Lost Inside
15 Não a deixe sentir a perda, nem você.
Notas iniciais

“Os dedos deslizaram suave e inocentemente acima do decote apertado até uma das alças finas, derrubando-a do ombro claro.
Noutro vislumbre, teve a visão dos lábios cheios e corados, o nariz pequeno e então dos olhos.
Olhos perdidos, mas brilhantes, semicerrados e com uma expressão manhosa e docemente confusa.
Piscando novamente, ele ficou ainda mais incrédulo em deparar-se com ela a volta de si, perto demais.
Sentia os seios contra o peito, sentia o próprio braço a volta da cintura fina e sentia suas mãos passearem por seus ombros, curiosas e dóceis.
Uma delas chegou ao queixo, e além do calor de sua palma áspera, ele via seus lábios novamente, bem próximos, muito próximos, próximos demais. Podia sentir as longas mechas o envolverem como uma serpente ousada e macia.
Estavam próximos demais, e isso gerava uma sensação ardente em seu baixo ventre, a consciência de cada pedaço do corpo dela próximo a si era escaldante. Os toques dos dedos em seu rosto, não só reconhecendo, mas sentindo, era instigante.
E o fascínio em sua face, como se fosse realmente capaz de vê-lo, era... Inigualável.
– Sasuke...
O fechar dos olhos deu-lhe um convite.
E quando menos esperou, ele estava aceitando e querendo tudo.
Seu lábio superior tocou o dela, e então os inferiores se tocaram... E então as línguas...”
Sasuke se sentou na cama quase num salto, jogando o tronco para frente, como se o tirasse de uma superfície alagada, que o afogava.
Piscou aturdido ante a luz da manhã que tocava-lhe o corpo e localizou a janela do quarto sentiu um movimento ao lado e se virou com o punho em riste, apenas para localizar Karin se remexendo preguiçosamente ao lado, encolhida sob a coberta graças ao frio que se infiltrava pela janela.
Ela adorava o frio da manhã por isso deixava a janela aberta para o quarto esfriar ainda mais, naturalmente.
Ele estava em casa, como naturalmente deveria esperar. E ao lado da esposa.
– que... inferno...?
Piscou sentindo o corpo encharcado de suor e se levantou, pisando no chão gelado, e caminhando em direção à porta, enquanto revia, incrédulo, cada detalhe da quimera assombrosa que lhe acometeu.
Aquilo foi... um sonho erótico?
Bem, ela não estava nua.
Ele sacudiu a cabeça ante o ridículo pensamento, que gerou uma imagem e um sentimento patético de decepção.
Nem pensaria mais nisso, pensar geraria mais pensamentos, mais pensamentos gerariam mais daquelas fabulações, e se a primeira veio (definitivamente, é claro) sem qualquer pré-ideia, dar “material” só pioraria.
Ele caminhou pelo corredor ainda escuro, e visitou cada cômodo, vendo o sono sossegado e inocente das crianças.
Elas não precisavam se preocupar com sonhos impróprios, e essa foi uma das poucas vezes que ele invejou-as por serem crianças, não que também adorasse a vida adulta.
E a adolescência, cujas transformações mentais, físicas e fisiológicas ele sempre ignorara, ainda fora bastante desagradável.
Embora qualquer um duvidasse (e ele nem fizesse questão de desmentir) que ele tivera problemas com a puberdade e que a sentira. Sasuke não podia negar que algumas vezes foram vitima dos hormônios em polvorosa.
Sonhos como aquele tinham vindo.
E sim, fora com ela.
Mas ele sempre tentou não dar muita importância a isso, sempre dizendo a si mesmo que fora natural, que ela era o exemplar feminino mais gracioso e próximo, que se importava com ela como pessoa, e que por isso seu corpo cheio de hormônios ferventes achara que ela era um bom modelo de tentação juvenil e protagonista de sonhos “molhados”.
Nada mais.
Por isso, era incabível, que a essa altura do campeonato, ele que já estava mais do que acostumado a não ter e nem se tentar a ter pensamentos ou fantasias dessa categoria, se permitisse ser atacado por elas.
Era errado.
Sujo.
De mau gosto.
E desrespeitoso.
Ainda mais com Sakura, em seu atual estado.
Isso o angustiou e aborreceu, não se sentia como antes, primeiro porque na época, era culpa da puberdade, segundo porque ela era alguém que podia se defender de tais coisas.
Isso o fazia se sentir o pior tipo de doente sexual.
Deus.
Ele precisava se ausentar da vila.
E iria.
Ocupar a cabeça com algo realmente importante que era manter ela e a vila fora de riscos.
Sasuke voltou para o quarto, parando diante da janela, ainda era bem cedo, o sol nem podia ser visto ainda, apenas a claridade fria e o orvalho nas folhas.
– Sasuke-kun? – Karin pronunciou, sonolenta, ela se sentou pegou os óculos, na cabeceira – aconteceu alguma coisa?
– não, volte a dormir.
– tudo bem? – ele suspirou e assentiu vindo de volta para a cama.
– Aa – deitou-se e ela tirou os óculos, voltando a se encolher com um risinho satisfeito.
– oh, está tão friozinho...- ele pareciam aluado, e ela aproveitou para se encolher abraçando seu tronco, sentindo seu calor e o perfume.
Ela percebeu que ele nunca a enxotara quando fazia tal coisa, que era ela a se afastar. Talvez, devesse parar de vê-lo com alguém tão inalcançável, e sim como marido.
Afinal, ela era aquela que estava mais próxima dele, fisicamente, ao menos...
Sasuke apenas suspirou, encarando teto.
*********************************************************************
– nossa, Tenten, Sakura fez milagre mesmo, pra o seu apartamento estar tão organizado! – brincou Ino ao entrar, Tenten corou um pouco, mexendo no cabelo ainda solto e bagunçado.
– não seja chata, eu sei que tenho que deixar arrumadinho pra ela transitar, embora não o faça muito.
– eu sei, ela fica bem quietinha em geral, mas nunca dá pra saber quando não quer sair e dar uma volta.
– sim sim.
– ela já acordou?
– acho que não, eu sempre a deixo aproveitar mais um pouco, enquanto faço o café da manhã.
– entendo, vou acorda-la, marquei hora cedo na costureira.
– eu vou fazer a comida, então.
Tenten se moveu para a pequena cozinha e Ino seguiu direto ao quarto de hospedes, entrou indo até a janela e abrindo as cortinas, deixando o sol adentra-las com força.
– bom dia! Hora de levantar, mocinha!
Abrindo o vidro da janela, ela se deparou com a brisa aquecida e com um choramingo baixo, um soluço.
Se voltou para a cama e viu apenas o cabelo descendo da cama, o bolo de panos e o ombro de Sakura, tremendo.
– Sakura? Sakura... – foi até ela, rapidamente sentando e puxando seu ombro. – Sakura o que foi? Está doendo algo? Querida – só vê-la soluçar, com as bochechas molhadas a deixou com o coração do tamanho de uma ervilha, mas quando Sakura segurou suas mãos e praticamente a encarou, com uma expressão de dor e medo tão forte Ino achou que teria o coração explodindo de dor dentro do peito.
– onde estão meu pai e mãe?
– eh?
– porque não estão aqui? Porque eu não tenho um pai e uma mãe? Eu tenho não é?
– Sakura...
– porque eles não estão aqui? Eles não me querem?
– Sakura! Por favor não diga isso! As coisas não são assim!
– então onde eles estão?! É porque não sou boa?
– claro que você é boa, de onde tirou isso?!
– eu não sou boa, eu não sou como você, eu não posso ver, é por isso não é? Papai e mamãe não querem uma criança como eu!
Ino não conseguiu se conter, e quando viu, já a havia esbofeteado. Foi só um tapa, mas não diminuiu sua dor e nem a dela.
Nem poderia, ela não fazia ideia, não fazia ideia de nada.
– é porque eu machuco as pessoas...?
– não, não machuca, e quando o faz não é porque quer, oh querida...- Ino a abraçou e ela e envolveu forte, chorando alto.
– eles não me querem, não é?
“Ele nunca me quis, não é?”
Lembrar dessas palavras, desta dor semelhante a de outrora...
Ino chorou também, sabendo que deveria acalma-la, mas estava tão cansada, tão cansada de segurar pra não faze-la se sentir mau de qualquer forma.
– eles queriam sim, eles sentiram tanta falta de você, meu bem, esperaram tanto por você..
– onde eles estão?
– eles não estão mais entre nós, meu bem, mas eles te amaram até o fim.
– eles foram embora? A culpa é minha?
– nunca será, eles te esperaram e esperariam até o fim se tivessem lhes dado esperanças, tenho certeza que onde quer que estejam eles só lamentarão não ter esperando mais, mas tenho certeza que estão te amando de lá, protegendo você de lá, eles te amam tanto, meu bem, sempre vão amar, nunca esqueça disso, e mesmo que esqueça, nós vamos lembrar tudo bem? Vamos lembrar, nós também te amamos.
Tenten saiu da porta e veio até elas, se sentando e também as abraçando.
Sakura parecia incapaz de fazer outra coisa se não chorar, não havia mais nada que pudesse ser feito para melhorar esse dia.
*********************************************************************
– e pensar que Mizukage fez questão de vir...- Naruto comentou, olhando pela janela a escolta com as bandeiras com símbolos da outra aldeia chegando ao prédio.
– isso não me deixa tranquilo – Sasuke comentou, secamente.
– tenho que concordar com o Sasuke, fique atento, Naruto – Shikamaru instruiu.
– Aa – ele concordou, um pouco pesaroso.
Mas Sasuke sabia, que embora lhe doesse desconfiar de alguém que considerava um amigo e um bom colega, ele não relutaria em tirar a historia a limpo até a última linha se significava manter Sakura segura.
O telefone tocou e Shikamaru atendeu.
– Hinata? Sim, ele está aqui, o Mizukage chegou... o que? Mas ela... entendo, sei que pedimos pra ligar se qualquer coisa acontecesse, então fique atenta caso liguemos sobre essa reunião certo? Já sabem o que fazer se algo ameaçar por aqui... certo, boa sorte.
Ele desligou e soltou um suspiro pesado.
– algum problema?
– Sakura.
– o que tem?!
– parece que ela lembrou dos pais.
Os dois se entreolharam atônitos.
– dos pais...?
– não exatamente deles, parece que ela percebeu que não tem pais, deve ser por passar muito tempo com as crianças, ela perguntou e Ino não pode esconder, agora não para de chorar.
– oh meu...
– elas vão dar um calmante a ela visto que está bem agitada, por isso vou mandar Kiba pra lá, pra ficar mais perto e de olho caso essa reunião tome rumo ruim.
– é melhor mesmo.
– não poderiam ter dito que eles estavam viajando? – Sasuke indagou.
– Ino não conseguiria mentir sobre isso para ela, aquela época foi difícil pra todos ao redor, Ino era quem ficava mais próxima deles e se martirizou muito por não ter estado lá para impedi-los de tomarem tantos remédios e descuidarem da saúde, mas Inojin era pequeno, precisava de atenção.
Todos tinham que viver suas vidas afinal, parecia cruel, mas não podiam dedicar-se a consolar um casal de idosos feridos pela espera.
E talvez até mesmo ficar tão perto deles com suas famílias bonitas, apenas machucasse mais. Era simplesmente, delicado demais.
Só havia uma cura, e ela demorou para ser achada, foi tarde.
Por um momento ele se perguntou se Sakura não chorava apenas por não ser como as outras crianças, ou se lá no fundo, ela realmente sentia que algo estava errado, que faltava.
Definitivamente sim, ou não estaria tão abalada.
Eles não podiam protegê-la de tudo. Infelizmente.
Ele se voltou a janela a tempo de ver o sombreiro do Mizukage adentrar o prédio.
Encarou Naruto e a resolução no olhar deles foi mútua e firme.
Mas a protegeriam do que fosse preciso e estivesse ao alcance deles.
**********************************************************************
– vai ficar tudo bem – Kiba disse, com um sorriso reconfortante, mas Ino já soube que nada além disso seria explicado agora. Também não queria saber realmente.
Assentiu com a cabeça, sorrindo fracamente, e quando ele partiu, voltou a fechar a porta.
Ino retornou ao quarto da casa de Tenten e sentou-se novamente na beirada da cama, afagando o ombro de Sakura, ela estava encolhida e deprimida, apenas um bolo, envolta da ovelhinha de pelúcia, e a cabeça pousada sobre o colo do coelho. Como se ali pudesse ter consolo e proteção, talvez até calor familiar.
Havia parado de chorar e gritar, mas apenas por conta do calmante que tomara a certo custo.
Tenten voltara após um banho, e Karui e Hinata traziam um lanche.
– vocês precisam comer um pouco, quem era na porta? – Karui indagou, calmamente se sentando numa cadeira e oferecendo a refeição, Ino não estava realmente com fome, mas se forçou a por algo pra dentro, ou logo marido e filho estariam em seu encalço para enfiar-lhe comida na goela.
– Kiba, a reunião acabou, e parece que está tudo bem – elas se entreolharam e soltaram um suspiro de alívio.
– então Mizukage é inocente ou o contrário?
– parece que teremos de esperar um pouco mais par saber.
– tudo bem, Sakura? Não quer comer um pouco?
Sakura enfim se sentou, e comeu, sem muita ânsia.
**********************************************************************
– Selo de quatro Símbolos...
– tem certeza que...
– Primeiro portão, Portão da Abertura, libere-se.
**********************************************************************
– ela está melhor? – Naruto indagou, Hinata assentiu, com um beijo cálido em seus lábios.
– ela está dormindo agora, foi um pouco complicado, mas está tudo bem.
Mais tranquilo ele assentiu, deixando-se admirar e descansar na beleza e carinho de seus olhos, o melhor reconforto que poderia querer nos últimos anos.
Sasuke seguiu pela sala, preferindo e nem se sentindo a vontade para ficar perto do casal.
Caminhou pelo curto corredor e seguiu até um dos quartos, entreabrindo a porta, viu Sakura ressonando, na cama, de costas para seu ângulo de visão.
– ela acordou? – Ino indagou, e ele quase se assustou, não a havia notado, mas também percebera que estava muito abatida e teve prova do que Shikamaru comentara. Ela ainda se culpava por não ter mantido os pais de Sakura vivos.
Mesmo que a única coisa que pudesse fazê-lo fossem gotas de esperanças, que nunca puderam lhes dar naquela época.
– não, ela está bem – ela assentiu, mais relaxada, e pareceu esquecer a clara antipatia por ele.
Decidido a não lembrá-la, ele fechou a porta e fez menção de dar a volta, Ino também.
Os dois pararam quando ouviram um gemido alto e ele girou na direção da porta já com o Sharingan ativado e sentindo e vendo uma onda violenta de chakra eclodir. Ao contrário dele, Ino avançou para porta, mas ele sentiu o perigo em tempo de agarrá-la e se afastar para trás quando a parede e todo o resto forma estraçalhados por violentas ondas de mechas.
Só houve pó de escombros e ele parou já na rua, em frente o apartamento, pondo a Yamanaka no chão e sacando a espada.
Naruto tinha Hinata no colo, e Karui e Tenten também saíram a tempo e todos assistiram os tentáculos rosados destruindo o andar, se debatendo sem controle.
– mas o que houve?! – Karui indagou.
– Sakura! – Ino avançou mas nem Sasuke nem Naruto permitiram e viram a mulher cambalear entre os escombros pó.
Ela se apoiou numa parede pela metade e levou a mão vaga para a cabeça. Os cabelos se alongando e contorcendo em claro sinal de violência mas também confusão.
– Sakura?! Sakura o que houve?!
– Hinata, o que você vê? – Naruto disse, Hinata estreitou a vista liberando a visão superior de seus olhos.
– eu não entendo... estava tudo bem o tempo inteiro.. o fluxo...
– o que tem o fluxo? É o chakra dela?!
– si-sim... ele circulava sempre com demasiada pressão mas agora...
– o que? – Sasuke indagou, embora visse um pouco do mesmo, apenas Hinata poderia detalhar perfeitamente a circulação de chakra de Sakura, porque era tanto que era como se embaçasse os olhos dele.
– a rede de circulação de chakra dela, algo está liberando mais chakra do que já havia, é parece estar sobrecarregando tudo.
– huh?! – exclamaram, estarrecidos.
– isso é muito chakra...- Hinata murmurou.
Sakura gritou e seus longos fios estremeceram a onda cinética criada pelo fluxo correndo pelas mechas gerou uma assombrosa pancada de ar por todo o perímetro e as janelas da vizinhança se partiram.
Eles olharam seus olhos em busca deles, mas tudo que havia eram orbes tomadas por uma intensa, uma descontrolada luz branca e muita dor, medo e raiva estampados em sua expressão.
– onde esse chakra está se liberando, Hinata?
– na cabeça dela, ao lado direito... isso é... num portão?
– num dos portões? Você quer dizer como na técnica do Lee?! – Tenten perguntou.
– eu não sei, talvez? Vem de lá, agora eu posso ver que... não são os portões! – exclamou e eles a fitaram Hinata tragou secamente e se pôs em posição de luta.
Seria doloroso, mas agora era necessário, para proteger o que amava, a vila, sua família e amigos.
Teria de lutar com Sakura.
– são selos. – declarou.
– selos?!
– selos sob cada portão, é como Tsunade-sama disse, selos de contenção de chakra limitam a capacidade dela de liberar as enormes reservas feitas em seu corpo, não conseguimos vê-los, mas agora sei porque, estavam encobertos, fixados nos lugares dos Oito portões do Sistema de Circulação de Chakra.
– não pode ser...
– o chakra é armazenado em sua cabeça, mas os selos espalhados são quem os contém, Naruto...
– ah?
– está acontecendo aquilo que acontecia com você, quando você se descontrolava e Kurama-dono tentava usa-lo... Um dos selos está enfraquecido, talvez até liberando... eu não sei porque mas... vamos ter que lutar.
– maldição...
– com tanto chakra sendo liberado... o que poderia faze-la atacar...?
Sasuke caminhou na direção dela apontando a espada.
Não havia uma mente por trás daquele chakra todo, não como era com o da Kyuubi, o que havia era só uma massa monstruosa de energia a ponto de ser liberada de uma mente frágil e atordoada, mas muito violenta.
Muito auto defensiva.
Sakura não sabia o que estava acontecendo, mas era algo que causava dor e aflição, poderia ver isso na face dela.
E ela seguiria todo aquele instinto de sobrevivência e defesa para atacar qualquer coisa ao redor e liberar esse chakra.
Ou seja, uma aldeia inteira estava em risco agora.
Era lutar ou morrer.
E era lutar para conte-la, ou mata-la.
Ele não pode caminhar muito, ela logo o percebera e uma verdadeira onda foi em sua direção.
– Sasuke! Não faça isso! – berrou Naruto.
Mas ele não poderia deixar de faze-lo, ele tinha de ser lógico e objetivo, se havia algo que pudessem fazer pois que fizessem logo.
Pois enquanto não arranjassem uma forma de conte-la ou refazer este selo, Sasuke lutaria para matá-la.
Ou ninguém faria, e a vila inteira estaria perdida. Como quando Obito liberou a raposa sobre ela décadas atrás.
Talvez essa fosse sua sina afinal.
Sempre a machucando, ou ela sempre sendo machucada por ele.
E mesmo quando parecia certo, parecia impossível que não fosse doloroso.
Ele a viu chorar, e por um momento se perguntou se ela estava ciente do que acontecia, e de quem ele era.
Ou talvez nem precisasse, talvez se ela no fim não soubesse, fosse ser menos doloroso.
Talvez depois de tanto tempo, sua desistência, sua fuga, sua luta, sua disposição, sua ânsia. Tudo acabaria, estaria fadado a acabar assim.
Desde o momento em que desistira de dar a Haruno Sakura um lar e ter um lar nela, teve sua covardia e crueldade, devolvidas na pena de, dar a ela um túmulo.
Dar-lhe paz, e passar o resto da vida sabendo que esse seria seu maior inferno.
E pensar que ainda ousara aceitar sonhar... aquele tipo de coisa, como um futuro alternativo, ou uma previsão... nostálgica e reconfortante, calorosa...
A colisão da braçada do Susanoo com um par de mechas volumosas foi o bastante para por de vez o pequeno prédio abaixo e comprometer os imóveis ao redor.
Esta seria uma batalha tão colossal quando os sentimentos revolvidos nela.
– Sakura... me perdoe, por tudo.
Fale com o autor