passou direto por Shikamaru e Naruto, e Sasuke quase saltou para trás, quando a viu vir, porém um lampejo de seu rosto, angustiado o fez travar, e segundos depois ela estavam com os braços a volta de seu pescoço e seu rosto descansou contra o peito dele.

– nani? – indagou, Shikamaru.

– o que foi? – Sasuke perguntou, sentindo o desconforto nascer quando ela inspirou profundamente e seus seios moldaram-se ao peito dele.

– frio...- ela murmurou – está frio... faça ficar quente.

– HUH?! – Exclamou Naruto, escandalizado.

Mas com um suspiro, Sasuke recordou que havia feito uma fogueira, quando chovera no dia que ela escapara para um passeio sem rumo.

– frio...- ela murmurou, e ele não estava com a capa desta vez, ou poria sobre seus ombros, lembrava ter ouvido algo sobre Sakura recordar padrões, se ele fizesse a mesma coisa que fez antes, cobrindo-a com a capa e depois deixando-a perto do calor, ela ficaria menos agitada.

Mas estava completamente encharcado desta vez, e não poderia transmitir mais que frieza.

– vou leva-la para perto da lareira – disse aos homens e se desvencilhou dela devagar puxando seu pulso rumo à saída, Sakura seguiu-o bocejando. E ele subiu o lance de escada que levava rumo ao quarto em que ela estivera antes. Olhou em volta vendo a lareira já quase apagando, e seguiu até a cama, com um chute firme, a fez se deslizar pelo chão de pedra até exatos três passos de distancia da lareira, então foi até lá e chutou sem muito interesse, mais alguns pedaços de lenha para o fogo, cuspiu uma quantidade de chamas pequena, apenas para atiçar a brasa outra vez, e logo revirou os olhos vendo aquela mãozinha tola indo em direção ao calor, segurou seu pulso.

– vai se machucar – disse – deite-se.

Ela piscou e achou a cama, apalpando-a, engatinhou para perto do travesseiro e deitou a cabeça nele encolhendo-se em posição fetal. Sasuke observou que usava um vestido cor de salmão, bem macio e leve, as alças largas sustentavam bem os seios e uma faixa verde escura de material meio brilhoso apertava sua cintura abaixo do busto, estava descalça, mas vestia meia calça preta e grossa. Os pés tão pequenos pareciam ainda menores, cobertos pelo tecido.

Ele puxou a coberta jogada de lado e cobriu-a até o ombro, encontrando aquela ovelhinha de novo, ignorou que fora ele quem a ganhara para ela.

Quando Sakura sentiu o material logo o agarrou e abraçou. E ele cansado, tanto mentalmente quanto já estivera fisicamente, se sentou na beira da cama e encarou o fogo crepitando e as chamas que dançavam uma melodia só delas, pagã.

– quem é? – Sakura indagou, baixinho e rouco, ele a fitou de lado, e levou a mão para colher a dela, erguendo até a boca, beijou os nós de seus dedos, então pousou sua mão no lugar em que estava e voltou a comtemplar a dança das chamas.

– Sasuke.- disse, por fim.

– Sasuke?

– Aa.

– Sasuke vai sempre me aquecer.

O engraçado é que não foi uma pergunta. O surpreendente era que dependendo dele, seria sempre verdade.

Deus, como estava cansado. E nem tinha esse direito.

– Aa...

Depois que ela dormiu, ele se levantou jogando mais alguns pedaços de lenha na lareira, e ao se curvar para ajeitar a coberta sobre ela, notou algo escondido no canto do pano, pegou e viu que era um caderno de desenhos e dele escorregaram uma coleção de lápis de cor. Ele recolheu todos e seguiu para fora, deu uma ultima olhada em Sakura e saiu, seguindo para baixo, foi folheando o caderno, o que encontrou foram imagens realistas, quase fotos de paisagens, vilas, montanhas, rios e mares.

Também encontrou de pessoas, crianças brincando, mulheres sorrindo de maneira maliciosa, e idosos com cada ruga perfeitamente representando suas idades e vivencias.

Quando chegou na sala, ele ignorou a conversa presente e continuou folheando, vez ou outra haviam imagens de bonecos ou criaturas estranhas, eram felpudas e tinham olhos que sempre enfeitiçavam as crianças. Eram... “fofos” como Sakuya provavelmente definiria.

Mas nas ultimas haviam imagens de Konoha, o monte dos Hokages, o hospital, os portões, a festa do Tanabata, os tanzakus enrolados nas folhas de bambu, pessoas, brinquedos...

Sakura...

– Sakura.

A imagem retratava apenas seu rosto, um dos ombros nus, e todo resto eram seus cabelos.

Seus olhos verdes encarando de forma quase determinada, fixa, os lábios perfeitamente delineados, o nariz, a sobrancelha, tudo, tudo perfeitamente ela, e era o ultimo desenho.

– o que você tem aí? – Shikamaru disse, Sasuke se aproximou da mesa, deixando os lápis sobre ela e quando conseguiu parar de encarar a imagem, jogando o caderno sobre a mesa para que vissem.

– mande pra inteligência, descartem minhas digitais e as da Sakura, isso não é dela.

– nossa?! Quem desenhou Sakura-chan assim?!

– definitivamente não foi o Sai, ele diz que nunca foi bom em desenhar rostos, além de que, ele está em missão, então o cara deixou uma pista huh? – o Nara comentou, alisando cada traço da obra e então folheando.

– oh, ele é bom...

– talvez ajam digitais mesmo, e vamos torcer para que ele esteja no sistema.

Sasuke deu as costas e seguiu para fora.

– verifique o sistema inteiro, não só criminosos, e não só nos livros do país do fogo – disse.

– você acha que é um ninja de fora?! – Naruto falou – em missão?!

– ele tem imagens da vila, podem contar tanto quanto fotografias, além de que, temos que lembrar que não só o velho Hyuuga ficaria intrigado com nosso silencio a cerca da volta de Sakura, não me surpreenderia que mandassem espiões verificarem sobre ela.

– tem razão... me pergunto se não teria sido melhor ter feito a maldita festa – suspirou Shikamaru.

Sasuke ignorou, pois achava ridículo, como se expor Sakura em sua situação a um bando de poderosos fosse fazer valer realmente seu sacrifício, no fim, ela só seria vista como uma inválida e aquilo tudo um circo para “recompensar” e “reconhecer” seu sacrifício, fazer dela uma heroína de guerra com toda essa pompa nada adiantaria, ela seria reconhecida por quem realmente importava apenas andando calmamente pelas ruas de seu lar, ali sim, estavam as pessoas que lhe dariam real reconhecimento.

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– quem é?

– alguém pouco importante.

– importante...?

– não está com sono?

– não.

– mas devia, assim fica mais difícil lidar com você.

– hum?

– mas eu trouxe algo que vai ajudar, me dê suas mãos. – sem entender realmente, ela ergueu as mãos em concha, e sentiu pousarem nelas algo meio pesado e felpudo, macio. Segurou e apalpou dando-se conta de que era algum brinquedo.

– o que é?

– ele vai cantar pra você, e você vai ficar muito tranquila.

– cantar? Como você? Porque você não canta?

Ouviu a baixa e rouca risada dele acima de sua cabeça e o cheio de menta se intensificou no ar, a mão grande e suave afagou o alto de sua cabeça apreciando quando os fios se enroscavam nele num leve efeito de defesa, um instinto que se continuava, era natural.

– vai deixá-la muito mais tranquila e vou poder leva-la.

– levar? Pra onde?

– quem sabe...

– hum?

Ele também segurou o brinquedo, pareceu girar algo, um ruído metálico e baixo soou, e então, uma suave melodia começou a soar do brinquedo.

– cantar...está cantando.

– sim, está, você gosta?

Sakura debruçou a cabeça na direção do brinquedo e o trouxe para perto do ouvido, a melodia era lenta, quase preguiçosa.

Sentia sua mente que poucas vezes seguia um fluxo mais lento, relaxar quase de uma vez, talvez rápido demais, ela sentiu-se vulnerável, mas essa sensação se dissipou logo, tal como todo o resto.

Havia só aquela musica, havia só o macio conforto que trazia a seus ouvidos sensíveis e sua mente conturbada, além de sua alma restringida.

Talvez de todas as amarras que houvesse estado presa por tanto tempo, as da sua essência mais interna, mais pura, ainda estivesse firme em volta.

Ela não sabia como desfazer, na verdade nem o compreendia exatamente, era uma coisa que estava ali, contida, presa, as vezes parecia pulsar, em certos momentos que ela não conseguia colher e memorizar. Apenas estava ali, ao alcance de sua mão, mas justamente por não saber o que era, pra que servia, ela não o fazia, e quando ficava curiosa, algo também parecia impedi-la.

Era confuso, e ela já tinha tanta coisa embolada dentro de seus pensamentos desconexos, que sempre que podia simplesmente ignorar, o fazia.

Havia algo mais naquela canção, mas ela lhe ofereceu a alternativa de escapar de todo o resto, então apenas afundou mais nela.

Ele observou seus olhos pesarem, as mãos baixarem sobre o colo segurando o brinquedo, e a cabeça cair para o lado, inerte e então apenas o ruído macio de sua respiração soar.

Largou o cigarro pela janela, e desceu da cama, contornando-a, pegou a mulher no colo e seguiu de volta a janela.

Subiu nela e saltou para baixo, uma cortina rosa escuro de fios serpenteava como uma coluna de seda sacudida pelo vento.

Ele pousou numa poça e xingou baixinho, irritado ao molhar o sapato, mas seguiu em frente.

Correu pelos bosques até o rio onde deveria reencontrar sua parceira. E lá estava ela, emburrada, sentada sobre uma pedra, enquanto montava mais uma de suas criações.

– você demorou – ela resmungou.

Ele deu de ombros, sentando sua exótica pilhagem noutra pedra, tirou a capa que usava e cobriu seus ombros, enquanto ela permanecia com aquela expressão docemente perdida, enquanto a única firmeza que tinha era a de segurar o brinquedo.

– tive que ser muito mais cauteloso, mas não podemos demorar, temos que leva-la ao sexto Mizukage agora.

– então é isso...

Os dois prostraram-se de pé num salto, ficando a frente de Sakura, e encarando a escuridão que as arvores do bosque criavam, e um olho vermelho se abrindo dentro delas com um olhar sombrio, no mínimo.

Sasuke caminhou sem pressa para a clareira à beira do rio, encarou Sakura, que parecia perdida e sonolenta no que ele já sabia ser um genjutsu auditivo, criado por um aparelho parecido com os que os ninjas de Oto gostavam de usar.

Claro, ela não podia ver, mas era suscetível a esse tipo de ilusão.

Muito bem pensado.

Ela estava em torpor, alheia a tudo em sua volta o que era bom, ele não precisaria se segurar desde que não a machucasse, posto que até seus instintos violentos estavam adormecidos e entorpecidos pelo aparelho embutido naquele brinquedo felpudo e esquisito.

– então é Mizukage que está por trás disso, esperava do Tsuchikage, considerando o quanto o quarto era explosivo e desconfiado... nunca dispensei que o atual pudesse seguir seus conselhos.

– dizer que isto é uma missão, que só fazemos o que foi ordenado e que não pretendíamos machuca-la, não vai adiantar, vai?

Sasuke fitou o homem, deveria ter sua idade, e tinha uma singularidade em seus olhos, um era azul, o outro dourado, os cabelos curtos e escuros e um ar de desleixo nas roupas amassadas e expressão emburrada.

A garota com ele parecia mais nova, usava um vestido de mangas largas e bufantes, seus cabelos sob a luz da lua pareciam loiros e opacos, e mais parecia uma daquelas bonecas cheias de frescura que as garotinhas ambicionavam, com as mechas longas presas e divididas em cada lado da cabeça enquanto acarinhava outro boneco semelhante ao que Sakura tinha como se fosse algo vivo.

Mas seu olhar não era pacifico como o do homem, na verdade era bem ameaçador e que não se importava de entrar em conflito.

– não, não vai – declarou, com um suspiro e fechar dos olhos, breve, enquanto pegava o cabo da katana. – até porque, vocês não são ninjas da Névoa, nem aqui, nem no que consta no sistema que identificou suas digitais.

Um leve lampejo de entendimento se passou na face do homem, e ele sorriu meio constrangido, mas tenso.

– você deixou digitais? Uuuuuuh! Como pode ser tão desajeitado?! – resmungou a garota, e se permanecesse calada, seria melhor, porque fazia tempo que Sasuke não ouvia uma voz tão irritante, e, na posição em que estavam, não seria bom para ela.

Sasuke sacou a espada e não tardou no ataque, como já esperava, o ninja não era lento, respondeu lançando um clone que partiu com Sakura dali enquanto o verdadeiro e a garota avançaram nele.

Ela sacara grandes leques das mangas e quando ele desviou de seu ataque viu bem as laminas afiadas escondidas entre as dobras sentiu alguns fios de cabelo serem cortados, mas ela quase perdeu a cabeça para sua espada.

–h! você quase cortou meu cabelo! – ela gritou indignada, Sasuke surgiu a sua frente numa velocidade assombrosa e segundos depois, ela voava de encontro aos troncos do bosque dada a força de seu soco.

– devia se preocupar mais com sua vida. – comentou e sentiu as pernas serem puxadas e o braço imobilizado por três clones de água que vinham do lago onde ele pousara, mas já havia percebido que era por isso que eles se encontraram ali. Um local de vantagem.

Mas não contra ele e logo o Susanoo surgiu englobando seu corpo e cuspindo para longe os clones. A água se revolveu com a violência da armadura e seu chakra grandioso e sombrio.

– isso não estava no contrato! – reclamou a garota fugindo e saltando para a encosta mas foi agarrada pela cintura pela mão da armadura e quando tentou lutar, Sasuke não se conteve para aperta-la o bastante ao ponto de faze-la gritar.

Tirou as vistas dela e olhou em volta, com atenção.

– acho que não preciso explicar no que isso deve resultar, você não tem opção.

– o que o faz achar que me importo? É uma missão, ela não é minha amiga.

Sasuke não conseguiu localiza-lo e nem a Sakura então permaneceu na posição que estabelecera, pressionando mais ainda a garota.

– mas é sua companheira, e aqueles que abandonam seus companheiros, são piores que lixo, você é?

O grito da jovem estrondou pelo local alguns segundos antes de ele finalmente notar uma movimentação vinda da mata.

Virou para lá, e viu o homem sair dela, com o olhar pesado, trazia Sakura nos braços e ela agora parecia apenas confusa, não portando mais o boneco.

O nukenin caminhou pela água e parou diante da armadura, Sasuke usou o chakra, para fixar a água, e assim, Sakura pode pousar os pés nela e ficar de pé.

A armadura, se abriu para ela, e mesmo esse podendo ser um ponto cego, ele sabia que não iriam arriscar.

Primeiro por que Sakura surtaria, segundo, porque ele só precisava pensar para que a armadura esmagasse a garota entre os dedos.

– venha, Sakura – instruiu.

– quem é? – ela disse, estendendo as mãos – este chakra...?

– Sasuke.

– Sasuke? – ela indagou, dando um passo e alcançando a mão dele, Sasuke puxou seus dedos e a trouxe para si, com pressa, logo fechando a abertura atrás dela e segurando a com firmeza consigo.

Só então baixou o braço da armadura e deitou a garota nos braços do ninja, ela estava apenas sufocada e inconsciente embora ele não duvidasse que havia trincado alguma costela dela.

Não que se importasse.

– me desculpe, Ai.

– vai ter tempo de pedir desculpas a ela, na prisão.

– hã? A prisão é mista? Nossa... que avançados...

Sasuke revirou os olhos e o Susano reduziu até apenas a caixa torácica, que continuou protegendo-o junto à Sakura.

Poucos momentos depois um esquadrão ANBU e de Jounnins estavam em todo o lugar, eles prenderam o homem e uma equipe médica levou a garota.

– bom trabalho, Sasuke – disse Kakashi.

– avise ao Naruto, parece que o Mizukage está interessado demais nos nossos assuntos.

– Mizukage?! – Kakashi não conseguir disfarçar a surpresa.

– ao que parece.

– certo... então...

– hnn?

– você já pode deixar ela ir – Kakashi comentou, o mais casualmente possível, Sasuke o encarou indignado e soltou a cintura da mulher se afastando a uma distancia respeitosa.

Sakura pareceu tentar entender o motivo de seu afastamento abrupto, mas logo Tenten veio, e a levou de volta para um novo lugar seguro para que passasse ao menos aquela noite.

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– ela está bem mesmo? – Karui indagou.

– agora está, na verdade, ela nem se deu conta do que aconteceu, apenas estranhou um pouco as coisas em volta. – Hinata disse enquanto lhes servia chá, Ino bufou mas fitou com alivio a amiga em meio as crianças, na sala.

– que bom...

– Naruto estava irado essa manhã, ela perguntou sobre o sequestrador, queria que ele cantasse, acho que a cativou...- Hinata riu.

– acho que sons agradáveis são uma boa forma de ganhar a atenção dela né?- comentou Tenten. – ele era bom, parece ser especializado em infiltrações, acho que estou ficando enferrujada, vou chamar o Lee para treinarmos.

– e por falar no Lee, vi ele hoje de manhã, correndo ao redor da vila...- disse Temari.

– tsc, esse cara não muda...

– ao menos ele esqueceu a paixonite pela Sakura, embora ele seja amável, quando apaixonado ele é bem sufocante, que bom que ela não precisará lidar com isso – confessou Ino.

– a prova de que até o Lee pode se tornar um cara normal! – brincou a Mitsashi e elas riram.

– ele trouxe flores para ela, e disse que adoraria ajudar com a reforma do apartamento dela quando começarmos.

– que bom! Já que nossos adoráveis maridos com certeza vão querer escapar dessa com alguma desculpa, ou, se vão fazer, vai dar bagunça e competição, homens...

– nem me fale.

– e se trançássemos o cabelo da tia Sakura?! – disse Chouchou.

– Chouchou, já conversamos sobre isso, o cabelo é sensível, Sakura gosta de liberdade.

– mas a gente faz bem frouxinho, que tal?

– e põe as flores! – disse Himawari.

Elas se entreolharam, embora não estivessem seguras de que poderiam conter Sakura num acesso de fúria, saberiam tirar as crianças de perigo rápido.

Apenas observaram todo aquele trabalho que entreteu até os garotos.

Começaram com uma única trança grossa e larga, frouxa, e então com mechas mais finas as quais entremearam na maior e prenderam galhinhos de flores ao longo dela.

Sakura vez ou outra afastava as mexas das mãos deles, ou desfazia as tranças, era como ver elas brincarem com a cauda de um gato entediado que a mexia apenas para observar os filhotes brincarem com ela, sem grande interesse.

Ela estava mais interessada no novo livro que ganhara, um de gravuras em alto relevo.

Isto fez Ino lembrar do retrato feito pelo sequestrador, e que ela vira na sala de Naruto.

Era um desenho impressionante, tinha que admitir, embora preferisse os do marido. Sabia da dificuldade que ele ainda tinha em desenhar rostos e suas expressões.

Ela gostou da forma como os olhos foram feitos, como se enxergassem não o mundo real, mas o que havia por dentro dele, das pessoas.

A forma determinada.

Exatamente como Sakura sempre encarava as pessoas.

– e se fizermos um quadro dela? – disse baixo enquanto deitava a cabeça sobre a mesa, as outras mulheres a fitaram sem entender.

– um quadro? De quem?

– Sakura.

– porque quer retratá-la? Ela nem poderia ver...

– eu não sei... vi o desenho que aquele cara fez... e senti como se a Sakura que conheci ainda pudesse sim voltar... não pelas lembranças, mas sua essência, antes eu achava, eu não via, como ela poderia voltar a ser a mesma desta forma, mas os olhos dela naquele desenho... eram como os dela doze anos atrás, no rosto que ela tem agora, isso tornou minhas esperanças reais e concretas sabe? Acho que não quero presenteá-la, mas a mim...

– Ino...

– terminamos! – anunciou Hima.

– pelo menos por enquanto – disse Boruto, caindo sentado, esbaforido.

– oh – elas se levantaram vindo conferir o trabalho uma longa serpente entrançada movia-se no chão com flores por toda a longitude. Terminado na cabeça em forma de tiara.

– ótimo já sabemos que tem talento pra outra coisa além de ninjas, cabelereiros!

– está tão bonito que merece um passeio e um sorvete pra que todos possam ver! – disse Ino batendo palmas.

– ou talvez pastel! Já que a Tia Sakura não gosta de doces – disse Inojin e a mãe assentiu, orgulhosa de seu cuidado e doçura.

– pastel e sorvete, vamos lá!

– vamos tia! – as meninas incentivaram, puxando Sakura para ficar de pé. Ino levou seu livro pois sabia que logo ela poderia quere-lo.

Ela gostava das crianças, mas não dispunha muita energia para com elas, em geral, apreciava apenas ficar próxima de sua baderna.

– acham mesmo que o Mizukage tem haver? – comentou Karui, quando tomavam sorvete e observavam as crianças no parque próximo. Agora correndo pelos brinquedos, Boruto empurrava Sakura num dos balanços.

E para seu azar, ela estava gostando, e esperava que ele continuasse por um bom tempo, nem um pouco afim de empurrar a si mesma com as pernas.

– que mimada – riu Ino.

– Naruto disse que Mizukage negou tudo, mas se ele mandou nukenins obviamente seria para se manter salvo de acusações concretas como teria se tivesse mandando seus ninjas, mas não podemos descartar a ideia de que aquele homem mentiu. – Hinata explicou.

– nossa, e quando as coisas pareciam se ajeitar.

– não podemos baixar a guarda enquanto aquele tal Shin não estiver preso ou exterminado – Ino declarou.

– sim...

– meus braços estão cansandooooo! – lamuriou Boruto.

– haha, continue assim e seus braços ficam mais fortes! – gritou Tenten.

– eu já sou forte!

– só precisa melhorar as notas – disse Hinata.

– okaa-san!

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Do alto do prédio e mesmo que a uma boa distância, podiam ver a serpente rosa escuro refletir o sol e serpentear pelo ar a cada balançada.

– acho que seu filho está criando paixonite pela Sakura, Naruto – comentou, Shikamaru soltando uma tragada do cigarro.

– huh? Não seja idiota! Ela conhece o Boruto desde que usava fraldas, acho que foi a primeira a vê-lo pelado na vida!

Sasuke revirou os olhos enquanto o Nara ria.

– se não quer ser espancado pelo garoto, é melhor não comentar isso em público e na frente dele.

– huh? Não enche Teme!

– vamos pra Torre, as coisas estão tranquilas por aqui. – Shikamaru disse, dispensando o cigarro e dando as costas.

– tem razão, e temos de deixar as garotas tomarem o controle de vez em quando, Hinata gosta! – Naruto comentou muito empolgado.

Sasuke e Shikamaru se entreolharam e não precisaram falar pra expressar que se perguntavam como diabos aquele cara ainda estava casado e com filhos.

– como você...- Sasuke começou.

– pelo bem da Vila, pelo bem da Vila...- o Nara explicou, com um suspiro derrotado.

– vamos logo! Seus idiotas! E você tem que volta cedo, Sasuke!

– hm? Ah...

Ele suspirou, desgostoso, como se já não estivesse cheio o bastante, ainda tinha que lembrar da consulta com Tsunade a qual já queria desistir antes mesmo de ir.

Ela queria começar logo com as preparações para a cirurgia do braço protético.

A ideia de passar por uma operação, um pós-operatório, repouso e fisioterapia à essa altura não o estava agradando.

Ele deu um última olhada no parque, podia ver as flores adornando a longa trança de longe, a blusa branca curta, a saia de pregas azul (pelo menos num comprimento decoroso) e as sapatilhas pretas e meias brancas.

Não, ele não estava afim de passar por um processo desses que só o deixaria vulnerável e principalmente, fraco, inútil.

Não agora, nem tão cedo. Tornar-se minimamente incapaz de estar no lugar certo, na hora certa, era inadmissível agora.

Notas finais
UUUUUUUUH! Que amorzinho. Foto do meliante pra quem quiser (babar) conhecer >>> http://i.imgur.com/lolaCDn.jpg Sakura toda toda Lana Del Rey, mas a musica do começo do cap é da Adele, se chama Lovesong. Talvez Lana Del Rey venha como letra em breve, não sei mas tem uma musica dela na minha cabeça q já dá vontade de usar em todas as fics :v Huuumm será mesmo que o Mizukage tá metido nessa? e Onde estão os Shins? Tão quietinhos demais! Até Sexta! Deem uma passadinha lá em "VIingador" talvez vcs gostem do meu bebê novo :3 nhonhonhon