Lost Blue

7 Capítulo 7 – Despedida


Notas iniciais
Olá meus amores *-* Quero agradecer por acompanharem Lost Blue! Espero que gostem do capítulo ♥ Infelizmente semana passada foi muito cheia, e isso me atrasou em todas as fics que escrevo, então aos poucos vou atualizando, mas não se preocupem que não vai demorar muito hahaha Neste capítulo: Mais um novo personagem o/ Boa leitura!

Foi custoso recuperar seus sentidos, como se levasse uma eternidade para finalmente acordar. Seus olhos se abriram lentamente, desfocados, até finalmente enxergarem a realidade em torno dele.

— Ouch! — Sully segurou sua cabeça, descobrindo sangue em suas mãos. Seus olhos se arregalaram e ele empalideceu. Detestava ver seu próprio sangue, lhe dava ânsias.

Inspirou fundo e expirou, forçando as náuseas para longe, enquanto visualizava através da cabine de sua pequena nave. Estava claramente precisando de reparos, ainda havia água em todo lugar e em alguns locais até mesmo soltavam faíscas. Sully choramingou, estava preso a este planeta, isso apenas tardaria o seu plano de ser concretizado.

Levantou-se e olhou ao redor. Pegou uma bolsa, verificando se estava seca, e procurou em sua nave o que poderia aproveitar que não foi danificado pela água ou que fosse impermeável.

Quando terminou, pulou para fora da nave tropeçando no primeiro passo. Sua visão ainda estava um pouco zonza, possivelmente por ter batido a cabeça. Era provável que tivesse passado a noite inteira inconsciente. Do lado de fora de seu veículo espacial, o chão era úmido mas o mar estava recolhido, parecendo muito normal para a onda gigantesca que havia o atingido no dia anterior.

Recostou-se contra a nave quando mais uma vez sua visão embaçou, sangue pingou sobre seus cílios e escorreu por sua bochecha. Novamente lhe veio outra onda de ânsia e ele se contorceu, procurando respirar profundamente para afastar o enjoo.

Sully ouviu através da névoa que era sua mente, algo se mover através dos arbustos, foi então que notou que sua nave tinha chocado contra uma construção estranha, talvez fosse uma casa. Procurou em seu cinturão por sua arma laser, porém não a encontrou.

Estava perdido, tanto geograficamente falando, como a sua causa. Se descobrissem quem ele era, sua missão estaria fracassada, além de dizer adeus a sua vida e aos seus sonhos.

Seus cílios tremularam, sua visão turva quando a figura de algo muito grande, que não pode identificar quaisquer detalhes senão uma mancha negra, se aproximou dele. Em seguida suas pernas falharam e seus sentidos deixaram de existir para que sua mente se apagasse por completo.

—*-*-

No próximo momento em que Sully recuperou seus sentidos, estava em um lugar completamente diferente. Porém, sentia-se muito melhor do que antes. O quarto era branco, grandes janelas tomavam seu lado direito cobertas por cortinas claras enquanto estava recostado contra uma boa quantidade de travesseiros. Era tão confortável que sua vontade era de continuar permanecendo ali, mas essa não era uma opção.

Sentou-se, ainda um pouco zonzo, tocou sobre sua cabeça notando que estava quase toda enfaixada. A porta se abriu e revelou a maior mulher que ele já havia visto. Tentou não se mostrar surpreso, mas achava impossível. Engoliu em seco, nunca tinha visto tantos músculos em um ser feminino antes.

— Olá! — Disse ela simpaticamente, carregando uma bandeja. Apesar de sua aparência grotesca, simplesmente porque Sully não estava acostumado a ver pessoas assim, e não por que não era bonito. Na verdade, ela tinha sua beleza distinta. — Trouxe algo ingerível. Demorei porque tive que passar no supermercado, só tinha porcarias em casa. — Comentou, cantarolando.

— Desculpe, você poderia me dizer onde estou? — Sully perguntou educadamente, seus sentidos não cheirando maldades na senhora.

— Oh! Sua nave provavelmente foi vítima dos horários inoportunos do oceano. Estamos no planeta Xlon. — Ela riu alto.— Eu sou Morgana Spencer, é um prazer. E você está seguro em minha casa, não se preocupe. Não sei se por acaso é algum fugitivo. — Ela riu ainda mais, colocando a bandeja sobre o criado mudo e sentou-se à beira da cama, afundando muito o colchão.

Sully piscou um pouco atônito. Ele estendeu um sorriso simpático, já que parecia bem-vindo aqui.

— Meu nome é Sully Vegan, sou de um planeta distante... muito distante. Não conhecia tais detalhes do oceano deste planeta. — Estendeu sua mão e ao invés de Morgana apertá-la, ela o puxou para seus braços musculosos, o esmagando contra o seu peito.

— Você deve ter passado por tanto! — Disse ela dramaticamente. Então o afastou do abraço, olhando determinada. Sully se afastou atordoado, logo ela embalou seu rosto em suas mãos grandes. — Mas não se preocupe, eu estou aqui para cuidar de você direitinho. Olhe para este rostinho de bebê, você é tão bonito, se meu filho Zachary o visse, com certeza se apaixonaria logo de primeira.

Sully não sabia se deveria se sentir feliz pelo elogio.

— Bem… eu…

— Ah mas não se preocupe com nada! — Ela o cortou rapidamente. — Agora coma e descanse! — Ela se levantou e saiu rapidamente enquanto cantarolava. Sully ainda a viu tirar o celular do bolso e colocar contra o ouvido. — Ah Zack querido! Tenho novidades…

Sully se apressou para tentar levantar, mas seu corpo protestou tanto, assim como as fortes dores de cabeça que o fizeram retornar a se deitar e esperar que passasse. O cheiro da sopa enlatada e recém esquentada no micro-ondas ativou suas papilas gustativas. Seu estômago roncou.

—*-*-

Keesa acordou, grunhindo internamente com a dor fisgando em seus músculos. Fez uma careta antes de tentar se sentar dentro da jaula. Seus ouvidos estavam tentando compreender quais sons eram aqueles, parecia haver uma festa em torno deles, embora não pudesse ver por conta das cortinas que os mantinham isolados do mundo lá fora.

— Nós te dissemos ontem! — Um dos outros escravos na jaula apontou o dedo para sua face. — Não deveria ter tentado fugir! Agora será vendido para um dos piores clientes.

Keesa arregalou os olhos.

— Onde estamos? — Perguntou. Sua voz baixa e rouca, o que o fez se lembrar de como ele e seu amigo tinham sido espancados durante a noite, após tentarem inutilmente escapar da fortaleza. — E Luka?

Seus colegas na jaula balançaram a cabeça.

— Ele já foi vendido. Nós estamos em Exórdio.

Keesa não acreditou, imediatamente se encolheu, sua pele bastante dolorida contra suas vestes sujas. Exórdio era uma nave hotel ilegal, porém muito conhecida, onde normalmente aconteciam os leilões dos chamados “animais de estimação”, e outras classificações, como por exemplo os escravos comuns e escravos sexuais. Parecia tudo a mesma coisa para Keesa, afinal, todos esses títulos o levaria a ser vendido e ter um destino cruel. Isso se por acaso não encontrasse alguém muito bom pelo caminho, o que seria difícil.

Não tinha como escapar agora. Em parte se arrependeu da fuga de ontem e lamentou pelo seu amigo que já tinha sido vendido. Esperava que a situação dele não fosse pior do que a sua própria. Isso apenas provou a ele que suas esperanças eram bobagens.

Ele nunca conseguiria ser livre.

Seus colegas na jaula, alguns choravam baixinho, outros se abraçavam, muito atemorizados. Keesa não queria se lamentar, seu coração estava pela garganta e apenas o medo tomava conta dele. Ele era o único vestindo uma bata velha e suja, que provavelmente colocaram isso nele para cobrir seus hematomas . Os outros estavam apenas vestindo tangas para cobrir suas partes íntimas. Suas peles eram manchadas com poeira, não duvidava que ele também estivesse assim.

A cortina se abriu de um lado, enquanto dois guardas da fortaleza vestindo uniformes negros conversavam e riam abertamente.

— Está na sua vez. — Ele olhou debochando de Keesa, e abriu o cadeado eletrônico da jaula, arrancando Keesa para fora. Seus colegas gritaram por ele, e ele os olhou com horror enquanto era arrastado por ambos os guardas para o meio da multidão, até que a jaula não estava mais à vista. Keesa engoliu dificultosamente, seu estômago se rebelando pelo medo e apreensão.

Olhava ao redor, nunca antes esteve em um lugar como aquele, tão cheio de pessoas bem vestidas, todas rindo e felizes como se fosse uma espécie de festa divertida. Havia jaulas por todo o saguão, a maior parte delas cobertas por cortinas vermelhas. A luz era amarelada e vinha desde um teto muito alto, descobrindo que aquele era o primeiro andar de muitos outros logo acima.

Keesa foi carregado até um corredor. O chão era coberto por um tapete vinho, as paredes eram negras e possuíam uma série de tochas artificiais simulando as labaredas do fogo.

Suas pernas doíam bastante, assim como o seu quadril. Na verdade, queria descobrir algo nele que realmente não doía, talvez fossem suas partes íntimas que ele protegeu a todo custo, com medo de perdê-las.

— Vocês demoraram! — Gritou um homem rechonchudo, com um bigode esquisito, penteado com gel, e careca. Ele vestia uma roupa vermelha engraçada. — Eles estão esperando há mais de dez minutos!

— Desculpe, senhor. — Disse ambos os guardas de uma só vez.

— Tragam ele aqui. — Fez um gesto para que o acompanhassem. Keesa se viu levado para dentro da próxima cabine. Era um quarto espetacularmente grande e bem decorado. As cores vermelho e preto definiam todos os móveis, assim como os sofás e as cortinas que os escondiam do universo lá fora.

— Ah, finalmente! — Um rapaz exclamou e bebericou uma última vez seu cálice de vinho. Um dos garçons o recolheu suavemente. — Ele está todo sujo. — Fez uma careta.

Keesa olhou por baixo de seus cílios para ver quem era. Se parecia humano como ele, por conta de ter todos os membros do corpo e uma pele semelhante a sua cor. O que o diferia realmente eram aqueles cabelos muito espetados, uma espécie de moicano verde. Porém não parecia que ele tinha os cabelos tingidos, mas que se tratava de uma cor natural, até mesmo suas sobrancelhas tinham aquela cor. Seu corpo parecia ser bem tonificado e repleto por tatuagens, além dos brincos e piercings exagerados.

— Desculpe, senhor Askell. Ele recém chegou da Via Láctea. É um ser humano de sangue puro.

Askell rapidamente se levantou parecendo muito interessado.

— Isso é ótimo! — Ele disse completamente motivado. — Meu comandante vai adorar recebê-lo como sua bolsa de sangue.

Keesa congelou. O que ele quis dizer com bolsa de sangue? Olhou para cima e para o seu lado direito, notando um sorriso maldoso em um dos guardas que o segurava firmemente.

— Ele era o único humano raríssimo em nosso estoque de escravos. Mas podemos encontrar mais caso ele não dure muito mais do que um ano.

— Isso é algo que iremos ver. — Askell caminhou até Keesa e olhou diretamente para ele. — Coloque uma coleira nele, irei levá-lo daqui. Kim, entregue ao senhor Jubillot o dinheiro. — Ordenou. Rapidamente uma mulher alta e aparentemente perigosa, abriu uma pasta repleta de notas azuis. O senhor rechonchudo imediatamente gritou de entusiasmo e agarrou a pasta para si.

— Foi um prazer fazer negocio com vocês! — Ele repetiu uma e outra vez.

Askell sorriu diabolicamente e se inclinou para ficar na altura de Keesa.

— Até que você é bonitinho… tenho certeza que Gav ficará mais do que feliz em te usar por um tempo.

Keesa engoliu em seco, não tendo qualquer vestígio de suas cordas vocais para respondê-lo. O que Askell quis dizer com “te usar por um tempo”? Ou ele iria ser devolvido, ou morto.

—*-*-

Enfim aquele seria o dia em que seu filho Trey traria o garoto Blue de volta para a Federação dos Planetas. Logo de manhã ele havia recebido uma chamada da nave Imperatriz. Austin tinha confirmado para ele a chegada da nave deles em torno das cinco horas da tarde.

Agora era em torno das quatro, e Jack não conseguia se concentrar em nada relativo ao seu trabalho. Sentado em sua cadeira de couro, olhava para o teto, entediado. Todos aqueles papéis e pastas para verificar, assinar e colocar em seu sistema estavam além do que se consideraria enfadonho.

Sentiu uma extrema falta de sua época como capitão de uma nave, da forma como se locomovia pelo espaço sem fronteiras, sem preocupações, apenas movido pela adrenalina de suas missões, pelo perigo e pela diversão. Foi uma época que realmente valeu a pena. E pensar que era para terminar assim, em uma sala, autorizando malditos documentos intergalácticos.

— Eu não estou assim tão velho. — Levantou-se, só para descobrir que suas costas estavam doendo. — Maldição! Retiro o que disse.

Jack recostou-se contra a parede curvada de sua sala. Olhou para a frente de sua mesa, onde há dias atrás, um tímido Kayllon tinha se sentado, e depois de forçá-lo a dizer o que estava errado, ele havia lhe contado da gravidez.

Um filho, meu Deus… Jack ainda não estava acreditando naquela realidade. Sabia que tinha que aceitar, ele não era um idiota desnaturado, por essa razão que ele tinha criado Trey, com todo amor e carinho que um pai poderia dar.

Porém, talvez fosse… já que não tinha procurado por Kayllon após aquela notícia. Estava se sentindo confuso, perdido, encurralado. Primeiro de tudo, ele não fazia ideia de como contaria isso a Trey, ou mesmo uma pista de como seu filho reagiria a notícia. Quanto a Austin… temia por ele também, certamente não estaria feliz. Já na idade em que estavam, e prestes a terem um irmãozinho, que possivelmente teria idade para ser filho deles.

Jack resmungou quando seu comunicador apitou. Ele o colocou em sua orelha e acionou ligado.

— Senhor Scarlet, a nave Imperatriz acaba de atracar no porto espacial.

— Obrigado. — E desligou.

Deixou sua sala e saiu em direção ao porto da Federação. De alguma forma estava ansioso para ver seu filho, mesmo que conversassem frequentemente por vídeo, queria vê-lo pessoalmente e abraçá-lo. Havia outro fato também, queria conhecer Aquantis, o garoto Blue que causou tanto rebuliço entre a Alta Autoridade.

Trey tinha estacionado a nave em um estacionamento privado, onde apenas as naves mais importantes atracavam. Ali, não havia quaisquer pessoas senão as autorizadas a estarem, ainda mais naquele momento. Jack ficava um pouco apreensivo com o fato da Rainha esconder tão bem o garoto, como um segredo, um tesouro valioso.

Jack avistou seu filho e se surpreendeu ao receber um sorriso por parte dele. Um sorriso verdadeiro. Parecia realmente feliz em vê-lo, o que Jack normalmente não esperava.

— É bom vê-lo, pai. — Trey o abraçou apertado.

— Digo o mesmo, filho. — Jack sorriu e seus olhos encontraram os esbugalhados olhos verde-água de quem considerou ser Aquantis. O garoto se escondeu atrás de Trey e não parecia muito feliz.

— Pai, quero que conheça Aquantis… — Trey sussurrou para o garoto que se colocou ao lado dele educadamente e estendeu a mão trêmula.

Oh, ele é tímido.

Jack apertou a mão pequena do rapaz. Não tinha como negar que era belo, porém estava diferente das fotos. Seu cabelo estava muito curto, azul como deveria ser, porém muito magro e mais indefeso do que se era esperado de um jovem saudável.

As descrições que Trey lhe deu ao longos dos dias fazia sentido agora.

— É um prazer conhecê-lo, Aquantis.

— Sim… — Ele se afastou um pouco e olhou para Trey que sorriu gentilmente.

Jack ergueu uma sobrancelha, não esperava nunca ver esse olhar no rosto de seu filho. Isso era extremamente estranho em Trey.

Ele se afastou para cumprimentar Austin e depois Zachary.

— Creio que meu filho teve uma mudança inesperada nessa missão, não é? — Indagou baixinho para Austin. O grandalhão sorriu e deu um tapinha em suas costas.

— Pena que está prestes a perder o que ganhou.

Jack estava tentando compreender o que Austin falou, quando a Rainha, repleta por uma legião de guardas, todos de branco, apareceram no saguão perfeitamente limpo e vazio do porto particular.

—*-*-

Trey estava com o coração na garganta, enquanto tentava desesperadamente suprimir a dor em seu peito. Era a primeira vez em sua vida que sentia aquele tipo de mal estar.

Aquantis estava tão apreensivo, tão trêmulo. Podia cheirar o seu medo e as lágrimas perto de deixarem seus olhos bonitos.

— Você está muito preocupado. — Comentou gentilmente. Levou uma de suas mãos para afagar os cabelos curtos do jovem Blue. — Vai ficar tudo bem.

— Não vai ficar… — Ele resmungou baixinho.

Trey ia dizer algo mais quando Aquantis o abraçou pela cintura, apertado, e afundou sua face em seu peito. Sabia que ele estava chorando, tão baixo que quase não era perceptível.

— Eu vou te ver de novo? — Aqua perguntou, sua voz fraca. Porém ele já tinha mascarado suas lágrimas, embora Trey já tivesse notado os lábios cheios e tremulando. — Por favor, Trey.

Não tinha como dizer não quando ele lhe pedia tão docemente. Apenas assentiu com a cabeça. Aquantis deu-lhe um pequeno sorriso e se afastou.

— Desculpe.

— Pelo que? — Embalou seu rosto com suas mãos frias.

— Por ter tomado tanto do seu tempo. — Ele mordeu o lábio inferior e desviou o olhar. — Mas, obrigado… por ter cuidado de mim. Você foi o meu único amigo, Trey. — Ele voltou a olhá-lo, seus olhos já cheios com lágrimas não derramadas. — Eu não quero me esquecer nunca de tudo o que fez por mim. Você e os outros.

Um caroço do tamanho de um limão se instalou na garganta de Trey. Algo retumbou dolorosamente dentro de seu peito, e o universo inteiro pareceu fazer sentido de repente.

O reconhecimento finalmente atravessou a ponte e chegou até seu cérebro. Mas não foi bom, foi a coisa mais catastrófica que já aconteceu com ele.

Ele estava apaixonado.

Logo a Rainha e uma tropa inteira de guardas vestidos impecavelmente de branco vieram.

Trey engoliu outra vez e foi obrigado a desviar seu olhar do garoto para encarar um ser nada agradável. Incapaz de forjar um sorriso, ele apenas a reverenciou com respeito.

— É uma grande honra para mim estar diante de toda a tripulação da nave Imperatriz. — Ela disse exageradamente, o maior sorriso amplo de todos em sua face perfeitamente coberta por maquiagem. — E trouxeram meu jovem Aquantis de volta. Isso é um alívio. — Ela se aproximou de Aquantis, e Trey sentiu uma mão fria agarrar sua mão com força. — Creio que tenha feito o relatório sobre os acontecimentos e o comportamento dele, senhor Scarlet.

— Claro, majestade.

— Hum. — Ela olhou para Aquantis fixamente, e Trey pode sentir algo frio passar por aqueles olhos emoldurados por cílios loiros postiços. — O que houve com seu cabelo?

— Estou recuperando ele. — Aqua respondeu simplesmente, parecendo incapaz de olhar nos olhos dela.

— Que seja. Bem, Trey, eu preciso de Aquantis por duas semanas apenas. Após isso, precisarei dos seus serviços por mais um curto período de tempo. Espero que não tenha outras missões já previstas.

Trey se surpreendeu. Ele olhou para Aquantis para ver se ele estaria feliz com aquela notícia, mas o garoto apenas lhe deu um olhar estranho.

— Eu posso saber o motivo?

A Rainha pareceu surpresa pela questão.

— É claro! Aquantis precisa estar aqui para quando alguns “doutores” chegarem de muito longe da galáxia para examiná-lo. Os procedimentos serão simples, por isso duas semanas é o suficiente para a recuperação dele. E nós ainda precisaremos dos seus serviços para protegê-lo por mais um tempo.

Trey assentiu, ele queria realmente rebater as palavras da bem-humorada Rainha, porém Aquantis apertou sua mão para impedi-lo. Eles trocaram um rápido olhar.

Perguntou-se o que ela queria dizer com “recuperação” e o que exatamente seriam esses exames.

— Vamos, Aquantis. Irei me retirar, agradeço pelo bom trabalho, serão devidamente recompensados por tudo. — Ela lhes disse, pegando diretamente a mão de Aquantis e o levando com ela. Incrível como era alta e Aqua parecia uma mera criança ao lado dela.

Trey se sentiu vazio. Seu olhar seguiu Aquantis, e algo se quebrou quando o menino Blue olhou para trás e para ele, não mais segurando as lágrimas.

A respiração de Trey engatou quando ele simplesmente deixou a todos e entrou em sua nave. Ignorou o chamado de seus amigos, de seu pai, e simplesmente se trancou em seu quarto.

Quando chegou, se viu cair em seus joelhos e mãos e olhar para o maldito carpete, dor irradiava por cada grama de seu ser. Aquilo havia sido a sua morte.

Continua...

Notas finais
Gostou? Espero que sim ♥ Obrigada por ler Lost Blue e continue acompanhando! beijinhos